segunda-feira, abril 04, 2011

HINO A DEMÉTER

…na noite, em vigília, cantam as raparigas, cantam a tua amada, de violetas cingida. Safo - fragmentos

HINO A DEMÉTER

Lembro-me, Mãe, dos confins da minha memória recordo
A tua beleza e grandeza!
Lembro-me do ser dócil e humilde que eu era
E das serpentes brandas que passeavam a teus pés.

Lembro-me do teu sorriso,
Da tua voz que se repercutia como sinfonia em todo o meu ser,
E a minha alma dançava e vibrava no teu amor extasiada.

Nesse tempo o céu resplandecia e na terra era eterna a primavera.

Lembro-me das tuas filhas ornadas de grinaldas vestidas de branco em volta de ti,
E quando um gesto teu iluminava o arco-iris sobre as nossas cabeças irmanadas.

Lembro-me desse tempo, Mãe, e sagrado era o tempo
Em que os frutos eram sedosos e doces afagados pelas tuas mãos.

Lembro-me do teu ser repleto de luz,
Da tua ternura escoando dos teus lábios de mel
E de ti, abelha mestra, rainha de uma colmeia.

Lembro-me, Senhora
E nada me liberta desta visão-encantamento que é neste o meu refúgio.

Ah! Que dom deveria eu ter para te evocar neste mundo maldito,
Onde fomos perseguidas, queimadas vivas nas fogueiras da Inquisição
E exploradas como instrumentos de prazer e ódio?!

In Mulher incesto – Sonata e Preludio
rlp

Sem comentários: