segunda-feira, setembro 30, 2013

SER OU NÃO SER FEMINISTA...


 
 
- "Não sou feminista, sou antropologicamente lúcida" - ana hatherly

Quando eu digo que não sou feminista, mas sim "antropologicamente lúcida" não nego o feminismo, na acepção comum da palavra, dentro do seu contexto histórico e político, mas contraponho à ideia de "igualdade" e "direitos iguais", um feminino ecológico e ontológico, um feminino integral, uma mulher total...e também não considero que a mulher deva voltar atrás nos seus processos de evolução social e ficar agora em casa a cuidar das crianças, nem ao contrário, como hoje se defende, como um direito válido adquirido e expressão de uma "igualdade", a mulher ir pegar em armas e ir a guerra... o que é uma calamidade, do ponto de vista do Princípio Feminino!

O que eu penso é que A Mulher está por redefinir e por se encontrar a ela mesma dentro de si...e não fora...e essa é a minha ideia e posição: trabalhar por uma consciência de SER MULHER muito para além deste jogo social económico e político ou guerra de sexos em que se tornou a luta das mulheres nas sociedades ditas "livres" (uma ova!)!
Sim, penso e é bastante evidente, que no caso do feminismo em geral, a tónica está sempre toda nos aspectos sociais - direitos iguais - por certo, não nego,  uma conquista válida mas que prendeu a mulher aos valores do masculino, tendo invertido a feminilidade inicial do restrito que era o lar e lavores domésticos, educação das crianças, ensino e catequese, etc. acabando por se ressentir agora mais do que nunca, da falta de uma dimensão do verdadeiro feminino, de todo o seu lado instintivo e profundo digo incluindo o feminino sagrado, desprovido da noção dogmática ou carga religiosa...
 
Precisamente porque ao recusar a religião opressora dentro da ideologia marxista – as lutas feministas estão quase todas associadas ao marxismo e ao materialismo dialético - a mulher intelectual e política desprezou a sua Natureza subjectiva, dita instintiva, desligando-se da própria Natureza Terra-Mãe e por isso perdeu a sua dimensão ontológica, perdeu a Chave dos Mistérios perdeu o seu mistério de Mulher iniciadora do amor e da Vida...
A mulher perdeu há muito uma metade de si  e nestas lutas por se afirmar na sociedade não a recuperou ainda...ela tem andado assim repartida ao longo dos séculos...ora sendo uma, ora sendo "a outra" e esse é e tem sido o jogo do jugo patriarcal...dá-lhe uma coisa, promete-lhe que ela será a santa e a fada do lar...mas e tira-lhe sempre a outra, a sedutora e a sexual...ou então diz-lhe que ela é livre de fazer o que quer e dá-lhe a liberdade sexual e a maior carga de sensualidade, mas  despojando-a da outra parte e sempre de autonomia verdadeira e dignidade, anulando-lhe no seu valor intrínseco e poder  pessoal...que é a Mulher Integral...

Unir as duas mulheres em si, psíquica e animicamente, é um trabalho actual e urgente que compete a cada mulher fazê-lo sem que para isso precise de mais nada que não seja consciencializar-se dessa cisão...e procurar juntar os pedaços fragmentados de si mesma!

rlp
 


sexta-feira, setembro 27, 2013

MULHERES OBRIGADAS A SER HOMENS...

Fotos e testemunhos de como as mulheres na Albânia renunciam a ser mulheres para serem respeitadas e a terem empregos ou não serem obrigadas a casar...
Elas não são "lésbicas", simplesmente são obrigadas a comportar-se e a vestirem-se como homens e aceites como tal  e a serem virgens para manter esse estatuto...enfim e para poderem ter uma vida "digna"...o que faz delas..."um homem mais compassivo" no dizer de uma...


(...) 
"Os camponeses dessa região viveram por 500 anos sob as normas do Kanum, um código de honra que vigorou até o início do século XX, e que limitava às mulheres os cuidados da casa e dos filhos. Só. Elas eram proibidas de ter uma profissão, trabalhar, dirigir, beber, fumar, não tinham direito a herança e tornavam-se propriedades do marido. Elas não podiam cantar. “Naquela época ser mulher e ser um animal era a mesma coisa”, disse uma virgem juramentadas, Pashe Keqi, numa entrevista ao The New York Times. Ela nascera em 1930.
 
O Kanum permitia, no entanto, que a mulher se proclamasse homem, passando consequentemente a viver sob as mesmas regras deles. A partir de então podiam podiam trabalhar e tornar-se patriarcas, sendo muitas vezes o único “homem” do clã.
 
Essa regra do Kanum tem origem nas precárias condições de sobrevivência nas montanhas da Albânia, agravada pelos crimes de vendeta, outra tradição no país, que chegava a dizimar todos os integrantes do sexo masculino numa família. Na ausência de um herdeiro, a mulher mais velha do clã era obrigada  a proclamar-se virgem para garantir o sustento e a honra dos familiares. Outras proclamavam-se homem  para ter autonomia e evitar o casamento arranjado.
 
Para isso, elas faziam um juramento público de virgindade e celibato, cortavam os cabelos e adotavam trajes e gestos masculinos para a vida toda. Deixariam a condição de serva se também deixassem a de mulher, se renunciassem ao sexo, à maternidade e à identidade.
 
É, de um certo modo, um matar a si mesma."
Claudia Belfort

"Virgens juramentadas da Albânia"Por Vaas

A tradição das virgens juramentadas remonta ao Kanun de Leke Kukagjini, um código de conduta que foi passado verbalmente entre os clãs do norte da Albânia durante mais de cinco séculos.

Segundo o Kanun, o papel das mulheres era severamente restrito. Elas tomavam conta das crianças e do lar, não tinham liberdade para votar, dirigir, realizar negócios, ganhar dinheiro, beber, fumar, ter uma arma, etc, tudo isto fazia parte do universo masculino.  Embora a vida de uma mulher valesse a metade da vida de um homem, a de uma virgem tinha o mesmo valor que a deste último -12 bois.  A virgem juramentada foi fruto de uma necessidade social em uma região agrária flagelada pela guerra e pela morte. Caso o patriarca da família morresse sem deixar herdeiros masculinos, as mulheres casadas da família poderiam ver-se sozinhas e sem poder algum. Ao fazer um voto de virgindade, as mulheres podiam assumir o papel masculino como chefes de família, portar armas, ser proprietárias e locomover-se livremente.  Elas vestiam-se como homens, adotavam uma postura masculina e passavam a vida na companhia de outros homens. 

Algumas também fizeram o voto como forma de evitar os casamentos arranjados. E outras tornaram-se virgens juramentadas para expressar a sua autonomia. Algumas se arrependeram do sacrifício, voltaram a ser mulheres e, mais tarde, casaram-se.   Conhecida em casa como "Pasha" (segunda foto), Keqi conta que decidiu tornar-se o homem da casa aos 20 anos, quando o seu pai foi assassinado durante uma briga. Os seus quatro irmãos opuseram-se ao regime comunista de Enver Hoxha, que governou a Albânia durante 40 anos, até a sua morte em 1985, e foram ou presos ou mortos. Ela diz que tornar-se homem foi a única forma que encontrou de sustentar a mãe, as quatro cunhadas e os cinco sobrinhos.  Reinando sobre a grande família na sua casa modesta em Tirana, onde as sobrinhas lhe servem brandy enquanto ela grita ordens, Keqi diz que viver como homem lhe permitiu ter a liberdade negada a outras mulheres. Assim, podia trabalhar na construção civil e rezar na mesquita ao lado dos homens. Mesmo hoje, os seus sobrinhos dizem que não ousariam casar-se sem a permissão do "tio".  "Como homem eu tinha total liberdade porque ninguém sabia que eu era mulher", diz Keqi. "Eu podia ir aonde bem entendesse e ninguém ousava me xingar porque tomaria uma surra. Eu só convivia com homens. Não sei como as mulheres falam. Nunca sinto medo".  Ela se recorda de que, quando foi recentemente hospitalizada para passar por uma cirurgia, as outras mulheres no quarto ficaram horrorizadas ao descobrir que compartilhavam o aposento com um homem, e pediram transferência para um outro quarto.  Keqi afirma que o fato de ser mulher fez dela um homem mais compassivo. "Quando outros homens desrespeitavam uma mulher, eu dizia a eles que parassem", e  que o fato de ter sido privada de uma vida de intimidade sexual foi um sacrifício necessário.  Acrescenta que não sente falta de filhos, porque sempre esteve rodeada de sobrinhas e sobrinhos.



