sexta-feira, junho 29, 2012

DEVOLVER ÀS MULHERES O SEU PODER INATO



“Primeiro, trabalhem no sentido de devolver poder às mulheres, porque se o fizermos em todo o mundo, é óbvio que estamos a fazê-lo também  a nós próprias. Criamos não apenas oportunidades para as outras, mas para nós mesmas e nossas filhas e filhos, porque só dando mais poder às mulheres podemos alterar o sistema de domínio que hoje nos ameaça. Que o nosso objetivo seja estarmos activamente envolvidas. Arranjem uma maneira de ser auto-suficientes do ponto de vista económico – independente. Em todas as relações deve haver reciprocidade, E DEVEMOS IMPORTAR-NOS CONOSCO PRÓPRIAS. TENTE CEDER PERANTE SI PRÓPRIA. Escrevi em The Power of Partnership que a regra de ouro era maravilhosa. Fazer aos outros o que querem que te façam a ti. Mas que tal se fizermos a nós próprias aquilo que gostaríamos que nos fizessem...rs...(risos dela...rs...)

- Um dos melhores conselhos é: não aceite muitos conselhos! rs... Procure a resposta em si própria. Tente perceber o que a tem retraído, ouça a sua voz autêntica e procure seguir os seus conselhos. Esse pode ser um dos maiores desafios paras as mulheres...”

 NÃO DE VEMOS CEDER QUANDO NOS DIZEM QUE:

“... não devemos QUERER... não devemos desejar, devemos é ser desejáveis, desejadas pelos outros, Não devemos ter objectivos, nosso objectivo deve ser ajudar os outros. Bem, fomos mesmo bem ensinadas a renunciar!

Uma grande parte da nossa alegria como seres humanos está em empenhar-se, em desejar, em antecipar. Mas a propaganda dominadora diz-nos "Não se preocupe, está tudo em ordem, só precisa estar alheio e renunciar ao prazer e à alegria."...”


excerto de entrevista a riane aisler

MULHERES MAGNÍFICAS


VANDANA SHIVA


- “Vejo sinais de esperança onde quer que haja resistência. Cada comunidade na Índia que luta contra o roubo de terras, que participa do nosso movimento Navdanya, para que as sementes continuem sendo um bem de todos. Todos os que rejeitam a economia suicida da Monsanto, praticando uma agricultura biológica, ou todas as comunidades que lutam contra a privatização da água. Tudo o que se passa nas ruas de Madri, da Irlanda, da Islândia, na Grécia, os resultados do referendum nuclear na Itália… Esses são todos sinais extraordinários de esperança.

“Tudo o que precisamos é de uma nova convergência. Uma convergência global de todas as lutas. Assim como a liberação de nossa imaginação. Não há limites para o que podemos criar.»



Vandana Shiva alia a física quântica ao activismo social para resistir pacificamente a um sistema que considera ter colonizado a terra, a vida e o espírito. Conta-nos como começou a defender a floresta, as sementes e os modos de vida e produção locais contra o controlo e o registo de patentes feitos pelas multinacionais.

A análise de Shiva vai mais além: remete-nos para as profundas implicações que o sistema capitalista patriarcal tem na construção de um mundo desigual, com consequências dramáticas, como a fome ou as alterações climáticas, que, para Shiva, são sintomas de implosão de uma civilização que falha material e espiritualmente. A nossa civilização, para sobreviver, terá de rever o seu modelo de compreensão e de interacção com o mundo, tendo como exemplo o conhecimento holístico das civilizações chinesa e indiana, que, para Shiva, sobreviveram à História essencialmente porque diferem do Ocidente na relação que estabeleceram com a natureza.”

Rtp – 2




SILENCIOSAS ESCRAVAS...


A LIBERDADE FEMININA…


"Porquê, mãe, que sabias tu da liberdade feminina, da opção feminina, da autonomia feminina? Não era a mulher a serva do maridos, como Sara de Jacob, como Maria de José e, ainda, Maria de Jesus o seu filho mítico, Raquel de Abraham? E a Judite, servidora do seu povo? E a tua Teresa de Ávila, sabia para o seu povo? E a Madame Curie, companheira sobrevivente do sábio do radium? Sabia ela também? E as mulheres tuas descendentes, da tua geração descendente, empresas autónomas que partilham a vida com o seu hoje companheiro? Como ias tu explicar o que nunca soubeste nem ver nem fazer? Mãe, porque recuperar a força autónoma quando o pai já não pode mexer? Como sobrevives ao teu objectivo de vida? Ao teu definido objectivo de vida? Ao teu público objectivo de vida? E querias que nos homens, com senhoras senhoras.

Com senhoras de genealogias. Com senhoras graduadas. Querias que tivéssemos senhoras autónomas como as nossas silenciosas escravas?"
(...)

* Paulo Iturra
in: MULHERES PORTUGUESAS DO SÉCULO XX



VARIAÇÃO EM DÓ MAIOR…


Penso nessas mulheres dentro do Sistema...no século XX e antes e depois; penso nas mulheres que pensam e escrevem hoje para o sistema de crenças em que foram muito bem educadas...e que são fiéis aos seus princípios...politicamente correctas e crentes do bom deus...Senhoras senhoras com quem os filhos das altas classes casavam…

Penso nas mulheres das classes "privilegiadas", nessas "senhoras de genealogias. (...) senhoras graduadas. (...) senhoras autónomas como as nossas silenciosas escravas?"*

Senhoras que hoje se julgam livres e escrevem caladas sobre a dor de serem escravas...senhoras moldados no silêncio de séculos, mães, amantes, rainhas e concubinas, divididas entre amantes e maridos, disfarçadas de modernas, que se crêem resolvidas e de bem com Deus e o Estado...Elas dizem O Homem, e elas repetem as suas palavras que são a negação de si como mulheres, a sua servitude, a sua perversa impostura de "boas mães e boas esposas"... Elas escondem a sua frustração e a sua agonia, mas são essas mulheres psicólogas totalmente desequilibradas a nível pessoal ou médicas falsamente dedicadas, que desprezam as outras mulheres, mas podem ser muito caridosas e até fazerem serviço voluntário junto das mulheres pobres e desgraçadas, e até prostitutas de rua e benzem-se piamente depois... Sim, católicas, boas católicas...que antes poderiam ser freiras se o pai decidisse ou beatas de sacristia ...mas agora  são as filhas dessas senhoras, que  são escritoras de sucesso mediático, entrevistadas pela televisão; são mulheres que estão nas montras das livrarias e dão as mãos a padres missionários e senhores ministros...têm deputados por maridos, advogados milionários, donos de Bancos; sim, são essas mulheres que são rapidamente celebradas pela máquina...engolidas pela publicidade...que vendem aos milhares as suas novelas cor-de-rosa e histórias de princesas e de marquesas que gostavam de ser...inventam uma Marquesa de Alorna em versão erótica ou uma rainha louca decapitada...para as milhares de pobres coitadas, senhoras de nada…

Sim, são essas as filhas das "senhoras de genealogias", agora "senhoras graduadas." (...) "senhoras autónomas como as nossas silenciosas escravas?"*

Rlp


quarta-feira, junho 27, 2012

AS MULHERES TORNARAM-SE AGENTES DO SISTEMA


A INSUFICIÊNCIA EMOCIONAL DAS MULHERES...

