quinta-feira, fevereiro 28, 2002



Rosa Leonor,

Visitei o seu site. Gostei! Como não gostar se tudo lá faz sentido e tem uma força enorme ? Se me permitir, numa proxima actualização do Cais, gostaria de dar a conhecer alguns dos seus textos. O poema que me enviou é muito bonito, e seguramente muito familiar. Admiro a sua postura ousada, sem dúvida, mas coragem é coisa que nunca nos faltou, a nós mulheres. De outro modo, como haveríamos de ter suportado milénios de subjugação e sublimação, à força de teses, teorias e praticas que tudo apostaram em nos relegar para o domínio das infra-qualidades?

Detenho-me a pensar , o porquê de tanta “sarna” contra o sexo feminino, contra o ser mulher...? Porque se afadigaram tanto os homens de “pensamento” em criar cidadelas conceptuais, onde nos encerraram? Que poder emana de nós mulheres, que tanta atemoriza? Porque nos dividiram entre o ser puta e o ser santa, entre o ser Mulher e o ser Mãe?

Mas paulatinamente vamos tomando consciência e vamo-nos despojando das gangas envolventes e das mentiras.... ó prodígio dos prodígios, que tantos séculos de sujeição, e achincalhamento, não bastaram para sufocar “isto” que está em nós. Algumas décadas, surgido o ensejo, bastaram para dar o “lamiré” do que somos capazes. E algumas décadas, são um minúsculo grão de areia em tudo o que vivemos e teremos ainda para viver. Parece-me que o que se avizinha é grande, em termos do que a mulher será chamada a fazer, como motor de transformação dos novos tempos.

A sociedade precisa de se “feminilizar”, trazer á tona as emoções os sentimentos e a capacidade de os expressar. Quanto não perderam os homens com o chavão “ um homem não chora”? Embutidos numa falsa visão de poder, que lhes traria o Ser Homem( ideia perpetuada pelos tempos e pelas mulheres que foram, enquanto educadoras, incutindo essa visão machista) quanto não perdemos todos, homens e mulheres?

A “libertação” da mulher vai trazer, por arrasto, muitas outras libertações. E não poderemos ficar-nos pela nossa perspectiva de mulheres e cidadãs europeias, onde apesar dos muitos obstáculos, conseguimos mostrar isso de que somos capazes, sejam-nos dadas as oportunidades. O mundo vive, em muitos lugares, situações de treva, e esta verifica-se sempre que a infra-humanidade impera. Hoje, vejo o grau de evolução de uma sociedade , pelo lugar que atribui às mulheres. E por muito que possa respeitar a individualidade de uma cultura, toda a sociedade que subjuga, sejam quais forem os parâmetros. (culturais, económicos, políticos, religiosos) pelos quais o faz, é uma sociedade castradora, que não permite a realização e a assunção total da cidadania e mais além de tudo isto a plena expressão da nossa humanidade.

Há muito para andar e nós mulheres apenas tacteamos o caminho. O nosso despertar atravessará todas as dimensões da vida, e nada mais será igual sob a luz jorramos para o mundo.
Um abraço amigo

Angela
*** ***
OBRIGADA ANGELA

Tenho o maior gosto em contar com outras vozes, de outras mulheres que sintam na pele o mesmo estigma, o da divisão do seu ser em duas ou três...herança de séculos, que em pouco ou nada mudou, tendo sido apenas disfarçado com pseudo-culturas e "evoluções" que não restabeleceram nunca em definitivo a INTEGRIDADE DA MULHER. Enquanto houver divisão da mulher em si e ela for um instrumento ainda usado onde quer que que seja, ao serviço do patriarcalismo, nenhuma mulher no mundo se pode sentir livre ou digna! Este é o objectivo! Devia sê-lo de todas as mulheres.

quarta-feira, fevereiro 27, 2002

QUERIDA aNA, ACHEI ESTA IDEIA GENIAL!

"Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez do que vestir a verdade
que dentro em ti se achava inteiramente nua..."


QUINTANA
Nota à margem

Li ontem um jornalista muito inflamado e indignado com o Prémio Nobel da Literatura português, José Saramago, porque este mais uma vez perguntava que utilidade teria ir a Marte ver se há água quando a água do planeta está toda poluída e não se faz nada...
Ou com os milhões de dólares que se gastam em buscas de outros planetas não se tratam doenças e ainda antes disso o sofrimento atroz e a fome, digo eu...
Em nome da Ciência... abandona-se a raça humana à procura de pedras... ou o que seja e nem que fosse outro ouro qualquer, mais valia SIM, tratar da TERRA!

Como sempre o homem vai procurar no quintal do vizinho o que devia procurar no seu...
QUANDO ACABARÁ ESTE DRAMA SEM TEATRO
OU ESTE TEATRO SEM DRAMA
E REGRESSAREI A CASA?


Fernando Pessoa


DIÁRIO - folhas soltas

Às vezes o ritmo da respiração é mais lento e mais fundo...absorve-se mais ar, mais tudo. Apetecia-me ficar quieta hoje, e concentrada em mim ou em frente ao Mar. Neste momento apetecia-me meditar profundamente, sentada... em postura de lotus. Deixar-me afundar no meu ser e partir em viagem pelo cosmo...dentro! Mas tenho um dia pela frente. Muitas horas vazias, sem qualquer utilidade a que se chama "trabalhar".
Horas repetidas, cada dia, quando queria ser livre e respirar o ar do mar...

Ter uma praia extensa, com o horizonte em frente, o sabor do sal nos lábios e o vento ou a brisa na cara, o cheiro das algas e caminhar na areia molhada descalça... Mas tenho um problema: não consigo sonhar acordada! Nem imaginar paraísos terrenos embora os haja! Há lugares maravilhosos mas a liberdade para mudar ou desfrutar - não falo das "férias", claro, falo da vida! -poucos a têm... O previlégio quase de estar na natureza quando natural devia ser estar sempre em contacto com a beleza do planeta e não presos no cimento e no betão, como baratas tontas esmagadas pela ambição, destruíndo a natureza em nome de uma economia ou de uma "civilização"...
Eu vejo-me confinada a uma "sala de estar" sumptuosa, de porta aberta para a rua, cheia de ruídos e carros e poluição, a vender antiguidades... Há quem me diga que melhor não podia estar, mas eu vejo-me reduzida a ver os eléctricos a passar...
Que a Deusa nos perdoe tanta aberração e sonho isso sim voltar a um Jardim do Eden ou a outro planeta ou dimensão...

Para a Ana Maria G. que vai para uma Ilha muito especial VIVER!...

***** ***

MANUAL DE ASCENÇÃO

"Os físicos concluíram que a única vez que as partículas sub-atómicas são verdadeiramente partículas é quando as podem observar; fora disso são ondas de energia. Desta forma, jamais chegarão a conhecer a condição de um electrão não observado, pelo que não existe uma forma de determinar a estrutura básica do plano físico ou de explicar como funciona.

Num nível mais profundo, estamos a falar de irrupções de energia consciente para dentro do plano físico. Esta energia, ao deslocar-se a velocidades incríveis, aparenta solidez... da mesma forma que as pás de um ventilador eléctrico em movimento rápido dão a sensação de serem um disco sólido!

Assim sendo, o mundo material não passa de uma ilusão?Sim. Todo ele é feito de hologramas e de ondas estacionárias.
A base de qualquer tipo de organização da energia em matéria é a onda estacionária. Esta ideia é vital para poderes entender o que és e como te manifestas.

O que se segue pode parecer física mas, de facto, é a essência da metafísica."

(...)

terça-feira, fevereiro 26, 2002



Autrefois, dans une autre vie,
J'ai eu peut-être
Une fenêtre
Ouverte sur la nostalgie.

***

Oh, elle
Celle
Qui est si belle
Est toujours la femme d'autrui.


****
INÉDITOS de Fernando Pessoa
Ah, pudesses tu dormir
no peito da mais terna amiga...


SAFO
**** ****
A alquimia do amor permite descobrir as várias faces da Anima. Anima que é, segundo Jung, a mulher que se tem dentro (no caso dos homens; no caso da mulher falar-se-à de Animus).É a personificação feminina do seu inconsciente. A personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem, tais como a receptividade ao irracional, a capacidade para o amor, o sentimento da natureza, e a relação com o mundo inconsciente.

A Anima surge frequentemente como bruxa ou sacerdotiza - alguém que se relaciona com as forças ocultas do outro mundo. A sua caracterização, benéfica ou maléfica, depende em grande parte da mão que o homem teve. É pela mãe
que esta forma interior se vem modelar. As sereias gregas, a Lorelei germânica, conservam o aspecto nefasto que a Anima pode
ter, levando o homem à sua própria destruição.

in A ALQUIMIA DO AMOR de Y.K.Centeno

***** ****
...onde todas as cores se misturam...

SAFO


SACRIFÍCIO

Gosto dos egípsios,
queria voltar aos seus templos antigos,
à sua vida vida simples e pura...

Está viva ainda na minha alma a imagem de Ptat.
Sobe na minha coluna o fogo da origem
e os meus braços abertos o seu doce fluxo recebem.

Abraço Shekmit e os seus seios descobertos
e deito-me no seu manto de rainha escarlate.

Ofereço-me em sacrifício a Bastet,
para ver os seus olhos amendoas de gata sorrirem...

Ficar presa nos seus sortilégios,
ser iniciada nos mais altos Mistérios,
e poder olhar de frente Ra, Amon e Maat.

in "Mulher Incesto" - Sonata E Prelúdio"

A minha devoção a Bastet é incondicinal.
E qualquer gata do templo ou da rua, bandida ou nua, abandonada ou mimada pode contar comigo...

segunda-feira, fevereiro 25, 2002

NOTA À MARGEM

Quando evoco a Deusa ou falo da Mulher exaustivamente não é a apologia de uma sexualidade que eu faço directa ou indirectamente e para que não restem dúvidas, quero sublinhá-lo bem aqui.
Eu falo e defendo uma essência comum a TODAS as mulheres independentemente das suas preferências sexuais.
Falo da ESSÊNCIA e da BELEZA da Mulher eterna ou do ETERNO FEMININO.

