"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, junho 08, 2012

UMA SAUDADE ETERNA...


O AMOR DA NOSSA MÃE VERDADEIRA...
 
Há uma dor sem nome que nos dilacera...

Acontece-me muitas vezes, TAL COMO HOJE  ser tomada por essa dor que me corrói por dentro  a par de uma enorme solidão ao saber tudo isto e de sentir todo este universo de dor nas mulheres e ao fim de tantos anos de luta e tentativas de unir e juntar as mulheres, de as fazer sentir a necessidade dessa irmandade, essa filiação da Deusa, de nutrir essa confiança,  essa consciência de si mesmas, verifico ano após ano que ela é rara e que contiuamos hostis por vezes, agressivas umas com as outras, atentas não a nós, a essa essência ainda desconhecida, mas tão perto já...e cegas, continuamos presas ao "amor" que queremos do "outro"...sem nunca olhar que o que nos impulsiona para isso e quase sempre é o nosso vazio interior, essa falta de identidade MULHER, essa falta de amor em nós. E perante o nosso desespero e vazio o que ainda e só pensamos é no prazer sexual e no homem ou no filho como a única forma de "preenchimento" e de "realização" do nosso Ser:


Continuamos a fazer tudo para colmatar esse desejo e esse sonho sem ver o NOSSO VAZIO INTERIOR, sem querer olhar para esse antagonismo com as outras mulheres, essa raiva/intolerância zero, pois quase sempre rejeitamos na outra mulher a mãe ou a irmã, a mulher mais nova ou a mais velha...conforme a nossa ferida com a Mâe...Essa ferida sempre a projectamos na outra, na busca inconsciente da mãe má ou da boa mãe de quando éramos crianças ...e como esse sentimento que ela nos desperta por vezes nos leva ao confronto com a "outra" que é ou pensa diferentemente de nós...
Sim, agimos sem querermos ver de onde vem essa dor antiga, essa cisão, esse velho cisma que divide metade da humanidade Mulher e a separa da outra metade homem, por quem luta e que se submete, alienando-se de si como se fosse a coisa mais natural do mundo. Muitas vezes julga-se uma mulher livre, ou resolvida... mas isso só significa uma barreira, uma defesa, uma couraça que a impede de chegar a essa ferida e a si mesma e o que tem e vive é um ódio calcinado dentro de si por todas as da sua espécie...ilibando quase sempre o predador homem...

Sim, isto a mim dói-me na alma...e não sei bem porquê hoje mais do que nunca. E mais ainda cada vez que uma mulher fere outra em defesa do homem, pela desconfiança e o ódio, culpando sempre a outra mulher. Parece que o sentido da minha existencia e o meu trabalho perdem força...e eu penso o que sentirá a Grande Mãe e a Grande Deusa...esse AMOR grandiosos perante a nossa luta e divisão quando Ela nos tenta acordar para Ela, PARA NOS TORNAR INTEIRAS e espera por nós para darmos ao mundo outra dimensão de amor que é TODA A SUA MANIFESTAÇÃO NA TERRA...
E nós, alienadas pelo domínio patriarcal, o seu mundo fictício, de venda e comércio apenas, usando-nos como objectos de prazer, servindo-se do nosso corpo aleatóriamente, nós não vemos que essa "saudade de não se sabe bem do que, e a solidão que consome muitas vezes", vem de dentro de nós, é saudades de nós mesmas. Vem "da distância de nós mesmas o tempo todo..." ( RMB)
Vem da SAUDADE DELA...do seu seio, do seu abraço infinito...
E Ela só se podera manifestar em nós e na terra quando nós formos mulheres inteiras. Quando unirmos as duas mulheres separadas, quando unirmos a Mãe e a filha nesse abraço!

rosa leonor pedro

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