domingo, setembro 28, 2014

sábado, setembro 27, 2014

A FALÁCIA DO COMUNISMO E DO PENSAMENTO MARXISTA



A MULHER SAIU DE UMA ESCRAVIDÃO, A DO LAR… PARA ENTRAR NOUTRA ESCRAVIDÃO, A DO TRABALHO, COM A ILUSÃO DE QUE SERIA LIVRE…

Um século depois…vemos não só a desmistificação da ideologia como da teoria construída no ideal…Em 1969 ainda apanhei com os resquícios dessa ideologia em teoria muito bem elaborada, para chegar ao século XXI e ver como a Mulher Verdadeira continua muito longe da sua essência. Resta-me pensar se a luta feminista assim desencadeada nestes regimes totalitários e falocráticos não ajudou a destruir ainda mais a mulher primordial. A Mulher essência, a Mulher como representante do Princípio Feminino e da Deusa Mãe, reforçando o ideal patriarcal.  

Leiam o texto e façam as vossas ilações…
rlp

 
A mulher moderna

Por Anna Kollontai

Quem são as mulheres modernas? Como as criou a vida?

A mulher moderna, a mulher que denominamos celibatária, é filha do sistema económico do grande capitalismo. A mulher celibatária, não como tipo acidental, mas uma realidade cotidiana, uma realidade da massa, um fato que se repete de forma determinada, nasceu com o ruído infernal das máquinas da usina e da sirene das fábricas. A imensa transformação que sofreram as condições de produção no transcurso dos últimos anos, inclusive depois da influência das constantes vitórias da produção do grande capitalismo, obrigou também a mulher a adaptar-se às novas condições criadas pela realidade que a envolve, o tipo fundamental da mulher está em relação directa com o grau histórico do desenvolvimento económico por que atravessa a humanidade. Ao mesmo tempo que se experimenta uma transformação das condições económicas, simultaneamente à evolução das relações da produção, experimenta-se a mudança no aspecto psicológico da mulher. A mulher moderna, como tipo, não poderia aparecer a não ser com o aumento quantitativo da força de trabalho feminino assalariado. Há cinquenta anos, considerava-se a participação da mulher na vida económica como desvio do normal, como infracção da ordem natural das coisas. As mentalidades mais avançadas, os próprios socialistas buscavam os meios adequados para que a mulher voltasse ao lar. Hoje em dia, somente os reaccionários, encerrados em preconceitos e na mais sombria ignorância, são capazes de repetir essas opiniões abandonadas e ultrapassadas há muito tempo.

 Há cinquenta anos, as nações civilizadas não contavam nas fileiras da população activa com mais do que algumas dezenas, ou mesmo algumas centenas de milhares de mulheres. Actualmente o crescimento da população trabalhadora feminina é superior ao crescimento da população masculina. Os povos civilizados dispõem não de centenas de milhares, mas sim de milhões de braços femininos. Milhões de mulheres pertencem às fileiras proletárias; milhares de mulheres têm uma profissão, consagram suas vidas à ciência ou à arte. Na Europa e nos Estados Unidos as estatísticas acusam mais de sessenta milhões de mulheres inscritas na classe trabalhadora. Marcha grandiosa a desse exército independente de mulheres! 50%  desse exército é constituído por mulheres do tipo celibatário, isto é, por mulheres que na luta pela subsistência contam apenas com suas próprias forças; de mulheres que não podem, segundo a tradição, viver unicamente dependendo de um marido que as mantenha.

 As relações de produção, que durante tantos séculos mantiveram a mulher trancada em casa e submetida ao marido, que a sustentava, são as mesmas que, ao arrancar as correntes enferrujadas que a aprisionavam, impelem a mulher frágil e inadaptada à luta do cotidiano e a submetem à dependência económica do capital. A mulher ameaçada de perder toda a assistência, diante do temor de padecer privações e fome, vê-se obrigada a aprender a se manter sozinha, sem o apoio do pai ou do marido. A mulher defronta-se com o problema de adaptar-se rapidamente às novas condições de sua existência, e tem que rever imediatamente as verdades morais que herdou de suas avós. Dá-se conta, com assombro, de toda inutilidade do equipamento moral com que a educaram para percorrer o caminho da vida. As virtudes femininas - passividade, submissão, doçura - que lhe foram inculcadas durante séculos, tornam-se agora completamente supérfluas, inúteis e prejudiciais. A dura realidade exige outras qualidades nas mulheres trabalhadoras. Precisa agora de firmeza, decisão e energia, isto é, aquelas virtudes que eram consideradas como propriedade exclusiva do homem. Privada da protecção que até então lhe prestara a família ao passar do aconchego do lar para a batalha da vida e da luta de classes, a mulher não tem outro remédio senão armar-se, fortificar-se, rapidamente, com as forças psicológicas próprias do homem, de seu companheiro, que sempre está em melhores condições para vencer a luta pela vida. Nesta urgência em adaptar-se às novas condições de sua existência, a mulher se apodera e assimila as verdades, propriamente masculinas, frequentemente sem submetê-las a nenhuma crítica, e que, se examinadas mais detalhadamente, são apenas verdades para a classe burguesa.(1)

 A realidade capitalista contemporânea parece esforçar-se em criar um tipo de mulher que, pela formação de seu espírito, se encontra incomparavelmente mais próxima do homem do que da mulher do passado. Este tipo de mulher é uma consequência natural e inevitável da participação da mulher na corrente da vida económica e social. O mundo capitalista só recebe as mulheres que souberam desprezar, a tempo, as virtudes femininas e que assimilaram a filosofia da luta pela vida. Para as inadaptadas, isto é, para aquelas mulheres pertencentes ao tipo antigo, não há lugar nas fileiras das hostes trabalhadoras. Cria-se desta forma, uma espécie de selecção natural entre as mulheres das diversas camadas sociais. As fileiras das trabalhadoras são sempre formadas pelas mais fortes e resistentes, pelas mulheres de espírito mais disciplinado. As de natureza frágil e passiva continuam fortemente vinculadas ao lar. Se as necessidades materiais as arrancam do lar para lançá-las na tormenta da vida, estas mulheres deixam-se levar pelo caminho fácil da prostituição legal ou ilegal, casam-se por conveniência ou lançam-se à rua. As mulheres trabalhadoras constituem a vanguarda de todas as mulheres e integram em suas fileiras representantes das diversas camadas sociais. Entretanto, a imensa maioria dessa vanguarda feminina não se constitui de mulheres do tipo de Vera Niokdinovna, orgulhosas da sua independência, mas, por milhões de Matildes envoltas em xales cinzentos, Tatianas, de Riasan, com os pés descalços, empurradas pela miséria a novos caminhos.(2) É um profundo erro pensar, no entanto, que o novo tipo de mulher, a celibatária, é fruto de esforços heróicos de algumas individualidades fortes que tomaram consciência de sua própria personalidade. Nem a vontade própria, nem o exemplo audacioso de Magda, nem o da decidida Renata foram capazes de criar o novo tipo de mulher. A transformação da mentalidade da mulher, de sua estrutura interior, espiritual e sentimental, realizou-se primeiro e, principalmente, nas camadas mais profundas da sociedade, ou seja, onde se produz necessariamente a adaptação ao trabalho, nas condições radicalmente transformadas de sua existência.

 Estas mulheres, as Matildes e as Tatianas, não resolvem nenhum problema. Além disso, ainda tentam agarrar-se com todas as suas forças ao passado. Com muito pesar se vêem obrigadas a curvar-se diante das leis da necessidade histórica - as forças de produção - e a dar os primeiros passos pelo novo caminho. Caminham ao acaso, dominadas pela tristeza, amaldiçoando seus passos e acariciando em seu interior o sonho de um lar, onde possam desfrutar de tranquilas e modestas alegrias. Ah, se fosse possível abandonar o caminho, voltar atrás. Mas, isto é irrealizável, pois os grupos de companheiras são cada vez mais densos e a corrente as empurra cada vez para mais longe do passado. É preciso adaptar-se à angustiante falta de espaço, preparar-se para a luta, ocupar o lugar correspondente a cada uma; têm que defender o direito de viver.