(...)

- Como define o poder no modelo de sociedade dominador ou em colaboração?
Riane:

Existem duas formas de olhar para o poder. Uma é a "espada" (que representa) o poder sobre o outro, o poder de dominar, destruir, matar. Esse é um tipo de poder.
Mas também existe o poder do "cálice", o poder de dar a vida, de alimentar a vida.
Ter uma vida rica em amor nunca foi considerado apropriado para os homens, por isso temos de prestar atenção aos estereotipos do que é masculino e do que é feminino.

- Porque tem início as culturas dominadoras?
Há alguma coisa que as explique?

Riane:

Existem várias teorias. Os dados sobre o cruzamento de várias culturas, como os inqueritos onde predominam o domínio masculino, concluiram que as culturas mais dominadas pelos homens surgem em ambientes de escassez. Existe uma maior tendência para desenvolver o modelo dominador em áreas onde a terra não era muito próspera. Ao passo que nas zonas férteis, onde a vida é mais fácil, a tendência é para a sociedade de colaboração. Creio que o modelo de dominação é caracterizado pela escassez (e não apenas escassez material), por guerras destruidoras e violentas, E TAMBÉM POR INSUFICIÊNCIA EMOCIONAL.

-Porque é que as mulheres são controladas nas sociedades de dominação?

Riane:

Para começar as mulheres representam trabalho não-remunerado no modelo dominador. São objetos de posse, tal como os filhos. Acho que um dos causadores disso é o trauma. Graças ao meu trabalho na área de neuroquímica cerebral, sei que individuos traumatizados costumam-se envolver em conflitos ou fogem. Por isso o trauma está institucionalizado, devido à escassez de segurança, tornou-se perpétuo, é o sistema.


-De onde vem o receio da sexualidade feminina?

Riane:

Não sei se é receio. Creio mais que é um desejo de controlar. Os homens não tem naturalmente receio das mulheres, mas faz tudo parte do modelo social dominador. E muitas vezes as mulheres descarregam, se me é permitido dizer isso, muita da sua frustração recalcada nas sociedades dominadas por homens, nos únicos homens em que podem fazê-lo, os filhos. Por esse motivo há uma propagação. As mulheres tornam-se agentes do sistema. É por isso que costumo dizer que não é uma questão de mulheres X homens, e sim uma questão de as pessoas fazerem aquilo que foram "ensinadas".(...)

EXCERTO DE UMA Entrevista a Riane Aisle

quinta-feira, junho 21, 2012

CANTO-TE


No espaço é que tudo acontece
e o espaço é uma grande        muito quieta
onde os nossos olhos penetram
no não sabermos até onde
ali
além
no além onde tudo acontece
Oh
oh espaço de tudo ser tão ligeiro e impalpável
e sermos nós a respiração da
teu bafo ritmado
imperceptível distância
Oh       augusta majestática dignidade do silêncio
Oh impassibilidade da tua mecânica celeste
Oh organismo primeiro de todos os fins secretos
da compreensão das coisas
Oh inorgânico organismo dos seres
que se devoram
Oh       diz
a quem servimos nós de pasto
Canto-te
como quem pronuncia o Mantra esotérico do teu nome
Canto-te e grito
para que a poeira que se infiltra em todas as
coisas se erga de ti como um plâncton
Oh Madre
matriz das criaturas inferiores que rastejam
a teus pés cobertas de pó
esse pó que a cada momento ameaça submergir-nos
Oh aranha enorme tecendo tua teia de pó
Oh       que desintegras tudo e tudo tu constróis
Ah       como nós lambemos tuas duras mãos
Oh       que fustigas nossos olhos com tua sombra
Enorme
Oh         que deixas tanto espaço para o silêncio
         das mil pétalas
         dos mil braços esplendorosos em seu abandono
         dos murmúrios
          dos afagos
          sangue derramado sobre o mundo
Oh
Porque és sempre tão premente?
e sempre estás ausentemente
na tua constância em todas as coisas?

Oh sono
Oh         morte tão desejada e longa
         mágica povoada de átomos
milhões de espíritos enchem o teu sopro
E penetras em nós como uma bala
E tudo morre quando tu chegas
E tudo se dilui e se transforma em ti
            alada presciência de tudo acontecer
tão longe de nós e tão antigamente
e tudo nos ultrapassar com soberana indiferença
ante os nossos olhos cegos pelo teu negrume
Oh
brilha para dentro de mim
Acende teus luzeiros em meus olhos
Ergue teus braços oh            prenhe de tudo
Oh vaso
Oh via láctea de nos amamentares com teu leite
de sombra
Oh       úbere e pródiga
Aleita tua ninhada faminta
Grande fera luzidia
Grande mito
Grande deus antigo
Oh         urna onde todos dormimos
Oh
Meus olhos choram já de tanto prescrutar-te
E canto-te
Canto-te
Para que tu existas
E eu não veja mais nada além de ti
E nada mais deseje senão que venhas outra vez
levar-me para dentro do teu ventre
de nunca mais haver
E nada mais haver que


Oh tu         definitivamente além



Ana Hatherly
Poemas de Eros Frenético e Contemporâneos
um calculador de improbabilidades
Quimera

quarta-feira, junho 20, 2012

Radical, dizem...




GÓTICA EU???


Quando eu digo que não sou feminista... ("mas antropologicamente lúcida"...) muitas mulheres se chocam comigo...e eu compreendo. Mas o que eu queria que compreendessem é que de facto, a luta da mulher de hoje não é mais pela igualdade...mas sim contra essa "igualdade" - porque a mulher se tornou como o homem...e isso, quanto a mim, não era suposto...

Assim, quando eu vejo mulheres parafrasearem frases como estas:

" Mulher de um homem só, é uma mulher sofrida. Mulher que tem dois homens, é evoluída. Mulher que tem três homens, é uma atrevida. E a que tiver mais, ela não sofre, ela curte a vida.''

Isso deixa-me siderada…e vejo o erro que se cometeu ao encarar a liberdade  tendo como referência o padrão sexual masculino…
O homem é viril se tiver muitas mulheres, mas a mulher a ter muitos homens é o quê? Uma atrevida? Ou uma p…????

Então que feminilidade é essa?

Não, não creio que essa seja a liberdade nem a verdade da mulher…mas sim a afirmação na negação da sua força e poder interior inato, a negação da sua dignidade, da sua totalidade. A mulher é muito mais do que um sexo e um corpo… A mulher não é nem a Cinderela ou Gata-borralheira das nossas histórias à procura do príncipe, eternamente adormecida à espera do beijo do sapo…nem a mulher atrevida aparentemente desinibida de hoje em busca de muitos machos…que os “seduz” e larga…ou os deixa de rastos…como antes eram os homens…
A Mulher não é nada disso, ela não corresponde a esses estereótipos que a reduzem a uma profissional, a mulher fatal, prostituta ou esposa…Ela é um Ser sagrado e como tal devia sentir-se e ser encarada.

A Mulher é a fonte da vida. É ela que  ampara e suporta  o homem desde que nasce até que morre, é ela que o inicia ao  AMOR e o ensina na VIDA, desde que nasce. 

