"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

RECUPERAR O FOGO SAGRADO


“O despertar da Deusa é uma consequência dos acontecimentos deste fim de era a hora é da mudança a queda de uma instituição patriarcal falida para a ascensão da Deusa da Força Feminina que aflora agora nas mulheres e actua sobre os homens. A Deusa é uma mãe universal e não apenas um conceito abstracto, Ela é sim uma consciência viva.”


Há uma outra história que nós não sabemos….
Há uma outra Origem que nós todas desconhecemos…
As mulheres foram desviadas da senda natural da sua espécie, submetidas à metade da humanidade homem.
Há verdades ignoradas da Magia da vida da Terra, Gaia, e das mulheres em contacto com a natureza...com o sentir o seu útero e sentir tudo no seu corpo a vibrar com a vida e toda a manifestação de vida na pele, que se perdeu na memória de escravidão...as mulheres que a sentiam e se queriam exprimir foram chamadas de histéricas...e o que resta como reacção nos dias de hoje a essa memória de si e da sua força interior pode ser apenas raiva e por isso a raiva na mulher é salutar, mas ela reprime-a e adoece...continua a seguir as regras e a norma…
A Mulher era a guardiã da terra e da vida animal...mas ela foi afastada para os predadores, caçadores e guerreiros, matarem em nome da sua lei, a lei do mais forte; ela foi anestesiada e desviada do instintivo da vida, da sua intuição, do amor incondicional à vida plena e aos animais e à Natureza à qual estava intrinsecamente ligada; a mulher foi desviada para o caminho da razão e da lógica para servir o homem e o seu Deus único e não servir a Deusa Mãe...Foi assim que foi calcada a serpente e colocada inimizade entre esta e a mulher...daí nasceu a nossa senhora imaculada concepção que pisa a cabeça da Serpente ou Lilith...e nós ficamos no meio, repartidas em duas, umas contra as outras, eternamente divididas a mãe e a filha… Esta foi a herança que os patriarcas nos legaram...aquilo que ainda hoje estamos a viver e só a nossa raiva pode fazer resgatar a nossa alma instintiva perdida...senão cairemos ainda na armadilha de sermos boazinhas e acreditar no “deus pai, do filho único e do espírito santo" e nós pecadoras...para continuarmos o caminho do Ser (Homem) sem compromisso com a vida na Terra...nem vivida no nosso corpo vaso, taça do Graal…

Não será este o tempo das mulheres deixarem de negar a sua essência primeira e em vez de seguir o caminho do masculino e as ideias dos homens e os seus avatares, procurarem em si mesmas as respostas para saber qual é o seu verdadeiro caminho para a sua alma, para a união com a Deusa e com o seu feminino sagrado e depois então com o seu par?

Não será o caminho da mulher o caminho e a via da Natureza Mãe, a via do paganismo e em definitivo e em paz consigo e com todos os elementos, viverem em harmonia com a Terra?
Ou vão as mulheres continuar a querer ser almas apenas, negar o seu corpo matéria e sangue e o mundo da encarnação, a sua matriz e origem divina, para continuarem a não ser nada e este mundo ser mera ilusão - e então nada há que fazer aqui senão seguir o caminho da “libertação” nas esferas transcendentes e assim libertarem-se da sua “sujidade” e “fraqueza”?
Não será este o tempo de conhecer a nossa verdadeira história?
rosaleonorpedro

sábado, fevereiro 26, 2011

MULHERES PIONEIRAS - DE ONTEM E DE HOJE


O ABSOLUTO QUE PERTENCE À TERRA

"É Aqui nesta terra que todas as metamorfoses e todos os anseios se engendram. A cadeia dos seres que se estende para além dela só é reconhecida a partir dela. Àquele que a excede está prometido por isso um duplo regresso: ao arco-íris e à mina profunda do coração."

in O ABSOLUTO QUE PERTENCE À TERRA
Maria Filomena Molder
“Plantar árvores é não só amar a natureza. Mas ainda ser previdente quanto ao futuro, e generoso para com as gerações vindouras. Cortá-las ou arrancá-las a esmo, sem um motivo justo, é praticar um acto de selvajaria”. (16/2/1913)
(...)
“A árvore é um tecto, nos dias em que o sol ou a chuva nos surpreendem em plena estrada. A árvore é a cadeira onde nos sentamos para estudar, trabalhar e descansar das fadigas do dia.
(...)
A árvore é a essência medicamentosa que fornecerá o alívio aos tormentosos males que cruciam a precária humanidade. A árvore é confidente discreta dos namorados e a desvelada protectora dos pássaros – esses poetas do ar. A árvore é a maior riqueza da gleba, o maior tesouro dos campos e o maior encanto da paisagem!” (15/3/1914)

Alice Moderno – uma mulher pioneira (1867-1946)



“A revolta da mulher é a que leva à convulsão em todos os estratos sociais; nada fica de pé, nem relações de classe, nem de grupo, nem individuais, toda a repressão terá de ser desenraizada (...) Tudo terá de ser novo. E o problema da mulher no meio disto, não é o de perder ou ganhar, mas é o da sua identidade.”*


*Do livro Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, publicado em 1972

A eco-activista e feminista Starhawk



«Because I believe the earth is a living being, because we are all part of that life, because every human being embodies the Goddess, because I have a fierce, passionate love for redwoods and ravens, because clear running water is sacred, I'm an activist. And because the two hundred richest people in the world own as much wealth as the poorest forty percent, because every ecosystem, traditional culture, old growth forest and life support system on the planet is under assault, and because the institutions perpetuating this unjust system are global, I'm kept very busy!»
Starhawk

Simos Miriam, a escritora norte-americana, eco-feminista, anarquista e activista anti-globalização que se destacou no cerco e boicote à Cimeira da OMC em Seattle há 10 anos atrás, conhecida pelo nome de Starhawk.

(…)
O seu último livro, publicado em Junho de 2009, tem sintomaticamente como título The Last Wild Witch, uma vez que a autora é uma das figuras de proa do neo-paganismo contemporâneo que articula espiritualidade, respeito pela terra e um activismo ecológico que passa tanto pelas práticas de permacultura como por acções directas em defesa da natureza-mãe.
«A física moderna reconhece hoje que aquilo que os xamãs e as feiticeiras sempre souberam: que a energia e a matéria não são forças separadas, mas formas diferentes da mesma coisa.».

Daí decorre que a feiticeira neo-pagã trabalhe para dar a cada um a consciência do seu próprio poder, e ao mesmo tempo reforçar os laços com os outros e com o mundo. Ao «poder-sobre», ao poder da autoridade, imposto do alto, ela opõe o «poder-de-dentro». Assim se explica os rituais em contexto situacional, nas barricadas, em plenos tumultos de rua, e nos solstícios. Propostas como estas, e outras similares, são motivo de grande discussão entre os activistas mais ortodoxos que desconfiam do fundamento e efeitos destas crenças e do ritualismo que lhe está associado.

Como quer que seja, certo é que os seus livros são textos estimulantes contra a Razão triunfante dos nossos dias, essa Loucura que nos submerge sob a aparência do racionalismo cientificista tentacular e totalitário. E as técnicas preconizadas por Starhawk – o empowerment ( a capacitação das pessoas e dos grupos sociais) e o Reclaim the Commons – mostram bem que o seu activismo eco-feminista e espiritual não deixa para amanhã – nem para os outros – a inadiável mudança social. Porque um outro mundo, não só é possível, como é, face à injustiça e à guerra, urgente e necessário. Aqui e agora.*

*Texto de Viriato Porto copiado em: http://blogosocialportugues.blogspot.com/2009/08/eco-activista-e-feminista-starhawk.html

Naomi Klein, escreve:

A escritora norte-americana, eco-feminista, anarquista e activista anti-globalização que se destacou no cerco e boicote à Cimeira da OMC em Seattle há 10 anos atrás, conhecida pelo nome de Starhawk (...) O seu último livro, publicado em Junho de 2009, tem sintomaticamente como título The Last Wild Witch, uma vez que a autora é uma das figuras de proa do neo-paganismo contemporâneo que articula espiritualidade, respeito pela terra e um activismo ecológico que passa tanto pelas práticas de permacultura como por acções directas em defesa da natureza-mãe.

Starhawk é, com efeito, reconhecida internacionalmente como uma activista do movimento pacifista. (...)

A cientista belga, Isabelle Stengers,
que se tem dedicado a desmistificar e dessacralizar a toda-poderosa ciência moderna, tem divulgado a sua obra e pensamento para o mundo francófono, tendo ambas sido co-autoras de um livro comum com o título «Mulheres, Magia e Política» ( Femmes, magie et politique). Por sua vez, Stengers escreveu o livro «A Feitiçaria Capitalista: práticas de desocultamento» (La Sorcellerie Capitaliste: pratiques de desenvoutemente) onde tenta analisar como o capitalismo é um sistema de feitiçaria, e a consequente e imperiosa necessidade de capturarmos e denunciar o seu perigoso feitiço.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

COMO AS ESCRITURAS TRANSFORMARAM A MULHER EM DEMÓNIO



UMA BREVE DESCRIÇÃO DO QUE SE PROPAGOU SOBRE LILITH
ENTRE OS PADRES DAS IGREJAS E OS TEÓLOGOS DO DEUS ÚNICO...

É preciso ler com cuidado o que se vai ler aqui: as mulheres frágeis e ainda influenciadas pelo espírito dos patriarcas, formadas nas suas escolas, entregues aos seu mentores e anuladas na sua essência, ficarão com mais medo de si e do seu fundo que escondem há dezenas de anos... É preciso não nos deixarmos enganar nem ficar a pensar como eles...pois é essa a Sombra que a mulher carrega consigo e o peso que a atormenta e castiga de um mal que não cometeu e porrtanto sem a clarificarmos nunca mais nos libertaremos da canga de demónios, bruxas e súcubos, de sujas e imundas com o que o seu vocabulário nos nomeou; a forma com eles ao longo dos séculos degradaram a imagem da mulher e a conspurcaram de todas as aviltações, causas de todos os males...
Todas as deusas e a Deusa Mãe foram convertidas em demónios ou santas, nem Hecate escapou...todas as sacerdotisas da deusas foram transformadas em prostitutas...
É essa a Sombra da mulher que temos de resgatar com Consciência plena, com vontade e determinação. Sem medo do pecado...sem medo do que nos pesa ainda e amarra a todos os mitos e tabus que os homens criaram para destruir a Mulher e o seu poder interior de Mãe geradora e amante iniciadora...

O Grande medo da Mulher é mais velho que os tempos...

Assim ao lermos o que se segue podemos ter uma pálida imagem do que os doutos e santos da Igreja propagaram sobre a Lilith, a Mulher Primordial...nascida antes de Adão...e igual a Deus...(era Ela a Deusa INICIAL?)