"Quando a minha convicção chegou a 100%, tive forças para jamais retroceder".  Na Albânia, um país majoritariamente muçulmano, o Kanun é seguido tanto por muçulmanos quanto por cristãos, embora os turcos otomanos e os sucessivos governos tenham tentado limitar a sua influência. Esta prática continua até hoje em pequenas aldeias aninhadas nos Alpes, mas, com a modernização, esta tradição arcaica é, cada vez mais, vista como obsoleta.  O fotógrafo Jill Peters divide seu tempo entre Miami e Nova York. Fotos acima de seu projeto "Virgens juramentadas da Albânia" .

http://www.jillpetersphotography.comVia: http://www.featureshoot.com Texto adaptado: http://equattoria.blogspot.com.br/2011/12/virgens-juramentadas-na-albani...

quarta-feira, setembro 25, 2013

A DEGRADAÇÃO DA NATUREZA FEMININA

 
SALVAGUARDAR A TUA IMAGEM

 
"Não foi fácil. Conhecemo-nos quando a degradação da natureza feminina correspondia a uma degradação igual da natureza do homem, ligada a falência dos seus ideias, ao escândalo da sociedade que edificou e hoje o arrasta na ruina. Para salvaguardar neste negrume a tua imagem, a imagem da mulher geradora de luz, tenho de recorrer a tudo o que ainda possui espírito poético, o único capaz de se resignar a ver-te alienar os teus poderes. Mesmo que a tua ausência contradiga, és tu que continuas aos comandos da vida e do coração. Não é por teres morrido que deixaste de realizar o único verdadeiro milagre, o do encontro na terra cujo sentido está inscrito a letras de fogo no mais profundo de mim próprio. Esse sentido é que o amor é maior que a morte e o homem maior que deus, que o homem existe e deus não.”

In Fernanda de Ernesto Sampaio
 
 

ESPIRITUALIDADE FEMININA


 


Feminist Spirituality/ Espiritualidade feminista

“Eu acho que a espiritualidade feminista se distingue do paganismo pela inclusão de uma orientação sociopolítica central e duma crítica sociocultural distinta. A espiritualidade feminista para mim é a interseção da religião com a política. É um feminismo religioso, pode ou não incluir a experiência literal ou percepção da Deusa, mas ele nomeia a mulher e o corpo feminino como algo sagrado, digno, e a necessitar de defesa e usa símbolos da deusa, metáforas, histórias e experiências como expressões primárias da divindade e do sagrado.”*

*Via Luiza Frazão in  http://goddesspriestess.com/

 
 O SEXO D@ DEUS/A

"O homem aprecia a grande vantagem de ter um deus a endossar o código estabelecido por si próprio, e uma vez que exerce uma autoridade soberana sobre as mulheres, é grande sorte a sua ter sido investido dessa autoridade pelo próprio Ser Supremo. Para os judeus, muçulmanos e cristãos, entre outros, o homem é Mestre por direito divino, o temor de Deus vai portanto reprimir qualquer... impulso de revolta nos seres oprimidos."


 Simone de Beauvoir - O Segundo Sexo

NO LIMIAR DOS MUNDOS...

 



 "...De qualquer maneira, Agnes olhou-me, penetrante, e disse: " Nós duas estamos sentadas cada uma de um lado de um abismo. Você está em um lado do Grand Canyon. Imagine isso. " , e ela bateu na coxa e deu uma risada, " e eu estou aqui , com paz, liberdade e alegria. Nosso trabalho juntas, é o processo de construir uma ponte sobre este grande abismo. É uma ponte com a luz do arco-íris, construída a partir de sua confiança no fato de que eu sei do que estou falando. Você tem que confiar em mim, Lynn, porque se não confiar não sairemos do lugar. Você fica parada lá do outro lado do abismo com uma carga pesa...da em volta do pescoço." " O que você quer dizer? ", eu perguntei. "Aquela carga pesada é formada por suas ideias e medos auto-impostos. Você tem uma carga em volta de sua consciência. A capacidade de desfazer-se da carga pesada será atingida com nosso processo de ensino. O que vai acontecer é que você se livrará dela lentamente, ano após ano, até que um dia a deixará cair e, então, você terá construído a ponte sobre o abismo e precisará de fé para dar o primeiro passo sobre ele. Você está sentada lá do outro lado, Lynn, impotente, e eu estou sentada do lado de cá, com poder. Como posso fazê-la vir de onde você está até onde eu estou?"
"Começa como começamos hoje, Phyllis. Trabalharemos juntas e eu segurarei os espelhos para você e você trabalhará no ritmo que puder. Depende de você. Você pode iluminar-se em um dia, em um instante ou, talvez, levar mil vidas. Mas, lembre-se, tem que haver confiança e fé em você mesma, em sua própria bondade intrínseca, em sua força inerente e em seu propósito de ser inteira."


"A Mulher no Limiar de Dois Mundos", Lynn V. Andrews, pg. 99

domingo, setembro 22, 2013

A VERDADEIRA MULHER

  UM HINO À MULHER...


"A verdadeira mulher, aquela que vem a nós do fundo das eras, a mulher que nos foi dada, per­tence inteiramente a um universo estranho ao homem. Ela cintila no outro lado da Criação. Ela conhece os segredos das águas, das pedras, das plan­t...as e dos animais. Ela fixa o sol e vê claro na noite. Ela possui as chaves da saúde, do descanso, das har­monias da matéria. (…) É ela que se­meia o homem: volta a pari-lo, nele reintroduz a in­fância do mundo. Ela o devolve ao seu trabalho de homem, que é elevar-se o máximo possível acima de si mesmo.
(...)

O problema é que quase não há mais mulheres. Sus­tento que as mulheres desapareceram, que houve uma catástrofe, que a raça das mulheres foi dispersada e aniquilada sob nossos próprios olhos, que não pu­deram ver. Senhores, a mulher, a descendente do pa­leolítico e do neolítico, nossa fêmea e nossa deusa, o ser que eu chamaria de mulher do homem e que já não sabemos como é, foi perseguida, atingida em seu corpo físico e em seu corpo mental, e devolvida ao nada.

As entranhas da Terra estão plenas de flores­tas tragadas, de restos de espécies animais desapare­cidas, de cinzas de raças humanas e sobre-humanas cuja história, se nos fosse revelada, desafiaria a mais louca imaginação. Nossa verdadeira fêmea, ela tam­bém, misturou-se ao húmus dos abismos subterrâ­neos. Por quê? Ah, senhores, reflitam! Foi ela quem arcou com os custos da imensa, da implacável luta contra as religiões primitivas do Ocidente. Essa luta é toda a história do mundo dito civilizado. Os senhores acreditam que nos lugares onde as legiões romanas nunca conseguiram adaptar sua religião — por exemplo, na Gália ou na Grã-Bretanha —, os sol­dados de Cristo encontraram uma terra inculta e sem deuses? Em inúmeros lugares da velha Europa, nas landes, nas planícies de menires, no fundo do mato e nas margens dos rios onde Pã cantava, sobrevivia a religião nativa oriunda da noite dos tempos, a ver­dadeira religião do homem ocidental. Senhores, es­tou certo de que a Europa viveu, durante milênios, de um elevado pensamento místico, ele mesmo oriun­do de outras eras, consagrado ao Deus Cornudo e à exaltação do princípio feminino. É evidente que essa espiritualidade original foi afogada com violência, no fogo e no sangue, por uma religião estrangeira, vinda do Oriente: o cristianismo. O Deus Cornudo, protetor da antiga humanidade do oeste, foi chama­do de diabo e amaldiçoado.

