quinta-feira, junho 23, 2011

SER… OU NÃO SER... FEMINISTA…




A depreciação do termo usual de feminismo ou das feministas e as suas variantes foi feita pelos intelectuais homens evidentemente e homens de poder mediático ou político, ridicularizando-as a partir da queima pública dos sutiãs, nos EUA e depois cá, e daí associando sempre as mulheres feministas a todo o tipo de reivindicações semelhantes, como ridículas, excessivas e inúteis. Esses espíritos mantêm-se nos meios intelectuais e burgueses hoje de forma inconsciente…Ainda ontem uma antiga deputada, ao fazer o elogio da nova Presidenta da Assembleia da Republica portuguesa, eleita pela 1º vez uma mulher para esse cargo, disse logo de seguida, “eu não sou feminista”!  

Esta depreciação do termo, feita pelos homens de poder, resultou porque mesmo as mulheres que mais tarde se inseriam na política, tirando as militantes feministas, (as do partido comunista) se diziam não feministas porque não queriam ser ridicularizadas pelos homens e aceites nos seus pódios. Por outro lado, as mulheres que se sentiam femininas, fora dos padrões marxistas e que não optavam por um aspecto "masculino”...também não se identificavam com elas porque lhes negavam essa “feminilidade” que as feministas consideravam ser da “mulher objecto” (minissaias, saltos altos, maquilhagem etc.) ao serviço do homem, e portanto também não queriam ser feministas, para não falar na grande maioria das mulheres que eram domésticas e nem sabiam o que queriam ser ou não ser… Portanto há aqui todas estas mulheres que não se associavam às lutas de conquistas de direitos e igualdade das mulheres. Mas há ainda um outro grupo, digamos, as religiosas ou as místicas que também não se identificavam com as feministas...

 Assim muitas mulheres ficaram de fora dessa luta…


Resta saber qual é a sua porcentagem e a sua validade quanto às restantes mulheres no mundo...
Para além de tudo isto há ainda muita confusão acerca do que foram ou são as feministas hoje, como há muita confusão acerca de tudo o que defenderam como benefício ou “igualdade” para as mulheres. Isso trouxe tanta ou mais confusão do que a que já havia em relação ao que é para mais importante: o QUE É SER MULHER EM SI e qual o sentido do Sagrado da Vida…

O problema justamente começa no facto de que as mulheres sempre se viram e reflectiram em relação aos homens, viveram sempre em função dos homens, ora a favor ora contra, mas sempre viveram em função do masculino e tendo o masculino como referência única e o que eles homens escreveram sobre as mulheres e não foram elas mesmas às origens do cisma da divisão da mulher em si e do porquê haver dois tipos de mulher...o porquê da inferiorização do feminino, partindo da ideia marxista de que a igualdade material e económica lhes daria dignidade e direitos e não de uma verdade ontológica para lá do material e aí foi o seu grande erro. Não foram ao princípio nem à origem do seu ser e não se questionaram sobre a sua verdadeira Natureza, mas sim e apenas ao nível das ideias e filosofias e das religiões masculinas e opondo-se e confrontando-se com os homens. Nunca partindo de si mesmas uma vez que a Mulher só existia como metade EVA…e foi assim que ela caiu no logro! Depois de ter sido  culpada do pecado pela religião que negou...e ser a grande pecadora, caiu de novo no logro dos homens e das suas filosofias...

Eu fui feminista no sentido estrito da palavra quando tinha 20 e poucos anos...fui marxista, e activista...nos anos 60...e 8 e 9…lutei e expus-me para que a mulher em Portugal pudesse votar pela primeira vez…porque não podia votar! E em consequência disso tive de fugir à PIDE (polícia do Estado, tipo Gestapo) para Paris (digo isto meio a brincar, mas foi sério). Acabei por regressar surrealista é verdade e só depois de entrar numa via espiritual (e começar a olhar para dentro) é que a mulher essencial acordou em mim e ai começou a sua busca e a busca do Feminino Sagrado. Não foi um processo intelectual o meu...Não. Foi uma evolução interior...e um caminho e continua a ser um Caminho de Consciência de dentro para fora...não são ideias acumuladas de aqui ou ali, baseado em livros escritos. São a minha experiência.

As feministas aparecem em meados do século dezanove…e a sua luta começa nas fábricas com a industrialização. Apareceram algumas escritoras a defender e a escrever a sua causa. Houve grandes militantes da causa. E sem dúvida que isso foi extraordinário…e que significou uma conquista…o que eu não sei é até que ponto isso ajudou os homens e o Sistema a aproveitar-se disso para converteram as mulheres em homens, polícias, soldados, deputadas… e travestis…E é aqui que bate o ponto minhas caras…Difícil para mim dizer à luz da consciência do feminino sagrado se essas lutas por direitos e igualdades ajudou as mulheres a caminharem para o seu verdadeiro feminino ou se ainda as afastou mais do seu centro e do seu ser intrínseco… “espiritual e anímico”…


E onde desaguámos todas e todos com tantos direitos e igualdades? A nenhum lado, há maior alienação do humano, menos direitos humanos e mais fome e miséria no mundo, do que nunca houve, pois a nossa evolução fez-se a custa dos mais pobres do mundo…e há mais egoísmos do que nunca porque há menos fé, e porque o consumismo se transformou no deus e os centros comerciais e os bancos catedrais e essa ideologia invadiu tudo e todos. Construímos sociedades aparentemente justas e democráticas e vemos hoje que tudo não passa de uma farsa e de uma mentira sustentada pela exploração de milhões de seres humanos, mulheres e crianças em particular e na morte de milhares de pessoas por guerras movidas pelo capitalismo (ou pelo comunismo) pela invasão de países por causa do petróleo…

Hoje com a globalização em todos os países civilizados vive-se o excesso de consumismo e a sua ideologia que substitui tudo o que lhe era anterior,  não havendo já  verdadeiramente ninguém a lutar por direitos e igualdade porque na verdade todos querem ter é mais dinheiro…e é por isso que lutam.


E não podemos chamar feministas as guerreiras de outras eras se as houve e não podemos chamar feministas às amazonas como não podemos chamar feministas às feiticeiras ou às bruxas perseguidas na idade média …Porque não o eram…eram só MULHERES PERSEGUIDAS A LUTAR PELA VIDA.


Por isso quando digo hoje que: “NÃO SOU FEMINSTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA” (a.h.) isso quer dizer muito mais do que se possa ler a partida… Porque fala de uma condição antropológica, de uma história global, de uma acção cultural, de uma guerra “santa” contra o Ser feminino promovida pelo ser Homem que perseguiu e desnaturou a mulher essência, que a anulou no seu potencial e essência, que a vitimou nas suas guerras, que a reduziu a um verbo-de-encher em casa e a prostituiu na rua. E é a causa disso, a origem desse cisma na Humanidade que importa apurar e ter consciência e não as lutas das mulheres por isto ou por aquilo, por mais nobres ou válidas que sejam não deixam de ser transitórias pois só quando soubermos as causas verdadeiras que estão por detrás deste cisma tão antigo como o mundo, dizem, saberemos interpretar quais foram os seus desígnios e quais são agora os nossos poderes para nos libertarmos da canga e devolver ao mundo uma mulher inteira e indivisível…A Mulher plena, a mulher sangue, a mulher útero que dá vida e a mulher oráculo que detém a Palavra sábia e a verte do coração e move montanhas…

RLP

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