"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, julho 26, 2011



AS VEZES, A TRAVESSIA DO DESERTO...

No tempo do deserto tudo é imensamente lento... é o tempo da alma. É o tempo em que nos aproximamos do nosso outro eu, da essência, daquela que viveu noutros espaços que faz parte de nós, que não está aqui aqui, mas que sentimos próxima....
É o tempo em que captamos os sonhos. O deserto aparece nesse espaço em que ainda não sabemos o que é, mas sabemos que existe.... é o espaço do pressentir....por isso a inquietação, a má lua, a saudade...
O tempo do deserto é o tempo do ser feminino, que acolhe o universo em si. É também o espaço da sede e da busca do oásis e por vezes das miragens.....mas esta só se sacia quando o pressentir se transforma em sentir consciente, quando a inquietação dá lugar ao sentido, à imagem, à ideia, ao conceito... Assim é o tempo do ser mulher; Um tempo que passa por desertos e oásis.

ANA VIEIRA

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