Os ídolos imemoriais foram derrubados e foi preciso destruir, junto com eles, seu suporte: a mulher-mãe, a mulher-deusa, a mulher-fêmea, a verdadeira mulher."


Louis Pawuels

A CEGUEIRA DO HOMEM FACE A MULHER...

AS DUAS FACES DA MULHER...

PÉROLAS A PORCOS...

"Neste trabalho retratarei o lado negativo, a face obscura, destruidora e fatal do feminino, a qual infelizmente corresponde nos decadentes dias atuais à esmagadora maioria das mulheres. Não abordarei seu lado divino e celestial mas apenas o aspecto infernal e monstruoso, o qual deve ser vencido para que a mulher nos entregue as chaves do paraíso. As mulheres são seres deliciosamente terríveis, de dupla face, que nos fazem sofrer terrivelmente. Atormentam-nos com seus jogos contraditórios e incoerências, nos levando à loucura. Quando as vencemos, elas nos presenteiam com os segredos que reservam aos eleitos."
***


Este pequeno excerto do texto que apresentei hoje aqui e que convém ler, e do qual tirei  este pequeno trecho, para podermos olhar e ver como  só por si ele aborda na totalidade o amago do problema da mulher e a cegueira "congénita" do homem. Mas essa cegueira também é da mulher...porque ela não vê nem quer ver essa sua divisão intrínseca e como ela é estrangulada por ela à partida e a sua vida e integridade dependem da união dessa duas mulheres em si o que é tema constante deste Blog.

Isto não é uma guerra de sexos nem uma guerra de egos...como dizia uma amiga, é apenas a consequência lógica da anulação da mulher em si como um todo e da recusa do homem em aceitar a sua natureza ontológica, pela negação secular das forças telúricas e instintivas na mulher e diríamos o seu medo da morte e do mistério do nascimento que a mulher encerra, sendo que é desse medo que nasce essa divisão que aparecem então "as duas mulheres" e  torna de facto uma evidência que as duas espécies de mulheres, mulheres de duas faces...se dividem e opõem, aparecendo na literatura e na filosofia e religiões, representada como a face do anjo ou a face do demónio afinal de contas, sempre a mesma divisão secular da santa e da puta...e as suas variantes...

Claro que antigamente quase todas as mulheres eram santas esposas...e as prostitutas não se deixavam ver...mas nestes tempos "decadente" de hoje como diz o autor (que nem me dei ao trabalho de ler, tal a minha ira...) as mulheres são realmente quase todas a outra face, a terrível, que corresponde à das prostitutas...mulheres livres que afirmam a sua sexualidade quase exclusivamente.Aqui não há mais senãos...há apenas duas mulheres cindidas pelo patriarcado e o continuar dessa divisão na falsa compreensão do problema pela parte dos homens e infelizmente também e mais gravemente pela parte das mulheres.
Ora este espaço e os meus livros tanto como o que eu escrevo já há muitas anos incide na necessidade da mulher perceber a sua cisão e a partir de dentro e não intelectualmente e dar-lhe uma resposta e essa resposta só pode ser a Mulher INtegral, a Mulher IN...para dentro e de dentro transformar-se na mulher total, casando as duas mulheres em si e sendo a sua soma...e sendo a sua liberdade, sim, mas sem cisão...sem se digladiar com a sua sombra nem com a outra mulher rival para ser apenas uma ora uma ora outra...puta ou santa...sexual-sensual e indomável e infiel ou então passiva frígida e obediente e fiel ao homem...
Mas ela só pode ser a sua soma...quando perceber em si e ser em si essa Mulher In-teira e tudo aponta para dentro, para uma consciência de si ao nível das profundidades e das suas entranhas, da sua psique, e não ao nível das mentalidades e do conhecimento filosófico ou religioso científico etc.
Para mim o que o homem diz ou escreve não tem a menor importância e em vez de lhe darmos ouvidos e ficarmos indignadas, vamos tentar ler e compreender o que nos dizem as mulheres que fazem o caminho para si...


VAMO-NOS CONCENTRAR NA UNIÃO DA NOSSA MULHER INTERIOR fragmentada e assim dividida em duas e  deixar de lado o que o homem pensa...já chega, BASTA!
É claro que para as mulheres mais novas e sedutoras que foram educadas e esvaziadas de si só para viver para os homens e filhos e que os amam  dê para onde der,  é natural que ainda precisem de viver essa sedução, tudo bem, mas que saibam com o que é que tratam e tratem de ensinar os homens e os filhos, senão, o que não faltarão no futuro serão mais imbecis destes como o autor do texto (citação acima)  a debitar à conta e contra as mulheres...porque eles sozinhos não são mesmo  nada...esse é que é o seu drama...
Mulheres...ensinar os homens e amá-los pode ser essa a vossa tarefa, mas de certo essa não é a minha! Por minha parte não tive filhos e não acredito nos homens dentro deste sistema que os formatou,  nem que haja algum que queira de uma mulher algo muito diferente do que esse imbecil que escreveu o texto, mas desde que as mulheres tenham suporte para lhes fazer face...ou queiram viver essa afronta, porque por mim não vejo senão duas hipótese...ou as mulheres se libertam de todo do sexo como pulsão animal e carência imperiosa ou apenas viverão  para o seu prazer e pouco mais....pois se quiserem "construir uma vida com um homem" - centenas de anos de exemplos -  já sabem como é...e com o que podem contar...ser uma ou a "outra"...se alguma mulher conseguir ser INtegra e Inteira com um homem...é porque encontrou uma agulha no palheiro...
Felicidades pois, o amor a dois é necessário, mas para mim a Liberdade interior e total da mulher está primeiro, mas isso digo-o agora porque já sou velha...mas compreendo como as mulheres se deixam totalmente tomar pela necessidade de  um parceiro...do par ideal, do homem para a mulher e vice-versa, mas neste estado de coisas e dentro deste Sistema patriarcal...é uma escolha, só agora possível....ou tu ou ele...a não ser que a realização e a consciência da mulher e do homem sejam de um nível tão elevado que o que estará em causa é a Grande Obra e o Casamento Alquímico, perfeito...
rlp


"Depois de fazer amor com o marido, Violante sentia-se mais só do que nunca, não como uma mulher triste que ouve um pássaro no jardim, mas como um pássaro sem jardim, sem árvore e sem asas."

In a Segunda Morte de Anna Karenina

sábado, setembro 21, 2013

A MULHER COMO A FONTE DO MAL...



UM MAQUIAVEL DE TERCEIRO MUNDO...

 ADVERTÊNCIA
Deixo-vos este texto mulheres e deusas para que vejam bem o absurdo de nos nossos dias ainda haver homens – diria antes, estas coisas pequenas e abjectas que se julgam donos e senhores das mulheres e com direito a ensiná-las…- e lamento pelos homens de verdade que me lêem mas isso não os deve tocar, senão afinal não são tão homens como eu pensava…pois nenhum homem decente, normal e saudável poderá "nestes dias de decadência", como diz o autor do texto…de ver a mulher como  a culpada da queda...e do homem- e  pensar como este pigmeu e a forma  como deixa aqui  a sua maneira  de pensar e que infelizmente abrange a grande maioria dos homens…e isto é só na “introdução”…
Este texto de um suposto “homem” não merece mais do que uma esplendorosa gargalhada nossa e nem sequer estupefacção por este tremendo rol de imbecilidades que profere  e é ver apenas que é precisa uma torrente enorme  de ódio subtil  - que ferida não alberga esta criatura do seu deus? – para destilar tamanhas enormidades e desconhecimento total da mulher, da sua divisão, do seu sofrimento, da sua carga e da sua exploração como objecto sexual no mundo inteiro…e o outorgar-se o direito de fazer anunciados tais baseado nos mestres...onde foi beber a sua "sabedoria" e querer ensinar "como lidar com mulheres"... 

