sábado, maio 29, 2010

O mundo do avesso e as falsas liberdades…


A teus dotes qual deles o mais encantador Tu juntas, amável criatura, Um para mim de todos o maior, E que até te embeleza a formosura: O pudor

Safo


A DONA CHAMÔA…

- TORRE DE D. CHAMA é hoje “uma Vila, sede da maior freguesia rural de Mirandela” (…) “A sua História é riquíssima, e, só por si, não cabia neste apontamento. Contudo, cabe-nos aqui dar algumas indicações importantes sobre esta terra transmontana. Existindo já antes da Formação de Portugal, este nome de Torre de Dona Chama evidência claramente a sua indicação de uma "Torre", e uma senhora local "Dona" do lugar, que se chamava "Chama ", proveniente de "Flamula" que deu "Chamôa" e depois "Chama".”

Eu nunca tinha ouvido falar desta terra
cujo nome é bem sugestivo não fosse a professora de Mirandela, uma professora de música, de 27 anos, com alunos adolescentes, ter posado nua ou semi nua para a revista Play Boy e ter sido demitida das suas funções de docente…

Muita polémica à volta da docente sobre a decência ou imoralidade de uma professora posar nua e se devia continuar ou não a dar aulas às criancinhas…claro que a continuar a dar aulas a música seria outra, pois na cabeça e no bolso de cada aluno havia já uma foto da professora nua…e sem dúvida que não era a admiração nem o respeito pela stora que os motivaria e o que surgiria à tona seria a alarvice dos machos que estão habituados a ver os anúncios das cervejas com mulheres nuas e boas…

Entretanto a variadora lá da Terra meteu a professora a tomar conta dos Arquivos longe do olhar indiscreto dos alunos (na Torre da Dama Chama?) e ela perante a polémica manteve-se calada sem dar cavaco às televisões desejosas de umas palavrinhas da dita que muito senhora da sua pose evitava as câmaras.

Aparece então de repente na televisão a professora a animar boates e festas com o que a sua presença agora gera (dinheiro) e evoca aos homens…não a Musa nem a música trovadoresca, claro, mas o corpo mais ou menos exposto a lembrar as poses eróticas da mulher jovem que não sendo bonita tem um corpo que se vende bem…não fora isso não a teriam convidado a posar, nem a aparecer em festas.

Pode uma mulher posar nua sem perder a sua dignidade? É a sua liberdade como todos dizem? Se for arte, como dizem outros até poderia, mas para mim, apenas para entretimento dos homens e não sei mais o quê, não só perde a dignidade como todo o valor. Para mim é uma questão de pudor sim senhor, do sagrado que é o corpo da mulher e a não ser como iniciação amorosa, vá lá como amante, não se justifica que se dispa nem mesmo que seja “artista” e isto eu nem discuto. É o que eu sinto e o que penso e é isso o que me interessa e não os conceitos liberais contra os velhos preconceitos católicos.

Entretanto, no meio disto tudo, o que me intrigou não foi a professora aparecer numa festa a animar a malta, o que é bem natural porque ela de docente que diz ser a sua paixão, não tem nada, mas era ela vir acompanhada de tal pai…
Um pai imponente que deixa a filha pousar nua e depois a acompanha? Ou não será que a vende e promove como um pai digno da sociedade materialista e consumista em que vivemos e em que a mulher, seja filha, irmã ou amante, é continuamente exposta e vendida a sua imagem para usufruto dos homens?

Sim, senhor, e assim a rapariga, que não falava à televisão nem aos jornais, e por causa das conversas e dos falatórios (?) da populaça vem acompanhada do paizinho para meter respeito…e surpresa a minha, ninguém imaginaria um pai assim: “jovem”, moderno e com ar de… diria de “agente” ou perdão, proxeneta…ele vem de guarda da filha ciente da sua preciosa mercadoria…quem sabe muito bem instruída por ele. Porque um pai que deixou a filha pousar nua para Play boy e depois a exibe…é mais uma espécie de chulo do que outra coisa e à vista desarmada a rapariga coitada, é bem vulgar na verdade, aparentando um ar ausente, tímido e inseguro, o ar das mulheres dominadas por padrões machistas, ficando a milhas de qualquer parecença com a Nobre Dama Chama que deu nome àquela terra… De chama tão pouco a rapariga não tem nada, mas não há dúvida que ela incendiou as mentes tacanhas lá da terra e ficou conhecida em Portugal inteiro…mas o mais estranho para mim foi este pai, no mínimo macabro…
Moral da História, ficámos assim a saber que uma Nobre Dama que se chamava Dona Chama… vivia numa Torre naquele território mesmo antes da formação de Portugal…
Ficamos a saber que, passados muitos séculos, uma professora que nada tem de dama nem de nobre pousou nua para a Play boy e o país todo falou dela.
E há quem defenda que a prof. devia continua a dar aulas e a achar que se trata apenas e só da hipocrisia da sociedade e ela deixar de dar aulas às crianças, um atentado à liberdade da mulher, sem perceber o que seja realmente a dignidade e o valor de uma mulher.



- Já sei que me acharão conservadora e contra as mulheres…e o vídeo que aqui junto fará com que o meu texto seja julgado ainda mais “retrógrado”; no entanto ele é para mim a prova de como a exploração do corpo da mulher é visto pelas próprias mulheres como Liberdade e afirmação, e não vêem como a contaminação do machismo as atinge ao defenderem a liberdade do nu gratuito nas revistas de entretenimento!

E que fique claro: "O que eu reivindico, é o direito para a mulher, de exprimir o desejo que ela tem mais vivo em si e sem hipocrisias, eventualmente o seu desejo o mais selvagem, sexual ou maternal, sem essa espécie de rendilhados ridículos com a qual a enfeitam e a mistificam. Da mesma maneira que...reivindico o direito do homem assegurar a sua parte feminina, a sua anima."
Joelle de Gravelaine

sexta-feira, maio 28, 2010

O verdadeiro poeta é obsediado pela Deusa...


