"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

domingo, maio 31, 2015

HÁ UMA NATUREZA MASCULINA E UMA FEMININA

“Quando a agenda do mundo é determinada por homens, isso significa que decisões importantes que afetam o planeta, os seres que nele vivem, e toda a vida na Terra são tomadas pelo género que o mais provável é não saber nem querer saber do que as outras pessoas estão a sentir, a viver e a sofrer. Enquanto as mulheres não estiverem realmente envolvidas naquilo que está a acontecer no mundo, informações essenciais e preocupações cruciais não estão a ser tomadas em consideração.”

Mensagem Urgente da Mãe, Jean Shinoda Bolen


O patriarcado arquitetou e consumou, com a ajuda do loby Gay, um novo e eficaz ataque contra as mulheres através das próprias mulheres...
Depois de durante séculos ter dividido as mulheres dentro de si entre a santa e a puta e criado a rivalidade entre a amante e a esposa, entre a instituição casamento e o Bordel, ele agora conseguiu  de forma genial, de forma ainda mais ardilosa e insidiosa  voltar a virar as mulheres umas contra as  outras. Através da expressão da masculinidade dessas mesmas mulheres, que optam pela mente  masculina, diferente da feminina, usando o hemisfério direito em detrimento do esquerdo, elas, pelo seu discurso racional, que é o predominante na cultura e na arte em geral, transformam-se em arautos do homem como seres  subprodutos de uma sociedade baseada na exploração e negação de metade da humanidade mulher - mas que dá à mulher a ilusão de igualdade. Essas mulheres patriarcais negam em si a emocionalidade, o instintivo, a sua natureza física e sexual nas manifestações dos seus aspectos mais  recônditos tais como o visceral - desejo, menstruação, maternidade e aleitamento - em prol apenas do limpo, do higiénico,  do mundo cientifico e logico  e agora temos essas mulheres a defender cada vez  de forma mais  acentuada esses valores, frutos dessa cultura e educação materialistas, baseada na divisão secular da mulher em duas e na ausência e ocultação da verdadeira mulher, da sua feminilidade tendo em conta a Deusa como referência primordial do feminino essencial e a Mãe e não o Pai e o filho, que negam em absoluto a Mulher e a Mãe.  Elas actuam e escrevem agora na defesa acérrima dos valores masculinos, materialistas - totalmente baseadas no pensamento filosófico e na psicologia masculina e gay,  que elas integraram como seus, na defesa do homem e da sua filosofia e ainda da sua (dele) sexualidade a qual servem como sendo  a sua enquanto supostas mulheres livres e emancipadas.
O Sistema patriarcal transformou estas mulheres-homens em seus representantes, porta-bandeiras do sistema  e virou-as com bastante perícia e eficácia contra as mulheres verdadeiras que haveriam de surgir em claro desvio das feministas marxistas,  ligadas ao feminino sagrado e à ecologia de Gaia, distanciando-se assim das velhas feministas que já estavam dominadas pelos objectivos do sistema que era continuar a desmembrar a mulher natural, destruir o que restasse da mulher ancestral e ontológica.

Elas são psicólogas, filósofas, médicas, advogadas, juízas, deputadas, escritoras. Elas são marxistas, esquerdistas e mulheres politizadas, e precisamente porque lhes falta esse feminino essencial acabam por sistematicamente o negar em si. Vêm agora  negar também essa outra mulher que em si desconhecem, atacando as outras  que se buscam e encontram  em movimentos e círculos da Deusa, do feminino sagrado, e do feminino ontológico...
Elas foram formatadas com esse fim, e nem sequer se dão conta de como foram manipuladas por um discurso académico viciado e têm apenas uma visão masculina da história, dos regimes e da religião judaico-cristã, que marcaram uma estrutura e um comportamento social determinado, para cada sexo, acabando por fazer a completa desconstrução da mulher primordial.

- E a “mulher”? A desconstrução de toda a ontologia sexual não desemboca num quase desaparecimento da “mulher”, esvaziando a referência fundamental de todo o feminismo?"*

Assim podemos verificar que esta desconstrução do que é a Mulher em si,  que é uma mulher desconhecida dela,  permite criar  uma  imagem da mulher travesti que é fruto do imaginário masculino e assim  criar ainda  um suposto género performativo, cada vez mais longe da mulher original, estendendo esse conceito de "feminino"  aos gays,  transexuais, queer, etc. baseando-se nessas premissas falseadas do feminino dentro do sistema misógino e falocrático.

Portanto de hora avante, temos de ter muito cuidado porque  isso  será cada vez mais  óbvio, pois essas mulheres, muitas homossexuais ou feministas  - tal como a escritora Judith Butler, defensora dos queer e dos gays e lésbicas - ,  elas passarão a fazer esse trabalho que competia aos homens e que era a negação da mulher em si, de uma mulher total e integral  - e que a todo transe, eles quiseram denegrir e negar, destruir e rebaixar, dividindo-as, condenando-as e acusando-as de todos os defeitos e males e fraquezas; hoje eles podem mesmo dar-se ao luxo de não o voltar a fazer fingindo até serem cúmplices da mulher moderna e das feministas e as suas lutas,  sempre prontos a defender os variados feminismos, muito fraternos, enquanto essas  mulheres-machas do Sistema falocrático, que eles formataram, fazem o trabalho sujo por eles. São elas hoje que depois de negarem O eterno  feminino, e a Mãe,  em nome da igualdade com o macho, negam agora a Mulher Essência nelas e atacam ferozmente as mulheres que se buscam numa qualquer senda do feminino sagrado.
Outro ponto relevante desse ataque à mulher integral pelo Sistema  é a forma como acabam por alienar as mulheres ditas espirituais da sua essência verdadeira, desviando-a da sua natureza e da terra,  levando-as para outros mundos e revelações com promessas de santidade e  pureza, carregando-as dos mesmos conceitos de santa e pecadora, da má e da boa,  e com isso impedem o despertar interno  da Mulher autêntica...a mulher inteira e soberana que habita e se manifesta em cada mulher naturalmente quando esta se busca.

rosaleonorpedro

NOTA:

Não estamos aqui a considerar um 3º sexo, o/a homossexual, mas sim e apenas a natureza do feminino ontológico - e certamente um masculino que lhe corresponde sem contudo abordarmos este último.


O DISCURSO INTELECTUAL PATRIARCAL E MASCULINO

*Em Gender Trouble, Judith Butler empreende uma radical crítica genealógica, no sentido de Foucault, da noção de género, mostrando como este se constrói socialmente, pelo discurso. Evidentemente, esta busca genealógica é anti-naturalista e aproxima-se dos termos de uma linguistic turn, uma viragem linguística (o que lhe valerá, aliás, fortes críticas de elitismo teórico por parte de quem teve dificuldade em perceber que a teoria, para Butler, é sempre consubstancial à dimensão política e social). Ela irá assim demonstrar que as categorias fundamentais de sexo e género são os efeitos de uma certa formação do poder e nelas estão em jogo questões fundamentalmente políticas. Dizendo que o género é uma categoria construída pelo discurso, Butler introduz, logo no primeiro capítulo de Gender Trouble, a noção de performatividade (aprofundada depois em Bodies That Matter), isto é, uma concepção do género enquanto algo que se constrói através de uma série de actos imitativos que buscam a conformidade com um original que não existe em nenhum lado, é uma mera referência do discurso. Por exemplo, da heteronormatividade que pesa sobre nós, que nos foi inculcada, e que geralmente perpetuamos através dos nossos fantasmas e das nossas opções de vida. Essas normas dizem-nos o que é preciso fazer para ser um homem ou uma mulher. Não é que Judith Butler negue absolutamente a existência de uma natureza feminina ou masculina. Mas a questão é que o género, no seu carácter performativo, é também sempre objecto de uma discussão pública, nunca é uma evidência dada pela natureza.

sábado, maio 30, 2015

A PRIMEIRA MULHER




"Ela é a virgem eterna, o que não quer dizer intocada, mas sim a que não vive sob o domínio do homem ." (Agustina Bessa-Luis)
 
Ela é a  mulher que se pertence, ela é una em si - senhora do seu corpo e dona da sua alma...
Ela não pertence a ninguém, não serve mestres nem senhores, não conhece donos, nunca foi escrava, porque foi sempre suprema e fiel a si mesma.
Lilith foi a Mulher que era para ser e não foi - todas as mulheres deste mundo se submeteram à condição da pálida Eva...costela de Adão...submissa e culpada foi dividida pelo Homem e o seu Deus.
 

