"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, agosto 07, 2012

AS NOVAS SOLIDÕES...

SOBRE AS MULHERES?

(A VELHA SOLIDÃO DE SEMPRE AGORA MASCARADAS DE NOVOS COSTUMES E UMA MAIOR LIBERDADE , SIM...)

EU NÃO LI O LIVRO, MAS LI ESTE APONTAMENTO DE CRISTINA SIMÕES:

"Li nas férias As Novas Solidões de Marie- France Hirigoyen, que analisa estados de solidão vividos com energia e inspiração por homens e mulheres na nossa sociedade, mas também o isolamento sofrido de muitos de nós. Voltarei a vos falar deste livro. Por agora, uma breve passagem:
"Depois da separação, é raro as mulheres procurarem de imediato voltar a viver a dois no sentido tradicional. Elas consideram que precisam de um certo período de recuperação, sozinhas, para se recompor, reconstruir. Para uma nova vida a dois, elas impõem condições, como explica Lara , 45 anos:
  
Não me importo de voltar a viver com alguém, mas é preciso que valha a pena. O outro tem de me dar algo mais, não apenas a sua presença, mas também segurança material, introdução a um ambiente social mais educado e, sobretudo, um estímulo intelectual, cultural ou uma abertura para um mundo desconhecido.
A maioria das mulheres já não quer as relações de força que uma relação amorosa implica muitas vezes; estão cansadas dos jogos de sedução, das tomadas de poder de um e de outro, do receio permanente de serem deixadas. Algumas mulheres tentam encontrar um novo companheiro, mas têm consciência de que, para isso é preciso preparar-se. Em primeiro lugar, têm de virar a página da vida passada; depois, organizar-se, mostrar-se feminina – pois os homens procuram mulheres sexy que estimularão a sua libido -, dar a ilusão de ligeireza – pois uma mulher atormentada não é atraente - , saber todavia gerir problemas de intendência – pois um homem não gosta de olhar para um futuro com problemas – e fingir felicidade – pois como seduzir quando se toma antidepressivos com o aperitivo?
Perante tantos esforços, algumas mulheres desistem. Para cada veza mais mulheres, independente do que digam e, sobretudo, do que dizem as revistas femininas, o amor não é prioridade. Primeiro, elas procuram realizar-se profissionalmente e obter uma certa segurança material para, de seguida, tratar da estabilidade amorosa. É o caso da Béatrice, 57 anos, enfermeira:
Não ponho em causa o amor dos homens, mas é um amor que implica que eu trate deles e estou farta disso. Criei meus filhos, tratei dos meus pais doentes enquanto trabalhava, agora gostava de encontrar alguém que tratasse de mim e, como sei que não vou conseguir, prefiro estar sozinha.

Atualmente, quanto mais uma mulher adquire autonomia, mais difícil será voltar a viver a dois depois de um divórcio. Ela já sabe gerir o tempo, o dinheiro, os passatempos, as amizades e não está disposta a aceitar qualquer tipo de controlo. Sente um verdadeiro prazer em dominar a situação. As mulheres que vivem bem nesta solidão são frequentemente perfeccionistas, irrepreensíveis; têm por vezes um ego supercontrolado, que procura atingir a perfeição."

Marie- France Hirigoyen As Novas Solidões - Na Era da Comunicação Estamos Todos Mais Sós Caledoscópio

5 comentários:

Else Schumann disse...

Nascemos e morremos sós.
Pior é viver na ilusão de que se não está só tendo alguém ao seu lado.

Realização é importante para todos nós. "Ter" alguém é realizar-se ou é uma parte da vida?

Onde vc coloca sua força, ali você está. Focar em algo, fazer uma parte de sua vida mais importante que outra, este é o erro.

O caminho da evolução está na individualidade.

"Os homens são maus, mas o homem é bom"

(Rabindrantah Tagore)

cristina simões disse...

Olá Rosa Leonor
É bom saber que apreciou este texto. Para ser sincera quando o escrevi, pensei em si, devido ao que nos move "nestas escritas". Obrigada pela referência que faz ao meu blog. Eu gosto muito da autora e na verdade o meu próximo post ou mais alguns outros, será sobre a outra abordagem que ela faz sobre a "boa solidão".
fique bem
cristina simões

Rosa Leonor disse...

oLÁ Cristina

Tenho com sabe uma grande empatia com o seu blog e a sua escrita...mas nem sempre os seus textos se inserem na minha linha...e isso é independeente do apreço que me suscitam. Obrigada eu pela sua presença e também pelo seu trabalho...A consciência psicológica para mim é absolutamente fudamental para qualquer outro processo de conhecimento do ser...e da alma.
um abraço - continuarei a seguí-la e talvez procure ler o livro...
rleonor

Rosa Leonor disse...

Else...obrigada por me acompanhar e ter deixado esta nota valiosa...conto consigo no caminho...

abraço afectuoso

rleonor

Arielle disse...

mulheres que depois de experimentarem a "receita de bolo" que é a felicidade recomendada socialmente (nasça, estude, passe no vestibular, arrume um namorado, trabalhe, case, tenha filhos, morra - como se a vida se resumisse a isso) a rejeitam, não é muito comum... infelizmente o que eu mais vejo são senhoras, divorciadas, viúvas, ficam tentando e tentando de novo, em um desespero fora de sério... suas vidas ficam sem centro se não tem um homem. nada contra senhoras que namoram ou se casam novamente, apenas se espera que essa bolha de ilusão que torna o homem o centro da felicidade delas (filhos, marido) já tivesse explodido... quando uma mulher realmente se respeita, o contexto de um relacionamento amoroso é outro, quando ele existe...ela naturalmente exige mais... é sinceramente uma das maiores dificuldades pra mim(mesmo nova) hoje... não consigo me contentar com essa 'receita de bolo'.