sexta-feira, julho 31, 2009

tudo o que a gente sabe de tudo...



Hoje não me apetece falar de nada, discutir nada, responder a nada...

Não me apetece rever a história dos homens, do mundo, dos povos, dos pigmeus ou das mulheres! Nem sequer quero ouvir ou contar histórias minhas nem de ninguém...quanto mais da inquisição ou do holocausto ou da guerra. Não me venham falar da Igreja nem do papa nem das fogueiras...nem dos ovnis ou dos Portais a abrir em setembro!
Há dias que ando assim...

Devo estar cansada de tantas novelas inventadas e teorias sobre tudo e das notícias do mundo e dos homens... essas enjoam-me tanto que deixei de ter televisão; já nem sequer leio jornais... e cinema não consigo ir ver um filme há anos - cada vez que penso que tinha que levar com a loucura dos outros ainda fico ainda horrorizada...pensar na ficção horrível que por aí prolifera, de vidas inventadas, repetidas, vazias e mesquinhas, de enredos macabros e do sofrimento estúpido e inútil que nos vomitam para cima, horroriza-me...e penso sempre: para quê ver e rever os dramas da comédia humana...cada vez mais vulgares e banais, mais violentos... sim, só pode ser sado-masoquismo!

Não vou de férias nem vou fazer um interregno.
Hoje estou assim e só a beleza e a poesia me dizem ainda alguma coisa...

Neste momento quero descansar de tudo e calar-me.
(Apetecem-me paisagens leves refrescantes...)
Sim o Silêncio dentro, nada mais...

Até breve...

se a nostalgia te dominar...

A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;

(...)
Rilke

quarta-feira, julho 29, 2009

DA NECESSIDADE DE BELEZA...


14 A ABUNDÂNCIA
TA YU

Muitos são os que têm

O céu sobre as mãos:
Céu azul, colheita, ouro, ar e maturidade,
Molhes colhidos, riqueza, presteza, agora –

E é o céu em ti que o anuncia,
No cálido fluxo dourado do teu coração –
O Céu
Mais forte que o fogo

E mais leve, mais doce, generosamente terno…
Agora para todos vós: não retenhas,
Dá como o recebeste, dá com generosidade
Sem esperar ser retribuído –

Nele

E sob ele

Possuis tudo o que necessitas
E a sua alegria estende-se e multiplica-se

À medida que se espalha como um clarão entre vós…

É o pão que têm
E o maná
E o deleite da vossa jornada.

*
I CHING
O LIVRO DAS MUTAÇÕES

ENTRE A TERRA E O CÉU...


Vivemos entre a Terra e o Céu…no meio de tudo o que existe o ser Humano vive permanentemente em dualidade…dividido entre o belo e o feio entre o bom e o mau…entre a saúde e a doença…
Muitas vezes olhamos o Céu, as estrelas e a Lua, ou o esplendor do Sol que apontam para o imenso e vasto Universo que nos rodeia e ficamos paralisados pela beleza de tudo e o quanto desconhecemos desse universo e da vida e de nós mesmos, sempre a olhar para a nossa miséria e desgraças sem ver que a grandeza que está em cima também está em baixo e principalmente dentro de nós…

Então esquecemo-nos de olhar as árvores e os campos, as flores e os rios e os pássaros…

Esquecemo-nos de como tudo depende do nosso olhar…tudo depende do que realmente queremos ver…

Quantas vezes não fico extasiada com a beleza de qualquer coisa simples e frágil, como sou tocada no mais profundo de mim mesma por um poema sublime, por um sorriso inesperado ou um olhar verdadeiro, humano, e depois, de repente, vem uma revolta pela dor do mundo, um inconformismo enorme perante as coisas feias, os horrores que se passam à nossa volta, a mentira dos homens, a morte e violação das mulheres e crianças, todas as formas de abuso sobre o ser humano, tudo o que grassa ao cimo da terra e nego-me a acreditar que existe A verdade e A Justiça…e menos ainda um deus ou uma Mãe…
Mas depois compreendo…o mundo é feito desta estranha mistura, sempre foi feito dessa enorme beleza e desses horrores todos que são as guerras e o ódio da raça; e vejo que são os homens a peste e a disseminam e percebo que a saída, talvez a única é individual e que a utopia é e sempre foi querer e lutar por um mundo igual…

Seria difícil se eu não tivesse alguém que me ajudasse gentilmente a olhar para dentro de mim mesma e ver que a beleza que está dentro de mim está dentro de cada ser e que eu também a posso ver em tudo à minha volta à Luz de uma Visão singular e deixar de olhara só um lado das coisas ou o outro, nesta eterna confusão que é a nossa realidade dual…
Sim alguém que me ajuda a centrar…alguém que me fala do óbvio e não do complexo e absurdo que tudo parece às vezes e sobretudo inacessível e invisível…e fá-lo de Graça!

Tantas ideias sobre o amor mas tão pouco amor…tantas ideias sobre cura e tanta doença…doenças do ego que se serve inclusive da ideia da cura e de deus para manipular ou sobrevalorizar-se impondo-se aos outros como médiuns, canais ou terapeutas, como curadores…gente que vive à custa das doenças dos outros…

Não, enquanto esse Amor não for uma realidade dentro de nós, uma constante vibratória, sensível aos olhos e ao coração, uma consciência do nosso Ser para lá dessa dualidade, nós estamos todos doentes e não podemos curar ninguém…
Só alguém que esteja acima dessa dualidade, que não oscile e mantenha o seu centro, que tenha percorrido o Caminho e saiba para onde vai nos pode conduzir e curar. Porque só o Amor verdadeiro cura todas as feridas. Falo de um Mestre vivo que nos revele o nosso mestre interior… (talvez aquele que nos revele o nosso Anjo...) aquele que nunca nos abandona…nem na vida nem na morte…

rlp

segunda-feira, julho 27, 2009

O PODER CULTURAL É ANTAGÓNICO AO PODER NATURAL DA MULHER


“A apreensão do divino faz-se pela dimensão do feminino”*

"No cristianismo tradicional, as falsas divisões deram-nos duas personagens: a Virgem Maria e Madalena. Claro, para que uma cristã se sentisse realizada, estas duas personagens deviam ser unidas - e não polarizadas - na sua psique. A Virgem Maria foi desprovida da sua sexualidade conservando a sua espiritualidade, enquanto que Maria Madalena foi despojada da sua espiritualidade ficando apenas com a sua sexualidade. Ora cada uma delas devia aceder à sua plenitude. É o que eu chamo "casar as duas Marias"... *

Tori Amos - in Os Segredos de Maria Madalena, ed. Via Medias, 2006

UMA ANTÍTESE INVENTADA

“Entendo que essa antiga e venerável missão das prostitutas é uma ética congenitalmente feminina que só por um desvio de uma religião patrística foi reservada às sacerdotisas do amor a fim de cindir a humanidade feminina na projecção do abominável e do sublime masculino. Uma antítese inventada por esse ser eminentemente melodramático que é o homem, sem a mínima verosimilhança no cosmo da realidade da mulher que não distingue o espírito da carne. Eis porque as mulheres honestas sempre no fundo invejaram as prostitutas e vice-versa.” *
(...)
*In A MADONA de Natália Correia

“Na medida em que o Pátrio Poder se desenvolve e a lei do mais forte se instala, o uso da agressão se impõe nas relações humanas gerando competitividade, poder, conquista, luta pela posse de um território, guerras.

Surge a questão da herança, institui-se o casamento. E a posse sobre a mulher, sua sexualidade, prazer e direito à própria vida se concretiza. Ao dominar a função biológica reprodutora o homem passa a controlar a sexualidade feminina. O poder cultural passa a desenvolver-se em oposição ao poder biológico nato na mulher. A vulnerabilidade permeia a função de parir, a mulher se inferioriza, torna-se dependente e o homem trabalha e domina a natureza.”
(…)


Três excertos, de autoras diferentes, profundamente esclarecedores que vêm ilustrar a questão que os textos recentes de Saramago levantam...

Os dois textos do escritor José Saramago foram publicados hoje e na semana passada. Não são temas antigos...

O escritor José Saramago diz que a


VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

É

"Problema de homens"
por José Saramago - Hoje


Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver. De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, noticias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez cem mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia.

in DN

- Haja um escritor e um homem lúcido que diga a verdade sobre a realidade das mulheres em Espanha ou em Portugal!

domingo, julho 26, 2009

O CORPO DA MULHER OBJECTO, O CORPO MERCADORIA...

(...) Assim a revolução sexual se desvirtuou, não levou o ser humano a liberação, mas a um novo encadeamento, do encarceramento do pecado para a prisão do mercado.
Tal revolução ainda está por vir e a doença emocional ainda grassa por aí, se assim não fosse Reich não teria morrido na cadeia, nem Osho envenenado.
O corpo, antes objeto de pecado passou para objeto de mercado, mas ainda assim permanece objeto, não é parte da totalidade do ser, é coisa (objeto) possuída pelo ego, que ao ter parte de si tornada objeto se aliena de si mesmo, de sua totalidade e, portanto não pode ser feliz e completo.
Quase parafraseando Crowley com seu "pecado é restrição", o mercado diz: "pecado é não lucrar, ter prejuízo, fracassar". Assim os canalhas que se dão bem são perdoados e para o fracassado, o "looser" resta apenas a culpa. Eis a lógica de mercado, a ética do lucro. E o gozo do mercado é o lucro, assim os poderosos desse mundo incrementam seu "sex appeal". Assim o dinheiro no bolso se torna o viagra dos investidores e o carrão do ano potencializa o desejo de seus donos.

Ser liberado sexualmente, dentro do paradigma vigente e doente
, é não ter culpa para gozar dos prazeres do objeto de mercado no qual o corpo se tornou. Corpo dotado de extensões que do carrão, passam pelo dinheiro, chegam ao implante, todas como muletas do falocratismo.

A liberação sexual é a nova escravidão aos padrões impostos pelo mercado.
A "liberação sexual" tornou o corpo da mulher um objeto que pode, por exemplo, ser amputado pela medicina oficial com facilidade, lhe arrancando útero, trompas, seios e glândulas sob a desculpa de prevenir certas doenças. Uma mulher que menstrua aos 50 é visto como abominação por certos médicos. O próprio homem não percebe que ele sempre foi um objeto também. Seu poder seminal que carrega em cada ejaculação o poder de repovoar países inteiros, se para cada espermatozóide houvesse um óvulo, não é se quer visto, dentro de uma perspectiva energética e de ecologia do habitat que é o corpo, como um enorme desperdício, para não dizer um genocídio seminal. Quando se fala nisso as pessoas nem se quer compreendem. Estão presas em certos paradigmas e se consideram liberadas.