“A realidade do amor não é bela e difere totalmente do que gostaríamos que fosse. Não maldigo as mulheres: julgo e condeno friamente suas atitudes à pena de morte por serem imperdoáveis e por saber que, na guerra do amor, a piedade não existe, infelizmente. Não as criei, apenas as descrevo como são, sem máscaras ou evasivas. O complexo e confuso mundo feminino precisa ser abordado de forma crua, direta e objetiva para ser compreendido.”

 "COMO LIDAR COM MULHERES"

  "Apontamentos sobre o perfil comportamental feminino nas relações com o homem"
"Quando fores ao encontro da mulher , não te esqueças de levar o chicote" (Nietzsche)

"A sorte é mulher e, para dominá-la , é preciso bater-lhe e ferir-lhe" (Maquiavel)

"E eis que encontrei ópio mais amargo que a morte: a mulher cujos braços são laços e cujas mãos são ataduras " (Eclesiastes 7:2 6 )

 
 Introdução

"Neste trabalho retratarei o lado negativo, a face obscura, destruidora e fatal do feminino, a qual infelizmente corresponde nos decadentes dias atuais à esmagadora maioria das mulheres. Não abordarei seu lado divino e celestial mas apenas o aspecto infernal e monstruoso, o qual deve ser vencido para que a mulher nos entregue as chaves do paraíso. As mulheres são seres deliciosamente terríveis, de dupla face, que nos fazem sofrer terrivelmente. Atormentam-nos com seus jogos contraditórios e incoerências, nos levando à loucura. Quando as vencemos, elas nos presenteiam com os segredos que reservam aos eleitos. Como tenho visto muitos homens sofrerem nas mãos dessas deliciosas criaturas, resolvi compartilhar o conhecimento que adquiri em duras experiências. Quando eu era jovem, não entendia porque certos filósofos e escritores diziam que necessitávamos nos desapegar das mulheres. Os considerava injustos e discordava. Hoje os entendo perfeitamente e concordo com tudo o que disseram Nietzsche, Schopenhauer, Maquiavel, Eliphas Lévi e outros sábios. As advertências da Igreja na Idade Média, do Alcorão, da Bíblia e de outros livros sagrados contra esses seres simultaneamente maravilhosos e malignos não são gratuitas. O jogo da paixão é uma batalha de sentimentos em que a mulher tenta incansavelmente vencer usando como armas as carências afetivas e sexuais do homem. A intenção é conquistar o nosso coração para dispor, deste modo, da subserviência que se origina do estado de apaixonamento. Os princípios que aponto se aplicam de forma geral a todas as relações de gênero: à paquera, ao namoro e ao casamento, entre outras "modalidades". As informações foram coletadas junto a mulheres do Brasil nas décadas de 80, 90 e neste princípio do século XX. Correspondem a tendências comportamentais mais ou menos generalizadas, com raras exceções. Nada posso afirmar com certeza a respeito do que estiver fora deste contexto. Basicamente, me empenhei em descrever as estratégias femininas para ludibriar o homem, acorrentando-o, os erros que normalmente cometemos e as formas de nos defendermos emocionalmente. Espero não ter chocado o leitor por ter, como Maquiavel, tratado apenas das coisas reais e não das coisas ideais. A realidade do amor não é bela e difere totalmente do que gostaríamos que fosse. Não maldigo as mulheres: julgo e condeno friamente suas atitudes à pena de morte por serem imperdoáveis e por saber que, na guerra do amor, a piedade não existe, infelizmente. Não as criei, apenas as descrevo como são, sem máscaras ou evasivas. O complexo e confuso mundo feminino precisa ser abordado de forma crua, direta e objetiva para ser compreendido."
 Para ler o resto, e vomitar as tripas... pode aceder:  conquistandomulheres.blogspot.pt/2008/02/tcnicas-de-seduo.html

quinta-feira, setembro 19, 2013

O QUE É SER FEMINISTA?


 
“O feminismo é um filosofia universal que considera a existência de uma opressão específica a todas as mulheres. Essa opressão se manifesta tanto no nível das estruturas como das superestruturas (ideologia, cultura e política). Assume formas diversas conforme as classes e camadas sociais, nos diferentes grupos étnicos e culturas.
Em seu significado mais amplo, o feminismo é um movimento político. Questiona as relações de poder, a opressão e a exploração de grupos de pessoas sobre as outras. Contrapõe-se radicalmente ao poder patriarcal. Propõe uma transformação social, econômica, política e ideológica da sociedade."
  Maria Amélia de Almeida Telles (1):

O que é ser feminista?

"Muitas pessoas, ainda que saibam de cor a pauta feminista ou tenham uma ideia de qual seja, sentem insegurança em se assumirem como tal. Seja por motivos internos, por medo de rótulos sociais ou ainda por não se sentirem representadas. A estas pessoas, acho interessante compartilhar um pensamento da grande intelectual Heleieth Saffioti (2):

“Na verdade, eu sempre relutei em me dizer feminista no Brasil. No passado, este termo tinha uma carga ideológica muito grande e ainda apresenta uma carga razoável. Eu gosto de dizer: eu sou feminista mas meu feminismo é este (…) porque eu tenho muito medo que tomem o meu feminismo através dessa adulteração que se fez do termo que interessa muito a ditadura, de se entender que esta é uma luta das mulheres contra os homens, e eu não quero de maneira alguma ser interpretada desta forma. Tenho muito respeito pelos homens. Acho que eles também são vítimas dessa sociedade, embora nós sejamos mais vítimas do que eles.”

"Não há uma definição do que necessariamente é ser feminista. Muitas pessoas são, mas não se assumem. Muitas pessoas assumem, mas não são. O importante, na prática, é saber o que o Feminismo como um todo busca e, perceber que no fundo é o que você também deseja. Afinal, não acho que ninguém goste de viver uma sociedade que oprime e mata as mulheres.
Por isso que sempre me pergunto: quem, no fundo, tem medo do Feminismo?"
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SEM UMA NOVA CONSCIÊNCIA DE SER MULHER EM SI
- não há luta contra o Sistema que nos valha...

Não é que seja feminista na acepção geral do termo, mas concordo com muitas partes do texto, e dos argumentos, mas o que eu não creio é que dentro deste Sistema - feito e construído na base da diferença entre homem e mulher, assente na supremacia sobre a mulher e na dominação de metade da humanidade sobre outra metade, algum dia mude...ou aceite a mulher livre sem que se mude primeiro o próprio sistema...e isso os homens nunca farão nem as mulheres prisioneiras - queiram ou não queiram - dentro dele. É preciso sair...Mas como?
Através de uma nova consciência do Ser Mulher em si...
E assim o que eu defendo, A FEMINITUDE, digamos, é um renascer da mulher a partir de uma essência feminina, da qual ela foi alienada  pela história religião e cultura patrista ao logo dos séculos, que negou a natureza ctónica e telúrica da Mulher, que é inerente à Mulher, na qual reside a sua dimensão ontológica e a sua força, a força do Útero, começando por esse resgate do seu ser instintivo, emocional e psíquico e consequentemente implicando a concepção de um novo paradigma logo à partida, não a subsistência deste, começando uma revolução interior, sim, a partir de dentro, dos seus ovários, útero  e coração, uma mudança de dentro da mulher e não apenas fora, pois considero que todas estas manifestações das Mulheres Vadias e das Femens, são reacções dos subprodutos que as mulheres são dentro do sistema, mulheres divididas, cindidas, fragmentadas em estereótipos e não fazem mais do que rebentar com a Cara (a exposição inútil do seu corpo degradado pelo olhar machista) contra as Paredes de Aço do Sistema e todos os seus defensores, polícias e políticas e políticos, padres, juízes e catedráticos etc. que as desprezam e culpam na mesma sempre.