O drama das nossas sociedades é essa mulher não existir…essa mulher foi apagada da História. Por isso essa mulher desapareceu da face da Terra e deixou de fazer parte da humanidade há centenas de anos. A mulher foi-se tornando aos pouco um ser  amorfo, um ser sem vida própria; a mulher dos primórdios foi inteiramente esquecida e apagada das escrituras ditas sagradas, dos manuais e da própria língua falada. Não se diz Mulher mas o Homem no sentido da Humanidade. A mulher aceita essa aglutinação do seu ser. A mulher intelectual a escritora, académica, ou a catedrática, aceita este apagão, não se questiona, ela é a serva do sistema, defendo-o, contra ela mesma. Ela não se relaciona com essa mulher total, primordial, a antiga sacerdotisa, a profetisa, a vidente, a curadora, a parteira, a Mãe amante e livre, a Mulher integral, não dividida, a mulher consagrada, ela nega-a…e ri-se da ideia da Deusa na Mulher…e me chamam a mim androfóbica*...

E ela diz :

“Porquê? Mas PORQUEEÊ??

Eu gosto de ser gaja. Gosto de usar brincos e pulseiras e sandalinhas, de vestir lingerie, de poder variar entre saia de todos os tamanhos, calças, vestidos, camisas, tops, camisolas (ui agora é que me vão chamar frívola), ser mais inteligente que os homens (ahahahah), de ter sexto sentido (no meu caso avariadíssimo), de usar maquilhagem, de chorar com filmes românticos (pronto eu choro em filmes de qualquer género), de fazer coisas de meninas e beicinhos, de receber flores, que eles nos abram a porta para passarmos ou nos puxem a cadeira para sentarmos, de saber que posso ter filhos, enfim... de todas as características da feminilidade...
 ...mas porque é que temos que ter o filho da p*** do período e todas as rabugices, dores e mudanças de temperamento a ele inerentes?!? “pmv

Ela chama feminilidade a todos esses fragmentos de si…a toda essa herança do papá…a todos os caprichos da menina mimada…pelo pai…ela é uma mulher dos nossos dias, inteligente…resolvida…como se diz toda a mulher que convive com esta sociedade falocrática…

Não, a Mulher “moderna”  e resolvida não sabe nem sonha que essa Mulher Inteira, essa mulher ancestral,  está esmagada dentro de si, adormecida… ela não sonha o seu potencial, o que essa intuição lhe revelaria se se abrisse a ela de coração e alma…
Ela não sabe nem sonha como é urgente e  preciso resgatar essa Mulher em si das sombras do catolicismo, das trevas do patriarcado, dos escombros da civilização romana, das máfias, todas as Máfias, as Farmacêuticas e os empórios da Moda e da Cosmética, das sociedades economicistas modernas…

Até que isso aconteça, até que a ConSciência do feminino integral e o Sagrado Feminino seja um Princípio, uma ética, as mulheres na nossa sociedade sejam elas de que classe forem, ricas ou pobres, intelectuais ou ignorantes, serão sempre uma pálida imagem de si mesmas: fragmentadas e divididas, carentes, histéricas, doentes e fragilizadas…à procura da sua metade, do príncipe encantado, do homem ideal, o cavaleiro…na triste figura do “cavalheiro” de há umas décadas, afinal o vampiro que lhes há-de sugar o sangue até a última gota…

Gótica eu?

Não, sou só antropologicamente lúcida…

rlp

*A Androfobia é o medo anormal de homens, e é o oposto de ginofobia.

terça-feira, junho 19, 2012

A SABEDORIA DA TERRA


Quando a MENTE SE UNE AO CORAÇÃO
TUDO É POSSÍVEL
(...)


- Quando olha aos olhos e deixa entrar ao outro em ti e você entra no outro e te faz UM. Essa relação de amor é para sempre, aí não tem aborrecimento. Devemos entender que SOMOS SERES SAGRADOS, que a Terra É NOSSA MÃE E O SOL NOSSO PAI. Até há pouco tempo os huicholes não aceitavam escrituras de propriedade da terra. ‘Como vou a ser proprietário da Mãe Terra?’, diziam.
-Aqui a terra se explota, não se venera.
-A felicidade é tão simples!, consiste em respeitar o que somos, e somos terra, cosmos e grande espírito. E quando falamos da mãe terra, também falamos da mulher que deve OCUPAR SEU LUGAR DE EDUCADORA.

-Qual é a missão da mulher?

-Ensinar ao homem a amar. Quando aprendam, terão outra maneira de comportar-se com a mulher e com a mãe terra. Devemos ver nosso CORPO COMO SAGRADO e saber que o sexo é um ato sagrado, essa é a maneira de que seja agradável e nos encha de sentido. A vida chega através desse ato de amor. Se banaliza isso, o que ficará? Devolver o poder sagrado a sexualidade muda nossa atitude ante a vida. . Eu quero dizer algo a todo o mundo…
(...)
AVÓ MARGARITA
in pistas do caminho

O DESPERTAR DO INCONSCIENTE ECOLÓGICO...


PARA AS MULHERES E HOMENS BRASILEIROS UMA OPORTUNIDADE DE SE JUNTAREM A UM EVENTO EM DEFESA DA TERRA DEUSA -

"Segundo nos conta Clarissa Pinkola Esthés na antiguidade existia uma profunda devoção pelas árvores reais, pela sua capacidade de ressecar e de voltar à vida. A árvore era realmente uma maravilhosa mãe selvagem. Porém a árvore florida precisa sofrer a amputação.
O único motivo pelo qual temos condição de suportar essa ideia (nós mulheres) está na promessa de que alguém, em alguma parte no lado oculto da psique, está à nossa espera, para nos ajudar, para nos curar."

(Xuxuta Gave)

sábado, junho 16, 2012

A RAIVA É ENERGIA...


A IMPORTÃNCIA DA NOSSA RAIVA...

Todas as mulheres devem aprender que NINGUÉM pode provocar a nossa raiva. A nossa raiva é nossa, e está a dizer-nos algo que precisamos saber. Eleanor Roosevelt disse uma vez:«Ninguém a pode fazer sentir-se inferior (ou irada, ou triste) sem a sua permissão.» A raiva é energia - o nosso combustível pessoal para levantar voo. Está a dizer-nos que algo nas nossas vidas precisa de um ajustamento. Está a dizer-nos que há algo que queremos mas que não sabemos que queremos. Da próxima vez que se zangar, diga a si mesmo: «Ah! A minha orientação interior está a trabalhar. O que é que eu quero aqui? O que é que eu quero que aconteça aqui?» A raiva é frequentemente uma manifestação da energia necessária para fazer esse ajustamento. Esta emoção é perigosa apenas se a negarmos e a acumularmos nos nossos corpos. A raiva, e todas as outras emoções «negativas», podem servir-nos bem quando não as viramos contra nós como depressão, nem as lançarmos contra os outros. 
Christiane Northrup
 

UMA ESPÉCIE VIRADA CONTRA SI MESMA

EM QUE MUNDO VIVEMOS NÓS?

