"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

E todos os dias, a morte...




 Whitney Houston - I Will Always Love You - Lyrics ...


Eu vou chocar-vos mais uma vez...a morte deste ícone do nosso tempo, de uma "estrela" americana, não me diz nada... Nem quando morreu a Amy House ou  qualquer outro fenómeno da música ou do teatro da vida, usadas e exploradas até na morte…me tocou particularmente...


Mas esta mulher com uma voz única, e um corpo magnífico, linda, com todo o potencial, com dinheiro e fama, serve de exemplo para vermos como ela foi vencida pelo domínio de um "amor" mesquinho, pela posse brutal de um homem e, tal como ela se confessou, viciada em ”fazer amor"…e que a levou da obsessão do homem ao ópio, ao álcool ou a qualquer outra droga, como os químicos...Sim, serve para vermos como, sofrida com esse monstro que a maltratou e ela se desprezou, isso a leva após a separação a todos os excessos que acabaram por a matar...

E nem esta mulher foi uma Mulher Inteira e menos ainda uma Deusa, como alguém disse por aqui, mas apenas uma mulher totalmente desorientada, sem saber de si própria, como milhares de mulheres no fundo que vivem à superfície do seu ser e ao sabor da corrente, com ou sem fama, com ou sem dinheiro.

Sim, esta mulher sem centro, sem self, esta mulher sem consciência dela mesma, foi apenas mais uma mulher fantoche neste mundo de fama e de comércio, de palcos e de mentiras, de ego e de aparência...esta mulher foi apenas mais uma mulher vítima do sistema abominável que faz da mulher um símbolo e uma imagem, mas que lhe rouba a alma, a identidade, lhe rouba a individualidade, lhe rouba a vida própria e até a vida...e temos ainda na memória Marilyn Monroe…e tantas outras que já esquecemos…

Neste caso, falamos da  morte da cantora com espanto, com pena, e até com uma espécie de “inveja” (ai se fosse eu…não teria sido assim) porque caímos na tentação de achar que ela foi o máximo e a sua vida um expoente de fama e dinheiro e homens bonitos...porque todas nós passamos a vida a sonhar com o Kevin Coster da nossa vida…e estamos apenas a embalar e a cair na mentira e na farsa de Hollywood...

Não, não tenho pena nem sinto nada... senão a mesma dor imensa, vastíssima de saber que houve e há MILHARES DE MULHERES QUE VIVEM ASSIM, COM MAIS OU MENOS DINHEIRO, MAIS OU MENOS FAMA MAIS OU MENOS AMANTES, MAS AFINAL vivem todas o mesmo vazio, o mesmo desnorte...sem nunca saberem quem realmente são…

Pensam que sou cruel? Que não tenho sentimentos? Não, apenas não me deixo enganar nesta mise en cene da morte de vedetas famosas, nem na exploração da sua morte para vender mais discos e sem qualquer respeito pela vida humana; toda esta avalanche de notícias da sua morte  são apenas os Media, como abutres, que  se aproveitam da  morte trágica de uma mulher ainda jovens para aumentar audiências...

E a verdade é que também já há muitos anos que não caio em farsas nem em cultos estéreis de artistas e porque como é óbvio, via e vejo muito bem como a sua magnífica voz apenas nos levava e leva a todas na ilusão máxima do amor romântico... Todas as mulheres embaladas por esta música… I Will Always Love You… no sonho perpetrado de  amor infinito de um homem e que na realidade e neste caso, a maltratava, e que por sua causa ela acaba por se deixar morrer destruindo a sua vida...

Sim, tal como tantas outras mulheres anónimas que morreram hoje... à mesma hora, abandonadas ou desprezadas no mundo inteiro, ou violadas em aldeias ou nas cidades,  na guerra e na miséria...e ninguém pensa ou fala delas.

 rlp

PS E desejo Paz à sua alma, como nunca a teve em vida...

2 comentários:

Open Mind disse...

Eu, como homem, tenho tentado praticamente em vão alertar mulheres para estas facetas idiotas de superpaixões, supercorpos, superbadalagens estéticas e sociais, bem como a busca por estas coisas insanas que só tem superfície. Mas uma ou outras acabam me escutando, em geral depois de sofrerem grandes atentados à sua própria identidade.

Rosa Leonor disse...

Infelizmente o que diz é verdade...mas ainda bem que o meu amigo sempre vai tentando, mas a programação das mulheres de séculos transformou-as em quase bonecas articuladas...agora não sei se piorou com os midea...e as telenovelas...mas vamos então tentando fazê-las acordar desse sono...não como belas adormecidas mas como mulheres conscientes de si mesmas.
rl