E o mercado não pode atender as reais necessidades humanas por totalidade, porque o mercado trata tudo como objeto, objeto com uma finalidade: o lucro. Assim continuamos insatisfeitos, ansiando, ansiosos, neuróticos, consumindo pílulas, viagras, camisinhas, lubrificantes, antidepressivos e por aí vai.
Assim a maior dificuldade hoje nos relacionamentos é a capacidade de interagir sem usar o outro. Para tal é necessária uma sexualidade que destituída de culpa e também da idéia de objeto, veja a si mesma como uma expressão da totalidade humana que não se manifesta apenas no nível genital. A capacidade de prazer se estende por todo o corpo, por todos os corpos, por todos os chacras e se apresenta em sua totalidade como um êxtase que remete a um orgasmo universal. Para tal é preciso quebrar paradigmas relativos a expressão da sexualidade, aprender a concentrar, ampliar e potencializar a força vital que há em homens e mulheres.
(...)
Ao intentar meditar não se está buscando uma auto-terapia anti-stress, na verdade o que se está buscando é manifestação plena do espírito que há no corpo em íntima comunhão: êxtase, iluminação, satori, shunyata.
Num primeiro momento o meditar é a capacidade de sentir a própria vibração do corpo como um primeiro êxtase, a própria satisfação em estar vivo, a satisfação que brota espontânea do corpo que pulsa em sua própria força vital, para então, mais a frente sentirmos a pulsação da própria força vital do Outro, da Vida, do Cosmos, da Terra, do Universo.A.F.
LER NA ÍNTEGRA: http://pistasdocaminho.blogspot.com/

A ESSÊNCIA DA ALMA PORTUGUESA


LUSOFONIA e IDENTIDADE
De Carminda H. Proença (Janeiro 2009). Publicado na Revista NOVA ÁGUIA, nº3 (1º semestre de 2009)


(…) Na actual urgência de transcenção a questão que se coloca aos portugueses é a de busca da sua identidade essencial. Creio mesmo que não só aos portugueses. Busca iniludível que começa em cada um de nós, seres humanos, e se estende aos grupos, aos povos, à própria humanidade.
Ninguém explorou tão bem as etapas desta busca enquanto processo psicológico que também é, como Edward Edinger (1922-1998) (2) desenvolvendo e completando o que Carl Jung (1875 -1961) designou por processo de individuação.
Eles nos ensinam que a consciência do “quem sou” é uma aquisição feita ao longo da nossa existência, individual e colectiva, condição de auto realização na descoberta dos nossos verdadeiros talentos, ou seja, da nossa criatividade única e essencial posta fraternamente ao serviço.
E é desse processo conducente à amorosa partilha fraterna de talentos e de bens, da alegria que ela gera que nos fala constantemente Agostinho da Silva, utilizando a expressão: cada um tem de cumprir-se.
Ele reafirma incontestavelmente a partilha fraterna dos talentos como a essência da alma portuguesa. Ao fazê-lo abre-nos caminhos para a consciencialização da nossa identidade enquanto povo lusófono e do nosso papel de cidadãos no mundo.
É também por aí que nos conduz à fidelidade ao culto português do Espírito Santo, o próprio Amor Fraterno Vivo ou, como gosto de lhe chamar, a Presença Viva do Amor Maior (3).
A busca de “Quem Somos” é um processo evolutivo com etapas que urge ir reconhecendo à medida que abrimos o caminho por dentro de nós mesmos.
Enquanto povo nascemos neste lugar privilegiado, qual face do grande continente. Nascemos ainda terra, mas logo mar imenso… Mimados pelo fecundo brilho do sol e impulsionados pelo sopro da brisa, desfraldamos velas, construímos embarcações e nelas transportamos corpos, desejos, sonhos, emoções, medos e coragens, saberes e crenças, almas e talentos, mundo fora.
No movimento, tantas vezes repetido, do ir cada vez mais longe e do voltar, semeamos pontes de trocas, de partilha de bens, de corpos e de afectos, de comunicação verbal, tornamo-nos verdadeiramente nos portadores de novos mundos ao mundo conhecido e vice versa.
Tal como individualmente somos levados a revisitar as caves menos conscientes do nosso ser sempre que surgem fases de mal estar, é igualmente necessário e importante revisitarmos enquanto povo, neste momento crítico, os séculos da história já vivida para profundamente sentirmos e relembrarmos ou descobrirmos a identidade colectiva que neles construímos e a que damos o nome de lusofonia.
A identidade colectiva expande a identidade individual de cada um de nós que por ela se torna maior…
(…)
No pós 25 de Abril recolhemos a casa. Conseguida alguma estabilidade de regime, urge agora procurar na memória da identidade colectiva desde sempre construída, as jóias do que de melhor somos e que tardamos em reencontrar.
Não há já ditadores, nem lideranças fortes e prolongadas. Agora somos nós, cada um, o povo desta nossa pátria/mátria. É connosco. Precisamos buscar com mais afinco, rebuscar nos baús os tesouros escondidos que acumulámos ao longo dos tempos e escutar os extremos do que somos: ouvir os melhores poetas e pensadores e também os menos cultos; os mais despojados de riquezas materiais e os mais bem sucedidos na acumulação de riqueza; os mais felizes e os mais infelizes; os mais descrentes e os místicos. Todos e cada um. É no jogo da alternância e dos extremos que nos tornaremos cônscios e capazes de fazer as melhores escolhas, as mais fraternas.
A alma portuguesa ainda dorme esquecida de quem é. Desatenta aos tesouros que juntámos em séculos de história, de busca, de expansão abrangente.
(…)

VER NA ÍNTEGRA: http://reinodaconsciolandia.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

sábado, julho 25, 2009

O CONHECIMENTO ONTOLÓGICO


"O ENCONTRO COM O NOSSO ANJO"



NUMA PÁTRIA...




“E agora, todo o esgotamento e dor sentido por todos nós aqui numa pátria, é o da iminência. Do rebentar desse fruto-segredo. Que se sabe ser para já. E que se sabe, duplamente ser rebentar por ele só, quando ele quiser, mas que humanamente terá, precisará da nossa ajuda - aqui na, ou como, manifestação. E é este ajudar, colaborar, serviço necessário, e perigosíssimo e irreversível, o que faz tremer. Porque tudo, nesse último momento, é frágil e indelével, e por nossas mãos ficará marcado para todo o sempre da sua vida. (Vida, como sua ulterior história, existência, vida, fazendo-se, desabrochando de novo sobre a terra.) Neste acto último de dar à luz.
É esta iminência, em dor e sangue desta hora. Numa pátria”.

Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

«««««

Dalila Pereira da Costa escreveu sobre o livro "Aventuras do Ego de Todos Nós .... ":

"...E me alegro de vê-la continuando esse trabalho (de todos nós), o mais difícil: a busca do nosso vero eu, o que nos dará, ou permitirá, o encontro de nosso anjo.

Gostei que tivesse escolhido para esta transferência simbólica, uma casa: que agora nenhum significado possui para nossos contemporâneos. E que tivesse valorizado com suas "neblinas", a cave. Onde reside a "Mãe Velha", sabedoria de origem, e suprema. Ajudando o ser vero a sair de todos os sucessivos, frustrantes e ilusórios caminhos por si criados. Até à libertação anceada na luz, na identidade encontrada: "conhece-te a ti próprio" - lema supremo.
Terra e céu foram creados no primeiro dia. Assim também por nós têm de ser conhecidos
.


«««


A transcendência e consciência ontológica que falta a Saramago....

Um texto muito belo…mas…


O EVANGELHO segundo SARAMAGO…

FALA MARIA MADALENA:

De mim se há-de dizer que depois da morte de Jesus me arrependi do que chamavam os meus infames pecados de prostituta e me converti em penitente até ao fim da vida, e isso não é verdade. Subiram-me despida aos altares, coberta unicamente pela cabeleira que me desce até aos joelhos, com os seios murchos e a boca desdentada, e se é certo que os anos acabaram por ressequir a lisa tersura da minha pele, isso só sucedeu porque neste mundo nada pode prevalecer contra o tempo, não porque eu tivesse desprezado e ofendido o mesmo corpo que Jesus desejou e possuiu. Quem aquelas falsidades vier a dizer de mim nada sabe de amor. Deixei de ser prostituta no dia em que Jesus entrou na minha casa trazendo-me a ferida do seu pé para que eu a curasse, mas dessas obras humanas a que chamam pecados de luxúria não teria eu que me arrepender se foi como prostituta que o meu amado me conheceu e, tendo provado o meu corpo e sabido de que vivia, não me virou as costas. Quando diantes de todos os discípulos Jesus me beijava uma e muitas vezes, eles perguntaram-lhe porque me queria mais a mim que a eles, e Jesus respondeu: "A que se deve que eu não vos queira tanto como a ela?" Eles não souberam que dizer porque nunca seriam capazes de amar Jesus com o mesmo absoluto amor com que eu o amava. Depois de Lázaro ter morrido, o desgosto e a tristeza de Jesus foram tais que, uma noite, debaixo do lençol que tapava a nossa nudez, eu lhe disse: "Não posso alcançar-te onde estás porque te fechaste atrás de uma porta que não é para forças humanas", e ele disse, queixa e gemido de animal que se escondeu para sofrer: "Ainda que não possas entrar, não te afastes de mim, tem-me sempre estendida a tua mão mesmo quando não puderes ver-me, se não o fizeres esquecer-me-ei da vida, ou ela me esquecerá." E quando, alguns dias passados, Jesus foi reunir-se com os discípulos, eu, que caminhava a seu lado, disse-lhe: "Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti", e ele respondeu: "Quero estar onde estiver a minha sombra se lá é que estiverem os teus olhos." Amávamo-nos e dizíamos palavras como estas, não apenas por serem belas e verdadeiras, se é possível serem uma coisa e outra ao mesmo tempo, mas porque pressentíamos que o tempo das sombras estava a chegar e era preciso que começássemos a acostumar-nos, ainda juntos, à escuridão da ausência definitiva. Vi Jesus ressuscitado e no primeiro momento julguei que aquele homem era o cuidador do jardim onde o túmulo se encontrava, mas hoje sei que não o verei nunca dos altares onde me puseram, por mais altos que eles sejam, por mais perto do céu que alcancem, por mais adornados de flores e olorosos de perfumes. A morte não foi o que nos separou, separou-nos para todo o sempre a eternidade. Naquele tempo, abraçados um ao outro, unidas pelo espírito e pela carne as nossas bocas, nem Jesus era então o que dele se proclamava, nem eu era o que de mim se escarnecia. Jesus, comigo, não foi o Filho de Deus, e eu, com ele, não fui a prostituta Maria de Magdala, fomos unicamente aquele homem e esta mulher, ambos estremecidos de amor e a quem o mundo rodeava como um abutre babado de sangue. Disseram alguns que Jesus havia expulsado sete demónios das minhas entranhas, mas também isso não é verdade. O que Jesus fez, sim, foi despertar os sete anjos que dentro da minha alma dormiam à espera de que ele me viesse pedir socorro: "Ajuda-me." Foram os anjos que lhe curaram o pé, eles foram os que me guiaram as mãos trementes e limparam o pus da ferida, foram os que me puseram nos lábios a pergunta sem a qual Jesus não poderia ajudar-me a mim: "Sabes quem eu sou, o que faço, de que vivo", e ele respondeu: "Sei", "Não tiveste que olhar e ficaste a saber tudo", disse eu, e ele respondeu: "Não sei nada", e eu insisti: "Que sou prostituta", "Isso sei", "Que me deito com homens por dinheiro", "Sim", "Então sabes tudo de mim" e ele, com voz tranquila, como a lisa superfície de um lago murmurando, disse: "Sei só isso." Então, eu ainda ignorava que ele fosse o filho de Deus, nem sequer imaginava que Deus quisesse ter um filho, mas, nesse instante, com a luz deslumbrante do entendimento pelo espírito, percebi que somente um verdadeiro Filho do Homem poderia ter pronunciado aquelas três palavras simples: "Sei só isso." Ficámos a olhar um para o outro, nem tínhamos dado por que os anjos se tinham retirado já, e a partir dessa hora, pela palavra e pelo silêncio, pela noite e pelo dia, pelo sol e pela lua, pela presença e pela ausência, comecei a dizer a Jesus quem eu era, e ainda me faltava muito para chegar ao fundo de mim mesma quando o mataram. Sou Maria de Magdala e amei. Não há mais nada para dizer.