Lilith é a Mulher que há-de vir do Futuro, una em si e senhora de si mesma, a que nunca conheceu divisão...porque Ela É igual a deus...


rosaleonorpedro
Do livro Lilith a publicar em breve...

A ADORAÇÃO FEMININA



O AMOR COMPLETO QUE SÓ A MULHER CONHECE

“O nascimento místico, parto na dor dum outro nome e sexo impreciso, e em que o sangue toma uma importância rítmica, culminando a imitação da paixão, é nada menos do que a união consumada que só a mulher conhece.
A feminilidade radical é uma ferida de amor, amor completo e permanente é atmosfera, onde o homem não se encontra à vontade.
Um pouco decepcionado pelo que há de repetitivo na adoração feminina, que é um desejo angustiado, ele trata de ignorar pela censura e pela psicanálise, o seu pequeno papel no ferimento de amor que é a mística feminina.”

“A MONJA DE LISBOA” de Agustina Bessa Luís

MULHERES & DEUSAS - MUDA DE NOME...



ROSA MATER

Depois de quase 15 anos de fidelidade a um Nome...o blog Mulheres & Deusas, sempre activo e actual - que deu origem ao livro do mesmo nome e que é um legado de uma nova consciência do feminino essencial -, passa agora a chamar-se Rosa Mater, obedecendo assim a uma quase mutação interior e a anunciar uma mudança profunda, como o colmatar de todo um processo de consciencialização do SER MULHER EM SI porque passei durante estes anos todos e em que diariamente vos deixei testemunho...
Espero mulheres que continuem a ser-lhe fiel tal como eu vos tenho sido fiel estes anos todos...

Rosa Leonor Pedro

 

sexta-feira, maio 29, 2015

O PAI COLECTIVO

  



"Onde quer que haja uma atitude autoritária patriarcal que desvalorize o feminino, reduzindo-o a um certo número de papéis ou de qualidades que existem não em função das experiências pessoais das mulheres, mais de acordo com uma visão abstrata em relação a elas, ali encontramos o pai coletivo subjugando a filha pela força, não lhe permitindo crescer de modo criativo, a partir da sua própria essência." 
 
Linda S. Leonard

A MULHER FERIDA - págs. 31/32

quinta-feira, maio 28, 2015

MENSAGEM URGENTE DA MÃE



MENSAGEM URGENTE DA MÃE 

“Quando a agenda do mundo é determinada por homens, isso significa que decisões importantes que afetam o planeta, os seres que nele vivem, e toda a vida na Terra são tomadas pelo género que o mais provável é não saber nem querer saber do que as outras pessoas estão a sentir, a viver e a sofrer. Enquanto as mulheres não estiverem realmente envolvidas naquilo que está a acontecer no mundo, informações essenciais e preocupações cruciais não estão a ser tomadas em consideração.”

Mensagem Urgente da Mãe, Jean Shinoda Bolen

terça-feira, maio 26, 2015

REVISITAR LILITH

A ENERGIA DE LILITH, 
E AS DUAS MULHERES EM NÓS...

(e da inimizade entre mulheres...)

Sem dúvida que a energia de Lilth é desestabilizadora ou desencadeia emoções fortes e subversivas... A mulher que não estiver minimamente preparada para a olhar nos olhos e sentir a sua falsa segurança interior abalada, e porque Lilith mexe nas entranhas mais profundas da mulher e dos seus medos, é capaz de se sentir muito mal na sua pele e até possuída do "diabo" e a breve trecho vai até associá-la a um demónio e ao vampirismo...ao medo da sua sombra e fugir para a "LUZ"...

Se Lilith porém se revelar à própria mulher em sonhos ou de forma numinosa, ou de uma forma consciente, na busca de si mesma, é mais fácil integrá-la, mas se ela se manifestar através de outra mulher como uma força alheia a si, e isso pode acontecer nas relações comuns das mulheres de forma inesperada, e se neste caso se manifestar de forma intensa na relação com a "outra" mulher que é ainda a potencial rival ou inimiga, a que lhe espelha-revela esse poder, torna-se a seus olhos efectivamente uma força demoníaca... E então temos duas vítimas...a que espelha e a que se sente espelhada que passa a agredir a primeira...como culpada do mal que se sente, da desordem dos seus sentimentos e emoções profundas que vem a superfície de forma caótica, o que a leva a condenar a outra mulher - como toda a história o indica - a vampira e demónio...Isso ainda acontece no nosso tempo, nos nossos dias, apesar de tantos séculos e numa cultura que se pretende moderna e civilizada. A mulher comum continua a reflectir sobre “a outra” mulher as mais arcaicas impressões de inveja e ciúme, raiva e ódio, quando se sente ameaçada perante aquela que lhe sugere ou espelha o que ela não tem consciencializado, seja a nível da sua sexualidade seja a nível das suas ambições ou do seu ego…
Há realmente duas formas de Lilith se manifestar na sua natureza indómita e selvagem: enquanto mulher mais jovem que a vive e representa pela sua sensualidade e pelo  seu corpo ou pela  sua ousadia e mais ainda  se for  bela, e na mulher mais velha quando esta a encarna depois da  menopausa, como energia  irradiante e só por si demolidora de forças obscuras e neste caso Lilith  pode ao ser evocada,  pode manifestar-se já não através do corpo ou da sexualidade, mas da emoção e do Saber...na Mulher Mais Velha, Aquela que Sabe… (atrevo-me a dizer como eu...e malgré moi)…

Quando isso acontece, em ambos os casos, quer na mulher nova quer na mulher velha, estas mulheres Liliths são expostas a esse ódio antigo, registo celular, e vítimas de perseguição (como no caso famoso das “bruxas” condenadas às fogueiras da Inquisição e denunciadas pelas outras mulheres) e hoje a nível social quem sabe mediático causado por todo esse medo arcaico ancestral que divide e separa as mulheres no mundo...
Isso acontece sempre regra geral quando a mulher cuja Lilith está adormecida e Lilith constitui uma boa parte da sua Sombra que não é apenas o seu lado "negativo" e recalcado, mas muito mais do que isso, podendo até sentirem-se atraídas por elas de forma sensual emocional ou sexual, porque é essa   a sua sombra, de forma não consciente claro, que lhe é espelhada  nessa energia, nessa paixão, nesse fogo, sendo a sua própria Lilith que se manifesta  porque também obviamente está dentro delas, mas logo elas recuam e vêm na outra mulher o Mal, o mal protagonizado pela mulher na "Queda" e que foi tentada pela Serpente!.

Normalmente as mulheres Evas  têm um medo pavoroso dessa escondida a parte de si ignorada desde sempre, aliás como tem igual pavor das serpentes e estão tão tolhidas por ele, que  em vez de vencerem essa barreira da Sombra, da qual Lilith é a guardiã do Umbral, (tratando-se de uma primeira grande etapa a mais difícil do caminho da mulher para si mesma na descoberta do seu verdadeiro ser), e porque  isso implica verem muitas coisas de si negativas, quem sabe memórias ou experiências devastadoras de infância, abusos ou traumas, e como não querem encarar nem voltar a sentir coisas que nunca sentiram (até mesmo a atracção sexual ou emocional pela outra mulher) é então que esse trama antigo proveniente da cisão das mulheres, volta em forma de ódio e se transforma numa perseguição ou como dizia simplesmente numa fuga de si mesma...e num retrocesso na sua evolução.
Para mim, é como que uma prova de fogo na vida da mulher e ...se a mulher não o passar e passar pela outra mulher, aceitando-a ou mesmo amando-a, então temos mais uma inimiga para toda a vida...
Mulheres que iniciam a senda do feminino sagrado sem enfrentarem essa descida e que não tendo feito nenhum trabalho a nível da sua psique, sem uma consciência psicológica dos seus complexos e traumas, sem um qualquer trabalho interior, quando começam a entrar em contacto com a sua sombra sem nenhuma preparação, acabam por se sentir entrar como que no inferno...e a ver "cobras e lagartos"  nas mulheres que lhes espelham o seu próprio poder ou fogo interior, sobretudo  frente a outra mulher que a tenha já integrada...e então ou fazem o movimento de fuga inconsciente ou a perseguição caluniosa e predatória é iniciada porque essas mulheres se sentem acossadas pelos seus fantasmas...mas têm de ter um bode expiatório...e esse é um dos maiores dramas das relações entre mulheres, face à sua necessidade de  evolução!!!
(...)
Escrito em 2011
rosaleonorpedro

sábado, maio 23, 2015

UMA BREVE E SINTÉTICA HISTÓRIA DA HUMANIDADE...