Resgarar Lilith não é tentar corresponder ao que disseram sobre nós os padres nem o que as religiões pregam e até mesmo os esotéricos (contemporâneos) que fazem de nós...eternas demónios, sedutoras e assassinas de crianças (o que fazem os padres pesar às mulheres que abortam?) culpadas da ordem familiar e do fim da paz dos lares, ameaça perigosa e fatal para o homem...
Não, não é pela sexualidade desenfreada e libertina nem pela associação ao vampirismo e grupos góticos que continuam a destorcer a sua imagem e nossa imagem, afinal a dar crédito aos velhos patraircas que nos difamaram...que resgatamos a Mulher ancestral. É na Consciência da Mulher inteira, da mulher autêntica, aquela que nasce de si mesma e desperta para a deusa dentro de si..e não apenas fora.
rlp

O QUE NOS DIZEM AS RELIGIÕES
E AS FILOSOFIAS SOBRE A MULHER:
(...)


"Dentro da Filosofia Gnóstica, o Inferno da Terra é regido por dois demônios, Lilith e Nahemah. Nahemah rege as duas primeiras Esferas, ou Círculos Dantescos, onde vibra uma classe de infra-sexualidade ligada ao adultério, às paixões, à bigamia, à fornicação etc. Lilith dirige as outras 7 Esferas infernais, onde reina a sexualidade mais depravada, onde se vê o homossexualismo e o lesbianismo, a masturbação e as taras e todos os tipos de fantasias sexuais. A imagem de Lilith, sob o nome Lilitu, apareceu primeiramente na Suméria por volta de 3000 A.E.C. Muitos estudiosos atribuem a origem do nome fonético Lilith por volta de



700 A.E.C. Lilith figura como um demônio da noite nas escrituras hebraicas (Talmud e Midrash). Lilith é também referida na Cabala como a primeira mulher de Adão, sendo que em uma passagem (Patai81:455f) ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido. No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira esposa de Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa, vindo a tornar-se a mãe dos demônios. De acordo com certas interpretações da criação humana em Gênesis, no Antigo Testamento, reconhecendo que havia sido criada por Deus com a mesma matéria prima, Lilith rebelou-se, recusou-se a ficar sempre em baixo durante as suas relações sexuais. Na Suméria e na Babilônia ela ao mesmo tempo que era cultuada era identificada com os demônios e espíritos malignos. Seu símbolo era a lua, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos assimilam ela a várias deusas da fertilidade, assim como deusas cruéis devido ao sincretismo com outras culturas. No fictício Livro de Nod, é também conhecida como Deusa da Lua, aquela que ensina Caim habilidades vampíricas, a que é tão antiga quanto o proprio Deus criador do céu e da terra. A imagem mais conhecida que temos dela é a imagem que nos foi dada pela cultura hebraica, uma vez que esse povo foi aprisionado e reduzido à servidão na Babilônia, onde Lilith era cultuada, é bem provável que viam Lilith como um símbolo de algo negativo. Vemos assim a transformação de Lilith no modelo hebraico de demônio.



Assim surgiu as lendas vampíricas, Lilith tinha 100 filhos por dia, súcubus quando mulheres e íncubus quando homens, ou lilims. Eles se alimentavam da energia desprendida no sexo e de sangue humano. Também podiam manipular os sonhos humanos, seriam os geradores das poluções noturnas. Mas uma vez possuído por um súcubus dificilmente um homem saía com vida. Três anjos foram enviados em seu encalço,quando ela deixou o Éden porém ela se recusou a voltar. Juntou-se aos anjos caídos onde se casou com Samael que tentou Eva ao passo que Lilith Tentou a Adão os fazendo cometer adultério. Então o homem foi expulso do paraíso e Lilith tentaria destruir a humanidade, filhos do adultério de Adão com Eva, pois mesmo deixando seu marido ela não aceitava sua 2ª mulher. Ela então perseguiria os homens, principalmente os adúlteros, crianças e recém casados para se vingar. Após os hebreus terem deixado a Babilônia Lilith perdeu sua representatividade e foi limada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, e depois da solidão de Adão ela é criada novamente, sendo a primeira criação referente na verdade a Lilith no Gênesis.



Algumas vezes Lilith é associada com a deusa grega Hécate, "A mulher escarlate", um demônio que guarda as portas do inferno montada em um enorme cão de três cabeças, Cérbero. Nos 2 últimos séculos a imagem de Lilith começou a passar por uma transformação em alguns círculos intelectuais europeus, por exemplo, na literatura e nas artes, quando os românticos passaram a se ater mais a imagem sensual e sedutora de Lilith , e aos seus atributos considerados impossíveis de serem obtidos.De acordo com Hermínio, "Lilith foi feita por Deus, de barro, à noite, criada tão bonita e interessante que logo arranjou problemas com Adão". Esse ponto teria sido retirado da Bíblia pela Inquisição. a sabedoria rabínica definida na versão jeovística, que se coloca lado a lado, precedendo-a de alguns séculos, da versão bíblica dos sacerdotes.

Sabemos que tais versões do Gênesis e o mito do nascimento da mulher são ricas de contradições e enigmas que se anulam.Durante os primeiros séculos da era cristã, o mito de Lilith ficou bem estabelecido na comunidade judaica. Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus.


No Zohar, Lilith era descrita como succubus, com emissões noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os espíritos malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de tais uniões. No Zohar Hadasch , está escrito que Samael , junto com sua mulher Lilith, tramou a sedução do primeiro casal humano. O Talmude menciona que "Quando a serpente envolveu-se com Eva, atirou-lhe a mácula cuja infecção foi transmitida a todos os seus descendentes..."


(...)

AS MELHORES AMIGAS...


AS COBRAS SÃO ASSOCIADAS ÀS MULHERES,
A LILITH E À EVA, Á ÁRVORE DO CONHECIMENTO..
Há quem duvide de que as cobras e serpentes são amigas das mulheres e dos homens...mas por alguma razão na Génese deus criou o ódio da mulher à serpente, criou o medo AOS HOMENS DA SERPENTE E DAS MULHERES...esse medo tem a ver com o controlo ancestral da energia feminina ao serviço da espécie Homem...e do seu projecto de domínio da Natureza.
Sendo a Serpente a grande guardiã de Gaia e a fonte do oráculo da Terra Mãe para vencer, o homem teve de destruir Delfos, matar o Piton e travestiar a pitonisa já não ao serviço do oráculo, mas como Atena saida da cabeça do Pai ao serviço da Guerra. Na bíblia deus mais não fez do que criar inimizade entre a mulher e a serpente do paraíso...Ela era LIlith a primeira mulher, igual a deus e que não se deixou dominar por Adão (o novo projecto?) sendo condenada aos infernos e para sempre aviltada pelos patriarcas de todas as ordens antigas e recentes...
É Lilith que dá a maça a Eva...

“Fosse a maça oferecida por Lilith-Serpente e aceite por Eva ou a caixa inquieta de Pandora (as mitologias patriarcais sempre responsabilizaram a mulher pelo desastre universal), o certo é, que é nestes mitos que nasce a dualidade e a condição humana, com a sua insatisfação permanente, a sua busca obsessiva da perfeição impossível, das origens e do Absoluto.” J. G.

No mapa astral, Lilith ou Lua Negra indica sedução e ânsia de liberdade. Influências que atingem nossas personalidades. A Lua exerce uma influência no inconsciente, nos sonhos, no sono, na memória, nas emoções e nas reacções espontâneas.
Isso corresponde a uma nova imagem da mulher que aparece hoje no inconsciente colectivo. A mulher que vai reaparecer quando se unir em essência á sua parte cindida...

CONVERSA DE HOMENS SOBRE A SERPENTE...
(...)
Sam Keen:
Quais animais são os melhores para serem amigos?

Carlos Castaneda:
Cobras são amigos estupendos.

Sam Keen:
Uma vez conversei com uma cobra.
Uma noite sonhei que havia uma cobra no sótão da casa onde eu vivia quando era criança. Peguei um pau e tentei matá-la. De manhã falei sobre o sonho a um amigo e ela me disse que não era uma coisa boa matar cobras, mesmo se elas estivessem no sótão em um sonho. Ela me sugeriu que na próxima vez que aparecesse uma cobra em sonho eu deveria alimentá-la ou fazer alguma coisa para atrair sua amizade. Cerca de uma hora depois eu estava dirigindo meu patinete motorizado numa estrada pouco usada e lá, esperando por mim, estava uma cobra de quatro pés, estirada no seu banho de sol. Eu a contornei e ela não se mexeu Depois de nos olharmos um nos outros por um tempo eu pensei que deveria fazer algum gesto para mostrar que estava arrependido de ter matado seu irmão em meu sonho. Eu cheguei perto e toquei sua cauda. Ela se enrolou mostrando que eu havia invadido sua intimidade. Então eu voltei e fiquei apenas olhando. Cinco minutos depois lá se foi ela atrás dos arbustos.

Carlos Castaneda:
Você não a espetou?

Sam Keen:
Não.

Carlos Castaneda:
Era uma amiga muito boa. Um homem pode aprender a chamar as serpentes. Mas você precisa estar em excelente forma, calmo, controlado, com um humor amigável, sem nenhuma dúvida ou assuntos pendentes.

Sam Keen:
A cobra me ensinou que eu sempre tinha pensamentos paranóicos em relação à natureza. Eu considerava animais e cobras perigosos. Após meu encontro jamais mataria outra cobra e começou a ser mais plausível para mim que nós possamos ter uma espécie de conexão viva. Nosso ecossistema pode muito bem incluir comunicações com outras formas de vida.

Carlos Castaneda:
Don Juan tinha uma teoria muito interessante acerca disso. As plantas, assim como os animais, sempre afetam você. Ele dizia que se você não pedisse desculpas para as plantas por colhê-las você provavelmente ficaria doente ou sofreria um acidente.

Sam Keen:
Os índios americanos tem crenças similares sobre os animais que eles matam. Se você não agradece o animal por dar a vida para que você possa viver, seu espírito pode lhe causar problemas.

Carlos Castaneda:
Nós temos uma associação com toda forma de vida. Alguma coisa se altera toda vez que machucamos a vida vegetal ou animal. Nós tiramos a vida para sobreviver mas devemos querer abrir mão de nossa própria vida sem ressentimentos quando chegar nossa vez. Nós somos tão importantes e nos levamos tão a sério que esquecemos que o mundo é um grande mistério que pode nos ensinar se escutarmos.
(...)
COPIADO DE: http://pistasdocaminho.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A PRESENÇA E A DISTÂNCIA...


