"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quarta-feira, abril 18, 2012

A MULHER INTEGRAL





UM BELO E GRATIFICANTE COMENTÁRIO DE UMA LEITORA DE MULHERES & DEUSAS

Arielle deixou um novo comentário na sua mensagem

"SÓ O AMOR PLENO É A CHAVE":

Obrigada. Instintivamente, por assim dizer, eu não aceito... não aceito para mim os relacionamentos comuns, o "ato sexual" comum, a sexualidade comum... passei muitos anos me perguntando por que eu não conseguia aceitar ou entender as mulheres a minha volta "caçando" homens em festas, nunca entendi por que isso era absolutamente necessário para o que elas chamavam de "diversão", ou por que eu sempre esperei muito mais que isso... mais que amor, mais que desejo, eu sempre procurei um respeito e entendimento mútuos, um tipo de ligação alquímica, conexão, cumplicidade de alma, por assim dizer... algo que me conectasse ainda mais mim mesma, amplificasse minha percepção dos fluxos de energia que já sinto a minha volta, ou qualquer coisa que transcendesse a mecanicidade com que o sexo é tratado hoje... parece sujo (sendo simplista). Não acho serei capaz de entender as mulheres cegas da própria escravidão causada pelo que chamam de 'sexualidade', seja com um marido ou 'à procura' de um homem... limitar a sexualidade da mulher ao que o homem a proporciona, tirar seu significado, é um erro tremendo das sociedades patriarcais, que não parecem sentir a energia a sua volta ou os fluxos dela... não entendem o pulsar sereno que a Deusa pôs em todos nós, não para que o 'aliviassem' em um clímax, mas para que se conectassem a Ela através de uma percepção mais aguçada, de um olhar mais atento, de uma pele mais receptiva... meu mundo é minha sexualidade, eu sou meu sexo (feminino) e isso envolve cada área de minha vida - meu modo de conhecer o mundo, meu modo de sentir, meu modo de agir, de pensar... eu concordo com absolutamente tudo que a senhora disse, mas achei essa - "eu concordo" - uma resposta muito pequena ao esforço que a senhora fez para responder minhas perguntas, por isso acredito que esse relato seja um feedback mais adequado... mais uma vez, muito obrigada, Rosa. Creio que, mesmo sem que existam os comentários que desejava - sei que isso a incomoda - sua mensagem está sendo espalhada. O que você escreve me toca além da mente, de forma que a cada palavra que leio, sinto minha alma dando uma gargalhada gostosa dentro de mim, desabrochando do casulo em que a coloquei no esforço de me 'adequar', e me sinto mais mulher, mais livre, mais eu mesma. Sei que já disse isso, mas não custa repetir: obrigada. ...


OBRIGADA A TODAS QUE AQUI ESTÃO...

As vezes parece que estou só ou a falar sozinha…e sinto-me só na minha visão singular da questão do feminino essencial; sei que tenho uma visão muito particular e difícil de integrar...Esta questão tão precisa que eu foco ao longo dos meus textos nunca a encontrei expressa em nenhum livro lido, em mais nenhuma abordagem do Feminino Sagrado, digo a feminilidade essencial na busca da MULHER INTEGRAL, mas todos os livros e pesquisas foram um acréscimo e uma mais-valia para a minha compreensão da cisão da mulher. É essa cisão, expressa na separação da Mulher em duas espécies de mulheres – sem essa cisão interior que afecta todas as mulheres a nível psíquico e emocional, seria incompreensível e inaceitável a prostituição da Mulher - o que a afecta profundamente e fere de morte a natureza intrínseca do feminino e a Terra Mãe; porque o Homem fez à Mulher o que faz à Natureza e aos animais…Viola, mata e destrói….

