quarta-feira, agosto 31, 2011

A VAMPIRIZAÇÃO DA MULHER


“…o problema de vampirismo psicológico a que as mulheres estão frequentemente sujeitas...” S. D.

Esse vampirismo das mulheres, deriva invariavelmente do seu vazio emocional e da sua falta de centro ou identidade própria.
A mulher ao ser criada e educada exclusivamente para servir o homem, como filha amante e mãe…e mesmo que estude e se forme, é para ainda melhor servir o homem ou a nação, e nesse caso ela perde completamente a sua identidade, a sua razão de ser individual. E apesar de todas as aparentes transformações que hoje em dia lhes dão uma falsa cultura de liberdade…ela não passa afinal de uma manobra dos homens para as fazer continuar presas ao sistema e passarem a ser agora, não só a esposa e amante ou a mãe, mas também a académica, profissional, trabalhadora, empregada, polícia, militar ou acompanhante de luxo para além de prostituta, continuando sempre a acarretar com as expensas da casa e dos filhos…
Sempre esvaziada de si, dividida em estereótipos, sempre explorada em casa ou no trabalho, sempre vampirizada emocionalmente…
Claro, para as feministas,no início, parecia que isso poderia mudar se as mulheres ganhassem dinheiro, tivessem um ordenado igual ao dos homens e os mesmos direitos, mas elas não viram direito o que eram os direitos dos homens…e tudo ficou muito baralhado, mais sofisticado e as mulheres pouco ou nada ganharam com isso…aparentemente sim…mas a prisão é a mesma – apenas a pílula é dourada - e as doenças e as depressões e os cancros da mama e do útero provam que elas continuam sugadas pelos homens e pelos mau tratos, pelo cansaço, mesmo que só psicológicos o que é transversal a toda sociedade.

Seja como for em momento algum a mulher passou a equacionar a sua vida que não fosse em função de um qualquer destes aspectos…ela terá forçosamente de ser em função do homem=sociedade…ela não tem nem nunca teve vida própria, vida em si, nem sabe ainda o que fazer consigo se ficar sozinha. Continua a viver só para o outro e a perseguir o sonho romântico do homem que a há-de salvar…
Dir-me-ão que o homem também…que vive para a mulher, mas não é bem assim. O homem é auto-suficiente e não depende da mulher para ser o que ele quer. Ao homem é dada uma identidade fálica e de poder que lhe dá supremacia sobre tudo e quando isso não chega agarra em armas e dizima os povos ou viola as mulheres. Não precisamos de usar o modelo extremo de Kadaffi…com as suas 400 mulheres virgens suas guarda-costas e que ele e filhos e os seus militares a quem o “ditador” fornecia Viagra, violavam quando queriam. O Viagra, essa maravilha da ciência médica que serve para estimular os homens na cama em casa na guerra…pau em riste, espada e canhão…sendo o homem sempre um predador da mulher. Claro que a cultura falocrática convence a mulher de que essa é sua necessidade e que ela é insaciável e que sem coito ela não vive…porque ela é (existe) só em função do falo…sim, o “falo logo existo”, e esse é o domínio do homem sobre a mulher. Não só os escritores em geral como os filmes pornográficos, mas também os psicanalistas de renome e estudados nas universidades promovem e divulgam esta cultura…e que toda as mulheres e homens do mundo consomem…
Estes exemplos podem parecer caricatos quase, não fossem trágicos, mas nós lemos isto com um fait divers…como lemos e assistimos a tudo como um grande filme de ficção e como já não sabemos distinguir o real do fictício, nem sequer pensamos no que tudo isto significa na realidade e assim também vemos a mulher ser vítima das piores atrocidades no mundo e achamos que é irrelevante face à Crise…e ao nosso problema económico…