O Retorno da Deusa

O que é o samadi? É um transe, um orgasmo intelectual, impossível de distinguir de um momento inefavelmente belo, descrito por Dostoievsky, que precede a convulsão epiléptica. Os místicos indianos atingiam-no por vontade através do jejum e da meditação, como o faziam os Essénios e os primeiros cristãos assim como os santos muçulmanos. Com efeito Ramakryshna tinha deixado de ser um poeta e transformou-se num político religioso de psicologia mórbida, dando-se à forma mais refinada do vício solitário que pode ser concebida. Ramprasad nunca permitiu à sua ambição espiritual de o afastar assim da sua devoção à Deusa. Ele tinha mesmo rejeitado a esperança ortodoxa do “não ser” pela absorção mística no Absoluto, como inconciliável com o seu sentido de unicidade do indivíduo criança e amante da Deusa.
(…)
Um dia do Kali Puja ele seguiu a imagem de Kali no Ganges até que as águas se fechassem sobre a sua cabeça. O romântico ocidental encontrou uma ressonância familiar nesta história de devoção de Ramprasad à Kali, mas o citadino ocidental não se deixou apanhar pelo samadi, rejeição pouco cavalheiresca da Deusa. Não existe nenhuma outra maneira de reviver o culto do Deus o Pai, ascético ou epicuriano, autocrítico ou comunista, liberal ou dogmático, capaz de resolver os nossos problemas; eu não prevejo nenhuma mudança para melhor até que tudo NÃO VÁ DE MAL A PIOR. Somente depois de uma completa desorganização política e religiosa é que os desejos reprimidos das raças ocidentais (de acordo com qualquer forma de prática e culto da Deusa que se reporte a uma forma de amor ilimitado no cuidado maternal e a um outro mundo em que a Mãe não esteja ausente) encontrarão enfim a sua satisfação.

Como é que a devíamos então adorar? No seu primeiro poema “a Primavera” Donne, já dava uma resposta à questão. Ele sabia que a Primavera era dedicada à Musa e que o “número misterioso das suas pétalas” se aplicava às mulheres. Podia ele adorar um capricho da natureza de quatro pétalas ou seis pétalas, uma deusa que tenha sido mais ou menos uma verdadeira mulher? Ele escolheu a forma de cinco pétalas e provou pela ciência dos números que uma mulher que atrai impõe completamente o seu domínio ao homem. Mas dizia-se da Deusa coroada de lótus nos mistérios coríntios: “o seu serviço é a libertação perfeita” muito tempo antes da frase ser aplicada ao Deus Pai; com efeito, a sua tradição nunca foi de condicionamento mas sempre o de dar e oferecer os seus favores de acordo com a forma como os seus filhos e amantes vinham a ela trazendo nas suas mãos, os presentes mais adequados (presentes escolhidos por eles e não segundo a sua ordem). Ela deve ser adorada na sua antiga imagem quíntupla, quer dizer quando se contam as pétalas do lótus na Primavera, Iniciação, Consumação, Repouso e Morte. (...)



A prática da verdadeira poesia reclama um espírito miraculosamente desperto e capaz de, por iluminação, juntar as palavras, através de uma cadeia mais-que-coincidência, numa entidade viva, um poema que vai viver por si mesmo, talvez por séculos depois da morte do seu autor, cativando os seus leitores pela carga de magia que ele contem. Porque em poesia a fonte do poder criativo não é a inteligência científica mas a inspiração (mesmo que esta possa ser explicada pelos cientistas) não é através da Musa lunar, o termo mais antigo e o mais adequado para designar esta fonte de inspiração na Europa, à qual a devamos atribuir?

Pela tradicional veneração da Deusa Branca ela torna-se uma com a sua representante humana, sacerdotisa, profetisa, ou rainha–mãe.
Nenhum poeta que exalte a Musa pode experimentar conscientemente a existência senão na sua experiência do feminino pois temos de considerar que é na mulher que reside a deusa seja em que grau for; exactamente como nenhum poeta apolinio pode exercer a sua função própria se ele não se submeter a uma monarquia ou a uma quase monarquia. Um poeta que exalte a musa abandona-se absolutamente ao amor e a mulher que ele ama na vida real é para ele a encarnação da Musa. (…)

Mas o verdadeiro poeta, perpetuamente obsediado pela Musa, faz a distinção entre a Deusa na qual ele reconhece o poder supremo, a glória da sabedoria no amor de uma mulher, e a mulher indivíduo que a Deusa pode tornar seu instrumento por um mês, um ano, sete anos ou mesmo mais. O que é próprio da Deusa fica; e talvez o seu poeta tenha de novo a possibilidade de a reconhecer através da experiência que possa vir a ter de uma outra mulher "


ROBERT GRAVES - LES MYTES CELTES ET LA DÉESSE BLANCHE
IN Ed. du Rocher

quarta-feira, maio 26, 2010

A ROSA NO CORAÇÃO DA MULHER

A ROSA SAGRADA

"A dupla essência, masculina e feminina, de Deus - a Cruz.
O mundo gerado, A Rosa, crucificada em Deus"
fernando pessoa



 



"E só agora vejo que a rosa era a sua anunciadora, a que vinha antes, a ocultas, consigo ligada.

Ela vinha este e aquele dia, aparecendo-me em formas diversas, no sonho (que dizia: o mundo é construído como uma rosa – camadas e camadas que é preciso atravessar para chegar ao seu centro, que será o centro de dentro e o de fora); na praça romana surgiu como uma rosa verdadeira, atravessada pétala a pétala, até ao fundo; ou então reduzida ao seu único centro, coração de tudo, o fim, a ponte de passagem entre terra e céu.

E então, só depois, nos anos seguintes, veio a Virgem, seu ser enfim revelado, aquele que antes tinha aparecido em símbolo, em imagem viva. Agora ela vem, três vezes, em três vindas sempre diversas e novas: do centro da Terra, brotando das suas entranhas, por um momento abertas, em altas e espiraladas chamas de fogo branco; aparecida súbita no meu quarto, ao meu lado, rodeada o meu ser que ele mesmo rodeava; de noite, em assunção no prado verde das árvores, em torres rendadas subindo para o céu: e eu nelas subindo.

Mas primeiro fui a sua flor, como sua face verdadeira e oculta. Face que a revelava e anunciava, em imagem transporta. Para mais tarde ser decifrada.

 (17-VI-1967) In A FORÇA DO MUNDO

DALILA PEREIRA DA COSTA

"Crucificação da Rosa - ou seja no sacrifício da emoção do mundo (a Rosa, que é o círculo em flor) nas linhas cruzadas da vontade fundamental, que formam o substrato do mundo, não como realidade (que isso é o círculo) mas como produto do Espírito (que isso é a cruz)."
*

fernando pessoa

segunda-feira, maio 24, 2010

O RETORNO À DEUSA


CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA

"O retorno à Deusa, para renovação numa base de origem e num espírito feminino, é um aspecto vitalmente importante na busca que a mulher moderna empreende em direcção à totalidade.