- Rosa, estive a ler (esta mensagem post) esta carta e identifico-me tanto com o que escreveu e tenho uma idade diferente mas escreveu o que sinto tirando é claro a parte da escrita ...
Mas suponho que seja assim mesmo e que chegamos a uma certa altura da vida que não temos paciência para as coisas vulgares simples e queremos qualidade em tudo á nossa volta e as expectativas são demasiado altas e as pessoas não estão acostumadas com isso ou vivem com outros critérios e não estamos dispostas a fazer concessões "mais" para viver em sociedade. Já pensou que as bruxas viviam fora das aldeias talvez porque necessitavam desse espaço e podiam e concediam um tempo para os outros. Um tempo e um espaço e às vezes tenho saudades desse tagarelar só para a solidão evaporar mas é diferente falar daqui sem ninguém para olhar do que olhos nos olhos sem sentimentos sem nada para ver e sentir
Muito agradecida
M.R


- Rosa, acho que temos 10 anos de diferença de idade, (farei 54 em Junho) mas me identifiquei muito com tua carta, e assim como a Marizei colocou no seu comentário, acho que chegamos a certa altura da vida em que compartilhamos nossos pensamentos e sentimentos de um estado de ser, que só o Tempo, este grande mestre, nos ensina a tecer como uma teia de luz e escuridão. É bom descobrir que somos muitas...compartilhando vôos...

Abraços
A.G.

Queridas mulheres e deusas...

Apeteceu-me publicar os vossos comentários pelo enorme prazer que me causam e pelo imenso respeito e amor que sinto por vocês as duas neste caso em particular.
Sim, Maria, prezo muito a sua sobriedade e presença e tocam-me muito as suas palavras...
Sim Ana, penso em si com muito carinho e procuro aocmpanhá-la e sei que no silêncio e na distância você está presente...
Nós somos o eco umas das outras e estamos silenciosamente em acção e no coração da Deusa a fazer o caminho que um dia nos unirá a todas sem esta velha cisão que nos ofende e separa fora, nos divide dentro e tanto faz sofrer...
Por isso agradeço as vossas palavras do fundo do coração...a uma do outro lado de Portugal..a outra do outro lado do Oceano...

rosa leonor

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

CARTA ABERTA A MARIA DE MAGDALA


Minha amiga:


Estou a passar uns dias complicados…de vez em quando há umas pequenas coisas que me pesam…uma delas…é a idade. Eu sempre pensei que quando chegasse aos 60 (e 4) … não seria nada grave, nem problemático para mim…Mas aos poucos, o ver-me a engordar… e a ficar sem apetência para as coisas mais banais, sem a excitação natural da libido que mesmo sem ser de carácter sexual dá um pique, cria sinergias e é um estimulante nas várias áreas da vida…e que eu já não tenho, muitas vezes, se se não está focado interiormente é aborrecido e desmotivante…E nem sempre isso se consegue ou se está inspirada…

Podia falar-te da espiritualidade, da meditação e do amor incondicional ou ainda no amor da Deusa em mim…no que defendo como causa, mas na verdade nem sempre me sinto conectada…E acabo por sentir muitas vezes falta de vontade para continuar... a viver... Não é grave, não te preocupes. Só que há dias em que me sinto cansada ou desmotivada de tudo. Tem fases que é assim…como a Lua...Eu estou numa fase destas.
Eu vivo estados muito intensos, experiências de consciência muito fortes, às vezes estados alterados, mas quando caio em mim...vivo outros estados que podem ser depressivos e em que me vou muito abaixo. Sempre vivi entre momentos de êxtase e outros de abatimento e prostração…como toda a gente vive estados de efusão alegria e tristeza.


Penso mesmo que toda a gente é mais ou menos bipolar (“maníaca-depressiva”)… e eu não fujo à regra. Não chega a atingir as raias do patológico… no meu caso, mas não deixo de lhe sentir os efeitos amiúde…É a doença do nosso tempo e particularmente da mulher (a sua divisão interna) se tivermos em conta todas as suas dificuldades em ser ela mesma. Todo o problema da sua identidade. A questão agrava-se se uma mulher vive sozinha como é o meu caso; não é fácil viver só…Por um lado não ter filhos (nem netos) nem maridos nem amantes é um sossego, mas por outro é árduo por vezes a solidão. Tenho muitas amigas e amigos, mas quase todos em geral têm as suas famílias, filhos ou netos…e portanto não têm a minha disponibilidade de tempo.
Eu antes lia muito…mas agora são raros os livros que me interessam e cada vez me interessam menos. Não me interessa nada toda essa informação que circula sobre tudo mas sim a minha experiência e o meu próprio pensamento e das pessoas que pensam por elas mesmas. Os únicos livros que ainda me interessam têm a ver com a mesma linha que sigo do feminino sagrado…
Conto-te isto tudo para que compreendas que não é fácil em nenhuma idade…nem para nenhuma mulher viver a sua vida. A sociedade não conta connosco nem nos dá apoio… se não estivermos dentro do esquema capitalista e patriarcal...

Sabes, tu fizeste-me pensar mesmo na questão de passar muito tempo ao computador…parece que fiquei alérgica…nomeadamente ao facebook…tão medíocre tudo…

AS vezes sinto que a minha crise passa por ter expectativas demasiado grandes sobre a mudança das mulheres e o seu contributo para mudar de paradigma…Sempre pensei que com o tempo as mulheres iam mudar, que se iam encontrar a si mesmas noutra dimensão do seu ser…mas não vejo as mulheres corresponderem ao apelo nem a serem solidárias umas com as outras…vejo-as divididas em grupos e sempre umas contra as outras, fechadas e a tirar partido pessoal da fraqueza das mulheres em geral…sem verdadeiramente consciência do Feminino Profundo, do seu abismo pessoal, sem integrarem a sua Sombra.

Penso em algumas mulheres da minha geração ou um pouco mais velhas Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta que escreveram um livro Novas Cartas Portuguesas, publicado em 1972 em Portugal, um ano antes da revolução de Abril, e que na altura foi proibido pela PIDE e elas levadas a tribunal… onde elas diziam o seguinte:

“A revolta da mulher é a que leva à convulsão em todos os estratos sociais; nada fica de pé, nem relações de classe, nem de grupo, nem individuais, toda a repressão terá de ser desenraizada (...) Tudo terá de ser novo. E o problema da mulher no meio disto, não é o de perder ou ganhar, mas é o da sua identidade.”

Será que as mulheres já descobriram a sua verdadeira identidade?
Ah! Se o tivessem feito seria de facto muito perigoso para o Sistema…Seria a verdadeira (r) Evolução, mas para isso era preciso que as mulheres integrassem as duas mulheres em si, mas não, nada disso aconteceu e as mulheres não só não se apercebem como estão cindidas como continuam divididas e a lutarem umas contra as outras, desde que nascem, a competir com a irmã, com a mãe e a filha, com a amante e a esposa…no trabalho competindo pelos homens…odiando-se como rivais…

Sem integrarem as duas mulheres cindidas pelo patriarcado – a “santa” e a “prostituta” que são apenas dois aspectos, o sagrado e sensual, da natureza da mulher - elas nunca saberão qual é a sua verdadeira identidade. Porque a mulher verdadeira vive na sua Natureza profunda e na sua psique tanto a amante sensual como a mãe terna…e ignorar isso e separar esses dois aspectos tão relevantes na mulher, é cometer um crime contra natura…

Essas escritoras foram consideradas feministas,
mas com o desenrolar do tempo deixou de se ouvir falar delas e cada uma seguiu o seu curso de vida e a sua carreira literária e ainda hoje vivem de alguma fama derivado à repercussão que o seu caso (ameaçadas pelo regime de Salazar) na altura teve na Europa e na América. As feministas americanas redigiram um manifesto a seu favor…Mas a consciência do verdadeiro feminino e da sua essência, relacionado com o sagrado, numa acepção bem diferente do da religião católica, e portanto relacionado com o ontológico não foi nunca abordado ficando a mesma divisão da mulher, a mesma rivalidade entre as mulheres causada pela sua falta de ligação ao Útero e à Natureza e a Deusa Mãe…

Assim minha querida, não sei que dizer-te…Também já tinha pensado que podia ser interessante publicar o meu livro Mulheres & Deusas em espanhol aproveitando as tuas traduções…e se assim continuares, já tens muito trabalho feito. Pode ser um livro mais pequeno, mais ou menos seguindo a ordem do em português, mas sempre seguindo tu a escolher os textos que mais gostas…Não sei como se passa por aí…


rosa leonor pedro

terça-feira, fevereiro 22, 2011

AS DUAS MULHERES DENTRO DE CADA MULHER


A DICOTOMIA DA MULHER

“Há muito tempo que o homem e a mulher não falam a mesma linguagem. A imagem de um não se sobrepõe ao outro. Anjo ou demónio, Virgem ou Bruxa, Mãe ou Puta, o homem vê a mulher como uma ameaça e como uma necessidade imperiosa numa ambiguidade Ódio-Amor. A mulher vê o homem como um opressor do qual é vítima porque ela esforça-se para o satisfazer, andando à volta dele e das suas necessidades, aliena-se de si mesma tornando-se indispensável pensando que só assim será amada. A negação ou a usurpação dos papéis fez despender uma enorme energia, sofrimentos e erros que continuam a alimentar os jogos. Dois seres cada um deles cego para a sua verdade interior, procurando ao longo de uma vida perceber um pouco deste mistério, caminhando na direcção um do outro pedindo-se mutuamente um pouco de luz...”*

Eu diria antes, que homem e mulher, dois seres cegos um para o outro e em si mesmos, cada um deles incompleto, virando-se para o outro, culpando-o do falhanço mútuo mas sem sombra de dúvida a mulher quase sempre vítima e bode expiatório de todos os males do homem... A mulher contudo não pode escolher senão servir o homem pois de outro modo seria banida ou perseguida...Tem sido assim ao longo de milénios de cristianização do mundo...e levado ao extremo pela Inquisição e o Santo Ofício.

No entanto, ao fim de séculos de negação e perseguição da mulher “A divindade feminina foi introduzida sob a forma de Virgem Maria no reino do Deus-Pai, mas é importante notar o quanto esta figura é dupla: de um lado, ela é castrada da sua sexualidade, sendo um modelo inatingível para a mulher real, pois como é que ela pode ser mãe sem conhecer o homem, não tendo existência senão para o servir e na abnegação absoluta de si mesma. Mas, por outro lado, ela é iluminada de bondade e amor, solar e aparece como figura universal de compaixão.”*

EVA E LILITH

Assim “A mulher vai esforçar-se por se assemelhar a esse modelo de mulher submissa que lhe é proposto (pela Igreja). Mas para isso ela vai perder em parte aquilo que a tornava desejável. A primeira mulher de Adão, segundo o Zohar, não foi Eva, mas Lilith, uma mulher indomável que em vez de se submeter à vontade de Adão, decidiu (deixá-lo) partir sempre. Lilith representa o arquétipo da mulher livre (e com vontade própria) . Todas as mulheres têm uma Eva e uma Lilith dentro de si . Mas as esposas e as mães, à partida, asfixiarão a sua Lilith. O homem patriarcal diz que espera (quer!) da mulher uma Eva, mas para ter consciência integral e poder evoluir a mulher tem necessidade dessa consciência livre que representa Lilith e se a recusar não pode deixar de sonhar com ela. É isto o que explica o famoso trio, marido, esposa e amante.”*
(...)