- Às vezes a ênfase na nossa crise económica, a perda de poder de compra, a cultura e a expansão da arte…a literatura e o cinema, a importância desmedida da psicologia ocidental sobre as relações amorosas, as nossas neuroses, depressões e maquinações, a exacerbada e pretensa importância do amor do pai para a criança ocidental…e todas as nossas doenças mentais e classificações psíquicas entre sádicos e masoquistas, narcísicos e bipolares etc. etc. me dá uma raiva imensa...como se nos pudéssemos dar a este luxo doentio de nos sentirmos coitados perante quadros abomináveis de seres humanos que vivem neste planeta…ao nível mais básico e miserável da expressão humana, quase ao nível da besta…
Não seremos nós todos, esses animais pré-históricos, ou descendentes desses deuses estrambólicos e loucos, agora tão sofisticados e convencidos de uma qualquer progresso tecnológico, que a ser real impediria toda esta discrepância de vidas na Terra e nem um só SER HUMANO verdadeiramente evoluído poderia permitir jamais esta convivência de perto com a fome e a guerra, a violação de mulheres e crianças, a matança de animais e todas as aberrações de uma espécie virada contra si mesma? Atacam-se os animais selvagens uns aos outros mais do que a raça humana?
Mas não é justamente da índia que vêm as grandes escrituras, de onde provêm essas cosmogonias dadas como sabedoria milenar e que nos dizem que tudo é Maya e Karma e Kaliyuga e as castas uma necessidade e toda esta miséria faz parte de uma só realidade que é a Roda da Fortuna…com os macacos a girar para cima e para baixo? E que todos nascemos em castas ou classes de acordo com a nossa necessidade de evolução ou nível de consciência e assim também o Ocidente será uma casta especial, como o vinho…de mesa?

rlp

Rosa querida,

Hoje falo um pouco sobre o humilhante " Dote"...

Há na cultura védica, referencias ao dote, mas sempre como algo nobre, em que a noiva levaria para a casa da família do marido (No Ramayana, Sita leva um belo dote, para Ram e familia) Mas, era uma espécie de agrado. Nunca exigido.

Hoje em dia, e engraçado, desde que cheguei à Índia , a situação alterou-se sensivelmente. Antes, algumas famílias, nada pediam à família da noiva, hoje em dia, e um pedir que não acaba mais. Imagine, um individuo que vive de pedalar uma Ricksaw, (valor 100 US Dolares) se quiser casar sua filha tem, por obrigação dar uma motocicleta (1.500 US dólares ) ao noivo e mais toda a mobilia, electrodomésticos. Senão, a filha não se casa e cai na prostituição. Por isso tentam casar as meninas o mais cedo possível, quanto menor a idade, menor o dote. Algumas coisas a também influenciam, se a menina for de pele mais escura que o noivo, o dote fatalmente será maior. Eles são obcecados, os indianos, em ter a pele clara, devido ao sistema de castas, pois a casta superior Os Brhamanas têm a pele mais clara, que vai escurecendo de acordo com a queda na casta. Os intocáveis têm a pele muito escura. Então há essa loucura de clarear a pele, por aqui, chama-se "bleaching", não importa o quanto isso estrague a pele, pois e muita amónia, mas elas se submetem...

Voltando ao dote, (estou falando dos mais pobres e classe media)

No casamento, que passa por varias cerimonias, no dia do casamento em si, tudo o que a noiva trouxe como dote e exposto no meio do salão. Constrangedor. Mesmo se for um bom dote. O problema, e que em uma família, com 2 ou 3 filhos homens, esse dote será distribuído e substituirá tudo o que estiver já velho na casa da sogra, que e aonde a pobre noiva vai morar. Lá, muitas vezes, ela conhece o noivo no momento do casamento, ela será estuprada na mesma noite, pois há que mostrar o sangue no lençol no dia seguinte para toda a família. Horror!!

(continuando, porque a electricidade acabou)

Na "casa da sogra, há uma hierarquia. Ela devera se for esposa do mais velho cuidar da sogra, cozinhar, fazer tudo. Se for esposa do mais novo, e pior ainda, pois alem da sogra, terá que ser vir a "Babi", como chamam a esposa do irmão mais velho. Sem dizer que nunca ira usar o pouco ouro (em ornamentos) que levou consigo. Vai para a família do noivo. Se , depois de algum tempo, o marido encontrar outra, que possa contribuir com maior dote, a pobre e colocada de molho em casa, como segunda escolha, ou assassinada(queimada com querosene ou enforcada), pois ela sabe q se voltar aa casa paterna, nao sera aceita. Vira prostituta. Ela tem um ano para ficar grávida e gerar uma criança, se for menina, será um inferno, normalmente são 3 chances. Se não gerar um menino, ela simplesmente será mandada embora de casa. Para aonde? Vira prostituta.

Ao menos, os muçulmanos têm o direito de possuírem varia esposas, e aceito pelo Koran. Elas vivem como podem, mas o ambiente e melhor, menos ódio. Conheço a comunidade islâmica aqui, e muito pobre e ignorada. Depois falarei das muçulmanas.

À noite escrevo mais, se houver electricidade.

A cidade esta em meio "estado de sitio" devido a um problema entre hindus (sempre começam o problema, esteja certa) e islâmicos, que esta se alastrando por todas as cidades próximas. Hoje está tudo fechado, lojas, comércio.
Só como curiosidade, o ódio é tamanho, que, há 10 dias atrás, em um dia especial para os muçulmanos, quando eles distribuem agua com um refresco de rosas para todos, na rua, (e claro que hindu não aceita), um velho, hindu, safado, aproximou-se das panelas com o suco e lavou suas mãos no liquido, pronto, foi o bastante. Resultado, vários mortos, hindus e islâmicos, comercio destruído e o problema se alastrando. O governo não faz nada.

Na Índia, Rosa, há um grande e silencioso sistema de liquidar a população pobre. Esse e um deles. Nada fazer. Deixar as criaturas se destruírem ate cansar. Isso não vai para as noticias nem aqui na Índia, ficamos sabendo, porque tudo se sabe por aqui.

Beijoca. Ate à noite!!!!!
A L

sexta-feira, junho 15, 2012

MUDANÇA NO BLOG...

MUDEI A IMAGEM DO BLOG E GOSTAVA DE SABER SE GOSTAM MAIS DESTA VERSÃO SE DA ANTIGA...
QUAL É A FORMA MAIS FÁCIL DE TER ACESSO E LER?

NÃO DEIXEM DE ME DIZER...POR FAVOR!

uma menina de 4 anos vale menos que 40 euros para o tráfico de órgãos

"O OCIDENTE: UMA PODRIDÃO QUE CHEIRA BEM,
UM CADÁVER PERFUMADO."
Emile Cioran



MULHERES NA ÍNDIA...
 

(DEPOIS DIGAM-ME SE EXISTE CRISE NA EUROPA E QUE CRISE É ESSA?)


- Pode escrever o que quiser. Tenho muito mais informação para você, pelo menos sobre a Índia, pois e meu dia a dia, e é terrível.