Pretendo a reconstrução do Templo da Deusa na Nova Era.
Esse Templo Sagrado, não tem pilares que o sustentem nem altares ou padres...
É no Centro do Coração e na Consciência de um novo SER, homem-mulher . O Indivíduo - aquele que não pode ser dividido!
Para isso é urgente a integração do Feminino por excelência, no interior e no exterior... Em todo o mundo!

I'm a Wind Spirit>

.
MANUAL DE ASCENÇÃO

"Podes não te ver como um iniciado de uma moderna escola de mistérios, mas é isso que tu és. A maior parte das coisas que se ensinava aos iniciados da antiguidade está disponível, hoje em dia, de forma generalizada em livros, incluindo este. O mesmo ocorre, aliás, com os tipos de instruções que eram fornecidas para desenvolver as habilidades psíquicas. Se isto te surpreende, lembra-te de que, antigamente, a maioria da população não sabia ler e era governada por aquilo a que chamarias superstição primitiva.
Mas tu tens ainda outra vantagem sobre os iniciados das antigas escolas dos mistérios: nesse tempo, a ascensão era uma experiência pessoal e individual; hoje em dia, porém, o planeta inteiro está a dirigir-se para uma ascensão planetária. Para que todos possam fazer as mudanças necessárias num curto lapso de tempo, muitos seres, tal como eu, estão a preparar o caminho para que vos seja possível acompanhar o passo do progresso do planeta.
Portanto, estou aqui para vos falar da ascensão, da vossa iminente ascensão, e não de um acontecimento histórico distante.

Estou a falar de mudanças que já estão a verificar-se e que se prolongarão ao longo dos próximos anos." (...)
(...)

Agora, necessitamos de definir outro termo – espírito - porque, de facto, a tua noção acerca do que é o teu espírito, o meu espírito, o espírito dele, o espírito dela e assim sucessivamente, é um conceito linear, limitante e, muito simplesmente, errado. Quando fores capaz de transcender os níveis mais baixos da separação do plano físico, passará a haver somente ESPÍRITO – uma energia sempre mutável que é, e está, em unicidade consigo mesma. Trata-se de uma energia que tu conheces através de designações como «Deus», «Tudo O Que É», «Fonte», «Grande Espírito», etc.
Pela minha parte, neste livro, utilizarei o termo ESPÍRITO (com maiúsculas) sempre que me referir à unidade; quando houver necessidade de aludir à separação preferirei o termo «eu-espírito». Nesses casos, estarei a citar aquela porção individualizada do ESPÍRITO que relaciono contigo, com esta tua encarnação e com todas as outras experimentadas ao longo do tempo; também associarei «eu-espírito» com os níveis não físicos, mais elevados, do teu ser. Lembra-te, porém, de que uso esta definição apenas por questões de facilidade de entendimento, pois só há um ESPÍRITO.

Serapis

domingo, fevereiro 24, 2002

UMA RECEITA DE ALQUÍMICA DE SOLUCIO

Dissolve então sol e lua em nossa água solvente, que é familiar e amigável, cuja natureza mais se aproxima deles, como se fosse um útero, uma mãe, uma matriz, o princípio e o fim de sua vida. E esta é a própria razão pela qual eles são melhorados ou corrigidos nesta água, porque o semelhante se rejubila no semelhante... Assim, convém te unires aos consaguínios ou aos da tua espécie... E como o sol e a lua têm sua origem nesta água, sua mãe, é necessário, portanto, que nela voltem a entra, isto é, no útero de sua mãe, para que possam ser regenerados ou nascer de novo, e com mais saíde, mais nobreza e mais força.i

n Secret Book of Arthius

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A Magia provém da união do Feminino com o Princípio Transpessoal.
in "A Grande Mãe" de Erick Neumenm
Toda a gente já reparou certamente que eu raramente ou nunca falo de homens nem de política ...
Que me confino a Mulheres e Deusas e Poetas porque esses não têm sexo nem falam de política e se falam dizem como António Boto tão bem disse :

"Ó Sol das liberdades primitivas da pureza
E sem os preconceitos criminosos da política moderna,
Moderna porque é feia, destituída.
Da sua missão de governar pela justiça,
- Sol sem pretensões e sem grilhetas
Consola de amor e de fé essas raças tristíssimas
E pretas."


e as mulheres...

porque foram as mulheres os "bodes expiatórios" de todas as guerras e conflitos e são-no em casa da pobreza e da fome... e ainda levam pancada dos maridos pobres e ricos....

E dizem as sofisticadas e as "literadas" ou emancipadas-prostituidas que não é já assim e que tudo mudou, mas eu não esqueço as Mafias aí na nossa cara, que exportam mulheres de Leste e do Brasil para as prostituir e vender aqui mesmo em Portugal, nem as violações cometidas, nem os pedófilos do mundo inteiro...

- "Que maçada esta intrometida exagerada", dizem as burguesas inveteradas que se julgam felizes com plásticas, velhas tontas armadas em vampes, nos carnavais da vida a discutir maridos e amantes na praça pública ou no Sandromo no Carnaval do Rio de Janeiro: portuguesas de "nome" e colunáveis da "caras"...

Mulheres e Deusas e Poetas, sim, porque a política é um Bordel onde todos se compram e vendem em nome do País e das mulheres que desprezam...

Os misóginos académicos que inventaram a própria palavra e esqueceram até no dicionário uma palavra correspondente para a mulher...porque era garantido à mulher eles nunca poderem ser indiferentes, como é o meu caso. Mas hão-de ter um nome perjurativo apontado se me lerem, para me inferiorizarem!

AH sim é uma angústia ver o País em descrédito... abandalhado e confuso, entre campos de futebol e a EUROPA da bola e da política, entre os gritos dos vampiros, parasitas e sanguessugas dos monopólios, em busca de "tachos e panelas", tudo ao pontapé. Um novo Governo, uma nova chusma de ladrões a ganhar milhares de euros em empresas fantasmas ou creditadas e a discutir se continuam ou não a dar o subsídio de rendimento mínimo de uns miseráveis euros aos pobres que trabalham... Isto é a política real no paÍs real de que eu não quero falar!

AH! todos sabemos que os políticos nunca foram mais do aqueles que sobem ou "vingam" na vida para se vingarem...
Sabe-se lá de quê...Normalmente das mães e das mulheres...

AH! AS MÃES! ...

as bRUXAS ALÉM DE EMPATA fADAS, TAMBÉM EMPATAM pOLÍTICOS...

tAMBÉM OS POETAS SABEM:

"Não há homens salvadores. Não há Messias. O maximo que um grande homem pode ser é um estimulador de almas, um dispertador de energias alheias."

FERNANDO PESSOA

****** ****


sábado, fevereiro 23, 2002


Sonatas e prelúdios...

Lembras-te, foi em Tentyres,
quando a deusa com máscara de gata
dançou e lançou um feitiço quando te viu?
Levou-te com ela... desde aí fiquei só.

(...)

Leva-me contigo ao Egipto,
vamos na direcção norte-sul, ver a tua Mastaba,
Quero ver o Serdab.

Tenho saudades da terra vermelha
e de contigo andar e olhar o sol a brilhar.

Anda comigo a Dendera, ver Hathor, ouvir cantar:

Adoro a mulher dourada
louvo a sua majestade
celebro a senhora do céu
canto os louvores a Hathor
e à sua gloria soberana
CANSA SER, SENTIR DÓI, PENSAR DESTRUI.
Fernando Pessoa



***** ****

Nómada do cosmo

Ó Raínha do mundo!
Porque fui por ti abandonada?

Porque me expulsaste do teu ventre cósmico
Porque me tiraste à força para fora,
com que raiva e dor, com que bondade ou amor

... que eu tudo esqueci e agora...

Não compreendo nada, não vejo a razão do meu ser aqui!
Amputada que me sinto à nascença de ti,
pela tua memória sempre assediada...

Ó Rainha do Mundo!
Porque me deixaste só neste planeta tão adverso,
Cheio de bestas e pestes, entre uma raça perdida,
Cheia de ódio por causas de nada?

Até quando será assim?
Até quando te esquecerás de mim
E de toda esta humanidade enjeitada?!

in "Mulher Incesto"

sexta-feira, fevereiro 22, 2002

AS CANÇÕES DE ANTÓNIO BOTO
13

Ó sol violento, incendiado
Pelos poentes que ficam
Até que o céu seja estrelado,
Sol dos pintores que não cabem na moldura
Da exposição oficial,
Com ministros e convidados,
Mas tonta de pormenor naquelas minguadas cores
De laboratório banal, -.
O que pensas da pintura actual,
Tão ridícula na pincelada
E sempre falsa e atrasada?

Cantando e gritando na luz do meio dia
Sol da selva, lança mordente das Áfricas,
Vitorioso e cheio de nostalgia,
Adoecendo os falsos poetas que te cantam,
Sempre morto, esverdeado e fedorento,
Queima-os nas tuas brasas entornadas
Para que fiquem sem alento,
E não os deixes mais mentir, nem enganar,
Falsificando a verdade sem te cantar.

Ó Sol das liberdades primitivas da pureza
E sem os preconceitos criminosos da política moderna,
Moderna porque é feia, destituída.
Da sua missão de governar pela justiça,
- Sol sem pretensões e sem grilhetas
Consola de amor e de fé essas raças tristíssimas
E pretas.

Ó Sol das madrugadas reservadas
Para os lamentos das guitarras e do fado
E da moleza,
Faz com que eu seja mais queimado
Trigueiro da cor dos Índios do Amazonas brasileiro,
E leva-me contigo, Sol da poesia
Em que a palavra de uma certeza
Num destino melhor da humanidade
Me possa dar outro sentido
Mais profundo,
Esclarecido e maior
A esta beleza
Sem o senso da inferioridade,
- Essa doença
Que mora num morro de cidade
Com foros de pertencer
A uma certa e digna sociedade,
E não passa de miséria mijada, destituída
E sempre vivendo na descida.




