"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quarta-feira, maio 20, 2015

A MEDITAÇÃO



A meditação não cura doenças, nem resolve problemas psíquicos ou físicos...como vulgarmente se pretende, nem é uma mentalização qualquer (como a meditação guiada) ou o recitar de mantras ou um olhar fixo para uma vela!

A Meditação é uma concentração, um FOCO (um fogo) em algo inatingível pela mente, incompreensível ao intelecto...e pertence a uma parte de nós que é nuclear e sejamos nós quem formos ou o grau da nossa inteligência ou educação, cultura, nível económico ou espiritual...em nada interfere senão com a Alma e o Ser que está para além de tudo isso.

E meditando, o que fortalecemos é essa parte de nós que é interna e eterna e que não é influenciada pela mente nem pelo físico, nem pelos nossos sentidos, mas que é o nosso centro energético (consciência pura, não sei) e se esse centro estiver acordado e nós firmes e centradas nele, tudo o que nos afecta na superfície do nosso ser é atenuado pela consciência de algo superior, acima, para lá das nossas circunstâncias de vida, mas não nos tira nem os problemas aqui, nem os conflitos psíquicos...apenas alivia eleva o espírito e relativiza tudo isso que se passa fora e dentro de nós, se nos mantivermos focadas nele...e mantivermos essa consciência da Consciência.
É como alguém dizia: nós caímos na mesma, mas em chão acolchoado...o sofrimento é atenuado...

A ideia de que a meditação é uma terapia, ou que age sobre as questões físicas e psíquicas e as resolve, em parte pode ser verdade, como se dizia em cima, atenua a dor, mas para mim esta ideia da meditação ser paliativo ou cura é errada, desvia do caminho do ser e do sentido último.
Meditar é como o Respirar...respirar fundo não nos cura, mas alivia e sobretudo faz-nos viver ou permite-nos viver ligadas à essência da vida...
SIM, RESPIRAR FUNDO pode até equilibrar os chakras e outros centros nervosos talvez, activar a pineal, como dizem, pode minimizar a dor, mas não nos salva dos conflitos da psique nem dos problemas humanos que criamos na prática em acções diárias, as nossas escolhas, os nossos sentimentos, o que não resolvemos, etc. se nós não fizermos nada por isso.

A vida em si, essa essência é uma coisa, e as circunstâncias da vida, a nossa pequena história pessoal, é outra...não confundamos uma coisa com a outra!
Temos de viver dentro desta realidade dos 5 sentidos e compreender qual é o nosso papel na cena...mas saber que há mais para ser vivido!Temos inclusive que trabalhar para “viver” - só isso é um drama ...Nós somos quase todos/as ainda escravos do dinheiro, quer o tenhamos ou não...

Também há sentimentos, emoções  ou paixões que nos aprisionam e mantêm escravas/os deles. Andamos por vezes uma vida inteira a volta de um circulo viciado, e nunca saímos dele...
Há ainda a fome e o desejo, há as necessidades do corpo...do sexo, mas há sobretudo o medo da doença, da morte e a inconsciência total do sentido profundo da vida, e do milagre da nossa existência - a absoluta e incrível arquitectura deste corpo magnífico...que nós usamos sem saber quem somos e o que somos...
Ignoramos a nossa majestade como seres, a nossa grandeza, e que o ferimos e matamos e o usamos como se fosse nosso e o tivéssemos garantido...e contudo...não nos pertence.
Essa é a nossa miséria...

Uma coisa é a busca, o encontro, o suspiro, o conforto ...
Outra é a alienação em relação a si, ou ao somos todos UM.

Talvez essa ignorância de quem somos, e do nosso valor intrínseco como SERES HUMANOS, seja a fonte de todo o nosso desequilíbrio, nomeadamente nós mulheres, afastadas da nossa essência e força vital, há séculos...


rosaleonorpedro

republicando 

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