sábado, março 28, 2009

a mediocridade de si...


Quando em êxtase vamos ao céu trazemos na volta uma luz em nós. E ao voltarmos essa luz brilha em nós para os outros e para nós mesmos. A luz excessiva do êxtase só nos permite sentir o júbilo infinito, mas a luz amena que trouxemos brilha nas trevas de nós mesmos. E aí percebemos em nós aquilo que antes do êxtase não conseguíamos perceber, ver.

Inveja

A iluminação na escuridão.
Inveja é o motor da ação.
Inveja é a mola propulsora do cidadão.
Inveja é a reação
que o outro nos provoca quando secretamente desejamos aquilo que ele tem ou é.
Admiramos negativamente o outro, vemos no outro uma qualidade ambicionada e nossos olhos brilham em escurão.
Inveja seca-pimenteira, inveja magia negra, inveja cegueira do bem que há em nós;
Inveja, não quer ver o bem em nós e ambiciona-o no outro por comparação.
Inveja, único defeito que não possui um círculo próprio no inferno de Dante, porque alinhava todos eles.
(...)

E horrorizados vemos aquilo que não consegue olhar com alegria pelo bem que o outro é.

E vemos que nos fizemos tal como somos pela própria inveja não admitida.

Porque admiti-la destrói o nosso ser no mundo, por isso está escondida de ti por trás da ira, da crítica , do sacrifício ou da falsa rebeldia, com seus rebentos disformes da reclamação e da fofoca e do despacho de língua ferina.


Inveja. Veja in, olhe dentro, expurgue-a pelo olhar compreensivo, na figa da auto-observação, pois cada qual possui um dom divino para benefício de todos.

Oh, auto-estima minada!
Ó mediocridade de si!
Ó maldita e mal-olhada, escondes em ti teu próprio bem.

Se isso compreenderes terás a chave de teu próprio sucesso.
Se isso compreenderes terás a chave de teu próprio sucesso.
Se isso compreenderes terás a chave de teu próprio sucesso.

Compreenderás a ilusão quando veres que a vítima e o algoz são um só.
Assim como o olho e o olhar.

F.A.