Não é com marchas de vadias, nem mulheres nuas e agressivas, que se mudam mentalidades nem leis...as leis já foram mudadas em muitos lugares e a mente masculina e feminina também continuam a mesma...e é isso que ninguém quer ver...
Se as mulheres mais lúcidas e inteligentes... querem continuar cegas e ir contra os muros da sua prisão...e destruírem-se...é continuar por aí com toda a RAZAO, SIM, COM TODA A RAZÃO, MAS SEM NENHUMA CONSCIÊNCIA ontológica do seu SER MULHER!...

rlp

quarta-feira, setembro 18, 2013

EM BUSCA DO SER MULHER

A GAIOLA DOURADA E A GAIOLA ABERTA..
  
QUE MULHER SOMOS NÓS?

De vez em quando eu acho que devemos clarificar esta ideia tão comum e divulgada nos meios ditos “espirituais” de sermos seres espirituais apenas, e que ao sê-lo tudo se solve em nada e vamos para o céu sem mais delongas, meditamos e pronto...

Tudo isso sem ter em conta a nossa realidade terrena enquanto mulheres, aqui e agora. Isto é, sem considerar que enquanto seres humanos, metade da humanidade que somos, fomos reduzidas a uma mera função biológica e sexual ao serviço do Homem, aglutinadas pela própria linguagem que nos remete sempre para o plano secundário, sem grandes alternativas na vida que não sejam viver como mãe ou prostituta, digo, uma mulher que hoje em dia pode ser até considerada livre...mas sozinha e sem qualquer apoio social, que acarreta com todo o peso da resistência da família patriarcal e machista e os agravos dos conceitos seculares sociais que sobre ela caiem. Ou a mulher casada com filhos e sobrecarregada pela profissão e sem nenhum tempo para ela e sem sequer pensar em SER ela própria em momento algum...em luta apenas pela sobrevivência? O que é que mudou na vida das mulheres modernas senão o stresse, a cosmética e as doenças de foro feminino...que até parece ser destino...?

 Durante séculos para fugir a estas duas hipóteses a mulher, uma minoria aliás, pode ir para conventos...e dedicar-se então ao Senhor, casar com Jesus...fazendo votos de castidade e pobreza e obediência. Portanto entre vender o corpo e o sexo e a sua negação ou ser mãe e cuidar do homem exclusivamente que outra hipótese tem hoje a mulher? Tendo ainda em conta a mulher homossexual, vejamos o que a mulher enfrenta nesta história? É ela livre de amar outra mulher ou que mulher ama ela? Está a mulher homossexual fora desta sociedade, tem alternativa ou busca desesperadamente inserir-se reclamando do Sistema uma inclusão dentro do modelo patriarcal, sujeitando-se às mesmas normas de ser casada...ou afirmar a sua sexualidade/diferente? Continuando portanto a viver apenas ao nível do seu ser sexual/biológico, ter filhos de duas mães...adoptar ou o quê? Em que é que isso muda os pressupostos e lhe dá uma verdadeira dimensão do seu SER MULHER, uma integralidade de corpo/alma/espírito  (e isto bem para além das confusões de género e das polaridades e todas as questões filosóficas e da psicanálise que nunca teve em conta esta cisão da mulher)?

 Diríamos que hoje a mulher é livre e diz-se emancipada, é tratada teoricamente como tal, e que portanto pode escolher a sua forma de vida, mas é isto verdade ou apenas uma ideia moderna que branqueia o passado da mulher e camufla a realidade presente e coloca a mulher apenas no nível mental das ideias livres…em que ela apenas crê na sua liberdade, como antes acreditava em deus, e depois é explorada psicologicamente e de todas as maneiras e feitios e sofre em consequência de cancros e de depressões pela contradição inerente a sua realidade interior em conflito e a luta talvez inconsciente até entre  o que sente e o que pensa?

- Onde está a Mulher integral, a Mulher autêntica, a Mulher corpo sexo mente e psique, a Mulher Alma,  a mulher em si, completa, a mulher instintiva e intuitiva, a mulher ctónica e a mulher cósmica? A Mulher Iniciadora, a Mulher Deusa, a mulher Potência, a Mulher essência? A Mulher Paixão, a Mulher Vulcão, a Mulher Lilith...a Mulher inteira que não precisa nem de deuses...nem de homens, nem de mulheres, nem de filhos para SER EM SI.
- Essa sim é Mulher total, a Mulher que sei que É, a Mulher Deusa dos primórdios e a que voltará em breve vinda do Futuro e a mesma que iluminou o Passado perfeito...de antes da Queda, eu creio... Sim eu creio...totalmente nessa MULHER!

E não na ideia “new age”, divulgada e colada a mulher como:

“If we believe, "I'm a spirit, I'm among the spirits, I am from the Grear Spirit, I have to merge in that Spirit," all problems shall be solved.” - Yogi Bhajan

Sim, esta é a ideia e o exemplo de ideia que é divulgada por mulheres terapeutas e espirituais que eu aqui veemente contesto para a mulher-Mulher, para a mulher que busca encontrar a sua essência mulher e não a sua essência divina, que eu não nego, como Ser Humano, mas trata-se agora de recuperar o seu SER mulher em si como divino e não a divindade abstracta, que consiste em branquear a mulher ctónica e telúrica, através da religião ou do Yoga como fizeram e fazem ainda alguns mestres. A mulher pode sempre seguir esta via, mas nunca será A Mulher integral nem a mulher essência...

rlp

segunda-feira, setembro 16, 2013

UMA PROFETISA DO NOVO SÉCULO...

 
"... É a grande, interminável conversa das mulheres, parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta..."

José Saramago
(in O Memorial do Convento)
 
A VOZ DO VERDADEIRO ORÁCULO, A MULHER...

UMA EVIDÊNCIA GRITANTE HOJE:
"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"
 

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".

Natália Correia

sexta-feira, setembro 13, 2013

Homenagem a Natália Correia

 
 
 
CHEGOU A HORA!

"- Vai!...Vai!...Chegou a hora! Vai unir-te às humilhadas filhas da noite, tuas irmãs! Ao som dos tambores do sangue ide acordar a Grande Mãe! Quebrai o vidro tumular em que o tirano coroado de louro aprisionou a sua augusta... ira! Chegou a hora! Libertai a fúria exilada nos cristais do seu sono milenar! Chegou a hora! Com o tirso do ódio excitai as matilhas do instinto! Lançai as ágeis cadelas de Lyssa aos calcanhares do déspota solar! Que o seu poder decline e o cadáver seja de novo oferecido à vingativa rapina das bacantes!"

In A MADONA de Natália Correia

NATÁLIA CORREIA

 
Natália Correia nasceu há 90 anos, a 13 de Setembro de 1923.
este é o seu auto-retrato.


Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:...

asas no exílio de um corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
 

NATÁLIA CORREIA

SEXTA FEIRA 13...


quinta-feira, setembro 12, 2013

A PRETENSÃO NEW AGE DE UNIR O MASCULINO E O FEMININO


 

NUNCA POSSÍVEL
Antes da integração das duas mulheres cindidas...

 A dualidade entre feminino masculino só poderá ser superada depois de resgatada a verdadeira essência do feminino sagrado e em si mesma; o que se faz actualmente nesta pseudo-união (yin e yang da psicologia Junguiana) é branquear que a mulher foi cindida em duas espécies de mulheres (a santa e a puta) pelas religiões patriarcais e que antes de tudo - seja qual for o seu caminho - e de se unir ao masculino ela precisa integrar as duas mulheres, e só depois então poderá espelhar a anima (que não tem, asfixiada por um animus exaltado). Integrada a Mulher, resgatadas as forças telúricas e ctónicas, ela poderá assim unir-se ao Cosmos e ligar o Céu e a Terra, como forças complementares. Só então ela poderá espelhar ao homem a sua anima e vice-versa...antes disso é um continuar a branquear e a manter a mulher essência submersa nos escombros das religiões patriarcais em que ela foi apagada e suprimida juntamente com o culto e devoção da Grande Mãe, ou das psicanálises que partiram dessa cisão sem a ter a conta e fazendo da mulher um bicho de 7 cabeças...