 O aborto e permitido ate o 6º (sexto) mês de gestação. Como a maioria da população e muito, muito pobre, não têm acesso a pré natal (já trabalhei nessa área, em 2 vilas de "intocáveis" (dói a palavra, não?) fazendo pré-natal. E esclarecendo também. As mulheres, mesmo as de casta mais alta não fazem ideia de como são seus corpos. Eu ia para os vilarejos, com um quadro negro e giz e explicava com eram os seus corpos por dentro. Pouquíssimas faziam ideia do que era o útero, apesar da palavra,"garba" (útero) ser muito usada. Pensavam que o bebe ficava nadando dentro da barriga das mães... Não sabiam que possuíam uretra e vagina...Como a homossexualidade masculina, aqui, é altíssima, as mulheres sofrem com o sexo anal, e ficam cheias de doenças, hemorróidas E lacerações. Os maridos preferem o sexo anal com as esposas ao sexo vaginal...As mulheres não gostam de que os homens usem preservativos, (condoms), dizem que não é completo o acto...

Pois, voltando aos muito pobres, eles são a grande maioria. Quando nasce uma menina, se não a jogam fora, no campo, no reservatório de agua, eles não dão nome à criança, não perfazem os "samskaras" que são os rituais, (jamais esquecidos em caso de meninos), ou se dão um nome, é sempre um nome horroroso, abusivo, e a menina carrega esse nome a vida toda, sendo motivo de chacota...As meninas são as ultimas a comerem, depois do pai, Irmãos, mãe. E só se sobrar, elas comem...

Não lhes são dadas roupas no inverno. Nunca são levadas ao médico quando estão doentes. Agora, no Verão, aonde moro que é uma região semidesértica, borda com o Rajastão, estamos em seca, então, os pais colocam as filhas, sentadas sob o sol (50 graus, hoje) sem água, e cinicamente fazem adoração da menina, pois dizem que e Devi, (a Mãe) e que essa austeridade trará chuva. E claro que elas morrem. A primeira vez que me deparei com isso, agarrei a criança, estava a trabalho, nas vilas, e dirigia um Jeep, e fui para o hospital. Não deu outra. A polícia e os moradores da vila vieram atrás de mim, a menina deveria morrer para trazer chuva...
Isso nunca acontece com um menino. No sul da Índia há esse mesmo costume, são homens jovens, dentro de tonéis cheios de agua e com guarda sois e sendo alimentados, para trazer a chuva.

Bom, uma menina de 4 anos vale menos que 40 euros para o tráfico de órgãos, de que a Índia e a China são os campeões mundiais…
Se a menina e maiorzinha, 10 anos e vendida para prostituição, aonde tomará harmónios em doses cavalares, e depois será revendida ate morrer de aids. Ninguém quer ter uma filha, pois implica um "dote", custa de acordo com a casta, idade, cor, e ainda correm o risco de serem mandadas de volta pela família dos maridos, perdendo o pouco que tinham.

Tem muito mais, Rosa, vou aos poucos, se você quiser saber. Por isso estou angustiada com essa história de meu chefe estar "grávido" e não estar dando a mínima para as crianças (são 2000 crianças) que ele mesmo começou a tratar. Sinto-me só, pois sou a única estrangeira aqui, nessa organização, e os indianos, principalmente os Hindus, são muito cruéis...

Não jogo a toalha, mas saiba que não é fácil brigar diariamente por essas crianças, sem o suporte de alguém...
Vamos nos falando
Tenho que contar essas coisas para o mundo, a censura, na Índia e terrível...


 Uma amiga que vive na Índia

quarta-feira, junho 13, 2012

O ABUSO SEXUAL E PSICOLÓGICO DAS MULHERES


PORQUE SÃO AS RELAÇÕES HOMEM MULHER DOENTIAS…

Parece mentira digo-me, mas há muitas mulheres e jovens ainda com medo de se enfrentarem, de se confrontarem com a sua realidade por vezes dramática de abuso psicológico por parte dos companheiros ou de violência doméstica e algumas, mesmo sendo já bastantes conscientes da sua prisão afectiva/sexual, não o são da sua cisão psíquica e emocional ou mesmo da sua falta de identidade/liberdade de serem inteiras. Elas não sabem o que está na base desse seu pendor para o sofrimento à partida, o porquê da sua sujeição, que vem de mãe para filha, e, apesar de não saberem bem o que as condiciona, nem verem claramente o que as atormenta, elas sentem o peso dessa tradicional e quase “natural” agressão de que são vítimas por parte dos homens em geral, dessa asfixia no casal, essa dor funda que se agudiza, essa ferida, comum às mulheres…mas não têm forças nem capacidade de se libertarem…

É um enorme peso atávico o que as prende a esses automatismos de fraqueza e “aceitação”…

Por mim seria normal pensar que essas mulheres pudessem ou quisessem dar um primeiro passo para se libertarem da prisão das relações doentias de dependência ou de violência psíquica…mas a verdade é que há muitas mulheres válidas e cultas que estão, para além da dependência económica, presas a um companheiro deprimido ou narcísico, dominador ou explorador ou mesmo agressivo, e que são incapazes de se libertarem e darem expressão ao seu ser verdadeiro e mesmo ao ver claramente o que as fere, o que as diminui e faz mal…elas não conseguem sair desses laços!

Normalmente as mulheres vivem  relações sufocantes que as aprisionam, e o mais comum é, por medo de perder o amor, repetem esse padrão uma vida inteira, seja por hábito ou por cansaço ou ainda por incapacidade de se libertarem, elas continuam a sofrer todo o tipo de afrontas e ofensas impostas pelos companheiros…elas abdicam de si e da sua liberdade, da sua expressão e identidade por causa de um filho, da casa, marido ou companheiro, as vezes homens-filhos…que buscam uma mãe…e muitos odeiam a Mulher…

O ano passado soube de uma médica na casa dos 40 que era permanentemente perseguida pelo companheiro entre o trabalho e a casa e que ele não a deixava um só momento viver fora da sua alçada e embora ela tenha buscado auxílio terapêutico, não conseguia deixar de sentir medo e viver aterrorizada pela opressão e vigilância que ele lhe fazia, ao ponto de gerar violência…e sei também ainda hoje soube, de outras mulheres inteligentes, até psicólogas ou escritoras… que têm relações asfixiantes e nada conseguem fazer para se libertar…o que nestes casos me parece inconcebível à partida. Porque elas não são “empregada domésticas”, nem mulheres pobres que os maridos exploram e são bêbados e lhes batem e nem mesmo sendo elas hoje em dia quem sustentam as casas o deixam de fazer e ainda lhes têm mais raiva e ódio…Mas estas mulheres não têm a cultura das outras, nem a instrução e falta-lhes a capacidade e meios de se libertarem; elas não têm alternativas e sendo essa a grande maioria, mulheres pobres ou classe média baixa, não têm as mesmas possibilidades que as mulheres cultas ou intelectuais, que no entanto vivem sujeitas ao mesmo padrão das mais pobres e não se conseguem libertar também.

