"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, fevereiro 02, 2010

VOLTAR À MÃE


SEM EXCLUSÃO DOS HOMENS…


“Acho que voltar a um modelo onde os homens ficam excluídos da sociedade, matriarcal e matrifocal, mesmo matrilinear é mais complicado porque hoje já os homens tem consciência da sua participação na concepção... Acho que o caminho é o amor e os modelos sociais de comunidades de partilha, da produção comum.

O pior do patriarcado não é ele ser dominado por homens e sim ele criar a noção da propriedade privada, da herança e por causa disso o casamento foi inventado, seguindo a descendência do pai.

O caminho da mudança é voltar aos modelos comunitários, de comunidades de partilha e produção comum, mesmo com a participação dos homens... como acontece nas tribos indígenas ou em lugares como Megalaya ou Musuo...

Não é o macro poder dominante que irá realizar essa mudança, e sim, quantas mais pessoas tiverem coragem de abandonar o Sistema e formar comunidades ou eco-aldeias... não adianta continuar vivendo e consumindo dentro das cidades, as pessoas, homens e mulheres tem de formando suas células, criarem condição de ir vivendo à margem do sistema e da sociedade, criando comunidades em sistema de partilha e abandonando de vez o consumismo e o capitalismo, e voltando a viver de forma simples, em harmonia com a natureza...

Essa é a importância do trabalho de conscientização e divulgação que fazemos, o passo seguinte é as pessoas deixarem o sistema, esvaziarem os templos de consumo e as praticas de consumo nocivas ao ambiente... abrir mão do conforto das cidades e do arsenal eletro-eletronico, cosméticos e inutilidades industrializadas... e irem se organizando à margem do Sistema, criando espaços de permacultura... vivendo ecologicamente e humanamente, em comunidades... em irmandades... aos poucos esse núcleos irão crescendo... e o patriarcado esvaziando...

Acho que é isso, quer dizer, em algum momento temos de viver de forma coerente com uma pratica da Deusa, ou seja com uma vida mais comunitária e menos poluente...

É passar da palavra à acção... e concretizar as mudanças... as vezes isso acontece quando as pessoas perdem tudo... em grandes cataclismos por exemplo é uma chance de um novo recomeço também... ou em casos de mudanças cataclísmicas a nível pessoal, falências, etc.

Porque não recomeçar, de uma forma diferente... indo para fora do capitalismo e do patriarcado...

Não, não é fácil... mas esse fácil é o que tem nos matado e destruído a terra

não é hora de buscar o caminho fácil e sim o caminho certo...


Nana Odara – mater mundi

http://lealdadefeminina.blogspot.com/


2 comentários:

Nana Odara disse...

Mas pra isso acontecer, com o devido respeito e amor à Terra mãe, claro, é como vc disse, e tbm à mulher, é preciso haver essa mulher renovada... ligada às mulheres, tecendo junto, criando elos de fraternidade, irmandade feminina... restaurando o Feminino Sagrado e introduzindo os homens no amor, no amor universal e na sexualidade sagrada... na liberdade e não no obsoleto mito do amor romântico, dominador e objetificador da mulher...
Eu gosto de crer q as pessoas estão indo dar a isso, percorrendo caminhos diferentes... como nas cidades pqnas, onde todos os caminhos levam à praça da matriz... kkkkkkkkkk... vamos todos peregrinando por diversas ruas diferentes até darmos todos ao centro de convergencia de todas essas ideias... cada qual no seu quadrado, com a sua contribuição... todas são válidas e importantes... pq todos buscamos o mesmo...e é a nossa pratica q vai despertando os restantes, ainda uma maioria adormecida, por isso creio q é o momento de passar à ação... e esse é com certeza o ponto mais dificil dessa caminhada... por isso mesmo a união é fundamental, e a união das mulheres, conscientes, um ponto fulcral... sem isso não avançamos e perdemos tudo...

Beto disse...

sim, não nos exclua. nem ao Deus das bruxas. nós, homens, em sentido pleno [alguns pagãos, bruxos e wiccanos] vivemos o Sagrado Masculino e prontos para nos devotarmos às mulheres, por serem sagradas e divinas.