"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quinta-feira, maio 14, 2009

SER TESTEMUNHA DO CORPO DE DOR...

"Alguns ensinamentos espirituais afirmam que a dor é uma ilusão em última análise, e isto é verdade. A pergunta é: Será que é a verdade para você? Ou uma mera crença. Quer sentir dor para o resto de sua vida e continuar dizendo que é uma ilusão?
O que nos preocupa aqui é, como é que se conta para esse ser a verdade, ou seja, torná-la real em sua própria experiência.

Então, a dor-corpo não quer que você a observe diretamente e a veja como ela é. O momento que você a observa, ela se sente no domínio da energia dentro de você e toma sua atenção para então, a identificação ser quebrada.
Uma maior consciência da dimensão da mesma é como fazer um apelo para sua PRESENÇA. Agora você é a testemunha ou o observador do corpo-dor.
Isso significa que ele não pode mais usar você fingindo ser você, e você não pode alimentá-lo através de você.
Você encontrou a sua maior fonte de força interior. Você está inscrito para poder fazer isso agora.
Eckhart Tolle
*
Pois é minhas queridas, só nas situações concretas nos revemos e percebemos a distância que vai da teoria à prática...é aqui que eu digo que sem passar pela experiência do confronto com as situações reais não sabemos realmente o que somos. Eu também vivi as minhas contradições e só a idade me libertou delas...mas nunca podemos ficar muito seguras, porque as surpresas acontecem quando menos esperamos. Por isso o trabalho de consciencialização da mulher E DA SUA TOTALIDADE é árduo e implica estar atenta às suas feridas, ir ao mais fundo de si mesma onde os registos atávicos permanecem à revelia dos nossos conhecimentos teóricos do plano mental, à revelia das nossas aspirações espirituais e de sermos justas e imparciais umas com as outras.

O ódio da mulher pela outra mulher ou por si mesma é tão antigo que esquecemos a origem...por isso defendemos os homens e atacamos as mulheres, quase sempre...Somos antagónicas com as mulheres e cúmplices do homem: é a lei da sobrevivência do mais fraco...e não vamos negar que vivemos nessa condição durante séculos. A ideia de que podemos compor tudo numa ou duas décadas...é ilusória, e não podemos esquecer as dores e humilhações sofridas por uma falsa condição da mulher se não formos bem ao fundo do nosso ser, às nossas memórias remotas, ao encontro da nossa Sombra e a enfrentarmos sem medo nem disfarces...Se o não fizermos não saberemos nunca o nosso progresso interior e continuaremos a confundir o que pensamos com o que realmente sentimos… Continuaremos a confundir as nossas crenças e ideias com uma realidade que não existe, como quando seguimos uma religião ou uma ideologia.
O nosso corpo de dor é muito antigo e “superior” ao do homem. Deve-se a muitos séculos de domínio, exploração e exclusão e isso não mudou com umas pinceladas de alternativas, novos credos, mais umas doses de esoterismo e uma grande medida de qualquer poção mágica da nova era…e pronto já está: temos a OBRA realizada, não...
As feridas demorarão a cicatrizar e vai ser precisa muita paciência e muito amor, muita compreensão por nós mesmas. O nosso corpo de dor é imenso e se a humanidade homem sofreu horrores temos de ser lúcidos e perceber que a mulher sofreu a dobrar. E sofre ainda. Não o devemos lembrar por masoquismo ou desejo de vingança mesquinha, mas para não desviar o olhar e curar. Para tratar e curar a fundo. Para amar com redobrado cuidado, para que as mulheres percebam como e porque se odiaram e traíram e recuperar o tempo perdido para sarar esta humanidade em igualdade de circunstâncias, com respeito e conhecimento de causa. Porque enquanto essa consciência não for real, desperta bem lá no fundo, implicitamente esses sentimentos e emoções ocultas, antigas feridas, padrões de relacionamento inconsciente etc., vão continuar a manifestar-se enquanto se diz que estamso muito evoluídas e vivemos em paridade…quando afinal a qualquer momento podemos verificar que não é verdade no íntimo de cada uma de nós…ao darmos por nós ainda a competir e a odiar a "outra"...porque é diferente, porque é uma p...

etc. etc. etc.
rlp
Eu sei que nascemos ora homens ou mulheres em vidas diferentes...mas quando nascemos mulheres herdamos por linha matrilínea todas as memórias e feridas das nossas ancestrais...e a nossa missão como mulheres é recuperar a nossa mais profunda identidade, essa natureza intrínseca ligada á Grande Deusa, à Terra e Mãe. E unir o Céu e a Terra...

2 comentários:

anfibia disse...

rosa, obrigada por estes posts sobre corpo de dor.
pra quem tem tendência à estados depressivos eles ajudam muito a compreender camadas mais interiores da raiva tornada tristeza.
já disse um psiquiatra brasileiro:
'a mágoa é a raiva de freira'.
ou seja, sempre há raiva por baixo de qualquer dor ou sofrimento.
pras mulheres, expressar raiva de forma positiva, não implosiva nem sublimada, é uma lição ainda a ser aprendida.
grande beijo!

neandertal disse...

os homens já aprenderam...