quinta-feira, abril 26, 2012

...subjectivissimamente




 MEDO EU?
(COM GRIPE)
 
-Con la gripe mantienes alejadas a las personas y a las situaciones. Es otro ataque de miedo que sufres este año. El virus más poderoso no es el de la gripe, sino el del miedo. Ese por ahí por donde vas a tener que investigar.
"Con la gripe mantienes alejadas a las personas y a las situaciones. Es otro ataque de miedo que sufres este año. El virus más poderoso no es el de la gripe, sino el del miedo. Ese por ahí por donde vas a tener que investigar."

 ...primeiro reages..."medo" eu? Não...eu não tenho medo de nada!

Mas sim...é um ataque de medo, de medo profundo, um medo por detrás de camadas e camadas de coragem e de ideias e de um trabalho que tens de levar para a frente e uma "mãe" não confessa os seus medos ás suas filhas...(acabou de me dizer isto uma amiga minha ao telefone sobre ela mesma); não, os filhos não podiam saber da sua depressão nem da sua falta de vontade de viver...Uma mãe é um suporte...ela não pode fraquejar...sim, ela é uma mulher muito lúcida, tal como eu e disse-me isso...mas eu, pensei, eu não tenho filhos nem filhas, nem mãe já tenho há muito tempo...não tenha irmãs...e as filhas dos meus irmãos têm a sua vida e os seus filhos etc.; eu sou uma mulher só na vida...que raio, digo-me…tenho a minha escrita os meus livros, tenho muitas amigas, a minha esperança…Tenho esperança? Não, nem sempre a tenho…então o que eu que eu tenho? Tenho medo…de repente, tenho medo e é assim que a gripe vem…e podia ser depressão ou cancro…por mais lúcida que eu seja não estou isenta de nada…Ninguém está. E sim é o medo…

Então de onde vem o medo?
Sim, de onde vem e que medo é este que se infiltra sub-repticiamente e se instala sem que dele nos apercebamos… Um medo que nos tolhe súbito…que vem lá do fundo….que vem dos confins de uma qualquer memória, de uma ferida oculta, a lembrança de um amor traído, de um abandono vivido, uma morte, ou de uma outra vida…cuja memória está presa na pele…ainda!
Ah…sim estão a pensar e a fé na Deusa…ou em Deus…noutros mundos, no futuro, mas eu nunca a tive verdadeiramente; não, nunca tive esse tipo de fé…Para mim a deusa não é nenhuma fé…nem nenhum credo, nenhum paliativo ou bálsamo…ELA ou é uma Consciência que está presente ou é uma Presença que se manifesta …ou não é nada!

A Deusa é eu SER SÓ e saber sê-lo sem medo…e eu ainda me dói tanta coisa neste mundo, tanta gente me fere e eu firo…e sentir-me tão humana e tão frágil ou tão cobarde…ou dependente ou suspensa ainda de ilusões patéticas, ou querendo ainda não sei que provas…que provas de amor… Não há…

A Deusa é imensidão e solidão…para mim é, e sei-o bem que só quando eu aceitar essa solidão inteira e absoluta de mim em mim a chama arderá no meu coração. Que esse é o fogo purificador de todas as dores humanas. Só assim Ela será eu e presente a toda a hora, antes não. E sei que não adianta eu enganar-me e pensar que já lá cheguei, porque não cheguei…

Ah, dizem-me as “ vozes”- “Aquela que vai a frente não esmorece…não cai…” …e digo-me eu incentivando-me a coragem que não tenho: as verdadeiras, “bruxas nunca se queixam…“

 Ah…”mas a idade não conta…nem este corpo”…dizem as vozes, o que não te convence…quando olhas e vês que a beleza ainda é sonho em ti…Prisioneira da beleza, mulher foste, mas o mais difícil é nem sempre saberes rires-te de ti …não vês...peles flácidas,  rugas, celulite, manchas, marcas do tempo...?  

(Que beleza é essa que sonhas ainda e se esconde por detrás das sombras, que beleza és, dentro e fora Mulher…antes eras uma, agora és outra e outras serás com a idade que te pesa…e só o teu coração é o mesmo, sempre, sempre e sempre foi o mesmo, fosses tu jovem mulher e anciã, e só ele o sabe e só ele bate por ti… Tens de aprender a ficar quieta…deixa a dor humana adormecer em ti e esquece quem foste, o que sonhaste, porque agora o tempo é de outra coisa, mas que coisa….não sabes. Estás cansada de palavras e de fingires nem sabes o quê, com toda a honestidade o fazes…e foges dos outros que mentem e das histórias que se contam e toda essa engrenagem que chamam vida e é falsa…Estás cansada de simular teres forças sem teres…e quereres manter uma imagem forte e ousada, invencível armada…afinal, és pouco mais do que uma falhada e pior do que isso porque confessas afinal que falhaste…e desistes de uma máscara, talvez…fecha agora o parêntesis).

rlp

6 comentários:

Arielle disse...