“O feitiço contra a feiticeira?”

Primeiro a surpresa de receber respostas a e-mails que não mandava... depois a perplexidade perante o “vírus”, nefasto e inútil a anunciar a mais estúpida e gratuita forma de banditismo...Não compreendo que gozo é que pode dar destruir ou atacar um mundo de expressão virtual! Neófita que sou na internet, fiquei completamente espantada com o fenómeno...Foi-me extramente difícil conceber todo esse absurdo... não só me sinto completamente inocente como ingénua por acreditar que estava a salvo, até começar a receber agressões e ameças... e Ter que pagar a conta telefónica! Quantos e-mails piratas foram enviados em meu nome? Para listas de listas... estrangeiros e desconhecidos? Sinto-me devassada e roubada, mas uma coisa é certa: o que as pessoas receberam para além, infelizmente do vírus, foram noções de verdade profunda ou poesia escolhida, como é o caso de Fernando Pessoa, citações de livros importantes e nesse aspecto só propagou textos de qualidade ou verdades intemporais. Modéstia à parte o vírus fez um bem embora pela via do mal... e para muita gente foi uma parte do poema de Pessoa:

“O FADO FADA ALHEIO AO BEM E AO MAL”...

Queria daqui desculpar-me por qualquer dano causado, certa de que a maioria das pessoas para quem o vírus foi enviado não foram tão incautas ou ingénuas como eu...Queria também agradecer a simpatia de muitas dessas pessoas e avisar que já estou protegida...até ver!

»»»»» ««««««

quinta-feira, fevereiro 21, 2002

AH! e devo acrescentar, sem falta, que me sinto muito honrada de "Mulheres & Deusas" aparecerem no Jornal do Brasil...
e agradecer à Beta Correia o seu trabalho.


QUEM TEM OLHO EM TERRA DE CEGOS É REI...


Eu vou explicar:
Durante uns dias perdi a conecção com o POST de Mulheres & Deusas e confesso que fiquei desorientada...
não via mais as estrelas do céu aparecerem...
e tudo ficou desolado à minha volta e eis que apareceu uma estrela ainda mais brilhante que o SOL e me deu asas...
Eu sou desde sempre apaixonada da DEUSA MAAT...

e confesso, roubei a deusa à "Gata Bandida" lá do telhado dela...
BRRRR...
(espero que não me arranhe)

EUREKA! Consegui finalmente entrar o Portal Mágico

ANA, Fada Madrinha com varinha de condão, OBRIGADA do fundo do meu coração!


IV

QUANDO ME DÁS AS BOAS VINDAS
DE BRAÇOS BEM ABERTOS
SINTO-ME COMO AQUELES VIAJANTES QUE REGRESSAM
DAS LONGÍNQUAS TERRAS DE pUNT

in poesia do antigo Egipto
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SUSAN SONTAG -ESCRITORA AMERICANA

CORAGEM E LIBERDADE de uma MULHER INTEIRA:

eM DECLARAÇÃO RECENTE E OUSADA A ESCRITORA DIZ A AMÉRICA CULPADA DOS ATENTADOS DE 11 DE SETEMBRO...

Do livro "NA AMÉRICA" - excertos

(...) Somos o que pensamos que somos, disse Ryszard para si próprio. O que quer que ousemos pensar que somos. E ser livre de pensar que somos alguma coisa que não somos (ainda não), alguma coisa melhor do que aquilo que somos - não era essa a verdadeira liberdade pelo país para onde viajavam?
pag.114

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" Amor, uma voluptuosa renúncia ao discernimento. Amor, em eterna mutação - mudando tanto na ausência como na presença da pessoa amada(...)Um dia desejo, puro desejo. Apenas podia pensar na nuca branca e macia dela, a curva dos seios, a espessura rósea da língua. Um dia depois o fascínio. Maryna era o assunto mais interessante com que alguma vez deparara. Outro dia: é apenas (apenas!) o fascínio.(...)E por vezes, muitas vezes: não, é admiração. Tem um grande talento, e uma grande alma; é sincera, o que eu não sou."
pag. 133

*****

(...)"Como viaja rapidamente a inteligência. A inteligência viaja mais rapidamente do que qualquer outra coisa no mundo."
pag.135

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(...)"O real é aquilo que não nos deixa maravilhados, que não nos deixa abismados: não é mais do que a terra firme que rodeia o nosso reduzido charco de consciência. Que seja real, que seja real!"
pag.141

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O sonho de um sonho



Quando me levaram na sua plataforma cinzenta e me fizeram entrar num círculo de luz totalmente envolvente eu parei de pensar! Entrei na sua órbita e a partir daquele momento tudo se passava como em câmara lenta. Eles (ou elas) falavam comigo pelos olhos... Todos esses seres eram fascinantes e moviam-se suavemente como que empurrados por uma luz rosa e brilhante que os fazia parecer pálidos e transparentes... Eles (ou elas) “falavam” sem mexer os lábios e sem som, apenas os seus olhos sorriam e se exprimiam com eloquência inusitada, cheios de um amor sereno e envolvente, quente mas sem qualquer emoção neste plano (o humano) identificável.

De cada vez que me olhavam (ou falavam), o meu coração parecia que batia em uníssono e eu compreendia tudo o que queriam sem me impor nada. Tudo o que diziam (ou olhavam) ganhava vida em várias dimensões projectado em música e cores, que se transformavam por sua vez em harmonia pura e todas as células do meu corpo (ou o meu espírito?) dançavam numa alegria única e imparável, sem qualquer alteração da face mas nos olhos de todos a celebração de uma infinita bondade e unicidade. Vi e senti coisas completamente impossíveis de pôr em linguagem humana, mas eu sentia que ficava para sempre com o registo das suas auras e conhecimento de algum modo integrado, quando voltasse à realidade do mundo das dualidades.

Percorri uma cidade movimentada e populada de seres jovens ou de idade indefinida tal como os sexos, muito activos e tranquilos e que se moviam em grande harmonia. Tudo era dourado e rosa, o céu e a paisagem, mas as flores e as árvores possuíam uma infinita gama de tons e a água corria muito límpida de fontes e lagos. Os edifícios não muito altos, e casa de tamanho médio eram brancas, cinza e prateadas. Não se sentia ou tinha a noção de tempo e espaço pois tudo se fundia como se o nosso ser fosse tudo ao mesmo tempo, não havia qualquer separatividade.

Em momento algum me senti estranha ou fora de nada. Cada vez mais compreendia e abrangia aquele universo como parte integrante de mim, sem angústia dúvidas ou dicotomias. Tudo era perfeito e harmonioso. Nada me assustava ou cansava. Depois de muito (ou pouco ?) andar sempre com uma sensação quente de plenitude ou de beatitude, pois as duas sensações eram a mesma, deixaram-me numa sala vasta com intensa luz e uma música inigualável e sem possibilidade de comparação com a maior ou melhor sinfonia deste mundo, pois vibrava e escutava-a dentro e fora de mim como parte de mim mesma, como se a respirasse...

Comigo estava um ser de rara beleza se assim posso dizer, e ela (ou ele?) contava-me coisas acerca da sua existência, diferenciando a existência como somatório de todas as vidas, o que a gente chama de encarnações, e só me lembro de a seguir me ter perguntado se eu sabia com se “fazia” amor ali, e eu disse que não e ela (ou ele), olhou-me de uma outra maneira. Agora, um tudo nada diferente e eu comecei a sentir uma sensação de vibração mais aguda e lenta a penetrar-me pelos olhos até à alma, e o meu coração começou a arder num fogo ardente e insuportável no limiar do prazer e dor que se foi alastrando pelo corpo todo e eu fiquei paralisada em absoluto êxtase, presa nos seus olhos que sorriam-falavam em silêncio e não se moviam e me penetravam bem no âmago do meu ser até me deixarem suspensa numa infinita beatitude, extática.

Só quando deixou de me fixar eu pude a pouco e pouco recuperar um pouco a minha identidade. Mas o seu ser a partir daí amalgamou-se ao meu e eu não conseguia perceber onde começava ela (ou ele) e eu... Ele (ou ela), sorriu (o que me pareceu ser sorrir) e disse sem falar que eu agora era ele ou ela e lhe pertencia para toda a eternidade...

quarta-feira, fevereiro 20, 2002

O medo da autonomia nas mulheres...


“Grave no nosso conformismo, não é só o facto de vivermos todos, até certo ponto, involuntariamente segundo a vontade dos outros. O realmente perigoso é que a partir do momento em que vivemos, por assim dizer, fora da nossa corporalidade, começamos a temer a liberdade que acordou,de repente, pela manifestação do nosso sentido individual primitivo. Todos nós desejamos ser livres mas, ao mesmo tempo,, estamos em vários sentidos comprometidos com o poder, desejando o reconhecimento e os louvores dos seus detentores. Isso condena-nos a procurarmos eternamente a aprovação da mesma gente que nega as nossas verdadeiras necessidades.”
In "A traição do eu - o medo da autonomia no homem e na mulher", de ARNO GRUEN

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Passando este discurso para o feminino, isto é ainda mais exacto que no sentido do humano em geral, uma vez que os homens são os detentores do poder ainda e a mulher lhe está completa e inconscientemente (na maior parte dos casos) submetida, e por esta razão é mais afectada do que o homem em geral...

Assim, denunciar o conformismo com que nós mulheres nos limitamos a gerir o nosso desconforto e sofrimento inerente a essa luta, desejo de autonomia e necessidade compulsiva de agradar ao Poder , é fundamental para um movimento de consciência da nossa corporalidade, não enquanto objectos de prazer ou de procriação, mas de indivíduos completos. Luta agravada pelo facto de o poder pertencer aos seus filhos, pais e maridos, que a breve trecho as anulam pela ordem vigente e pela lei, nomeadamente sobre o “ABORTO” em que decidem mais uma vez sobre o corpo e a vida de quem não lhes pertence, A MULHER, nomeadamente, na voz de padres estéreis, políticos misóginos e até homossexuais camuflados que decidem ou pretendem decidir pelo que diz exclusivamente respeito às mulheres!

