quinta-feira, fevereiro 19, 2009

ESTAR DO LADO DO SER HUMANO, DO LADO DO AMOR...

"As mulheres a quererem ascender na hierarquia da Igreja Católica são como os negros a quererem aderir ao KU KLUX KLAN"...
Assim me parece também acontecer com o desejado "casamento homossexual"...

Bem sei que não é casar pela igreja o que eles/elas ainda querem, mas mesmo assim é querer algo que os heterossexuais já não querem...e que as mulheres não deviam querer de maneira nenhuma! Embora não dê razão aos padres da igreja, nem aos machistas tradicionalistas, nem me considere conservadora, não concordo com esta ideia do "casamento" homossexual.
Os políticos e os intelectuais estão programados: só vêem o mundo exterior e o mundo material à sua frente; para eles só contam os seus sentidos... A sua razão é tudo e por isso mesmo redutora pois só conseguem ver as coisas na superficie. Ou então é preciso ser-se muito faccioso e ignorante para não ver o erro...ou cometer o mesmo erro que amarrou as mulheres ao domínio dos homens!

BASTA VER COMO E PORQUÊ NASCE O CASAMENTO...

- “Na medida em que o Pátrio Poder se desenvolve e a lei do mais forte se instala, o uso da agressão se impõe nas relações humanas gerando competitividade, poder, conquista, luta pela posse de um território, guerras. Surge a questão da herança, institui-se o casamento. E a posse sobre a mulher, sua sexualidade, prazer e direito à própria vida se concretiza. Ao dominar a função biológica reprodutora o homem passa a controlar a sexualidade feminina. O poder cultural passa a desenvolver-se em oposição ao poder biológico nato na mulher. A vulnerabilidade permeia a função de parir, a mulher se inferioriza, torna-se dependente e o homem trabalha e domina a natureza.”
(…)

OS ESQUECIDOS ANOS 60

*
- No meu tempo a minha geração queria-se revolucionária e libertadora… Era-se contra os Estados totalitários que nos tinham aprisionado nos seus esquemas opressores e fraudulentos... Era-se contra as instituições, contra o casamento, pelo amor livre e pela liberdade sexual dos homens e mulheres. Era-se contra as amarras sociais, pelas comunidades hippies, pelas flores e pela marijuana, mas era-se principalmente contra o casamento que representava uma prisão para as mulheres e uma hipocrisia para os homens.
O casamento sempre foi o suporte da família e a família o suporte do estado OPRESSOR. Esta é construída na base de um contracto assinado, que obriga os indivíduos a um compromisso com o mesmo, celebrado num ritual tradicional religioso ou não, para as pessoas poderem ter relações sexuais controladas pelo estado e pela igreja, manter o controlo sobre os filhos e os educarem legalmente dentro da moral católica. Tudo dentro das regras da sociedade capitalista socialista (ou comunista, sendo nesta a fé a produtividade) consoante for o caso da exploração da pessoa humana, como mero instrumento de produção e consumo. Era assim que era e é assim que continua a ser. A "família" obedece sempre a princípios estabelecidos de domínio e controlo em nome de um qualquer ideal que vai mudando só na superfície.
O casamento já foi apenas o projecto de famílias para acrescentar património à sua casa feudal ou unir reinos e impedir guerras; para isso, os pais, casavam ou davam as suas filhas aos que correspondiam melhor aos seus interesses. Podia ser um nome da família, um brasão, umas propriedades, como podia ser uma vaca ou um rebanho de cabras, uns bois, dependentemente das classes sociais, pelas quais se trocavam as filhas. Os mais pobres vulgarmente tratavam de arrumar as filhas assim que pudessem, se elas fossem bonitas e tivessem essa sorte, senão iam para servas ou criadas!

Hoje em dia é um pouco diferente; parece que são as mulheres que escolhem os maridos e vice-versa, pelo menos na Europa. Também há interesses de património, teres e haveres, e nomes de família se possível, mas há sobretudo os sonhos e os filmes; sonhos e filmes de amor e felicidade que passam pela ideia de segurança, conforto e até o de arrumar a vida, casando para sempre. Sim, o sonho superou os interesses, mas não durou muito. Ficaram os mesmos filmes, com as décadas de desilusões, desenganos, sexo vídeos e mentiras, advogados e divórcios, veio a derrocada, a mudança de sexos… Sim, com os filmes de Hollywood tudo foi mudando, mas no fundo no fundo tudo ia ficando na mesma, ou seja, iam-se salvando as aparências! Mas o contrato de arrendamento da mulher-sexo ou da mãe-barriga manteve-se mais ou menos intacto…
Primeiro, o casamento aparece em função da propriedade privada, depois tornou-se católico e eterno mas depois deixou de o ser; passou a ser civil, sem cerimónias e só com os papéis assinados. Mas como ele começou mesmo e do princípio, foi como toda a gente sabe, uma maneira de controlar a mulher, uma maneira de controlar os bens e garantir aos homens que os seus descendentes eram seus e os seus bens ficariam para os filhos legítimos e não para os sobrinhos, filhos da irmã etc. . Assim, impôs-se a fidelidade à mulher, enquanto o homem teria as mulheres que quisesse; amarrou-se em suma a mulher a um contracto e ai dela se o não cumprisse; podia ser espancada e submetida a tortura e até morta como o é ainda por cá tantas vezes e no Paquistão ou no Irão e por aí fora onde nada mudou desde a Idade Média…