Cientista da NASA diz que podemos estar em uma Matrix criada por aliens
Uma simulação capaz de simular toda a humanidade seria como um jogo de video game para um renomado pesquisador da NASA - tecmundo.com.br|De Nilton Kleina - 2015


EM QUE MUNDO VIVEMOS?
QUE HUMANIDADE SOMOS?

Vivemos  num mundo de ficção de loucos e de fanáticos e que elege deus pai e filho e o homem e nega a deusa e a mulher e a filha...e entre ficção histórias, culturas, mitos e credos, somos esmagados e bombardeados pela força bélica cada vez mais sofisticada...
Mas que História é esta que aglutina e branqueia a Mulher da sua história e faz dela escrava dos seus mitos e deuses? Que homem é este que divide e vende e trata a mulher como um ser inferior, reduzindo-a a um sexo?

Mulher esta que “Pelo seu poder sexual  torna-se perigosa para a colectividade, cuja estrutura social assenta na angústia que, antigamente era inspirada na mãe, hoje em dia tem como fonte o pai.” E se esta mulher é perigosa, ela é afastada, e remetemo-la às cavernas mais profundas, mascaramo-la, ou a masculinizamos por vezes.
A Deusa-Mãe tornou-se Deus-Pai. Mas como os homens têm necessidade ainda das mulheres, para quê aborrecer-se? Deus criou o homem à sua imagem, porque não havia o homem de criar a mulher à sua imagem?”
(...) jean markale


Essa mulher feita à sua imagem não é a Mulher manifestação da Deusa na Terra e da Sua Criação e  Mãe da Humanidade - essa mulher é uma cópia da verdadeira mulher...

ESSA MULHER NÃO É A MULHER...

"Chamamos de mulheres seres que dela não têm senão a aparência, tomamos em nossos braços imitações de uma espécie inteiramente ou quase destruída.
A mulher é rara, disse Giraudoux. Ao despo­sarem uma medíocre falsificação dos homens, um pouco mais artificiosa, um pouco mais maleável, a maioria dos homens desposa a si mesmo. É a si mes­mos que eles vêem passar pela rua, com um pouco mais de peito, um pouco mais de quadris, o todo envolvido em seda; é a si m...
esmos que eles perseguem, abraçam, desposam. Afinal, é menos frio do que des­posar um espelho. A mulher é rara, ela transpõe as enchentes, derruba os tronos, ela detém os anos. Sua pele é o mármore. Quando há uma, ela é o impasse do mundo… Para onde vão os rios, as nuvens, os pássaros isolados? Se lançar na Mulher… Mas ela é rara… Deve-se evitá-la quando a vemos, porque se ela ama, se ela detesta, ela é implacável. Sua compaixão é implacável… Mas ela é rara." (louis pawuels)

Esqueceu o Homem que todos os homens nascem de uma mulher?

Fosse qual fosse o imperativo a verdade é que os homens  quiseram ignorar isso por muito séculos numa luta sem tréguas e sangrenta  de destruição do Planeta Terra para poder imperar pela força e conquistar Impérios, dizimando e matando tanto seres humanos como animais e saqueando a própria terra, em particular violando escravizando a Mulher e a Mãe dos seus filhos...que de mulher livre tornou escrava e concubina e esposa e prostituta...aprisionando todos os seres humanos a leis e mercados, transformando o mundo num comercio global a que chama civilização e economia mundial. Fez do outro ser humano, o irmão ( Caim matou Abel)  o inimigo e criou exércitos escravos-soldados invadiu países e matou homens mulheres e crianças, criou estados, policias, políticos e bancos - e hoje todos os seres humanos são escravos do capital e vivem para produzir coisas que não servem para nada para ganhar dinheiro e viver como escravos ...enquanto as elites vivem em universos luxuriosos fechados nos seus impérios egoístas e dementes - servem forças ocultas e sugam o sangue como vampiros da raça humana ao serviço de outros impérios alienígenas? - não sabemos...

O Homem é a negação  e o oposto do caminho da Mulher, por isso ele exilou a Mãe e  negou toda a Natureza viva que ele espezinhou...em nome do "progresso": ele poluiu o ar e as águas, envenenou os animais e as plantas...ele tornou a mulher numa coisa infame e má...que explora  sexualmente como uma besta que é...
ECCE Homo (sem mãe) é o destruidor da Terra e não um filho da Deusa Mãe que ele destruiu ao  matar a Grande Serpente em Delfos para fazer do Oráculo (Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo) e a grande mentira que governa o mundo e imperar  ao sabor das armas e das suas guerras, violência e ambição e desejo de morte - é em nome do seu deus do céu - anunake - marduke - zeus- jeová-alá - que há centenas de anos ele mata e assassina e aterroriza os pobres e os infelizes na Terra e mata as suas mulheres, as primeiras vitimas a serem sacrificadas à Besta Humana que impera...
Hoje mais do que nunca as populações de todo o  mundo imigram...são refugiados aos milhares, perseguidos os homens e as mulheres violadas e mortas...enquanto as bombas dos países civilizados destroem sem dó nem piedade as suas casas e cidades...em nome de deus jeová o piedoso contra o nome do deus alá...o misericordioso...E assim o  Mundo inteiro oscila...o mundo está todo em convulsão...tremores de terra e vulcões...e os escravos a andar à nora do dinheiro (como burros com pala nos olhos) e dos bancos a alimentar os que os exploram e mentem desde sempre...bárbaros ou civilizados são sempre os mesmos...


SIM! ...esta história-síntese breve,  resume, misturada de ficção científica, parece pueril e parcial e até irrisória, como um conto de terror para crianças, algo estranho e inverosímil...e entre a idade das trevas e a ficção cientifica, as tecnologias  e os alienígenas ela  revela os factos mais relevantes e óbvios do que é a "A História do Homem" no Planeta, precisamente aquilo que não queremos ver - que deus "criou" os "homens de boa-vontade" - que são os cegos que a sua mentira amansou para aceitar esta realidade que lhes disseram ser uma passagem para o céu das mil virgens e felizes para sempre...negando a Terra e as suas leis condenando as mulheres a culpadas de uma Queda que só foi a deles...
Este Mundo é um caos e um inferno hoje onde as pessoas humanas buscam refugio nas coisas mais absurdas e insanas como "outros mundos e outros planos" (a existirem não são este plano que é o nosso!) e vivem de mistificações e sonhos tão aberrantes que não são mais do que a negação da vida em si e da Terra em que vivemos...uma fuga para outros mundos "paralelos" - e assim alienadas continuam todas,  cegos a conduzir cegos...para o abismo!

Por isso digo, TEMOS DE VOLTAR À TERRA, caminhar na terra...e Respirar o ar enquanto houver ... 

rlp


O PRIMEIRO EDEN


LILITH - A Primeira Mulher


«E diz-se primeiro Éden porque, segundo as Escrituras, houve, antes de Eva, uma mulher pura, inteligente e igual ao homem, de grande condição metafísica, porém cruel e sumamente poderosa. Chamava-se Lilith. Em suma, o mito da mulher fatal, que o homem teme e, ao mesmo tempo, pretende conhecer como sua verdadeira metade.»


Agustina Bessa Luís

quinta-feira, maio 21, 2015

LILITH A GRANDE DEUSA




"No começo era a Grande Deusa e a Grande Deusa era a Terra e a Terra era a Grande Deusa. Lilith" 
 (ESCRITO num relevo sumério.)

As origens do culto à Grande Deusa jazem obscurecidas na indistinta penumbra dos tempos pré-históricos. A Deusa imperou durante centenas de milhares de anos. Com o passar dos tempos, a Deusa-mãe foi sobrepujada e superada pelo mais patriarcal dos arquétipos – Javé (Yaweeh), Deus-Pai, Alá. Este arquétipo patriarcal aperfeiçoou-se nos mundos judaico, cristão e muçulmano. Alguns aspectos da Deusa-mãe foram permitidos, porém de forma controlada, na imagem de Maria, mãe de Deus. São algumas Madonas Negras, de antigos santuários, que ainda nos dão testemunho da Deusa-mãe.

A figura de Lilith representa um aspecto da Grande Deusa. Na antiga Babilônia, ela era venerada sob os nomes de Lilitu, Ishtar e Lamaschtu. A mitologia judaica coloca-a em domínios mais obscuros, como um demónio (feminino) do mal, a adequada companheira de Satã, que tenta os homens e assassina as criancinhas.

A Lilith astronômica.