 A mulher da classe operária contempla como nasce e se fortalece dentro de si a consciência de sua independente individualidade. Tem fé em suas próprias forças. Gradualmente, de forma inevitável e poderosa, desenvolve-se o processo de acumulação de novos caracteres morais e espirituais da mulher operária, caracteres que lhe são indispensáveis como representantes de uma classe determinada. Há, porém, algo ainda mais essencial; é que esse processo de transformação da estrutura interior da mulher não se reduz unicamente a personalidades, mas corresponde a grandes massas, a círculos muito grandes, cada vez maiores. A vontade individual submerge e desaparece no esforço colectivo de milhões de mulheres da classe operária, para adaptar-se às novas condições da vida. Também nesta transformação desenvolve o capitalismo uma grande actividade. Ao arrancar do lar, do berço, milhares de mulheres, o capitalismo converte essas mulheres submissas e passivas, escravas obedientes dos maridos, num exército que luta pelos seus próprios direitos e pelos direitos e interesses da comunidade humana. Desperta o espírito de protesto e educa a vontade. Tudo isto contribui para que se desenvolva e fortaleça a individualidade da mulher.

 Mas, desgraçada da operária, que crê na força invencível de uma individualidade isolada. A pesada carga do capitalismo a esmagará, friamente, sem piedade. As fileiras de mulheres combatentes constituem a única força capaz de desviar de seu caminho a pesada carga do capitalismo. Deste modo, ao mesmo tempo que se desenvolve a consciência de sua personalidade e de seus direitos, nasce e evolui na mulher operária do novo tipo o sentimento da colectividade, o sentimento do companheirismo, que só se encontra, e muito levemente, na mulher do novo tipo pertencente a outras classes sociais. Este é o sentimento fundamental, a esfera de sensações e pensamentos que separa com uma linha divisória definitiva as trabalhadoras das mulheres burguesas, pertencentes ao mesmo tipo celibatário. Nas mulheres do novo tipo, mas pertencentes às distintas classes, é comum a distinção qualitativa das mulheres do passado. Como parte integrante das hostes de mulheres trabalhadoras, sua estrutura interior experimentou igual transformação, ou seja, logrou desenvolver sua inteligência, reforçar sua personalidade e ampliar seu mundo espiritual. A esfera, porém, de pensamentos e sentimentos, que derivam do conceito de classe, são os que separam, fundamentalmente, as mulheres do novo tipo pertencentes às diversas camadas sociais. As operárias sentem o antagonismo de classe com uma intensidade infinitamente maior que as mulheres do tipo antigo, que não tinham consciência da luta social. Para a operária, que deixou sua casa, que experimentou sobre si mesma toda a força das contradições sociais e que se viu obrigada a participar activamente na luta de classes, uma ideologia de classe, clara e definida, adquire a importância de uma arma na luta pela existência. A realidade capitalista separa de maneira absoluta a Tatiana, de Gorki, da Tatiana de Nagrodskaia. É esta realidade capitalista que leva a proprietária de uma oficina a encontrar-se, por sua ideologia, muito mais separada de uma de suas operárias do que a boa dona de casa com relação a sua vizinha, a mulher de um operário. Esta realidade capitalista torna aguda a sensação do antagonismo social entre as mulheres trabalhadoras. Para esta categoria de mulheres do novo tipo só pode haver um ponto comum: sua distinção qualitativa da mulher do passado, as propriedades específicas que caracterizam a mulher independente, do tipo que temos denominado celibatário. As mulheres do novo tipo, pertencentes a estas duas classes sociais, passam por um período de antagonismo: as duas classes lutam pela afirmação de sua personalidade; as de uma classe, conscientemente, por princípio, as da outra classe, de forma elementar, coletiva, sob o jugo do inevitável.

 Mesmo, porém, que na nova mulher pertencente à classe operária a luta pela afirmação de seu direito e de sua personalidade coincida com os interesses de sua classe, as mulheres do novo tipo pertencentes a outras classes sociais têm necessariamente que se defrontar com um obstáculo: a ideologia de sua classe, que é hostil à reeducação do tipo de mulher. No meio burguês, a insurreição da mulher adquire um carácter muito mais agudo e os dramas morais da mulher do novo tipo são muito mais vivos, têm mais colorido, oferecem maiores complicações.(3) No meio operário, não há nem podem existir conflitos agudos entre a psicologia da mulher do novo tipo, em formação, e a ideologia de sua classe. Tanto sua psicologia em formação como sua ideologia de classe encontram-se em um processo de formação, em fase de desenvolvimento.

 O novo tipo da mulher, que é interiormente livre e independente, corresponde, plenamente, à moral que elabora o meio operário no interesse de sua própria classe. A classe operária necessita, para a realização de sua missão social, de mulheres que não sejam escravas. Não quer mulheres sem personalidade, no matrimónio e no seio da família, nem mulheres que possuam as virtudes femininas - passividade e submissão. Necessita de companheiras com uma individualidade capaz de protestar contra toda servidão, que possam ser consideradas como um membro activo, em pleno exercício de seus direitos, e, consequentemente, que sirvam à colectividade e à sua classe.

 A psicologia da mulher do novo tipo, da mulher independente e celibatária, reflecte sobre a das demais mulheres que permanecem ainda na retaguarda em relação a seu tempo. Os traços característicos, formados na luta pela vida, das trabalhadoras convertem-se pouco a pouco, gradativamente, nas características das outras mulheres que ficaram atrasadas. Pouco importa que as mulheres trabalhadoras sejam apenas minoria, que para cada mulher do novo tipo haja duas, talvez três mulheres pertencentes ao tipo antigo. As mulheres trabalhadoras são as que dão tom à vida e determinam a figura de mulher que caracteriza uma época determinada.

 As mulheres do novo tipo, ao criar os valores morais e sexuais, destroem os velhos princípios na alma das mulheres que ainda não se aventuraram a empreender a marcha pelo novo caminho. São estas mulheres do novo tipo que rompem com os dogmas que as escravizavam.
A influência das mulheres trabalhadoras estende-se muito além dos limites de sua própria existência. As mulheres trabalhadoras contaminam com sua crítica a inteligência de suas contemporâneas, destroem os velhos ídolos e hasteiam o estandarte da insurreição para protestar contra as verdades que as submeteram durante gerações. As mulheres do novo tipo, celibatário e independente, ao se libertarem, libertam o espírito agrilhoado, durante séculos, de outras mulheres ainda submissas.

 É certo que a mulher do novo tipo já penetrou na literatura. Mas está ainda muito longe de haver expulsado as heroínas de estrutura moral pertencentes aos tempos passados. Tampouco conseguiu a mulher-individualidade descartar-se do tipo de mulher esposa, eco do homem. Entretanto, é fácil observar que ainda nas heroínas do tipo antigo se encontram, cada vez com maior frequência, as propriedades e os traços psicológicos que possibilitaram a vida das mulheres do tipo celibatário e independente. Os escritores dotam involuntariamente suas heroínas com sentimentos e características que não eram, de modo algum, próprios das heroínas da literatura do período precedente.(4)

 A literatura contemporânea é rica, sobretudo, em figuras de mulheres do tipo transitório. É rica em heroínas que têm simultaneamente as características da mulher antiga e da mulher nova. Por outro lado, ainda nas mulheres do tipo celibatário já formado, observa-se um processo de transformação dos novos valores, que podem ser abafados pela tradição e por uma série de pensamentos superados. A força dos séculos é demasiado grande e pesa muito sobre a alma da mulher do novo tipo. Os sentimentos atávicos perturbam e debilitam as novas sensações. As velhas concepções da vida prendem ainda o espírito da mulher que busca sua libertação. O antigo e o novo se encontram em continua hostilidade na alma da mulher. Logo, as heroínas contemporâneas têm que lutar contra um inimigo que apresenta duas frentes: o mundo exterior e suas próprias tendências, herdadas de suas mães e avós.

