"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

domingo, março 08, 2015

DIA DA MULHER?


DIA DA MULHER?


Se A mulher ainda está presa e continua presa numa armadilha milenar que a reduz a uma parte (metade) de si e que a tornou num mero objecto de procriação (mãe) ou de prazer (a puta). Qualquer mulher ainda quando acaba o seu período fértil de procriação é-lhe tirado o útero por precaução apenas muitas vezes, e ao não dar mais sinais da beleza da juventude, cede ao ataque das farmacêuticas e das estéticas porque se sente sem sentido, vazia ou esmagada pelo modelo social em que vive para o qual ela não passa de uma mais valia de consumo e exploração secular usando-a apenas nesses períodos de vida exclusivamente!
Porque tem a mulher que manter uma fachada, uma imagem e para isso sofrer horrores para não envelhecer? Recorrer às ditas operações “estéticas” para dar a ilusão de uma imagem que já não tem, sem ter nada que a mantenha “viva” depois da menopausa? Quando com os filhos casados lhe restam apenas os netos...
Como é que a Mulher não percebe e não sabe, não sente, que a verdadeira beleza lhe vem da alma e o corpo pode torna-se expressão dessa beleza interior e que a sua dignidade e força não estão fora mas dentro? Porque ela é sistematicamente esmagada pela ideia social de que o seu valor é de apenas mãe e esposa...ou put...esmagada sim, trucidada pelos conceitos mesquinhos e medíocres que veiculam sobre si até na "arte e a cultura", na impressa, destruída pela publicidade e pelos preconceitos, alimentada anos pelas revistas "Marias" e outras as mais baixas e as de moda e de estética anti-natural, todas essas revistas da "mulher" e para a mulher que vendem apenas uma imagem e roupa (ou a casa e a decoração) ou como se a mulher fosse de facto uma boneca insuflável, para não falar nas de pornografia, essas destinadas aos homens!
Mesmo a “mulher de sucesso”, a política ou a deputada, a atriz de cinema ou a modelo, e até a escritora ou a mulher de negócios, a advogada, é ainda aquela que continua a querer agradar a uma sociedade patriarcal dominadora que vende uma imagem que agrada, que é sua escrava? Não será inclusivo ainda o casamento apenas um interesse comercial ou uma venda, o contracto? Não eram as mulheres antes vendidas pelos pais aos maridos como domésticas e servas do lar? E não se vendem ainda as mulheres por um nível de vida seguro ou estável?, por um estatuto ou pelo sexo, submetendo-se aos seus símbolos de poder, como tão bem ilustra "as mil e sombras de gray" com centenas ou milhares de mulheres a ver o filme dominadas pelo desejo e o sonho do homem rico e belo - o chicote e a violência sobre o seu corpo...Será que eu estou a ver mal a coisa? Ou a coisa continua toda na mesma? Apesar das conquistas feministas e da "igualdade e da liberdade"...onde está a dignidade da mulher e o respeito pela mulher?
Onde está a sua verticalidade?

Ou não será porque justamente pela sua falta de dignidade e de auto-estima, por falta de uma consciência precisa do seu valor como mulher e enquanto SER HUMANO completo, independente, e não apenas reconhecida enquanto parte de um "outro", ou de um contrato que persegue, como mulher de ou mãe de ou amante de?!
Sim, mudam-se os costumes e as leis, até mesmo as ideias...mas os conteúdos atávicos das relações entre homem e mulher mantêm-se inalteráveis, são sempre relações de domínio e controlo, de subjugação entre de vitima e predador...
POR ISSO PERGUNTO:
O que significa mesmo este suposto dia da mulher?
Não me respondam. Metam só a mão na consciência, se a tiverem...
rlp

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