"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

domingo, março 22, 2009

SEM A MUSA NÃO HÁ POESIA...

vem, lira divina,
e me responde;
encontra, tu mesma,
tua própria voz
e
de [vossa casa] dourada,
vinde a mim, ó Musas
Safo


SÓ O RETORNO DA DEUSA E DO FEMININO SAGRADO

TRARÁ O RETORNO DA POESIA NA EXALTAÇÃO DA MUSA...

(…)
A prática da verdadeira poesia reclama um espírito miraculosamente desperto e capaz de, por iluminação, juntar as palavras, através de uma cadeia mais-que-coincidência, numa entidade viva, um poema que vai viver por si mesmo, talvez por séculos depois da morte do seu autor, cativando os seus leitores pela carga de magia que ele contem. Porque em poesia a fonte do poder criativo não é a inteligência científica mas a inspiração (mesmo que esta possa ser explicada pelos cientistas) não é através da Musa lunar, o termo mais antigo e o mais adequado para designar esta fonte de inspiração na Europa, à qual a devamos atribuir? Pela tradicional veneração da Deusa Branca ela torna-se uma com a sua representante humana, sacerdotisa, profetisa, ou rainha–mãe.

Nenhum poeta que exalte a Musa pode experimentar conscientemente a existência senão na sua experiência do feminino pois temos de considerar que é na mulher que reside a deusa seja em que grau for; exactamente como nenhum poeta apolínio pode exercer a sua função própria se ele não se submeter a uma monarquia ou a uma quase monarquia. Um poeta que exalte a musa abandona-se absolutamente ao amor e a mulher que ele ama na vida real é para ele a encarnação da Musa.
(…)
Mas o verdadeiro poeta, perpetuamente obsediado pela Musa, faz a distinção entre a Deusa na qual ele reconhece o poder supremo, a glória da sabedoria no amor de uma mulher, e a mulher indivíduo que a Deusa pode tornar seu instrumento por um mês, um ano, sete anos ou mesmo mais. O que é próprio da Deusa fica; e talvez o seu poeta tenha de novo a possibilidade de a reconhecer através da experiência que possa vir a ter de uma outra mulher "

ROBERT GRAVES - LES MYTES CELTES
LA DÉESSE BLANCHE
IN Ed. du Rocher

4 comentários:

josaphat disse...

Sem a Musa não há poesia, Rosa, disseste tudo.

Safo já suplicava:

vem, lira divina, e me responde;
encontra, tu mesma, tua própria voz

e

de [vossa casa] dourada,
vinde a mim, ó Musas

Quão pouco são os loucos que conversam com as Musas, quão poucos vislumbram as Kárites divinas...

Mas não desanimemos, um tempo de equilíbrio se avizinha.

Anónimo disse...

Meu amigo, às vezes parece que esqueço algumas pessoas que me são caras como é o seu caso e que tanto aprecio sempre que por aqui passa. Eu não comento muito embora passe pelos blogues todos que me visitam, como foi agora o caso de o ler e perceber que não está muito inspirado...eu também não, por isso apelo à Real Musa e a Deusa que vele por nós..e pela poesia que amamos tanto.

Um grande abraço

rleonor

Sirius disse...

Linda Rosa, no próximo dia 05, num parque local aqui na oriente João Pessoa, um grupo de alunos e eu, estaremos participando de um sarau Palavra Plantada e levaremos, nada mais, nada menos que a poesia de Safo.

Lindas inspirações recei e recebo de vc!
Muitos beijos olorosos

Anónimo disse...

Que pena minha amiga não estar aí e poder ir a esse encontro convosco...
Pelo menos tenho a recompensa de poder contribuir um pouco com as minhas palavras, com você diz...

um enorme abraço

rleonor
ps
Sabe, se não fosse o apoio das amigas e amigos brasileiros que ganhei por aqui eu acho que há muito teria desistido deste blogue...