quarta-feira, novembro 04, 2009

O ORGULHO DE SER MULHER


O ORGULHO DA DEUSA VIVER EM NÓS…

“O simbolismo da deusa electriliza a mulher moderna. A redescoberta das antigas civilizações matriarcais nos dá um senso profundo de orgulho, de ver a nossa capacidade como mulheres em criar e produzir cultura. Denunciar os erros do patriarcado nos dá um modelo de força e autoridades femininas. A deusa arcaica, a divindade primordial, a senhora dos caçadores da idade da pedra e das primeiras sementeira de grão, sob cuja inspiração os animais foram domesticados e as plantas medicinais descobertas, aquela cuja imagem deu origem ás primeiras obras de arte que foram criadas, para a qual foram erigidos os megalitos, aquela que inspirou a música e a poesia, é novamente reconhecida hoje.”
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“Na Witch craft, Caminho da Deusa”* nós não cremos na deusa, nós nos religamos a ela através da Lua, das estrelas, do oceano, da terra, através das árvores, dos animais, dos outros seres humanos, através de nós mesmas. Ela está aqui, ela está no coração de todos e de tudo. A deusa existe antes de toda a Terra, ela é o obscuro, a mãe que nutre e que produz toda a vida. Ela é o poder fecundante da vida, o útero, mas também a tumba que nos recebe, o poder da morte. Tudo dela provem, tudo a ela retorna…Ela é o corpo, e o corpo é sagrado. Útero, seios ventre, boca, vagina, pénis, ossos, sangue; nenhuma parte do corpo é impura, nenhum aspecto do processo de vida é manchado pelo pecado. O nascimento, a morte e a dissolução são três partes sagradas do ciclo. Quer comamos, façamos amor ou eliminemos os dejectos de nosso corpo, sempre manifestamos a deusa.
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Seu culto pode assumir qualquer forma, em qualquer lugar; ele não requer liturgia, nem catedral nem confissão. (…) O desejo é a cimento do universo, ele vincula o electrão e o núcleo, o planeta ao sol, ele cria as formas, ele cria o mundo. Sigam o desejo até ao seu termo, unam-se ao objecto desejado até se tornarem esse objecto, até se tornarem a deusa.”
“Para a mulher, a deusa simboliza o seu ser mais profundo, o poder libertador, nutritivo e benéfico. O cosmo é modelado como um corpo de mulher, que é sagrado. Todas as fases da vida são sagradas. A idade é uma bênção, não uma maldição. A deusa não limita a mulher a ser um mero corpo, ela desperta o espírito, a mente e as emoções. Através dela a mulher pode conhecer o poder da sua cólera, assim como a força do seu amor.”
Star Hawk
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Citações tiradas de:
Tantra – O Culto da Feminilidade - Outra visão da vida e do sexo
André Van Lysebeth

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UMA NOTA PESSOAL

Witch craft
– O autor do livro cita a escritora e ao citá-la optou por não traduzir a palavra “bruxa” pelo sentido pejorativo que a palavra tem, mas eu tomei a liberdade de traduzir esta expressão por “caminho da deusa”, ou poderia optar ainda pelo “trabalho das feiticeiras”, porque entendo que o caminho ou o trabalho da “bruxa” e da feiticeira, este termo mais atenuado, é fundamentalmente o Caminho da Deusa, o caminho da vida e o caminho da Natureza Mãe, o caminho de toda a mulher!

A Bruxa não é mais do que a mulher em pleno poder da sua intuição e consciência do seu poder interior ligada às forças da natureza e do cosmos.


Aquilo que a igreja, os padres e toda a cultura patriarcal difundiram, nomeadamente nos contos de fadas e outros mitos e lendas, que eles deturparam, retratam a bruxa e a feiticeira como uma mulher feia e má que comia criancinhas; era a figura com que se assustava os meninos que não queriam comer e para os mais adultos a mulher que copulava com o diabo, que cometia pecados tremendos e atrocidades tais que os inquisidores não tiveram outro remédio senão as mandar para as fogueiras…esta é a história católica e quanto às bruxas e às videntes do nosso tempo, de que as vizinhas e as comadres ainda há pouco anos falavam, nas aldeias e mesmo nas cidades, eram pobres mulheres ignorantes, sempre ridicularizadas, que faziam mezinhas para os maridos das consulentes abandonarem as amantes ou voltarem para casa e prediziam outras tantas separações e desgostos de amor e liam o futuro nas cartas e a ideia generalizada era de que tudo isso não passava de mentiras e superstições…praticadas por mulheres pobres para gente ignorante…e de quem os intelectuais, os burgueses ou as pessoas sérias se riam, mas que acabavam muitas vezes por consultar às escondidas…

