"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quinta-feira, janeiro 29, 2009

OS MISTÉRIOS DAS MULHERES


A Terra é um ser vivo.
Os ventos fazem parte do poder da Terra.
Nós somos seres de energia.
Podemos transmutar energia.
Nós somos seres de consciência.
Podemos transmutar a consciência.
Nós somos seres vivos.
Podemos transmutar a vida.

(…)
Estudar os Ventos é ir ao encontro do mistério feminino.
Pois os ventos como entes masculinos, mais correto seria dizer Yang, buscam as mulheres como parceiras e com o auxílio dos ventos podemos descobrir mais sobre essas parceiras fantásticas na trilha do conhecimento que são as mulheres. Quando ainda na imaturidade de suas existências perdem muito de seu poder em atitudes das mais tolas, como nós homens também perdemos, por termos sido condicionados a assim agir. Mas se encontram a si mesmas e descobrem seus potenciais as mulheres podem chegar num nível de profundidade no Xamanismo que nós homens podemos nos aproximar, não igualar. Isto, para meu clã e outros que conheço é um fato. Sem nenhum problema de "guerra dos sexos".
Homens e mulheres aqui na Terra trazem em si essas energias Yang e Yin que estamos falando e existem homens Yin e mulheres Yang, podendo manifestar ou nao essa polaridade também sexualmente. O que ocorre é que a lógica do rebanho ainda perpetua na civilização dominada e as pessoas são úteis quando produtoras e consumidoras das futilidades que o sistema oferece e úteis quando reprodutoras. Uma mulher plena, que não tenha "furos" no corpo energético, uma mulher que tenha enfrentado e integrado sua sombra, pode , após ter feito o rito do sol e trazido a semente do sol para morar em seu útero, convidar o "seu vento" (cada mulher tem "um" vento próprio.) para vir morar em seu útero.
Os xamãs homens desenvolveram o feitiço da cabaça, para nela "guardar" um ente a partir do mirar de como as mulheres usavam suas cabaças internas para nela guardar poder. E a diferença que o que está na cabaça é um ente, como um saci ou um ser inorgânico de outra extirpe, enquanto que a mulher guarda dentro dela um vento, um poder natural. Falamos disso mails atrás, da diferença do poder de um ente e de um poder Natural, que tem sua fonte na própria força do ser Terra.
Dependendo da sua conformação energética e da quantidade de energia vital em si, podemos nos unir a "mulheres ventos", numa associação que nem pode ser citada pelas palavras, pois as palavras estão impregnadas de emocionalismos piegas e desarrazoados, de carências e irresoluções e este tipo de relação entre um Homem e uma Mulher pela troca de ventos internos é algo que transcende a tolice sem par do romantismo moderno, feito de carências e cinismo. É um sentimento que vem das esferas da não expectativa, do não apego. Chegar aos ventos antes de ter se resolvido, antes de ter-se feito nuvem é arriscar ser parede que barra o vento, ser buraco que em sua própria natureza se afunda fugindo do vento, que ainda assim pode percorrer seu interior.
É o que vejo as vezes no encontro dito "amoroso" das pessoas, onde cobranças, medos, ciúmes e ansiedades preenchem o que poderia ser o partilhar da maravilha de estar vivo entre seres que se sentem felizes pela vida do outro. Há muitas complexidades no caminho dos Ventos, mas ele não pode ser trilhado por "busca do amor perfeito" ou por quaisquer outros interesses egoticistas. Para poder fluir com os ventos temos de ser nada, para nele flutuar temos de ser inteiros.
Nuvem que passa
30/12/2000

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