 Como disse Hedwig Dohn, “os novos pensamentos já nasceram em nós, mas os antigos ainda não morreram. Os restos das gerações passadas não perderam sua força, ainda que possuamos a formação intelectual, a força de vontade da mulher do novo tipo.” A reeducação da psicologia da mulher, necessária às novas condições de sua vida económica e social, não pode ser realizada sem luta. Cada passo dado nesse sentido provoca conflitos, que eram completamente desconhecidos das heroínas antigas. São esses conflitos que inundam a alma da mulher, os que pouco a pouco chamam a atenção dos escritores e acabam por converter-se em manancial de inspiração artística. A mulher transforma-se gradativamente. E de objecto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia.
 
Texto de Anna Kollontai - escritora e comunista russa - nasceu em 19 de Março de 1872 e morreu em 9 de março de 1952 

quarta-feira, setembro 24, 2014

Porque é que o sexo feminino se contenta com tão pouco?

 A ARMADILHA DA IGUALDADE

"Qual tem sido a maior queixa das mulheres para defender seus direitos? Igualdade. Ou seja, o acesso livre aos cargos e funções que os homens ocupam no sistema. Seja parte do sistema corrupto e desastroso, em maior medida, criado pelo próprio sexo masculino.
Um mundo selvagem, violento, injusto, perverso como uma máquina fria e metódica que destrói tudo no caminho, nas asas de ideologias políticas absurdas, crenças religiosas ou ganhos económicos. Longe de tentar transformar este mundo vil às suas raízes, para destruir as estruturas psíquicas que causam sérios danos ao próprio sexo feminino desde tempos imemoriais, a grande reivindicação da mulher tem sido tornar-se uma grande peça desse mecanismo, tal como o homem o é.
Apenas isso.
 Ser uma parte da máquina, simplesmente.
Isso é o que realmente representa a chamada "igualdade de género ".
 E, chegando aqui, devemos nos perguntar por que o sexo feminino se contenta com tão pouco?
Por que não tem focado os seus esforços em derrubar as estruturas injustas do sistema, criando novos conceitos, radicalmente diferentes, muito mais desenvolvido e profundo?
Em suma, porquê que a mulher não se tem esforçado para criar e liderar um mundo radicalmente novo e melhor?
Criar e liderar um novo mundo. Isso representaria uma nova esperança para a raça humana, tão cega e perdida nestes dias.
Sem dúvida, alguns irão argumentar que para mudar o mundo as mulheres devem incorporar antes os cargos da sua gerência.Mas isso é uma falácia completa. Porque é justamente aí que está a armadilha.Como vimos, o poder transformador só vem dos grupos oprimidos que lutam para mudar as coisas e sonhar com novas realidades, ser utópica.

A necessidade de construir um futuro.
No entanto, a promessa de igualdade não abriga ao sonho de novas realidades.
Na verdade serve para matar esse sonho realmente profundo e reforçar as realidades existentes como únicas opções possíveis.
E a igualdade de género, uma vez alcançada, efectivamente eliminou a necessidade de essa transformação porque, presumivelmente, termina com a opressão que gerou essa necessidade.
 Esse foi o grande sistema de armadilha para abortar a grande revolução das mulheres que poderia ter mudado a humanidade para sempre.
E com isso perdemos provavelmente a última chance de faze-lo.
Porque todos nós sabemos que uma mulher pensa e sente diferente do homem.
Experimentando coisas que um homem não pode jamais compreender.
Existe entre ambos os sexos uma enriquecedora e profunda diferença, tanto a nível biológico como a nível psicológico.
Um património natural inestimável.
No entanto, parece que o sexo feminino renunciou a estas valiosas diferenças, à sua forma particular de sentir e compreender o mundo e tornou-se também um homem, juntando-se, da mesmíssima forma que ele, à máquina do sistema."

(...)
in  GAZZETTA DEL APOCALIPSIS

AS MULHERES AINDA ACRETIDAM NO PAPAI NOEL...



HE-FOR-SHE ???

AH AH AH H HA HHHHAAAA

DÁ-NOS VONTADE DE RIR TAMANHA INGENUIDADE DAS MULHERES OU TAMANHA PATRANHA PATRIARCAL...
 

(agora  elegeram a branca de neve para a ONU a fazer de porta voz dos predadores natos...?)

HE-FOR-SHE - UMA CAMPANHA DA ONU


O DISCURSO DE EMMA WATSON NA ONU

" Hoje estamos aqui lançando a campanha HeForShe. Eu estou falando com vocês porque precisamos de ajuda. Queremos acabar com a desigualdade de gêneros – e pra fazer isso, todo mundo precisa estar envolvido.

Essa é a primeira campanha desse tipo na ONU. Precisamos mobilizar tantos homens e garotos quanto possível para a mudança. Não queremos só falar sobre isso. Queremos tentar e ter certeza que é tangível.

Eu fui apontada como embaixadora da boa vontade para a ONU Mulheres há seis meses e quanto mais eu falava sobre feminismo, mais eu me dava conta que lutar pelos direitos das mulheres muitas vezes virou sinônimo de odiar os homens. Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que isso tem que parar.

Para registro, feminismo, por definição é a crença de que homens e mulheres devem ter oportunidades e direitos iguais. É a teoria da igualdade política, econômica e social entre os sexos.

Eu comecei a questionar as suposições baseadas em gênero quando eu tinha oito anos, fui chamada de mandona porque eu queria dirigir uma peça para nossos pais – mas os meninos não foram. Aos quatorze anos, sendo sexualizada por membros da imprensa. Com quinze anos, minhas amigas começaram a sair dos times esportivos porque não queriam parecer masculinas. Aos 18, meus amigos homens não podiam expressar seus sentimentos.

Eu decidi que eu era uma feminista. Isso não parecia complicado pra mim. Mas minhas pesquisas recentes mostraram que feminismo virou uma palavra não muito popular. Aparentemente, eu estou entre as mulheres que são vistas como muito fortes, muito agressivas, anti homens, não atraentes.

Por que essa palavra se tornou tão impopular?

Eu sou da Inglaterra e eu acho que é direito que me paguem o mesmo tanto que meus colegas de trabalho do sexo masculino. Eu acho que é direito tomar decisões sobre meu próprio corpo. Eu acho que é direito que mulheres estejam envolvidas e me representando em políticas e decisões tomadas no meu país. Eu acho que é direito que socialmente, eu receba o mesmo respeito que homens. Mas infelizmente, eu posso dizer que não existe nenhum país no mundo em que todas as mulheres possam esperar ver esses direitos.

Nenhum país do mundo pode dizer ainda que alcançou igualdade de gêneros. Esses direitos são considerados direitos humanos, mas eu sou uma das sortudas. Minha vida é de puro privilégio porque meus pais não me amaram menos porque eu nasci filha. Minha escola não me limitou porque eu era menina. Meus mentores não acharam que eu poderia ir menos longe porque posso ter filhos algum dia. Essas influências são as embaixadoras na igualdade de gêneros que me fizeram quem eu sou hoje. Eles podem não saber, mas são feministas necessários no mundo de hoje. Precisamos de mais desses. Não é a palavra que é importante. É a ideia e ambição por trás dela, porque nem todas as mulheres receberam os mesmos direitos que eu. De fato, estatisticamente, muito poucas receberam.

Em 1997, Hillary Clinton fez um famoso discurso em Pequim sobre direitos das mulheres. Infelizmente, muito do que ela queria mudar ainda é verdade hoje. Mas o que me impressionou foi que menos de 30% da audiência era masculina. Como nós podemos efetivar a mudança no mundo quando apenas metade dele é convidada a participar da conversa?

