sexta-feira, abril 25, 2014

O 25 DE ABRIL TROUXE O QUÊ ÀS MULHERES?


NADA RESOLVEU O PROBLEMA DA IDENTIDADE DA MULHER...porque a revolução da mulher é outra...começa nela mesma...é a sua verdadeira identidade!

“A revolta da mulher é a que leva à convulsão em todos os estratos sociais; nada fica de pé, nem relações de classe, nem de grupo, nem individuais, toda a repressão terá de ser desenraizada.(...)Tudo terá de ser novo. E ("PORQUE") o problema da mulher no meio disto, não é o de perder ou ganhar, mas é o da sua identidade.”*

AINDA O SONHO DE ABRIL...?

HÁ ainda o sonho para alguns  mas eu vivi-o muito antes do 25 de Abril...
Muitos anos antes...e lembro-me desde criança do medo e do silêncio...E CRESCIA nesse impossível que era dizer o que se sentia ou pensava em voz alta...Sim, lembro-me do medo...da tensão e da perseguição e do pavor dos outros...de ninguém confiar em ninguém, no amigo ou no vizinho não fosse ele da PIDE...e sim, um dia uma amiga disse-me para eu ter cuidado porque o primo que era da PIDE lhe tinha dito que eu já tinha lá ficha e que eles me seguiam...e para ela não andar comigo...que podia também ser presa e torturada...
 
Não, isto não é um mau filme de ficção...eu ainda tenho medo quando escrevo fora do padrão...e sinto agora no ar a crescer o mesmo medo e a mesma sombra de uma prisão...
 
A diferença  hoje é que já não sonho...com nenhum 25 de Abril, porque já vi que, como tudo na vida,  dá a volta e volta sempre tudo ao mesmo...porque o círculo das "revoluções" sem evolução individual, sem consciência humana, nem uma mudança efectiva dos indivíduos é vicioso...e  são precisamente os filhos de Abril, a geração que nada sofreu e teve tudo e que nada sabe da vida, que são os fascistas de hoje, os imberbes e os "retornados", os filhos dos pobres e remediados, os  filhos dos intelectuais, dos burgueses,  etc. que estão no Governo e na Assembleia e destroem tudo o que utopicamente se construiu  mal ou bem  nestes 40 anos e  era suposto já não serem anos de "escravidão" ao trabalho, mas  são-no  agora mais do que nunca do dinheiro da carro e à casa, às prestações ao banco e... nem nos vale já a liberdade de dizer ou gritar por verdade e justiça porque por  mais que se diga e fale "livremente"  ficaram apenas as teorias e as leis no papel...Todos pensam que mudou o Regime e o País...mas está tudo na mesma ou pior...Aquilo que nos iludiu durante estes anos, o dinheiro que nos emprestaram os estrangeiros,  e a mania das grandezas, agora cobram-nos com juros de morte e fome...apossam-se do País e tiram-nos toda a autonomia...
 

Mas mais gritante ainda para mim é em relação à mulher, em que o abuso sexual, psicológico e físico é o mesmo ou pior...a violência doméstica não diminuiu, bem pelo contrário, o feminicídio (morte de mulheres por serem mulheres) cresceu e o uso da imagem e do corpo das mulheres pelos Mídea e as publicidades associadas à pornografia (sem censura nem moral)  na televisão e no  cinema em nada mudou, e se mudou foi bem para muito pior...
Como foi hoje dito à Lusa pela constitucionalista e deputada do PS Isabel Moreira.: "As mulheres foram absolutamente espezinhadas durante o fascismo. Sobretudo, devido a uma determinada moral e nessa determinada moral a mulher era um acessório, uma dona de casa, precisava de autorização do marido para sair do país, o marido podia, se a mulher tivesse emprego, ir ao emprego e resolver o contrato de trabalho da mulher sem autorização dela"; Corria o Ano Internacional da Mulher, quando, em 1975, é revogado o artigo 372.º do Código Penal, pondo fim às atenuantes especiais para o crime de homicídio cometido pelo marido contra a esposa adúltera, um artigo que "conferia um verdadeiro 'direito de matar'", sublinha Teresa Anjinho.
O divórcio é permitido ainda em 1975, com a reforma da Concordata, o acordo entre Portugal e o Vaticano."