http://caderno.josesaramago.org/


Haveria muito mais a dizer...
Que Maria de Magdala não era uma prostituta...não porque isso seja bom ou mau, mas porque esse é o conceito posterior ao paganismo e tornou-se um preconceito difundido e enraizado pela tradição católica romana e pela cultura patrista e POR SÉCULOS DE INFORMAÇÃO DETURPADA.

Maria de Magdala – havia um Templo da Grande Mãe em Magdala - era uma das últimas sacerdotisas da Grande Deusa, uma iniciadora do seu amor e se iniciava os homens não era por dinheiro, apesar das oferendas, mas por amor à Deusa do Amor.
Se Jesus foi iniciado aos Mistérios da Mãe e da Mulher é coisa que a Igreja de Roma escondeu piamente, excomungando a Mulher, condenando-a a pecadora, descrita e pintada como penitente, fosse ela na realidade a iniciadora, fosse ela a discípula dilecta do Mestre
José Saramago é um agnóstico, humanista, fiel à doutrina comunista, mas não tem acesso ao paganismo nem o aceitaria historicamente nem aos Mistérios Eleusianos, culto da grande Deusa, da Mãe e da Filha, que perdurou na Grécia durante mais de 2 mil anos antes de Cristo porque o consideraria como mitológico...
O pensamento marxista por muito humanista que seja e no caso do escritor é-o de certeza, torna-se sempre redutor quando de algum modo toca a transcendência humana…e mais ainda aos Mistérios.
Não é uma questão de fé nem de crença, mas uma questão de consciência alargada, conhecimento antropológico e ontológico, abertura de coração…e uma grande intuição, uma grande Alma que toque o além, que se abra ao infinito que é a vida para lá do intelecto e da razão.

RLP

sexta-feira, julho 24, 2009

O PARTO ORGÁSTICO




ABSOLUTA

Páginas mais acessadas no site

Os dados de nosso provedor indicam que, no mês passado, 61.3 % dos visitantes adicionaram o ABSOLUTA aos seus sites favoritos. Entre as páginas mais visitadas em junho, a campeã de acessos foi "parto orgásmico".
A matéria aborda o filme que acompanhou de perto 11 mulheres que, em trabalho de dar a luz o mais natural possível, gemem, beijam, riem e até gozam. E traz também depoimento de vários especialistas no assunto, médicos e parteiras. O obstetra Ricardo Jones, articulista do ABSOLUTA e integrante de redes internacionais pela humanização do parto, é um dos consultores que integram o documentário. No artigo de sua autoria e que faz parte do site do filme, ele explica que, durante o trabalho de parto, as mulheres liberam ocitocina, o mesmo hormônio produzido durante a relação sexual. Então, por este e outros tantos motivos, qualquer mulher, dadas as condições de intimidade, privacidade, carinho e respeito, pode ter um parto empoderador e orgásmico. Que segredo bem guardado este!

Ver em: http://www.absoluta-online.com.br/




O potencial da mulher que ela própria desconhece…
(…)
A mulher tem uma característica que noto é ignorada por grande parte delas. Enquanto nós homens desde a puberdade até a andropausa somos sempre férteis, as mulheres todo mês tem um período no qual não são férteis.
Isso é muito revolucionário.
Vocês mulheres tem um período no qual estão livres do domínio biológico do instinto, não há um estímulo hormonal gritando:
“ Misturem os genes, continuem a espécie.”
A profundidade dessa informação não foi ainda suficientemente compreendida pela maioria.
Eu posso apenas dizer o que vejo nas mulheres xamãs com as quais convivo, que sabem ser a famosa T.P.M. (tensão pré menstrual) apenas um sinal da imensa porta que pode se abrir para todas as mulheres nesse período.
O nível de poder que observo nas minhas companheiras nesse período é algo que não posso descrever aqui, apenas citar, numa pálida alusão a este ser maravilhoso chamado mulher que felizmente pude aprender a respeitar e amar me libertando do condicionamento desta cultura decadente que ainda nos domina.
Portanto para um verdadeiro tantrista a mulher é o mistério supremo.
É a face amante da Deusa, que nos permite ir além de nossos limites, que nos nutre de uma nova energia, a qual não temos como encontrar em outra fonte.
Se a face mãe da Deusa nos amamentou quando éramos indefesas crianças é a amante que nos dá esse novo alimento que nos torna homens de fato, orgasticamente felizes.
A felicidade é profundamente ligada a realização orgástica, mas a realização orgástica não é apenas sexual.
(…)

Temos essa clara noção dessa face do Deus e Deusa?
Somos o Galhudo, o homem viril e guerreiro que na plenitude de seu poder e de sua vontade se funde à amante, à Terra, à mulher plena que na plenitude de seu poder e de sua vontade é parceira na dança que ambos juntos agora executam?
Esse tipo de consciência, de fusão com o Deus e a Deusa não pode ser alcançado pela personalidade.
Embora uma falsa personalidade possa ser gerada e tomar contato com esses arquétipos essa falsa personalidade é um perigo.
Por isso se recomenda antes de ir para a fase de trabalho no Tantra o estudo atento de si mesmo, para que saibamos como somos de fato e avaliarmos com segurança se temos disciplina e estrutura para o que representa o Tantra.
Pois o subir das energias pela espinha, pelos 3 canais que ali estão, é apenas um aspecto do processo.
(...)
Para os que criticam os celibatários, inclusive certas correntes que negam a possibilidade de desenvolvimento espiritual por este caminho gostaria de lembrar que a Terra também é mulher e assim é não apenas mãe, mas também amante e um xamã pode dela ter o mesmo que um tantrista tem de uma mulher.
Pelo que sei as mulheres podem também Ter no Sol seu parceiro, mas aqui também entramos no campo dos mistérios.
Não segredinhos tolos, jogos de poder com palavras, mas quando falo mistérios falo de níveis de conhecimento que só podem ser vivenciados, onde todo falar é apenas aludir, nunca explicar.
Isto é dito de forma muito superficial, pois é parte do mistério que os Xamãs dominam.
Mas estou falando do celibatário equilibrado, não do reprimido.
O Tantra pode ser usado como perversão e o celibato como repressão, mas o fato de poderem ser deturpados não torna esses caminhos, quando equilibradamente praticados, menores.
Como tudo pode ser deturpado o Tantra também o pode de forma consciente ou inconsciente.
Uma das afirmações mais polêmicas que os videntes Toltecas fazem é de que a mulher não apenas mantém a vida biologicamente gerando e amamentando suas crias.
Quando um homem se relaciona sexualmente com uma mulher no momento da ejaculação ele deixa tentáculos energéticos dentro dela, que o alimentam de energia por 7 anos.
Dado a complexidade deste tema apenas o cito, como alerta para as mulheres que ainda não associaram sua condição de subjugação energética em nossa sociedade com o fato de os homens a possuírem.
A liberdade sexual é algo bem distinto da libertinagem.
Não somos moralistas, repudiamos mesmo essa abordagem, apenas estamos falando de equilíbrio. A sexualidade é um tema sagrado, no mais puro sentido deste termo.
Estes raciocínios são importantes para aqueles que desejam trilhar um caminho de desenvolvimento mais profundo, iniciático.
(…)
LEIA NA ÍNTEGRA EM Pistas do caminho: http://pistasdocaminho.blogspot.com/

quinta-feira, julho 23, 2009

SER ESPELHO


Nós estamos a dormir profundamente.

E quando falamos no despertar dos 24 portais menores de Portugal, tem a ver com o fim do sono. O gás que adormece é diabolicamente gerado para adormecer especificamente certas pessoas, em certas alturas, em certos momentos históricos. É científico. O processo de despertar implica a incorporação, por cada indivíduo, da força e da entidade portal ao qual ele pertence de forma que passemos de portais a seres portal.

O trabalho das Ordens superiores, neste momento, é despertar a vocação interna e a capacidade das pessoas casarem com a energia dos portais aos quais pertencem.