Homens, eu gostaria de usar essa oportunidade para apresentar o convite formal. Igualdade de gêneros é seu problema também.

Até hoje eu vejo o papel do meu pai como pai ser menos válido na sociedade. Eu vi jovens homens sofrendo de doenças, incapazes de pedirem ajuda por medo de que isso os torne menos homens – de fato, no Reino Unido, suicídio é a maior causa de morte entre homens de 20-49 anos, superando acidentes de carro, câncer e doenças de coração. Eu vi homens frágeis e inseguros sobre o que constitui o sucesso masculino. Homens também não tem o benefício da igualdade.

Nós não queremos falar sobre homens sendo aprisionados pelos esteriótipos de gênero mas eles estão. Quando eles estiverem livres, as coisas vão mudar para as mulheres como consequência natural. Se homens não tem que ser agressivos, mulheres não serão obrigadas a serem submissas. Se homens não tem a necessidade de controlar, mulheres não precisarão ser controladas. Tanto homens quando mulheres deveriam ser livres para serem sensíveis. Tanto homens e mulheres deveriam ser livres para serem fortes.

É hora de começar a ver gênero como um espectro ao invés de dois conjuntos de ideais opostos. Deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nós definir pelo que somos. Todos podemos ser mais livres e é isso que HeForShe é sobre. É sobre liberdade. Eu quero que os homens comecem essa luta para que suas filhas, irmãs e esposas possam se livrar do preconceito, mas também para que seus filhos tenham permissão para serem vulneráveis e humanos e fazendo isso, sejam uma versão mais completa de si mesmos.

Você pode pensar: Quem é essa menina de Harry Potter? O que ela está fazendo na ONU? É uma boa questão e acreditem em mim, eu tenho me perguntado a mesma coisa. Não sei se sou qualificada para estar aqui. Tudo que eu sei é que eu me importo com esse problema e eu quero melhorar isso. E tendo visto o que eu vi e sendo apresentada com a oportunidade, eu acho que é minha responsabilidade dizer algo. Edmund Burke disse: “Tudo que é preciso para que as forças do mal triunfem é que bons homens e mulheres não façam nada.”

Cheia de nervos para esse discurso e em um momento de dúvida eu disse pra mim mesma: se não eu, quem? Se não agora, quando? Se você tem as mesmas dúvidas quando apresentado uma oportunidade, eu espero que essas palavras possam ajudar.

Porque a realidade é que se a gente não fizer nada, vai demorar 75 anos, ou até eu ter quase 100 anos antes que mulheres possam esperar receber o mesmo tanto que os homens no trabalho. 15.5 milhões de garotas vão se casar nos próximos 16 anos como crianças. E nas taxas atuais não vai ser até 2086 até que todas as crianças da África rural possam receber educação fundamental.

Se você acredita em igualdade, você pode ser um desses feministas que não sabem sobre os quais eu falei mais cedo. E por isso, eu te aplaudo.

Estamos lutando, mas a boa notícia é que temos a plataforma. É chamada HeForShe. Eu convido você a ir em frente, ser visto e se perguntar: se não eu, quem? Se não agora, quando? Obrigada.

TAGS: Emma Watson, He for She"

O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM EMMA WATSON

ocidente versus oriente - qual é a diferença?


COMO OS HOMENS VÊM A MULHER
E ACENTUAM A DICOTOMIA ENTRE A SANTA E A PUTA:

 
 

REACÇÃO AO DISCURSO DE EMMA WATSON :

Muito bonito, muito correcto, muito tudo...mesmo muito bom, MUITO BONITO ,MUITO FRESCO...mas infelizmente o mundo e as instituições são do Homem e dos seus direitos e as mulheres neles nunca serão iguais...porque o Sistema todo se baseia nessa desigualdade e exploração da mulher e da mãe...há milénios!
É DE FACTO um belo discurso de uma mulher jovem, sincera e ingénua mas inútil...neste mundo imundo onde nada se pode refazer sem que ele caia de vez...
Se as mulheres quiserem continuar a ignorar isto e a cair na armadilha da "igualdade" de género...nunca nada vai mudar. Tudo o que Sistema toca conspurca e inverte, tal como fez com o feminismo...
  

A PROVA DE QUE A VERDADEIRA MENTALIDADE DOS HOMENS É ESSA ESTÁ BEM PATENTE NO QUE SE retrata a seguir ao discurso da jovem atriz.

Temos aqui de seguida um pequeno  texto elucidativo da mentalidade dos homens em geral e convinha que as mulheres tivessem noção de como o nu da mulher é DESPREZADO e aviltado na empresa diária e nos Midea e a forma como a mulher é tratada como cadela, vaca e cabra ou puta...
É óbvia a divisão da mulher em  DUAS ESPÉCIES e como ela fica sujeita a ignominia e a agressão dos homens AO SE EXPOR COM A SUA INTEGRIDADE DE MULHER - não sendo muito diferente este tratamento verbal do apedrejamento muçulmano infligido às mulheres que ousam "infringir" a suas leis...ou os seus conceitos!

É bom sabermos que os homens em geral não "perdoam" nada a uma mulher e qualquer mulher bonita lhes suscita medo e inveja e motiva o instinto de perseguição com sua mente de inquisidores predadores - quase todos eles - do patriarcado. Nada fez mudar em séculos a mentalidade dos homens acerca das mulheres...eles continuam a pensar como na Idade Media - mesmo quando dizem que não...e são cada vez mais fundamentalistas...São ingénuas as mulheres que querem acreditar na sua mudança...aprenderão por conta própria...e a custa se calhar muitas vezes da sua própria vida!

AQUI TÊM UM EXEMPLO PERFEITO DA MISOGINIA MASCULINA:

"É real e vai acontecer neste fim de semana. Essa cadela feminista Emma vai dar a conhecer ao mundo como ela é tão prostituta como qualquer mulher. "

"Num documentário sobre a família real e os meios de comunicação, ela foi incluída e explicou como os paparazzi andavam sempre atrás dela para a fotografarem "por baixo" para fotos upskirt e etc,...que eles esperaram pacientemente pelo seu 18ª aniversário para o efeito...para que pudessem agir como selvagens sem vergonha, e assim o fizeram, colocaram-se no chão nas ruas para tirar fotos upskirt (por debaixo da saia) dela ... Ela é uma flor delicada e já é tempo que os seus fãs a vejam em em plena floração, apesar da merda de vaca leiteira tem atenção prostituta "

"Ela faz discursos feministas estúpidos na ONU, e agora os seus nus serão on-line, HAHAHAHAHAHAHAH"

terça-feira, setembro 16, 2014

A VERDADEIRA MULHER ONDE ESTÁ


 
“ A Deusa apaixona-se por si mesma, suscitando a sua própria emanação, que passa a ter existência própria. O amor do "self" pelo "self" é a força criativa do universo. O desejo é a energia primordial esta energia é erótica: a atracção entre o amador e o amado, da luneta e a estrela, do eléctron pelo próton. O amor é o laço que mantém o mundo unido.”
Starhwak em A Dança Cósmica das Feiticeiras

