"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, março 08, 2013

A ANIMA É NOSSA...E QUE ELA NOS ANIME!


 O ENCONTRO COM A ANIMA…
A NOSSA ALMA...

Há vários movimentos de mulheres, aliás devia dizer antes, várias actividades em curso, em algumas cidades do País, e devemos gratificar-nos com isso, promovidas e dirigidos por mulheres que sem dúvida se empenham no que fazem e fazem-no com muita seriedade...como haverá outras que o não farão certamente com esse mesmo espírito e de quem sinceramente duvido da profundidade, tal como haverá outras de que eu duvido totalmente e que apenas se aproveitam da "onda" e do modismo para fazer negócio ou coisa que o valha. Mas queria alertar para o facto de que, tal como neste grupo há mulheres diferentes e de diferentes níveis de consciência e entendimento assim se passa em todo o lado.

Queria salientar no entanto, no que me diz respeito, toda a minha tentativa vai para um FOCO específico E que é, como todas já sabem, a união das duas mulheres em cada uma de nós. A união coma nossa Alma e a nossa Essência.

Já vi muitas mulheres nesta área do feminino sagrado se intitularem sacerdotisas, deusas, especialistas do sexo, filósofas, psicólogas, astrólogas, mestras, etc. Algumas são verdadeiras, outras não tanto ou então são "especialistas" na farsa ou na representação de rituais  artificiais...

Há um vasto leque de mulheres a trabalhar por suposto em nome da deusa e do feminino sagrado…alastram-se grupos Wicca e encontros e seminários e círculos e rodas e workshops e todas elas falam a mesma linguagem, abordam os mesmos conceitos, têm as mesmas ideias e usam as suas variantes e as suas varinhas mágicas, as suas poções, de acordo com as ditas especialidades.

Há, inevitavelmente, no meio disto tudo muitas lutas, muitas intrigas, muita rivalidade, muita bajulação, muita inveja e competição ou mesmo muita paixão assolapada…afinal é normal…entre mulheres…que somos um poço sem fundo de surpresas e emoções recalcadas...inconscientes dos nosso complexos e medos muitas vezes, pois é este o nosso drama, a nossa inconsciência de nós, e então se meterem uns cavalheiros, pelo meio, perdão, uns cavaleiros do Graal ou de Mariz, um Iluminado, ou um líder de um partido político até, então é seguro que as raivas e os ódios são desencadeados com mais fulgor…

Enfim acabei por me desviar do assunto que queria aqui tratar, e que era…eu não ter um tema, um programa, umas técnicas a assegurar o meu trabalho…De facto não tenho…o que eu tenho - e não saio deste raio de acção - é apenas uma Consciência de uma Cisão que afecta todas as mulheres e sei, que enquanto essa cisão não for tida em conta pelas mulheres, todas as mulheres, enquanto não houver uma consciencialização desse facto e isso não for encarado por si para se possa entrar no processo de integração das duas mulheres divididas dentro de si mesma…bem podem apelar à Deusa e a todas as deusas ou as deusas de todos os tempos…ou a todas as forças do cosmos…que lhes valham… que isso não acontecerá! Porque só unindo essas duas partes cindidas ela poderá ser a mediadora das forças cósmico telúricas...

Assim, minhas amigas, espero que não se sintam a desperdiçar o vosso tempo pelo vosso FOCO aqui e a tratar dessa ferida emocional, dessa fissura energética (que atravessa todos os vossos corpos, principalmente o físico e emocional) pois sem uma coesão do ser mulher em si, sem a fusão das duas mulheres antagónicas que dentro de nós, esses dois lados que se odeiam e rivalizam projectando o ódio na “outra”, dificilmente ou nunca poderão chegar a um ponto de união com a Deusa que não é senão o ponto de encontro em que as duas mulheres cindidas pela religião patriarcal, a “santa e a puta” em nós, casam…e dão o nó górdio que a torna uma mulher integral ou faz LIlith renascer das cinzas da nossa memória…