A Lua descreve uma trajetória elíptica ao redor da Terra. Uma elipse possui dois pontos focais e aquele que fica vazio foi denominado Lua Escura, Lua Negra ou Lilith. Isto se constitui numa definição um tanto simplificada, pois, na realidade, a Lua e a Terra movem-se ambas ao redor de seu centro comum de gravidade, e a trajetória da Lua não é uma elipse exata, mas um tanto oscilante. Assim é necessário estabelecer a diferença entre a órbita média da Lua, que é uma elipse levemente alongada, e a órbita real, que oscila ao redor da órbita média devido a diversas interferências. Assim como há um Nodo Lunar “médio” e outro “real”, e como há uma elipse “média” e outra “real”, também há uma Lilith “média” e outra “real”. Escrevo real entre aspas salientando que o Nodo da Lua só é “real” umas duas vezes ao mês, quando a Lula se encontra realmente sobre ele, já que no resto do tempo, ele é tão “irreal” quanto o Nodo Médio. A propósito, quando se trabalha com um ponto tão próximo à Terra, devemos considerar o efeito paralaxe, isto é, devemos ponderar que um determinado ponto da Terra é visto a partir de um certo ângulo de um ponto no céu. A Astrologia observa os planetas sob o ponto-de-vista geocêntrico, ou seja a partir da Terra, e não de maneira topocêntrica, a partir do ponto de vista de um observador.

(...)
A interpretação de Lilith

A Lua Negra descreve nosso relacionamento com o Absoluto, com o sacrifício como tal, e mostra-nos como abrimos mão de certas coisas. Em trânsito, a Lua Negra indica-nos alguma forma de castração ou frustração, frequentemente nos assuntos relacionados ao desejo; uma incapacidade da psique; ou uma inibição em geral. Por outro lado também indica nossas áreas de auto-questionamento, a nossa vida, nossos trabalhos, nossas crenças. Acho que é isto é importante, pois nos dá a oportunidade de abrir mão de algo. A Lua Negra mostra onde podemos deixar que a Totalidade fale dentro de nós, sem atravessar um “eu” pelo caminho, sem erigir um muro formado pelo nosso ego. Ao mesmo tempo, ela não nos indica a passividade. Ao contrário, simboliza a firme vontade de mantermo-nos abertos e confiantes, de deixar que o Mundo Transcendental infiltre-se em nós, confiando inteiramente nas grandes leis do Universo, naquilo que chamamos Deus. A fim de nos preparar para essa abertura, a Lua Negra cria um vazio necessário.”

"Joëlle de Gravelaine in “Lilith und das Loslassen”

JUSTIÇA E VERDADE



NO CORAÇÃO DE MAAT
 
"Vim e aproximei-me para ver a tua beleza, minhas mãos estão erguidas em adoração ao teu nome: Justiça e Verdade.”

(Papiro de Ani, folhas 29-30 – Museu Britânico)

quarta-feira, maio 20, 2015

OS CONSELHOS DOS HOMENS...



A FORMATAÇÃO DO SUPOSTO FEMININO PELO "HOMEM"...
O que eles dizem por aí...

"Nasça. Nasça mulher, ou pelo menos torne-se uma depois. Viva a sua vida, experimente, faça o que qualquer um pode fazer. Seja apenas você mesma. E não tropece! Se cometer qualquer erro. Pronto, essa vagabunda já está fazendo cagada.
Seja difícil, não fique com qualquer um, e quando alguém tentar ficar com você, a força ou não, resista, continue com a sua filosofia de vida e diga não quero. Pronto, essa vagabunda não quer ficar comigo. (Se você só quer permanecer com alguém legal, leia esse meu outro texto)
Seja fácil, fique com qualquer um. Se der vontade vá mais longe, explore seu apetite sexual, mesmo que seja favorável ou não a você. Encontre alguém, converse um pouco, transe com ele. Pronto, transei fácil com essa vagabunda.
Namore um homem egoísta e machista, dedique-se a ele. Submeta-se e respeite sua autoridade fictícia. Tenha apenas ele como exemplo de masculinidade. Converse e seja simpática com algum amigo seu que seja homem. Pronto, essa vagabunda já está dando moral pra esse cara!
Case-se. Viva intensamente a relação até perceber que o homem da sua vida é chato, rotineiro, sem graça, preguiçoso, egocêntrico. Sinta-se mal por isso e depois decida por romper o que não mais dá certo. Busque vida nova. Recomece. Pronto, essa vagabunda quer me largar depois de tudo o que eu fiz por ela.
(...)"
http://lounge.obviousmag.org/…/manual-pratico-de-como-ser-u…


Quando um homem escreve isto, o que é que eu posso dizer ou pensar? Não sou feminista, não, além de velha, sou como digo e cito: "antropologicamente lucida", mas este continuo Olhar do homem sobre a mulher - desde o clássico da cultura e da história e da arte aos nossos modernos jovens intelectuais e jornalistas, é abusivo... foi e é uma praga...demolidora da natureza intrínseca da Mulher. Que nem eles sonham qual é nem as mulheres que ai a-bunda-m - sim, que são só o que os homens projectam e sonham sobre elas e são fiéis ao imaginário masculino que as deturpa avilta e mistifica no bom ou no mau sentido.
Sim, ouvir ou ler um homem a falar assim sobre a mulher faz-me urticária...Estou farta, dá-me nervos - um ataque de nervos...- como se algum homem a sério pudesse perceber (se nem Freud o entendeu ao fim de 30 anos de pesquisas, e disse-o) ou saber o que é e o que sente uma MULHER de verdade - não dessas mulherzinhas feitas pelos Mídea e pelas telenovelas, e filmes cheias de silicone e formatadas pelas opiniões ligeiras e sarcásticas dos homens da "cultura" ou da pornografia...e que para ai pululam...mas A Mulher - Autêntica, a Mulher inteira...se eu fosse um Homem, um homem a sério mesmo - ficaria mas é calado. E respeitava - uma vez na vida buscava uma mulher a sério, não aquela que é sempre a santa ou a puta ou a vadia...etc - esse quadro foleiro e pervertido da moral católica. E porque será que os homens tem tanto empenho em falar das mulheres, em perseguir as mulheres sempre em função deles - e se para variar falassem deles mesmos - será que tinham alguma coisa para dizer, sem falar da mãezinha e da amante e da vadia?
Sim, gostaria de ver e ouvir os homens a falarem deles, deles próprios e com propriedade e não mais das mulheres - digam lá o que sentem, como se sentem...sem querer meter sempre as mulheres no seu saco...etc.

rleonorpedro

A MEDITAÇÃO



A meditação não cura doenças, nem resolve problemas psíquicos ou físicos...como vulgarmente se pretende, nem é uma mentalização qualquer (como a meditação guiada) ou o recitar de mantras ou um olhar fixo para uma vela!

A Meditação é uma concentração, um FOCO (um fogo) em algo inatingível pela mente, incompreensível ao intelecto...e pertence a uma parte de nós que é nuclear e sejamos nós quem formos ou o grau da nossa inteligência ou educação, cultura, nível económico ou espiritual...em nada interfere senão com a Alma e o Ser que está para além de tudo isso.

E meditando, o que fortalecemos é essa parte de nós que é interna e eterna e que não é influenciada pela mente nem pelo físico, nem pelos nossos sentidos, mas que é o nosso centro energético (consciência pura, não sei) e se esse centro estiver acordado e nós firmes e centradas nele, tudo o que nos afecta na superfície do nosso ser é atenuado pela consciência de algo superior, acima, para lá das nossas circunstâncias de vida, mas não nos tira nem os problemas aqui, nem os conflitos psíquicos...apenas alivia eleva o espírito e relativiza tudo isso que se passa fora e dentro de nós, se nos mantivermos focadas nele...e mantivermos essa consciência da Consciência.
É como alguém dizia: nós caímos na mesma, mas em chão acolchoado...o sofrimento é atenuado...

A ideia de que a meditação é uma terapia, ou que age sobre as questões físicas e psíquicas e as resolve, em parte pode ser verdade, como se dizia em cima, atenua a dor, mas para mim esta ideia da meditação ser paliativo ou cura é errada, desvia do caminho do ser e do sentido último.
Meditar é como o Respirar...respirar fundo não nos cura, mas alivia e sobretudo faz-nos viver ou permite-nos viver ligadas à essência da vida...
SIM, RESPIRAR FUNDO pode até equilibrar os chakras e outros centros nervosos talvez, activar a pineal, como dizem, pode minimizar a dor, mas não nos salva dos conflitos da psique nem dos problemas humanos que criamos na prática em acções diárias, as nossas escolhas, os nossos sentimentos, o que não resolvemos, etc. se nós não fizermos nada por isso.