A MULHER E A “OUTRA”

Nestas circunstâncias temos então o homem na “posse” de duas mulheres que se completam em separado, uma em casa a cuidar dos filhos e outra na rua ou no Bordel, tal como a Igreja e o patriarcado o quis e para isso as dividiu em duas. Neste caso a mulher é fragmentada na sua natureza ontológica e obrigada a viver apenas uma metade de si mesma, uma para cada lado, “ao abrigo” - forçada - pelas leis e pelas convenções sociais de acordo com o sistema de valores do patriarcado. Esta divisão da mulher em duas (ou mais), constitui uma cisão do seu ser integral e leva a conflitos de toda a ordem, seja a nível psicológico - extensivo à família e aos filhos- quer ao nível social mais vasto e que reflecte a sociedade neurótica dos nossos dias de violência e guerra, com “filhos do pai” por um lado, frustrados e castrados por mães oprimidas e divididas e os “filhos da puta”, marginalizados e revoltados contra o sistema que são os criminosos e quiçá os terroristas do nosso tempo...os fundamentalistas de todas as religiões, cada vez mais. Portanto, temos o mundo dividido entre os “filhos do pai” (e mãe anulada) e os “filhos da puta” que eles criaram ao dividir a mulher..
Só os filhos da Mulher-Deusa voltarão a ser Homens e dignos do Nome!

RLP


* Excertos de artigo de Paule Salomon “Femme Solaire”

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

O ÚTERO É COMO UM CORAÇÃO...


Cuando la mujer se excita sexualmente, el útero empieza a latir, como un corazón, pero un poco más lentamente; como una ameba que se contrae y se expande.

(...)
La similitud entre el útero y el corazón también la establece Leboyer, pues ambos órganos están formados por tejido muscular y ambos laten; uno continuamente, el otro, con la excitación sexual; ambos tienen su ritmo, su pulso, y de él depende la eficacia de su fisiología; y ambos tienen un enemigo; el agarrotamiento y la crispación muscular, o sea, el calambre. Cuando las mujeres recuperamos un poco la conciencia y la sensibilidad del útero, podemos percibir y sentir su latido. Con cada latido el útero se extiende y desciende, como un movimiento ameboide, hasta hacerse incluso visible desde el exterior en estado de excitación fuerte.

(...)
Este palpitar del útero son los movimientos rítmicos de su tejido muscular impulsado por la emoción erótica; lo que desde nuestra perspectiva patriarcal que ha eliminado el deseo de la función reproductora, hemos convertido en "contracciones". La emoción erótica hace palpitar el útero suavemente, de modo placentero y mucho más eficazmente que la oxitocina química inyectada en vena.

(...)
Dejándonos llevar por la emoción erótica, las mujeres podemos, al igual que otras hembras mamíferas, "empujar" los músculos uterinos, en el momento de la diástole de su latido, ampliando su onda expansiva, moviéndonos a favor del cuerpo y del nacimiento en lugar de movernos contra él.

(...)
Cuando el latido del útero se convierte en los espasmos violentos de nuestros partos dolorosos, no solo los sufrimos nosotras, también la criatura los sufre. Por eso decía Reich que los úteros espásticos –explicitando que son la mayoría desde hace siglos- son los que producen nacimientos traumáticos.

En definitiva, el nacimiento es un acto sexual que se realizaría con la máxima gratificación del placer para las criaturas humanas, si la sexualidad de la mujer que pare no estuviese destruida.

Excertos de El Útero, ese desconocido

De "El asalto al hades" de Casilda Rodrigañez

domingo, fevereiro 20, 2011

UM MEDO INCONSCIENTE...


O MEDO DAS MULHERES

“A atitude depreciativa que muitos homens têm em relação às mulheres é uma tentativa inconsciente de controlar uma situação em que ele se sente em desvantagem; muitas vezes ele procura eliminar o poder da mulher, induzindo-a a agir como mãe. Dessa maneira ele é liberto em grande escala do seu medo, pois na relação com a sua mãe quase todo o homem experimentou o aspecto positivo do amor da mulher. Mesmo assim não está totalmente livre de apreensão, porque ao fazer com a que a mulher seja mãe dele, ao mesmo tempo torna-se criança e está portanto, em perigo de cair na sua própria infantilidade. Se isso acontece ele pode ser dominado por sua própria fraqueza, e uma vez mais deixa a mulher o poder da situação. Consequentemente, a maioria dos homens aproxima-se de uma mulher com medo, não obstante seja um medo inconsciente, ou com a hostilidade nascida do medo ou, talvez, com uma atitude dominadora, para arrebata-la de um golpe. “ *

* In OS MISTÉRIOS DA MULHER
M. Esther Harding


NOTA À MARGEM:

O que explica a maior parte das aberrações sexuais do homem, assim como a sua misoginia, ou a violência doméstica e o bem triste e flagrante exemplo das religiões que degradaram a imagem da Mulher, no caso da religião católica, a de Maria Madalena, transformando-a em “pecadora” para a substituir pela de deusa virgem e mãe imaculada...
Daí termos uma humanidade infantilizada e uma mulher amputada de metade de si própria!

sábado, fevereiro 19, 2011

IMENSA VAGA DE AMOR


"Minha Mãe…imensa vaga que transporta a crina da minha alma,
Tu espraias no mundo, e Tu o embalas
Nos remoinhos do teu Acto branco,
Para que se abra a concha do Amor Futuro…”

Oria, o Evangelho da Pomba

AMA A TUA MÃE HUMANA



PARA ME RECONHECERES NELA...

“-Ama a tua mãe humana, seja ela quem for, com gratidão porque foi ela que te deu a possibilidade de encarnares, e portanto de usares o teu livre arbítrio na grande aventura que é a vida na Terra; mas para a amares verdadeiramente, quer dizer, para Me reconheceres nela, é preciso que te libertes de toda a filiação humana, de toda a herança de Prometeu* que ela te transmitiu sem o saber. Pode ser que assim tu a ajudes a rectificar a anátema tu parirás na dor que pesa sobre o inconsciente feminino”

"-E para aqueles que sofrem por não terem sido amados pela sua mãe?

-Esses são aqueles que se deram como missão descobrir, nesta vida, a imensidade do Amor da Mãe divina que desde sempre se debruça sobre a sua alma. Mas em crianças, eles não o sabiam, porque eles esperavam o amor de um ser carregado de um psiquismo, que não era capaz de ser a manifestação resplandecente da Grande Mãe. Compreendendo isso, com todo o coração, na consciência do seu livre arbítrio, eles podem perdoar e elevar-se para mim, na direcção do meu Amor infinito. Eles encontrar-me-ão e a minha onda azul os lavará dos seus sofrimentos passados.”

MEN, A GRANDE MÃE
in RENCONTRES AVEC LA SPLENDEUR
MARIE ELIA
«««


"Nascer consiste a sair da mãe e morrer será com efeito voltar à mãe. Então que Mãe é esta? Não é ela o centro, o ônfalo* enquanto que mãe cósmica-telúrica: conjunção subtil da qual toda a materia viva emerge?"

* SEIO
In O Homem e o Seu Duplo de Etiènne Guillé

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

AS FRONTEIRAS ENTRE AS MULHERES



SENTIR A FORÇA DO ARQUÉTIPO
Exactamente, como diz a escritora Jean Shinoda Bolen, no texto embaixo, pode haver a atracção de uma mulher por outra mulher e essa atracção não ter nada a ver com a orientação sexual, mas sim ser apenas um espelho de si mesma, momentaneamente, o da “outra” mulher em si que se quer revelar ou manifestar, e que cria essa simbiose das almas e também eventualmente dos corpos, em que “as fronteiras entre ambos se dissolvem, e uma união que acompanha a totalidade de ambos os corpos e auras talvez surja, colhendo vagas recordações sensoriais de união mãe-filha, ou ser a primeira vez que esse arquétipo é sentido”, sem que isso seja revelador de uma sexualidade transgressora como nos quiseram fazer crer os homens “eruditos” e os padres, os que preconizaram durante décadas acerca do que era a sexualidade feminina e a forma de ser da mulher, depois dos tabus da Igreja, anteriores à psicanálise e impostos durante séculos às mulheres.
As mulheres sempre foram julgadas pela sua sexualidade simplesmente por a terem ou por a vivenciarem. Em ambos os casos a mulher era condenada só por isso, a não ser que fosse uma casta esposa e só procriasse…
Muitas mulheres modernas ainda hoje seguem e defendem psicanalistas como Freud ou Lacan e aceitam os seus pressupostos como verdades acerca de si mesmas e da sua sexualidade, como a ideia imbecil da inveja do pénis ou a ideia de que o falo é que é determinante na expressão do ser (a palavra) e continuam a duvidar quer de si e da sua voz do útero assim como das outras mulheres e do que elas lhes dizem ou reflectem. As mulheres continuam aprisionadas aos padrões do pensamento masculino e vivem ainda totalmente presas dos seus conceitos…
A pergunta que urge e que não se pode mais adiar é justamente se "É a sexualidade feminina uma experiência das mulheres ou um discurso masculino sobre a sexualidade feminina?" (Emilce Bleichmar)

E aqui a resposta é sem dúvida o verificarmos que a falta de consciência da mulher de si mesma, ao nível da sua sexualidade ou da sua emocionalidade, é ainda um factor gerador de enorme confusão e que esta se manifesta em paranóias e medos das mulheres acerca do seu corpo e da sua imagem, nas medidas ideias que os homens predizem, se são magras, se se usam seios grandes ou pequenos e submetem-se ao silicone e a operações estéticas a risco da sua saúde, mesmo ainda jovens. E esta imagem idealizada é a razão também da sua hostilidade em relação umas às outras e as catalogações sexuais redutores a que estão sujeitas e que as minimizam e degradam no seu íntimo quando e sempre que procuram dar um sentido aquilo que de dentro as possa mover e as tenta acordar para outro aspecto de si mesmas, a da mulher autêntica e sem complexos porque se aceita como é na realidade.

As mulheres não são só as mães, que às vezes ou quase sempre falham no seu papel com as filhas, mas são essencialmente as parteiras da consciência umas das outras, como já foram as iniciadoras da arte de amar e são ainda os espelhos que as podem converter em cúmplices em vez de inimigas, em mães e irmãs, em vez de rivais, superado o drama do antagonismo criado pelo catolicismo e cujo ódio se revela sempre fora, contra a outra mulher pela suspeita ou pela intriga...
São as mulheres que hoje podem ajudar outras mulheres através de todos os meios ao seu alcance; seja através da dança, da música, dos círculos, das terapias, dos livros, das conversas entre mulheres…tudo o que promova o encontro entre as duas mulheres divididas e as confronte com Eva e as suas faces e Lilith, a libertadora, a grande iniciadora remetida para os infernos da psique.
É preciso que as mulheres libertem os seus corpos e as suas emoções, sem ser só pela obsessão do homem e do acto sexual, mas através da sua genuína sensibilidade e sensualidade e de facto para que isso aconteça as mulheres têm de perder essa inimizade criada entre si pelos patriarcas e aprender a confiar umas nas outras. Sem que dêem esse passo será muito difícil as mulheres saírem do controlo dos homens ou fugir dos estigmas que as marcam e as tornam dependentes, neuróticas, histéricas e mais grave ainda, deprimidas ou somatizarem as suas dores e frustrações em cancros do útero, da mama e dos ovários.