Vamos observar uma emergência cada vez maior de um ditador que não tem uma única cabeça (o Apocalipse diz que tem 10 cabeças). Essa entidade está a despertar, está-se a erguer no horizonte e a colocar figuras específicas em lugares específicos. São as colunas do seu próprio templo.
Vamos observar figuras que têm um campo vibracional muito estranho assumir lugares de poder, e isso é uma boa notícia porque, finalmente, esse polvo vai aparecer.

Ao mesmo tempo que essa ditadura, à escala mundial, vai sendo instalada, está a criar os seus centuriões. Essa figura não surge como um ser mas como uma ideia com a qual a Humanidade não pode viver sem. E isso vai tomando conta até que há um momento em que as pessoas vão sentir, claramente, que voltámos a um estado de "idade do bronze tecnológico". Ao mesmo tempo, os poros do Cristo no planeta estão a começar a transpirar a radiação crística.

Portal é uma zona de tangência entre a vibração do futuro imenso e do presente, onde correntes vibracionais vindas do interior da Terra, das civilizações intraterrenas e de estações cósmicas que estão completamente fora deste jogo, podem introduzir a sua energia.
O que me surpreendeu é que cada portal menor de Portugal tem uma entidade muito forte e a tarefa de Portugal neste cenário é unir as nações.

Quando se diz que Fátima é o "altar do mundo", isso tem um lado sombrio, porque Fátima é o altar do mundo em que a liberdade, a consciência, a luz de milhões de seres são santificados naquele altar. É muito possível ir a Fátima e voltar muito mais obscurecido do que se não se tivesse ido e tem um lado luminoso. É de facto um ponto de convergência do poder do Cristo para unir as nações. Isto tem a ver com a energia de Portugal - Peixes - um País que vibra no signo astrológico que faz o denominador comum de todas as psiques nacionais de todo o planeta.

Fernando Pessoa diz: "A vocação de Portugal é ser toda a gente e toda a parte", "A vocação de Portugal é não ser Portugal".

Portugal tem como marca vibracional sacrificar Peixes, sacrificar o seu egoísmo, o seu sonho pequeno burguês e acordar, em massa, para a consciência de que é o detentor de uma coluna da própria coluna unificadora capaz de trazer todas as nações, nos planos internos, para uma mesma vibração superior. Isto é, em Portugal está a chave capaz de fazer com que a Nova Guiné e a Alemanha ou o Congo e a Áustria se entendam.

A frequência que Portugal guarda é um mandato vibratório, um poder de amor e integração capaz de criar um denominador comum em todas as nações. Portugal guarda a chave do acesso à alma das nações, à sua verdadeira identidade.

Este "ditador" à escala mundial vai criar uma normalização. Começa no pronto-a-vestir, nas coisas inofensivas e vai até à pergunta: "o que é que você faz?" se tu não tens nada para responder... . A normalização vai impedir a assunção do ser em níveis reais.

À medida em que esta ditadura vai aumentar (atenção aos cinemas, às mensagens que os grandes filmes vão trazer) as comportas do que foi instalado em Portugal podem-se abrir e então, pode passar dos portais menores que tem a ver com a formação de grupos espelho, aos portais maiores que tem a ver com a mutação da consciência colectiva em Portugal.

Os portais menores estão chamando seres física ou telepaticamente para operarem como seres espelho.
Os portais maiores já não lidam com grupos esotéricos nem com ambientes, nem coordenadores, mas quando forem activados vão, de baixo para cima, produzir uma mutação na consciência de todos os portugueses, em profundidade, de forma que este País se vai tornar, juntamente com a República do Chile, Peru, centro da Argentina, muito mais impermeável a essa manifestação dessa forma ..... à escala mundial.
Esta impermeabilidade dá-se pelo coeficiente da luz e magnetismo dentro de cada ser. Não há outra arma.

Qualquer tentativa de politizar estes factos é imediatamente reciclada pela matriz de controlo. Qualquer tentativa de sociabilizar excessivamente esta questão é reciclada pela matriz de controlo. O trabalho far-se-á no silêncio de forma que, quando um ser que foi assimilado pela matriz de controlo estiver a tentar vender-te um lugar ao sol na matriz de controlo, basta o teu olhar, não só ele não tenta vender-te o lugar, como ele próprio começa a pôr em questão o que é que ele anda a fazer. Com um ser espelho plenamente formado, basta um olhar.

Um ser espelho é um ser cuja aura se torna parte de um reino intraterreno, cuja aura é um instrumento da Hierarquia, cuja presença é o trabalho. Eles são presença que irradia. Nós pudemos incorporar o Reino de Lys. Lys é o Reino que guarda o poder de unificar as nações.

Quando um ser recebe a sua alma, e através da sua alma a sua mónada, ele reconstitui, em si, a Lei da Liberdade cósmica. Esta Lei passa a ser algo que está presente, satura o seu interior, transborda através do seu olhar. É o teu olhar que contém a força de diamante e de amor capaz de cortar as redes etéricas negativas que prendem as pessoas com quem tu tens de entrar em contacto. Basta um olhar que a outra pessoa começa a ficar livre.

(...)


Excerto de conferência de André Louro de Almeida

quarta-feira, julho 22, 2009

TODAS AS MULHERES


Elas estão aqui Rosa estão aqui...

São todas as mulheres incríveis que saem para trabalhar e carregam seus filhos no colo, são todas as mulheres incríveis as mulheres cabeça das famílias... O problema é que falta a elas um conhecimento de uma entidade espiritual e feminina mais profunda. Muitas delas acreditam que não tem valor, se sujeitam... Outras se acham fracas demais para lutar e preferem desistir e a ainda aquelas que adentram na espiritualidade mas como uma forma de alienação do mundo e das dores... São vários os motivos do sumiço das Deusas da antiguidade. As grandes matronas nutridoras e sabias aquelas que realmente sabiam curar as feridas, só quem tem esse poder é a Deusa e sua sabedoria, o que precisamos fazer é sair da base da idealização e tentar partir para a ação. É claro que isso é muito difícil mas não impossível pode ser realizado e vem sendo feito pelas redes de mulheres do mundo, pelas dianistas e pelas eco feministas do movimento de resgate da Deusa e do feminino. Devemos também atentar que não vale apenas uma rápida leitura junguiana sobre Deusas gregas para pensarmos que sabemos tudo sobre o feminino e a mulher. Há muito tempo que a mulher vem passando por estes arquétipos e como você mesma disse é necessário que encaremos a sombra, que encaremos nossa Deusa Escura interior e convém sermos como ela e que tentemos entende-la e mais do que isso senti-la.
Gaia Lil
http://sagrado-feminino.blogspot.com/


Eu vejo a sua alma dentro de um corpo jovem e andrógino e a sua fidelidade à Deusa Mãe... vejo a sua fé e a sua força interior em afirmar a Deusa e a mulher apesar da sua juventude...e percebo que tenha sentido no seu coração o apelo da minha alma à Deusa e às mulheres e me tenha respondido como o fez, sentidamente e com paixão. Mas minha querida você deve compreender que não deixa de ser irónico, ser você um ser tão jovem a responder-me assim.
Sabe que eu podia ser a sua avó em idade física...e bem gostaria de o conhecer pessoalmente porque sinto a sua sinceridade e até grande maturidade às vezes, e apesar da “idade” da alma não ser a idade do corpo é verdade que é preciso aprender com os anos e passar pelas experiências da vida para adquirir conhecimento e sabedoria, ainda que a verdadeira sabedoria seja inata. Mas eu creio que seguindo este caminho um dia você terá estrutura para escrever coisas importantes sobre a duplicidade do ser e da alma...
Sabendo como sei que para as mulheres em geral é complicado o caminho da Deusa, imagino que para si seja mais difícil ainda enfrentar todas as barreiras que este mundo de fórmulas quadradas, preconceitos medonhos e conceitos absurdos, que não fazem mais do que aprisionar a alma ao medo e à mentira e temo que o queiram aprisionar também á forma física e às ideias feitas sobre o sexo e o amor…

Há momentos ou fases em que só nos resta rezar à Deusa Mãe para que ela nos salve da confusão do mundo e nos permita encontrar a força, a dignidade e a paz que só a Grande Mãe nos pode dar.

- Obrigada ainda por olhar as mulheres desse jeito e por me lembrar essas mulheres que eu às vezes não vejo e esqueço...as mulheres caladas que carregam com todos os fardos às costas...as que sofrem em silêncio e suportam as dores do mundo inteiro, sem poder falar ou sem ao menos se poderem queixar a ninguém. São muitas mais do que aquelas que os anúncios, as telenovelas e os programas de televisão mostram e ninguém vê a sua face carregada de dores e rugas e miséria…
Obrigada pelo seu empenho e carinho, obrigada pela sua promessa e compromisso com a Deusa e comigo, pelo seu incentivo. Tomara que Ela o leve a sério e tome conta de si para sempre.
rlp

terça-feira, julho 21, 2009

ONDE ESTÁ A MULHER E A DEUSA?



ONDE ESTÁ A DEUSA E A MÃE, ONDE ESTÁ A MULHER?

Há dias que me pergunto isto e penso se não o pensarão também algumas das minhas mais fiéis leitoras…

Mulheres & Deusas tem falado muito de poetas e Mestres…fala de Buda e da beleza do Mundo e dos Anjos...mas também do seu sofrimento inaudito, fala na meditação ou no Caminho do Meio, fala da Luz e tenta dar pistas, segue, atenta, os indícios de uma verdade mais profunda…mas de repente faz falta a Deusa e as mulheres…faz falta a Voz das mulheres! As mulheres que são as mães do mundo?
Onde estão as Mães do Mundo?
As mulheres, essas aparecem por todo o lado, mas são apenas as vedetas de qualquer coisa ou as artistas plásticas, fazendo plásticas e mostrando sapatinhos elegantes, batons e outros fetiches, e elas são doces (“a pipoca mais doce” publicou um livro do seu blog) e elas são as artes caseiras ou são intelectuais, tão inteligentes, brilhantes mesmo…falam de política e de sexo e de mais sexo e como são livres e até falam do tantra e da Kamasutra e exploram não só posições como fazem suposições e os homens são todos comestíveis e deliciosos etc.
Mas de repente eu penso: e a Mulher e a Deusa, onde estão?
Onde estão as Mães? Onde estão as nossas irmãs e as mulheres?
Onde está essa nossa irmandade senão na conversa da treta?

Onde estamos nós e a nossa essência?
Onde estamos nós a fazer algo por este mundo completamente do avesso, em perigo, cada vez mais perto da guerra e do genocídio…enquanto nós ficamos a alimentar as nossas feridas e as nossas querelas e as nossas vaidades e egos?