A vida em si, essa essência é uma coisa, e as circunstâncias da vida, a nossa pequena história pessoal, é outra...não confundamos uma coisa com a outra!
Temos de viver dentro desta realidade dos 5 sentidos e compreender qual é o nosso papel na cena...mas saber que há mais para ser vivido!Temos inclusive que trabalhar para “viver” - só isso é um drama ...Nós somos quase todos/as ainda escravos do dinheiro, quer o tenhamos ou não...

Também há sentimentos, emoções  ou paixões que nos aprisionam e mantêm escravas/os deles. Andamos por vezes uma vida inteira a volta de um circulo viciado, e nunca saímos dele...
Há ainda a fome e o desejo, há as necessidades do corpo...do sexo, mas há sobretudo o medo da doença, da morte e a inconsciência total do sentido profundo da vida, e do milagre da nossa existência - a absoluta e incrível arquitectura deste corpo magnífico...que nós usamos sem saber quem somos e o que somos...
Ignoramos a nossa majestade como seres, a nossa grandeza, e que o ferimos e matamos e o usamos como se fosse nosso e o tivéssemos garantido...e contudo...não nos pertence.
Essa é a nossa miséria...

Uma coisa é a busca, o encontro, o suspiro, o conforto ...
Outra é a alienação em relação a si, ou ao somos todos UM.

Talvez essa ignorância de quem somos, e do nosso valor intrínseco como SERES HUMANOS, seja a fonte de todo o nosso desequilíbrio, nomeadamente nós mulheres, afastadas da nossa essência e força vital, há séculos...


rosaleonorpedro

republicando 

sábado, maio 16, 2015

A MULHER É MUITO MAIS QUE UM CORPO...



OS SEIOS DAS MULHERES
TÊM UMA FUNÇÃO SAGRADA...

"Os seios da Mulher são a ligação entre o alimento e o reencontro afectivo entre Mãe e Filho, por isso mesmo é que a minha Mãe sempre me aconselhava a amamentar o meu filho recolhida, em silêncio e longe de olhares alheios, ela dizia que era um momento de Oração!" Maria Santos

Sei que vou ser polémica e conservadora, talvez me chamem mesmo reaccionária, mas pouco me importa; É que não vejo qualquer semelhança entre os seios dos homens e das mulheres!!! Dizer isso ou querer provar isso é só mais um absurdo do mundo alienado e extrovertido em que vivemos, em que a exposição mediática conta mais do que a interioridade ou a intimidade ou o significado profundo das coisas. Os seios da mulher têm uma função e o dos homens não...
Não se trata pois de aparência nem de tamanhos! Não vamos fazer disto mais um campo de batalha de "igualdade" ou de "liberdade" das mulheres porque é completamente estúpido e cretino.
As mulheres amamentam os filhos, têm leite e isso é uma função inerente a fêmea e como tal deve ser respeitada... querer escamotear ou fazer disto e do nu gratuito da mulher uma bandeira é uma aberração que só pode ser comparada às barrigas de aluguer e as mulheres serem apenas objectos de prazer.
Não me venham agora feministas, homossexuais e transexuais dizer que mulheres e homens são iguais...Já basta que as mulheres jovens não tenham consciência nenhuma de si nem do feminino ontológico e virem mais uma vez os homens meter-se numa luta que não é a sua. 


DEIXEM AS MULHERES em paz e que sejam elas a falar. Sejam elas e eles o que quiserem mas não falem em nome das Mulheres...pois estão longe muito longe da Essência do feminino! 

Por favor - temos nós mulheres conscientes de ter noção que este é mais um ataque á natureza profunda da Mulher e uma negação do seu corpo que nutre e concebe e a sua sacralidade. Mulheres temos de estar atentas e não cair no erro de acreditar ou pensar que isto é liberdade ou um direito...a igualdade com o homem no mostrar os seios ou andar com o peito a mostra! Isto é totalmente ridículo e superficial. Não acrescenta nada a ninguém!
Parem os homens de querer apoiar a "liberdade e a igualdade" da mulher se não sabem o que é a MULHER! Nem a Mãe...
 
rlp

O USO (E ABUSO)


O USO (E ABUSO)
QUE SE FAZ DO CORPO FEMININO...


"...uso que se hace en los medios del cuerpo femenino, un uso patriarcal, falocéntrico y capitalista del cuerpo... de la mujer como reproductor de una cultura que marca unos estándares de belleza que nos transforman quirúrgicamente, mutilando nuestro rostro verdadero, el rostro de mujer que expresa su individualidad, convirtiéndolo en máscara sin personalidad. Y los cuerpos, recauchutados tras el bisturí, son cuerpos irreales que solo aluden al supuesto deseo masculino, deseo a su vez mediatizado por la pornografía, una industria al fin y al cabo y que sin embargo, industria y todo, coloniza lo cotidiano a base de moldear el deseo de los hombres alejándolo del sentir interno, en una maniobra aculturizadora basada en claves artificiales, misóginas y violentas."

quinta-feira, maio 14, 2015

DIA DA ESPIGA...




Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é uma celebração portuguesa que ocorre no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.

O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as
ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

Wikipedia

El Cuerpo Indispensable

El sexo heterosexual empieza a ser un asco
 
Utópica Anónima
 
Mis amigas se rieron mucho cuando les conté que después de meses de sequía y algún que otro polvo nada memorable había por fin encontrado a un hombre que me equilibraba los chakras. Claro, era una forma muy simplificada de explicar cosas más complejas, y al leer hace un par de días un texto fundamental de Milagros Rivera, El Cuerpo Indispensable, sentí la necesidad de poner en claro a qué me refería.

El párrafo al que aludo es el siguiente:
Toda la vida me ha acompañado una sorpresa: oír decir, atribuirle a una mujer, que solamente se la amaba por su cuerpo. Como si esto fuera insatisfactorio, como si no significara apenas nada.
Como si el cuerpo fuera poca cosa, cuando es tanto, en sí mismo como sustancia, o como significante para muchos significados, o como vehículo de comunicación, de puesta en relación, de expresión de mensajes. Tiene mucho que decir el cuerpo, y sin embargo el cuerpo de las mujeres ha sido utilizado por el patriarcado para sus fines, y con ello mutilado real o metafóricamente, privado de sentido propio, de placer propio.
 
