sexta-feira, novembro 25, 2011

A descriminação na base do sexo...


ESTA TROCA SURGIU NO FACEBOOK A PROPÓSITO DESTE POSTE:

Ainda há homens que duvidam...ou preferem branquear a questão.

"Todos os dias há mais mortes de mulheres e raparigas vítimas de várias formas de descriminação com base no sexo, do que as causadas por qualquer outro tipo de abuso de Direitos humanos"
D.A.

Cláudia Mello:

- É impressionante que isso ainda aconteça em pleno século 21.

Rosa Leonor Pedro:

- Sabe, mas a mim impressiona-me mesmo como é que há homens "cultos" e outros "espirituais" que querem escamotear esses dados...em nome não sei de que evolução. É que tenho "amigos" que se incomodam com o meu discurso "feminista"...por focar estes dados, sem olhar o OBVIO...

Cláudia Mello:

- Rosa, compreendo perfeitamente o que vc diz e acrescento: existem homens que, efetivamente, trilham o caminho da espiritualidade e do desenvolvimento humano, mas na prática diária continuam sendo tão autoritários e machistas quanto qualquer... criatura sem cultura e sem vida espiritual. Talvez eles consigam ver a divindade da Virgem Maria e a sabedoria de Sofia, mas não consigam enxergar isso nas mulheres com as quais convivem.

Rosa Leonor Pedro:

- Tocou no ponto Cláudia...é exactamente isso e quando o assunto é trazido à baila eles não gostam porque se espelham na sua contradição. Claro é fácil admirar a Virgem no altar e a Sabedoria de Sofia desde que estejam nos céus...mas a Mulher... concreta...essa eles querem continuar a manipiular e a julgar. E estou a falar dos que conheço. Um deles sempre dominou as "meninas" que estavam debaixo da sua tutela "espiritual"...e era tudo por amor ao mestre...manipulou emocionalmente e talvez nem disso tivesse consciência, mas mais tarde seduziu e aproveitou-se dessa rendição incondicional das mulheres a autorifdade do pater que utilizou  a seu belo prazer e sempre muito querido  e santinho...

Cláudia Mello:

- Sim... Amar gente de carne é osso é bem diferente de amar deusas distantes. Outra questão que acho impressionante é que muitos homens querem liberdade e entendem que "dão" liberdade às mulheres através do desprezo/abandono (exemplo: "por mi...m vc pode fazer o que vc quiser que eu não me importo") Ora, se ele não se importa, então não é questão de liberdade, é questão de não dar a mínima mesmo! O mais triste disso, Rosa, é que muitas vezes nós mulheres acabamos por vivenciar esse tipo de coisa, pelo fato de enxergarmos aquelas tais qualidades já citadas (espiritualidade, cultura, inteligência). Venho refletindo muito sobre isso e creio, de verdade, que a solução está em uma mudança interior das mulheres. Amar a si mesma de uma forma inteira, plena, que não dê abertura para que este tipo de situação aconteça.

Rosa Leonor Pedro:

- Estamos a tocar num ponto essencial Cláudia...acho que é urgente as mulheres aperceberem-se disso, e de fazerem essa mudança interior...Sabe que em Portugal, onde quer que haja conferências, palestras, workshops, quaisquer seminários de astrologia ou espiritualidade a grande maioria são sempre mulheres, e raros homens aliás, tirando os palestrantes...e elas não dão por isso; muitas vezes nem se apercebem como são digamos desprezadas enquanto mulheres pela cultura-conceito-palavra..."O Homem...diz-se sempre "o homem" e nós homens (memso que não hajam homens!) e o homem é a regra etc."...E nem uma palavra sobre a mulher essência e o feminino sagrado...digamos; bastava a inclusão na lingua...porque em vez de se dizer "o homem" se pode dizer sempre o SER HUMANO e é tão simples. E a mudança começa na linguagem...começa nas mulheres se amarem a si mesmas, na sua atitute consciente, na sua auto-estima.
Aí está uma coisa que eu aprecio na forma de escrever do Nuvem que Passa...e também no Fernando Augusto...o feminino está sempre presente e a mulher é respeitada.