Para as mulheres, a constante busca entre espiritualidade como caminho, e a busca da sua própria identidade profunda, coloca-se muitas vezes em oposição ou como alternativa. E não é uma coisa nem outra. Porque continuamos a confundir o processo dito espiritual como uma finalidade em si, comum a todos os indivíduos e a não ver este ponto crucial da realidade da mulher de hoje que é ela estar cindida em duas espécies de mulheres...e que isso gera nas mulheres todas uma ferida do tamanho do Mundo: Ela é sempre a visada como culpada de todas as quedas do homem (a causadora da “Queda” original) dentro do Sistema patriarcal. No entanto, eu diria   que a mulher é a sua vítima preferencial, ao ser afastada da sua natureza e essência primeira, e por isso ignora-se que o caminho espiritual da mulher possa ser diferente do caminho do homem, porque - e isto é algo que não se quer ver ou sequer pensar - parte da sua espiritualidade está ligada à sua Natureza intrínseca, ontológica, ao sangue e as luas, ao dar à Luz – tudo o que faz essa diferença e é a sua essência primeira. A Mulher de hoje, não estando ligada à sua fonte interna como mulher - o que acontece regra geral na nossa sociedade, totalmente alienada dessas funções primordiais e em que todas as mulheres vivem essa divisão na sua psique, sendo apenas metade de si e uma espécie de “utensílio” ao serviço dos homens, sejam maridos e filhos, patrões ou padres  - e portanto não unindo essas  partes e não tendo acesso a essa mulher das profundezas -, a mulher estará sempre sujeita ao fracasso nessa senda do homem e consequentemente o homem também porque assim nem ele tem acesso à verdadeira mulher, a mulher  inicial, ou seja, à sua Anima ou ao seu verdadeiro feminino que a mulher lhe devia espelhar e não pode. Essa divisão-cisão na mulher não só a impede a ela de ser uma totalidade em si como mulher, como impede o próprio homem de chegar a si mesmo pois ele chega à Deusa e ao seu feminino através da Mulher...Assim eram as iniciações antigas dos homens nos Templos sagrados ao Amor da Deusa e que eles substituíram por bordéis e lupanares.

A razão de Jung ter qualificado a anima como parte integrante ou dominante do masculino e o animus parte do feminino, invertendo as polaridades,  associando esse princípio e a meu ver mal, ao Yin e ao Yang é que embora estes dois aspectos estejam em  ambos os seres, e isso é efectivamente uma verdade,  e nem um nem outro, homem ou mulher,  estão na plenitude dessa consciência cósmica universal que é representada no Tao ou vivendo a integração desses dois lados ou polos do Ser em Um só, e dai a ideia da necessidade de “completude”, na  união do par alquímico quer dentro quer  fora de cada ser. Mas parece-me um total absurdo, embora compreensível na época, designar  a anima à partida como parte integrante do masculino e o animus na mulher predominantemente.
O facto é que na época de Jung e Freud etc. se dava como natural essa cisão na mulher e o que ela reflectia dessa cisão e conflito profundo dentro de si, que era apenas considerada uma patologia, neurose ou esquizofrenia, sendo a mulher “naturalmente” por condição...uma histérica ou um mistério, um ser complexo e por vezes até um ser “desnaturado” etc. - ver como tratavam a mediunidade e a sexualidade das mulheres... Na verdade toda essa "patologia" era e é  apenas uma consequência da Psique Feminina dividida e  essa cisão manifestar-se  numa ferida profunda na mulher, sempre em luta consigo mesma, forçada pelas regras de uma sociedade paternalista e pelas leis  patriarcais  a ser uma (a esposa)  ou a “outra” (a mante) pelo facto de terem  relegado a uma inferioridade congénita diria, atribuindo-lhe  um duplo papel, o de esposa e amante, o de mulher "natural" dedicada ao homens e aos filhos,  a santa e a esposa,  e a de uma mulher promiscua, malévola, a amante, e isto ao instituir o casamento como via única para a mulher e  se esta não fosse casada e portanto pertença do Homem teria assim de se prostituir…separando a função maternal do prazer e o prazer da mulher totalmente abolido no coito marital. Mas esta ideia e preconceito milenar está tão inculcado nas cabeças das pessoas ainda, sobretudo dos homens e tão enraizado na mente colectiva, e nas próprias mulheres passivas e submissas, que nem os homens mais espertos, como os psicanalistas e médicos  deram por nada…Claro nem lhes convinha...eles próprios aprisionaram filhas e mulheres...e condenaram amantes...

E aqui começa uma nova história…Para isso há que ter em conta o branqueamento feito à mulher verdadeira, o seu apagamento como ser autónomo e livre, a mulher inteira, assim como o da Deusa Mãe, ambas banidas da história dos homens e das suas religiões – que mantêm uma “deusa imaculada” e estéril no altar das suas Igrejas e condenam a mulher real a exploração mais abjecta. Eles dominam o Planeta há milénio submetendo e explorando metade desta humanidade: as mulheres e as Mães…
rosaleonorpedro

segunda-feira, setembro 15, 2014

Libertação ou Repressão?

 
A MULHER COMO OBJECTO E A ABJECÇÃO SEXUAL...
 
A falácia da liberdade sexual e as novas formas de dominação…

 Esta falsa libertação sexual da mulher: “ é só uma forma de nos encaixar em um novo papel pré definido em que devemos ter um determinado comportamento para receber aceitação masculina.”

 

“O valor da mulher ainda é completamente ligado à necessidade do homem. O mundo hoje é muito mais sobre saciar a fantasia sexual masculina de disponibilidade ilimitada de mulheres do que sobre a liberação sexual feminina de verdade – todo cara quer uma coelhinha da Playboy. Essa falsa “liberação sexual” é só uma forma de nos encaixar em um novo papel pré definido em que devemos ter um determinado comportamento para receber aceitação masculina. A gente aprende a internalizar nossa própria objetificação e confunde isso com liberdade sexual quando é só uma nova prisão – diferente da de antes, mas ainda prisão.

 
A jornalista do The New Yorker Ariel Levy escreveu um livro intitulado “Female Chauvinist Pigs: Women and the Rise of Raunch Culture”, em que aprofunda essas questões e critica o mundo super sexualizado em que as mulheres são objetificadas, objetificam umas as outras e são encorajadas a se  tornarem objectos. “É a ideia de que a sexualidade feminina é sobre performance, e não sobre prazer”;  diz a autora, explicando que é comum mulheres  participarem de atividades sexuais que não expressam seus desejos individuais, mas são designadas para tornarem essa mulher desejada ou causarem prazer para o homem observador. Se é para falar de objetificação e a violência contra mulheres que isso gera, a pornografia jamais poderia ficar de fora. Terreno fértil para todo tipo de violência, estatísticas e depoimentos aterradores mostram a realidade obscena dessa indústria. Existe uma óbvia desconexão entre ser sexy  e o sexo em si. Ser sexy é plastificado e pasteurizado, alcançável em meia dúzia de regras ensinadas pela mídia – ou melhor, pelos homens da mídia: seios grandes, cintura fina, cílios longos, muitos decotes, e o ingrediente especial, decorativismo. Uma mulher sexy, na cultura atual, não precisam ser sexual - aliás, muitas vezes é ainda melhor se não for: ela serve como objeto de apreciação, como instrumento para deixar os paus dos homens duros, não como sujeito sexual com vontades e protagonismo (isso nunca). Em uma das sex tapes de Paris Hilton, ela atente o telefone durante a relação sexual, escancarando a completa falta de conexão com o momento, com o sexo e com o prazer. "O conceito dessa cultura da vulgaridade como um caminho para liberação em vez de opressão é uma conveniente e lucrativa  fantasia "

Concluindo... É claro que faz sentido: o mundo é dos homens, às mulheres, a maior parte das vezes, só resta seguir as regras deles. Mas não se enganem: isso não é liberação, e, muito mais, isso não é feminismo.”

 
(Andreia Cristina Serrato)

quinta-feira, setembro 11, 2014

Submissão versus Devoção da mulher ao homem ou ao mestre…




É A MULHER LIVRE?