Nós, mulheres que alcançamos sucesso no mundo, somos, via de regra, “filhas do pai” , ou seja, somos bem adaptadas a uma sociedade de orientação masculina, e acabamos por repudiar nossos instintos e energias mais integralmente femininas, rebaixando-as e deformando-as da mesma forma que a nossa sociedade o fez.

Precisamos retornar a esse mundo e redimir o que o patriarcado frequentemente considera apenas como uma ameaça perigosa, chamando-a de mãe terrível, dragão ou bruxa."
 

De SYLVIA B. PERERA
***
SEM A DIMENSÃO DO SAGRADO FEMININO, SEM A CONSCIÊNCIA DA SUA PARTE INSTINTIVA QUE FOI REPRIMIDA E REGEITADA PELO PAT
RIARCADO A MULHER NÃO PODE ATINGIR A PLENITUDE DO SEU SER.
A GUERRA, A VIOLÊNCIA EM GERAL E A "VIOLÊNCIA DOMÉSTICA" PRENDE-SE COM A FALTA DE RESPEITO PELA DIMENSÃO SAGRADA DA MULHER E DA NATUREZA E A IGREJA CATÓLICA TEVE UM PAPEL DIRECTO NO SEU REBAIXAMENTO SENÃO MESMO AVILTAMENTO AO CULPAR A MULHER DA QUEDA.

É COM ESSES OLHOS QUE O HOMEM QUE A DESPREZA E VIOLA A VÊ...
O "PECADO" DA MULHER, SAÍDA DA COSTELA DE ADÃO, VOTADA AO DESCRÉDITO E À SUBMISSÃO AO MACHO, TEVE DE SER COBERTO COM UM VÉU NA IGREJA. ESSE VÉU ERA O MESMO QUE A BURKA NO ORIENTE, MAS MAIS DISFARÇADO...
RLP

sábado, maio 22, 2010

HONRAR O CAMINHO SAGRADO


A PERDA DE CONEXÃO COM O FEMININO SAGRADO



"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua.


As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".


Jamie Sams

quinta-feira, maio 20, 2010

QUANDO A MÃE É AUSENTE...

A REPRESSÃO DO FEMININO


“Pela repressão a alegria do feminino foi rebaixada como mera frivolidade; a sua sensualidade expressa foi diminuída como coisa de prostituta, ou então ridicularizada pela seu sentimentalismo ou reduzida exclusivamente a instinto maternal; a vitalidade da mulher foi submetida ao peso das obrigações e da obediência. Foi essa desvalorização que gerou filhas desenraizadas e subterrâneas do patriarcalismo, separando a força feminina da paixão, tornando-a imagem dos seus sonhos e ideais de um céu inatingível mantidos pomposamente por um espírito que soa a falso quando comparado com os padrões instintivos simbolizados pela rainha do céu e da terra”
. (AUTOR DESCONHECIDO)

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“A mulher que eu precisava chamar de mãe
foi silenciada antes de eu Ter nascido”


Infelizmente, muitíssimas mulheres modernas (na verdade quase todas) não receberam desde o início os cuidados de mãe. Pelo contrário foram criadas em lares difíceis, de autoridade absoluta e colectiva (“cortadas do contacto com a terra pelos tornozelos”, como observou uma mulher), cheios dos “é preciso” e dos “deve-se” do super-ego. Ou, então, acabaram por se identificar com o pai e a cultura patriarcal, alienando-se da sua própria base feminina e da mãe pessoal, que frequentemente é por elas considerad fraca e irrelevante. Essas mulheres têm necessidade premente de se defrontarem com a deusa em sua realidade fundamental.

Uma conexão interior dessa natureza é uma iniciação essencial para a maior parte das mulheres modernas do Ocidente; sem ela não podemos ser completas. Esse processo requer, a um só tempo, um sacrifício de nossa identidade enquanto filhas espirituais do patriarcado, e uma descida para dentro do espírito da deusa, porque uma extensão enorme da força e da paixão do feminino está adormecido no mundo subterrâneo, no exílio há mais de 5.000 anos.

In CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA
De Sylvia B. Perera
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TESTEMUNHO PUNGENTE:

Minha dor é viver num corpo que não corresponde ao meu ser nem as minhas expectativas, minha dor é ser julgada pelos que não me conhecem e pelos que me conhecem como uma pessoa maligna e caprichosa desprovida de bom senso. Vive num mundo do pai e cada dia arrisco levar a Grande Mãe as pessoas da minha convivência...

O fogo que move minha alma e essa fome que me leva a fazer loucuras em nome do que acredito e ser julgada irracional pelas pessoas, sou uma mulher vinda de outro tempo...

Meu anseio maior é amar muito, eu tenho fome, muita fome de viver, muita fome de encarnar a Grande Deusa e vive-la no mundo, muita fome de ajudar as pessoas a viverem a Deusa porque me sinto completa e realizada quando faço aquilo para o qual existo. Minhas lágrimas posso suportar, o que os outros pensam ou dizem posso suportar, só não poderia suportar desistir de quem sou e do que acredito para me encaixar num mundo que vive a base da brutalidade...

Por isso sou feiticeira.

Gaia Lil disse...

Eu sei minha querida o que é essa dor...por isso estou de coração consigo.
rlp

quarta-feira, maio 19, 2010

QUERO SABER SE VOCÊ TOCOU O ÂMAGO DA SUA TRISTEZA


Palavras de Uma Anciã Nativa Americana

"Não me importa o que você faz para sobreviver. Quero saber qual a sua dor e se você tem coragem de encontrar o que o seu coração anseia. Não me importa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscaria parecer com um louco por amor, pelos seus sonhos, pela aventura de estar vivo.

Não me importa saber quais planetas estão quadrando sua lua. Quero saber se você tocou o âmago de sua tristeza, se as traições da vida lhe ensinaram, ou se omitiu por medo de sofrer. Quero saber se você consegue sentar-se com as dores, minhas ou suas, sem se mexer para escondê-las, diluí-las ou fixá-las.


