"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quinta-feira, janeiro 31, 2013

0 PORQUE DO MEDO DAS SERPENTES?



O MEDO DAS SERPENTES...
Muitas mulheres e homens têm um medo visceral de serpentes...
Eu compreendo. Não é fácil gostar de Serpentes...embora haja mulheres que as sentem e estão muito perto da sua essência...e que, tal como eu que nunca tive medo delas, não sei como é evidente, como reagiria numa situação de "perigo"...diante de uma ao vivo...
Ando há imenso tempo para escrever sobre isso. Mas não é fácil desmontar nem compreender esse medo ancestral por um SER mítico que nos foi sempre representado com o Mal e um terror...

 A Grande Serpente...

Ela está presente em todas as civilizações antigas mas foi perfeitamente denegrida pelo cristianismo secular e aos poucos se transformou num monstro de sete cabeças...tal como Lilith afinal de contas...Não sendo por acaso que está sempre associada a ela…Desde o Mito bíblico da Queda quando Lilith/Serpente resolveu tentar Eva…e dar-lhe de comer a maçã do Conhecimento…do qual podemos deduzir seria ela a detentora (?) até hoje ela aparece sempre como um mal e uma ameaça...
Assim desde os tempos mais remotos até aos nossos dias a ideia e a imagem da serpente perturba os nossos sonhos associada ao pecado e a desejos sexuais recalcados e, de acordo com psicanálise, simbolizando o falo e os desejos eróticos das mulheres… uma lógica muito redutora…como se só a mulher, a pecadora por excelência, tivesse sonhos eróticos e fálicos…

Ora a Serpente é muito mais do que um símbolo sexual ou de mal…

A Serpente para os orientais, hindus e egípcios, e não só, sempre representou muito mais do que uma vaga alusão sexual…pois a vida tinha uma dimensão muito maior do que a mera sexualidade humana, e não existia a visão da mulher como culpada,  que foi e é ainda a obsessão dos ocidentais de formação judaica ou cristã quer seja  dos seus psicólogos como dos seus  filósofos e  teólogos.
A associação da Serpente ao sexo, À MULHER e ao mal, dada como símbolo absoluto do falo para os freudianos é uma forma absolutamente redutora dos nossos tempos de psicanálise de superfície...
Os mitos abordados na perspectiva freudiana e dos seus seguidores  são a forma linear do pensamento patriarcal em que o falo é princípio dominador (o masculino) e em que se assenta o poder do homem e da sua expressão dada com o único sentido e origem da existência do Homem em que a mulher conta pouco ou quase nada...
Essa visão é, além de ignorância profunda da nossa origem ctónica, uma deformação do Sagrado Feminino e do seu Princípio, de acordo com os interesses fomentados pelos patriarcas através das suas religiões e culturas até hoje.
Mas passemos a uma visão mais alargada do Mito e do Símbolo...

rlp

“A Serpente edénica por outro lado é nossa aliada, amiga da humanidade, nos revela o conhecimento e desmascara o pretenso deus. A Serpente é um símbolo sagrado em diferentes tradições, inclusive na tolteca, lá ela é Quetzalcoatl, a serpente de plumas, a serpente emplumada. No Juremal a serpente é uma constante, usando a árvore como proteção e tornando-se miticamente sua guardiã.
O próprio nagual fez extensas pesquisas sobre o tema não encontrando nenhuma referência sobre os voadores em outras culturas mas o tema do voador ou do predador está na essência de uma das primeiras estórias bíblicas, bíblia que é a matriz cultural de nossa civilização, civilização de predadores, bíblia de voadores. E, por sua vez, a história da queda é matriz cultural que dá forma ao padrão de comportamento básico de nossa civilização, o padrão do pecador.

 (…)A Serpente representa a consciência da Terra, é a consciência do mundo natural, feminina e ecológica, representa o eterno poder do feminino, e como somos filhos da Terra, essa consciência também se expressa em nossos corpos, em nosso corpo ela é a serpente Kundalini dos iogues. O objetivo da consciência da Terra é nos conectar com ela para que nos libertemos da mente do predador. O uso sábio e sóbrio de plantas de poder é uma forma de nos conectarmos a essa consciência e promover o despertar da serpente Kundalini. Muitos caminhantes do Xamanismo de plantas de poder não ignoram a capacidade de estimular a Serpente Kundalini de plantas de poder como a Ayahuasca. Algo que exige do praticante grande equilíbrio ao lidar com esta Força. Não é à toa que a serpente é o clássico símbolo da medicina, pois Ela é a medicina contra o parasita que é o predador. Ao nos conectarmos com a consciência da Terra adquirimos a harmonia e a paz interior que implica na cura da mente doentia do predador."

(…)in pistas do caminho

2 comentários:

Malu Moreira disse...

Grande texto! Didática.mente esclarecedor do que é essencial, profundo e revelador. Graças ao poder consciente da Vida, representado pela serpente, se faz palpável.

Ana Nazaré disse...

Nem gata nem cadela............ SERPENTE!!!!!!!!!!!!!