Onde está a Mulher e Deusa? Onde está a grande Mãe do Planeta Terra, a nossa Mãe Gaia…como é que ela consente esta alienação, esta loucura colectiva, estes crimes contra a humanidade, contra os mais fracos que são as vítimas de sempre: os pobres, as mulheres e as crianças?
rlp

segunda-feira, julho 20, 2009

"O DOURADO CAMINHO DO MEIO"


O físico Fritjof Capra, no seu livro 2O Tao da Física", fala-nos:

"Buda não estava interessado em satisfazer a curiosidade humana acerca da origem do mundo, da natureza do Divino ou questões desse género. Ele estava preocupado exclusivamente com a situação humana, com o sofrimento e frustrações dos seres humanos. A sua doutrina, portanto, não era metafísica: era uma psicoterapia. Buda mostrava a origem das frustrações humanas e a forma de superá-las."

Segundo ele, a única maneira de nos livrarmos do sofrimento é controlar os desejos, o que não significa exterminá-los, mas sim, não ser controlado por eles, nem acreditar que a felicidade está atrelada à sua satisfação. Desapego é a palavra-chave. O ideal budista é a moderação: em tudo devemos seguir o “dourado caminho do meio.”

Sempre ouvi meu mestre se referir à cruz dos signos fixos como o Caminho do Discipulado. Estabilidade, segurança, preservação e manutenção do status quo, os fixos não gostam de mudança, e nem querem ouvir falar desse tal movimento incessante...

Quando tentamos reter, segurar coisas, pessoas e situações para sempre conosco, sofremos, pois estamos contrariando a ordem natural. Isso é apego. Portanto, a chave para nos libertarmos do sofrimento é o desapego.
(...)
Excerto retirado de: http://luzcardoso2.blogspot.com/2008_10_01_archive.html

UMA PAZ DIFERENTE

ESTAMOS VIVOS…

Hoje sinto-me em paz. Uma paz diferente. Admito sem reservas ela vir de Maharaji. É uma experiência que recordo do seu Universo. Ele é um Foco e um Guia da Humanidade. Quem o seguir está a salvo da loucura e da confusão pessoal e deste mundo caótico. Ele mantém as pessoas nesse foco e a escolha é individual.
É óbvio que o que o motiva a viajar e a falar às pessoas é Amor. Um amor que é simultaneamente consciência da vida e só sentido esse Amor podemos ter a consciência do que é realmente estarmos vivos. O centro é o coração, nunca o intelecto.

A prática do Conhecimento de Maharaji consiste em fazer uma meditação simples, na concentração de pontos chaves dentro de nós. Nada mais do que os nossos sentidos virados para dentro, em silêncio profundo. Aos poucos vamos conhecendo um mundo vasto a que antes não tínhamos acesso. É uma prática diária. O resultado é Paz. Uma paz profunda, doce e sensual que percorre o ser e o liberta da dúvida e do medo.

Este pequeno apontamento é o meu agradecimento a uma das poucas e raras pessoas decentes e consistentes que conheci em toda a minha vida. Um Ser Humano que se expressa e exprime no seu potencial máximo e serve de referência à minha própria humanidade e ao meu sonho de uma Humanidade verdadeira.

Conheci-o há 36 anos; eu mudei muito, fui muitas vezes infiel a mim mesma, mas a ele nunca o vi mudar no essencial que é a Sua Palavra e o seu Projecto de Vida: ajudar os outros incansavelmente…

rlp

domingo, julho 19, 2009

ÀS VEZES...


Tenho a náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há. E capricho, às vezes, em aprofundar essa náusea, como se pode provocar um vómito para aliviar a vontade de vomitar.
Um dos meus passeios predilectos, nas manhãs em que temo a banalidade do dia que vai seguir como quem teme a cadeia, é o de seguir lentamente pelas ruas fora, antes da abertura das lojas e dos armazéns, e ouvir os farrapos de frases que os grupos de raparigas, de rapazes, e de uns com outras, deixam cair, como esmolas da ironia, na escola invisível da minha meditação aberta.


E é sempre a mesma sucessão das mesmas frases... «E então ela disse...» e o tom diz da intriga dela. «Se não foi ele, foste tu...» e a voz que responde ergue-se no protesto que já não oiço. «Disseste, sim senhor, disseste...» e a voz da costureira afirma estridentemente «Minha-mãe diz que não quer...» «Eu?» e o pasmo do rapaz que traz o lunch embrulhado em papel-manteiga não me convence, nem deve convencer a loura suja. «Se calhar era...» e o riso de três das quatro raparigas cerca do meu ouvido a obscenidade. «E então pus-me mesmo diante do gajo, e ali mesmo na cara dele - na cara dele, hein, ó Zé...» e o pobre diabo mente, pois o chefe do escritório - sei pela voz que o outro contendor era chefe do escritório que desconheço - não lhe recebeu na arena entre as secretárias o gesto de gladiador de palhinhas. «... E então eu fui fumar para a retrete...» ri o pequeno de fundilhos escuros.

Outros, que passam sós ou juntos, não falam, ou falam e eu não oiço, mas as vozes todas são-me claras por uma transparência intuitiva e rota. Não ouso dizer - não ouso dizê-lo a mim mesmo em escrita, ainda que logo a cortasse - o que tenho visto nos olhares casuais, na sua direcção involuntária e baixa, nos seus atravessamentos sujos. Não ouso porque, quando se provoca o vómito, é preciso provocar só um.
«O gajo estava tão grosso que nem via a escada.» Ergo a cabeça. Este rapazote, ao menos, descreve. E esta gente quando descreve é melhor do que quando sente, porque por descrever esquece-se de si. Passa-me a náusea. Vejo o gajo. Vejo-o fotograficamente. Até o calão inocente me anima. Bendito ar que me dá na fronte - o gajo tão grosso que nem via que era de degraus a escada - talvez a escada onde a humanidade sobe aos tombos, apalpando-se e atropelando-se na falsidade regrada do declive aquém do saguão.
A intriga, a maledicência, a prosápia falada do que se não ousou fazer, o contentamento de cada pobre bicho vestido com a consciência inconsciente da própria alma, a sexualidade sem lavagem, as piadas como cócegas de macaco, a horrorosa ignorância da inimportância do que são... Tudo isto me produz a impressão de um animal monstruoso e reles, feito no involuntário dos sonhos, das côdeas húmidas dos desejos, dos restos trincados das sensações.


in O Livro do Desassossego,

Bernardo Soares (FERNANDO PESSOA)

escuta coração...


(...)

Vozes, vozes. Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.

(...)
rilke

quinta-feira, julho 16, 2009

UMA NOTA ESPECIAL...


Podem perguntar-me o que têm os poetas a ver com a essência da mulher? Com a busca de um ser feminino por excelência...mas é essencialmente a busca da alma o que me interessa, e todos os poetas deram lugar à alma e a alma é por essência feminina, seja no homem seja na mulher...
À vezes não encontro eco senão na voz feminina dos grandes e imortais poetas que cantaram as coisas mais ternas e eternas...
Rilke cantou o anjo e a amada...
F. Pessoa cantou a grande dor do ser e a Cidade azul de Lisboa...
RLP

ASSIM...

“É fatal fazer pouco de um poeta, amar um poeta, ser um poeta.”

(“Il est mortel de se moquer d’un poète, d’aimer un poète, d’être un poète".)


NA ALMA RESIDE O MISTÉRIO:


"A primeira função do homem poeta é a descoberta do verdadeiro significado do seu eu. O poeta tem de se conhecer a si mesmo, tem de desvendar a sua alma "inteira". Não é do eu individual que se trata, nesta procura, (os que ficam por aí são os limitados autores a que Rimbaud chama"egoísta", que não ultrapassam o domínio do ego) trata-se da imensidade da alma, de por a descoberto e percorrer os seus mais longínquos limites, os mais profundos conteúdos, nem que para isso haja que a desregrar, desiquilibrar, tornar mesmo monstruosa.
Ser "vidente", fazer-se "vidente" de todas as maneiras, para chegar a ser conhecedor de si mesmo, da "alma universal". Na alma reside o mistério. E vale a pena pagar todos os preços, mesmo o do crime, mesmo o da loucura, para se chegar a ele. Desvendar o mistério é chegar ao "desconhecido", e poder contemplá-lo e exprimi-lo é a suprema realização. O além ("là-bas") é o verdadeiro domínio do poeta, e a formalização dos conteúdos desse além a sua verdadeira missão. "
(...)
Y.K.Centeno

“Todos os poetas dignos desse nome, reclamam para si a sua Musa desde que a poesia apareceu, e fazem-lhe implicitamente uma declaração de amor: “Em todo o Universo, nada nem ninguém é maior do que a Deusa Tripla!”*
*in "La Déesse Blanche" - Robert Graves

A CIDADE DE PESSOA...


Artificial / Natural

Não sei se é a mim que acontece, se a todos os que a civilização fez nascer segunda vez. Mas parece-me que para mim, ou para os que sentem como eu, o artificial passou a ser o natural, e é o natural que é estranho. Não digo bem: o artificial não passou a ser o natural; o natural passou a ser diferente. Dispenso e detesto veículos, dispenso e detesto os produtos da ciência - telefones, telégrafos -que tornam a vida fácil, ou os subprodutos da fantasia - gramofonógrafos, receptores hertzianos - que, aos a quem divertem, a tornam divertida.
Nada disso me interessa, nada disso desejo.
Mas amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestade irregular da cidade tranquila, sob o luar, vista da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.
A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia.
A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque aqui não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.
A civilização é uma educação de natureza. O artificial é o caminho para uma apreciação do natural.
Ô que é preciso, porém, é que nunca tomemos o artificial por natural.
É na harmonia entre o natural e o artificial que consiste a naturalidade da alma humana superior.
in O Livro do Desassossego, Bernardo Soares

*
Se o poeta vivesse hoje, na era dos telemóveis e dos computadores...que diria???

COMO O ANJO É TÃO GRANDE...


PARA MELHOR COMPREENDER RILKE...


“Se nos detivermos sobre alguns níveis de leitura da tempestade originária que irrompe nas Elegias de Duíno e nos arrebata, compreendemos que esta obra poética apenas pôde ser escrita, quando se quebrou para Rilke a “árvore do triunfo”. Na Primeira Elegia, no termo duma aguda compreensão sobre a existência, Rilke despede-se da fantasia de que podemos evadir-nos da terra e das suas leis, tentar transcendê-las ou recorrer a anjos para fazer implodir os limites da vida na terra.