Quero saber se você pode conviver com alegria, se pode dançar com selvageria e deixar o êxtase preenchê-lo até o limite sem lembrar de suas limitações de ser humano.
Não me importa se a estória que você me conta é verdadeira. Quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro para si mesmo, se pode suportar a acusação da traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser fiel e consequentemente fidedigno. Quero saber se você pode enxergar a beleza mesmo que não seja bonitos todos os dias, e se pode perceber na sua vida a presença de Deus. Quero saber se você pode viver com as falhas, suas e minhas, e ainda estar de pé na beira do lago e gritar para o prateado da lua cheia... "Sim"!

Não me importa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de pesar e desespero, exausto, e fazer o que tem de fazer para as crianças.
Não me importa saber quem você é, ou como veio parar aqui. Quero saber se você estará ao meu lado no centro do fogo sem recuar. Não me importa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que sustenta o seu interior quando todo o resto desaba. Quero saber se você pode estar só consigo mesmo e se verdadeiramente gosta da companhia que carrega em seus momentos vazios.

Oriah Mountain Dreamer

copiado de: http://pistasdocaminho.blogspot.com/

domingo, maio 16, 2010

O MAIOR PROBLEMA DA HUMANIDADE

AS MULHERES NÃO ESTÃO EM CONTACTO COM O PRINCÍPIO FEMININO

"Não raramente ouvimos a informação de que não há nenhuma diferença essencial entre homens e mulheres, excepto a diferença biológica. Muitas mulheres têm aceite esse ponto de vista e têm feito muito para alimentá-lo. Têm se sentido contentes em serem homens de sais e assim perderam o contacto com o princípio feminino dentro delas mesmas. Essa talvez seja a causa principal da infelicidade e instabilidade emocional hoje em dia. Ora, se a mulher está fora de contacto com o seu princípio feminino, que dita as leis da integração, não pode assumir o comando do que é , afinal de contas, o domínio de feminino, ou seja, o das relações humanas. E, até que o faça, não poderá haver muita esperança de ordem nesse aspecto da vida.
Muitas mulheres sofrem seriamente na sua vida pessoal por esse abandono do princípio feminino.
São incapazes de relacionamentos satisfatórios, ou podem mesmo cair em neurose pela inadequação do seu desenvolvimento nessa área, que é das mais essenciais. Por essa razão, a relação de uma mulher com o princípio feminino dentro de si mesma não é um problema pessoal, mas também um problema geral, até universal para todas as mulheres. É um problema da humanidade.


(...)
É preciso considerar que a essência ou princípio feminino NÃO PODE SER ENTENDIDA ATRAVÉS DE UM ESTUDO INTELECTUAL OU ACADÉMICO. A ESSÊNCIA ÍNTIMA DO PRINCÍPIO FEMININO não se permite tal ataque, o sentido real da feminilidade sempre escapa ao interrogador directo. Essa é a razão pela qual as mulheres são misteriosas para os homens – isto é, para o homem que persiste em tentar compreender intelectualmente a mulher.


In OS MISTÉRIOS DA MULHER
M. ESTHER HARDING

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A "EVOLUÇÃO" DA MULHER NESTES ANOS DE DEMOCRACIA...


Neste excerto que apresento encontra-se o núcleo de todo o problema da humanidade. Passado um século podemos agora ver melhor as consequências nefastas da falta do feminino no MUNDO, quer na mulher quer no homem, pelo estado de devastação e desequilíbrio das forças da Natureza a que chegamos, devido à danosa gestão política e económica do Poder Masculino que culmina, em mais um império bélico, na guerra aberta e oculta aos países "perigosos", na propagação da fome de milhares de crianças no planeta e na violência crescente contra as mulheres em todos os continentes, como reacção à dominação maciça desse império de guerra, que ameaça todas as nações. A força cega desse Império negro avança contra todos os povos...

Desse modo podemos ver também
o fosso cada vez maior entre oriente e ocidente cavado pelos dois maiores monstros devoradores da História da Humanidade e que são as duas grandes religiões patriarcais dominantes, a islâmica e a cristã, usadas abusivamente pelos seus líderes, religiões fundamentalistas que reduziram o princípio feminino e a mulher “a um verbo de encher”, a um objecto de procriação ou prazer, violada, espancada ou apedrejada pelos maridos quer no oriente quer no ocidente.

Em qualquer uma dessas religiões a mulher é sonegada, inferiorizada ou diabolizada, assim como lhe foi retirada toda a participação efectiva na vida religiosa, familiar e social, destituindo-a de dignidade logo à nascença e de discernimento pessoal nas escolas, pela aplicação sistemática do velho preconceito dogmático, secular religioso contra a mulher, como culpada da queda do homem.


Factos óbvios em relação à exploração da mulher em todo o oriente como no ocidente, embora aqui camuflados de liberdade e emancipação, onde a mulher “se afirma” no trabalho ou como símbolo sexual. Estas conquistas correspondem porem a uma mulher masculinizada ou travestiada, que aceitou as regras falocráticas para vencer e manter-se em igualdade no poder masculino, no exercício da força e dominação, em profissões agressivas como o exército e a polícia, ou mesmo na política como ministra – exemplo mundial: “a dama de ferro” como foi o caso da senhora Tacther...ou as mais recentes Senhora Merkel na Alemanha ou as “mulheres” fortes da política bélica americana Condolence Rice ou Hilary Clinton.
Mulheres que se encontram nos antípodas do Princípio Feminino e que não só desconhecem como rejeitam em absoluto a sua essência feminina!
rosa leonor pedro

sexta-feira, maio 14, 2010

A NOVA MULHER PRECISA DE UNIR AS DUAS MULHERES DENTRO DE SI...


SÓ UM DESPERTAR DE UMA VERDADEIRA CONSCIÊNCIA

DO SER MULHER PODE AJUDAR A CURAR A TERRA

(...)
PARA EVITAR O DESASTRE, A MULHER TEM DE NOVO REENCARNAR A DEUSA
NA TERRA,
DE RECUPERAR COLECTIVAMENTE A MEMÓRIA DE QUEM É,
DE REAPRENDER A ARTE DE CURAR,
DE SE ASSUMIR DE NOVO COMO GUARDIÃ DO GRANDE ÚTERO FERIDO
QUE É A TERRA
DANDO AS MÃOS ENTRE SI PARA A TRATAR
RESTITUINDO-LHE A CAPACIDADE DE CRIAR

(...)
IN Os Portais do Tempo
de Antónia de Sousa
ed. ART-FOR-ALL

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CHEGOU A HORA

(...)
"Buscamos movimentos de consciência. A energia feminina, portadora da magia e da intuição, concordou em abdicar dessas qualidades – energia feminina significando não apenas os seres fisicamente femininos, mas a consciência feminina.
O movimento patriarcal nos últimos cinco mil anos afastou-se completamente do processo do nascimento para poder dedicar-se ao desenvolvimento de armas e ao contínuo aniquilamento dos seres humanos.