As mulheres são as suas Mães, de todos, desmamaram-nos! E elas mais do que ninguém têm a qualidade inerente e a sabedoria inata de decidir quando devem ou têm de optar pelo aborto. E nunca em momento algum, salvo situações de crime óbvio, podem ser julgadas pela sociedade masculina e patriarcal, pois o homem não participa nas dores nem do sofrimento da mulher! Ele, quando muito, usa-a ou serve-se dela e propaga uma economia em família de acordo com interesses do estado e raramente como ser humano amoroso ou respeitador da liberdade da mulher. Aqui não está em causa se há pais extremosos ou não, nem lhes nego o papel activo de pais, mas nunca de censor ou mentor da mulher!!! Companheiro sim, juiz NUNCA!

Mas a minha revolta vai para toda e qualquer figura de homem político, qualquer partido ou movimento religioso que se interponha entre a liberdade e a afirmação da mulher enquanto ser autónomo. De qualquer modo, como é óbvio, o homem político e religioso só entra nessa questão porque a mulher está completamente sujeita às leis do estado e à moral religiosa vigente, ainda independentemente da lei poder estar bastante evoluída no nosso país, ela não corresponde à realidade das mulheres inferiorizadas à partida e exploradas, caladas pelo medo e pelos preconceitos!

A prova de que as mulheres não têm qualquer autonomia está em que os homens de estado e de cultura as não consideram minimamente e agem como se as mulheres não tivessem capacidade de serem elas próprias a decidirem as suas vidas, o que acontece na prática e toda a gente sabe mas finge que não. Se não fosse assim, a igreja e o estado a dominar as mulheres, faziam-se assembleias de mulheres para decidir e não de homens! Como inclusé sabemos as mulheres na Assembleia Nacional são apenas decorativas. Para eles não passam de de-putadas... Mais uma variante sob sua orientação!

Quanto às mulheres supostamente esclarecidas que delegam nos homens esse direito e lhes dão servilmente cobertura não passam de vítimas da sua própria luta em agradar a quem as domina!

sábado, fevereiro 16, 2002



AS ESCRITORAS MODERNAS

“Tenho aquilo a que se chama uma intuição filha da puta”. A possuidora deste maravilhoso Dom, a também escritora Margarida Rebelo Pinto, revelou-o ao “Independente” de ontem. Parabéns pelo tipo de intuição, decerto muito útil na arte da escrita. In “Tesouradas” do Jornal Record, diário de futebol português...


E é assim que esta escritora de sucesso nacional expressa e se auto-intitula senhora dessa “intuição”. Eu queria apenas acrescentar que esta senhora está profundamente enganada e que a única coisa que resta à Mulher que não se insere nesse contexto das e dos filhos da p...é A INTUIÇÃO, coisa que ela de certeza não tem pois se tivesse, por intuição da grandeza e da integridade da Mulher, nunca faria tal afirmação. Resta-me ainda acrescentar que o Dom da Intuição serve a Grande-Mãe e a Deusa na sua Sacralidade e não uma filha da p... qualquer! Que ela serve sim o seu velho pai Zeus como a mais execrável das Atenas, bem engendrada na sua cabeça, está muito claro no seu discurso... Aliás, esta senhora para dizer isso prova até que em vez de útero “tem tomates!” - passo a expressão.



(...) A palavra grega therapeuein, curar, significava, originalmente, “serviço aos deuses”. Por conseguinte a cura ocorria, de início, num contexto sagrado. Filo faz referência a um grupo de judeus contemplativos, pré-cristãos, que chamavam a si mesmos Therapeuts, “quer porque professavam uma arte medicinal mais eficaz do que aquela que tinha emprego geral nas cidades (já que esta apenas cura os corpos, ao passo que aquela cura almas que se acham submetidas ao jugo de moléstias terríveis e quase incuráveis, infligidas pelos prazeres e apetites, temores e sofrimentos, pela cobiça, pelos desatinos, pela injustiça e por todo o elenco da inumerável multidão de paixões vícios), que por terem sido instruídos pela natureza e palas leis sagradas a servirem o Deus vivo”. Portanto, psicoterapia significa, em termos essências, serviço à psique.

In “ANATOMIA DA PSIQUE” de Edward F. Edinger

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A tradição curativa ou terapeutica relacionava-se originalmente com a Deusa e com as sacerdotisas e feiticeiras ligadas estas ao culto da Grande Mãe, Senhora da Natureza e das Fontes, como princípio procriador e nutriente. A Mãe e Deusa e Mulher, não só alimentava e cuidava a criança como curava de todos os males pelo seu Dom inato e também pelo poder inerente ao amor livre da mulher que alimentava do seu corpo tanto a criança como o amante. A mulher não só dava à luz a criança como iluminava o homem iniciando-o no amor. Só depois do culto da Deusa Ter sido destruído pelos bárbaros kurgans, hebreus e aqueus, os homens usurparam esses poderes da Mãe e passaram eles a usar a Magia antes Branca (A Deusa Branca!) agora Negra (da cor das suas vestes) em toda a negritude de ódio implantando e o medo que incutiram nas mulheres que escravizaram e vendiam a seu belo prazer. Esse medo ainda impera no inconsciente das mulheres que continuam dominadas e exploradas por Mafias modernas no dito mundo civilizado. E esteja a mulher coberta por um véu no Oriente ou nua no écran no Ocidente a dominação patriarcal é igual! Eu creio que nenhuma Mulher será livre e digna enquanto houver uma só mulher no mundo obrigada a prostituir-se! As mulheres não querem que os seus filhos morram nas guerras e sublevam-se, mas deixam as suas filhas serem prostituídas pelos seus pais e irmãos... Porque a ordem patriarcal - o dinheiro e a guerra! - ainda domina o mundo em detrimento das mulheres!
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(...).
“Ser dividido é a nossa condição humana -. Admitiu ela. - Mas nossa divisão não está entre mente e corpo, que abriga a mente e a individualidade, e o duplo, que é o receptáculo da nossa energia básica.
Ela disse que antes do nascimento, a dualidade imposta ao ser humano não existe, mas a partir do nascimento, as duas partes são separadas pela força da intenção da espécie humana. Uma parte volta-se para fora e torna-se corpo físico; a outra, interna, torna-se o duplo. Na morte, a parte mais pesada, o corpo volta a terra para ser por ela absorvido, e a parte leve, o duplo, torna-se livre. Mas infelizmente como o duplo nunca foi aperfeiçoado, ele experimenta a liberdade apenas por um instante, antes de dispersar-se pelo universo.

Se morrermos sem apagar nosso falso dualismo de corpo e mente, temos uma morte comum - disse ela.
(...) morremos porque a possibilidade de nossa transformação não entrou em nossa consciência. Ela ressaltou que esta transformação deve ser realizada durante nossa vida, e que o cumprimento dessa tarefa é a única meta que o ser humano pode Ter. Todas as outras realizações são transitórias, pois a morte dissolve todas no nada.”“.

In “A TRAVESSIA DAS FEITICEIRAS”(Jornada Iniciática de uma mulher)

De TAISHA BABELAR
Prefácio de CARLOS cASTANHEDA

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As mulheres não são uma metade da humanidade porque a metade homem as dividiu em dua metades. Assim, a mulher divide-se em duas metades ela própria: as compradas e as vendidas...Estas lutam entre si pelo seu senhor que as compra ou as vende... Neste intercâmbio secular, a mulher ainda não percebeu que luta contra si mesma de cada vez que luta contra a “outra”... enquanto que a “outra” perde para o “travesti”... São estas as ironias do destino ou as consequências dessa divisão!

dEUS CRIOU A MULHER E O HOMEM CRIOU A PUTA...

ANTES DE SE PODER REALIZAR HUMANA E ESPIRITUALMENTE A MULHER TEM A DURA OU ÁRDUA TAREFA DE UNIR AS DUAS MULHERES QUE A IGREJA DIVIDIU EM SANTA E PUTA. TEM DE APAGAR DA MEMÓRIA ESTE ATÁVICO REGISTO E UNIR AS DUAS EM SI MESMA! NUNCA MAIS SEPARAR A SUA SEXUALIDADE DA SUA ALMA, NUNCA MAIS SEPARAR A ALMA DO CORPO...
NUNCA MAIS O DOMÍNIO E O ABUSO!
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sexta-feira, fevereiro 15, 2002

"O FADO FADA ALHEIO AO BEM E AO MAL"

a PARTIR DE HOJE ESTA SERÁ A FRASE CHAVE...
Estava a pensar que eu adoro este espaço... mesmo que ninguém apareça e diga ou desdiga o que eu digo ou o que eu sinto... a liberdade é imensa e lembra-me o voo da Fénix renascida (sim subjectivíssimo), apesar do Vírus, coisa impressionante para um neófito da Internete... como é possível tanta maldade e estupidez... Nem aqui a vontade de destruição desiste dos seus imptos...Há sempre o rosto invisível da amada e o rosto invisível do diabo...AH AH AH..

quinta-feira, fevereiro 14, 2002

Quando me abraças
a luz que de ti vem brilha tanto
que até preciso de bálsamo nos olhos.


POEMAS DE AMOR DO ANTIGO eGIPTO



Manual de ascensão(...)