Fernando Augusto:

- É um esforço para superar o condicionamento sócio-cultural o escrever levando em conta o feminino, quando a própria linguagem nos leva a identificação com o masculino. Este condicionamento é tão poderoso que até hoje estranho a mim mesmo qu...ando escrevo queridas(os), e se isso se dá na esfera da linguagem imagina o esforço a ser empreendido no campo das atitudes... fomos muito bem adestrados em nossa visão de mundo, um adestramento que tornou-se uma forma de castração-cisão do masculino e do feminino...

Cláudia Mello :

- Sim, costumo brincar entre as amigas, dizendo que até mesmo os bons homens, como o meu sócio, ainda precisam ser lembrados de certos detalhes...rs Mas também é verdade que muitas mulheres precisam ser lembradas disso! Eu fiz questão de cria...r meu filho (tenho apenas um menino, aliás, um rapaz, prestes a completar 19 anos) o respeito à mulher, tanto através de conceitos quanto exemplos que iam acontecendo em sua vida prática. Isso sem falar a importância de ensiná-lo a cozinhar e a arrumar as suas coisas (apesar que nesta parte de arrumação ele deixa a desejar, mas cozinha bem) Enfim, hoje ele mora com o pai, mas sempre conversamos e vejo que o que ensinei está se refletindo em suas atitudes...

Rosa Leonor Pedro:

- Este diálogo devia ser relevado...vou ver se o consigo juntar por inteiro...e publicar aqui ou no Bolg...obrigada aos dois pela sensibilidade e empenho...abraço grande...deste Portugal...à espera da sua Hora.
***

E AQUI está o resultado excelente de uma troca entre mim e Cláudia Mello do http://viatarot.blogspot.com/   e Fernando Augusto de Pistas do Caminho http://pistasdocaminho.blogspot.com/

8 comentários:

Nana Odara disse...

é o sistema da espada...
naturalmente as pessoas mais frageis são as que mais são vítimas...
é o caso da mulher...

mas o fato de nos indignarmos com essas mortes é relevante... antes ninguém dava conta disso...

falo com pessoas simples sobre mutilação feminina e outras bárbaries, e as pessoas não tinham a mais vaga ideia de que essas coisas aconteciam...

é o poder da informação da divulgação... com todos os pesares e dificuldades a sociedade está mudando sim...

mas é diferente a informação sobre uma realidade distante da nossa cotidiana... a nossa violência tbm não vemos fazemos vista grossa... a nossa vizinha que apanha, não a defendemos... as crianças tbm vítimas permanecem indefesas...

eu já denunciei algumas vezes e sei, as vezes resulta... mas algumas vezes nem sinal da policia... já até debocharam de mim - por causa do meu sotaque brasileiro...

mas é assim mesmo... temos de ir em frente... temos de acreditar...
ou não estaríamos aqui... se estamos é por achar possível... ainda q por vezes pareça impossivel...

mas somos artesãs do impossível querida... não é brinquedo não...
beijo carinhoso...

Nana Odara disse...

Agora uma coisa importante Rosa...
é que a nova geração é muito diferente da sua e da minha tbm...
nós duas conseguimos dialogar, mas para vc dialogar com uma menina de 20 ou 15 anos é mais complicado... ultimamente tenho ouvido mais minhas alunas, tenho prestado atenção nelas...
Não adianta chegar chegando... tem de ser com um jeito diferente... mas eu acredito muito na nova geração... por mais loucos q sejam ou pareçam ser...

antes de ir p portugal trabalhava sempre o mito do amor romantico e o complexo de cinderela... desmistificando, mostrando a realidade...

hj em dia, 10 anos depois não preciso fazer isso... posso contar nos dedos quantas alunas minhas tem planos de se casar... elas só pensam em estudar e ser independentes... casar ou tem filhos tá bem abaixo na lista das prioridades delas...

então agora falo mais sobre a união das mulheres... fizemos a peça da lisistrata... então na peça coloquei várias vezes a frase... qdo as mulheres deixam de lado a rivalidade e se unem são mais poderosas do q imaginam...

sei q isso vai se refletir na vida futura delas...

mas não posso nem quero impor minhas ideias ou crenças a elas... não vai resultar... nem haverá gurua fminina, hierarquias, nada disso... as mulheres não conseguem lidar bem com líderes femininas... entre nós as coisas só funcionam horizontalmente, em círculos... aprendendo e ensinando mutuamente... tem de haver di-alogo... tem de haver troca...

