"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quinta-feira, novembro 20, 2008

A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES...

ENQUANTO FALAMOS DE DEUSAS...
AS MULHERES MORREM...

"Estudo. Foram 43 as mulheres assassinadas este ano, contra 21 em 2007

Morte de mulheres por violência doméstica mais do que duplicou

O número de mulheres assassinadas às mãos dos maridos, companheiros, namorados e indivíduos cuja relação já havia terminado mais do que duplicou de 2007 para 2008. Entre Janeiro e 15 de Novembro, registaram-se 43 vítimas mortais de violência doméstica, contra 21 do ano anterior, das quais a maioria da região norte.
(...)
"O que sabemos é que as vítimas, assim como os agressores, são cada vez mais jovens, talvez porque reajam à agressão, tentando pôr fim ao relacionamento, o que até aqui não era frequente ", disse aquela responsável, acrescentando que "a mulher de hoje tenta inverter a visão que alguns homens têm de que ela lhe pertence".

AS GERAÇÕES NOVAS NÃO MUDARAM...

"O maior número de vítimas situou--se na faixa etária entre os 24 e os 32 anos,

"abrangendo todas as classes sociais", disse Maria José Magalhães. Segundo os dados ontem divulgados pela UMAR - que dia 22 lança uma petição online dirigida só a homens para que repudiem toda e qualquer violência contra as mulheres -, cerca de 28% dos homicídios foram cometidos por indivíduos cuja relação de intimidade com a vítima já tinha terminado. As 43 mortes até 15 de Novembro representam o número mais elevado desde 2004, ano em foram registados 42 homicídios. Deste então, 182 mulheres perderam a vida, "número que pode pecar por defeito e nunca por excesso", disse Maria José Magalhães.
(JOÃO PAULO MENDES, LEONARDO NEGRÃO)
IN DN

3 comentários:

santos.edhilene disse...

Penso que esta é uma questão cultural muito fortemente arraigada na mente machista do mundo.
Há um longo e árduo trabalho a ser feito em nossa sociedade e é preciso que cada mulher, especialmente aquelas que tem o poder de falar, de educar,dedique-se a essa tarefa.
Sempre que possível falemos da necessidade de respeitar a mulher em todos os seus aspectos.
Recentemente estive em uma discussão sobre gravidez na adolescência e questionamos o papel do homem, que geralmente se exime de responsabilidade,falamos da familia, dos tabus, mas fiz questão de frisar o desrespeito à mulher como causa originária de tantos males no mundo.
Sem respeito à mulher os filhos sofrem e geramos outros filhos desrespeitosos.
Esse ciclo só será quebrado com a perseverança e esforço feminino.Porque, honestamente, se esperarmos isso dos homens( ao menos da maioria), jamais mudaremos nada.
O poder de transformação hoje está ao nosso alcance.
Conciência, e ação!

Anónimo disse...

Violência psicológica

Por Maria da Penha Vieira

Consultoria crítica: Dr. Gilberto Hauer

11, Maio/2001


Tem sido dado ênfase à violência doméstica que atinge as mulheres, na forma física. Acontece que, absolutamente mais comum e infinitavemente mais danosa é a violência psicólogica, que não acontece apenas no ambiente doméstico sendo que esta, por ser continuada no tempo, até mesmo sem ser identificada pela vítima, é a forma de abuso mais difícil de ser identificada, porque não deixa marcas evidentes no corpo ( exceto talvez, uma postura corporal ). A agressão psicológica pode ficar camuflada em doenças alérgicas e auto-imunes.


Ela é comumente camuflada pela sutileza das relações intra-familiares mas causa sofrimento e conduz a mulher à alterações de comportamento, postura corporal e/ou reações psicossomáticas. Ainda o fato de esta mulher, acossada, diminuida em sua autoestima, repassar aos filhos, o amargor, mesmo que involuntária e inconscientemente levando à perpetuação, igualmente perversa ao criar modelo deste tipo de violência na vida adulta dos filhos.


O abuso psicológico também permeia todas as outras modalidades de abuso e isto é o mais dramático, pois exacerba o nível de possibilidades de toda a família em apresentar distúrbios de ordem psicológica adentrando nas suas relações afetivas, dificultando-as. O acúmulo da vivência desse tipo de violência, faz elevar os índices de freqüência aos hospitais psiquiátricos, elevar globalmente o nível de disturbios mentais, bem como elevar o índice das estatísticas dos suicidas.

Pode-se considerar que essa forma silenciosa de violência, vivida pela mulher casada no seu cotidiano, é pouco ou nada considerado até agora. Mas essa violência não acontece apenas com as mulheres, muito mais às crianças e adolescentes, vítimas mais disponíveis.


No caso das mulheres casadas, consideramos que se de um lado existe o criminoso, em geral o marido, agindo através do poder financeiro e econômico, cultura do ciúme e mais atual, a evitação da independência da mulher no imaginário que está em formação, da ascendência profissional vista como concorrência, do outro lado está a própria mulher que, principalmente, se ama o marido, aceita a posição de vítima como uma demonstração de amor. Com certeza não é difícil alcançar que o poder econômico e financeiro do marido pode servir de alavanca da medida e do grau de dependência financeira da mulher em relação ao parceiro.


Esta mulher casada, que ama o companheiro, quando vítima de atrocidades psicológicas tende, quase sempre ao sentimento de culpada, invariavelmente. Ou não consegue identificar a capacidade do companheiro em arquitetar e manietar. Sente-se confusa pois não acredita na possibilidade de intenção e mesmo não acreditam ser esta, uma forma de violência. Não acredita que o marido a está fazendo sofrer deliberadamente fazendo-a sentir o sabor do poder que ele detém.

A "confusão" sentida e vivida pela mulher vítima de atrocidades psicológicas reside, na maioria das vezes, no equívoco de "confundir" os sentimentos. Desvalia, ódio, rejeição. Esta mesma mulher que pensa que ama, pode não amar o marido. Muitos outros motivos podem estar contribuindo para que ela viva o sentimento de "confusão". Medo de encarar outra realidade que ela pensa ser mais difícil, que ela pensa que não vai conseguir alcançar. O medo da separação, do divórcio. O medo de ter "fracassado" no seu casamento e por fim, também a possibilidade de ela confudir-se no sentimento de culpa e perder-se no desconhecimento da auto-punição ou auto-destruição.

Essa violência pode estar sendo demonstrada através da ridicularização do físico mulher - gorda, magricela, pele e osso, velha, relaxada, não capaz de ganhar dinheiro para ajudar a família etc - da incapacidade intelectual - burrinha, desinformada, fora da realidade. Atitudes constantes de censura, pressões, cobranças, comparações, a exemplo.

Pode-se considerar que a forte pressão psicológica alcança características de tortura quando movida por objetivo definido da qual a vítima é o meio. Muitos exemplos poderiam ser extraídos. O marido que premeditadamente força a pressão psicológica até que ela chegue a atingir níveis insuportáveis pela vítima que cede diante da fragilidade psicológica e emocional. Esse objetivo pode ser, conseguir o descrédito da mulher ao ser considerada mentalmente incapacitada para administrar patrimônio, por exemplo. Outro tipo de tortura com objetivos de conseguir informações; essa seria a tortura política e objeto de outro enfoque.

Encontrei esse artigo e achei interessante.Pouco ou quase nada se fala sobre isso.

Anónimo disse...

Encontro-me em situação de violência psicológica e não sei como sair disso...