O meu caminho tem sido complicado, a minha “luta” não tem tido nem terá reconhecimento público por esta questão ser além de incómoda para as próprias mulheres, é profundamente revolucionária…sim, tenho a certeza disso: se as mulheres compreendessem a fundo a sua cisão e integrassem a natureza profunda do seu ser o mundo mudaria rapidamente, mas é na mulher e nessa cisão que o mundo que oprime os seres humanos e animais se baseia para manter o controlo e exploração, não digo do homem pelo homem, mas mais propriamente da mulher pelo Homem… incluindo na linguagem que a ignora enquanto ente…e até há mulheres que são mais homens que mulheres e que me consideram pela minha postura de androfóbica…
Não, não sou androfóbica...nem odeio os homens...Apenas me ocupo de uma realidade que é a divisão das mulheres dentro de si mesmas. Aos homens falta-lhes a dimensão do feminino, é certo, não o podendo integrar sem que a Mulher seja una, mas isso é porque eles dividiram a mulher em duas espécies e não têm um espelho do verdadeiro feminino integral na mulher. Eles estão divididos entre as duas mulheres...a mãe e a amante, a esposa e a puta...ora querem uma, ora querem a "outra", ora querem as duas e distintas mulheres e não A MULHER em uma só. Essa separação foi feita pelos homens não pelas mulheres...
Seja como for compete-me a mim trabalhar com  a consciência do meu ser feminino e não com o meu lado masculino. Independentemente da consequente união dos polos opostos complementares no processo idividual de cada ser, à partida cada um tem de trabalhar sobre o seu ser e não sobre o seu oposto mesmo sendo complementar, pois  esse é outro aspecto da questão, diria o passo seguinte.

Sim, não é fácil de discernir toda esta questão do ser mulher ou homem do SER EM SI, e por isso não tem sido nada fácil, nem reconhecido, o meu trabalho, ou os meus livros…que incidem exclusivamente sobre a questão essencial da mulher; mas quando leio um depoimento destes sobre a minha teimosia em dizer aquilo que realmente sinto e a persistir nesta mesma linha, ser fiel de corpo e alma a este foco-visão e a mim mesma, sinto-me profundamente recompensada por todos os momentos de descrédito, de solidão ou de desânimo.

Tenho recebido ao longo destes anos, desde que comecei este trabalho, os mais variados e estimulantes apoios das minhas leitoras e amigas, mas há sempre um ou outro que vem mesmo a calhar e no momento certo e é salvação para a minha falta de ânimo. Ontem foi mais uma vez o caso e aconteceu com este comentário...que acabei de publicar…

Não busco cumprimentos, nem espero elogios, mas só posso ficar feliz e congratular-me quando me dizem:

"O que você escreve me toca além da mente, de forma que a cada palavra que leio, sinto minha alma dando uma gargalhada gostosa dentro de mim, desabrochando do casulo em que a coloquei no esforço de me 'adequar', e me sinto mais mulher, mais livre, mais eu mesma. Sei que já disse isso, mas não custa repetir: obrigada."

É com isto que a minha alma vibra e por isso estes testemunhos valem por todos os esforços e todas as dores de parto de uma verdade que tarda em chegar para todas nós ou até mesmo o simples reconhecimento deste caminho...em que mais ninguém por vezes parece querer seguir ou sequer entender…

Obrigada Arielle pelo seu estímulo e pela sua postura enquanto mulher porque é isso que me dá força e coragem para continuar a acreditar que é possível um dia a Mulher ser A MULHER.

rlp

4 comentários:

Solanggé M Moúram disse...

Olá, concordo em grau gênero e numero, do conteúdo deste blog, pois estudo o feminino sagrado e sei como é difícil se fazer entender, a maioria das mulheres foge de si mesmas, ou mesmo estão perdidas no Yang de tal forma que não se percebem.
Impossível não comentar pois faço minhas as palavras desta leitora, pois me identifico com seu perfil, e muitas vezes me perguntava se eu era a anormal diante da normalidade das mulheres que convivo.
Mas é assim mesmo, é bom saber que tem muitas mulheres que se permitem se desvelar, se aceitar como autêntica, integra em sua natureza, e seguir seu coração selvagem, das mesmices do mundo que tentam nos moldurar e encaixar num padrão.
Gratidão, a ambas escritoras, e continue firme e forte, podemos ser poucas mas na verdade somos muitas, pois podemos ser, pensar e fazer a diferença. Um grande abraço.

Rosa Leonor disse...

Muito obrigada Solangge...fico-lhe muito grata pela sua partilha e as suas palavras com dizia no texto como a de outras mulheres são extremamente importantes para mim.
Espero que continue a participar e a acrescentar este espaço. Aprecio imenso a sua presença.

um abraço rleonor

Else Schumann disse...

sim, me sinto exatamente assim!

DEUZAAA disse...

Sou grata extremamente por ter lido este belo texto e ter me deslumbrado e bebido de cada palavra como criança diante de um doce novo e diferente.GRATA, GRATA IMENSAMENTE