nisso as mulheres mais velhas tem mais dificuldade, da geração anterior à sua, a sua geração tbm, da minha mãe e tias... elas querem tudo na base do falei tá falado, respeite meus cabelos brancos...

isso não funciona com essa nova geração, eles não aceitam imposição, então vão fazer o caminho delas... mas é valido na mesma... e eu penso que elas já estão bem melhor do que a minha geração ou a sua, da minha mãe ou daminha avó...

no geral, estão...

mas claro, ainda falta muita coisa...

e se olharmos só os problemas, os defeitos, então, sempre existirão... mas se olharmos com os olhos do coração, veremos sim as mudanças... eu me sinto otimista... é isso q me dá forças p continuar...

beeeeeeeeeeeeeeijos

guiomar disse...

é imprecionante, os homens acham que podem ter todo direito sobre as mulheres só por causa do sexo. Para eles as mulheres só servem pra isso, ou podem tambem achar que as mulheres é como um objetoque pode usar e jogar fora. Mais não é e nem pode ser assim. Mesmo aquelas que vivem atravéz do sexo merecem respeito tambem, pois para elas essa é a sua profição. Emesmo que seja, merecem todo respeito .

Rosa Leonor disse...

Nana: Todas essas questões do meu ponto de vista são relativas, não defnitivas nem mundias nem homeogéas... Eu percebo o que você quer dizer, mas para além de não acreditar na mundança que se baseia ainda nos velhos moldes e em ideias "modernas" criadas do exterior e que não beneficiam a mulher. As jovens estão cada vez mais longe da sua essência e formatadas pelos programas de televisão qeu lhes impos uma liberdade de pacote...onde entram as plásticas o silicone e as bundas como coisa normal e tantas outras loucuras que se fazem com o corpo que não se aceita porque a moda ditou. Há de facto algumas excepções a começar por si...e outras tantas como eu...mas a mioria continua a ser condicionada pela mente oficial, pela educação social e pelos novos preconceitos que são ao contrário dos antigos, mas na mesma preconceitos... De qualquer modo a minha questão querida prende-se com a Consciência da essênica, com um caminho interior e implica de facto um nível de conhecimento e iniciação fundamental a que as mulheres não têm acesso. O meu trabalho é feito ao nivível da cisão da psique - onde as duas mulheres estão ainda divididas - e não ao nível das ideias ou da sexualidade. aí nós diferimos. nada de mal. Você faz o seu trabalho ao seu nível e eu ao meu. A idade das mulheres é fundamental e eu não acredito em nada na juventude...até aos trinta anos não se sabe nada! Não se é nada...e só a partir dos 40 começa a a mulher a amadurecer...e a xamã só é possivel na velhice, quando acaba a líbido....para mim é assim, pela ordem das coisas e não de acordo com as minhas ideias ou vontade ou tesão...eu já não tenho caprichos nem tesão...posso dedicar-me as coisas da alma e do espírito...mais uma vez...a Mulher não é só o corpo sexo e mente...enfim, já falamos isso muitas vezes e de vez em quando você extrapola e eu acho que está inteirmaente no seu direito. Respeito.Confiemos na experiência de cada uma com a liberdade que nos é inerente. Com muito carinho. rleonor

guiumazinha@hotmail.com.br disse...

Tudo bem que estamos no céculo 21, mais isso que está acontecendo não é de se espantar. Eu não digo todas mais a maioria das mulheres deixaram que esse tipo de descriminação veio acontecer. E as coisas só acontecem se for permitido. Por causa de algumas, as outras passam pelo mesmo constrangimento, e isso é horrível.

Nana Odara disse...

Eu entendo vc Rosa...
Mas acho que deveríamos conseguir dialogar entre as gerações, não na base da imposição, mas como troca... não sou tão dura com a juventude... tbm fomos jovens... e algumas das ideias que hoje defendemos são fruto dessas vivências da juventude... mas, como sempre querida respeito e assimilo bem tudo que aprendo com vc...
já não sei se tenho um caminho ou um trabalho nessa jornada... mas continuo aqui na primeira fila...

talvez algum dia eu possa realizar o trabalho, como deve ser, com a minha essência, a minha verdade... enquanto isso admiro profundamente o trabalho de mulheres maravilhosas como vc e todas as nanãs do mundo...
beijos

Rosa Leonor disse...