De uma vez por todas é preciso que se entenda que as doenças das mulheres estão relacionadas com a opressão e a repressão da sua verdadeira sexualidade e da sua natureza profunda, da sua intuição, principalmente das suas emoções, privadas que são da sua vida instintiva ao deixar adormecido o seu potente potencial – o arquétipo da Deusa - e poder interior que as caracteriza como mulheres & deusas…

rosa leonor pedro


ANSEIO
Desejo-me a mim mesma
no corpo etéreo de uma mulher sublime,
como preciso do ar que respiro.

Desejo ver-me e sentir-me inteira
no meu corpo completo
como se reinventasse outro ser...

E como se os meus sentidos fossem mágicos
desdobrar-me...

E do ar, do éter ou do prana,
pela força do meu anseio
aparecesse um novo ser que em mim
me amasse até à consumação.

Queria que por magia,
eu própria me transformasse
em substância etérea
e libertasse a minha alma da escravidão
desde corpo denso de pele e desejo...

Queria ser águia e vencer o dragão.

IN MULHER INCESTO- SONATA E PRELÚDIO
ROSA LEONOR PEDRO

Mulheres e Iniciação - um segredo não partilhado...


SENTIR ATRACÇÃO POR OUTRA MULHER

"Acontece haver confusão acerca da orientação sexual: tem e, contudo, não tem absolutamente nada a ver com a orientação sexual.”

“Que o corpo de uma mulher possa ser um vaso através do qual surge a Deusa, é uma revelação inesperada, uma revelação que não vem por iluminação, visão ou introvisão - que constitui a forma da manifestação masculina da divindade - mas por meio de uma experiência encarnada - por meio de contacto íntimo, carinhoso, reverente, que é, simultaneamente, dos sentidos e do sagrado, profundamente pessoal e transpessoal. Isto é um segredo que não se disse às mulheres, que como género aprenderam a detestar a redondez e plenitude do seu corpo, a sentirem-se envergonhadas por causa dos mistérios da menarca, menstruação e menopausa, querem estar anestesiadas quando dão à luz, e ficam horrorizadas ao acordar de sonhos em que abraçaram outra mulher com amor.

Muitas mulheres são iniciadas no íntimo do corpo pela deusa, têm explorado o corpo desta noutra mulher, passe-se isto em sonhos ou em realidade ou em sonhos vividos: tais experiências podem afirmar profundamente que se é mulher e se habita um corpo feminino. Mas também pode confundir e aterrar. O corpo de outra mulher espelha o seu próprio corpo, as fronteiras entre ambos dissolvem-se, e uma união que acompanha a totalidade de ambos os corpos e auras talvez surja, colhendo vagas recordações sensoriais de união mãe-filha, ou ser a primeira vez que esse arquétipo é sentido.


A experiência de outra mulher pode permitir a determinada mulher tornar-se numa pessoa activamente sensual, quando antes tinha sido passiva, ou reactiva apenas, nas suas respostas. Seja em sonhos (onde o significado simbólico também precisa de ser explorado) ou na vida, a encarnação como mulher sexual e sensual dá resultado se a mulher aceitar a faceta amante de si mesma: acontece o contrário se ficar apavorada, convencida de que é pecadora, pervertida e deve suprimir a sensualidade.
Acontece haver confusão acerca da orientação sexual: tem e, contudo, não tem absolutamente nada a ver com a orientação sexual.”

LEIA o excerto na página 113 em: TRAVESSIA PARA AVALON de J. Shinoda Bolena

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

AS DUAS MULHERES...


EM PLENA PRAÇA TAHRIR....
Uma mulher é sexual e brutalmente agredida e outras, como é o caso da jornalista portuguesa, que consegue escapar...

Esta mulher, como muitas outras, é só mais uma jornalista destacada para os palcos de guerra e das “revoluções”, em todo o mundo, mas o que ela, destacada jornalista da CBS, com tantas outras que lá andavam, não esperava, era que em dia de Festa e de vitória democrática, os homens a atacassem sexualmente e tão brutalmente…
Eu pergunto, o que aconteceria se esse fosse um dia de derrota e de perca para os egípcios…
É verdade que eles não ganharam nada e o que espelharam – eu sei que não houve um banho de sangue…que aparentemente foi uma manifestação pacífica de milhões de pessoas digo de homens e algumas mulheres – mas não deixou de ser de fanatismo e violência, uns sobre os outros e manifestamente sobre A MULHER, aí sim manifestaram o seu ódio ao Ocidente e à sua liberdade…e nada vai mudar nesse universo machista e predador que são os homens no Médio Oriente (e não só claro) onde as mulheres pouco ou nada terão a ganhar com as suas conquistas ou mudanças sociais. Houve jornalistas homens agredidos também, mas não foram agredidos sexualmente nem violentados…

Será que a Mulher está condenada por natureza e anatomia a ser violada como princípio de guerra em todo o mundo? Ou será que esse facto nunca foi questionado pelos “grandes homens” da história e que NUNCA nada fizeram para o mudar ao longo dos seus impérios? Será esta uma das leis da Vida? Parece que para os homens é assim…tacitamente, há séculos!
Mas o mais espantoso para mim é que até as mulheres mais inteligentes pensarão que é um caso isolado, um incidente…e que os egípcios até são pacatos…e os que fizeram isto, foram os maus…Cuidado…eles estão por todo o lado à espreita…e o seu ódio cairá sempre em primeiro lugar sobre as mulheres…as mais expostas…
Tanta ingenuidade cansa-me: ver jornalistas, espiritualistas e progressistas e demagogos contentes com a vitória do povo egípcio e dar por garantido a evolução de um povo oprimido…e que perante esta brutalidade contra a mulher vão achar que isso não tem a menor importância face uma coisa tão grandiosa…claro, para eles também, inconscientemente a mulher merece estes castigos embora nunca o digam…

Mesmo tendo a prova cabal de que os Governos e as políticas do mundo em séculos pouco ou nada fizeram pelas mulheres, que eles não querem saber das mulheres, excepto para o que a gente sabe, e que aceitam tacitamente a sua exploração por Máfias no mundo ocidental, que vendem e exploram sexualmente meninas para a Europa… as próprias mulheres não querem pensar nisso e acham que isto é natural…e acham-se livres…até que sejam violadas elas próprias …como aconteceu com esta jornalista.
Porque há umas que não pensam nisso e há outras que escolhem isso…As novas escravas sexuais ao serviço dos NOVOS senhores…


Mas o que mais me espanta ainda é ver que o Mundo não quer OLHAR as mulheres, não quer encarar o drama das mulheres, o da sua divisão? E o mais irónico é que nem as mulheres se queixam…ou se revoltam…Temos agora algumas manifestações de mulheres em Itália face ao exemplo burlesco do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que faz as suas orgias com modelos (imigrantes) menores com toda e “naturalidade” e aceitação dos seus parceiros do mundo inteiro que lhe acham muita graça….e dá escândalos atrás de escândalos assumindo-se macho e afirmando que é melhor ser macho do que ser gay…e continua Primeiro-Ministro…

Eu não me queria alongar muito, mas realmente perguntar às mulheres se acham natural este funcionamento do Sistema patriarcal e se também acham que esta jornalista merecia isto…
Não é isto o que afinal as mulheres também pensam das outras mulheres, das que sofrem violações e são exploradas, das que se prostituem e que se expõem a violência masculina todos os dias, vendendo o sexo, ou mesmo em casa com os maridos, que tudo isto é escolha delas? Que elas são as culpadas, porque educam assim os filhos e são provocantes e ousadas e se metem onde não são chamadas, tal como dizem os homens, a opinião pública é deste tipo sim, vejam os comentários dos homens nas notícias sobre violações ou violência doméstica…

Sim, para mim no meio disto tudo o mais aberrante é serem as mulheres livres e emancipadas ou espiritualizadas que continuam a defender os homens coitados? A elas, dizem …eles até as tratam bem…

rosaleonorpedro

“Há um contentamento indigente no discurso de algumas mulheres que passa pela frase «ele trata-me bem». Enxergarão elas a subalternidade que infere? Desculpem, é uma expressão escrava. Ou veterinária, vá. PARA TRÁS, RANHOSAS!”

Rita Ferro

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

A FESTA DOS EGIPCIOS...

- Tu não deves tolerar o erro, não deves sofrê-lo! Encurta os seus dias, retira os seus meses, porque eles secretamente destruiram tudo o que tu criaste!


LARA LOGAN - JORNALISTA DE GUERRA...

A correspondente da rede CBS, Lara Logan, foi espancada e abusada sexualmente por uma multidão enquanto cobria a comemoração na Praça Tahrir, no Cairo, no dia em que Hosni Mubarak renunciou, informou a emissora nesta terça-feira.


Lara, sul-africana de 39 anos e há vários anos correspondente de guerra, voltou para os Estados Unidos em seguida e se recupera num hospital. Ela foi uma das dezenas de jornalistas que sofreram algum tipo de violência durante as três semanas de protestos no Egito.

Em nota, a CBS News informou em que a repórter estava cobrindo a crise para o programa "60 Minutes" em 11 de fevereiro quando ela e sua equipe foram cercados por mais de 200 pessoas.

"No tumulto, ela foi separada de sua equipe. Foi cercada e sofreu um ataque brutal e sexual, além de ser espancada, antes de ser salva por um grupo de
mulheres e cerca de 20 soldados egípcios", afirmou a CBS.

IN O GLOBO


Palavras ditas por Osiris:

Ó Tot, que falta fazer às crianças de NUT ? Elas fomentaram a guerra, suscitaram querelas, causaram desordem, fomentaram a rebelião, massacraram, procederam a prisões, em suma, abateram o que era grande, em tudo o que criei. Demonstra a tua força, Tot, diz Atum.

- Tu não deves tolerar o erro, não deves sofrê-lo! Encurta os seus dias, retira os seus meses, porque eles secretamente destruiram tudo o que tu criaste!

- Eu estou de posse da tua paleta, ó Tot, e eu trago-te o tinteiro. Eu não estou entre estes fazedores de secreta destruição; é por isso que não me destruirá, uma morte rápida não terá poder sobre mim.

In O LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGIPTO

TAOÍSMO E ALQUIMIA FEMININA


AS MULHERES NO ORIENTE ANTIGO...