Passados séculos de submissão ao homem a mulher tem, como alternativa, digamos a devoção ao Senhor. Sempre teve…

À mulher, limitada entre o casamento e o prostibulo, restou-lhe a reclusão do convento, ser freira, devotar-se a Cristo, caso pertencesse a classes ricas ou à aristocracia. Assim como às mulheres sem recursos e pobres depois foi possível irem também para freiras como forma de vida digna, se não tinham maneira de arranjar um casamento. Quando antes era uma forma de escapar a um casamento forçado, ou fugir a um escândalo de família. O que não acontece hoje em dia, em que a mulher pode ser casada e divorciar-se ou ser solteira e ter uma profissão e ser livre… tanto como pode ser devota de um mestre ou de um guru qualquer.

Mas é realmente livre a mulher dos nossos dias?
Conseguiu a mulher uma verdadeira emancipação do homem?
A resposta para mim é não.


A mulher pode ter atingido uma certa “igualdade de direitos” e alguma liberdade exterior no mundo dos homens, mas este continua a ser o mundo dos homens e das suas leis…e nunca deixou de o ser. Mas mais importante que isso é perceber que a mulher só se emancipou exteriormente, não interiormente; ela não conquistou a Liberdade de ser ela mesma, a de SER MULHER em si, mas de ser como o homem quis e fazer as mesmas coisas…Porém, a questão essencial, é que a mulher não sabe dela, não se ligou à sua essência, não valorizou a sua natureza intrínseca, nem lhe deu a dimensão ontológica que lhe corresponde, e assim não alterou em nada a sua verdadeira escravidão, à qual continua submissa: “o amor-dos-homens…”

Essa submissão, que é “interior” e psicológica, compulsiva, dita instintiva, corresponde a um vazio de si – a uma falta de identidade própria - que corresponde por sua vez a uma fragmentação e divisão do seu ser em duas mulheres…Quando a mulher pensa que é livre e emancipada e continua a aceitar que uma parte dela mulher seja a prostituta que se vende e a outra a mulher séria que se casa ou a mulher competente e profissional que é notável, que se torna presidente…ela não passa de uma metade de si mesma. Ela não passa de um sub-produto da sociedade patriarcal que a explora como objecto de consumo, seja como mãe seja como prostituta. E esta questão divisão da mulher em duas versus a integralidade da mulher, da mulher que é Mulher Inteira e que não se divide, que é uma só, que assume tanto a sua sexualidade/sensualidade como a sua maternidade/afectividade, é que é a questão central e essencial a ter em consideração sobre o que é a verdadeira liberdade da mulher.

Enquanto uma mulher tiver que se prostituir, for vendida e explorada sexualmente por Mafias em todo o mundo, nenhuma mulher é livre…
Estou porém a afastar-me um pouco da ideia inicial deste texto. E eu queria falar muito em particular de como a mulher se continua a alienar dela mesma no “amor do homem ou na devoção do guru”…

Não digo que uma coisa ou a outra não possam existir, sem dúvida que sim, e fazem parte da vida de uma mulher, mas o que importa aqui realçar é que a mulher se projecta tanto no amor do homem como na devoção ao guru por insuficiência, por vazio, por compensação e não por amor nem devoção verdadeiras… Para isso ela precisava de ser inteira…de ser ela mesma primeiro e não é…

A mulher está em busca dela mesma, mas não se encontra em si dentro dela, a partir das suas raízes ou da sua essência feminina, mas percorrendo o caminho dos homens absorvendo a sua cultura e a sua história e beber dos seus mestres que sempre a excluíram e dela fizeram apenas uma consorte ou serva do senhor…subalterna e retirada de ritos e do púlpito. Quando não ostracizada e considerada impura, quer no ocidente quer no oriente…ela apenas serve o marido, o homem e a deus…ela não tem vida própria, não pode viver em função de si e para si, tal como o homem pode. E eu só me pergunto o que é que mudou nas gerações actuais das mulheres que seguem esses gurus - sejam indianos sejam ocidentais – e que dependem deles, como do olhar do homem, para serem...ou de quem têm filhos!
Mas há ainda um outro aspecto interessante nisto…é que há um crescente número de mulheres que se tem vindo a tornar devotas da DEUSA…e o que isso pode significar, não um caminho da Mulher para si, um encontro com essa essência e o aprofundar da sua natureza ou a integração das duas mulheres…mas sim e apenas ela servir-se desse caminho para melhor seduzir e agradar aos homens…mantendo assim as formas de escravidão e de vazio que as caracteriza como sub-produto da sociedade patriarcal. E essa é para mim além de um retrocesso da sua liberdade, é uma traição enorme à mulher em si, à sua Essência e à Deusa …
rlp

Assim, concordo inteiramente com o ponto de vista da Ananda quando ela diz:

“Devotas de senhores não me arrepiam, acho-as apenas candidamente ignorantes.

Arrepiam-me sim...as que pensam que são deusas, devotas da Deusa, representantes da Deusa, escolhidas da Deusa, que dançam para atrair sexualmente homens, que canalizam a Deusa mas as canalizações consecutivamente fazem uso da palavra "Eu Sou" (mas não foi isso que disse a Árvore Incandescente a Moisés?) , que acham que são os homens que mais as entendem e não as mulheres, que se escandalizam perante outras linhas de espiritualidade que não as suas (no bom espírito inquisidor), que se ajoelham perante a Deusa e pedem vingança e castigo para uma outra mulher que invejam, as que têm um corpo dotado com vagina mas que servem os mesmos paradigmas sociais-executivos-legislativos-governativos masculinos!
E acrescento à colecção, as aprendizes de pagãs que mantêm uma mentalidade maniqueísta, as mulheres que se juntam em grupos para tentar vencer outras mulheres, mulheres que se escondem por detrás das palavras ou da imagem de uma mulher que consideram forte para tentarem vencer uma mulher que não conseguem vencer pelos seus próprios meios.

Sim, estas mulheres existem e estão votadas ao meu desprezo!” Ananda Krishna Lila

segunda-feira, setembro 08, 2014

A VELHA RIVALIDADE ENTRE MULHERES...

E A SUA DIVISÃO INTERIOR...

Esta é uma realidade que assola o universo feminino desde há séculos e perfeitamente retratado em toda a literatura séria e de  comédia ou de drama seja de ontem seja da actualidade. É como se de facto a mulher nunca tivesse percebido ou entendido, obviamente que não entendeu, a causa e a origem dessa rivalidade entre mulheres,  muitas vezes mesmo ódio. E ela não consegue objectivá-la na sua causa e origem porque é uma velha história que a cerca familiarmente e na qual ela está formatada, um enredo em que toda a mulher é "educada" - o ódio e rivalidade entre mulheres -  e não sabe como extirpá-lo sequer porque não só o acha de uma certa maneira  natural, como não tendo informação da sua aculturação não consegue perceber a sua causa remota...
Ela vive e convive com essa aculturação há séculos e ela faz parte integrante da sua psicologia (na verdade na sua psique dividida) sendo totalmente inconsciente das razões históricas e culturais  e as causas dessa predisposição de antagonismo algo neurótico entre mulheres.
A outra mulher, potencial rival  é sempre a causa imediata de todas as suas desgraças e nunca o homem. De modo que a situação mais clara e exemplificativa do que aqui se diz, é ver como as mulheres, diante da traição do marido ou do amante, não o acusam a ele nem o condenam - porque é natural a infidelidade neles e até motivo de orgulho inconsciente - mas sim da "outra" a tentadora, a provocante a fatal, a put...sim a outra mulher é que é a culpada...e é sobre a "outra" que recai o ódio da traição do homem...
E assim vivem as mulheres entre si, sempre prontas a fazer cair sobre as amigas, irmãs e até filhas e  mães a culpa das suas desgraças...e o homem nisto, seja o pai ou o filho ou o amante, sai sempre ileso...
Esta é a marca da nossa (a)cultura patriarcal e mantem-se sempre a mesma no fundo, apesar das aparentes mudanças e dita evolução ou a pretensa igualdade e emancipação das mulheres no mundo, pois nada mudou no mundo quanto a isso...e todas nós continuamos a sofrer esse antagonismo primário às vezes dilacerante...ou seja: a sua divisão em si (entre a santa e a prostituta) e a rivalidade e o ódio entre as mulheres mantem-se e é ostensivamente demonstrada nos filmes, na publicidade e até na arte...em geral.