As mulheres estão com um “nó na garganta” porque concordaram, há quatro ou cinco mil anos, manter silêncio acerca da magia e da intuição que representavam e conheciam como parte da chama gémea. A chama gémea consiste na energia masculina e feminina coexistindo num só corpo, quer seja ele fisicamente masculino ou feminino.
Durante este período de mudança, será necessário que as mulheres desatem o “nó da garganta” e se permitam falar. Chegou a hora.


BARBARA MARCINIAK,Mensageiros do Amanhecer
Ed. Ground, São Paulo, 1992


quarta-feira, maio 12, 2010

13 DE MAIO DE 2010


“O padre que oficia nos seus trajes de cerimónia, todos de origem feminina, e o travesti, castrado ou não, obedecem a um mesmo desejo. Destapar uma ponta do véu, descobrir o famoso véu de Ísis.”

*Jean Markale (historiador francês)


A Voz das mulheres continua a ser usurpada pelos padres da Igreja de Roma e mais uma vez vai ser explorada pelo Papa – na sua vinda a Portugal e a Fátima – de forma abusiva e com a cobertura mediática intensiva, e a Senhora, a Grande Mãe de todos os cultos e ritos, será de novo usada quer pelos bispos, padres e políticos que se servem do Nome da Deusa sempre em detrimento da mulher verdadeira e da criança que continuam a perseguir a ofender e a humilhar.

"É verdade que o Criador Primordial é uma vibração feminina. A Fonte, como a conhecemos, é uma vibração feminina. Os consortes deste princípio feminino, a vibração masculina, competindo pelo amor da Deusa, começaram a se fragmentar num mau uso da energia, há milhões de anos. Vocês constituem uma parte fragmentada desse mau uso de energia.”*

“Houve um declínio e uma queda da Deusa por razões muito importantes."*


"A energia da Deusa sempre reconheceu o direito da fertilidade. A energia dela não é como no mundo ocidental; para ela, o sexo não era vergonhoso. A Deusa amava o sexo, que é obviamente, a herança natural dos humanos.”*
(...)

*As várias citações em itálico não assinaladas pertencem ao livro
TERRA - CHAVES PLEIADIANAS PARA A BILBLIOTECA VIVA
de BÁRBARA MARCINIAK

terça-feira, maio 11, 2010

AS MULHERES CONTRA ELAS PRÓPRIAS


(...)
Um papa, mulher,
é o que há de mais letal
não se engane com seu ar de futuro santinho de altar

todos os dias e a todas as horas
ele afirma e confirma
que há algo de errado contigo

mulher só serve mesmo para
lavar as igrejas
enfeitar os altares
cozinhar as hóstias
coser as batinas
acreditar no padre
dar amenes ao padre
temer o inferno
e...
... encher as igrejas!!!

E ainda não percebeste o tamanho do poder que te negam?
http://saberdesi.blogspot.com/

Milhares de pessoas, homens, mulheres e crianças manipuladas, uma multidão uniforme, constituida na maioria de mulheres cegas e derrotadas, esvaziadas de vida e de esperança, gritavam: "viva o papa"...

Sim "mexo e remexo na inquisição"!


Composição: R. Lee E Z. Duncan

Mexo, remexo na inquisição

Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão

Hi! Hi!...

Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta...

Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem
Nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Eu sou mais macho
Que muito homem...

Ratatá! Ratatá! Ratatá!
Parapá! Parapá!
Hum! Hum!...

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hi! Hi!
Fama de porra louca
Tudo bem!
Minha mãe
É Maria Ninguém
Hi! Hi! Eh! Eh!...

Não sou atriz
Modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Eu sou mais macho
Que muito homem...

Nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...

Ratatá! Ratatatá
Hiii! Ratatá
Parapá! Parapá!...


O PAÍS LAICO ESTÁ DE LUTO UMA SEMANA...


PORTUGAL ESTÁ MORIBUNDO...
e o Mundo todo também...


O Provincianismo Português (I)


Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.

O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.

Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do "Orpheu", disse a Mário de Sá-Carneiro: "V. é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. é vítima da educação portuguesa. V. admira Paris, admira as grandes cidades. Se V. tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si".

O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de todos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando — toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abomináveis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Vergilio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, todavia, mais certo que o ser a "Divina Comédia" superior à "Eneida". O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano.

É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos. Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.

A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment — o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.

O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, "A Relíquia", Paio Pires a falar francês, é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbabilidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queirós, não direi já com Swift, mas, por exemplo, com Anatole France. Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.

Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'
Data: 2009/05/22 14:00

(já não há poetas nem homens inspirados em portugal dos pequeninos...)

segunda-feira, maio 10, 2010

AS AFINIDADES ELETIVAS...

OU O DIABO VESTE PRADA...

Ah! adorei esta analogia estilística... Vejam só a afinidade dos sapatinhos vermelhos ou a inveja que os padres tiveram das antigas sacerdotisas e das "prostitutas"...vestem as mesmas cores das mulheres fatais....e usam rendas e paramentos nas missas...


- “O padre que oficia nos seus trajes de cerimónia, todos de origem feminina, e o travesti, castrado ou não, obedecem a um mesmo desejo.

Destapar uma ponta do véu, descobrir o famoso véu de Ísis.”


*Jean Markale (historiador francês)

A PALAVRA DAS MULHERES


A PALAVRA COMO DESTINO...


"A palavra também é destino, pois ela anuncia aquilo que foi decidido pelos poderes; além disso, a maldição e a bênção dependem dos rituais mágicos que estão sob o domínio das mulheres.

Aquilo que mais tarde passamos a chamar de poesia teve origem na fórmula dos sortilégios e nos cânticos mágicos que emergem espontaneamente das profundezas do inconsciente de onde trazem à tona suas formas características; seu próprio ritmo, além do vigor e da sensualidade peculiares de sua imagem"


(...)

in "A Grande Mãe" - ERICH NEUMAM
(por engano tinha colocado o nome de outro autor.
Obrigada Luiza por me chamar à atenção!!!)

sexta-feira, maio 07, 2010

A dança do fogo entre Eva e Lilit


Blogger Anna Geralda Vervloet Paim disse...