"A China sempre gozou de uma profunda tradição Xamânica. Onde ela mais se desenvolveu foi no reino meridional de Chu. Nele, as mulheres desempenhavam um papel fundamental. Chamavam-se WU, ZHU ou LING, e rendiam culto ao invisível por meio de danças e de cantos. Convidavam os espíritos a baixar (jiang) até elas e mantinham com eles uma autêntica relação de amor. Nem toda a gente podia optar por se chamar Xamã :

"Na antiguidade...só se chamava xamã àquele ou àquela que tinha uma essência de vida própria e desenvovida e que fosse capaz de assegurar uma rectidão e grande sinceridade. O seu saber alcançava tanto o que está em cima como o que está em baixo. O fulgor da sua sabedoria iluminava tudo em seu redor e os seus ouvidos podiam ouvir tudo. Os espíritos celestes e terrestres entravam nela"

in TAOÍSMO E ALQUIMIA FEMININA de Catherine Despeux

Sofia a Reveladora dos Mistérios...



(...) "A mulher divina no gnosticismo é essencialmente, Sofia, entidade de múltiplos aspectos e nomes. Identificada por vezes ao próprio Espírito Santo, é também, segundo os seus diversos atributos, a Mãe universal, a Mãe do Vivos ou Mãe resplandecente, o Poder do Alto, "A da Mão Esquerda" (em oposição ao Cristo, considerado seu esposo e "O da Mão Direita"), a Luxuriosa, a Matriz, a Virgem, a Esposa do Macho, a Reveladora dos Mistérios, a Santa Pomba do Espírito, a Mãe Celeste, a Extraviada, Helena (isto é Selenia, a Lua); foi concebida como a Psique do mundo e o aspecto feminino do Logos. Na "Grande Revelação" de Simão o gnóstico, o tema da díade e do andrógino é dado em termos que merecem ser referidos aqui:

" Este é o que foi, que é o que será, o poder macho-fêmea assim como o poder preexistente ilimitado que não tem começo nem fim, porque existe na Unidade. Foi através deste poder ilimitado que o pensamento, escondido na Unidade, agiu primeiro, tornando-se dois... Sucedeu assim que aquilo que através dele se manifestou, embora um, é de facto dois, macho e fêmea, contendo a fêmea em si próprio".

In " A Metafísica do Sexo" de Julius Evola

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

MEMÓRIAS



Uma voz me disse à noite, em segredo:-

Não existe tal voz que sussurra em segredo na noite!

Haidar Ansari


Estava a pensar como apagar-te da memória quando um gesto teu súbito no sonho te acordou em mim. Não estavas, nem nunca estiveste tão perto desse gesto brusco com que o teu corpo astral me sacudiu.

Apagar-te do ecran, queria, por assim dizer, ou apagar as palavras com que nunca disseste o essencial de ti, da tua alma velada pela louca personagem que encarnas e arrastas atrás do sonho de vida em vida, e escondes por detras desse manto caindo a teus pés ... que se arrasta pelo chão - uma vezes manto de rainha outras de escrava, envolta em farrapos...
Há séculos que te vejo correndo com o vento em densas florestas ou palácios em vestes negras envolta, sempre perdida de ti...

És a Sombra de um reino de mortos...uma voz que me sussurra segredos na noite... ou a Senhora das Encruzilhadas? Aquela que me espera no dia de amanhã...

És tu a Deusa esquecida nos escombros das guerras bárbaras, nas ruinas deste mundo violento "por cuausas de nada", que nos reduziram a nós mulheres a nadas. Rostos sem voz, caras cobertas, esfarrapadsa ou envoltas em finos véus de seda, umas disfarçadas de senhoras, outras disfarçadas de bruxas, condenadas a vagar como fantasmas, sem eco nem paz, máscaras de cera... que escondem sempre uma metade...

Não, não sei quem és Mulher. Nunca te te vi o rosto. Nunca te encontrei aqui. Aqui onde sou e habito o espaço inventado de uma tempo que não existe.
A névoa do mundo ímpio cobre a realidade interior, ínfima, a única que nos resgata, o fio que tecias quando eras jovem Ariana...e acreditavas que Teseu te ia levar...

Queria apagar-te da memória para sempre, mas mais uma vez fiz-te renascer da Sombra da mulher de ontem que podia ter sido eu e não sou.

Este labirinto onde me perco de cada vez que a tua voz se distância ... de cada vez que julgo encontrar-te e vejo que mais não fiz do que repetir o meu logro...

rosaleonorpedro

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

A MENTE HUMANA...E O CORPO DA MULHER...



(…)
Tenho estado para aqui muito caladinha, a ver o que vai sendo publicado e sem a mínima vontade de acrescentar prego ou estopa à construção que se vai erguendo…
Dias de convalescença levaram-me a mergulhar ainda mais profundamente naquilo que neste momento considero o tema mais fascinan...te: a MENTE HUMANA, a forma como com essa ferramenta poderosa e sofisticada criamos a realidade em que vivemos. É fascinante e ao mesmo tempo, confesso, um bocadinho assustador… Quanta responsabilidade! É que o dilema instala-se. Se olho muito para os problemas, crio o efeito absolutamente perverso de atrair cada vez mais e mais problemas semelhantes, situações que vêm confirmar aquilo em que acredito. Mas, por outro lado, parece egoísta e infantil não olhar e não denunciar situações terríveis, desequilíbrios, abusos de que as vítimas podem não ter consciência e com a minha denúncia sem dúvida que as estou a ajudar… Então, como é que ficamos? Olhamos e desviamos o olhar; denunciamos e atraímos cada vez mais do mesmo?...
Só vejo uma solução: procurar a CURA e não o problema! Desejar com muito amor ver a situação curada e procurar por sinais disso. Tem de haver. Se não há é porque se calhar eu nem sei o que seria a cura dessa situação; eu não acredito nela e portanto ela nunca virá. Ou será que, como se diz em “Um Curso em Milagres” eu prefiro ter razão a ser feliz e então não quero que haja cura para continuar a ter razão?...
Luiza Frazão

“Só vejo uma solução: procurar a CURA e não o problema…”

- Eu penso que sem conhecer a causa do problema não pode haver cura…e precisamente porque se não procura a causa da doença nem dos muitos problemas de hoje as soluções são apenas remédios e não cura…e o círculo é vicioso; os doentes não podem sentir esse amor que a partida os podia curar…
Esta parece-me ser uma enorme contradição e fuga a este plano na Terra…

Por outro lado também eu às vezes não tenho certezas de nada...

Acho que passo por essas fases de dúvida e nem sempre tenho a garantia de que estou a ir pelo caminho certo. O que diz é perfeitamente plausível e já tive um dia essa posição… já percorri um caminho interior, individual, em que me era solicitado curar-me a mim própria, pela interiorização no meu ser, ocupar-me só de mim através dessa prática exclusiva...porque fazendo-o estava por suposto em contacto com a Fonte e com o amor cósmico e portanto a curar o mundo na medida em que absorvia essa paz…e essa devia ser a parte que nos cabia a cada um de nós...É uma visão da vida, uma fórmula, um processo, um ponto de vista talvez, não sei se uma proposta se uma escolha…
Eu pratiquei esse método durante mais de vinte anos e mantive-me fiel a essa via…e quando cheguei à Menopausa - à crise d a meia-idade - a Deusa manifestou-se de tal forma em mim que a minha vida mudou por força da revelação do arquétipo em mim.

MAS...não sei, nunca soube ao certo e às vezes tenho dúvidas, depois que optei por trilhar o Caminho da Deusa e da Terra Mãe, depois que optei por uma via de envolvimento-sofrimento com a matéria e com as entranhas da Terra e da mulher; não sei se assim sacrifiquei o verdadeiro caminho do SER para lá das lutas neste mundo, das suas diferenças e das suas leis naturais e humanas ou se neste caminho que trilho agora é um caminho em que posso ser útil, a mim mesma e neste caso também às outras mulheres...e portanto parece que optei por um caminho aparentemente exterior em vez de um interior…Embora todo o processo de vida se desenvolva dentro do ser…

Não, não sei se teria tudo a ganhar renunciando ao mundo como o vemos e a sua dualidade – um mundo que achamos que é passageiro e ilusório ou então um mundo em que co-criamos a nossa vida - e vivendo apenas no meu interior “em paz e amor” (até que ponto real) não precisaria mais dos outros nem de outros caminhos onde as encruzilhadas são muitas...
Há muitos anos que vivo este dilema. Mas como passei por essa experiência de dentro e durante alguns anos me recolhi num ashran e pensando que podia viver o resto da minha vida só a meditar e a fazer serviço desinteressado...a concentrar-me nessa energia dentro de mim através da meditação e em rigor, com disciplina, através do controlo da mente humana…sabendo que o mundo vive apenas esse sonho e que tudo o que vivemos aqui é ilusão…
Mas então surgiu-me a grande questão: será que o caminho dos Mestres é o caminho das Mulheres? Será que a via da Terra Mãe e de Gaia é o mesmo que o do Homem que procurou sempre voltar à Origem sem honrar a Terra Mãe e a Mulher e a Natureza e paulatinamente a destruiu, criando um inferno à sua volta…?
Pareceu-me e posso estar enganada que os Mestres falam de outra via, a ascética e árida, a da renúncia ao mundo, o caminho para o céu, e que a minha via não seria seguir nenhum mestre mas seguir a vida da Terra, sentir a Natureza e ser fiel a esse propósito pois nascemos nela e ela é uma manifestação da vontade divina criadora do mundo…

A Mãe exige sacrifício – sacrum fare – a Mãe exige a dor da separação (e isso sim é ilusão) nascer na terra, de dentro da terra e do útero, e o sofrimento é o seu resgate…Mas Sofrimento é Conhecer e quem hão experimentar não conhece!!! A Mãe exige o parir e dar fruto, do brotar da semente que gera alimento, à criança que nasce para a luz… e a Mãe é também a morte...e renascer e talves por isso a Mãe exige de nós mulheres uma completude de iniciadoras mães e amantes da terra e da Natureza…e então, se eu não enfrentar essa descida, o cisma antigo que dividiu o mundo prevalece…a divisão dos princípios prevalece e eu penso que se os escravos negros durante séculos foram escravos e hoje são menos, as mulheres meu deus….as mulheres eram escravas de escravos e continuam escravas dos seus senhores ainda hoje, sim escravas sexuais …e isso não lhes permite ser gente…portanto há um resgate da mulher…da verdadeira mulher antes de realizar a OBRA…
E para mim há fundamentalmente esses dois caminhos, sim a via da mão esquerda e da mão direita *…a do feminino e do masculino mas os homens e os Mestres apontam esse Caminho que é contrário e antagónico à Mãe e à Natureza. No paganismo as mulheres incluem os homens mas no caminho ascético os homens excluem as mulheres… Buda, Cristo ou Krisna, e outros pregaram o caminho da renúncia ao mundo e ao desejo …as mulheres foram votadas ao descrédito…E hoje as mulheres não sabem de si – não são mulheres - não encarnam a Shakti…como não encarnam a Deusa a Musa nem a Dama ou a Rainha e continuam a seguir o caminho que não é delas? Continuam a seguir o caminho dos homens…que as renegaram…
Tem de haver uma via diferente para as mulheres…e eu pergunto com Treya:

“As mulheres que alcançaram a iluminação – conseguiram-no seguindo vias ou modelos tradicionais masculinos? Conseguiram-nos seguindo o seu próprio caminho? Como é que o encontraram? Por que tipo de conflitos, dúvidas sobre si próprias, etc., passaram para encontrarem o seu próprio caminho?” e diz ainda uma coisa absolutamente verdadeira:

"
Toda a área da espiritualidade feminina se encontra em branco. Muitos dos escritos de freiras foram perdidos. De qualquer forma, as mulheres não escreveram muito sobre a busca espiritual. As mulheres tem sido afastadas de posições importantes na maioria das religiões instituídas.
A espiritualidade feminina parece diferente da masculina. Menos orientada para objectivos. Pode alterar a noção do que é iluminação. Mais vasta e abrangente; mais uma vez amorfa.
(…)
A espiritualidade feminina é difícil de ver, difícil de definir. Quais são os estádios, os passos, o treino? Será que fazer croché ou malha é tão bom como a meditação para treinar a atenção e serenar a mente?
Um contínuo, com o desenvolvimento espiritual masculino num dos extremos o feminino. O masculino já foi definido, o feminino não. Montes de variações entre os extremos. Será que existem caminhos paralelos mas diferentes/separados (…)?”**


Não será pois este o tempo das mulheres deixarem de negar a sua essência primeira e em vez de seguir o caminho do masculino e as ideias dos homens procurarem em si mesmas as respostas para qual é o seu verdadeiro caminho para a alma, para a união com a deusa e com o seu par?