Por isso volto a dizer que precisamos de resgatar a palavra “bruxa” das cinzas das fogueiras e dar-lhe a dignidade que perdeu ao longo dos séculos denegrida pela igreja católica e os seus padres e também resgatá-la da falsa imagem de horror que lhe é atribuída por conceitos estapafúrdios difundidos pelas beatas que tinham medo de pecar, mas sobretudo, mais recentemente, pelos cultos satânicos e outros rituais pretensamente sagrados, que usam o nome da feitiçaria e das bruxas para o crime e a violência. Ou então, no seu oposto, temos na América o Halloween, dia em que toda a gente brinca com abóboras, e se veste de bruxa, até crianças, como se fosse uma espécie de Carnaval…
Como dizia ontem, precisamos restituir à Mulher Bruxa, ou á Mulher Feiticeira a ideia da sua grandeza e da sua beleza: fazê-la sentir o orgulho de ser representante da deusa cujo poder, magia e sortilégio, assustou tanto os homens e os padres da religião católica e a cultura patriarcal, que tudo fizeram para dizimar esse poder e matar e reduzir essa força da mulher que é a mesma força da natureza.
- Pessoalmente considero-me uma bruxa interprete do mundo antigo e do moderno... procurando fazer uma ponte entre o mundo velho e o novo, mas não pertenço a nenhuma corrente e sou mais o género bruxa que empata as fadas do que a fada a contar histórias de encantar a si própria e às outras...a pentear o meu ego e o ego das outras fadinhas...
(Normalmente não me convidam para as festas porque sabem que as estrago e nem sou muito recomendada para os serões de optimismo.) Diz a Nana que sou demasiado radical e que por causa disso não crio o "meu" círculo de mulheres...nem tenho muitas fãs...e conta assim, leiam:
(...)
né Rosa... num grupo de mulheres as coisas tem de ser horizontais, não pode haver essa hierarquia radical de uma liderança q não aceita as opiniões das outras... não é um grupo de várias rosas leonor, são várias mulheres diferentes com histórias de vida diferentes, ideias diferentes... essa diversidade tem de ser acolhida no grupo, homens aceitam facilmente ser comandados até por uma mulher, mas as mulheres não, não mesmo... enfim... ficamos empacadas no mesmo... é pena, pq há tanta coisa q se poderia trabalhar em grupo, e seria tão interessante concretizar algo... e deixa q te diga, sem se zangar, essa sua rigidez é meio patriarcal, não??? pense nisso com carinho... não temos razão em tudo, e é sábio entender q as pessoas são diferentes, saber aceitar e conviver com essa diversidade, e entender q cada um é um pedacinho do todo, por isso é q são diferentes... vc já ouviu tantas vezes sobre o seu radicalismo, mas só vc pode refletir sobre isso... nem todas tem o mesmo percurso de vida q o seu, as suas leituras, aliás, só vc tem... e o q vc sabe, viveu e aprendeu, vale tanto como o q cada uma vive e aprende tbm... por exemplo sobre a (?) com o lado politico dela, e tal... o grupo só funciona se cada uma tiver espaço pra se expor, não é uma catequese, onde temos de enfiar na cabeça de todas o seu pensamento... catequese é patriarcal... e achar q só temos a ensinar ou aprender é errado, todos ensinam, todos aprendem... não é mesmo??? tens a faca e o queijo na mão... mas tem de aceitar as pessoas como elas são, no estágio de desenvolvimento q elas estão, partilhar e aprender tbm pq vc não sabe tudo... Imagina uma deusa mãe, q antes de vc nascer passou a vc a missão de unir as mulheres, te dando muitas condições pra vc desenvolver um excelente trabalho, mas vc só precisa cuidar de si, desatar os seus nós pessoais, desamarrar as suas dificuldades, assim, tudo fluiria... já pensou nisso? onde é q vc se tem travado, tem travado a realização das coisas, onde é esse ponto de bloqueio... a gente ter auto-estima é 100% bom, mas achar q só nós temos razão em tudo é arrogância e burrice... todos ensinamos e aprendemos... se fechar ao outro é medo, medo de que? agir sempre na defensiva pra não ser magoado de novo, isso não protege ninguém... vamos continuar nos magoando como forma de crescer, superar... desatar os nós e fazer a energia fluir abundantemente... eu estou tentando desatar meus nós tbm, tentando ver onde me bloqueio, pq quero concretizar muitas coisas, mesmo q o mundo acabe, minha alma persiste e resiste, e sobreviverá... vamos em frente e o q tiver de ser, será...
(:::)
- Eu disse que ia responder mas ainda não respondi...
rlp

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