Toda a premissa da união dos opostos e do feminino masculino das tradições alquímica ou taoista, está à partida correcta...mas a questão que eu levanto é anterior  a isso, sobretudo no Ocidente, e reflecte-se no erro grave (o Pecado) que divida a Humanidade...e de que ninguém se apercebe ela derivar  da divisão intrínseca da mulher e a sua ferida psíquica milenar quando ela é dividida em duas espécies de mulher e obrigada a corresponder a estes estereótipos da virgem (imaculada e que concebeu sem pecado) e da madalena (a pecadora arrependida)...É nessa corrente de pensamento filosófico e teológico secular que a mulher é por isso denigrida, mal tratada e violada em todas as sociedades patriarcais.

O que eu digo e defendo, quando falo num feminino sagrado, ligado ás forças cósmica e telúricas, é que a mulher para percorrer um caminho espiritual tem de primeiro ser integral e unir em si as duas mulheres cindidas...Não ser mais a "santa e a prostituta" nem qualquer das variantes modernas (mulher fatal, objecto sexual etc.) que para ela se inventaram nas mais recentes culturas; porque este é o mais velho cisma da Humanidade e do qual estamos todos as sofrer dramaticamente as consequências...porque onde não há Mãe e a Mulher não é dignificada...a violência, o crime e a guerra imperam...
 rlp

LUGARES TELÚRICOS..

"Fátima é um símbolo, o símbolo de um fervor popular profundamente ancorado no inconsciente colectivo: mesmo que o não confesse abertamente, a humanidade esta empenhada numa procura incessante da Mãe que alimenta os seus filhos, os consola nas suas desventuras e os guia nas margens que conduzem ao outro mundo." - Jean Markale

terça-feira, setembro 10, 2013

SOU RADICAL...



PORQUE GOSTAM TANTO OS HOMENS
DE FALAR DAS E  PELAS MULHERES?
(...)
“Aquilo que eu não percebo (entre todas de que falei sem conseguir percebê-las) é porque é que as mulheres que hoje têm 80 anos se elogiavam umas às outras com o mesmo à-vontade (e, se calhar, frieza) com que as mulheres mais novas cortam nas casacas (como se as mulheres tivessem tal coisa) umas das outras.
Parece-me, como humilde estudante, que a razão é a mesma: as mulheres têm medo umas das outras. Respeitam-se. Invejam-se. Enciúmam-se. Gostem ou não gostem.
O medo, o respeito, a inveja e o ciúme são independentes do afecto. É neste aspecto que nos falta, a nós, homens, o aperfeiçoamento genético, de Adão para Eva, que nos permita reter o melhor e o pior dos dois mundos. Há o mundo do que se faz e diz. E há o mundo do que se sente e acredita.
Nós temos de escolher entre os dois, a cada momento. Elas não. Elas têm o triunfo e o castigo de terem tudo ao mesmo tempo.
Incluindo nós.”
  - Miguel Esteves Cardoso - in 'Como é Linda a Puta da Vida'

 

Este texto é muito bonito...e muito autêntico, o autor muito sensível, mas ele não toca nem de perto nem de longe na origem dessa rivalidade entre as mulheres, dessa inveja, desse ciúme entre mulheres, nem querem ver a razão dessa cisão e dessa competição entre elas, independentemente das idades. E nenhum homem vai perceber...nem aceitar. E não basta amar ou ser amado/a para perceber ou saber népia nenhuma...irritam-me os homens que julgam saber da mulher...embora os prefira aos machistas...e não digo que não haja algum homem de facto honesto, porque os há,  mas não sabedor da mulher...
 

Há séculos que lemos  filosofias, teologias e montes de psicanalistas e psicanálises sobre as mulheres…lemos os seus manuais sexuais, as suas teorias e os seus romances: e eles disseram coisas horrorosas…ou coisas fabulosas, tudo sobre a mulher: como ela devia ser e comportar-se e porquê era assim e assado...que era uma coitada e uma megera, uma puta, uma bruxa ou um anjo etc. Uns por inveja outros por ódio disseminaram as mais variadas ideias e filmes sobre a mulher,  mas creio que estes que são muito "queridos e amantes" são os mais perigosos porque induzem as mulheres precisamente  no que eles pensam e querem...por isso o que eles dizem - sim sou radical - não me convence nada...Uns até se intitulam "feministas"...e  o que é facto e eles sabem disso, é que elas vão logo atrás desse amorzinho...no princípio são só rosas...e no fim, sinceramente, no fim, quando não dominam e não obtém o que querem, submissão completa, servilismo, seguidismo, odeiam e violentam a mulher...e quantos até não lhes matam os filhos…e a elas?
Creio que nenhum homem consegue escapar à regra secular e por lei, do seu domínio sobre a mulher e estes discursos só servem para entreter e comover a carência feminina, para preencher o seu vazio visceral. Desculpem as minhas amigas mais novas a velha matreira que sou...e que nunca nenhum homem enganou...Lembro-me no meu tempo, quando se dizia "ele enganou-a" - "pobre rapariga...a sua honra está perdida...e lá ia ela para a "linda" vida de puta..."

Não era este um filme dos anos 50/60 ainda?

Sim, graças à minha mãe que sofreu tudo o que tinha a sofrer, tal como quase todas as mulheres da sua geração,  e a um pai tipicamente macho, eu, sempre alerta, aprendi a ser eu própria. Por isso nunca fui na "cantiga do bandido"...também adolescente e já mulher  me apaixonei e desejei homens, mas cedo soube o preço a pagar pela minha liberdade e individualidade como mulher e esse é um preço muito alto...e sei que nem ainda hoje (passados 40/50 anos) as mulheres raramente estão dispostas a pagar, pois de algum modo teriam de renunciar a essa velha ilusão que reina do amor do homem e da sua protecção...mesmo com as estatística da violência doméstica e da morte crescente de mulheres assassinadas pelos "companheiros"...
E o que mais me enerva e irrita ainda e não aceito de maneira nenhuma, é que uma mulher dos nossos dias  me venha com a conversa do feminino sagrado ou do amor incondicional ou seja qual for a “tantra” ou a treta da actualidade, quando está completamente manipulada por um homem que faz dela o que quer, que a violenta e ofende...que a vampiriza e ela se submete como uma gueixa...sem uma queixa...pelo "prazer" ou pelo "amor" dos filhos ou o que seja a sua desculpa para manter-se prisioneira da "besta"...e já nem falo das intelectuais, das "eruditas" porque essas têm a teoria toda invertida e são quadradas...
 
A coisa mais certa que o autor diz neste texto é que ele não sabe nada de mulheres…e não sabe, porque na verdade nem as mulheres ainda sabem de si…Esse é que é o drama  e uma  verdade a que temos de fazer face, cada uma de nós, com a maior honestidade… se não quisermos continuar a ser divididas e vivermos umas contra as outras...em defesa do homem...contra as filhas ou a mãe, as noras e as amigas, sempre potenciais rivais na luta pelo amante marido ou pelo filho macho, no Reino do Deus Pai...
rlp

segunda-feira, setembro 09, 2013

A MULHER ABANDONADA

UMA HISTÓRIA DE COMO OS HOMENS SÃO MAL ILUMINADOS...e deixam as mulheres de fora...