Esta é a Mãe Primordial para mim, e que cada mulher a decifre em si mesma, Lilith e Eva.

ENIGMA

Na luz da Lua Negra /Tu não sabes quem sou Por trás dos meus véus / Ocultas sombras Fugidias / Dos meus dias de luz / Ouve meu canto / Meu pranto/ Meu acalanto /Deita em meu peito / Em meu abismo profundo/ Entra em meu mundo/ Te levo aos céus/ Ou ao inferno/ Eterno Terno/ De caricia dos vales/ Do meu escuro/ Penetra em minha selva/ Bebe minha seiva/ Deixa teu sêmen / Teu suor / Teu sangue/ Basta um corte/ Antes da morte/ Mas eu deito a sorte/ A doce beleza/ Com delicadeza/ Rasga meus véus/ Sou fêmea lasciva/ Deusa despida/ Amoral Chama imortal/ Princípio e precipício/ De todas as formas Embarca/ E abarca a imensidão/ De meus oceanos estelares/ Minhas trevas lunares/ E minha luz/ Que te conduz em equilíbrio/ Sobre o fio da navalha/ No Éden dos desejos/ Te faço mais forte/ Sob as cicatrizes/ Dos meus punhais/ Não tenho rivais/ Eu sou todas/ A que tem asas/ A que tem garras/ A que tem fel/ A que tem mel/ Eternamente Rosa dos ventres/ Rosa dos ventos/ Rosa dos tempos/ Rosa dos templos/ Decifra-me!/ Em minha face de luz/ Ou te devoro/ Em minha face de sombras...

Anna Geralda Vevrvloet Paim
Porto Alegre,09/12/2009

MÊS DE MAIO, MÊS DA MÃE...AMEN, M.


Jozahfa disse...

É assim mesmo Rosa. A maioria quase absoluta não comenta. É assim também para blogs ou sites com maior visitação que o seu. Acho que a participação ativa se concentra nas páginas que tratam de assuntos do dia-a-dia, como a política, a economia e as fofocas com as celebridades.
Há alguns blogs que frequento, que contam com mais de quinhentos seguidores - o que deve implicar em bem mais de 500 visitas diárias - e que não recebem quase comentários nenhuns.
Vai entender!
Maio 05, 2010

Luíza Frazão disse...

Parabéns, mais uma vez pelo seu excelente e incansável trabalho, Rosa, que tem sido uma inspiração para tantas/os de nós.
Temos pouca cultura da intervenção aberta e franca. Há muita insegurança e medo da "exposição". E até alguma preguiça mental...
Abraço
Maio 05, 2010

Iôrrane Ferreira disse...

Sinto que boa parte das mulheres carregam uma insegurança tremenda, um medo da repressão e de que as pessoas as levem a mal... Eu sou assim, somos assim :P
Muitas vezes vemos textos que chegam a chocar pois queremos fazer algo diferente, mudar, fazer novo, mas esquecemos disso no decorrer do dia, não faz parte de nossa rotina ser uma grande mulher, entende?
Cada texto seu soa como novo e sempre será... Ficamos procurando palavras, termos para concordar, pois não há como discordar, é uma verdade nua e crua. E o fato de termos esse medo de te responder, de um ar de surpresa com sua forma de observar a vida e as ações humanas é uma censura nossa, individual, nosso medo de não sermos compreendidas. Mas se estamos aqui, se somos hoje 500 que lembram de você diariamente, é por estarmos dispostas a uma mudança, e saiba que nessa nova mulher que nasce em cada uma, a cada dia, você é meio que nossa molinha de impulso.
O silêncio de cada uma, é ainda um calar de consentimento, mas com uma certeza de que não é por mal, pois sabemos que é daqui que começa, dentro de cada uma de nós.
Parabéns pelo trabalho como um todo. Com você e com tantas outras amigas distantes e presentes pela internet, aprendo a cada dia como ser simplesmente mulher.
Maio 05, 2010

Soraya disse...

Oi amore....linda deusa....Eu sou uma das que passam diariamente por aqui e sempre penso: " Deveria ter comentado e agradecido ao tamanho amor e dedicação desta forma amorosa que vc encontrou de devoção a Deusa, ao feminino, ao circulo, a cura"....Me perdoe, saiba que sua forma inspiradora, inovadora, livre como o " pássaro encantado" de escrever inspira demais , nos apaixona....
Gratidão! Gratidão! Gratidão!
Com amor
Soraya Mariani Circulo de Mulheres da Cirandda da Lua
Maio 06, 2010

Isabel disse...


Eu passo por aqui quase diariamente também.
Muitas vezes não tenho nada a acrescentar. Mas vou lendo e é um blogue dos mais interessantes que já li.
Maio 06, 2010

Deise Guilherme disse...


Talvez seja pelo fato de você tirar as palavra de nossa boca,com textos tão bonitos.
Abraços
Deise
Maio 06, 2010
«««
AGRADEÇO O AMOR E AS PALAVRAS... É QUE ÀS VEZES PRECISO DELAS, DAS VOSSAS PALAVRAS!

quinta-feira, maio 06, 2010

O CAMINHO DA MULHER




 RESGATAR LILITH

“ Na tradição cabalística, Lilith seria o nome da mulher criada antes de Eva, ao mesmo tempo que Adão, não de uma costela do homem, mas ela também diretamente da terra. Somos todos os dois iguais, dizia a Adão, já que viemos da terra. A esse respeito discutiram os dois e Lillith, encolerizada, pronunciou o nome de Deus e fugiu para iniciar uma carreira demoníaca. Segundo outra tradição, Lillith seria uma primeira Eva: Caim e Abel brigaram pela posse dessa Eva, criada independentemente de Adão e, portanto, sem parentesco com Eles. Alguns veem aqui traços da androginia do primeiro homem e do incesto dos primeiros casais. Lillith, torna-se assim inimiga de Eva, a instigadora dos amores ilegítimos, a perturbadora do leito conjugal. Seu domicílio será fixado nas profundezas do Mar Morto, e objurações tendem a mantê-la ali, para impedir que perturbe a vida dos homens e das mulheres sobre a terra. (…)*