Tal como a C. J, nos pergunta e constata  neste pequeno trecho...

"Que vício é este das mulheres estarem sempre a picar entre si, como se fossem hienas? Que ciúmes e invejas são estas? Sou melhor...que tu, sou mais isto ou aquilo? O vício do controlo? De onde vem tudo isto?
Triste que, as mulheres critiquem censurem outras mulheres, quando os homens nem fazem isso entre si, assim tão violentamente. Um homem nunca se zanga com outro homem quando compete com um outro homem. Parecem ter entre eles um código de honra que não lhes permite isso.
Os homens, deitam-se os dois com uma mulher ao mesmo tempo se houver essa oportunidade sem cisão nenhuma entre eles. No entanto, a mulher, é o oposto. Parte para cima de outra mulher, e quando muito, há amigas que destroem relacionamentos das suas amigas com outros homens por poderoso ciúme, competição, ou porque, estão sós. Elas traumatizam-se quase sempre por qualquer coisa. Sempre procurando pormenores ou defeitos ou fragilidade para colocar azeite onde só havia água. Há sempre uma guerra, se não é do homem, é da amiga tal. A língua viperina está sempre lá, pronta a saltar.

Há um mar imenso que separa as mulheres de si mesmas, que as fazem agredir-se entre si de uma forma tão ridícula. Por isso, esta carga tão pesada de péssimo tom que dão às mulheres. Como se elas fossem baratas tontas, seres desencontrados e histéricos."


Ceramica Jewels
(enviado por mensagem)

O CORPO É UM SER MULTILINGUE...


O corpo usa a pele...

O CORPO É UM SER MULTILINGUE..

"Na psique instintiva o corpo é considerado um sensor, uma rede de informações, um mensageiro com uma infinidade de sistemas de comunicação – cardiovascular, respiratório,ósseo,nervoso,vegetativo, bem como emocional e intuitivo. No mundo imaginário, o corpo é um veículo poderoso, um espírito que vive conosco, uma oração de vida nos seus próprios méritos. Nos contos de fadas, como encarnado por objetos mágicos que têm capacidades e qualidades sobre humanas, considera-se que o corpo tem dois pares de orelhas, um para ouvir os sons do mundo,o outro para ouvir a alma,dois pares de olhos,um para a visão normal, o outro para a vidência; dois tipos de força, a dos músculos e a invencível força da alma.(...) O corpo usa sua pele, uma fáscia e carne mais profunda para registrar tudo que ocorre com ele. Como a pedra de Rosetta, para aqueles que sabem decifrá-lo, o corpo é um registro vivo de vida transmitida, de vida levada,de esperança de vida e de cura. Seu valor está na capacidade expressiva para registrar reações imediatas, para ter sentimentos profundos, para pressentir.

O corpo é um ser multilíngüe. Ele fala através da cor, da temperatura, do brilho do amor, do rubor do reconhecimento, das cinzas da dor, do calor da excitação, da frieza da falta de convicção. Ele fala através do seu bailado ínfimo e constante, as vezes oscilante, as vezes agitado, trêmulo.Ele fala com o salto do coração, a queda do animo,o vazio no centro e com a esperança que cresce.
O corpo lembra, os ossos lembram ( ...). Como um esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar ali uma recordação.

Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo.Ser considerada feia ou inaceitável porque nossa beleza está fora da moda atual fere profundamente a alegria natural que pertence a natureza selvagem.

As mulheres têm bons motivos para refutar modelos psicológicos e físicos que são danosos ao espírito e que rompem o relacionamento com a alma selvagem.

Clarissa Pinkola 
( Mulheres que correm com os lobos, pg.251) "Na psique instintiva o corpo é considerado um sensor, uma rede de informações, um mensageiro com uma infinidade de sistemas de comunicação – cardiovascular, respiratório, ósseo, nervoso, vegetativo, bem como emocional e intuitivo. No mundo imaginário, o corpo é um veículo poderoso, um espírito que vive connosco, uma oração de vida nos seus próprios méritos. Nos contos de fadas, como encarnado por objetos mágicos que têm capacidades e qualidades sobre humanas, considera-se que o corpo tem dois pares de orelhas, um para ouvir os sons do mundo, o outro para ouvir a alma, dois pares de olhos, um para a visão normal, o outro para a vidência; dois tipos de força, a dos músculos e a invencível força da alma.(...)

O corpo usa sua pele, uma fáscia e carne mais profunda para registrar tudo que ocorre com ele. Como a pedra de Rosetta, para aqueles que sabem decifrá-lo, o corpo é um registro vivo de vida transmitida, de vida levada, de esperança de vida e de cura. Seu valor está na capacidade expressiva para registrar reações imediatas, para ter sentimentos profundos, para pressentir.
O corpo é um ser multilíngüe. Ele fala através da cor, da temperatura, do brilho do amor, do rubor do reconhecimento, das cinzas da dor, do calor da excitação, da frieza da falta de convicção. Ele fala através do seu bailado ínfimo e constante, as vezes oscilante, as vezes agitado, trêmulo. Ele fala com o salto do coração, a queda do animo, o vazio no centro e com a esperança que cresce.
O corpo lembra, os ossos lembram ( ...). Como um esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar ali uma recordação.
Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo. Ser considerada feia ou inaceitável porque nossa beleza está fora da moda atual fere profundamente a alegria natural que pertence a natureza selvagem.
As mulheres têm bons motivos para refutar modelos psicológicos e físicos que são danosos ao espírito e que rompem o relacionamento com a alma selvagem.


Clarissa Pinkola
in Mulheres que correm com os lobos
 

sábado, setembro 06, 2014

UMA PENA FRÁGIL...




Maria de Castela
uma Assassina Profissional da Mente e dos seus Jogos

ponto fraco: detesta mentiras e homens; detesta mulheres másculas
ponto forte: capacidade de filtrar nos conteúdos sórdidos da mente Humana
trabalho: psicanalista de síndromes de grandezas e pequenezas 
frase habitual: sou psicanalista do Futuro. estou num outro lado da psique. a Suja.


são oito horas da manhã. em ponto,  Maria abre o consultório no cimo de um arranha-céus. escolheu as alturas, para poder  ver a vergonha humana; e também devido aos  tratamentos utilizados sobre os seus pacientes, que é a possibilidade de que os instintos atávicos não encontrarem raízes para fecundarem no solo. embora, o andar seja todo ocupado pelo consultório, ele encerra em si, jaulas. vejamos, não são jaulas para aprisionar. servem o papel de libertar o animal cru, misógino, traidor, compulsivo, vicioso. injurioso e predador que destrói a condição humana. esse animal que todos se recusam a aceitar. esse animal que mata lentamente aqueles que amam, aqueles que são caminhos, aqueles que são evolução em grande escala na humanidade e, não esses que evoluem em direcção ao Ego, aos prazeres puramente sensoriais sem consciência alguma, e às estruturas quase apocalípticas de César.  tudo em César é involução Humana... o esclavagismo que impõem, é o senhor das suas direcções e dele não nasce nada a não ser abortos putrificos e sodomizados, em que, julgam que a Merda se transformará em Ouro, pois fiquem cientes, que apenas ganharão prazer temporário e sem Dourado... o Alquimista sabe que o Ouro nasce do fundo da Terra por processos únicos, e não pelo ânus, mas também sabe que em termos mundanos isto simboliza o homem preso na mais profunda cratera do materialismo condensado, onde não habitará nenhuma Luz, Fé, Esperança ou Humanidade... 
nelas, as jaulas, entram mulheres e homens, e perante a sua própria Besta possam sentir o próprio veneno a interiorizar-se contra si mesmos até à consciência plena dos seus actos, e por fim, possam meditar a Grande tabuada do Cosmos! o Anjo Caído, Lúcifer, há muito ascendeu novamente ao céu, porque ficou chocado com a própria involução animal do homem. já que, o homem, pretende virar macaco, cão, boi, veado, burro e todos os animais de 4 patas; apenas se distinguindo dos outros, pela sua capacidade de racionalizar e comunicar. haverão de ouvir-se pela primeira vez a voz da raiva, da cólera, do ódio na forma de quatro patas humanas, porque  algo haverá de falhar neste processo rumo ao fim da raça actual. os grunhidos, os rugidos, os mugidos, serão tão dementes, que a Humanidade se aniquilará numa raiva desesperada por não saber mais de si, e nem nunca ter ouvido falar do espírito iluminado humano.