Não será o seu caminho o caminho e a via da Natureza Mãe em definitivo e viverem em harmonia com a Terra? Ou vão continuar a querer ser almas apenas a negar o seu corpo matéria e vida e o mundo da encarnação continuar a não ser nada – mera ilusão - e então nada há que fazer senão seguir o caminho da “libert ação” e deixamos o Homem destruir a Terra?
Não sei, às vezes também não sei...

Digam-me vocês o que acham?

Rosaleonorpedro

* "O «caminho da direita» geralmente suporta as concepções espirituais de religiões como o Cristianismo, ao passo que o «caminho da esquerda» normalmente serve de fundamento ao pensamento teosófico que subsiste nas doutrinas espirituais da Bruxaria."Wkp.

** In Graça e Coragem de KEN WILLBER
Pintura de Lena Gal

CORPO ALMA E ESPÍRITO


“... o espírito e o corpo são um mediante a alma que está junto ao espírito e ao corpo. Se a alma não existisse, o espírito e o corpo se separariam um do outro pelo fogo; mas se a alma está unida ao espírito e ao corpo, o todo não é afectado nem pelo fogo nem por outra coisa qualquer no mundo.”

O CORPO É VÉNUS...

“O corpo é Vénus e feminino, o espírito é Mercurio e masculino; assim sendo, a alma enquanto “vinculum” entre o corpo e o espírito seria hermafrodita, ou seja uma “coniunctio” de “sol e lua”. O hermafrodita por excelência é o Mercurius. Poderiamos concluir desta passagem que a rainha representa o corpo e o rei, o espírito, mas sem a alma eles não se ligam, pois ela é o “vinculum” que a ambos mantém unidos. Assim, enquanto não existir o laço do amor, a alma não está presente neles. O elemento unificador é, de um lado, a pomba vinda de cima,e, por outro, a água vinda de baixo. Este é o “vinculum”, isto é, justamente, uma substância meio corpória, meio espiritual, uma “anima media natura” (alma de natureza intermédia), como a
definem os alquimistas, um ser hermafrodita que une os opostos, que no indivíduo jamais é completo sem a relação com outro ser humano.

O ser humano que não se liga a outro, não tem totalidade, pois esta só é alcançada pela alma, e esta, por sua vez, não pode existir sem o seu outro lado que sempre se encontra no “tu”. A totalidade consiste em uma combinação do eu e do tu, ambos se manifestando como partes de uma unidade transcendente, cuja natureza só pode ser apreendida, simbolicamnete, como por exemplo pelo símbolo da rosa, da roda ou da “coniunctio solis et luna”. Sim os alquimistas chegaram até a dizer que o “corpus, anima et spiritus” (corpo alma e espírito) da substância arcana são todos três em uma e a mesma coisa, “pois todos vêm do Uno e com o Uno, o qual é a sua própria raiz. Um ser que é fundamento e origem de si mesmo não pode ser outra coisa senão a própria divindade...”

Carl Gustav Jung

Copiado de: http://espelhosdatradicao.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

CONTINUAR A ESCREVER É SOBREVIVER...



A ESCRITA...

Para mim escrever às vezes é quase rezar...é um acto que muitas vezes me salva...Penso a escrita de mim para mim como um fio que me liga, um cabo magnético invisível, a outro lado de mim mesma, seja o “inconsciente”, seja o supra – consciente, seja o meu duplo...
O que busco é um fio condutor, uma orientação interior, uma voz inaudível, um eco de mim própria que se repercuta através do espaço e do éter e que me traga as minhas células as memórias, mas também me dê respostas...Algo que me ligue o finito que sou ao infinito a que pertenço, que ligue o céu e a terra, que me una ao Cosmos.

Sinto-me tantas vezes como “uma nómada do cosmos” que aterrou aqui ou caí, não de “pára-quedas”, ou num óvni…mas num corpo físico, de matéria...
Um corpo portentoso e frágil, sublime e miserável à vez...Um corpo de carne e ossos, nervos e sangue, um corpo mágico que dói e dá prazer, um corpo que tem um coração que bate e que tem olhos e chora! Que tem alma que encarna e saudades de “casa”, que tem saudades de uma Mãe Original, para além da matéria densa a das leis físicas que o aprisionam à dimensão tempo e espaço.

Por isso te quero Vida…
(...)
Quero-te Terra, Deusa e Mar
Quero-te vida, oceano e sangue e fogo no meu peito,
Quero-te natureza divina e humana, carne e espírito,
Alma encarnada na forja do tempo,
Dos confins do tempo vinda uma e outra vez...
No teu ventre, Mulher-Deusa, eu quero mergulhar!

in "Mulher Incesto" rlp

TODA A DAMA CANTADA...


“A ALQUIMIA DO AMOR”

É o que justifica que idênticos epítetos, tirados do mundo secular, se apliquem por exemplo à Virgem Maria: ”arca, torre, porta, jardim, árvore, fonte, casa, espelho, oceano, lua, estrela, aurora, monte”, como em Angelus Silesius. Sendo a Virgem tanta coisa de tão variada proveniência, o que se conclui é que a sua realidade é “outra”, como Silesius acaba por dizer: “Ela é um outro mundo.” A sua dimensão é espiritual e divina, só por aí por ser entendida.

Toda a dama cantada nestes termos - variados, opostos, não conciliáveis à primeira vista - está a ser espiritualizada e projectada numa dimensão que não é a do mundo. A mulher que o poeta sublima em belos e riquíssimos tesouros, com um corpo que se dilui ora em matérias tão subtis como a luz, esta mulher que se “apura” nos poemas, faz esquecer a amante real que se deseja. (...)

de Y.K.Centeno

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A DEUSA PULSA NO CORAÇÃO DE CADA MULHER



"Matar el agradecimiento natural de cualquier criatura hacia su madre, es la base de todo este desastre ecológico"."Busquemos a la madre verdadera, a la madre nutridora, la nutrición desapareció de este mundo con el patriarcado. El resentimiento del hijo/a hacia la madre, se debe a esa falta de nutrición, si bebemos de ella, recuperamos el amor y la plenitud perdida".

IN REVERENCIANDO NUESTRA FEMINEIDAD

É verdade, a maior parte das vezes o que escrevo e os textos que publico, têm mais a ver com o que eu penso e sinto urgente expressar, e esqueço um pouco - é um facto - a carência e a solidão de tantas de nós que nos debruçamos sobre a nossa sombra e mergulhamos na busca por vezes tão árdua do nosso ser profundo. O que sofremos quando nos indagamos quem realmente somos do mais fundo das nossas entranhas e o porquê do que desta nossa divisão e luta e de tudo o que fazem com as mulheres neste mundo e as respostas dos homens e da sua "moral" e "ciência" já não nos dizerem nada...


Sim, por vezes eu esqueço-me de que muitas de nós está completamente sozinha no seu canto, na sua vida, no seio da sua família, e a ter de lutar contra tudo e todos para ser verdadeira, para se conhecer e fiel a si mesma...
Porque este mundo dos homens, a forma como esta sua sociedade está articulada, de forma ostensiva, toda ela feita para não dar nada à Mulher que não obedeça aos seus padrões. Toda a mulher que se busca a si mesma e fuja das normas sociais e daquilo que lhe é imposto por regras estabelicidas há muito, é de algum modo apedrejada pela sociedade e pela família, não digo com pedras, como no Irão, mas nas palavras e na violência verbal ou mesmo física em tantos casos.
A "nossa" sociedade burguesa e a sua Igreja sempre excluiram e condenaram as mulheres que não se enquadravam nos seus moldes restritos e que de algum modo procuravam encontrar uma resposta para si mesmas para lá dos tabus e dos esteriótipos de mãe e amante ou de filha e crente, boa dona de casa e boa católica. E ainda hoje, em toda as esferas da sociedade, isso acontece sempre que a mulher foge dos padrões que a aprisionam a esses esteriótipos...ela é acusada, condenada, apupada e ostrasizada... seja qual for o nível "cultural" do homem...

Os homens, mesmo os que se dizem evoluidos...tipos "new age" e que se apresentam como os melhores, parte de uma elite, muito espiritualizados... continuam a rejeitar a mulher que lhes escapa ao controlo e muitas vezes são umas bestas para as próprias mulheres...mesmo esses, não suportam perder o domínnio da mulher e a sua sujeição ao macho e mestre...
Olhem bem a volta e verão muitos exemplos disso.
Ainda ontem, inesperadamente, uma senhora comentava na Televisão como é que num país tão pequeno como o nosso, no anos passado, foram assassinadas 40 mulheres pelos maridos amantes e namorados...
Por tudo isto eu não quero esquecer cada uma de vocês que me acompanha, nem o que sofrem nem o que passam no vosso dia a dia... e eu não esqueço esta ligação do coração à Deusa que nos une e como diz uma amiga neste trecho que lerão de seguida, dessa conexão "inexplicável que me faz sentir, por mais que eu esteja a milhas de distância, conectada a cada mulher da Terra"...

E com ela diz, espero escrever muitos mais textos do coração...