Sim, eu sei o peso da educação secular e a forma com as mulheres de todas as classes foram educadas ou mantidas social e culturalmente presas a preceitos e conceitos que as diminuem e subjuga…e mesmo hoje que parece haver grande liberdade para as mulheres no mundo, os ditames estão lá e os sinais da sua escravidão também. Mesmo que intelectualmente sejam capazes de se olharem e verem os problemas ou de equacionar os seus dramas, elas são incapazes de sair dos impasses e de serem elas próprias a conduzir as suas vidas, sacrificando a sua liberdade interior e a sua verdade ao casamento ou à relação de dependência tantas vezes, mórbida ou violenta. E isto é transversal a todas as sociedades e culturas…


O que é que pesa então sobre as mulheres em geral, que carga é essa, que cegueira, que faz com que elas acarretem todo esse sofrimento e abdicação de si sem nada poderem fazer e abdicam de si e de uma dignidade em nome dos filhos e da família? Que família é essa onde a mulher é assim tratada? O que esperamos nós desses filhos que vivem esse exemplo…não será por isso que tudo se torna vicioso e doentio e assim temos a sociedade que temos…

 Como fugir a esse destino que parece ser inexorável e irreversível para a grande maioria das mulheres?

Como fugir ou contornar as leis e os preconceitos que a sociedade incutiu no seu espírito e as marcou, como fugir aos ditames de uma sociedade patriarcal e as suas leis que as cindiram, que as dividiram em duas... sabendo que essa divisão na maior parte das mulheres é absolutamente inconsciente... Como fugir a esses padrões em que a mulher foi educada, presa por todos esses parâmetros por que se rege a sociedade falocrática, que vive do imperativo do sexo, um sexo de afronta… e de que a nossa cultura, filosofia ou religião estão impregnadas e que permitem ainda essa exploração da mulher, alimentando a prostituição, incrementando essa divisão antiga, a separação da mulher como coisa como se fosse a coisa mais natural do mundo…Sim, as igrejas fazem isso e dessa maneira contribuem para que a mulher de uma maneira ou de outra seja sempre dominada e dependente? Não raramente vêm padres e bispos falar da família de da culpa da mulher…

E tudo o que a mulher sente e vive na pele muitas vezes é essa dor estranha que vem dessa cisão de si mesma em duas mulheres, esse medo e por outro lado essa luta pelo “seu” homem que mantém preso sob a ameaça da “outra”…E este enredo e rivalidade entre mulheres repete-se a toda a hora e em qualquer lugar no planeta…

È a “primeira-dama” francesa que se vira contra a primeira mulher do presidente Hollande, apoiando um seu opositor. As mulheres sempre umas contra as outra ao mais alto e ao mais baixo nível…

Porque há sempre uma mulher que têm direitos, sendo ela a propriedade do homem, pois se comprometeu e assinou um contracto, assinou um papel, sacrificando -se ao homem e ao sistema, que são os filhos e a casa e as demais obrigações... (e não digo que ela como mãe não ame os filhos e até o marido) mas é sempre partida dentro de si porque apenas uma metade dela que tem direito a sobreviver e lhe dá a legitimidade de esposa e a outra parte é reprimida, rejeitada, e a outra, é a mulher oculta de si...e que ela teme na “outra” fora e a espelha em tudo o que ela queria secretamente e nunca ousou fazer…que nunca foi capaz de ser porque a mulher tem medo de se exprimir na sua inteireza: ela pode até já saber como se sente dividida ou suspeita de uma outra que é ela mesma, mas que sempre apontou fora como persona não grata, e agora falta-lhe a coragem de ser inteira, até porque está perdida de si há séculos…e ela continua a ver a sua sombra na mulher perversa que lhe rouba o seu marido ou lhe tira o filho …como a mulher perversa inveja a mulher legítima que queria e não pode ser…

A mulher moderna não sabe como começou essa divisão, não se lembra…e por isso não tem consciência!

Ela não sabe, não se lembra…Sim, não se lembra de todo como é que perdeu essa inteireza e essa alegria que surgia quando era menina, essa espontaneidade de adolescente, essa ânsia no coração que a despertava do sonho, não sabe e não se lembra que aos poucos perdeu essa sua parte instintiva, sensual, ardente e selvagem, a que corresponde a sua força, a sua alegria...pois sempre que a manifestava e se soltava era olhada com desprezo e julgada como um mal provável, uma ameaça para a família ou para a sociedade... e assim a menina mulher aprendeu cedo a reprimir-se, a esconder essa parte de si, sim, essa parte de si mais profunda e autêntica, para poder ser exemplo de “uma boa menina” e ficar ao serviço da família e do homem ou do estado...então ela fez tudo e tudo de si deu... deu-se no corpo e no sexo, deu-se em esforço e sacrifício tentado ser o que dela esperavam...mas não se pode dar a ela mesma porque ELA - a força da Natureza em si ou a Deusa, - não estava lá...

Então um dia a mulher acorda do seu cansaço, da sua tristeza ou amargura, da sua raiva ou da sua nostalgia, ou pela idade ou por uma doença fatal e súbita ou pelo desgosto da perda…da desesperança de obter aquilo que uma vida inteira não obteve: o reconhecimento do seu valor, da sua força, da sua coragem, da sua entrega, do seu sacrifício…e desaba…

Sim, ela cansou-se de tal modo que teve um esgotamento, uma grave depressão…e acordou, sim, finalmente percebeu que está vazia dela mesma...que há um enorme buraco no seu coração, uma enorme ferida de rejeição de si...e começa a buscar os seus pedaços, os seus fragmentos e assim, já quando tudo parece perdido, ela ergue-se como a Fénix…e começa a renascer das cinzas de si mesma...porque ela morreu…e vê que se deu sem se dar, que se abriu sem se abrir, que amou sem se amar…e que o seu coração sempre esteve partido em dois…em esforço e sacrifico, à família, aos filhos e a tudo o que exigiam dela…o marido ou o companheiro que a tolhia e lhe dizia: “tu não és esta ou tu és aquela” e que sempre a acusou de não fazer nada…de ser uma inútil ou uma incompetente, uma isto e uma aquilo, afinal…pois a mulher sempre foi o bode expiatório do homem…sempre foi e fez o que o homem quis…e porque hoje começa a enxergar um pouco mais e  a não fazer tudo o que o homem quer…ela volta a ser perseguida e queimada nas novas fogueiras que não são da Inquisição, mas de um publico e de  uma sociedade ávida de explorar a desgraça alheia e a miséria humana, através das vizinhas, alcoviteiras, revistas, televisão e cinema…


Esta é a história de mães e filhas, de avós e tias…de irmãs talvez…histórias que se repetem e se repercutem ainda em todas as telenovelas e filmes…e que afinal na realidade são mesmo assim ainda…

rlp




terça-feira, junho 12, 2012

Não vem no dicionário mas devia vir.


Um grito no palácio dos sussurros.



"...As mulheres dão. Não vem no dicionário mas devia vir.

