"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, dezembro 23, 2008

A VASTIDÃO DO MUNDO NA VOZ DE UMA MULHER



Eu sou antes, eu sou sempre, eu sou nunca.
À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa.

Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios.
Sou sozinha, eu e minha liberdade. É tamanha a liberdade que se pode escandalizar um primitivo.

Não sei o que estou escrevendo: sou obscura para mim mesma.
O mundo: um emaranhado de fios telegráficos em eriçamento. E a luminosidade no entanto obscura: esta sou eu diante do mundo.

**
Só no ato do amor – pela límpida abstração de estrela do que se sente – capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si.

No amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio de instantes.
Clarice lispector
Clarice lispector
CLARICE...

Sem comentários: