"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

segunda-feira, maio 11, 2015

REFLEXÕES...


O AMOR DA MULHER É MAIS DO QUE "APEGO"...
E NÃO PODE SER NUNCA "RENÚNCIA"...


Há um dilema enorme entre a via do desapego, o da renuncia, pela busca de uma realização espiritual e uma consciência verdadeira e profunda da nossa humanidade, nomeadamente enquanto mulheres e face à nossa natureza instintiva ligada à Terra e à Lua...
Não há duvida que ser-se mulher e humana implica todos os valores negados pelos renunciantes da vida, no caminho do Pater, os homens, que almejam a libertação do terreno e do ctónico e fazem a apologia exclusiva do amor do Pai e do céu, negando o valor da encarnação e logo do corpo humano e da mulher que o concebe.
Precisamente por isso o homem pode seguir a via da renuncia porque para ele é fácil desapegar-se do amor da mulher e dos filhos porque ele não é Mãe... ele só te de abandonar o desejo sexual e a mulher como objecto de desejo - daí face à mulher que o atrai, considerarem os ascetas a mulher como um perigo e um mal para o homem porque o desvia desse caminho dito espiritual e de renuncia à carne; na verdade eu não creio que o homem, naturalmente tenha amor pelos filhos, amor esse a existir  é basicamente social e cultural, instigado pela igreja e pela família em nome do poder e do Nome do Pai, ou ainda do património e não natural. Como pode ser amor se o pai vende a filha ou a sacrifica aos seus heróis, como na Biblia?
Apesar da enorme confusão que se gera entre amor e apego, o homem pode por essa razão desvincular-se facilmente do amor humano tomando-o como mero apego, como anunciam várias correntes do ascetismo hindu,  pois ele não sente como a mulher os laços da carne e do sangue, na identificação epidérmica e celular do amor e do afecto pela criança como a mãe o filho/filha e  por isso ser-lhe indiferente ou inexistente a real dor da separação. Ele nõa sente esse amor que a mãe nutre pelo filho e cuja essência uma oitava acima é amor puro que só a mulher e a mãe conhece ...e esse legado ou realidade não é sequer admitida pelas vias ascéticas e ascensionais dos Mestres...ou antes, é mesmo negado e aviltado, tratado como mero apego. Assim Buda para realizar o Conhecimento abandonou a jovem mulher e o filho em nome da Humanidade sofredora...
Perante estas evidências não duvido que a mulher tem um outro caminho e destino espiritual que é na verdade Ser MULHER, ser e viver a Deusa em si, ser mãe e ser amante, iniciadora do amor do homem que a nega e assim nega a Natureza e vida como mistério na Terra.
O amor para a mulher é mais do que simples procriação, libido ou desejo imperativo de vida...mas uma finalidade em si, ser em si. Contudo, dada a aculturação a que a mulher foi sujeita pela sociedade patriarcal que assim a vitimou e denigriu e a culpou da Queda e do mal do homem, ela precisa antes de tudo recuperar a sua natureza primordial da qual foi afastada e resgatar a sua magia e poder de ser inteira...e mesmo que não seja mãe, nem amante,  ELA É SEMPRE A MÃE  E A AMANTE, PORQUE A DEUSA NA TERRA...não precisa de encontrar deus para nada...
rlp

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