Como o anjo é tão grande e parece tão belo, não supomos que a sua beleza é apenas o início do terrível, pois o que supera o ser humano, não apenas está fora do seu alcance, como também é intolerável à sua natureza.

O anjo é perigoso, pois se ele desse um passo em frente, descendo das estrelas, e se demorasse diante de nós, o nosso coração, pulsando loucamente, matar-nos-ia. A partir daí, Rilke passa a considerar as condições da existência, que, como terminam na morte, estão constantemente sob o signo da despedida.

Apenas existimos realmente na presença dessa despedida. Em vez de invocar os anjos, pomo-nos à escuta. Então apreendemos algo que ultrapassa o que nos é imediatamente acessível e nos abala profundamente. A mensagem incessante, que se forma no silêncio, vem-nos dos mortos. Embora ausentes, estão presentes em nós. À medida que escutamos essa mensagem, exercitamo-nos para o que nos espera depois. Em vez de buscar os anjos, caminhamos nesta vida em companhia dos vivos e na memória dos mortos. Quem o consegue, escuta a verdadeira música da existência, que festeja nascimento e morte como uma única realidade.”


Bert Hellinger, “Pensamentos a Caminho” (Adaptação livre)


PRIMEIRA ELEGIA (COMPLETA)

Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo

De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
E os animais sagazes logo percebem
Que não estamos muito seguros
No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
E a mimada fidelidade de um hábito,
Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona.
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
Levemente decepcionante, que para o solitário coração
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.

Sim, as primaveras precisavam de ti.Muitas estrelas
Esperavam que tu as percebesses. Do passado
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
Ao passares sob uma janela aberta,
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
As amantes, porém, a natureza exausta as toma
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
Já pensaste pois em Gaspara Stampa
O bastante para que alguma jovem,
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos Como a flecha suporta à
corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma?
Pois parada não há em /parte alguma.

Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.

Certo, é estranho não habitar mais terra,
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
Não dar sentido do futuro humano;
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
Não ser mais, e até o próprio nome
Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
No espaço. E estar morto é penoso
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente
escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajud
a?

RAINER MARIA RILKE

quarta-feira, julho 15, 2009

TODO O ANJO É TERRÍVEL


Quem se eu gritasse, me ouviria dentre as ordens
dos anjos? e mesmo que me apertasse
de repente contra o coração: eu morreria da sua
existência mais forte.
Pois o belo não é senão
o começo do terrível, que nós mal podemos ainda suportar,

e admiramo-lo tanto porque, impassível, desdenha
destruir-nos. Todo o anjo é terrível.
E assim eu me reprimo e engulo o chamamento
dum soluço escuro. A! de quem poderíamos
nós então valer-nos?

(...)

Todo o anjo é terrível. E contudo - ai de mim! -
eu vos invoco com meu canto, aves quase mortais da alma,
por saber quem sois vós.

(...)

(Primeira e segunda elegia, de Rilke)

A MÁXIMA IMPORTÂNCIA DA

Merkaba



Então, como é que a energia da força da vida chega desde a bolota às folhas mais externas de cada ramo? Como é que a Fonte se projecta em cada átomo da existência? A árvore tem uma intrincada e contudo elegantemente simples, rede, que se move desde a raiz da bolota até ao tronco, ao ramo e à folha. Similarmente, a Fonte criou uma rede de comunicação pela qual transmite não só a Sua Energia como Kristo para a Si Mesma em cada átomo, mas através da qual, por sua vez, recebe de volta a comunicação de cada expressão de Si.
Assim, a folha dá à bolota tanto quanto a bolota dá à folha
. Este sistema de comunicação da fonte é conhecido como Merkaba. Na sua expressão mais básica, a Merkaba toma a forma de duas espirais de rotação contrária que continuamente expandem e contraem o suprimento perpétuo da renovada energia de radiação para dentro e para fora da manifestação, isto é, para fora e para dentro da Fonte.


Mer: Movimento da Força de Deus
Ka: Expressão da Força de Deus
Ba : Veículo
Merkaba: Expressão da Força de Deus em Movimento


Poderíamos assim, pensar na Merkaba como o veículo para a Inspiração e Expiração (literalmente) de Deus. A Vida, como nós a conhecemos em 3D, não seria de todo viável, se nós só conseguíssemos inalar ou exalar. Da mesma forma, os nossos corações funcionam ao ritmo natural da expansão e da contracção, que é literalmente como o nosso sangue circula dentro dos nossos sistemas. Isto espelha a forma como a própria Fonte circula a energia através de toda a Criação.
A Fonte, ao ir para dentro de Si para explorar a criação, fá-lo não tanto movendo-se realmente, mas projectando para dentro e para fora os seus blocos construtores de:

ManA: manifestação / eléctrica / positiva / masculina / rotação sentido horário / espiral da Merkaba de tôpo / expansiva
e
EirA: des-manifestação / magnética / negativa (no sentido científico) / feminina / rotação sentido anti-horário / espiral da Merkaba de base / contracção

A interacção dinâmica entre estas duas forças, dentro da unidade da envolvente força ManU, é literalmente como o amor puro no coração do Kristo Cósmico, circula através de toda a criação. O jogo destas forças, conforme representado no conjunto de espirais da Merkaba, é justamente o que provoca a batida (recordemos a batida do coração!).
A intricada e altamente ordenada estrutura destas espirais electromagnéticas de energia que existem como uma parte integral de toda a criação, é conhecida como o Campo da Merkaba.
(CONTINUA)
Tradução do Site: http://www.azuritepress.co.za/the_kristos.html
http://www.comunidade-espiritual.com/profile.php?sub_section=view_blog&id=842&sub_id=2758

OS GATOS E O FEMININO RENEGADO...


"…. por que tantas pessoas não gostam de gatos?"

(…)
POR QUE OS GATOS SÃO TÃO TEMIDOS E ODIADOS?
Como vimos, nada parece responder racionalmente a esta pergunta. Preste atenção nas pessoas que não gostam de gatos, e notará que a maioria delas age assim porque foi ensinada. Em geral são filhos de pessoas que também não gostavam, e até repetem frases feitas como "Gosto muito de gato, eu cá, e ele lá".
A resposta que dou a essa questão, obtida após uma longa reflexão e discussão com minha esposa, outra amante de gatos, é a seguinte:


Os gatos são odiados porque são um SÍMBOLO da FEMINILIDADE.Para sustentar essa afirmação, tudo que eu preciso é mostrar que os gatos são um símbolo do Feminino, e que o Feminino, isto é, o aspecto existencial da Feminilidade, presente em toda nossa experiência humana, é uma característica que sofre preconceitos e dificuldades de aceitação.
GATOS e FEMINILIDADE

A primeira afirmação é a mais fácil. Simbolicamente, o gato é sempre associado às mulheres. A divindade egípcia Bastet, onde os gatos chegaram a ser adorados, é uma deusa, equanto a divindade chacal, um parente do cão, é um deus (Anúbis). Os gatos foram fortemente associados às bruxas, morrendo com elas nas fogueiras da ignorância e sendo responsabilizados por crimes sobrenaturais, como roubar a alma de crianças. [Até hoje, há quem afirme o absurdo de que gatos transmitem asma, curiosa e especialmente, para crianças. Visto que asma nem sequer é contagiosa, e ainda que fosse, o seria tanto contra crianças quanto contra adultos, essa afirmação é tão fantasiosa que só pode ser a versão moderna desta superstição.]

Gatos são animais sensuais, eles se esfregam, se roçam, são sedutores, e por isso consideramos as mulheres bonitas como "gatas", ou "panteras", que são versões macro dos gatos. A beleza é uma virtude que sempre nos soa feminina, Afrodite, a deusa da beleza, é uma mulher. Mesmo quando se chama um homem de "gato", faz-se alusão à uma característica feminina. No nordeste brasileiro há até a estranha expressão "gato véio" (assim mesmo, no masculino), para se referir à mulher de vida sexual ativa.
(…)
A segunda afirmação, de que a nossa cultura tem uma relação difícil com a feminilidade, também não é difícil de demonstrar, mas merece mais esclarecimento aos não familiarizados com um certo tema, que é central neste texto.
Ao longo de milhares de anos, 50% da humanidade, a metade feminina, esteve relegada a uma importância secundária. A condição feminina ao longo da maior parte da história, na maior parte do mundo, sempre foi desvantajosa em vários sentidos, e isso é ponto pacífico.

No entanto, as mulheres são parte integrante da humanidade, a feminilidade faz parte de nossa vida, com plena aceitação social, porém na realidade apenas até certo ponto.
Enquanto a masculinidade foi preservada de modo mais ou menos coeso, a feminilidade foi dividida em duas partes, uma aceita e dignificada, e a outra desprezada e marginalizada, porém, cobiçada. A esses dois aspectos femininos distintos utilizo os nomes de aspecto EVA e aspecto LILITH.

EVA é o aspecto socialmente aceito e dignificado. A figura feminina da Mãe, esposa fiel e zelosa, guardiã do lar, submissa e obediente, e ainda que bela, deve ser discreta e recatada, passiva. Ainda que, simbolicamente tenha levado a culpa pela expulsão do paraíso, da mesma forma como Pandora, na mitologia grega, foi a culpada pela entrada dos males no mundo, Eva ainda assim é reconhecida como uma criação divina ao lado de Adão.

LILITH é o aspecto oculto, marginalizado. A figura feminina livre, independente, que não se submete ao masculino, sexualmente ativa, sedutora, que exerce seu poder sobre o masculino de forma direta. Na maioria esmagadora dos contextos sociais ao longo da história, isso significa estar arbitrariamente associada à prostituição, independente disto ser verdade ou não. Mulheres livres que escaparam do domínio masculino sempre foram acusadas de meretrício, visto que era uma forma de depreciá-las, mas também uma consequência natural do símbolo.

Lilith é um ser mitológico hebráico. Ela foi, na verdade, a primeira mulher de Adão, tendo sido criada em pé de igualdade com este. Porém, recusando-se a ser submissa, acabou fugindo, ou sendo expulsa, do paraíso, sendo então substituída pela obediente Eva.