Rosa, obrigada por me citar em um post... sinto-me lisonjeada. Lendo seu blog, eu me sinto uma aprendiz ouvindo a sábia, uma sábia que vê com lucidez a realidade, e que me apresenta os caminhos para que eu ache a mim mesma... mesmo do outro lado do Atlântico, se houve uma iniciadora para mim, que desde os 14 (tenho 18 agora) me desvela segredos do mundo e reflexões que eu nunca tinha feito, essa Mulher foi a Senhora... eu sempre busquei algo diferente, não entendia por que não podia ser como as outras garotas, caladas, doces, sem essa chama que me queima... eu não tenho toda essa experiência, não tive tanto tempo para refletir sobre tudo, mas a Senhora me ensinou a ouvir meus instintos, meu útero, minha alma, minha dignidade, minha Fêmea interior... e ela me diz, por intuição, por um arrepio, o que eu devo fazer. Venho mergulhando em mim mesma sob sua orientação, creio que possa dizer, e desde lá não me encaixei mais por entre as outras. Talvez por ter começado tão cedo a lê-las, suas palavras tenham me tocado mais... eu não era moça feita, não tinha opiniões, família ou carreira formada. E hoje eu te agradeço do fundo do coração, Rosa, quando olho em volta e vejo quem me tornei. Não sou perfeita, sou cheia de dúvidas, às vezes tropeço pois também acabo influenciada pelas opiniões vazias dos que me cercam, mas eu sinto dentro de mim uma voz que faz coro com a sua ao ler essas palavras tão verdadeiras... creio que o medo seja parte do trajeto, ainda mais quando se nada contra a corrente e não há mais encaixe para alma tão grande quanto a sua... eu não posso nem imaginar o que sentes. Mas, pode ser egoísmo, peço-te que não pares. Por favor, não pares, Rosa, porque se mudares mais uma, duas, dez jovens como me mudastes, se elas espalharem sua semente como eu tento todos os dias fazer, esse mundo talvez possa mudar... todas tem a Deusa dentro delas. Basta acordá-la. Ou, pelo menos, assim eu gosto de acreditar... talvez seja ingenuidade minha. Desculpe pelo comentário grande. Beijos e obrigada de novo, Rosa.

Arielle disse...

e quanto à solidão... ela é intrínseca a condição humana. os outros não a percebem apenas porque não pensam sobre isso... permanecem superficiais. no fim somos nós contra nós mesmos, contra as amarras que criamos e nos prendem, contra as jaulas que criamos em nossas próprias mentes e muitas vezes nem percebemos... somos nós que prendemos a respiração em nome de algo que estou para descobrir o que é. Somos ilimitados e ainda assim nos limitamos... A única pessoa que realmente temos durante toda a vida, a única pessoa com a qual vamos caminhar, é conosco mesmas... ter alguém ao lado não significa se livrar dessa sensação. Creio que saibas tudo isso, mas... me parece que cada essência é tão única que até existem os laços, mas não as conexões entre elas. Apenas uma opinião minha, fugindo do assunto da Mulher e da Essência... ou talvez nem tanto...
beijos, Rosa.

Arielle disse...

Essa solidão é preenchida algumas vezes, não por fatores externos mas por internos... já senti isso, mas perdi a sensação. Desculpe tantos comentários mas fiquei martelando com esses pensamentos... é algo que também me inquieta, e que só é 'curado' quando entro em um estado de consciência em que consigo ouvir minha alma falar... também sentes isso, Senhora?

Arielle disse...

Essa solidão é preenchida algumas vezes, não por fatores externos mas por internos... já senti isso, mas perdi a sensação. Desculpe tantos comentários mas fiquei martelando com esses pensamentos... é algo que também me inquieta, e que só é 'curado' quando entro em um estado de consciência em que consigo ouvir minha alma falar... também sentes isso, Senhora?

ME disse...

Não tenho palavras para lhe dizer o bem que me fez ler o que partilhou neste texto. Sei que é egoísmo avaliar assim em função de mim, mas precisamente hoje foi um bálsamo ou uma poção purificadora, daquelas que amargam e libertam, ver escrito aquilo que é - também - a minha vida. Obrigada.

Rosa Leonor disse...

Minhas queridas mulheres e deusas, com que convicção o digo...obrigada pelas vossas palavras...porque são elas que me dão coragem, pela verdade pela transparência do SER MULHER, sim, inteira...sem ficções, à procura de si a partir do âmago e não de uma invnção de nós...

Grata querida Arielle...que testemunho tão gratificante para mim as suas palavras e a sua integridade...e se eu pude ter contrubuido para isso...então nada me poderia dar mais força nem vontade de persistir...

ME...eu minha amiga que só a verdade do ser nos liberta..e por isso sentiu o alívio que sentiu e não foi egoísta...Não, foi um eco...e obrigada por ter respondida desta maneira igualmente verdadeira. Estamos aqui...todas juntas...a caminhar para dentro de nós...
abraço do fundo do coração ambas as irmãs que aqui se apresentam...