a tarefa desta psicanalista do futuro é travar a queda da humanidade... transformar os homonóides adormecidos no fundo das memórias, ou do, ADN conscientes da sua natureza Besta antes regresse a esse estado de uma outra forma. o estado dos primatas e dos homonóides naquele tempo, eram outros... faltavam-lhes o Verbo... esse Pensar Racional.
Maria de Castela tem uma árdua tarefa, o de conduzir os seus pacientes à plena consciência de quem são. nunca ninguém a vê para lá dos arranhas-céus, e ela arranha todos os pacientes à exaustão até vomitarem o próprio veneno e reconhecerem o seu instinto mais arcaico e atávico para poderem processar todas as tarefas de transformação celular e anímica, e assim libertar a Humanidade que são, eles mesmos sem terem consciência disso. uma Catarse Profunda e que vai além de tudo o que se tem dito e escrito até agora. não há escolhidos, há apenas os que acordam.
 atrás de si, há uma linhagem de Homens e Mulheres que intercedem neste mapa psicológico todo. uma linhagem oculta e poderosa e que nunca morreu desde os primórdios. estudaram este tempo todo a evolução terrestre e os seres. não são o Deus e nem o Diabo, são Universais/cosmológicos e que com eles não se brincam. são verdadeiros mediadores entre forças telúricas e cósmicas.

às 8:45:00 entra o primeiro paciente. é sempre um choque... o jejum é uma norma, apenas para obrigar as defesas a baixarem... pelo menos nos primeiros 20 minutos de psicanálise, e depois um sumo de fruto será concedido e lentamente irá se alimentando de uma forma organizada.

à esquerda, da porta do consultório, está uma personagem incógnita e que profere:

« abro-te boca gigantesca e arranco-te o veneno que está inoculado nas nervuras e esfrego-te o cérebro com a tua própria merda. não quero mais colocar  paninhos suaves e doces na língua e nas mãos. usurpador da condição amorosa, triste e pálida figura; filho do Diabo mais Preto que o Preto. mentiroso por nascença, falsa é a tua retórica... tens tanta fealdade nas palavras bonitas, apenas porque elas encerram humilhações e desprezos gigantes. não és humano  e não és nada!! furúnculo que transformas a vida interior num campo Auschwitziano... nunca devolves a vida e o melhor dela. na pertença da tua grandeza és um homem tão comum como esses que desprezas... enche-te os testículos com vontade de expelir o esperma em qualquer vagina, e numa outra perspectiva, deliras com a sodomia masculina, não há grandeza nenhuma na tua actuação... envergonhas-te a Ti Mesmo... não conheces o Principio que te rege!! Não és livre, e nem sabes o que é a verdadeira Liberdade, essa que nunca te deixará perder e faltar a nenhum respeito. Liberdade externa de ires para qualquer lugar e fazeres apenas o que os teus desejos cegos querem fazer, não é nada... nada de nada!!  achas que és livre por concretizares os teus desejos? Ou serás na verdade escravo dos desejos?»

Aos poucos continuo... quando me picar a fúria...
 
in NAOSOUEUEAOUTRA

quarta-feira, setembro 03, 2014

SÓ PARA MULHERES...


 


A MULHER NO MUNDO PATRIARCAL...


*
"Como uma mulher interessada em conhecer-se a si própria pode romper com esse pano grosso e escuro e colocaram sobre ela (os homens)? No mundo contemporâneo é ainda mais complicado, senão impossível aceder a essa interioridade de ser mulher, a sobrecarga de funções que a proclamada igualdade acarreta leva à falta de tempo para viver essa interioridade, a mulher vive dividida entre as responsabilidades da vida profissional e da vida familiar, cabendo-lhe ainda nos nossos dias a gestão e manutenção da casa e da família no geral." A. M. F.
*
Muitas mulheres me perguntam como podem aceder a essa essência do feminino e uma vez tendo essa consciência de si como mulheres como devem expressá-la na sociedade em que estamos inseridas.
*
"Como passar pela vida mantendo-nos fiéis à nossa essência de mulher?
Quando falo de essência falo de algo que eu própria não sei o que é, pois é algo que não conheço e se não conheço não posso definir. Não conheço com os sentidos, com o corpo, mas sinto dentro de mim é como uma saudade de qualquer coisa que não sabemos bem do que se trata. Como podemos ter saudades de uma coisa que não ...existe?" A.M.F.

*
Essa descoberta e a vivência dessa Essência Mulher - e ela existe em nós como natureza intrínseca -, mas não nos é à partida permitido expressá-la em sociedade, primeiro porque nos tornam ignorante dela, e depois de a adquirimos passamos a ser perigosas para a sociedade que é baseada no seu domínio. Portanto não é possível ter essa vivência em plenitude no modelo patriarcal porque ele se lhe opõe de raiz e assim são modelos  antagónicos - se a mulher contrariar esse modelo, o que lhe é destinado pelos homens, ela é castigada por se afirmar diferente e a sua energia além de vampirizada é combatida violentamente por todos os meios.
Se a mulher quiser usufruir dessa essência em consciência, ela tem de manter lugares secretos e expressar-se dentro de círculos sagrados e escolhidos, protegidos por outras mulheres...e nunca se exporem, tal como as sacerdotisas da Deusa tiveram que, no início do cristianismo, quando começaram a ser perseguidas, de se disfarçar de mulheres feias e bruxas...Tiveram de tapar a sua beleza com panos negros e andrajosos...para não se exporem enquanto mulheres de dom - fossem elas curandeiras ou feiticeiras, fossem elas simples parteiras, ou simplesmente mulheres iniciadoras do amor da  Deusa, muito belas ou atraentes - para não serem sacrificadas ou queimadas nas fogueiras...
Penso que, tal como antigamente, as mulheres de hoje, que são conscientes de si e sentem esse amor e esse fogo nelas, não devem, por mais ousadas que sejam,  expor-se nem combater frontalmente o patriarcado com as mesmas armas, mas retirarem-se estrategicamente até serem suficientemente fortes na sua MAGIA para ficarem imunes aos ataques e à destruição do seu corpo frágil e sagrado...não oferecerem o seu corpo aos predadores e às bestas num sacrifício inútil em nome de uma liberdade e igualdade que não as serve e as faz cair na armadilha do patriarcado - lutar pela força e pelo domínio, expondo-se à grande besta que a anula e perverte, divide e explora em todo o mundo.

A Sabedoria da Mulher que é interior e inata está em ser astuta como a serpente e deslizar sub-repticiamente entre os perigos ...sem se denunciar ou matar, silvando...e assustando, se for preciso, mas saindo do trilho dos homens...dos seus caminhos pedregosos e estéreis, criando a sua protecção e disfarce...mas caminhando por seus próprios pés na Terra Mãe..
Lamento imenso aquelas mulheres que querem lutar com a ordem vigente contra o Sistema e que julgam que ganham alguma coisa com isso e acabam vítimas da sua própria ilusão de ganhar direitos e igualdades ou fazer justiça para as mulheres ...e se perdem ou morrem com as mesmas armas dos homens...


rlp