Uma mulher dá à luz ou dá a vida, dá a honra ou dá a virgindade.
A mulher dá educação e mimo. A mulher dá calor, entendimento e um inesgotável amor, a mulher dá o seu pão para que os outros não tenham fome. Dá o tempo e uma mão fria na testa para que passe a febre, o sono em troca da certeza do descanso alheio.
São as mulheres que alimentam os vivos e lavam os mortos.
Conhecem alguma mulher que retire para si o melhor bife, a maior fatia de bolo? Não há.
Quando uma mulher faz uma birra ela acaba rápido porque nas costas dela assenta a felicidade do mundo que é coisa para não se comprometer.
A natureza é tão homem que até nos deu um corpo capaz de alimentar... Não podemos fugir de quem precisa de nós. Damos leite, nutrimos. E levamos essa merda dessa premissa pela estrada inteira.
São as mulheres as maiores vítimas de engodo porque acreditam na humanidade, pois se foram elas a parirem-na? É natural.
Uma mulher que engana é puta porque isso não está no roll paper. Normal, é ser a enganada.
Não há filme ou romance que fale de uma mulher com várias famílias e já no género contrário é um cliché (honrosa excepção à D. Flor do Jorge Amado, mas essa tinha um deles morto que embora não seja problema fácil de gerir não é propriamente a mesma coisa), nessas histórias é sempre o homem que se divide entre cidades e mulheres e filhos e vidas e isso tem uma explicação simples: Uma mulher entrega-se tanto que não existiria hipótese metafísica para o fazer a dobrar. Só se uma fossem duas. Não é possível.
Damos tudo. Até a história da nossa vida em troca do nome do outro.
O limite da anulação.
Há muito menos mulheres presas por homicídio passional .
São menos os casos de violência doméstica perpetuados por mulheres.
Ou de pedofilia.
Nós não somos assim e ponto final sem dois primos apensos a criar dúvida.
Por mais que estudemos, sejamos infinitamente eficazes profissionalmente ou com desvelo aumentarmos a nossa erudição, seremos sempre a mulher de soldado ou de pescador que aguenta a solidão, a fome, a luta inteira sozinha e no fim abre as pernas para se completar.
É essa a nossa minha condição.
Mas também é verdade que ninguém pode esvaziar-se de si em troca de nada.
São muitos exames de fim de semestre, muitos ordenados em atraso, muitas birras, muitas ausências, muitas pequenas e desconcertantes coisas que desafiam a minha força. Muito medo de me perder de mim mesma.
Muitas as vezes que o carro não pega e que durmo sem uma palavra de alento.
Muitas as vezes em que o que mostra entender é coisa fraca comparada ao que entendem dela. Às suas necessidades.
Ser mulher é antever as dores dos outros de camarote e descer sem medo de cair para salvar. Ser mulher é dar por mal empregue o tempo em que se dorme porque é tempo em que não se cuida.
Dar, dar, dar. Com medo de pedir não vão os outros melindrar-se. De porta de dentro trancada.
Olha, escancarei-a e saí a gritar e quero lá saber se algum dia irão à minha procura.

 - Mas vais sozinha?

 -Vou. Afinal foi sempre assim que andei."

ANTES DE CRISTO...


AS MULHERES COMO PEIXES QUE SE PESCAM…


No Amor, Mil Almas, Mil Maneiras Diferentes



Nem todas as mulheres experimentam os mesmos sentimentos. Encontrareis mil almas com mil maneiras diferentes. Para as conquistar, empregai mil maneiras. A mesma terra não produz todas as coisas: tal convém à vinha, tal à oliveira; aqui despontarão cereais em abundância. Há nos corações tantos caracteres diferentes, quantos rostos há no mundo. O homem prudente acomodar-se-á a estes inumeráveis caracteres; novo Proteu, tão depressa se diluirá em ondas fluidas para logo ser um leão, uma árvore, um javali de eriçadas cerdas. Os peixes apanham-se aqui com o arpão, ali com o anzol, acolá com as redes puxadas pela corda estendida. E o mesmo método não convirá a todas as idades: uma corça velha descobrirá a armadilha de mais longe; se te mostrares experiente junto de uma noviça, demasiado petulante junto de uma recatada, ela desconfiará que a vais tornar infeliz. Assim é que a mulher que às vezes teme entregar-se a um homem honesto, caiu vergonhosamente nos braços de alguém que a não merece.



Ovídio, in "A Arte de Amar"

sexta-feira, junho 08, 2012

UMA SAUDADE ETERNA...


O AMOR DA NOSSA MÃE VERDADEIRA...
 
Há uma dor sem nome que nos dilacera...

Acontece-me muitas vezes, TAL COMO HOJE  ser tomada por essa dor que me corrói por dentro  a par de uma enorme solidão ao saber tudo isto e de sentir todo este universo de dor nas mulheres e ao fim de tantos anos de luta e tentativas de unir e juntar as mulheres, de as fazer sentir a necessidade dessa irmandade, essa filiação da Deusa, de nutrir essa confiança,  essa consciência de si mesmas, verifico ano após ano que ela é rara e que contiuamos hostis por vezes, agressivas umas com as outras, atentas não a nós, a essa essência ainda desconhecida, mas tão perto já...e cegas, continuamos presas ao "amor" que queremos do "outro"...sem nunca olhar que o que nos impulsiona para isso e quase sempre é o nosso vazio interior, essa falta de identidade MULHER, essa falta de amor em nós. E perante o nosso desespero e vazio o que ainda e só pensamos é no prazer sexual e no homem ou no filho como a única forma de "preenchimento" e de "realização" do nosso Ser:


Continuamos a fazer tudo para colmatar esse desejo e esse sonho sem ver o NOSSO VAZIO INTERIOR, sem querer olhar para esse antagonismo com as outras mulheres, essa raiva/intolerância zero, pois quase sempre rejeitamos na outra mulher a mãe ou a irmã, a mulher mais nova ou a mais velha...conforme a nossa ferida com a Mâe...Essa ferida sempre a projectamos na outra, na busca inconsciente da mãe má ou da boa mãe de quando éramos crianças ...e como esse sentimento que ela nos desperta por vezes nos leva ao confronto com a "outra" que é ou pensa diferentemente de nós...
Sim, agimos sem querermos ver de onde vem essa dor antiga, essa cisão, esse velho cisma que divide metade da humanidade Mulher e a separa da outra metade homem, por quem luta e que se submete, alienando-se de si como se fosse a coisa mais natural do mundo. Muitas vezes julga-se uma mulher livre, ou resolvida... mas isso só significa uma barreira, uma defesa, uma couraça que a impede de chegar a essa ferida e a si mesma e o que tem e vive é um ódio calcinado dentro de si por todas as da sua espécie...ilibando quase sempre o predador homem...

Sim, isto a mim dói-me na alma...e não sei bem porquê hoje mais do que nunca. E mais ainda cada vez que uma mulher fere outra em defesa do homem, pela desconfiança e o ódio, culpando sempre a outra mulher. Parece que o sentido da minha existencia e o meu trabalho perdem força...e eu penso o que sentirá a Grande Mãe e a Grande Deusa...esse AMOR grandiosos perante a nossa luta e divisão quando Ela nos tenta acordar para Ela, PARA NOS TORNAR INTEIRAS e espera por nós para darmos ao mundo outra dimensão de amor que é TODA A SUA MANIFESTAÇÃO NA TERRA...
E nós, alienadas pelo domínio patriarcal, o seu mundo fictício, de venda e comércio apenas, usando-nos como objectos de prazer, servindo-se do nosso corpo aleatóriamente, nós não vemos que essa "saudade de não se sabe bem do que, e a solidão que consome muitas vezes", vem de dentro de nós, é saudades de nós mesmas. Vem "da distância de nós mesmas o tempo todo..." ( RMB)
Vem da SAUDADE DELA...do seu seio, do seu abraço infinito...
E Ela só se podera manifestar em nós e na terra quando nós formos mulheres inteiras. Quando unirmos as duas mulheres separadas, quando unirmos a Mãe e a filha nesse abraço!

rosa leonor pedro

O SILÊNCIO DAS MULHERES...