*
Sim, tudo isto é verdade e  e  não quero negar as leis e o progresso que de algum modo aconteceu em relação às mulheres ao nível social e político etc.... mas não houve uma consciência que permitisse uma verdadeira evolução e coerência de princípio com as leis e as novas ideias... 
Se virmos bem a outros níveis  esta nova "liberdade" e igualdade das  mulheres levou que a nível sexual, não havendo nem censura nem moral, que sendo baixa e falsa não deixava porém a sua proliferação...Não, não digo que era  um bem, que era melhor antes...ou que devia continuar como antigamente! Não, mas agora esta pseudo liberdade da mulher é também uma nova escravidão, uma nova forma liberal... de se vender sexo de todas as maneiras...sempre contra a integridade da mulher. Não, não pensem, o 25 de Abril não trouxe nem igualdade nem liberdade e menos ainda DIGNIDADE À MULHER...como a não trouxe a Revolução Francesa há séculos...

Parece que a história das mulher não muda...só a aparência e a moda...
E nada mudará no mundo enquanto a Mulher não  encontrar a sua verdadeira identidade. Só isso mudará a face da Terra. E não se trata de voltar à imagem da antiga mulher doméstica e mãe...fiel ao marido...ou da prostituta ostracizada...mas resgatar  uma mulher INTEIRA, consciente de si e da sua totalidade como Mulher, seja ela Esposa ou Mãe solteira,  Amante ou celibatária, seja ela profissional ou dona de casa...

"Tudo terá de ser novo. E ("PORQUE") o problema da mulher no meio disto, não é o de perder ou ganhar, mas é o da sua identidade.”*
 

Olhar isto dói, se dói...

A verdade é que com os tempos - na era industrial - se perderam as Damas, as  Musas, as grandes mulheres  e os grandes poetas...
O mundo moderno perdeu a grande poesia e a Mulher perdeu toda a sua dignidade e o encanto, ela perdeu-se no mundo só dos homens... quis ser "igual"...e tornou-se uma mulher objecto...uma mulher abjecta na maior parte das vezes...essa foi a sua "conquista" na luta por uma justiça... que nunca veio!
Agora ela não vai mais... "Descalça para... a fonte nem pela verdura; não vai mais fermosa, e não segura. Nem "Leva na cabeça o pote, O testo nas mãos de prata, Cinta de fina escarlata, Sainho de..." Não, ela agora vai à guerra e é polícia e política...aprendeu que não bastava só dar a vida, mas a matar...a mentir e a trair...
Hoje ela é tão igual aos homens, que já não há mulher interior nem poetas nem musas nem nenhuma beleza à superfície da Terra...toda ela cristãmente invadida e destruída pela ganância do predador Homem. Vivemos num mundo de violência, obsceno e pornográfico, vazio de ideais e de nobreza...Tudo se consome e tudo se vende - o corpo e a alma... aluga-se o ventre da mãe e transplanta-se o coração, vendem-se crianças...a própria vida e os órgãos...e chama-se a isto "liberdade", "ciência" e "evolução"...

rlp

 

*Do livro Novas Cartas Portuguesas, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, 1972

2 comentários:

Anónimo disse...

Poderoso e confirmador de que a nossa liberdade começa no íntimo de quem somos e em quem nos permitimos ser... Sem agradar aos outros e sem medo... Um 25 de Abril interno e eterno em nós...
Beijo doce.
Carla Moreira

Rosa Leonor disse...

Um grande beijinho e grata pelo comentário...e pela presença!

rlp