"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quarta-feira, junho 27, 2012

AS MULHERES TORNARAM-SE AGENTES DO SISTEMA


A INSUFICIÊNCIA EMOCIONAL DAS MULHERES...

(...)

- Como define o poder no modelo de sociedade dominador ou em colaboração?
Riane:

Existem duas formas de olhar para o poder. Uma é a "espada" (que representa) o poder sobre o outro, o poder de dominar, destruir, matar. Esse é um tipo de poder.
Mas também existe o poder do "cálice", o poder de dar a vida, de alimentar a vida.
Ter uma vida rica em amor nunca foi considerado apropriado para os homens, por isso temos de prestar atenção aos estereotipos do que é masculino e do que é feminino.

- Porque tem início as culturas dominadoras?
Há alguma coisa que as explique?

Riane:

Existem várias teorias. Os dados sobre o cruzamento de várias culturas, como os inqueritos onde predominam o domínio masculino, concluiram que as culturas mais dominadas pelos homens surgem em ambientes de escassez. Existe uma maior tendência para desenvolver o modelo dominador em áreas onde a terra não era muito próspera. Ao passo que nas zonas férteis, onde a vida é mais fácil, a tendência é para a sociedade de colaboração. Creio que o modelo de dominação é caracterizado pela escassez (e não apenas escassez material), por guerras destruidoras e violentas, E TAMBÉM POR INSUFICIÊNCIA EMOCIONAL.

-Porque é que as mulheres são controladas nas sociedades de dominação?

Riane:

Para começar as mulheres representam trabalho não-remunerado no modelo dominador. São objetos de posse, tal como os filhos. Acho que um dos causadores disso é o trauma. Graças ao meu trabalho na área de neuroquímica cerebral, sei que individuos traumatizados costumam-se envolver em conflitos ou fogem. Por isso o trauma está institucionalizado, devido à escassez de segurança, tornou-se perpétuo, é o sistema.


-De onde vem o receio da sexualidade feminina?

Riane:

Não sei se é receio. Creio mais que é um desejo de controlar. Os homens não tem naturalmente receio das mulheres, mas faz tudo parte do modelo social dominador. E muitas vezes as mulheres descarregam, se me é permitido dizer isso, muita da sua frustração recalcada nas sociedades dominadas por homens, nos únicos homens em que podem fazê-lo, os filhos. Por esse motivo há uma propagação. As mulheres tornam-se agentes do sistema. É por isso que costumo dizer que não é uma questão de mulheres X homens, e sim uma questão de as pessoas fazerem aquilo que foram "ensinadas".(...)

EXCERTO DE UMA Entrevista a Riane Aisle

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