"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

segunda-feira, janeiro 26, 2015

A MULHER ESTÁ EM RISCO DE EXTINÇÃO...


SERÃO AS MULHERES CAPAZES...

SEI que sou um pouco radical demais por vezes para a maioria das mulheres que me lê...
Como sei que quase todas as mulheres preferem os "meio termo" e idealizam uma realidade social de acordo com as suas ideologia de partidos...ou correntes ou modas e outras - uma minoria -  se adentram nas correntes espirituais "new age" com uma tónica forçada na compaixão e no perdão ou na sexualidade "sagrada" ...como as outras acreditam na politica e nos ideais ou então na "liberdade de expressão" - afinal em dizer barbaridades ou escrever livros de pornografia - mas este é todo um mesmo movimento gerado pela matriz de controlo - o domínio secular do Sistema em aprisionar a mulher. E eu não acredito que um movimento de mulheres da política ou da ribalta, por muito bem intencionadas que sejam, possam fazer a diferença, seja qual for o seu propósito, porque essencialmente buscam protagonismo, afirmar as suas ideias, e nós vemos o mundo gira todo à volta dos écrans e dos artistas e essas mulheres novas sonham quase todas apenas com a cena mediática...seja ela política ou social: querem ser jornalistas e escritoras  e acabam por ser exemplos nefastos para as mulheres em geral...
Elas querem  promover uma liberdade e uma emancipação da Mulher=homem, sim da mulher macha...da mulher com "tomates" em vez de ovários e útero...

Afinal esta falsa emancipação das mulheres modernas, a da linguagem quase pornográfica, a apologia da violência sexual, como o texto que lemos recentemente do "fodamos" escrito por uma jovem muito desempoeirada de cabeça e frigida sentimentalmente, que nega abertamente o SENTIR FEMININO...E embora apregoe o sexo a bandeiras despregadas, sem quaisquer inibições, vê-se que de sentimentos e emoções nada lhe resta...Mas estes exemplos mais não são do que o caminhar para a destruição completa dos sentimentos e respeito pela mulher; esta afirmação machista na linguagem utilitária dos sexos e das pessoas, o apelo à fornicação, é uma luta sem sentido que castiga ainda mais as mulheres que, sem qualquer contacto com a sua essência e menos ainda digamos com o Sagrado Feminino, se podem completamente perder.

Eu sou e sempre fui adversa a essas correntes modernas ou ditas de vanguarda e estou como sempre estive à margem de tudo isso e não creio que algum dia me possa inserir nesta sociedade que fomenta a anulação da mulher...e a promoção do sexo objecto.

Ainda ontem ouvi uma mulher nova, deputada do PS  (no programa "Barca do Inferno" - em que quatro mulheres de diferentes partidos políticos,  discorrem sobre a vida política e dão as suas opiniões, totalmente mentais e com um discurso masculino na ponta da língua), dizer que... o amor era ideológico... Isto mostra como estão longe estas mulheres quer do sentimento profundo do Ser em Si quer do Coração Inteligente...e o mais grave ainda fora de qualquer dimensão do SAGRADO...marxistas por ideologia e feministas materialistas, só vivem no plano do corpo sensações e da mente racional. Aquela coisa do "PENSO LOGO EXISTO"...

 

Há algo de muito perigoso a desenrolar-se no mundo e com o que está a acontecer no universo dito feminino cada vez mais inexistente; em todo o lado e em todo o mundo se vê esta alienação do SER MULHER
Ela  começou com a moda em geral e é veiculada incessantemente através do cinema e telenovelas e também das revistas e dos Mídea, e desde logo a partir das garotas nas escolas e liceus com essas imagens grotescas da mulher criada pelos Midea como o é a Violeta-barbie-sucesso-competição-fama e outras epidemias televisivas que ameaçam completamente o que resta da identidade da Mulher. Por outro lado a maior promiscuidade sexual nos jovens rapazes e raparigas, na total falta de respeito pelo corpo das raparigas e de um modo geral pelas ralações afectivas que passam todas a ser  genitais, sim, a forma como as raparigas se dão com os rapazes é logo à partida abjecta e elas votadas ao desprezo.  Por isso a violência começa no namoro.
A linguagem das adolescentes é pura ordinarice e a maneira como se comportam na rua, nos estabelecimentos,ou  nos transportes e mesmo nas escolas é grosseira e vulgar;  toda esta inversão dos valores "antigos" (normais) e os ditos comportamentos "livres" dá esta inversão da mulher e da rapariga normal ou comum que passa agora por ser  uma mulher "moderna" e é manifestamente provocadora, promiscua ou pornográfica e defende uma imagem e um comportamento da "outra" - a puta. Fala e comporta-se  agora como a prostituta de rua...e para elas isso é ser livre... 

Pais e educadores ou professores, esmagados pelo seu egoísmo, a indiferença ou o alheamento da realidade, alienados de si mesmos em nome da  crise e da economia, não têm qualquer consciência do que se está a passar.
A mim vão-me achar reacionária e retrógrada...por dizer estas coisas, mas eu vejo o perigo que a mulher e a jovem estão a correr ao se transformarem em meros corpos de prazer aleatório em nome do sexo livre.

Por tudo isto para mim é mais importante do que nunca e URGENTE que a mulher perceba que existem em si essas duas mulheres divididas ou cindidas, a dita "santa e a puta" e  que todas elas vivem essa dicotomia dentro de si na sua grande maioria sem sequer perceber o seu conteúdo psíquico e por isso optam por ser ora uma ora a "outra", inconscientemente, e andam por aí, vendidas à corrente maciça de espectáculos degradantes que as manipula e deixam completamente à deriva.

Por outro lado em termos mais subjectivos temos as mulheres sempre rivalizando entre si, em competição cega, em negação uma da outra, e sem compreender que a mulher é as duas em si - e que deve haver uma espécie de integração/fusão desses estereótipos que cada uma  deve unir essas  duas mulheres numa síntese e ser um só MULHER inteira (a mulher autêntica, natural e equilibrada na sua atitude quer como mãe quer como amante, unindo os aspectos sensuais e os aspectos maternais) e não ser   apenas...uma face de si, ou uma deusa...mas basicamente dividida entre  a santa e casta esposa de um lado, ou do outro a puta, a mulher fatal, a cabra, aderindo sem discernimento a esses  estereótipos que a sociedade elege porque  continuam a fomentar  a divisão e o drama da mulher que está todo em germe, desde a origem deste cisma feminino,  nessa cisão secular dentro de si mesma...
Para compreender a mulher não se trata de saber quais as faces das deusas que nela se manifesta - porque há sempre essa dicotomia em cada mulher e se não se entender essa dicotomia e a sua oscilação, as faces da Deusa são só coisas vagas e vans...a ter em conta!
Não se trata portanto de perceber apenas que a mulher tem uma faceta emocional Afrodite, caracter de  Atena ou manias de Héstia ou daquela...mas que a mulher, toda a mulher,  sofre essa divisão intrínseca das "duas mulheres"  e que a divide dentro de si, patologica e psiquicamente e é isso que a antagoniza com as outras mulheres e a destrói paulatinamente na maior inconsciência de si...e o que causa a grande maioria das doenças de foro feminino...

Este é sem dúvida o tempo e um momento de grande alienação e loucura humana, mas é a mulher quem como sempre na história do homem, mais sofre a aviltação do seu ser, pela exploração sexual, pela perseguição ideológica, pela condenação religiosa e cada vez mais corre este risco brutal de feminício...que é ser morta só porque é mulher... 

A  MULHER NÃO SABE...MAS ESTÁ EM RISCO DE  EXTINÇÃO...

rlp

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