Um átomo pode parecer uma construção muito simples - electrões que giram em volta de um núcleo central – e, em certo sentido, assim é. Mas, por outro lado, trata-se da coisa mais complexa que existe no plano físico. A geometria e a álgebra envolvidas na concepção dos átomos que conformam o plano físico, manteria ocupados, durante anos, a maioria dos vossos mais potentes computadores!
A matéria não ocorreu espontaneamente; foi cuidadosamente planeada, e nós fizemos questão de saber como ela se comportaria em todas as circunstâncias, antes de continuarmos com o desenvolvimento da sua criação.
Não penses, nem por um instante, que o estado de consciência que «encarna» o electrão é diminuto. O electrão não é uma partícula diminuta, mas sim um «campo de possibilidades»; é uma parte do espaço no qual existe esse estado de consciência, embora de uma forma tão subtil que os cientistas não podem ter a certeza. Por isso, afirmam que o electrão «provavelmente» existe.
Acrescente-se que este estado de consciência que «encarna» o electrão no plano físico, pode colaborar em inúmeros outros planos e em inúmeros universos simultaneamente.

Os átomos podem permanecer livres ou ligarem-se para formar moléculas. Estas, por sua vez, unem-se para constituir uma forma, a qual é determinada conjuntamente pelas unidades de energia em si mesmas e pela entidade organizadora. E estas entidades organizadoras assumem a responsabilidade de dirigir a energia sob a forma de átomos ou moléculas, de acordo com as matrizes concebidas, por exemplo, para um cristal, uma pedra, uma célula da semente de uma planta, uma árvore, etc. A lista não tem fim, evidentemente. Estas matrizes assemelham-se muito aos computadores pessoais: além de serem, simultaneamente, programas vivos e base de dados, também podem armazenar vastas quantidades de informação.

A estrutura do ADN, que existe no coração de cada uma das tuas células, é uma base de dados que contém a tua história actual, a história de todas as tuas encarnações e, adicionalmente, a de toda a espécie humana!

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AS ATENAS SAÍDAS DA CABEÇA DE ZEUS

Quando li a notícia da descoberta do genoma ou da sequência do ADN, a minha reacção foi de imediato chorar. Um choque ou o pânico de ver esta descoberta nas mãos dos cientistas...O pânico da clonagem... Justamente quando eu estava a pensar no absurdo da “ciência”, procurar os remédios para uma pretensa cura das doenças ou dos males do mundo em vez de se pesquisar as causas profundas das doenças! Os Laboratórios não investigam com fins humanitários como dizem, mas quase exclusivamente com o fim lucrativo ao ponto de em circunstâncias de descobertas que invalidam medicamentos ocultarem-nas para continuar com os medicamentos á venda.

As doenças não são só físicas, mas quase sempre geradas no grande sofrimento humano causado pela nossa ignorância e falta de amor e respeito por nós próprios como espécie! O sofrimento é originado pelos ódios e rivalidades, guerras e pestes, insegurança social ou familiar, poluição, desrespeito pela natureza e pelos animais, falta de amor, em suma, a falta de harmonia e da violência em que o mundo vive! Eram essas as causas a irradicar primeiro que tudo, mas a Máquina da Guerra está montada e tudo se faz para iludir as consciências das verdadeiras causas que não são as desigualdades económicas apenas, mas as desigualdades geradas na competição e no medo do domínio exercido há milénios de uns seres sobre outros.
A ciência não faz nada pelo ser humano em geral, mas por algumas minorias que tem dinheiro para pagar os seus excessos sendo os próprios Impérios farmacêuticos os grandes monopólios que dominam os mercados e pouco se diferencia do mercado das armas! As pessoas são perfeitamente negligenciadas e mal tratadas ou no mínimo tratadas indiferentemente na mecânica alienante das profissões por dinheiro sendo os médicos em geral pouco mais que "carniceiros", na sua maioria, prontos a cortar a torto e a direito por dinheiro principalmente e fazem as plásticas bem pagas a vedeta-marionetes do mercado de ilusões que é o cinema e a moda.
Que sofrimento atroz é envelhecer para a mulher...E que desgraça ter um nariz comprido ou mamas pequenas...São estas MISÉRIAS QUE GERAM OUTRAS BEM MAIORES...

A grande falta de CONSCIÊNCIA do que é um Ser Humano integro esse é o grande mal da humanidade. A divisão do ser em si, alienado do seu todo na dinâmica do corpo-alma-espírito, leva a erros monstros ou quase crimes em nome da ciência! As grandes discrepâncias sociais e os interesses das multimédias dominam o mundo, enquanto metade da humanidade é dominada e sujeita a outra metade e o homem continua a explorar a mulher como ser sujeito ela própria a maior vítima de doenças causadas pela sua inferiorização e abuso de todo o tipo de que é vítima directa na nossa sociedade, continuando a ser escravizada sexualmente por Mafias organizadas, exportadas do Brasil e do Leste para países da Europa “civilizada”...


A mulher tem sintomas e doenças que lhe são peculiares não enquanto mulher em si, mas enquanto ser social e psicologicamente relegado para situações de precariedade e insuficiência. Pela desvalorização de que é vítima, passado o seu período “fértil” de mais valia que o homem lhe atribui, esta passa a ser assolada por doenças na maioria consequência da sua anulação e sofrimento a que é votada depois dos cinquenta... E ainda assim, continua a entregar-se nas mãos de médicos que as olham apenas como instrumentos de reprodução ou de prazer e lhes “arrancam” o útero ou os ovários sem saber da importância vital e psíquica desses órgãos para ela, porque justamente a mulher não tem a Voz do útero na sociedade dominada por homens e mulheres clones de homens...

Atenas saidas da cabeça de Zeus...



quarta-feira, fevereiro 13, 2002

OH! eu amo-te mulher invisível que sofres por detrás da máscara eficiente ou de beleza artificial. Escondo-me no teu coração e dou-te a mão para seguires a tua ESSÊNCIA e encontrares A Deusa que te ama mais do que jamais Deus o fez...que te condenou e ainda te despreza...


O sofrimento que conduz a um Eu genuino difere diametralmente do sofrimento que opta pela redenção pela identificação com algo que lhe é exterior. Só se formos capazes de não fugir ao nosso sofrimento poderemos diferenciar-nos.

A TRAIÇÃO DO EU Arno Gruen

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Hoje estou triste, stou triste.
Starei alegre amanhã...
Sempre em qualquer coisa vã.

Ou a chuva, ou o sol, ou a preguiça...
Tudo influi, tudo transforma...
A alma não tem justiça,
A sensação não tem forma.

Uma verdade por dia...
Um mundo por sensação...
Stou triste. A tarde está fria.
Amanhã, o sol e a razão.

FERNANDO PESSOA

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Para a Sandra com compreensão e carinho da Virgem sempre incomprendida, eu própria...
A demanda da verdade interior despreza "as aspirinas" e isso parece arrogância par quem teme o confronto e a dor inerente ao choque das diferenças que para as almas são acréscimo e para os egos afronta!
Digo e afirmo que as mulheres não foram ensinadas a amar-se mas a competir entre si.

terça-feira, fevereiro 12, 2002



Homenagem à Mulher e à Deusa em todas as Mulheres


“MANIFESTO DA SCUM” de VALERIE SOLANAS

excertos
(...)
A Menina do papá, passiva, adaptável, respeitadora e temerosa do homem, aceita que ele lhe imponha uma conversa desinteressante e apagada. Isto não é muito difícil, uma vez que a tensão e ansiedade, a falta de calma e de autoconfiança, a insegurança e a incerteza dos seus próprios sentimentos e sensações, que o papá nela instilou, tornaram a sua percepção superficial e incapaz de ver que o blá-blá do homem não passa de blá-blá. Tal como o esteta que “aprecia” o borrão classificado de “grande Arte”, também acredita que está a apreciar o que na realidade a aborrece mortalmente.
(...)
O amor não é dependência nem sexo, é amizade, e portanto o amor não pode existir entre dois homens, entre um homem e uma mulher ou entre duas mulheres, se um deles ou ambos forem cabeças ocas, inseguros, ”engraxadores” de homens; como numa conversa, o amor só pode existir entre duas mulheres-mulher confiantes, desembaraçadas, independentes e gozadoras, porque a amizade assente no respeito e não no desprezo.
Até mesmo entre mulheres curtidas e entusiastas são raras as amizades profundas na idade adulta, porque quase todas elas estão presas a homens, como forma de sobreviver através da selva, tentando manter a cabeça acima da massa informe. O amor não pode florescer numa sociedade baseada no dinheiro e no trabalho desprovido de significado: requer liberdade económica e pessoal, tempo livre e a conjuntura favorável em actividades extremamente absorventes, emocionalmente compensadoras, que, quando compartilhadas com aquelas que respeitamos, conduzem a uma profunda amizade. A “nossa sociedade” não proporciona oportunidades para o envolvimento nestas actividades. (...).

