domingo, junho 28, 2009

AS MÁSCARAS...

NOTA À MARGEM (me sinto mesmo à margem)
Estou cansada de egos e egomaniacos/as, de mim própria...
Apetecia-me sinceramente partir para o outro lado...
Estou farta de tanta treta, de tanta banalidades, de ideias vulgares e de vaidades...
Estou mesmo a chegar aquele sítio onde toda a mentira das meias verdades, os egos inflados, todas estas máscaras, mas principalmente a falta de discernimento, de qualidade, de profundidade e sobretude a falta de humildade, de sinceridade me enjoa. É tanta a verborreia em nome das causas que já me causa vómitos...
Para mim, hoje, olho para Mulheres & Deusas como uma causa perdida... Depois de ver bem alguns dos equívocos que se geraram...fico mesmo enjoada.
Podem pensar que é um momento de desilusão mas é mais um estado de espírito, direi um estado de consciência. A ser fiel a mim mesma nunca mais postava nada aqui... por mais sincera que seja há realmente um momento que tudo isto não passa de uma farsa que por ego alimentamos.

Realmente dava tudo para desligar deste mim própria e ter a coragem de por este blogue de quarentena...de momento está apenas preso por um fio...


E tal como Pessoa dizia, eu sinto que:
"Tudo é orgulho e inconsciência. Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto. "ou
"O poeta superior diz o que efetivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga deve sentir. Nada disto tem a ver com sinceridade. Em primeiro lugar ninguém sabe o que verdadeiramente sente..."

ou ainda o poema...

Ah quantas máscaras e submáscaras,
Usamos nós no rosto de alma, e quando,
Por jogo apenas, ela tira a máscara,
Sabe que a última tirou enfim?
De máscaras não sabe a vera máscara,
E lá de dentro fica mascarada.
Que consciência seja que se afirme.
O aceite uso de afirmar-se a ensona.
Como criança que ante o espelho teme,
As nossas almas, crianças, distraídas,
Julgam ver outras nas caretas vistas
E um mundo inteiro na esquecida causa;
E quando um pensamento desmascara,
Desmascarar não vai desmascarado.

FERNANDO PESSOA (1888-1935)
Tradução: Jorge de Sena.

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