Quando eu digo que a mulher não tem identidade…que foi amestrada pela sociedade para servir e cumprir um papel, muita gente me acha radical…mas quando eu olho a Mulher e vejo que ela não é mesmo nada em si a não ser como mulher objecto…ao serviço da espécie…eu não me sinto como tal…o que eu sinto é que isto é uma atrocidade enorme e que as mulheres tinham de acordar deste sono milenar, desta anestesia geral que as torna sonâmbulas e obedientes…e que quando se revoltam e se despem…fazem-no ainda expostas aos predadores e continuam vítimas dos seus assédios e dos seus instrumentos de propaganda. Como é o caso das marchas das vadias ou das putas…Não é expondo a sua nudez em nome da sua liberdade, nem do seu corpo que elas vão ser elas mesmas…mas saindo dessa escravidão interior…desse plano de inferioridade que as leva a reagir ao mesmo nível e com as mesmas armas e em que sempre perdem…
As mulheres só têm um caminho…um caminho interior de consciência do seu feminino profundo e resgate do seu ser essencial…Mais nenhum caminho dará à mulher auto-estima a não ser o reconhecimento do seu poder interior enquanto mulher, enquanto ser autónomo na integração das suas partes fragmentadas e divididas. O caminho da mulher não é o de auto-mentalização espiritual ou pensamento positivo, aderindo aos sistemas de crenças que as aprisionaram durante séculos e que em nada mudaram ao exigir dela tudo…amor incondicional, paz, santidade, pureza e fragilidade e entrega etc.
O caminho da mulher é o redescobrir da sua força interior, da deusa em si, da mulher que emerge dentro de si mesma a mulher que se ergue e se distancia da mulher que foi narcotizada, drogada, vampirizada e negada como uma totalidade. Trata-se do resgate da sua mulher selvagem, da sua Medusa, da mulher primeva, Lilith, a mais oculta das sombras da mulher…
Afinal, trata-se da sua verdadeira identidade, a sua Anima, a sua força criativa…e só Lilith poderá libertá-la da saturação do masculino e do seu domínio sexual e emocional que a vampiriza em todos os sentidos…Sem que a mulher se redescubra e se reestruture a partir desse íntimo ser em si mesma - no mais recôndito dela mesma - ela vai continuar a “dar-se” sem limites ou a vender-se…vai continuar a ser absorvida pelos homens, pelo sexo, pelos filhos e pelo sistema…continuará a escrava de um escravo…
rlp

4 comentários:

Filipe Mafambisse disse...

Obrigado Rosa. Obrigado por este texto esclarecedor, por este grito de revolta para que se inicie a libertação interna da mulher, contribuindo com isso para a libertação da humanidade. Como diz no texto, não a libertação da escravidão mundana em que as mulheres se deixaram cair mas o acender da centelha de Vida que as levará à Luz, à sua própria Iluminação.

Rosa Leonor disse...

Obrigada eu meu amigo. So hoje vi o seu comentário e ão sei se lhe chegará...
um abraço

rosa leonor

En!o disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
En!o disse...

Não concordo, acho que para o homem ocorre o mesmo sentimento, porém ambos só tem a capacidade de notar a falta de quem nos interessa, hoje existem legiões de homens criados por mulheres que tem o mesmo comportamento generoso delas mas são submissos a elas por isso. o problema é a natureza humana queremos sempre o que nos oferece maior desafio... A postura da mulher mudou, ela tem muito mais independência sim e pode ser tão cruel ou mais como qualquer homem. Hoje só existe mesmo a diferença na força física e que mesmo assim torna-se pequena perto do poder de barganha sexual que a mulher tem em mãos. num mundo "civilizado" e cosmopolita como o da geração 3.0. Beleza vence músculos. E os apelos miseráveis do prazer tem vindo antes antes da dedicação árdua. Tantos homens como mulheres tem se usado como objetos numa troca mas as mulheres não enxergam isso com tanta clareza pois são mais emotivas. Ah sim, para concluir amo muito mulheres sou homem hétero e gostaria até de ser uma mulher, acho que cada um tem sua cruz, pois não pensem que os homens não sofrem como vocês, principalmente os da geração atual. É muito ruim ter que fazer papel de "homem" pra poder ter amor e respeito.
A maioria sofrem calados. porém não consigo não externar que as mulheres também tem sua parcela significativa de culpa, nesse tal expectativa social citada, pois de modo quase instintivo elas demonstram clamar por isso, mesmo as de educação livre e não patriarcal. Cada um acaba por ter que ocupar seu papel na vida, não aceitar isso é fruto de uma condição da consciência humana e não das diferenças de gênero... Pelo olhar biológico, tudo parece estar bem alheio a historiografia e vir mais de dentro, do genótipo.