Yashodhara - A MULHER ABANDONADA

Ela vai ao encontro de Tashi (seu esposo) que a abandonara, na calada da noite, pois Tashi estava decidido a seguir o caminho monástico, espiritual! Acompanhem o desabafo dessa mulher desolada: "Yashodhara... Conhece esse nome? Príncipe Sidhartha, Gautama, Sakyamuni, Buda... Todos conhecem esses nomes! Mas Yashodhara?... Yashodhara foi casada com Sidhartha. Ela o amava apaixonadamente. Um dia, Sidhartha a deixou e ao filho deles, Rahul, enquanto eles estavam dormindo, para ir a procura da iluminação, para se tornar um Buda... Ele nem lhe dirigiu a palavra quando saiu... do a seguir o caminho monástico, espiritual! Acompanhem o desabafo dessa mulher desolada: "Yashodhara... Conhece esse nome? Príncipe Sidhartha, Gautama, Sakyamuni, Buda... Todos conhecem esses nomes! Mas Yashodhara?... Yashodhara foi casada com Sidhartha. Ela o amava apaixonadamente. Um dia, Sidhartha a deixou e ao filho deles, Rahul, enquanto eles estavam dormindo, para ir a procura da iluminação, para se tornar um Buda... Ele nem lhe dirigiu a palavra quando saiu... Yashodhara já havia demonstrado compaixão pelos doentes e oprimidos, antes de Sidhartha o fazer, muito antes de Sidhartha conhecer o sofrimento! Quem pode garantir se ele não adquiriu isso dela? ... Como poderá saber se Yashodhara não acabou vítima da raiva, da solidão ou da amargura depois que Sidhartha a deixou? ... Quem pensou nela? ... O que ela terá dito quando Rahul, seu filho, fez a pergunta inevitável: "Onde está meu pai?" O que ela pode lhe ter dito? ... Talvez Yashodhara quisesse deixar Sidhartha e Rahul... Pode uma mãe abandonar um filho no meio da noite? Isso só é possível ao homem. Só para o homem, Tashi! ... 
Depois disso, Yashodhara não teve escolha. Teve de levar uma vida de renúncia. Ela cortou o cabelo e viveu como uma aceta. Oh Tashi... Se seus pensamentos para o Dharma (a busca da realização espiritual) tivessem a mesma intensidade do amor e da paixão que demonstrou por mim (durante a convivência conjugal), você se tornaria um Buda neste mesmo corpo e nesta mesma vida..." 

Trecho do filme Samsara Índia/França 2001

Postado por Anna Geralda Vervloet PaimUMA HISTÓRIA DE COMO OS HOMENS SÃO MAL ILUMINADOS...e deixando as mulheres de fora...as sacrificam.

Yashodhara - A MULHER ABANDONADA

"Ela vai ao encontro de Tashi (seu esposo) que a abandonara, na calada da noite, pois Tashi estava decidido a seguir o caminho monástico, espiritual! Acompanhem o desabafo dessa mulher desolada: "Yashodhara... Conhece esse nome?
Príncipe Sidhartha, Gautama, Sakyamuni, Buda... Todos conhecem esses nomes! Mas Yashodhara?... Yashodhara foi casada com Sidhartha. Ela o amava apaixonadamente. Um dia, Sidhartha a deixou e ao filho deles, Rahul, enquanto eles estavam dormindo, para ir a procura da iluminação, para se tornar um Buda... Ele nem lhe dirigiu a palavra quando saiu... do a seguir o caminho monástico, espiritual! Acompanhem o desabafo dessa mulher desolada:
 
"Yashodhara......
Conhece esse nome? Príncipe Sidhartha, Gautama, Sakyamuni, Buda... Todos conhecem esses nomes! Mas Yashodhara?... Yashodhara foi casada com Sidhartha. Ela o amava apaixonadamente. Um dia, Sidhartha a deixou e ao filho deles, Rahul, enquanto eles estavam dormindo, para ir a procura da iluminação, para se tornar um Buda... Ele nem lhe dirigiu a palavra quando saiu... Yashodhara já havia demonstrado compaixão pelos doentes e oprimidos, antes de Sidhartha o fazer, muito antes de Sidhartha conhecer o sofrimento! Quem pode garantir se ele não adquiriu isso dela? ... Como poderá saber se Yashodhara não acabou vítima da raiva, da solidão ou da amargura depois que Sidhartha a deixou? ... Quem pensou nela? ... O que ela terá dito quando Rahul, seu filho, fez a pergunta inevitável: "Onde está meu pai?" O que ela pode lhe ter dito? ... Talvez Yashodhara quisesse deixar Sidhartha e Rahul... Pode uma mãe abandonar um filho no meio da noite? Isso só é possível ao homem. Só para o homem, Tashi! ...
Depois disso, Yashodhara não teve escolha. Teve de levar uma vida de renúncia. Ela cortou o cabelo e viveu como uma aceta. Oh Tashi... Se seus pensamentos para o Dharma (a busca da realização espiritual) tivessem a mesma intensidade do amor e da paixão que demonstrou por mim (durante a convivência conjugal), você se tornaria um Buda neste mesmo corpo e nesta mesma vida..."

Trecho do filme Samsara Índia/França 2001

(Postado por Anna Geralda Vervloet Paim)

domingo, setembro 08, 2013

SEM CONEXÃO CONSIGO MESMA NÃO HÁ ALMA



AS MULHERES QUE NÃO FAZEM A CONEXÃO COM O SEU SER INTERIOR e A SUA PSIQUE,  através do SEU UTERO, NÃO O FARÃO TAMBÉM COM A SUA ALMA...continuarão fragmentadas na sua psique, emocionalmente confusas e divididas em si mesmas e por isso antagónicas com as outras mulheres...
Este é o maior drama das mulheres no mundo ocidental....


rlp

AS DEUSAS SUPRIMIDAS

 
 
O QUE AS RELIGIÕES PATRIARCAIS CHAMAM DE "ABOMINAÇÕES"....A DEUSA E A MULHER...
 
DE ONDE NASCE A VISÃO ESQUIZOIDE DA PSICANÁLISE COM FREUD À CABEÇA?
 

Segundo Freud parece que os HOMENS BUSCAM E GIRAM A VOLTA de Deus e a  mulher GIRA À VOLTA DO HOMEM?
Aqui está resposta..
 
- A MULHER HISTÉRICA É A MULHER ANULADA PELOS PATRIARCAS: ELES QUISERAM INVERTER A HISTÓRIA e alterar as forças da Natureza concebendo eles próprios a mulher tal como Adão fez sair de si Eva (rejeitado por Lilith) tal como Zeus que ...engoliu a Deusa e fez nascer a filha Atena da sua perna ou cabeça...esta é a essência do patriarcalismo e da sua história invertida e da qual parte a psicanálise...
A ANULAÇÃO DA MULHER como SER individual que sem homem ou filho, não é nem vale nada ...reduzida a um zero...ou a demónios...