Texto de uma mulher subversiva, diagnóstico de patologia social: a que diz respeito às relações entre o masculino e feminino. Abordagem satírica de uma feminista de segunda vaga expõe o que são a grande miséria e violência das civilizadas relações entre homens e mulheres. Escrito nos anos sessenta e setenta continua de uma actualidade assustadora. O livro está editado na Fenda (Portugal)

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2002

Eu lamento do fundo do coração, como as mulheres se antagonizam ainda tão facilmente umas com as outras aceitando e perpetuando a sua divisão, em vez de se unirem e serem solidárias e fico sempre chocada e perplexa como esse continua a ser um aspecto tão constante que as mulheres manifestam ainda no mundo. As mulheres arranjam sempre motivos para se incompatibilizarem e denegrirem umas às outras sem que se apercebam na linha de competição e luta por acesso seja aos homens seja ao seu mundo e valores onde à partida são submissas e coniventes sempre na tentativa inconsciente de agradar ao Pai e ao Poder que a tem sujeitado desde há milénios e isto contra a Mãe com quem luta desde adolescente na conquista atávica de agradar ao pai! Assim foi ensinada e assim mantém a mulher “moderna” o mesmo status quo em guerra com as outras mulheres, fiel ao senhor e aos seus interesses sem que disso se quer se aperceba. É nos mais ínfimos pormenores que se salientam esses antagonismos e se reflectem das formas mais variadas de conluio e partidarismo dos seus tutores e mentores, contra qualquer mulher que não seja tão obediente como ela, pondo-se sempre do lado do filho e do pai, do padre, do patrão contra a mãe a irmã a amiga ou a filha e nem sequer sabe que o faz, pois está do lado da razão, do poder e do exercício da justiça toda ela masculina. De tal maneira assim é que se eu quiser argumentar perco imediatamente em pontos porque a afectividade das mulheres é masculina e em defesa dos filhos, pais e amantes! Como não têm identidade própria senão para servir a família e a sociedade machista ela tem que Ter sempre a tutela do macho quer no campo profissional quer artístico e fica muito reconhecida se o homem lhe der um lugar ou um nome. As mulheres não se unem por uma causa comum, mas em grupos uns contra os outros e sempre na perspectiva masculina, porque aceitam à partida ou nem sequer questionam a divisão de que são alvo desde há milhares de anos. Essa cisão da mulher em duas à partida é o fulcro de toda a sua problemática e ninguém quer ver...Portanto as mulheres estão cegas para si mesmas e cheias de animosidade umas pelas outras. E nem disso se dâo conta! Negam a sua natureza profunda ao aceitarem essa separação e lutam umas contra as outras mesmo inconscientemente.Vendem o corpo e vendem a alma por um lugar ao sol, um bom casamento ou o papel num filme de um novo ou velho patriarca de sucesso mundial. As relações das mulheres com os homens é sempre mais valia...um bom partido, um bom patrão, um bom chefe, um bom amante...um bom editor...um bom conselheiro, médico, padre, cantor sedutor, gigolo... etc.

Eu sou feminista radical sim! no sentido de ir à raiz e origem do universo feminino (para além da História, mesmo) na pesquisa e busca da sua essência muito para além da sua sexualidade, essa tida como único atributo que o homem lhe concede seja para procriar seja para gozar. Eu não procuro nem preciso de me afirmar sexualmente para ser mulher. Não sou mãe nem fêmea! Eu sou a minha Alma e reivindico a minha totalidade como ser humano independentemente da minha função ou do valor que esta sociedade me atribui. Não sou um objecto sexual nem procriadora nem avó ou tia ou empregada doméstica ou dona de casa! Eu sou um ser inteiro e livre sem necessitar de outro complemento que não seja a minha consciência e o meu coração. Sou capaz de toda a plenitude em mim e senhora do meu ser sem o precisar submeter a regras e conceitos para ser eu mesma! Nem sequer preciso estar contra regras e estabelecer outras... Não tenho que pertencer a nenhum consenso nem estar contra ninguém! Essa é a minha liberdade de ser e amar, ambos os aspectos indissociáveis em si. Ninguém que não atinja um grau de consciência individual ao nível do absoluto é livre ou pode amar o que quer que seja! E isto é válido para homens e mulheres que sejam Seres Humanos para além desta dicotomia e antagonismo social, psicológico, histórico e político...

O meu amor à Mulher é Universal...do “francês” UNI+VERS+ELLE...

OUTRA VEZ OS PÁSSAROS AZUIS NO CÉU...

segunda-feira, fevereiro 11, 2002

olá queridos, enviaram-me, achei lindo e partilho convosco
Beijos
Teresa

Medicina de la Tierra... ORACIÓN CURATIVA - Octava Luna.



Madre, enséñame a curar

Los sentimientos que están en mi interior
Enséñame a respetar toda la vida
Con humildad floreciente...
Muéstrame el camino que se aleja del abuso,
Donde todo canta a la vida,

Donde el dolor del corazón es sólo un recuerdo
De la antigua lucha humana...
Deja que sane mi espirítu
Hasta que no tema a la muerte,
Donde el renacer es bienvenido,

Trayendome lágrimas felices...

Esto es lo que deseo,
Quiero conocer realmente
Las sendas y los pasajes de la curación
A través de la oscura noche del Alma...

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...Y ...
AMIGO DE CONFIANZA
Séptima Luna

Tocaste mi corazón
Y cantó
Una canción ya olvidada...
Me hablaste de sueños!
Y dejé que conocieras
Una parte de mí que era dolorosamente tímida.

Abriste una ventana a mi Alma,
Permitiéndome ser yo
Y el viento vino a limpiar
mi miedo a la intimidad
Con la fragancia del cedro...

Tu bastón deja huellas en
Los senderos que sigo en mis sueños,
Y ahora
Estoy llegando más allá de la memoria
En las distancia del futuro

Me pregunto cuándo
Cambiaran las hojas
Y cuándo volverás...

- Me parece que esto nos toca a los dos... ¡supongo! Un Infinito abrazo...
De tu Madre Tierra...


AMOROSAMENTE

*** Escribo al sonido de dos CDS muy buenos sobre los cantos y danzas de los indios americanos - ambos titulados: Indian´s Sacred Spirit. Oírlos es como un dulce masaje en el Alma y un encontro con una parte de Sagrada de nosotros mismo. Si te animas compratelos. Hay el I (1994) y el II (+2000). ambos son de Virgin.Records SA. Parte de los beneficios de la venta están destinados a la Native American Rights Fundation y a Survival International- organizacion no governamental de apoyo a los pueblos indigenas.

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domingo, fevereiro 10, 2002

Diz-se: louco de alegria. Dever-se-ia dizer:sábio de dor.

FOGOS de Marguerite Yourcenar
***`****


LVII

... mais doce ainda que o canto da lira
...e mais que o oiro
doirada.



LXIII

Não sou daquelas que ruminam rancor:
Meu coração é o da criança.



Safo - Fragmentos
*** ****
O meu desejo de ti é literário,
Como de um grande poema ou sinfonia,
Romântico e místico, sublime e transcendente!

É um desejo de música e de palavras;
É como tear do coração, lento e preciso
Como tecer um tecido, uma pele, um lenço de seda da Índia,
De Caxemira, com tigres e linces (para e pôr ao pescoço).

É um novo corpo com que nascer,
É uma aura com que te envolvo em vez de te possuir
Ou ter com o meu corpo físico...

São as minhas mãos aladas com penas nos braços
Que te afagam o rosto e no meu peito te embalam
Como uma filha nascida das nuvens
Ou das brumas do meu sonho.

O meu desejo de ti é puramente literário,
Feito de nomes e símbolos à procura do verbo.
É matar esta sede de sangue no meu sangue,
Sorvido da tua boca como taça do Graal.

É consumar as núpcias no magma secreto da terra
E voltar ao céu da origem desconhecida,
Mergulhar na luz bendita do nosso ser total.

É amar-te acima de todas as formas, conhecer-te a essência
E perder-me para sempre na sua música celestial

sábado, fevereiro 09, 2002

"LA TENDRESSE HUMAINE
NE PEUT S' EXPRIMER QUE PAR UN SEUL GESTE:
CELUI D'OUVRIR ET DE REFERMER LES BRAS"
Afinal, tanta complexidade,
tanto drama de amor e ódio, despeito e entrega, procura e encontro,
sonhos e quimeras, crenças e deseperos, nesta passagem efémera em corpos de carne e osso...
frágeis, voláteis
como se a vida fosse sonho ou fantasia de carnaval, sim o festival da carne, do engodo, do teatro da ternura e da sensação...
o ruído a cor...festa e dor... como nascer e morrer, cada dia uns e outros e esquecemos e dançamos nos braços de uns e outros e logo nos matamos ou nos roubamos outros rostos a normalidade aparente ou a loucura declarada na Babel do mundo.
Todos nós os rostos de um só rosto invisível que se julga diferente e singular, inteligente e amante ou triste e solitário, abandonado... novo e velho, esposa e amante, criança...
o tempo a girar na roda da sorte somos todos o que somos: tudo e nada...
"MANUAL PARA A ASCENSÃO"


As tuas emoções e pensamentos provêm da tua matriz interior (o padrão implícito), e o teu quotidiano é a imagem projectada (o padrão explícito). Por conseguinte, as tuas emoções e pensamentos pessoais interagem com as emoções e pensamentos alheios, tal como tu, ao viveres a tua vida, interages com a vida das outras pessoas. No entanto, o que cada um pensa e sente desempenha um papel fundamental naquilo que lhes acontece.
A realidade, tal como a conheces, é projectada a partir de uma gama de matrizes parecidas com holo-gramas. Embora as matrizes estejam em níveis distintos para poderem ser «removidas» da realidade ordi-nária, as imagens que elas projectam estão sobrepostas. E se é verdade que as imagens das frequências mais baixas dessas matrizes parecem ser sólidas (desde o ponto de vista do teu corpo sólido!), também é certo que aquilo a que chamas «espaço» está repleto de imagens das frequências mais elevadas, eviden-temente não «sólidas». E todas coexistem umas com as outras.
Tu mesmo és formado por muitas projecções – a física, a emocional, a mental e a espiritual – a partir de matrizes preparadas por ti mesmo enquanto ESPÍRITO, as quais são, por sua vez, projecções de outras matrizes provenientes de frequências mais elevadas.

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sexta-feira, fevereiro 08, 2002

Onde estará a Alma do Mundo?!

“Tudo o que existe tem expressão, mas há em nós uma zona inexpressiva: a do Sagrado”

LUZ CENTRAL- Ernesto Sampaio

A Eutanásia


A ideia de suicídio ou de crime associada à eutanásia suscita indignação e repulsa na maior parte das pessoas apavoradas pela ideia de morte antecipada. É natural que para algumas pessoas sem qualquer noção de morte ou do seu significado profundo queiram agarrar a vida para além do sofrimento e da “indignidade” da doença. Há sempre uma esperança de “vida”... mesmo com oitenta ou cem anos! Antes, as pessoas morriam de velhice ou doença, mas agora as pessoas ficam indefinidamente amarradas a uma cama ou ligadas a uma máquina... para manter essa esperança, certamente aos familiares.Ou cria-se um novo dogma que é o imperativo dos impérios farmacêuticos:vender a todo o custo mais medicamentos e máquinas! Faz-se tudo para impedir a pessoa de morrer naturalmente... Agora, vamos enfrentar a ideia oposta, o contrário...ou o extremo oposto.