A verdade mais simples é que o casamento não passa de uma instituição que submeteu a mulher às ordens do homem, sujeição da parte mais fraca à mais forte e que é parte assente do estatuto da mulher na família e parte integrante das leis da família patriarcal durante centenas...talvez milhares de anos…
Não vi em momento algum da história do Homem, nem em classe alguma ou em família nenhuma nada que não fosse um modo de sujeição da mulher e a ignorância da mesma (ou mesmo que ela fosse culta, a cultura é sempre a dos senhores doutores que ditam essas mesmas leis), uma situação quase sempre forçada pela sua dependência do homem tanto económica como afectiva e sexual e não vi nunca senão o abuso desse poder frontal ou subtil, e a displicência como a mulher doméstica era tratada, mais a violência doméstica camuflada, mais ou menos uma burra de carga ou, então, tinha criadas que por sua vez eram elas as abusadas de todas as maneiras e assim se trocava a canga!
Os tempos mudaram ou aceleraram e com isso as relações são cada vez mais efémeras e as trocas também; um casamento dura mais ou menos 3 anos, já dizia no meu tempo o Wilhelm Reich e agora comercializa-se o acto só para o espectáculo e ganhar umas prendas para se montar a casa, e depois logo se vê, vai-se variando, e depois vem o divórcio e tem-se sempre a "alternativa" da pornografia e as boites de alterne….
Por todas estas razões eu não entendo porque é que os homossexuais estão doidinhos para se casar. Não, juro que não entendo como é que querem casar com a raridade de casos duráveis entre si e sabendo como todos sabemos que as relações homossexuais, seja entre homens ou mulheres, são ainda menos duradoiras que a dos heterossexuais e perfeitamente descartáveis? Claro que há também aqui as tais excepções à regra…
Sim os homossexuais fazem questão de honra fazer parte do sistema patriarcal, de um sistema que os ostraciza, que desvaloriza a mulher, que foi sempre pela força e do lado do mais forte; querem fazer parte de um contracto caricato para que tenham dignidade como par...


Mudar a lei e permitir o casamento entre gays e lésbicas não vai alterar as mentalidade nem fazer com que as pessoas os respeitam e possam enfim beijar-se em público...é estúpido porque a lei não mudou nada na realidade das mulheres com as pseudo-revoluções e estas continuam a servir os interesses dos homens ou unicamente a serem violentadas em casa, como o são na rua e no trabalho!

Os homossexuais têm todo o direito de viver com quem quiserem, ninguém duvida disso, mas casar segundo os padrões reaccionários e atávicos, servir o sistema que os despreza á partida; que despreza os homens porque se assemelham a mulheres e despreza as mulheres lésbicas porque os não servem a eles… isto é dar um tiro nos pés…é voltar atrás na escala do progreeso social e da evolução da humanidade…é atrasar os processos que pediam deles uma libertação dos todos os Sistemas de controlo e a não ficarem estigmatizados como o foram as mulheres durante centenas de anos…
A questão essencial para mim não devia ser casar, nem afirmar uma sexualidade diferente, mas sim lutar para que o Ser Humano, todos os seres humanos e em todos os casos e individualmente mereçam o respeito por si mesmos, independentemente de sexo cor ou religião... o que implicaria uma mudança não só de costumes, mas essencialmente de paradigma.
A Vida tem muito mais que se lhe peça do que assinar um papel para garantir umas parcas regalias sociais. O amor é muito mais do que um sexo, muito mais do que uma aparente liberdade de andar de mãos dadas e de umas bugigangas de herança ou de finanças e Ivas…
O Amor é muito mais do que uma casinha e pucarinho e festinhas em lugares públicos, porque nunca nesta sociedade machista e falocrática se respeitará o amor entre as pessoas sejam elas o que forem se fugirem às suas regras e leis. E só quando as pessoas todas forem simplesmente humanas e todas mais elas próprias, sem olhar a sexos, esse respeito será possível. Para isso era preciso e urgente ser-se mais humano, mais conscientes de Um Amor Maior, superior, de uma Ordem Divina, nem católica nem muçulmana, mas de uma Vida Inteligente e vibrante que nos faz respirar uma oitava acima de todas estas querelas.


E só uma mudança de paradigma permitirá a todas as pessoas viverem em liberdade e em respeito, a começar pelo respeito da mulher e de si mesmo!
Por hora, SIM, esta e outras causas menores servirão apenas para nos distrair de problemas maiores e de uma vida REALMENTE mais digna e mais humana. PARA TODA A HUMANIDADE. RLP

PS:
Eu sei que ser ultra-realista tem um alto preço a pagar...

1 comentário:

Ana Nazaré disse...

SIM !!!!!!! A simbologia do casamento é bem clara: controle da mulher. Vem de tempos misóginos, quando passou a se considerar a mulher como indigna de confiança, traíra. O casamento é a crença ERRÔNEA que a mulher precisa ser controlada.