"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, maio 11, 2012

Em que ao fundo brilha o horizonte certo.


PARA A AGRIPINA


Amanheceu a minha vida no teu rosto

 De uma doçura intensa e tão suave

 Como se um divino fundo nele brilhasse

 Eu era o que nascia soberanamente leve

 E encontrava na limpidez centro do equilíbrio

 Só em ti cheguei amanhecendo na minha madurez

 Entrei no templo em que a luz latente era a secreta sombra

 Foste sonhada por meus olhos e minhas mãos

 Por minha pele e por meu sangue

 Se o dia tem este fulgor inteiro é porque existes

 E é porque existes que se levanta o mundo

 Em quotidianos prodígios

 Em que ao fundo brilha o horizonte certo.


ANTÓNIO RAMOS ROSA,
in O TEU ROSTO
(Ed. Pedra Formosa, 1944)

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