quarta-feira, novembro 30, 2011

CLARICE LISPECTOR RESPONDE A FREUD...


A GRANDE QUESTÃO


"A grande questão…para a qual ainda não consegui resposta, apesar dos meus 30 anos de investigação sobre a mente feminina, é: O que quer uma mulher?" Freud

- Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.  CLARICE LISPECTOR (Perto do Coração Selvagem)

A resposta certa a Freud...é que a Mulher quer SER MULHER, quer ser ela própria...e é tamanha a cisão do seu ser interior, psiquico e animico que a mulher ainda há muito pouco tempo começou a libertar-se da canga da sua servidão, mas ainda não sei se começou a pensar por si prórpia...uma vez que os livros que a mulher lê sobre a mulher...foram todos escritos por homens (como dizia com  humor Virgínia Woolf quando visitou uma biblioteca em Londres) e é na perspectiva dos homens ainda, escritores, psicólogos, filósofos e cientistas que ela pensa e escreve...As universidades são o expoente máximo do pensamento cartesiano, ("penso logo existo") e as mulheres "formadas" aprenderam a pensar como os homens...a se expressarem como os homens a comportarem-se como os homens. Domina o mundo o Princípio Masculino...

Ora, em princípio, e por força do Princípio Feminino (ausente das sociedades falocráticas, as nossas) as mulheres são a encarnação do Sentir...da Emoção...da Intuição...e são esses os factores que o intelecto e portanto a ciência e a psicologia não podem explicar nem abranger na sua totalidade. Daí Freud ter recorrido mas sobretudo Jung aos mitos e aos arquétipos para ir para além da mente racional.
A mulher, quando senhora de si e na sua inteireza, é um ser inapreensível e ilógico. Ela vive na Flor da Pele e simultaneamente nas suas entranhas..ela é o desejo de VIDA plena...a Natureza em acção, germinando, crescendo brotando e morrendo...assim, ela escapa a quem a quer compreender e meter em definições...ou compartimentos estanques. A Mulher como a Natureza não é moldável...ela tem de ser livre...para ser o Todo que é...a Mulher é o Absoluto em si...
Clarice Lispector foi uma das poucas mulheres escritoras ainda, tirando Virgínia Woolf,  e alguma outra que agora não tenho presente, que expressou a parte mais íntima, por ventura contraditória, paradoxal mesmo, do seu ser intuitivo,  a parte selvagem do seu ser e como o título do seu livro indica, ela andou muito perto do seu Coração Selvagem...

Houve algumas mulheres que escreveram e que se salientaram ao longo dos séculos, mas sobretudo algumas escritoras ditas feministas, como Simone de Beauvoir, que na verdade se manteve fiel mais ao racionalismo materialista positivista e ao pensamento existencialista, presa a Sartre e dependente dele em todos os aspectos...Esta afirmação não é depreciativa nem lhe retira o valor, como mulher e escritora, mas ela não foi a mulher em si e que por si viveu...ela não foi fiel à sua essência e sede de absoluto  mas ao Homem...ela andou sempre na aura e nas peugadas de Sartre... ela viveu e escreveu em função dessa relação e do seu pensamento. Não amiude ele ripostava-lhe à tendência ocasional para a mística...entre o vinho e as lágrimas como ela dizia:

"...às vezes caia do meu Olimpo. Se uma noite bebie um copo a mais, acontecia-me verter torrentes de lágrimas; a minha velha nostalgia de absoluto despertava: descobria novamente a vaidade dos fins humanos e a iminência da morte; censurava sarte por me deixar prender a essa odiosa mistificação: a vida. No dia seguinte continuava ainda sobre a influência dessa iluminação" - Simone de Beauvoir in a Força da Idade

Essa é a iluminação de que a mulher precisa para se focar no seu verdadeiro ser e encontrar-se a si mesma sem as limitações do pensamento cartesiano...e sem a tutela do homem...aí sim a mulher pode reencontrar-se com ela própria e a Mulher que jaz esquecida dela mesma...não a seus pés...mas dentro dela. No seu Ventre, no seu Útero, no seu Coração, na sua Alma...e nessa união interior, nessa amalgama de vida está a força e a identidade da mulher.

rlp

4 comentários:

Unknown disse...

Querida Rosa... você não existe! Você nos deixa cara a cara com o muito que ainda não sabemos despertar mas temos dentro de nós. Um muito que nos foi negado.
Eu gosto demais de você querida.
Logo escrevo pra contar algumas coisas daqui.
Não deixe de estar por aqui, tem muitas mulheres que precisam de você, tá/
beijinhos
Myrian

Gostaria que vc desse uma olhadinha nesse site:
http://www.silviokoerich.com/
Lado direito tem os itens das postagens.
Beijo, beijo, beijo beijo...

Unknown disse...

- Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome. CLARICE LISPECTOR (Perto do Coração Selvagem)

É isso....
myrian

guiumazinha@hotmail.com.br disse...

A resposta de Clarice é muito simples. Ela quer o que o homem não aceita, a sua própria liberdade. Mais ela insiste assim mesmo. O homem acha que deve e pode dominar a mulher, mas quando ele não consegue, simplesmente não aceita. Mais a mulhere quer e será dona de sua própria vida, sem importar com o que os outros vão pensar e falar delas.
Obrigada Leonor por falar tudo isso de nós mesmas.

Rosa Leonor disse...

Myrian...
Esse cara que você disse para dar uma olhada...me deu um vómito....é o pior predador e o mais mal amado dos homens...imagine só que mãe ele teve...e fala para homens como ele. É PURO NOJO, NEM VALE A PENA rir nem chorar. Há infelizmente muito mais homens assim do que pensamos, mas ainda assim esse diz o que pensa e sente enquanto muitos que se dizem bons não o são. esse coitado é um desgraçado. Nunca deve ter tido uma carícia da mãe. Puro ressabiamento. POR AMOR DE DEUS NÃO LEIA NEM UMA FRASE MAIS!!! É UM DOENTE MAIS UM DOENTE DOS MUITOS QUE EXISTEM POR AÍ.

Um abraço

rosa leonor