"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

segunda-feira, junho 13, 2011

MULHERES e

  “Máscaras”

"Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras. É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mas precisamente elAs são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre".*

…COMO SE NUNCA a ENCONTRASSE…

Aqui o autor lamenta a falta de alma dessas mulheres e contudo são elas quem despertam de maneira mais intensa o desejo dos homens… Isto de algum modo quer significar que para o autor as mulheres não tinham alma…

Trata-se como é óbvio da mulher fatal, a mulher imagem…a mulher que eles, homens e escritores, inventaram nas suas personagens, nas imensas faces multifacetadas da mulher, uma das muitas e variadas máscaras que eles inventaram para as mulheres que desejam “ideal” (DOMINADA E SUBMISSA) nesta rejeição do eterno feminino em si, na busca da sua anima, na busca da sua própria alma…

É neste autor como em outros autores e poetas de renome, bastante notório o conflito interno em que eles se debatem. De um lado a necessidade sexual, o desejo, e do outro a rejeição da mulher externa, que lhes mete medo; porém, move-os não só a necessidade do seu feminino em si, a sua anima, como o da Mulher exterior que a espelha, mas que eles transformaram na mulher objecto por não suportarem a mulher autêntica. E assim dividida em partes, a mulher, eles não conseguem apreender a sua essência e negam-lha a alma. Ficando eles mesmo divididos neste eterno conflito, entre o seu desejo de um lado, e por outro, o desejo de castidade motivado pelas suas tendências apolíneas, virados para o céu, e o medo do ctónico, da mulher selvagem e das profundezas que os aglutina e de que têm medo. Eles temem a Natureza Mãe e os seus contornos imprevisíveis como temem a Natureza da mulher; eles temem a mãe que os concebe, como temem a terra que os acolhe quando morrem. Todos esses impulsos contraditórios levam o homem a negar, a repudiar e a rejeitar a mulher essência, a mulher instintiva, que a religião patriarcal e os seus dignitários afastaram da vida real, da vida da sociedade, contentando-se com os seus simulacros, perseguindo as mulheres integrais que lhes davam corpo e alma…fossem elas sacerdotisas da deusa, filósofos ou sábias, feiticeiras, curandeiras, ou as bruxas da Idade Média. Assim, transformaram-nas em esposas e amantes, concubinas cortesãs e prostitutas, comprando-as e pagando o preço da sua anulação ao longo dos séculos até hoje, em que convivem com mulheres de silicone e bonecas insufladas.
rlp



*Friedrich Nietzsche

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