E DESTAPAR A PONTA DO VÉU DE ÍSIS…


É preciso que a mulher descubra o seu verdadeiro rosto…
Não adianta honrar a Deusa sem honrar a mulher em nós…
De nada serve cultuar a Deusa sem sabermos o que significa a sua caminhada interior nem a descida ao mais profundo dos abismos. De nada serve imitarmos os seus rituais sem termos descoberto o segredo que nos foi ocultado durante milénios e vivê-lo na nossa pele!
De nada serve cultuar a Deusa sem integrar as duas faces da mulher…sem que saibamos primeiro quem somos em essência – e a nossa essência não é só o sangue e dar à luz e sermos amantes…

É muito mais do que isso e sem que nos liguemos á Natureza primordial do nosso ser, sem termos olhado esse outro lado oculto de nós, a mulher reprimida, a mulher negada, a mulher raivosa, a mulher frustrada, a adúltera, a frígida ou a mulher infeliz, a mais desgraçada das mulheres, não encontraremos a Deusa em nós.

Para encontrarmos a Deusa temos de fazer essa descida aos subterrâneos mais secretos do nosso ser onde está a Rainha da Noite à nossa espera…Aquela que chora dia e noite e não faz mais do que esperar que a vamos resgatar…

Porque É Ela que nos inicia e coroa…

O caminho da mulher é antes do mais encontrar-se com o seu lado oculto, o seu lado escuro, aquele que lhe reflecte a sua “outra metade” – que ela espera em vão toda a vida no amor do homem porque parte mutilada de si ao encontro desesperado com o homem ou com deus…

“O modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão baseia-se no de um fragmento do ‘primeiro ego’: Adão. Vários textos históricos (2), no entanto, citam uma variante, a criação de Lilith, a primeira mulher, feita em igualdade de condições com o primeiro homem e expulsa do Paraíso por tentar fazer valer essa identidade.”*

Sem que a mulher faça esse caminho de retorno ao seu ser verdadeiro para reunir as duas mulheres separadas pelo catolicismo, a Lilith e a Eva, ela nunca compreenderá a sua natureza profunda nem a sua face de amante livre e selvagem. Sem esse seu outro lado, ela nunca poderá servir a Deusa, mas sim e ainda o patriarcado que a dividiu com esse propósito em duas metades antagónicas. Porque é essa mulher fragmentada e que vive em pedaços que se busca desesperadamente em tudo à procura de si mesma – e não é por acaso que ela se mutila e vende o corpo na procura de uma valorização através de uma aparência ideal que lhe dizem ser magra e sempre jovem…e ter muito dinheiro!
Se a mulher não tiver essa consciência de si, a partir de dentro e não vinda de fora, sendo ela como for na sua aparência ou idade, se ela não tiver essa aceitação do seu lado negro, ela não poderá entrar na sua plenitude de mulher sábia, amante e mãe, pois não conhece nem tem acesso a essa integralidade do seu ser autêntico. Não terá acesso ao seu dom de vidente, de curadora e iniciadora do amor e do homem, nunca poderá realizar-se na dimensão do seu ser total.

“Não se sabe com certeza de que forma a lenda de Lilith, esta primeira companheira de Adão, foi banida da versão Bíblica da Igreja. Mas indo às Escrituras hebraicas poderemos encontrá-la como uma mulher feita de pó negro e excrementos, portanto, condenada a ser inferior ao homem. No fundo, Lilith já fora criada como um demónio, tendo gerado, juntamente com Adão, outros seres iguais a ela, que se vingam na humanidade . Essa natureza satânica é, por assim dizer, uma advertência do que a cultura rabínica e patriarcal nos faz com relação àquela que perturbou a noite toda o sono de Adão: Lilith, feita de sangue (menstruação) e saliva (desejo), uma expressão da fatalidade. Neste ponto, Lilith é mais fiel ao protótipo da mulher do que a submissa Eva, embora ambas tenham sido veículo do pecado. Só que a recusa ao desejo, ao sonho erótico que subtraiu a porção divina de Adão chega, com Lilith, a extremos surpreendentes após a separação deste casal.”*

Porque nós somos essa Rainha!
Muitas mulheres partem para uma “espiritualidade” à procura da sua “outra metade” num Mestre ou em Deus, como procuram no amor do homem, mas se elas não se encontrarem primeiro com elas mesmas e continuarem a fugir da sua Sombra (Lilith) que consideram “pecaminosa”, culpada ou inferior, de acordo com o que o sistema religioso, económico e cultural lhes inculcou desde a mais tenra infância, ela vai padecer sempre dos mesmos sintomas de carência e mal-estar e sentir-se rejeitada.

“Encarnando o feminino negativo, Lilith transfigura-se, posteriormente, em inúmeras deusas lunares ( Ihstar, Astarte, Isis, Cibele, Hécate), arquétipos das forças incontroláveis do submundo ­ A Lua Negra. Até ser personificada pela bruxa, na Idade Média, contra a qual o homem moveu uma das mais sangrentas perseguições de toda a sua história.”

As Evas que não compreendem a sua outra face, que não integram Aquela que afinal lhes deu a comer do fruto da Árvore do conhecimento e viu que era bom, (mas os padres disseram que era mau…) continuarão a fugir de si mesmas, a trair as outras mulheres, a repudiar as mães e as filhas, a matar os filhos para servir o homem – ou no mínimo a deixar que os homens matem os seus filhos na Guerra ou os violem em casa e na igreja – porque essas mulheres foram e são o alicerce de uma igreja que sempre as condenou e viveu à custa do seu sangue e do seu sofrimento. Serão inimigas da outra mulher que afinal é só a sua outra face…

Elas seguem os mestres mais variados e as religiões que sempre as condenaram com inferiores e culpadas da “queda” do homem, porque, desconhecendo a sua origem e história, desconhecendo uma parte integrante de si mesmas, não integraram nem compreendem a verdadeira natureza do seu feminino, o feminino sagrado que vivido como profano, condenado ao pecado pelas tradições patriarcais negam a sua essência ao negarem a Natureza Mãe os seus ciclos lunares, a sua natureza selvagem porque as tradições judaica ou cristã as ataram de pés e mãos e as excluem da sociedade tanto como desprezam a Terra Mãe e a Deusa.