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En el documental corto “El cuerpo de las mujeres” se alude a este uso que se hace en los medios del cuerpo femenino, un uso patriarcal, falocéntrico y capitalista del cuerpo de la mujer como reproductor de una cultura que marca unos estándares de belleza que nos transforman quirúrgicamente, mutilando nuestro rostro verdadero, el rostro de mujer que expresa su individualidad, convirtiéndolo en máscara sin personalidad. Y los cuerpos, recauchutados tras el bisturí, son cuerpos irreales que solo aluden al supuesto deseo masculino, deseo a su vez mediatizado por la pornografía, una industria al fin y al cabo y que sin embargo, industria y todo, coloniza lo cotidiano a base de moldear el deseo de los hombres alejándolo del sentir interno, en una maniobra aculturizadora basada en claves artificiales, misóginas y violentas.
Y ahí está el cuerpo de las mujeres, usado y abusado, y por tanto interpretamos dualmente -desde la óptica occidental tan dada a lo maniqueo- que o bien hay que (como mandato) atraer a los hombres sexualmente y de acuerdo a una sexualidad masculina importada desde el porno (y por tanto feminidad, belleza y lo sexy según el criterio/mandato dominante van en una unidad indivisible) o bien se interpreta que entrar en la sexualidad desde el cuerpo, y sólo del cuerpo implica ser convertidas en objetos sexuales, y por tanto desde cierta óptica emancipadora, esa clase de sexo no es deseable porque nos enajena, nos separa a las mujeres que somos, del cuerpo en el que vivimos y que es utilizado por otros.
Pero ¿es esa la única alternativa, la dualidad de la que no se puede escapar cuando se alude a la atracción sexual que produce el cuerpo femenino? (¿prestarse a ser objeto o negarse a ser objeto?)
En las culturas pre-patriarcales las cosas fueron muy distintas, el culto a la Diosa implicaba con frecuencia rituales sexuales y  las sacerdotisas no eran, como a veces se las nombra, prostitutas rituales, sino mujeres que comunicaban con la divinidad y con lo espiritual a través de la sexualidad. Entonces, la sexualidad (tanto la masculina como la femenina) aún no se habían separado de la espiritualidad, y los cuerpos eran sagrado vehículo de la divinidad.
El patriarcado, las religiones judeo-cristianas (y por extensión la musulmana), y la propiedad privada se encargaron de apropiarse de las mujeres y de sus cuerpos, nos desposeyeron de ellos y se encargaron de sustituir a la poderosa diosa por la virgen María. De una Diosa como Ishtar, que daba vida y la quitaba, que tenía múltiples caras, que tomaba la iniciativa sexual, se pasó a una virgen santa, que no conocía el sexo, que no tenía defectos, que era unilateral, que era esposa del dios y madre del dios, pero nada en sí misma.
De las diosas vírgenes de la antigüedad, que tenían parejas sexuales pero no consorte (es decir, tenían una sexualidad rica pero se mantenían independientes y libres) se pasó a la virgen que nunca había tenido sexo, que permanecía “pura”, limpia, y para que la ausencia de sexualidad fuese blancura, había que convertir la sexualidad en algo sucio, perverso, impuro.
Aquel fue el primer alejamiento de la sexualidad de las mujeres como algo sagrado, después, con la llamada “liberación sexual” se nos devuelven el placer y la iniciativa, pero no necesariamente la dignidad de un deseo propio, conectado con lo que de verdad queremos y necesitamos, porque el capitalismo se encarga de ponernos de vuelta en el redil: al servicio del macho y del capitalismo, entonces, nos convertimos en propiedad, con el matrimonio y las relaciones monógamas, o en objeto de consumo, en las relaciones esporádicas, cada vez más impersonales. Y ahí somos objetos, no porque, como se suele decir, solamente nos quieran por nuestro cuerpo, sino porque ni siquiera nos quieren por nuestro cuerpo: usan la cáscara del cuerpo para darse autosatisfacción narcisista y para poner en práctica fantasías del porno, con los cuerpos como soporte y medio, pero nosotras no estamos allí, ni nuestros cuerpos, porque no se atiende a nuestro placer y si se atiende es como medio de demostración de la virilidad del macho. Habrá quien crea que exagero pero ¿quién no se ha encontrado con un tío empeñado en que nos corramos vaginalmente, menospreciando el placer derivado del clítoris, que elude la polla (no es necesaria) y que elude incluso a veces las manos del hombre? La mujer que sabe darse placer es enemiga del macho alfa, porque se satisface con o sin la polla y eso es peligroso.
Despersonalizados, en ese sexo banal, coital, descoporeizado en tanto a cuerpos que son parciales, que son cosas, es fácil encontrar hombres que no pueden empalmarse con el preservativo puesto, con la coerción subsiguiente, o que abusan de la mujer con prácticas no consensuadas, sorprendiéndose si la mujer se muestra iracunda o se niega  a continuar. Estrecha, inhibida, exagerada, histérica, son algunos de los apelativos que recibimos cuando nos negamos a realizar sus fantasías, incapaces de reconocernos el derecho a un deseo propio que puede no coincidir con el suyo.
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La violencia sexual entonces no se restringe al abuso o la violación, se da también en relaciones iniciadas de mutuo acuerdo y que se vuelven violentas, basadas en una relación dominado-dominada, o sin consenso, con presión, con coerción o ignorando el deseo de la mujer. El porno y la prostitución ofrecen dos modelos de mujer como objeto sexual disponible, como una cosa que se puede obtener pagando, o haciendo click en un enlace de internet, algo que es cosa y no persona y que está al servicio del placer del macho, y por eso hay acoso callejero, manoseos en lugares públicos, agresiones sexuales y en el menos malo de los casos, sexo iniciado libremente por ambas partes y que se torna desagradable, invasivo, violento. No es extraño que muchas mujeres tengan tumores en el útero o endometriosis, en mi opinión algunas patologías pueden tener un componente psicosomático importante, convertimos la violencia de afuera en violencia del cuerpo. Muchas otras renuncian al sexo para ganar en paz mental, y es una elección solo parcialmente libre, porque es una elección que se toma estando casi entre la espada y la pared.
Y aquí finalizo, llegando a donde empecé: mi compañero sexual me abría los chakras no porque hiciese nada en especial, simplemente porque no entraba en el esquema del homo ponograficus y por tanto no me sentí ni agredida, ni necesitada de fijar un límite constantemente, ni usada como receptáculo de fantasías denigrantes, me sentí  cuerpo deseado, cuerpo dador y receptor de placer, cuerpo en conexión con otro cuerpo, cuerpo abierto a otro cuerpo. Y por mi parte, esa apertura me devolvió a mi cuerpo, que había estado cerrado a los cuerpos de aquellos que no lo respetaban, y la energía fluyó y pude sentirme de nuevo dueña de mi deseo y al otro, compañero en mi placer. Y viceversa.
De ahí a una sexualidad espiritual van miles de pasos, pero las relaciones así son un comienzo, y un regreso a la vez a una sexualidad, ahora sí, limpia. No porque el sexo sea sucio, sino porque es tan sucio hacernos sentir que no debemos sentir deseo, como hacernos creer que nuestro deseo es aquel que marcan la industria, el capitalismo, el patriarcado, y el macho lobotomizado por los mandatos falocéntricos.

Vuelvo a sentir dentro a las diosas vírgenes, vuelvo a sentir -sanada tras muchas violencias- la dignidad y la libertad de las diosas sin consorte, pero sexuadas. Y estoy segura de que si ellos recogen el guante y reelaboramos una sexualidad de verdad de a dos, entre dos cuerpos plenos (y el cuerpo incluye todo lo que lo hace cuerpo y no cosa) también se sentirán más elevados al Olimpo.
 

quarta-feira, maio 13, 2015

NÃO À TRAIÇÃO DA LINGUA PORTUGUESA


NÃO AO ACORDO AUTOGRÁFICO

"ACORDO" ORTOGRÁFICO NÃO!


"Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da n...oute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."
fernando pessoa

A PRECE


Ninguém me Ama a Ponto de Ser Eu


Fiz o que era mais urgente: uma prece. Rezo para achar o meu verdadeiro caminho. Mas descobri que não me entrego totalmente à prece, parece-me que sei que o verdadeiro caminho é com dor. Há uma lei secreta e para mim incompreensível: só através do sofrimento se encontra a felicidade. Tenho medo de mim pois sou sempre apta a poder sofrer. Se eu não me amar estarei perdida — porque ninguém me ama a ponto de ser eu, de me ser. Tenho que me querer... para dar alguma coisa a mim. Tenho que valer alguma coisa? Oh protegei-me de mim mesma, que me persigo. Valho qualquer coisa em relação aos outros — mas em relação a mim, sou nada. É tão bom ter a quem pedir. Nem me incomodo muito se eu não for totalmente atendida. Eu peço a Deus para eu ser mais bonita — e não é que meu olho faísca ao mesmo tempo que meus lábios parecem mais doces e cheios? Eu peço a Deus tudo o que eu quero e preciso. É o que me cabe. Ser ou não ser atendida — isso não me cabe a mim, isto já é matéria-mágica que se me dá ou se retrai. Obstinada, eu rezo. Eu não tenho o poder. Tenho a prece.

Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida'

segunda-feira, maio 11, 2015

A VIDA PSIQUICA DA MULHER



EM QUE quadro se pode identificar a vida psíquica de uma mulher, a qual está totalmente fora do quadro psíquico e cultural e histórico do homem e  por ele estudado?

Em que medida a Psique feminina é possível de identificar com a masculina e em que medida as características da psique feminina foram desvalorizadas como infundadas por serem de ordem intuitiva e emocional...? Não estaremos por isso quando falamos de Psique do Homem apenas a confundir e sobrevalorizar as faculdades cerebrais  do lado esquerdo do cérebro, do Homem, precisamente, sem ter em conta o exercício respectivo de ambos os hemisférios, o direito feminino e intuitivo e o esquerdo masculino racional, como acividades naturais inerentes a cada um e comuns aos dois quando equiparados e desenvolvidos em igual?

Se lermos este texto abaixo referido, podemos ver até que ponto a mulher pela sua idiossincrasia está dele ausente (não incluída) e é quando muito um presumível e secundário objecto, ainda que muitas vezes inspiradora e Musa,  na vida dos grandes homens...e da sua culpa cristã, da qual ela é imputada ao fim e ao cabo?
Que papel tem uma mulher neste quadro de análises psicológicas e nestas obras e diante deste homem e mesmo do psicólogo que o retrata? Em que medida pode uma mulher identificar-se com a leitura deste texto sentindo-se apenas vagamente "incluída" (não importa se muito se pouco) como ente subalterno e aglutinada ao Homem, no mero papel de esposa de amante ou de filha de tal e tal?

Estuda-se a Psique do Homem e onde se estuda a Psique da mulher?
 