Não se surpreenda quem nunca tiver ouvido falar de Lilith, embora ela seja personagem largamente reconhecida no folclore hebráico, estando presente nos livros religiosos da Cabala e na tradição Midrash. Todavia, entre as punições que recebeu por sua insubordinação, a mais 'notável' foi justamente o esquecimento, por meio da exclusão de qualquer referência à sua existência na Bíblia.

O observador atento no entanto, poderá notar que é possível ver claramente "lacunas" nos primeiros capítulos da Gênese que sugerem a existência de uma mulher anterior a Eva.
O que nos importa aqui é que, quando estou falando da feminilidade renegada, não estou falando nas mães de família, na rainha do lar ou na donzela, mas sim na mulher insubmissa, que em nossa civilização sempre sofreu a pecha de praticar a profissão que um delirante ditado da burrice popular insiste em dizer ser a mais antiga do mundo.

Portanto, os gatos simbolizam o feminino Lilith, a sensualidade, beleza e sedução, associados à independência, insubmissão e autonomia. O arquétipo Lilith, numa sociedade machista, é uma ameaça ao estado de coisas, e portanto, será perseguido e desprezado das mais variadas formas, no entanto, jamais poderá ser extirpado, pois a humanidade depende dele tanto quanto do aspecto Eva, que representa antes de tudo a maternidade, quanto também do aspecto Adão, a masculinidade.

INSUBMISSÃO FEMININA

Os gatos são odiados, porque simbolizam exatamente isso, a Feminilidade Indomável, insubmissa, sensualmente livre e autônoma. Para manter um estado de coisas androcentrista, isto é, centrado na parte masculina da humanidade, é inevitável reprimir e controlar essa feminilidade, embora seja impossível destruí-la, mesmo porque a masculinidade facilmente sucumbe à sua sedução.

Ser vulnerável aos encantos das Liliths, porém, não as torna mais aceitáveis para a mentalidade androcêntrica, pelo contrário. É comum os homens não resistirem às prostitutas, e sempre procurarem seus serviços, mas mesmo assim, as desprezam, manifestando isso das mais diversas formas possíveis.

No mundo de hoje as mulheres estão cada vez mais reclamando o espaço que lhes foi negado historicamente, e isso, entre outras coisas, envolve fundir os aspectos Eva e Lilith numa matriz única, o que torna a feminilidade tão ou mais poderosa que a masculinidade, passando a estar então em pé de igualdade em todos os aspectos. Algo que a mentalidade conservadora e retrógrada não pode suportar.

Não é à toa, que não é difícil achar uma notável intercessão entre pessoas machistas, tanto homens quanto mulheres, e a indisposição por gatos. Não significa que todos os machistas detestem gatos e vice-versa, porque, como já disse, basta a mera convivência com eles para dissolver o preconceito e suavizar o símbolo, mas minha experiência, ao menos, sugere isso na maioria dos casos.
Também não significa que quem deteste gatos necessariamente seja machista, mesmo porque o ódio a gatos é inconscientemente transmitido sempre que possível, mesmo que quem o receba não tenha tendências a androcentrismo exacerbado.

Esse é apenas uma das evidências que suportam essa tese, de que a matriz do preconceito, a origem do ódio, seguramente é associar ao animal um símbolo da feminilidade independente, a feminilidade LILITH.
Enfim, você pode não acreditar nessa teoria, mas experimente observar sob esse ponto de vista e prepare-se para algumas surpresas. Exceções à parte, ela funciona!
Basta aceitar que os gatos são símbolos da Feminilidade Independente, que chamei de Lilith, e que esta é renegada pela nossa cultura, o que é exemplificado principalmente por sua completa omissão na Bíblia.

Se você ainda acha incrível, perceba que Lilith não é a única coisa que foi deliberadamente excluída dos textos sagrados judáico-cristãos, mas qualquer suporte a idéia de uma mulher ser independente e livre. Se os entusiastas de O Código da Vinci estiverem certos em alguma coisa, os Evangelhos também terão excluído toda a importância de Maria Madalena, reduzindo-a de uma líder influente a uma mera prostituta arrependida. A Bíblia é inequivocamente um livro androcentrista, e quando surgem mulheres poderosas, geralmente são feiticeiras pagãs no Velho Testamento que acabam sendo derrotadas.

E além de eliminar não só o símbolo da liberdade feminina, Lilith, e qualquer outro exemplo similar, a Bíblia mesmo citando frequentemente inúmeros animais, entre cães, ovelhas, morcegos, hipopótamos, leões, porcos, cavalos, ratos, etc, sempre destacando sua importância em relação aos humanos, ainda assim...

Apesar de se preocupar em ser um registro amplo da história humana, inclusive envolvendo o Egito, em todos os mais de 4 milhões de caracteres dos 66 livros canônicos da Bíblia, não há, absolutamente, nenhuma referência à existência de gatos!
TEXTO DE Marcus Valerio XR

Leia na íntegra em: http://wwwjaneladaalma.blogspot.com/

Obrigada Anna por me trazer ao conhecimento este excelente texto! Ele está em completa sintonia com o que penso e há muito sinto! Ainda o mais extraordinário é ter sido escrito por um homem, mas só podia ser mesmo escrito por um amante de gatos...e de mulheres claro!

terça-feira, julho 14, 2009

E. CIORAN - A LUCIDEZ QUE FERE...


VENDER A ALMA A DEUS...

“TODA A AMIZADE É UM DRAMA IMPERCEPTÍVEL, UMA SEQUÊNCIA DE FERIDAS SUBTIS”

E. CIORAN


"TUDO ANDA À VOLTA DA DOR; O RESTO É ACESSÓRIO, QUASE INEXISTENTE, PORQUE NÃO NOS LEMBRAMOS SENÃO DO QUE NOS FAZ MAL. SENDO AS SENSAÇÕES DOLO-ROSAS AS MAIS REAIS É QUASE QUE INÚTIL LEMBRARMOS AS OUTRAS."

E. CIORAN


“Gosto desta ideia hindu segundo a qual podemos confiar a nossa salvação a outra pessoa, a um “santo” de preferência, e permitir-lhe rezar por nós, de fazer seja o que for para nos salvar. Isso é vender a alma a Deus...”

E. CIORAN

O FEMININO ABRE A PORTA DOS MISTÉRIOS...


"O FEMININO RESGATADO
OU A POESIA NO COTIDIANO"


A dimensão poética do feminino, que dá sentido à vida, não é exclusividade da mulher: ela faz parte da evolução de todo ser humano.

“O que falta ao nosso mundo é a conexão anímica.” A afirmação, de Carl Gustav Jung, poderia ser complementada por outra, de Roger Garaudy: “Viver, antes de mais nada, é participar do fluxo e da pulsação orgânica do mundo”.
A conexão anímica citada por Jung e a qualidade de vida proposta por Garaudy estão estreitamente vinculadas ao que chamamos de feminino no ser humano: um potencial interno a ser trabalhado tanto no homem como na mulher, feito de valores hoje considerados supérfluos, superficiais, pouco utéis para a luta pela sobrevivência básica e por isso relegados a um segundo plano.
Entre esses valores estão a estética, a intuição, a poesia, o raciocínio e o pensamento não lineares, os sentimentos, a sincronicidade, os sonhos... Abrir-se para o feminino, portanto, é entrar em um mundo de mistério e encantamento — uma vivência poética que dá cor, entusiasmo e significado à vida.
De acordo com Erich Neumann, um dos seguidores de Jung, a civilização ocidental vive uma crise motivada pelo excesso de valorização do masculino, representado pelo arquétipo do Pai, que leva à inflação espiritual do ego.
O reequilíbrio pode ser obtido aproximando-nos do inconsciente, representado pelo feminino, não só através do arquétipo da Grande Mãe, mas de todas as qualidades simbólicas do feminino pertinentes aos vários ciclos evolutivos da consciência.
Outro grande perigo da atualidade citado por Neumann é a desvalorização das forças transpessoais. Tudo o que não pode ser compreendido e analisado pelo ego não é encarado com respeito, mas simplesmente reduzido, como algo sem importância ou ilusório. Anulado, reprimido ou ignorado, o mistério perde sua força. Assim, o universo perde seu caráter assustador, mas, sem o mistério sagrado que transcende o ego, a vida torna-se mecânica e sem sentido.
A vivência do feminino não torna menos árdua a luta pelos objetivos e metas propostas pelo mundo atual. Mas pode transformá-la em uma aventura corajosa e criativa, com surpresas agradáveis, mesmo através das dificuldades.
Pela sua própria condição biológica, a mulher está naturalmente mais próxima do feminino. Ao contrário do que se poderia pensar, essa proximidade às vezes dificulta o desenvolvimento desse potencial, porque o coloca muito próximo de um nível de atuação inconsciente. Tanto quanto o homem, a mulher deve se esforçar conscientemente para diferenciar e desenvolver os valores pertencentes ao feminino.
O potencial feminino passa por um desenvolvimento simbólico ao longo da vida. Para estudar melhor as possibilidades que se abrem em cada fase evolutiva, vamos nos reportar ao referencial que propõe o analista junguiano Carlos Byington: fase matriarcal, patriarcal, de alteridade e cósmica.