O equívoco tremendo a que a ciência incorre em reduzir a vida e a morte a umas opções científicas e morais dá lugar aos maiores conflitos e pior do que isso à grande alienação do espírito ou de Deus... Não Deus como castigo, mas como justiça suprema que não entendemos. Não Deus como todo poderoso e misericordioso e outros slogans da Igreja, mas o Deus origem de vida e de tudo na terra e arredores...que os humanos andam em vão a bisbilhotar, ou seja a olhar para o quintal do vizinho e não olhar para o seu... Eu sei que isto parece pequenino, mas os paradoxos humanos é que são de estarrecer.



A minha ideia é que poucas pessoas têm consciência do valor intrínseco da vida em si ou da qualidade da sua vida em essência. O apego e a posse quer à vida quer aos bens que se acumulam levam as pessoas a identificarem-se com o exterior e pouco com a sua essência que desconhecem. O prazer aleatório, a fuga à dor, ou ao peso da consciência adormecida como busca de felicidade ao nível superficial, cria outro grande equívoco: considerar o sofrimento inútil ou indigno. A essência da vida está muito além da forma física e da aparência de tudo que consideramos ser a realidade ou a felicidade. Não é apenas uma questão de fé ou de crença, mas de consciência de que o ser humano é mais que a sua corporalidade ou o seu intelecto. A Alma é essa essência invisível que só a experiência directa do nosso ser confirma e nos dá não a esperança de continuidade mas de perenidade. Se assim fosse e esse é o ponto de evolução individual que devia também ser social senão dos especialistas da doença que são os médicos em geral e cuja maioria não tem consciência nenhuma da consciência ou do espirito ou da alma como partes integrantes do nosso ser, muitos desses problemas deixariam de existir. A ciência redutora e impotente como é, só pode buscar soluções exteriores ou sejam técnicas e mentais...


Na medicina, não há cura para as doenças mas remédios.


A verdadeira humanidade tem de passar pela transcendência uma vez que o ser humano é um todo indissociável, corpo-alma-espírito. Porque a ciência ignora o espírito ou a essência debruçando-se apenas sobre a substância e a matéria, não pode tecnicamente responder às questões essenciais que fazem dessa ignorância o drama humano. O médico não é senão um técnico sem formação humanista nem psicológica adequada, e por isso não pode lidar com a morte, o grande ritual de passagem da substância à essência, tal como o nascimento é passagem da essência à substância... Um dar à Luz que é descida à escuridão quando a morte é uma subida á energia - luz - essência. O padre que supostamente depois da morte cumpre um ritual, embora alegórico, também ele é só um “técnico” ; só que baseado na crença e essa é a única diferença entre crentes e ateus.

Voltando a questão da experiência do ser ou da sua essência que não é crença nem técnica (ou ciência ), mas consciência interior da dimensão do nosso Ser e das suas partes constituintes, ( e eu não estou a falar de orgãos, como é evidente) inalienáveis, parte ou começa numa tomada de consciência do Si mesmo como diria Iung e também na sua aproximação científica A. Damásio, primeiro a consciência psicológica a que se refere aos nossos complexos e traumas, recalcamentos etc. e uma segunda, aos mitos e símbolos, referência aos arquétipos, que corresponde à consciência da Consciência, ou ao que o vulgo chama Deus. As forças cósmicas ou as energias cósmicas ou telúricas que são activadas e dinâmicas entre o interior e exterior , actuam através dessa consciência ligando-nos ao universo . O livre arbítrio ou a vontade do indivíduo é determinante na procura dessa consciência que é inata . Dá-se numa iniciação que corresponde à vontade sincera do ser humano em se encontrar consigo mesmo e quando este olha para dentro. É dentro de nós que está o reino dos céus dizem todos os livros sagrados. Portanto tal como Cristo disse, “ procura e encontrarás, pede e ser-te-ha dado “. Assim, de um lado os crentes e do outro os agnósticos, nunca chegaremos a nenhum lado. A Visão é interior e dá-se na integração dos pólos opostos complementares sendo essa a grande Lei Alquimica da vida, a Pedra Filosofal dos alquimistas.



Separar a morte da vida e o ser vivo da doença é um erro...


A Eutanásia é um erro porque a morte deve acontecer naturalmente de acordo com a dinâmica que o indivíduo estabelece entre a vida e a morte e a consciência da substância animada pela essência... A sua liberdade não é escolher morrer mas Ter consciência dessa dinâmica interna-externa. Mas como nem a ciência nem a religião lhe oferecem respostas senão separando o corpo e o espírito, o ser humano debate-se com a mesma dualidade que só essa “dupla” (unida) consciência pode atenuar ou resolver. A doença está directamente conectada com a atitude humana do indivíduo a vários níveis e começa justamente nessa separatividade que causa a sisão do ser tanto a nível mental como psicológico e físico. A doença é a somatização da nossa alienação do espírito ou consequência de acções na continuidade da Existência ao nível das encarnações. Claro que a ciência não crê e os crentes não acreditam... Mas a consciência da Consciência depende da evolução interior da pessoa que integra os seus opostos ou que supera a sua dualidade e nunca do conhecimento intelectual por acumulação de informação técnica ou filosófica. Digo que o ser humano tem uma inteligência superior ao nível do coração...ou ao nível do coração inteligente e que não vem dos livros... Cristo, dizem, não tinha Biblioteca , mas era certamente Iniciado... e o seu testemunho é claro: O reino dos céus encontra-se dentro... é dentro que temos de ir. Como?

Depende de cada um procurar e encontrar!


A Eutanásia é um absurdo como fuga ao sofrimento por piedade ou humanidade quando a condição humana depende do sofrimento-conhecimento como forma de evolução. E a ciência acaba sempre por trazer mais sofrimento e guerra que paz... O reino cor de rosa da felicidade, é uma ficção neste mundo paradoxal em que idealmente o ser pensa ( a Ciência ) o mundo e na prática faz tudo ao contrário sem perceber esse paradoxo e persistindo nas suas contradições ente o ideal e a realidade tal como os católicos vivem separando o céu e o inferno o deus e o demónio, sem consciência dessa separação essencial. Aquilo que falta ao ser humano é a consciência da sua totalidade. Ao Ter consciência da sua totalidade a compreensão do que está em cima que é igual ao que está em baixo, trar-lhe-ia a paz que precisaria para viver e morrer em paz com a sua consciência sem medo da morte nem medo da vida! Porque a vida só se enfrenta sem medo do sofrimento. Porque há um sofrimento que é a dor de parto e há a alegria do que nasce da dor inicial.Todo o nascimento implica dor... (o simples romper da casca da nossa ignorância dói ao nosso ego... aceitar que nada se sabe.)

Quanto aos médicos e a sua deontologia ou ética profissional também mudaria com um pouco de consciência do que lhes escapa dos seus bisturis... Nem Eutanásia nem máquinas ou o fictício prolongamento da vida. Deixemos as pessoas morrer em paz NATURALMENTE, porque a morte depende da vida e da Consciência que desenvolvemos enquanto vivemos. Sim podem dizer-me que uma pessoa em estado terminal não pode consciencializar-se... que a devemos ajudar a aliviar-se da sua miséria, como se fôssemos vítimas apenas, sem perceber que colhemos o que semeamos.

Deixemos a morte vir por si só, ninguém precisa de a encomendar... ela é infalível e sabe quando e como tem de vir. Quer queiramos quer não a doença é um processo iniciático, uma forma de aprender que a vida não depende de nós nem da ciência. Pode parecer absurdo mas é uma forma de humanização. Minimizar o sofrimento só é possível através do amor humano e nós sabemos que todas as doenças, e nem sei se há a excepção à regra, começa na falta de amor e como nos falta o amor tentamos a técnica... mas nós não somos robots! Tudo o que o ser humano precisa é de uma Consciência Superior. E ela existe dentro de si...começa no Amor da vida e da morte.

Eu sei, isto é utopia. Escravos que somos das sociedades, da produção e consumo obrigatório, como poderíamos morrer em paz se não nos deixam viver em paz ou antes, se nem sabemos o que é PAZ?

Não tem o ser humano liberdade de como o elefante escolher o lugar previligiado para morrer com dignidade, entregue à natureza mãe porque ele destruiu tudo o que era natural. Nascemos a ferros e morremos com químicos...


Onde estará a Alma do Mundo?!

“É impossível pensarmos nas adjurações da sabedoria alquímica que introduzia igualmente a fisiologia no coração do conhecimento:
Não aprender, mas sofrer. Ou uma formulação latina análoga Non cogitat Qui non experitur “


Marguerite Yourcenar (in Mishima ou a visão do vazio)

Publicado in "Espaço & Design "
Tenho a tua imagem gravada no mais fundo do meu coração:
olhos internos, fibras e nervos te vêem.

Corre no meu sangue como um rio
e eu deixo-me levar na corrente do teu ser.

Bebo a tua seiva e ergo-me
como a coluna do templo em que és rainha
e minha no mais sagrado altar em que te posso abrigar.

Guardam-me a alma os teus olhos
que me seguem a cada silêncio e em cada gesto.