Não Juliana, você não me entende, é muito claro para mim que você não entende. Nem quer entender. Está no seu direito. Nunca lhe pedi que seguisse nenhuma ideia minha nem a nenhuma guru, nem nunca me coloquei no papel de sua mestra ou de ninguém...tenho pena de que a rivalidade das mulheres isso sim, mas que você chama não hierarquia entre as mulheres e não sei que mais, não lhes permita respeitar a experiência e a idoneidade de quem sabe mais. Isso não é patriarcal. Há sempre a velha xamã que sabe mais e que eu tenho a honra de ouvir e respeitar e não discutir se tiver humildade para isso. De qualquer modo eu não deixo de ouvir quem tenho que ouvir e ter o coração aberto seja uma pessoa nova seja velha, e você bem sabe disso, mas é evidente porque já passei as várias fases da mulher sei como é quando se é novo, não somos muito fiáveis...Mudamos com o vento e os humores.
O mundo não se reduz a uma ideia de patriarcado e matriarcado. Há valores de profundidade, coisas do SER HUMANO que vêm de sempre e sempre foram iguais, são incontestáveis. É disso que falo e o que me importa muito para além destas questões que vivemos na personalidade todos os dias, banalidades, questiunculas e divergências, fofocas o que seja. Você não percebe, nunca percebeu a minha postura e sempre reagiu intempestivamente, como uma garota contra a mãe. E digo-lhe mais uma vez e nunca mais voltarei ao assunto consigo, que essa sua reação tem como fundo, como em todas as mulheres o conflito com as mães...a recusa da mãe e do seu poder, por isso querem igualdade sem respeito sem ordem, não aceitam a ordem e proferem o caos...sim a desordem...tudo igual a rir e a brincar como meninas amadas tudo prazer e amor... e trabalho, consciência e responsabilidades nada feito. As hierarqueias existem naturalmente pela ordem das coisas não pelo domínio...isso foi o erro do patriarcado que usou o domínio; entre as mulheres poderia dizer ou chamar-lhe de Uma Ordem e não a hieraquia associada ao domínio. Ela sempre existiu entre as sacerdotisas e entre as iniciadas...entre as comunidades antiga; a velhae a anciã sempre foi respeitada (não neste mundo de consummo moderno claro). Ninguém nasce ensinado e é preciso quem ensine...porque já aprendeu...e dizer que quando ensinamos e aprendermos ao mesmo tempo é escusado...porque está implícito na palavra francesa apprendre-aprender, significa ensinar e aprender ao mesmo tempo e essa é ideia mas a etimologia da palavra em português dividiu-se em duas aprender e ensinar. Mas uma significa a mesma coisa ue a outra.
Estou aborrecida com a sua linguagem e com a sua confusão e se você só tem motivação para escrever agredindo e dizendo que não e não e não...tenho pena, mas eu saio da parada. Escusa de me ler ou seguir. Eu nunca lhe pedi para o fazer. Mas escusa sinceramente e de coração puro procurar atingir-me,ou mesmo desacreditar o meu trabalho. A não ser que você esteja de facto a falar de outra pessoa com as minhas ideias e que eu não saiba... Portanto Juliana você nem me respeita nem admira o meu trabalho porque o rejeita e o ataca em todas as linhas. Ao menos respeite o seu trabalho,e não precisa de ter essa humildade forçada...Siga o seu caminho porque eu nunca irei interferir nele. Deixe os anos passar e pode ser que então, sim, muito mais tarde você entenda o que eu digo agora. Porque hoje definitivamente você não apreendeu nada do que eu escrevi. E tem os meus livros...
rlp

guiumazinha@hotmail.com.br disse...

É uma pena que algumas mulheres ainda seguem por outros caminhos. tudo que elas precisam é de orienteção. Algumas estão um pouco perdidas em respeito a tudo, principalmente em relação aos homens, porque muitos sabem como manipular as mulheres, e é desses homens que elas devem ter muito cuidado.