"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sábado, agosto 17, 2013

A CARÊNCIA AFECTIVA


 
 
Mulheres de hoje e de ontem…

“SE hoje se ouve falar duma mulher que deixa o tecto conjugal, isso não merece mais do que um encolher de ombros. Mesmo sem abandonar a constância do matrimónio, as mulheres deixam a casa e ...vivem mais na rua e no emprego do que entre as paredes designadas como um lar. Mas o estado psíquico da mulher de ontem e de hoje continua a ser o mesmo: a carência afectiva é responsável pelos inúmeros transtornos sociais que não podem ser produzidos pela acumulação de um azar – um casamento malparado.
Carência afectiva é, na sua servilidade, uma catástrofe social. O objecto do grande sonho da vida é o amor. O amor raia o assunto do absurdo e que não tem por fim ser explicado nem se destina a significar qualquer propriedade útil como ter filhos ou proporcionar prazer. Um considerável número de mulheres amorosas não merecem o nome de libidinosas.”

Agustina Bessa-Luís
 
in O mistério da légua da póvoa

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