Queria abraçar-te o ventre e adormecer suavemente a teus pés

Como o pedinte à porta de uma igreja ou o nómada do deserto,
a minha sede de ti é eterna, ó mãe do céu e da terra em que nasci!
i

n "Mulher Incesto"
O complexo mitológico do incesto pode, numa das suas acepções particulares, inserir-se neste conjunto. A Mulher que desempenhou o papel de "mãe", que forneceu ao ser dividido a "Água da Vida" e da ressurreição (o "segundo nascimento" próprio dos Mistérios Menores) é possuída por aquele que, de certo modo, gerou e é seu filho. (...) A OBRA

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Excelsa Senhora do Universo:
Concede-me que no azul do firmamento
contemple o teu mistério.
Permite o que ternamente move o coração humano
e com amor puro a ti conduz.

in Fausto de Goethe
O neófito tem mais chances de alcançar um determinado modo de ser - por exemplo, tornar-se homem ou mulher - se antes se tornar simbòlicamente uma totalidade. Para o raciocínio mítico, um modo particular de ser é necessáriamente precedido de um modo TOTAL de ser. O andrógino é considerado superior aos dois sexos justamente porque encarna a totalidade e , portanto a perfeição. M.Eliade

quinta-feira, fevereiro 07, 2002

O poeta superior diz o que efectivamente sente.
O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga deve sentir.
Nada disto tem a ver com sinceridade. Em primeiro lugar ninguém sabe o que verdadeiramente sente...(continua)


Fernando Pessoa
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A luz do dia quase só me mostra a brutalidade das coisas, a ignorância das causas, a desumanidade dos seres, sem alma, o egoísmo, a vaidade. A própria Natureza parece rebelar-se contra o abuso dos homens que na sua displicência a ignoram e às suas leis. Ao contrário da caixinha mágica que eu toda a vida esperei, parece Ter-se aberto a caixa de Pandora e todos os males afectam agora o mundo ou é porque os vimos através de outra “caixa” que nos filtra o lado negativo de tudo, exclusivamente. As notícias do mundo são os crimes, as guerras, as lutas de seitas e de classes, a miséria dos povos, a fome, as atrocidades. Exaustivamente a insanidade dos homens, o sexo desprovido de amor e ética, bestializado. As mulheres de plástico, cada vez mais sofisticadas e falsas, os homens travestiados, numa adulteração de princípios sem finalidade tudo por alienação do ser em si e de uma consciência primária. O que conta é a aparência e vale tudo para parecer não sei o quê. Ninguém mais sabe quem é quem e o quê...Só conta o exterior! A pessoa em si passou a ser o que vale pela imagem ou pela marca que veste etc.
Todo o sentido de humanismo se perdeu...naturalidade, respeito, responsabilidade, simplicidade, ternura... Sei lá...

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Nota resposta:

Quando falo da "comercialização da imagem" Uma peça de arte", por exemplo, não falo da imagem verdadeira mas da aparência que se sobrepõe ao valor real das coisas e das pessoas! Quero dizer que todos nós podemos incorrer no risco de nos deixarmos levar pelas aparências e não pelo valor intrínseco, autêntico que por exemplo um livro tem...Hoje em dia os livros em Portugal vendem-se pela capa... pela fotografia da escritora em grande plano que é a mesma que aparece na televisão... e não do interesse do livro, pela sua qualidade ou pela obra em si!...

Falava da forma e conteúdo e de como uma maçã belíssima por fora pode ser podre por dentro...

Como desconheço a sociedade brasileira, pode acontecer que tudo isto fique fora de contexto! Vocês aí têm mais facilidade de fluir... aqui nem tanto. Penso que é o peso do Fado...
Sorry, Heloise!

terça-feira, fevereiro 05, 2002


SAVOIR, VOULOIR,OSER, SE TAIRE ET AIMER... AIMER.... AIMER...


l'écho assourdi d'une symphonie oubliée résonne à nouveau en notre mémoire

in "L'ENERGIE DES PYRAMIDES ET L'HOMME" - Étienne Guillé
Toda a vida procurei a palavra mágica ou a chave ou o "Ábre-te Sésamo"...e enfim já com idade para ter juizo, ainda não deixei esse vício e tenho a tendência permanente da palavra que salva ou acarinha ou a resposta incisiva que liberta da angústia ou de um sorriso que anime ou até de um toque mágico que cure...Quero ser útil à força...
Meu Deus, não magoar ninguém... nunca fazer chorar ninguém...Será uma memória egipsia? Sim, para os egipsios, o pior no momento da pesagem do coração pela Deusa Maat _ o coração para ser liberto teria de pesar tanto como uma pena (símbolo da Deusa) no outro prato da balança _ era garantir que ninguém teria chorado por nossa causa... ou por outra: que nunca tínhamos feito ninguém chorar...e esta era a sua Ética, superior a todos os princípios e noções que os homens inventaram depois deles...


As mulheres no mundo não tem feito outra coisa que não seja chorar os homens...mas podem me dizer se eu estou, como é hábito a exagerar...

segunda-feira, fevereiro 04, 2002

Leitura fácil...O sucesso do fácil e vulgar...as banalidades, as publicidades, a pornografia atenuada por erotismo, a predominância da Imagem sobre a qualidade...Etc. Não vale a pena falar...Caímos todos no mesmo engodo...Ou não?

HÁ ALGUM MEIO QUE ESCAPE À comercialização da imagem?
PARA SERMOS REALMENTE VIVOS, TEMOS DE SENTIR. NÃO PODEMOS LIMITAR-NOS A REAGIR.

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"Uma sensação de solidão sem consolo e impotência, de estar aprisionado não só num mundo adverso mas num mundo de mal e bem e onde as regras estavam feitas de uma maneira que, na prática, me fosse impossível cumprí-las"


in" A TRAIÇÃO DO EU" arno gruen


A ciência, a ciência, a ciência...
Ah como tudo é nulo e vão!
A pobreza da inteligência
Ante a riqueza da emoção!

Aquela mulher que trabalha
Como uma santa em sacrifício,
Com quanto esforço dado ralha!
Contra o pensar, que é o meu vício!

A ciência! como é pobre e nada!
Rico é o que alma dá e tem.


Fernando Pessoa

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domingo, fevereiro 03, 2002



23
A VIDA TEM A INCOERÊNCIA DUM SONHO.

E QUEM SABE SE REALMENTE ESTAREMOS A DORMIR E A SONHAR

E ACABAREMOS POR DESPERTAR UM DIA?

SERÁ ESSE O DESPERTAR QUE OS CATÓLICOS CHAMAM DEUS?


in Diário do último ano de Florbela Espanca

Para a Gusta
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NOTA À MARGEM

Tenho andado a pensar neste facto curioso, que é as pessoas neste mundo, digo, nós, cada um de nós, de cada vez que conhecemos alguém ou de algum modo temos acesso a uma nova alma e talvez mais na Internet, isso se reflicta, abrir-se um campo de perspectivas inesperado como de um sonho ou mistério se tratasse, como se cada ser humano tivesse uma chave para nós; como se uma nova pessoa nos trouxesse algo de novo, uma esperança, uma confiança e isto há centenas de anos estou certa e dura uma vida inteira; e mesmo que uma pessoa se sinta, magoada e ferida, desiludida ou desfeita pela dor de decepções de confrontos e outras tantas perdas, traições e enganos, vai e ainda mais uma vez e outra vez acreditar no ser humano, no seu próximo, seja numa perspectiva amorosa, seja de amizade, compreensão ou de afecto.
Eu fico perplexa como é que o ser humano sabendo que “o outro” nunca lhe traz esse sonho e que à ilusão do encontro mais tarde ou mais cedo surge quase sempre a desilusão e o sofrimento, sim eu estranho como é que ainda acreditamos numa nova pessoa de cada vez que a encontramos e temos esta ingenuidade de dar e receber tanta esperança num simples olhar ou gesto e mais incompreensível ainda numa palavra à distância, de uma alma desconhecida, num espaço virtual.
Não será nisso precisamente que consiste a nossa humanidade? Apesar das perdas e danos infligidos durante uma vida inteira, ainda acreditamos e sempre e isso é o mais espantoso no ser humano como algo renovado ou sonhamos apenas com essa possibilidade, ludibriando assim a nossa incontornável solidão...
CONFESSO QUE NÃO SEI ou este é o maior mistério das vidas humanas.

Talvez nós humanos mais não sejamos do que argolas de uma corrente invisível que abraça o planeta...

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Vesper, tu juntas tudo
Quanto dispersa a luminosa aurora,
Trazes a ovelha, trazes a cabra,
Só não trazes à mãe a filha.


Fragmentos – SAFO


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6

A macieza do teu
Fruto
Da pele do fruto do teu hálito

Disfruto
As tuas mãos e o hábito leve
E tão frequente:

Do teu vestido
De flores
Aberto à frente

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7

Que será feito da luz
Dos teus cabelos
Que me acendiam nos teus ombros?

Nos teus pulsos...

Enquanto eu adormecia
Na fundura morna
Da sombra do teu colo

In “MINHA MÃE MEU AMOR” de Maria Teresa Horta

sexta-feira, fevereiro 01, 2002



...”O nosso tempo é o tempo dos mortos, é o tempo dos que precisam de ópio para regressar a si, é o tempo dos macacos fornicadores que descarregam sobre a alma humana ondas e ondas de bestialidade integral provocando no corpo e no espírito doenças inenarráveis e intermináveis. É o tempo dos castelos interiores, da ocultação, da imobilidade. Do conhecimento.”

O verso e o reverso do mundo. Mas é tempo de castelos interiores sim. De contemplação ou reflexão. É preciso voltar ao nosso ser essencial, íntimo e profundo. Já percorremos demasiado os labirintos do prazer e da animalidade. É preciso destinguir urgentemente o erotismo da pornografia... A liberdade da promiscuidade. Separar as águas...
Salvar a nossa alma do caos.



“Eu querido irmão, pensei: o homem quer experimentar sensações fortes e quer ser amado.Ponto. Cada um de nós sabe-o em segredo e quando não lhe é dado, não consegue, ou lhe fica vedado satisfazer essas ânsias profundas, então arranja - sim, nós! - então arranjamos satisfações substitutas e agarramo-nos a uma vida suplementar, um suplemento de vida; toda a monstruosa criação técnica, expandindo-se febrilmente, um substituto para o amor.”

(...)

“Agora quero dormir. Quero distrair-me, ou seja ler. Da cama olhei em volta e descobri que o livro que num dia como este eu teria querido ler não estava ainda escrito.
(...)
IN “Acidente” de CHRISTA WOLF