"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, abril 06, 2012

A “abençoada cólera”


O respeito de si mesmo leva por vezes os indivíduos àquilo a que poderíamos chamar “abençoada cólera”, um movimento habitualmente associado ao aspecto sombra na Terra. Muitos de vocês imaginaram que era preciso ser só amor, paz e doçura para continuar numa via espiritual. Fazendo isto, esqueceram que o vosso lado mais colérico, mais afirmativo e o mais incisivo lhes permitiria em primeiro lugar ter amor para convosco mesmos, ou seja, que vocês são o ser mais importantes da vossa vida. Porque se não se respeitarem, não podem verdadeiramente respeitar os outros.

Respeitar-se a si não é uma incitação para impor a sua visão aos outros. É mais um convite para que várias realidades possam coabitar em paralelo, sem renunciar à sua essência e honrando igualmente a dos outros. Eis um equilíbrio muito nobre a onde se chegar.

A “abençoada cólera” é um elemento autorizado na encarnação. Em nome do amor as pessoas aceitam o inaceitável. E progressivamente, as liberdades individuais foram postas de lado em detrimento do equilíbrio da vida. Pouco a pouco os Seres renunciaram ao próprio fundamento da sua vida, segundo a qual cada expressão do Todo é soberano e livre nas suas escolhas. Este conceito foi tão mal amado no Planeta que trouxe a degradação de muitas formas de vida, que perderam a sua dignidade e o seu direito de existir. As formas minerais, vegetais, animais e humanas foram todas afectadas por esta situação.

O fogo é uma energia que traz equilíbrio aos Seres, convidando-os a a respeitar a vida em todas as suas facetas, pouco importando as formas. Se há uma só ordem a honrar na terra, essa é a de respeitar a vida e a liberdade de cada forma de expressão, pouco importa qual. (…)

Por intermédio do vosso fogo interior, podem encontrar e aprender a vossa força e a do vosso poder.”

O COLECTIVO ASTHAR

(canalização no livro Transition – Redefinir a dualidade - Ariane

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"A ABENÇOADA RAIVA"

O que eu achei soberbo neste pequeno trecho que vos traduzo é realmente a noção vital de recuperar a nossa “abençoada raiva” ...

E como dizia  noutro meu texto acerca da necessidade das mulheres expressarem a sua raiva ou a sua cólera, porque as liberta, achei delicioso quando à noite ao ler este livro encontrei este texto.

É muito importante que se não perca o sentido do nosso poder interior, dessa força, do nosso fogo, da nossa expressão própria que é a da nossa dignidade como mulheres e não só claro, na expressão dos nossos sentimentos e que quando as coisas não correspondem à nossa verdade profunda não as podemos calar. Não é em nome da paz ou do amor ou do respeito do “outro” ou de um suposto caminho (deus ou mestre) que devemos abdicar do que sentimos e do respeito que devemos ter por nós mesmas.

Quando ontem dizia que muitos dos conceitos Nova Era são os mesmos preconceitos religiosos de sempre disfarçados de novos, em que realmente o ser humano se vê obrigado a manter uma atitude passiva e humilde ou não ousa dizer o que pensa e sente, temos que perceber que estamos no caminho errado.

Acho igualmente que muitas das teorias do “ser positivo” e olhar só “o lado bom das coisas” também pode ser uma armadilha a fim de não olharmos o lado que precisamos de facto olhar pela maneira preconceituosa como nos negamos a encarar a nossa sombra e a dos outros. Ora a sombra é indispensável para integrar os aspectos opostos da dualidade. E não é omitindo a sombra e não a querendo ver que saímos da dualidade e entramos no caminho do uno, com fizeram durante séculos os cristãos, sempre em oposição e antagonismo entre o bem e o mal sem nunca discernir que ambas os aspectos estão em cada indivíduo. O que eu acho é que muitas das novas teorias, terapias e canalizações nos incitam a uma aceitação e apatia ou mesmo a uma alienação idêntica à das velhas religiões.

E a prova que tive de que a minha intuição e reservas quanto a tudo isso estava certa foi de facto ter caído sobre estas palavras sábias que nos incitam a, primeiro que tudo, respeitar-nos a nós mesmas antes do que quer que seja pois de outra forma não podemos respeitar nem amar ninguém nem nada.

RLP (republicando)

7 comentários:

cristina simões disse...

Concordo em absoluto. Também me causa desconforto a teoria de "olhar só para o lado bom das coisas". É de facto uma armadilha.

Rosa Leonor disse...

Cristina...

Continuo a seguir as suas considerações com o maior apreço e muias a vezes a divulgá-las (excertos) no facebook...com o seu endereço. Não sei ou presumo que não seja adepta e não o aconselho...mas enfim para divulgação dos meus trabalhos uso-o sem muito parcimónia...o que pode viciar. É bastante mediocre mas dá acesso a pessoas de forma instantânea...
obrigada por ter comentado.

rl

Rosa Leonor disse...

e...muitas vezes...

cristina simões disse...

Olá Rosa Leonor
Na verdade, usando as suas palavras sou adepta que utilizemos “as coisas” que os outros escrevem e nos fazem sentido,- se reparar, são raros os meus post que não têm uma referência a outro autor. Não me parece que seja medíocre – poderia construir o blogue de outro modo – acho até que isso me engrandece a mim, e à divulgação da psicologia.
Agradeço a sua sinceridade

Rosa Leonor disse...

Cristina...espero que não tenha entendido que achei mediocre o seu blog...ou a forma generosa como diz citando outros autores, mas sim referia-me ao facebook como mediocre...é que de repente fiquei sem saber... Será que me expressei mal? Para mim o seu blog é uma excelente referência e a sua prestação impecável à psicologia e sem dúvida prestigiante.
Por favor assim que possível desfaça-me esta dúvida...pois jamais seria tão sincera ao ponto de ser capaz de dizer-lhe se achasse mediocre o seu trabalho - e que na verdade prezo e por isso o sigo...Também não quero cair agora na aparente lisonja, mas tenho sinceramente um grande apreço pela maneira como gere o seu trabalho, a sua sensatez a contrastar com o meu radicalismo.
rl

cristina simões disse...

Olá Rosa Leonor
Ainda bem que esclarecemos o mal -entendido através do meu blog. Se tem apreço pela minha sensatez (contenção, talvez, justificada pelos temas que escolho e pelo modo como entendo o meio onde vivo) – como vê não tem muito de meritório - eu aprecio aquilo a que chama o seu radicalismo.
Fique bem.

Rosa Leonor disse...

Olá Cristina...sim, fiquei francamente aliviada pois sendo como sou radical muitas vezes suscito mal entendidos talvez devido a uma certa impulsividade da linguagem...
Mas não só aprecio o seu blog como preciso da sua contenção para equilibrar este meu radicalismo...assim, verifico com prazer que os extremos se tocam e equilibram.
Obrigada pela sua contenção sábia...

um abraço

rosa leonor