- "Esse foi um texto do coração, Rosa... e seus sonhos se mesclam aos meus. Seus sentimentos se mesclam aos meus. Apesar de todas as adversidades, apesar de todas as provações e todas as diferenças, a Deusa que pulsa no coração e no útero de cada uma de nós, é a mesma. E é essa Deusa que nos faz ter nada e tudo em comum ao mesmo tempo. A conexão não se faz apenas pelo modo de pensar, no qual as divergências naturalmente existem, mas também pelo modo de sentir... essa coisa inexplicável que me faz sentir, por mais que eu esteja a milhas de distância, conectada a cada mulher da Terra. É mais que telepatia, é uma identificação, uma essência, um cheiro... é realmente mágico.Deusa a abençoe por continuar promovendo o despertar dessa consciência, Rosa Leonor. Ela pôs esse desejo em sua alma e te destinou a grandes coisas, e você sem perceber as fez. E guarde em seu coração a certeza de que não estará sozinha. "* (*leitora anónima)

rosa leonor pedro

CAMINHAMOS JUNTAS...


Queria agradecer a todas as Mulheres & Deusas que têm passado por aqui e deixado o seu testemunho e a sua contribuição tão valiosa para o Caminho que todas procuramos trilhar....dentro e fora de nós.

Eu sei que por vezes há pequenas divergências, diferentes pontos de vista, talvez até experiências discordantes, mas apelo a todas as irmãs tantos as mais velhas como as mais novas que se não deixem desalentar e continuem a investir em si mesmas e a confiar na Deusa e nas irmãs que estão a tentar manter-se fiéis a si próprias e ao caminho que escolheram...

Apesar de todos os conflitos e barreiras das suas vidas pessoais, das suas circunstâncias de vida tão adversas...eu creio que um dia elas se darão as mãos e receberão o fruto do que semearam...
Eu sei que há os namorados e os maridos e os filhos...eu sei que algumas de vós se sentem prisioneiras dessas circunstâncias, outras que lhes dão prioridade, outras que se revoltam e nada podem fazer, mas todas as situações da vida nos permitem fazer, melhor ou pior, o trabalho que precisamos fazer para resgatar a nossa natureza profunda.
Não creio que seja fácil manter uma coesão nem uma linha firme no caminho de nós mesmas, na busca do nosso centro e na integração do feminino sagrado...

Muitas de nós nem sonha o que isso é, mas intui e vem devagar com os seus sonhos e indícios, tateando no escuro...buscando a experiência de mulheres mais velhas...outras se indignarão com o meu discurso...julgarão que condeno o amor dos homens...mas não. Apenas defendo que se a mulher não se amar a si mesma e não se conhecer na sua totalidade nunca ela poderá ser amada como sonha ou espera e esse é o seu velho drama.
É que o meu sonho...o meu grande sonho era ver todas as mulheres unidas a construir um Mundo mais justo, uma Terra mais sã...relações humanas mais fecundas e em vez do dinheiro a comandar o sonho fosse o amor...e a paz.

Ah e dizem, porquê só falo das mulheres e então os homens? É simples minhas amigas...é que o mundo foi regido desde há milénios por homens e as mulheres ficaram de fora....reduzidas a pouco mais do que metade de uma metade da humanidade Homem.

rosaleonorpedro

PS
Sem vocês...sem o vosso alento sem nós todas, cada uma de nós, mesmo que invisíveis ou silenciosas - eu tenho a Artemísia comigo há uma década - nós seriamos muito mais vulneráceis e muito frágeis do que já somos...isto é, do que nos fizeram...porque nós somos a Força do Mundo e o seu suporte e sempre o fomos mas sempre nos disseram o contrário...agradeço a cada uma as palavras de amor e a minha vontade de dar tudo cada vez mais também aumenta...é sempre proporcional...ao amor que recebo!

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

O RESGATE DO PRINCÍPIO FEMININO


POR: Leonardo Boff

O poder é uma das características fundamentais do masculino no homem e na mulher. O poder na forma de dominação, entretanto, representa uma patologia. Por isso, nossa civilização, estigmatizada pela dominação em quase todas as áreas, produz a inflação do masculino, do patriarcalismo e do machismo. São produtos do patriarcado o tipo de ciência que praticamos e o tipo de desenvolvimento que operamos. Ambos são reducionistas, fragmentados e excludentes da natureza e da mulher. Nesta forma, o poder-dominação não desumanizou apenas os homens, mas também as mulheres. Os homens recalcaram sua dimensão de anima e não permitiram que as mulheres realizassem sua dimensão de animus. ***

Em razão dessa errância, fica claro que a questão do masculino, nos dias de hoje, reside no feminino negado, reprimido ou não integrado.
Para ser plenamente humano, o homem precisa reanimar nele o seu feminino e reeducar o seu masculino. Somente então podem ambos, homem e mulher, entreter relações civilizatórias, humanitárias e realizadoras do mistério humano feminino-masculino.

A grande tarefa civilizacional, talvez a mais urgente nos dias atuais, consiste no resgate do princípio feminino. Chamo atenção para o fato de que não falo de categoria feminino/masculino, mas de princípio feminino/masculino. Afasto-me decididamente da ideologia do gênero, sexista, baseada no sexo biológico, que constrói social e culturalmente as categorias do masculino e do feminino de forma dualista e excludente. Ela distribui os papéis, os valores e os antivalores: a criatividade, a atividade e a violência tributados ao masculino; e a passividade, a receptividade e a não-violência, ao feminino.

Precisamos ultrapassar essa visão excludente e entender a sexualidade num nível ontológico, não como algo que o ser humano tem, mas como algo que ele é. O masculino não diz respeito somente ao homem, mas também à mulher. O feminino não ganha corpo apenas na mulher, mas também no homem. Esse feminino representa o princípio de vida, de criatividade, de receptividade, de enternecimento, de interioridade e de espiritualidade no homem e na mulher. Portanto, trata-se de um princípio inclusivo e seminal que entra na constituição da realidade humana.

O resgate do princípio feminino junto com o do masculino propicia uma nova inteireza à humanidade, ao transcender as distorções na relação homem-mulher e ao ultrapassar o sexo biológico de pertença. Significa não somente libertação dos humanos, especialmente da mulher, mas também da natureza e das culturas não estruturadas no eixo do poder-dominação, equiparadas ao fraco e ao frágil - portanto, ao feminino cultural.

A recuperação do princípio feminino permite um processo de libertação mais integral e verdadeiramente includente, pois parte do feminino oprimido. O oprimido tem um privilégio histórico e epistemológico pelo fato de possuir uma percepção mais alta que inclui o opressor enquanto ser humano. O opressor exclui o oprimido, pois o considera uma coisa ou um ser humano menor, subordinado e dependente. A libertação deve começar pelo oprimido para acabar com o opressor. Só então ambos se encontram sobre o mesmo chão comum, como humanos, construindo juntos, na igualdade e na diferença, a sociedade e a história.

A inclusão do princípio feminino obrigará toda a cultura masculinizante a questionar seu paradigma fundacional. Ele radica-se no poder-dominação, hoje vastamente em crise. O pensamento da crise, no interior do mesmo paradigma, não pode trazer soluções. O veneno que mata não pode ser o remédio que cura. Os únicos que podem oferecer algo alternativo e terapêutico são aqueles que foram vistos como incapazes de pensar, por não serem suficientemente racionais e produtivos. Ora, os que pretendiam trazer as luzes (os iluministas) nos conduziram às trevas atuais. Os que se propunham a difundir a razão, a ciência e a técnica por todos os quadrantes nos estão conduzindo ao pior, à destruição e ao desaparecimento.

O princípio feminino é sanador e libertador, pois se move num outro paradigma e opera numa outra lógica. Seu paradigma básico é a vida, e não o poder; o respeito e a veneração pela vida, e não a agressão e a dominação. A lógica da vida não é a redução e o isolamento, arrancando os seres do seu meio real e analisando-os em si mesmos ou manipulando células, genes e microorganismos fora de seu ecossistema. A lógica da vida é a complexidade, é a teia de interações em todas as direções e em todos os lados, é a sinergia e a panrelacionalidade.

Ora, o feminino consiste na capacidade de viver o complexo, de elaborar sínteses, de cultivar o encantamento do universo, de cuidar da vida, de venerar o mistério do mundo, de elaborar um desenvolvimento com a natureza, e não contra ela, de alimentar o esprit de finesse para contrabalançar o esprit de géometrie.

O feminino - porque obedece à lógica do complexo e porque naturalmente é inclusivo - representa o único caminho para a humanidade, para um planeta sustentável e para a convivência pacífica e solidária entre o Norte e o Sul.

A introdução do princípio feminino representa um desafio ao paradigma machista, cujo desenvolvimento e prática técnico-científica implicou o domínio, a destruição, a violência, a expropriação e a marginalização da mulher e da natureza, hoje considerados supérfluos. O princípio feminino propicia uma economia política da vida, devolve importância à natureza, resgata o sentido da Terra como Grande Mãe, superorganismo vivo, Gaia e Pachamama. Ele se transforma num caminho não violento de interpretação e transformação do mundo, num reforço de todos os processos sinergéticos que respeitam a diversidade e que nela buscam convergências que interessam a todos, o bem comum humano e sociocósmico.

O homem que evoca em si e integra sua dimensão de anima incorpora, junto ao seu vigor, a ternura; junto ao trabalho, a gratuidade; junto à razão, a emoção; junto ao logos, o pathos e o eros. Ele emerge mais humano, relacional e liberto das malhas que o desumanizavam e desumanizam a mulher e a natureza. Agora, diferentes e juntos, podem construir o humano de forma mais dialética, tensa, dinâmica, aberta a novas e surpreendentes sínteses.

Copiado de: http://grupelho.com/textos/principiofeminino.htm


NOTA À MARGEM:

O QUE OS HOMENS NÃO PERMITIRAM A MULHER VIVENCIAR E EXPRESSAR FOI JUSTAMENTE A SUA DIMENSÃO DE ANIMA...


Neste texto tão correcto e lúcido de um grande homem que faz justiça e traz luz a um dos aspectos mais complexos e difíceis da nossa sociedade de hoje, eu só discordo de um ponto e faço questão de o salientar porque me parece um "erro" grave... quando ele diz nesta frase: "Os homens recalcaram sua dimensão de anima e não permitiram que as mulheres realizassem sua dimensão de animus." Eu penso que o que aconteceu foi que os homens proporcionaram á mulher sim, desenvolver em excesso o seu aspecto animus...e não o seu aspecto anima, decerto; a meu ver dá-se precisamento o contrário do que ele afirma. E de tal modo as mulheres desenvolveram o seu aspecto masculino que hoje em dia poucas ou raras mulheres são verdadeiramente femininas e o feminino que vemos nos filmes e nas modas - a sua estética - é o feminino que os próprios homens inventaram e que não passa de um mero travesti da verdadeira mulher e que eles por sua vez também se travestiam quando o seu lado feminino se manifesta em excesso e deturpadamente.

A questão como diz o autor nada tem a ver com géneros pois "Precisamos ultrapassar essa visão excludente e entender a sexualidade num nível ontológico, não como algo que o ser humano tem, mas como algo que ele é." e afasto-me igualmente, pois sempre mantive essa posição "da ideologia do gênero, sexista, baseada no sexo biológico, que constrói social e culturalmente as categorias do masculino e do feminino de forma dualista e excludente."

Rosa leonor pedro
Texto e Citações de Leonardo Boff