Tem a mulher duas dimensões da sua vida psíquica - a busca do prazer e a luta pela adaptação à sua realidade específica muito diferente da do homem, e sofre ela essa dicotomia entre bem e mal e como, senão mesmo sendo a grande vitima do mal de que é acusada subliminarmente em tudo o que é cultura e arte?
Onde está pois o drama existencial da mulher?
Onde está a sua história por ela contada na literatura e na psicanálise? 
E que homem é este, que conta a história senão o homem secular, "o homem Tolstoi cheio de aversão às mulheres, carregado de culpas, com a necessidade de expiar, de mortificar a carne." - passa-se o mesmo com as mulheres?

É a temática de vida da Mulher igual à do Homem - ou é de facto a mulher secundarizada em tudo o que o homem investe estuda e cria à sua imagem? Continua-se a estudar  e a falar do Homem incluindo as mulheres sem ter em conta o seu próprio psiquismo? Podemos ir para lá do bem e do mal sem compreendermos os diferentes aspectos da Psique humana, incluindo para isso a especificidade do hemisfério direito  diminuído na cultura e na ciência e que torna o drama  da mulher tão particular?

O HOMEM CULPADO, QUE CULPA A MULHER DA SUA CULPA EM TODAS AS CULTURAS...

(…)  minha afirmação é simplesmente de que a presença de desarmonia e conflito entre os dois territórios da personalidade pode não sufocar a produtividade de um indivíduo dotado; que essa desarmonia talvez possa servir de estímulo para respostas criativas - ainda que a disputa entre os dois territórios permaneça sem solução por toda uma (infeliz) vida.
A vida de Tolstoi foi uma luta sem fim entre o Homem Culpado trabalhador que buscava o prazer e o Homem Trágico criativo que buscava a auto-expressão. Finalmente o Homem Tágico predominou durante períodos suficientemente longos para que ele criasse novelas que, como todas as grandes obras de literatura, revitalizam todos aqueles que se deixam atingir por elas. As profundas reverberações dos nossos selves nucleares, à medida que participamos da obra dos grandes romancistas ou dramaturgos, intensificam nossas reacções ao mundo e com isso fazem crescer a nossa autoconsciência. As obras dos grandes romancistas e dramaturgos conferem-nos a capacidade de experimentar mais plenamente nossa existência, de participar mais profundamente do ciclo eterno de vida e morte. Mas também havia outro Tolstoi que pode ser claramente percebido a partir dos dados biográficos e de alguns dos seus escritos (menores). Esse é não somente o Tolstoi jogador, bebedor e galanteador, mas também ao contrário, o homem Tolstoi cheio de aversão às mulheres, carregado de culpas, com a necessidade de expiar, de mortificar a carne. Quando predominava o Tolstoi criador, o imenso talento de escritor era aproveitado na tarefa de lançar um vasto projecto que havia sido elaborado pelo seu vulcânico self criativo. A maior parte do panorama não-moralista do mundo contido em Guerra e Paz é certamente a manifestação máxima do Tolstoi Trágico, profundamente sintonizado com o drama da existência humana, apesar do fato de mesmo essa obra-prima conter algumas passagem e alguns capítulos que são verdadeiros sermões – manifestação do Homem Culpado. “* 
Heinz Kohut  Self e narcisismo Zahar Editores
 
*Texto retirado do Blog  incalculável imperfeição de Cristina Simões

REFLEXÕES...


O AMOR DA MULHER É MAIS DO QUE "APEGO"...
E NÃO PODE SER NUNCA "RENÚNCIA"...


Há um dilema enorme entre a via do desapego, o da renuncia, pela busca de uma realização espiritual e uma consciência verdadeira e profunda da nossa humanidade, nomeadamente enquanto mulheres e face à nossa natureza instintiva ligada à Terra e à Lua...
Não há duvida que ser-se mulher e humana implica todos os valores negados pelos renunciantes da vida, no caminho do Pater, os homens, que almejam a libertação do terreno e do ctónico e fazem a apologia exclusiva do amor do Pai e do céu, negando o valor da encarnação e logo do corpo humano e da mulher que o concebe.
Precisamente por isso o homem pode seguir a via da renuncia porque para ele é fácil desapegar-se do amor da mulher e dos filhos porque ele não é Mãe... ele só te de abandonar o desejo sexual e a mulher como objecto de desejo - daí face à mulher que o atrai, considerarem os ascetas a mulher como um perigo e um mal para o homem porque o desvia desse caminho dito espiritual e de renuncia à carne; na verdade eu não creio que o homem, naturalmente tenha amor pelos filhos, amor esse a existir  é basicamente social e cultural, instigado pela igreja e pela família em nome do poder e do Nome do Pai, ou ainda do património e não natural. Como pode ser amor se o pai vende a filha ou a sacrifica aos seus heróis, como na Biblia?
Apesar da enorme confusão que se gera entre amor e apego, o homem pode por essa razão desvincular-se facilmente do amor humano tomando-o como mero apego, como anunciam várias correntes do ascetismo hindu,  pois ele não sente como a mulher os laços da carne e do sangue, na identificação epidérmica e celular do amor e do afecto pela criança como a mãe o filho/filha e  por isso ser-lhe indiferente ou inexistente a real dor da separação. Ele nõa sente esse amor que a mãe nutre pelo filho e cuja essência uma oitava acima é amor puro que só a mulher e a mãe conhece ...e esse legado ou realidade não é sequer admitida pelas vias ascéticas e ascensionais dos Mestres...ou antes, é mesmo negado e aviltado, tratado como mero apego. Assim Buda para realizar o Conhecimento abandonou a jovem mulher e o filho em nome da Humanidade sofredora...
Perante estas evidências não duvido que a mulher tem um outro caminho e destino espiritual que é na verdade Ser MULHER, ser e viver a Deusa em si, ser mãe e ser amante, iniciadora do amor do homem que a nega e assim nega a Natureza e vida como mistério na Terra.
O amor para a mulher é mais do que simples procriação, libido ou desejo imperativo de vida...mas uma finalidade em si, ser em si. Contudo, dada a aculturação a que a mulher foi sujeita pela sociedade patriarcal que assim a vitimou e denigriu e a culpou da Queda e do mal do homem, ela precisa antes de tudo recuperar a sua natureza primordial da qual foi afastada e resgatar a sua magia e poder de ser inteira...e mesmo que não seja mãe, nem amante,  ELA É SEMPRE A MÃE  E A AMANTE, PORQUE A DEUSA NA TERRA...não precisa de encontrar deus para nada...
rlp

ACONTECE...



Decepção

“As pessoas morrem quando nos decepcionam e, para nossa perplexidade, com elas morre sempre um bocadinho mais ou menos indecifrável dentro de nós.”  Eduardo Sá, Chega-te a mim e deixa-te estar, Oficina do livro
...
A decepção. Não o pequeno tremor frente à improvável atitude do outro. Mas a sensação que algo nos perfurou. Não antevemos possibilidade de regeneração.
Sofre-se duplamente. Pela perda do outro e pela perda desse bocadinho que não conseguimos localizar.

Esse bocadinho, é a imagem do outro que se entrelaçou dentro de nós a uma memória elementar. A toda a riqueza que acumulamos das nossas vivencias reais e fantasiadas. À memória das pessoas que amamos, e do que amamos em nós, apesar dos desapontamentos. É a poção de sobrevivência. Do que acreditamos e confiamos, e que nos faz uma companhia silenciosa.
E subitamente, o outro que é parte de nós, decepciona-nos. Diz-nos que está descomprometido com esses sentimentos e emoções. Ficamos sem sustentação. Aproximamo-nos da morte, por agitar temores de um tempo inseguro e desprotegido.
Se a reserva de amor que temos dentro de nós é a bastante, “isso nos permite compensar um fracasso ou um desapontamento em relação a uma pessoa estabelecendo um relacionamento amistoso com outras e aceitar substitutos para coisas que fomos incapazes de obter ou de guardar”.
(Melanie Klein)


in incalculável imperfeição - cristina simões

domingo, maio 10, 2015

MULHERES & DEUSAS : EM BUSCA DA MULHER

MUITO IMPORTANTE LER E  RELER...





MULHERES & DEUSAS : EM BUSCA DA MULHER: É A MULHER NA MULHER QUE SE BUSCA E ENCONTRA EM SI, NÃO O HOMEM QUE A DEFINE... Como os psicólogos e psicanalistas andaram à deriva durant...

quarta-feira, maio 06, 2015

O QUE QUER A MULHER?