 
 
"Deuses/as suprimidos/as se transformam em demônios e, freqüentemente, são com esses demônios que logo defrontamos quando nos voltamos para nosso interior. Além disso, o poder que foi especialmente suprimido na principal arremetida de nossa tradição é aquele que na maior parte do mundo está representado na imagem da grande Deusa. Ela é chamada na Bíblia (II Reis, 23:13) de "a abominação". Mas as próprias... imagens dessa mesma Bíblia provêm de um contexto mitológico mais antigo no qual a Deusa era suprema. As imagens dela e das divindades da natureza, suas filhas, foram objeto de apropriação e transformadas de modo a se harmonizarem com uma tradição estrita e implacavelmente patriarcal, de orientação masculina, da qual todos os símbolos, conseqüentemente, foram colocados às avessas. Quem, por exemplo, deseja o amplexo de Abraão? Quem já ouviu falar de um homem dar nascimento a uma mulher, como Adão a Eva? Há em todo este símbolo a produção e o arquitetar falacioso de uma campanha deliberada de sedução, transferindo a mente e o coração do feminino para o masculino, isto é, das leis da natureza para as leis e interesses de uma tribo local. Além disso, como já sugeri, é certamente desconcertante a psique ter que reagir a imagens que expressam uma coisa para o coração e são apresentadas à mente programadas num outro significado oposto. Este paradoxo produz uma espécie de situação esquizóide e, sem dúvida, uma das principais razões para a prosperidade da psicanálise atualmente é essa confusão e esse curto-circuito das imagens simbólicas com as quais os sistemas conscientes e inconscientes de nossas mentes tiveram de ficar em contato.
Um infortúnio extra para a saúde de nossa civilização pode ser visto no próprio Dr. Freud, que foi seriamente infectado tanto quanto a Bíblia por aquilo que agora é chamado de chauvinismo masculino. O movimento feminista pode exercer uma importante influência neste caso, estendendo-se, inclusive, ao campo da simbologia religiosa. Entrementes, no rebanho cristão, foi decerto um grande triunfo para Maria o fato de a despeito da resistência da comunidade protestante bibliólatra — para a qual a mariolatria tem exatamente o mesmo significado que a "Abominação" tinha para Elias — ter sido ela capaz de avançar mais e mais para a órbita da genuína divindade. A assunção de Maria ao céu foi em 1950 declarada como dogma a ser objeto de crença como acontecimento histórico. Deve-se, ademais, considerar, a título de uma imagem para contemplação, sua coroação no céu. De fato, Maria é até encarada como co-salvadora, co-sofredora com seu Filho redentor da vida. A linha divisória aqui entre "veneração" e "culto" está se tornando cada vez menos fácil de ser definida. As regras do jogo estão mudando sensivelmente. Caso venham algum dia a ceder completamente, uma efetiva vitória terá sido granjeada sobre o provincialismo patriarcal de nosso passado (Extra ecclesiam nulla salus!) e a favor de um futuro mais amplamente humanizado, graças simplesmente a uma transformação dos símbolos essenciais através da imaginação mitológica redesperta e reativada de homens e mulheres nos nossos dias.

Joseph Campbell

quinta-feira, setembro 05, 2013

SER-SE DUAS...




“Um dia, depois de viver sem tédio muitos iguais, viu-se diferente de si mesma. Estava cansada. Andou de um lado para outro. Ela própria não sabia o que queria. Pôs-se a cantar baixinho, com a boca fechada. Depois cansou-se e passou a pensar em coisas. Mas não o conseguia inteiramente. Dentro de si algo tentava parar. Ficou esperando e nada vinha para ela. Vagarosamente entristeceu de uma tristeza insuficiente e por isso duplamente triste. Continuou a andar por vários dias e seus passos soavam como o cair de folhas mortas no chão. (...) Na verdade ela sempre fora duas, a que sabia ligeiramente que era e a que era mesmo, profundamente.”

Clarice Lispector

- Homenagem à minha Mãe...

Dia de nascer ou renascer...



 

SÓ UMA MÃE...

 


AS MÃES

(...)

“As mulheres recorrem às mães quando não podem recorrer a mais ninguém. As mulheres sabem que só uma mãe poderá descobrir uma réstia de compaixão e amor quando em todos os outros estão desfeitos em cinzas."


in CARRUAGEM PARA MULHERES de Anita Nair

I FEEL BLUE




DIVINO E MULHER

“O Divino apreende-se da mesma forma como nos aproximamos de uma mulher numa relação erótica, em busca de Outro que se deseja mas que não nos pode pertencer.”
DELPHINE HORVILLEUR,
Rabina do Movimento Judaico Liberal de França

quarta-feira, setembro 04, 2013

QUAL O VERDADEIRO EROTISMO DA MULHER?


FOGO POSTO...

Deve ser por causa dos incêndios. Comecei a suspeitar que isto do erotismo pode ser fogo posto...
Há que distinguir no erotismo, o inato e o produzido. É como os alimentos: há os naturais e os processados com químicos, corantes, conservantes; já para não falar nos geneticamente modificados...
Dei por mim a interrogar-me se a Mulher é ou não é erótica, ou se ( e também ) se tornou erótica. Porque foi levada a sê-lo? Por obrigação? Por opção? Ou porque o é?
Ser erótica pode ser uma escolha fabricada por sociedades em decadência, ou pode ser a " classe dominante" "masculina" a "organizar" a consciência à maneira que lhe interessa...
Antes de pensar na mulher e no homem, não posso ignorar que subjacente a isso há biologicamente a fêmea e o macho. De um modo geral, na natureza, as fêmeas nem seduzem. Como em tudo há excepções e lembro exemplos. Das que matam o macho depois da cópula ( louva-à-deus ), das que utilizam o macho livremente segundo o seu apetite ( certas símias ), das que juntamente com os machos criam pares monogâmicos ( pinguins, cegonhas ).
Mas como estava dizendo, de um modo geral, os machos é que perseguem as fêmeas pelo odor delas, e são eles que se exibem pela força ou pela beleza, lutando por conquistá-las. As fêmeas ( continuo a falar no geral ) são mais ligadas a tudo que significa maternidade. Escolhem entre machos o mais capaz de lhes assegurar crias com condições aptas para a sobrevivência. São relações funcionais, restritas à cópula.
Mas observem bem o comportamento de manadas de fêmeas elefantes, das leoas, das vacas, das cadelas, das gatas, etc, com as suas crias. Imaginem que essas fêmeas tinham capacidade para se expressar eroticamente. Não estão a sentir mesmo que essa expressão não seria ligada ao macho, mas a uma simbiose delas com a natureza? Eu empaticamente sinto-o.
Os animais não questionam os seus papeis. Está à vista que com os humanos não é assim. Talvez que algures no tempo, muito remoto, mesmo antes do matriarcado, as mulheres não se agradassem, não de si, mas do seu papel passivo na sexualidade fêmea. Talvez verificando que o macho as procura se quisessem erotizar, competindo entre si e entre eles.
Curioso que Eros, segundo Platão, é filho de Pénia, quer dizer da Pobreza. Essa Pobreza é a inacessibilidade, é a impossibilidade e nasce da abundãncia visível a que não se tem acesso. Hoje, no Ocidente , esse acesso foi conseguido, e digamos que as mulheres passaram a ser as" novas ricas "da sexualidade masculina.
A dúvida, que acrescentei a tantas das minhas dúvidas, vem de me interrogar se mesmo no matriarcado, apesar da Mulher ser tão considerada, como seria no concreto a relação sexual com o homem na intimidade? Onde está documentado? Quem sabe? Uma coisa é o sexo na superestrutura duma sociedade, outra hormonas e instinto no terreno, outra ainda a expressão individual do desejo. Do desejo da mulher pelo homem afere-se mais dos relatos de histórias libidinosas do que pelo verdadeiro que a mulher sente em si, e que a maior parte das vezes nem sabe definir. Quando o define cai em estafados lugares comuns.
Pergunto-me quando é que na História a Mulher foi tocada no seu âmago pela Consciência da sua Sacralidade e em que medida isso iluminou a sua sexualidade, a sua sexualidade íntima, antes da sua sexualidade social. Na falta de respostas, para mim, Lilith é um marco na consciência da fêmea humana em ser Mulher. Aquela que não se submete às contingências, e que não usa o erotismo ao serviço seja de quem for. Para mim, mesmo o erotismo a dois é um simulacro, é uma ilusão que exprime a ãnsia da Fonte. Uma Mulher tem que perceber que está ligada directamente à Fonte, é a Fonte, tem o erotismo inacto da Vida. É um erotismo substantivo e não essa profusão de manifestações adjectivas, forçadas e pirosas, que vai consentindo que lhe atribuam, e que depois em requebros papagueia.
Não é que as coisas sejam assim, preto no branco, mas não deveria ser A CONSCIÊNCIA DA NOSSA SACRALIDADE a pura atmosfera do nosso erotismo?


texto de Graça Mota