A Mulher dominada pelos valores da sociedade patriarcal, sem vontade própria, sujeita à vontade do homem durante séculos, ainda hoje não se destacou dessa subordinação de forma consciente e lúcida e mantém inconscientemente a mesma subordinação às autoridades e leis vigentes, dentro da ordem  estabelecida que a domina, sejam  quais forem essas autoridades e leis; e ainda que se julgue na aparência que a mulher “moderna” é liberta, ela insere-se na sociedade machista apenas mascarada de uma FALSA integração social e política, mas continuando a usar o discurso masculino, a ser aglutinada pela língua e perfeitamente controlada por esses valores de dominação; essa pretensa liberdade e integração, de que se faz tanto alarde, não passa de mera de manipulação política por parte dos chefes e os seus problemas, como o é no caso da despenalização do aborto, a legalização da prostituição ou outro qualquer assunto feminino, continuam nas suas (deles) mãos.


“Onde o sol brilha sempre, há um deserto. As florestas secam, os rios secam, o solo estala. A terra morre.” M. Starbird


A perda de identidade ou o desvio da verdadeira natureza da mulher e a sua divisão ou fragmentação em “santa” (virgem mãe) ou a prostituta (Maria Madalena), pela Igreja e por exclusão da Deusa Mãe e do Feminino Sagrado, fez da mulher um mero objecto ou instrumento ao serviço exclusivo da família e da sociedade, sem autonomia pessoal nem consciênia individual, uma vez que continua a obedecer e a servir os conceitos sobre ela estipulados há muito poder pelo patriarcal. Mesmo na política e sobretudo na política é clara e notória a não identificação com a sua natureza profunda e a recusa da sua sensibilidade caracterizada por uma inteligência mais emocional do que a racional, ao contrário justamente do homem.

Os problemas das mulheres são hoje olhados e debatidos apenas dentro da ordem social na afirmação pelo trabalho, ainda e sempre a procriação ou a sexualidade, discussões entre a despenalização do aborto ou as creches e reformas sociais para a mulher (a mãe ou a puta?) sem qualquer consciência dos problemas de base que as aflige, enquanto ser humano que sente e pensa independentemente das suas funções, tal como um homem é olhado e considerado um ente, para lá da sua sexualidade e da sua função de procriadora/o ou como utente/vítima da prostituição e as suas sequelas. Sim, o homem é a entidade, e a mulher um seu apêndice apenas...

(ESCRITO EM 2007) 

r.l.p.


COMENTÁRIO AO TEXTO:

Ao mesmo tempo que me dá alegria entrar em contato com todo este conhecimento, me dá também tristeza por perceber esta dura realidade que, nós, mulheres vivemos. E as lutas são sempre pelas questões sociais, que também são justas, mas a verdadeira mulher, a sua essência ainda é totalmente desconhecida. E é sentida em cada uma de nós, uma dor que nos dilacera sem nome. A saudade de não se saber bem do que, e a solidão que consome muitas vezes. É da distância de nós mesmas o tempo todo...
Rosa Maria Barros

quinta-feira, junho 07, 2012

A mulher selvagem é aquela que troveja na face da injustiça.




A mulher e o lobo


Uma mulher saudável é muito parecida com um lobo, grande força de vida, doação de vida, ciente de seu território, intuitiva e leal. Porém, a separação de sua natureza selvagem faz com que uma mulher torne-se escassa, ansiosa, e temerosa.

 A natureza selvagem contém a medicina para todas as coisas. Ela transporta estórias, sonhos, palavras e canções. Ela carrega tudoque uma mulher precisa ser e saber. Ela é a essência da alma feminina...

 Com a natureza selvagem como aliada e professora, nós não vemos apenas com através de nossos olhos, mas através dos muitos olhos da intuição. Com a intuição nós somos como uma noite estrelada, nós observamos o mundo através de milhares de olhos.

 Isto não significa perder as socializações básicas de uma pessoa. Isto significa totalmente o oposto. A natureza selvagem tem uma integridade vasta com ela. Significa etabelecer território, encontrar o grupo de uma pessoa, estar em um corpo com certeza e orgulho, falar e agir a favor de si mesma, estar consciente, extrair os poderes naturais da intuição feminina e elevar-se com dignidade, proceder como um ser poderoso que é amistoso, mas nunca domesticado.

 A mulher selvagem é aquela que troveja na face da injustiça. Ela é aquela pela qual nós abandonamos o lar para procurar e aquela pela qual nós retornamos ao lar. Ela é intuição, consegue ver longe, ouvir profundo, e ela tem um coração leal.

 Ela deve vagar pelas antigas sendas, defender seu conhecimento instintivo, orgulhosamente ostentar as cicatrizes de batalha de sua época, escrever seus segredos em paredes, recusar ser envergonhada, liderar o caminho, ser astuta e usar sua perspicácia feminina.

Onde podemos encontrá-la? Ela caminha nos desertos, cidades, florestas, oceanos, e na montanha da solidão. Ela mora nas mulheres em todos os lugares: em castelos com rainhas, nos escritórios e nos ônibus noturnos para os subúrbios.

 Ela mora em um local distante que abre caminho através de nosso mundo. Ela mora no passado e é convocada por nós. Ela está no presente. Ela está no futuro e caminha de volta no tempo para nos encontrar agora.

 Mulher selvagem sussurra as palavras e os caminhos para nós, e nós a seguimos. Ela corre à nossa frente, mas para e espera para ver se nós a estamos alcançando. Ela tem muitas coisas para nos mostrar.

 Quer você possua um coração simples ou ambicioso, quer você esteja tentando alcançar o grande sucesso ou apenas atingir o dia de amanhã, a natureza selvagem pertence a você.

 Não seja uma tola. Volte e fique sob aquela flor vermelha e caminhe, direto em frente para superar a última milha mais difícil. Escale até a caverna, rasteje através da janela de um sonho, examine o deserto e veja o que você encontra. É o único trabalho que temos que fazer.

 Sem nós, a mulher selvagem morre. Sem a mulher selvagem, nós morremos. Para a verdadeira vida, ambos devemos viver.

 O instinto maternal em cada um de nós é a Medicina do Lobo. Pois o Lobo é uma progenitora, e um progenitor. De forma simplificada, isto significa que o lobo detém a energia paternal e maternal em sua vibração. Esta é a verdadeira Medicina do Lobo. A Medicina do Lobo com a qual uma mulher caminha, que ela chama de intuição, é o Lobo amigo dela. No antigo caminho, o lobo amigo era conhecido por vir ao vilarejo proteger as crianças.

 Esta energia do lobo amigo vem do sobrenatural. É a parte sobrenatural da mulher que sabe como alterar seu amor, sua intenção, e suas habilidades de criação para a forma do Lobo. Assim, ela vem ao vilarejo na forma de uma Loba, para proteger as crianças e os mais velhos carentes.



The Soul of the Indian
Dr Charles Alexander Eastman, 1911
born Ohiyesa of the Santee Sioux, in 1858 —
http://sabedoria.indigena.tripod.com/mulher_lobo.htm