Minhas amigas, sem esse matrimónio interior, não há casamento com os opostos, feminino e masculino, sol e lua, yin e yang, porque a mulher não tem a sua feminilidade integrada, e sem essa completude de si e vivência…ela não está em contacto com a sua Anima. Porque o engano Junguiano vem de se pensar que o animus é o representante da mulher e a anima do homem…essa inversão psicológica dos contrários a partida, baseada numa realidade das mulheres analisadas por Jung e Freud que na época estavam totalmente presas do Pai e do Mestre, educadas em estritas regras de comportamento, numa projecção parcial de si, ou seja exclusivamente regidas por padrões do masculino, sem qualquer sentido da sua identidade profunda enquanto mulher-fêmea, impede ainda hoje que a mulher em vez de animus que é o aspecto oposto que nela foi desenvolvido e em que ela se expressa neste sistema, chegue à sua anima uma vez que a vai procurar fora e no homem sistematicamente…

Portanto e para concluir…julgo em definitivo que a coisa principal e mais urgente que a mulher tem e pode e deve fazer por ela, é tomar consciência da sua cisão interior, vendo como cada mulher é apenas uma metade de si, e procurar integrar a totalidade dessa natureza divida na sua psique de forma consciente e natural num trabalho permanente de atenção e intenção de se tornar uma mulher integral.

Resta-nos saber SE as terapias ou curas e outros meios ao nosso dispor podem ajudar a curar as feridas profundas dessa parte do feminino anulado…sim, digo que sim, podem ser muito úteis e necessárias, mas sem essa consciência activa e a atenção permanente na sua própria divisão ela será constantemente presa nas armadilhas que a sociedade e as emoções lhe pregam…porque, por mais que faça e ande, ela será sempre ou agirá sempre como uma só parte de si… deixando a outra parte nos esconsos da sua psique…e projectando-a fora na “outra” ou contra a “outra”…a rival e a inimiga, eternamente separadas e perdidas no mito do amor romântico á espera de que o homem a complemente…sem nunca poder colmatar o grande vazio de si mesma!

rosaleonorpedro

1 comentário:

Gaia Lil disse...

Não acredito em tempo perdido...Mas sim na perca de foco e na confusão que se faz de tudo...Se analizar mos o trabalho de algumas mulheres veremos que o foco na Deusa com têndencias européias ou então uma éspecie de jogo do bicho da Deusa, atire e descubra se você é uma ciumenta Hera ou tola e fantasiosa Perséfone...Como se a feminilidade pudesse ser reduzida ou limitada por isso...E todas aquela que forem sélvaticas e errantes seriam Artemisianas...
Me pergunto se existe algo que sendo apenas em si mesmo, uma éspecie de príncipio, algo que não possa ser definido por sentimentos ou sentidos humanos, algo intrísico que nem vou chamar de selvagem, mas sim de profundo (pra não fazer alusão ao trabalho de ninguém), de forte, algo intenso e impalpável como uma vida que brota do ímpossivel e também do inevitavel...Com o uma flor rocha num cactos do deserto...Enfim algo que além da nossa compreensão ligue e defina uma linha de nergia existente em toda mulher deis da santa até a prostituta...
A pior coisa nos rituais é a falta de próposito, as mulheres se sentem perdidas, desorientadas, como se encenacem um grande drama...E na maioria das vezes não sentem a força das Deusas que evocam...Vivemos todos nós inconsciente neste mundo sem saber muito ao certo o porque de estarmos aqui e talvez esse seja (além do sonho romântico do principe) o maior entrave da mulher na descoberta da Deusa...Além disso todos nós temos no coração o anseio de um grande momento de harmonia, da dissipação de todo sofrimento que passamos, como se finalmente nós entragando, encontra se mos o sentido da vida...O problema é que temos sido ensinados que essa entrega sempre depende de um outro, podendo ser homem ou mulher, é que será esse outro que propiciará isso...A mulher moderna ainda tem que se desiludir muito com o homem e o mundo que ela mesma criou para si em sua mente (seguindo as instruções do sistema)...A mulher tem que cair por dentro se situar, levantar,se dividir e se aproximar denovo...Se reiniciar...E então como na mitologia fazer uma descida até si mesma ou se amar olhando no espelho curvo da noite...Mais isso demora muito tempo ainda e eu admito que ainda sonho, sonhos de amor de vez em quando, que me iludo e que me distraiu...Mas haverá um momento em que a verdade estará diante da nossa cara , eu como qualquer mortal a aceitarei: que o amor por vezes não é para ser compartilhado como fomos ensinadas, e sim internalizado conosco...antes de tentar dividi-lo com os outros.