terça-feira, abril 23, 2013

EM BUSCA DA MULHER INTEGRAL

 
SER MULHER EM SI...CONSCIENTE E INTEGRAL.
 
É da minha natureza...não consigo deixar de reflectir sobre as coisas...
E estava a pensar no que nos pode unir a nós mulheres e contribuir para uma maior consciência de si....de nós, como mulheres, cada uma por si em busca dessa identidade profunda e  em busca de uma integridade como mulheres, sem sofrer todos os epítetos e ofensas, abusos e violação desde meninas e violência doméstica  e tantos outros crimes que sofremos por sermos apenas mulheres..
Há em nós, felizmente, começa a haver,  essa busca da mulher integral...como um factor premente e urgente, diria...mas também há o Ser em si...a pessoa humana no seu contexto global. Será que são coisas diferentes? A realidade física/sexual da  realidade anímica e da realidade espiritual?
Essa divisão foi operada pelas religiões e com vista a dividir a Mulher em duas espécies, desde a Queda...está na Génese, a luta e preconceito logo no inicio contra as mulheres.
Durante séculos a mulher foi mantida presa aos estereótipos da prostituta (concubina) e da esposa de forma global, imperando esse modelo para todo o Império Romano e depois a Igreja de Roma também o preconizou. Hoje sabemos que o Vaticano possui Bordeis e Lupanares  e mantém redes de prostituição que explora financeiramente e por outro lado não para de  pregar contra a mulher livre e a favor da família e do casamento instituição, fazendo tudo para manter o status quo...e assim poder continuar a viver à conta da mulher...A igreja sem a mulher-Mãe presa a um estereótipo "sagrado" e uma mulher livre, "pecadora", presa no Bordel, a Família cai e a Igreja já não tem missão..."exemplar" a cumprir e todos aqueles monstros "sagrados", vestidos de preto e vermelho, aqueles velhos misóginos e repugnantes, muitos  pederastas e viciados, deixam de ter sentido. 
Mas voltemos a questão mais importante, a dessa divisão da mulher em duas espécies:
 
Pode um ser humano deficiente, um cego por exemplo, VER alguma coisa?
Não...sim,  dir-me-hão que ele terá outros sentidos mais desenvolvidos e compensa o sentido que lhe falta...Mas se fosse outro órgão essencial, algo indispensável para sentir e pensar e ser um ser total enquanto ser humano? Aquilo que o definiria como ser humano basicamente...?
Se o homem tivesse sido dividido entre o escravo/eunuco ( ou um mero instrumento sexual)  por um lado e o homem livre por outro? Já foi assim, foi, mas a mulher foi sempre a escrava até do escravo...e continua a sê-lo a nível mundial, escravizada sexualmente por Mafias e pela própria Igreja como vimos...
 
Bem sei que esta é uma difícil, complexa e vasta comparação, mas onde eu quero chegar efectivamente é que se uma mulher não estiver consciente dessa sua  cisão interior e se aceitar continuar dividida em duas espécies de mulheres no mundo e não tiver acesso ao seu potencial máximo que a define como Mulher em si, seja sendo  senhora do seu Útero ou dos seus ovários, por exemplo, ou aceder à consciência do seu polo feminino em essência, pode a mulher dizer-se mulher total?
Creio que não...e é esse o ponto ou fulcro da questão do Ser Mulher.
Todo o ser humano tem em comum respirar...o mesmo ar...nascer um dia e morrer quando menos se espera...mas a Vida em si cujo sentido tem uma plenitude de ser agora e aqui...dizem os hindus...também só pode fazer sentido para a mulher se a vivência humana for completa e consciente, e no caso da mulher não o é...visto que ela é deficiente de uma parte de si, da sua natureza ctónica e visceral - ela vive uma cisão interior e exterior que se reflecte na sociedade e em vivência individual, como prostituta ou esposa etc. através dessa separação divisão da mulher em duas espécies de mulheres como se esses aspectos que a dividem não fizessem parte integrante de uma só. E é essa divisão milenar da Mulher, que corresponde a uma parte de si que foi denigrida,  recalcada e negada e assim dividida de forma a separar as mulheres e a impedir cada uma delas de SENTIR a plenitude do seu SER MULHER INTEIRA.
 
A mulher integral é a mulher que une as duas partes de si dividida e que se assume inteira e sem medo desse potencial gerador de vida e prazer. E não é uma mera inversão dos estereótipos - como hoje em dia os filmes propagam, em que a dona de casa vira estilo prostituta e a prostituta deputada...- em que foi dividia secularmente...mas uma complementaridade vivida com liberdade interior, dignidade e alma, seja na sua face sensual/sexual seja na sua face maternal e afectiva, simples.
Trabalhar esta consciência e paulatinamente caminhar para dentro dessa grandeza que é ser mulher inteira, una e capaz de ser por si mesma sem precisar de apêndices, sem precisar até de ser mãe e esposa ou amante para amar e se dar a partir do seu interior e do seu ser inteiro, como iniciadora e amante da Vida ...ela mesma uma sacerdotisa da Deusa...fiel a si mesma e à Mãe que é sempre!

rosaleonorpedro

4 comentários:

Else Schumann disse...

A cada dia que passa vejo o quanto todos nós, homens e mulheres, estão longe do caminho da consciência.

Me sinto as vezes desanimada e só.

Deolinda Blathorsarn disse...

Obrigada por tuas palavras Rosa...Para mim são como uma luz que clareia a mente e aquece o coração....

Rosa Leonor disse...

Else...também me sinto muitas vezes desanimada e só...não é um caminho fácil...o da consciência de ser mulher...ou mesmo de ser humano! Grata por estar aí...assim podemos sentirmo-nos menos só...
abraço

rl

Rosa Leonor disse...

Deolinda fico contente por continuarmos em contacto...

um abraço

rleonor