Fase 1 matriarcal — Aqui, o feminino encontra-se em seu próprio elemento, pois o arquétipo dominante é o da Grande Mãe. Devemos observar, porém, que além das valores conhecidos, pertinentes ao aspecto maternal do símbolo, há outras características do feminino igualmente importantes.
Neste estágio psíquico, a consciência não se encontra ainda completamente destacada do inconsciente; é permeada pelo seu fluxo, tornando-se difusa e periódica. Essa condição favorece muito a inspiração criativa, a intuição, qualidades que emergem de modo misterioso, não influenciáveis pela vontade do ego. Convém lembrar que o inconsciente é que é criativo, não o consciente. Portanto, maior abertura e proximidade do inconsciente favorecem a expressão criativa, em todos os níveis, seja ela artística, científica, ou uma busca de novas atitudes.
Outra qualidade do feminino à disposição de homens e mulheres é a consciência do tempo lunar, que enfatiza a qualidade, e não a quantidade de tempo. Com o desenvolvimento desse potencial, podemos abrir-nos para a apreciação do momento mais favorável à execução de determinadas açõees ou objetivos. O tempo solar seria o pólo masculino, o que enfatiza a pontualidade e a exatidão da ordem cronológica temporal.
A compreensão relacionada com o feminino não se dá por um ato do intelecto. É o coração, e não a cabeça a sede da consciência matriarcal. No entanto, como as percepções estão conectadas com o ego, não podem ser consideradas inconscientes. A compreensão acontece por uma abertura afetiva a um novo conteúdo que, assimilado pela totalidade da pessoa, provoca uma alteração global — e não apenas intelectual — da personalidade.
O feminino, com seu caráter restaurador (pois enfatiza a quietude, a tranqüilidade, o mistério), está ligado às qualidades noturnas. A força regeneradora do inconsciente atua em segredo e permite que nos aproximemos dessa dimensão, às vezes assustadora, da escuridão, através da suavidade da feminino. Para desabrochar com segurança, o crescimento, a regeneração, a transformação, precisam das qualidades femininas do silêncio, da paciência, da receptividade.
Outra qualidade importante é a ação pela entrega, pelo “deixar acontecer”, a “ação pela não-ação” dos orientais, o aprendizado do acolhimento, não só na maternidade biológica, mas no carregar e deixar amadurecer uma nova cognição, uma nova atitude.
Para a mulher, o maior perigo nessa fase é justamente atuar o feminino apenas no plano externo, concreto, projetando-o na maternidade biológica. Quando isso acontece, o feminino não se desenvolve no plano interno, simbolicamente, e então ocorre urna grande perda para a personalidade, em termos existenciais.
Para o homem, o feminino será realizado, necessariamente, como evento psíquico e não físico. E ele também tem que se defrontar com um perigo intenso: a permanente desvalorização do feminino. Como a consciência deve se desligar do inconsciente e seguir para a fase patriarcal, tudo o que estiver ligado à fase matriarcal deverá ser momentaneamente desvalorizado para permitir o desligamento e a passagem à fase seguinte. No entanto, muitos homens (e mulheres também) permanecem fixados na desvalorização do feminino, encarando suas qualidades como algo negativo, a ser superado em definitivo, e não conseguem recuperar, em si mesmos, a força simbólica desse potencial.
Na fase matriarcal, o feminino desabrocha em sua plenitude para homens e mulheres e permanece durante toda a vida como fonte revitalizante de imensas possibilidades criativas e sensíveis, onde podemos nos nutrir para ampliar e enriquecer nossa essência humana.

Fase patriarcal — Nesta fase, a consciência destaca-se por completo do inconsciente para formar um ego forte, que dirige a libido de acordo com sua vontade rumo à organização e à discriminação. O arquétipo da Grande Mãe é substituído pelo arquétipo do Pai, a lua dá lugar ao sol e as novas conquistas são simbolizadas pelas façanhas do herói. O princípio masculino aqui está “em casa“, como estava o feminino na fase anterior. Com a modificação da consciência, o feminino também sofre transformações que ampliam seu significado. O que não quer dizer, como freqüentemente se supõe, que o feminino se transforme em masculino.
As qualidades do feminino (suavidade, intuição, aceitação, tempo lunar qualitativo) nesta fase se fortalecem e tomam forma mais definida pelo seu exercício consciente e ativo, tanto no círculo familiar, mais íntimo, como no espaço mais amplo das várias relações afetivas e sociais. Conquistando novos espaços, essas qualidades serão fortalecidas e diferenciadas através da consciência patriarcal, que possibilita a formação de canais individuais mais assertivos de expressão.
À mulher, essa atuação consciente e decidida dos valores femininos proporciona uma auto-confiança fundamental na sua própria essência. Para o homem, passada a etapa de afirmação de sua identidade masculina, o encontro com o feminino representa a conquista da própria alma.

Na nossa cultura, a consciência patriarcal foi levada ao extremo. A aceleração do ritmo vital, a excessiva competitividade e agressividade prejudicaram a qualidade de vida em geral. Hoje, as pessoas têm muito mais conforto devido ao enorme avanço científico-tecnológico, mas já não possuem tantas possibilidades internas de desfrutar esse bem-estar, porque o feminino pouco desenvolvido tomou a vida sem significado existencial.
O objetivo de atingir status, estabilidade financeira, acesso aos bens materiais, simboliza, mais que simples conforto, o sucesso do ponto de vista patriarcal. A vivência e o desenvolvimento dos valores ligados ao potencial feminino são desvalorizados, e é necessária grande ousadia para buscá-los na atual sociedade. Os desafios não são poucos. Em primeiro lugar, temos que usar de toda a capacidade discriminativa da consciência patriarcal para delinear de maneira precisa os valores do feminino a serem resgatados, preservados e desenvolvidos. Em segundo lugar, temos que ampliar o exercício desses valores (suavidade, receptividade, compreensão lunar) do círculo familiar, amigos e pessoas próximas para a sociedade em geral, inserindo essa ação em nosso cotidiano. Isso requer a persistência e a tenacidade da consciência patriarcal, usadas a favor do feminino. Por último, temos que expressar o feminino sem que perca sua essência.
Tais tarefas requerem a força do herói, pois tentam recuperar o respeito, a dignidade, a civilidade no contato humano, hoje tão raros. O feminino tem a faculdade de estabelecer vínculos, relações, tanto externos como internos. Com a consciência patriarcal, passamos a nos diferenciar do outro, a ter uma visão do outro. O feminino faz a ponte, a conexão entre eu e outro, trazendo uma qualidade afetiva à relação. Vivida internamente, essa qualidade afetiva estabelece contato com a vivência poética inerente a cada ser humano e abre as portas para outra visão de mundo que complementa e equilibra a anual — e dominante — consciência patriarcal.
O estabelecimento de uma vivência poética no cotidiano não pode ser deixado ao acaso. Essa vivência deve ser desejada, buscada e trabalhada criativamente. Portanto, o irromper dos valores femininos na fase matriarcal não é o bastante. Sua continuidade depende das qualidades positivas da consciência patriarcal, que favoreçam seu desenvolvimento.

Fase da alteridade — Se na fase anterior o feminino foi delineado e expresso com clareza, podemos ingressar na fase da alteridade. Os arquétipos regentes são a Anima e o Animus e o objetivo é o encontro e a aproximação das polaridades. O feminino ampliase ao incluir seu oposto, o masculino, e vice-versa. Ambos são vividos como duas totalidades que se encontram e estabelecem o que Jung chamou de relacionamento “quatérnio”.
O feminino poderá expandir-se muito mais, valendo-se de seu poder criativo, para encontrar novas maneiras de expressão da consciência. Essa criatividade é absolutamente necessária à transformação dos valores patriarcais que se baseiam na consciência tradicional e conservadora do coletivo.
A luta pela afirmação do feminino já não é importante nesta fase. Assim, essa energia pode ser dirigida ao diálogo, à escuta, à reflexão que inclua o oposto. As qualidades do masculino serão vivenciadas como complementares e não mais como antagônicas. As projeções podem ser retiradas; o encontro do feminino com o masculino pode ser vivido internamente. Novas possibilidades desabrocham — por exemplo, a percepção de que a suavidade possui grande força intrínseca, de que o pensamento lunar, do coração, possui sua própria lógica, de que a capacidade de entrega é uma escolha ativa e não um mero abandonar-se passivo. Os valores do feminino, enfim, incluem os valores do potencial masculino naturalmente, do mesmo modo que no símbolo do Tao o lado escuro contendo um ponto claro e o lado claro contendo um ponto escuro estão em constante movimento e inter-relação.
Esse diálogo, essa dança entre as polaridades é a grande tarefa a ser cumprida pelo homem e pela mulher: o lado prático e o lado sensível expressando-se ao mesmo tempo, superando a dissociação interna.

Fase cósmica — É difícil falar com precisão desta fase, pois ainda estamos, enquanto humanidade em geral, na transição da fase patriarcal para a fase de alteridade, que apenas começamos a desenvolver. No entanto, ela não é uma completa desconhecida, pois temos a possibilidade de vivenciar momentos integrativos que nos dão um vislumbre bastante eficaz de suas possibilidades existenciais.
Aqui, o arquétipo regente é o self. Depois da integração obtida na fase anterior, o coletivo é a transcendência das polaridades, que nos leva à vivência da totalidade.
As qualidades do feminino que desabrocharam na fase matriarcal, discriminadas na fase patriarcal e complementadas pelo seu oposto e integradas na fase de alteridade, serão agora vivenciadas de modo espontâneo na sua totalidade, desapegadas dos papéis sociais polarizados que ajudaram no seu desenvolvimento. Por exemplo: mãe-pai, filho-filha, marido-esposa. Pois agora o centro da consciência não é mais o ego e sim o self, que é o centro da psique unificada.
Na fase de alteridade, a forma convencional e coletiva de personalidade é descartada para que a individualidade desabroche. Isto feito, abre-se a porta para a vivência do aspecto transpessoal, onde não mais existe a divisão feminino-masculino e se torna possível a vivência real dos seres humanos em sua totalidade. Como conseqüência, a visão de mundo também é radicalmente transformada.
As qualidades da feminino serão agora vividas em uma esfera superior, porque foram conscientizadas e transformadas ao longo de todo o processo de desenvolvimento. Agora elas se unem no que poderíamos chamar de uma nova síntese de sabedoria, expressa através de serenidade, lucidez e harmonia. O self pode expressar-se de modo mais feminino ou mais masculino, apenas no que diz respeito à ênfase no modo de expressão, pois o todo está sempre presente indiviso. Como exemplo, podemos lembrar Lao Tsé, que transmitiu sua sabedoria de modo feminino ao usar a linguagem poética em seus escritos.
Assim, o feminino pode se revelar nesta fase como um valor espiritual vivenciado internamente e não mais projetado no mundo. O inconsciente urobórico do início torna-se sagrado, numinoso e, através do longo processo de desenvolvimento, leva-nos ao si-mesmo.
Vera Lúcia Paes de Almeida
Texto publicado na Revista THOT nº 58.
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Nota de rodapé:
Já tinha publicado este texto fantástico parcialmente em 2005; hoje recebi um comentário sobre ele e resolvi publicá-lo na íntegra para a poetisa Maria Azenha.
Faço-o também como resposta à pergunta deixada no ar pela Cláudia Mello no Blogue que sigo diariamente com grande interesse Pistas do Caminho: http://pistasdocaminho.blogspot.com/ ...

A proveito também para agradecer à autora, Vera Lúcia Pais de Almeida, que desconheço, a imensa lucidez e clareza de espírito. É um dos textos mais completos e explícitos, em síntese, sobre o feminino e o masculino e a sua dinâmica ao longo da evolução humana.
rlp