“A grande questão…para a qual ainda não consegui resposta, apesar dos meus 30 anos de investigação sobre a mente feminina, é: O que quer uma mulher?" - Freud


QUALQUER HOMEM VERDADEIRAMENTE INTELIGENTE NÃO DEVIA FALAR DE E PELA MULHER como se dela soubesse alguma coisa. É que não sabe...tal como Freud o afirmou. E Freud era inteligente só porque o disse...
Este hábito secular do homem achar que pode discorrer sobre a mulher tal como o fizeram mestres, padres, psicólogos e psiquiatras ou filósofos...é uma asneira crassa. Ainda hoje as mulheres pensam que são aquilo que os homens disseram e escreveram sobre elas há séculos...ainda hoje elas os seguem cegamente...esses mentores que vivem a sua custa e das suas crenças...no sexo forte.
 

Mas um HOMEM DE HOJE E VERDADEIRAMENTE INTELIGENTE DEVIA CALAR-SE DE VEZ E  DEIXAR A MULHER FALAR POR SI...devia SIM aprender a ouvir a mulher...a nova mulher...saber dela e não falar dela de cor...porque leu um livro de outro homem que falava de mulheres...há milénios...

rosaleonorpedro

AS MULHERES NAS PASSERELLES...


MULHER "PROCURA-SE"


Os homens sabem de tudo...sim, eles são exímios filósofos, teólogos, poetas, exegetas, psicólogos, sexólogos; Sim, eles sabem tudo... menos de Mulheres...E esse foi precisamente o seu maior drama: terem-se convencido que sabiam o que era uma Mulher...nada mais errado e absurdo...e fizeram-no de tal modo e exaustivamente ao longo dos séculos que com isso acabaram por transformar as mulheres numa coisa que nem elas hoje se entendem ou sabem o que são... e são ...os próprios homens hoje a quererem ser mulheres e mães...e putas...tudo ao mesmo tempo. E a Mulher? Ficou um mero objecto...nos perdidos e achados da história deles...
Ela coitada bem se exibe, e tenta lembrar-se QUEM ERA... bem mostra as ancas e as pernas e o busto...os decotes, o silicone e o botox, as mini-saias...as passe-reles, oh sim, expõem-se em montras à procura de um eco, um marido um cliente...diz: "mulher procura-se"...ou vende-se...


rosaleonorpedro

terça-feira, maio 05, 2015

A MULHER: O CONTINENTE DESAPARECIDO DA FACE DA TERRA

 
A GRANDE MÃE PRIMORDIAL

O continente e o conteúdo

À força de rejeitar tudo o que a feminilidade representava como solução para a angústia do homem, criou-se uma humanidade perfeitamente neurótica, pois se o rapazinho é obrigado a praticar este acto é porque não lhe vestiram na mais tenra idade uma veste feminina, como se fazia antigamente. Uma concepção estúpida e formal da virilidade impediu a continuação desta prática que, com origem em motivos inconscientes, era muito mais válida que a destruição do amor que educadores desprovidos de educação tentam levar a cabo, criando uma putativa educação sexual.

É, uma vez mais, toda a nossa sociedade que está em causa. A masculinização da sociedade conduziu a ignorar aquilo que constitui o próprio fundamento de toda a relação psicossocial, a saber, os laços afectivos que unem os membros duma mesma família, dum mesmo clã. E estes repousam muito particularmente na relação mãe-filho (rapaz ou rapariga). Suprimindo a noção de Mãe-Divina, ou submetendo-a à autoridade dum deus-pai, desarticulou-se o mecanismo instintual que estabelecia o primitivo equilíbrio. Daí provêm as neuroses e outros dramas que transtornam as sociedades paternalistas, incluindo aquelas que se consideram mais evoluídas, aquelas que pretendem, com belas palavras, atribuir à mulher um lugar de honra, um lugar escolhido pelo homem.

Na verdade, o homem não pode escolher o lugar da mulher nem o seu próprio lugar face à mulher. Ele deve obedecer a uma lei inelutável, que é, para retomar a definição de Montesquieu, uma lei de natura, contra a qual a lei da razão nada pode. Esta lei de natura concretiza-se no instinto, que não é algo que possamos negar. Negá-lo, como fizeram tantos moralistas e psicólogos, antes de Freud, é abrir a via dos desregulamentos psíquicos, porque todo o comportamento se ressente do facto de não estar apoiado na lei natural.

Esta querela entre natureza e razão, que de resto sempre foi uma falsa questão, é responsável pela cegueira desta sociedade que, ao querer corrigir o instinto, cortou o ser humano daquilo que era a sua natureza.

A verdade é que o instinto não se corrige. Sublima-se, transcende-se, e isso graças a uma razão que o dirige, mas que em caso algum o deve encerrar em limites estreitos e negá-lo. E o instinto assusta, porque é forte e porque é inelutável. Este estudo sistemático do princípio feminino na cultura celta tem pelo menos o mérito de trazer à luz da consciência a ideia de que o instinto é primordial, no sentido etimológico do termo, que ele é necessário, que é um factor de progresso e de evolução.

Mas o instinto tem algo de selvagem, de “bárbaro”, mesmo. E é por aí que ele atinge a “grandiosidade”. Ele é o único motor dos nossos sentimentos, da nossa acção. E, tendo em conta os nossos hábitos morais, é por vezes difícil formulá-lo e olhá-lo de frente: a verdade choca-nos. Quando ousamos afirmar que todas as relações entre homens e mulheres, quaisquer que elas sejam (conjugais, filiais ou outras) são necessariamente relações incestuosas entre mãe e filho, atraímos as mais ásperas críticas e somos tidos por obcecados. E no entanto…

O homem é, com efeito, um ser incompleto e tem consciência disso. O seu medo e a sua atracção pelo abismo negro (o nada de onde provém), o seu medo e a sua vertigem diante da morte (o nada que o espera) tornam-no um ser frágil que procura a segurança a todo o custo. Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher. Mas o homem, física e afectivamente, possui um meio de reentrar, pelo menos provisoriamente, na mãe. Não é preciso insistir: qualquer tendência da psicanálise já esclareceu suficientemente bem que o pénis, pequena parte do homem, mas uma parte exterior e susceptível de aumentar, constitui o substituto do próprio homem. Ele pode, portanto, em certas ocasiões, reactualizar de modo fantasmagórico o regresso ao paraíso que a mãe representa.

E toda a mulher é uma mãe, real ou potencial. O homem está portanto biologicamente sujeito à mulher, quer ele queira, quer não. Ele é o conteúdo, enquanto a mulher é o continente: isso constitui um estado de inferioridade muito óbvio para o homem e ele passará depois todo o seu tempo a negar tal realidade para provar a si próprio que é superior. É assim que se explica a acção masculina, o facto dos homens serem dotados para a acção, para a violência e o combate. Esta acção é o único meio que lhes resta para tentarem afirmar-se.

E se o homem é o conteúdo, portanto um ser inferior, ele arroga-se o direito dum ser superior, mostrando que a sua força activa é a única capaz de proteger a espécie.
Até conseguiu persuadir a própria mulher dessa superioridade, simbolizada pelo reconhecimento do pénis do rapazinho no momento do nascimento, feito pela mãe ou por qualquer outra mulher que ajude no parto. O famoso grito: “É um rapaz!”, repetido geração após geração, é bastante eloquente a esse respeito. Quando nasce uma rapariga, aceita-se; mas quando nasce um rapaz, rejubila-se.
No entanto, o continente, a mãe, que é o mesmo que dizer a mulher , é a própria realização do Paraíso. Ela realiza-o sob dois aspectos duma mesma realidade: ela contém o filho e o amante. De resto, como alguns psicanalistas já referiram, a vagina da rapariga não é reconhecida pela mãe, nem pelo pai, no momento do nascimento. Tal reconhecimento far-se-á, no entanto, um dia, e será o homem a efectuá-lo. Assim, para se afirmar, para tomar consciência de quem é e sobretudo do seu poder, a mulher precisa do homem. Traduzido em linguagem mitológica dá: o homem precisa duma deusa, mas a deusa precisa do homem. É esta a razão pela qual se perpetuaram, sob formas diversas, os antigos cultos da divindade feminina.

Na cultura celta, vimo-la sob os seus diferentes aspectos, ou melhor, sob as diferentes máscaras que os homens lhe atribuíram. Todos os nomes que lhe foram dados, entretanto, não nos devem fazer esquecer que se trata dum ser único, da mãe primordial, da primitiva deusa, da grande rainha dos começos.

Jean Markale, “La Femme Celte”, Petite Bibliothèque Payot