segunda-feira, julho 14, 2014

Hoje lembrei-me de Morgana...





Hoje lembrei-me de Morgana...

 Morgana a Grande Mulher inconformado do patriarcalismo nascente, na Lenda do Rei Artur que aparece associada às trevas, e ao mal, já está contaminada pelo cristianismo nascente e Guinevere e o exemplo da mulher educada nos conventos, a santa, e como cristã, casta e fiel esposa, é eleita rainha e de quem Lancelot se apaixonou e ama como sua rainha de um amor platónico...ele também já  incapaz de amar e de enfrentar uma mulher inteira, a Grande Sacerdotisa Morgana que não cedeu ao controlo do irmão...
Ela a mulher livre...não contaminada pelo cristianismo...
Mas tanto Morgana como Viviane já aparecem na lenda  sujeitas ao controlo de Merlin...supostamente o tutor de Morgana e apaixonado ou dado como amante de Viviane...e portanto são já os homens que controlam as mulheres na lenda como também podemos ver a divisão das duas mulheres que se dá entre Morgana a bruxa (a mulher renegada e perseguida) e Guinevere, a esposa dedicada, a Rainha.
Portanto a Busca do Graal, que à partida é a busca da Deusa dos primordios, o Cálice, acaba debaixo do domínio da Espada quando o próprio rei trai a sua consagração e a espada lhe é entregue pela Grande Sacerdotisa da Deusa, Viviane, para ele servir o reino da deusa e do deus em simultâneo...e tudo depois foi deturpado.
A busca do Graal deixou de ser a busca da Mulher e da Deusa para representar a busca do sangue real...o sangue de Cristo e os seus supostos descendentes...quando o sangue era o Sangue vital e da Deusa, do dar a vida que é o sangue da mulher e não da morte do homem, filho do Pai, nem do crucificado...
Isto foi o que me ocorreu quando esta manhã relia um livro da Fada Morgana...a inconsolável amante que foi desdenhada por o falhado Lancelôt, o triste cavaleiro fiel do rei, em nome dos novos valores cristãos...misógino e talvez impotente...valores que emergiam e soterraram a Deusa e a Mulher...
Isto é o que não devemos esquecer...
Morgana, irmã de Artur foi a vítima desta história de algum modo e para mim ela encarna Lilith e a raiva ancestral da mulher prisioneira do Pater...a mulher amante a quem o homem traiu ou a quem cortou as asas...fez-me também ver alguma semelhança com Maleficente...
Afinal de contas...todas nos encontramos na mulher traída a quem os homens cortaram as asas...e queremos reconquistar o nosso poder interior, doa a quem doer...e sem mais tutelas de ninguém..pater filho ou padre, seja ele o grande Merlin seja ele Freud...
rlp

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