“Enquanto mulher for desdenhada ou abandonada por causa de outra, Lillith representará os ódios contra a família o ódio aos casais e aos filhos; evoca a imagem trágica das Lamias na mitologia grega, assim não pode integrar-se nos quadros da existência humana, das relações interpessoais e comunitárias, foi assim lançada novamente ao abismo. “

Também as feministas cometeram o erro de julgar o Sagrado como culpado da degradação da mulher ao associarem O Sagrado à Igreja católica, e às religiões em geral, quando justamente nos rituais das religiões deixa de haver a evocação e a experiencia do Sagrado, para haver apenas “o profano”, o ritual morto – pois só a mulher permite entrar nos Mistérios do verdadeiro Sagrado.

Os Mistérios da Deusa Mãe e da Terra, os Mistérios Eleusianos foram fonte de conhecimento e iniciação na Grécia durante mais de 3 mil anos e foi o cristianismo que apagou da face da Terra o culto da Deusa e da Natureza Mãe assim como varreu dos lugares sagrados as legítimas detentoras dos ofícios sagrados e imitou os seus ritos e as vestimentas das sacerdotisas…
E assim, depois de vários séculos, o usurpador da iniciação feminina e da Deusa é “o padre que oficia nos seus trajes de cerimónia, todos de origem feminina, e o travesti, castrado ou não, obedecem a um mesmo desejo. Destapar uma ponta do véu, descobrir o famoso véu de Ísis.”* *Jean Markale (historiador francês)

Rosa Leonor Pedro
(* as citações em itálico são de vários escritores cujos nomes baralhei e agora não sei dizer o que corresponde a quem…do que peço desculpa aos mesmos; mas o meu imperativo é a divulgação da consciência do feminino e por isso o seu contributo pode passar anónimo, penso?)

quarta-feira, maio 05, 2010

Que dia é o dia da espiga?


Dia da espiga

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.

As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.

O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:

  • Espiga – pão;
  • Malmequer – ouro e prata;
  • Papoila – amor e vida;
  • Oliveira – azeite e paz;
  • Videira – vinho e alegria e
  • Alecrim – saúde e força.

PORQUÊ?



MULHERES & DEUSAS está quase a chegar a milhão de visitas....

Passam por esta Página mais de 500 pessoas diariamente...

Ás vezes chegam a mil...mas ninguém comenta, ninguém deixa uma palavra...

Alguém me poderá dizer porquê?

Gostava de saber qual é a dificuldade, se falta dinâmica, se sou inacessível, se os textos são longos de mais, ou demasiado "intelectuais" se falta interesse...
Sinceramente gostava de saber a razão desta falta de "feed back"?


segunda-feira, maio 03, 2010

A PRIMEIRA MULHER


No começo era a Grande Deusa e a Grande Deusa era a Terra e a Terra era a Grande Deusa. Lilith – (ESCRITO NUM) relevo sumério.

As origens do culto à Grande Deusa jazem obscurecidas na indistinta penumbra dos tempos pré-históricos. A Deusa imperou durante centenas de milhares de anos. Com o passar dos tempos, a Deusa-mãe foi sobrepujada e superada pelo mais patriarcal dos arquétipos – Javé (Yaweeh), Deus-Pai, Alá. Este arquétipo patriarcal aperfeiçoou-se nos mundos judaico, cristão e muçulmano. Alguns aspectos da Deusa-mãe foram permitidos, porém de forma controlada, na imagem de Maria, mãe de Deus. São algumas Madonas Negras, de antigos santuários, que ainda nos dão testemunho da Deusa-mãe.

A figura de Lilith representa um aspecto da Grande Deusa. Na antiga Babilônia, ela era venerada sob os nomes de Lilitu, Ishtar e Lamaschtu. A mitologia judaica coloca-a em domínios mais obscuros, como um demónio (feminino) do mal, a adequada companheira de Satã, que tenta os homens e assassina as criancinhas.

A Lilith astronômica.
A Lua descreve uma trajetória elíptica ao redor da Terra. Uma elipse possui dois pontos focais e aquele que fica vazio foi denominado Lua Escura, Lua Negra ou Lilith. Isto se constitui numa definição um tanto simplificada, pois, na realidade, a Lua e a Terra movem-se ambas ao redor de seu centro comum de gravidade, e a trajetória da Lua não é uma elipse exata, mas um tanto oscilante. Assim é necessário estabelecer a diferença entre a órbita média da Lua, que é uma elipse levemente alongada, e a órbita real, que oscila ao redor da órbita média devido a diversas interferências. Assim como há um Nodo Lunar “médio” e outro “real”, e como há uma elipse “média” e outra “real”, também há uma Lilith “média” e outra “real”. Escrevo real entre aspas salientando que o Nodo da Lua só é “real” umas duas vezes ao mês, quando a Lula se encontra realmente sobre ele, já que no resto do tempo, ele é tão “irreal” quanto o Nodo Médio. A propósito, quando se trabalha com um ponto tão próximo à Terra, devemos considerar o efeito paralaxe, isto é, devemos ponderar que um determinado ponto da Terra é visto a partir de um certo ângulo de um ponto no céu. A Astrologia observa os planetas sob o ponto-de-vista geocêntrico, ou seja a partir da Terra, e não de maneira topocêntrica, a partir do ponto de vista de um observador.

(...)
A interpretação de Lilith

A Lua Negra descreve nosso relacionamento com o Absoluto, com o sacrifício como tal, e mostra-nos como abrimos mão de certas coisas. Em trânsito, a Lua Negra indica-nos alguma forma de castração ou frustração, frequentemente nos assuntos relacionados ao desejo; uma incapacidade da psique; ou uma inibição em geral. Por outro lado também indica nossas áreas de auto-questionamento, a nossa vida, nossos trabalhos, nossas crenças. Acho que é isto é importante, pois nos dá a oportunidade de abrir mão de algo. A Lua Negra mostra onde podemos deixar que a Totalidade fale dentro de nós, sem atravessar um “eu” pelo caminho, sem erigir um muro formado pelo nosso ego. Ao mesmo tempo, ela não nos indica a passividade. Ao contrário, simboliza a firme vontade de mantermo-nos abertos e confiantes, de deixar que o Mundo Transcendental infiltre-se em nós, confiando inteiramente nas grandes leis do Universo, naquilo que chamamos Deus. A fim de nos preparar para essa abertura, a Lua Negra cria um vazio necessário.”

"Joëlle de Gravelaine in “Lilith und das Loslassen”