terça-feira, junho 09, 2015

A MULHER MENTAL


SOBRE A ENTREVISTA DA CAMILLA PAGLIA

Dizer que as mulheres sufocam os homens quando são os homens que sufocaram e calaram as mulheres (desde Cassandra votada ao descrédito por Apolo) durante milénios etc. e ser esse o apanágio da sociedade e cultura patriarcal é uma loucura e uma alienação completa...aqui vemos como muitas mulheres intelectuais, filósofas, ensaístas e escritoras que vivem apenas no pleno do pensamento cartesiano e são só mentais usam apenas a logica e o seu pensamento para projectar a realidade que só é real na sua cabeça...e também podemos ver como o mundo é idealizado e falseado a partir de ideias e premissas baseadas no conhecimento racional do mundo a partir dos cinco sentido apenas. O mundo que pensa a forma e o ter como referência máxima e não o SER ontológico.
Eu penso logo sou....
Em toda esta entrevista a autora nega completamente a essência feminina que desconhece em si - posso afirmá-lo sem medo - e defende um feminino-masculino (através do seu pensamento académico desenvolvido sobretudo a partir do hemisfério cerebral masculino= esquerdo), e todo o seu discurso se baseia na logica e na razão e não vai além disso e portanto trata-se de uma mulher-homem, sem acesso ao hemisfério direito...intuição-instintivo...por assim dizer, embora os dois se interconectem, claro, porque ela é a mulher-produto de séculos de patriarcalismo-cultura de dominio do principio masculino (yang) em todas as frentes e confunde o feminismo que acusa ou é contra e nisso há até coisas que diz com as quais eu concordo, mas que nada tem a ver com a feminino essencial que ela não entende, ou nem sonha o que seja a Mulher Integral.

Este feminino de que ela fala é o da mulher exterior apenas corpo ou a histérica que corresponde à mulher cindida entre "a santa e a puta" que o homem dividiu e fabricou - através de  filósofos psicólogos, sexologos, ideólogos etc. - e nós sabemos que a mera perspectiva exterior do mundo através da visão politica e social que é materialista; a visão do mundo económico e financeiro e do sistema actual é só mental-intelectual-maerial e nada tem ou percepciona do mundo metafisico e do mundo espiritual como real e plausível - e apensa ainda admite como ideia fora de si as religiões de um deus/deusa absurdo e fora de nós - e por isso o "feminino sagrado" e o lado oculto ou transcendente do ser passa-lhes ao lado o que nos pode confundir e muito.

Esta ensaista e escritora, como intelectual e académica, percepciona o mundo do ponto de vista dos 5 sentidos e da mente racional lógica. O mundo para lá do universo pensante e bem pensante das escolas literárias e filosofias que nada tem a ver com as Escolas dos Mistérios antigas, com as iniciações e a verdadeira espiritualidade, como bem sabemos, não a entendem e classificam de coisa abstrata, não dá margem a pensar ou a sentir o mundo para lá do visível ou do palpável e do dito científico, o está "provado cientificamente". Assim, para mim é obvio que ela não tem acesso à experiência interior e subjectiva do ser mulher em si e nada sabe dessa Mulher ancestral (sabe-a teoricamente) que nos habita celularmente e que vive em nós para lá da mente e se manifesta ...através do coração inteligente e da emoção pura, a intuição e a mediunidade...ela não vê que essa mulher ancestral que era a MULHER verdadeira deixou de existir há muito e que quase nenhuma mulher conhece neste Sistema falocrático, como ela tão bem vê, todo ele é masculino e que dividiu a mulher em duas...
Sendo dominante nas nossas sociedades o principio masculino é impossivel como ela afirma dizer que as mulheres hoje tenham vencido e menos ainda que as mulheres estejam a sufocar os homens, coitados - e a anulá-los e falar desse suposto feminino não é falar da Mulher real, mas da mulher que é construção do homem e o homem sufocou e moldou...portanto tudo isto é um discurso que nada tem a ver com o domínio do nosso objecto - encontrar a mulher integral em nós - e sim o discurso da mulher dentro do Sistema falocrático. Embora goste da sua enterpretação histórica e visão global do mundo em que vivemos todas/os e da cultura que nos marca e da qual que não podemos negar as suas influências, mas não aprecio de forma alguma a sua visão da mulher que ela afinal não é...nem conhece, daí esta enorme confusão.
Todas estas mulheres acabam por ser "inimigas" do processo de integração das duas mulheres em nós e nisso reside o perigo maior de lhes darmos crédito se não estivermos atentas...e conscientes de como o patriarcado estende as suas armadilhas através dos seus arautos/as do conhecimento...

rosaleonorpedro


DEIXO PARTE DA ENTREVISTA A CAMILLE PAGLIA E AS SUAS CONFUSAS E ABSURDAS RESPOSTAS - apesar de alguns pontos coincidirem com os meus, e estar em parte de acordo com outros, a pergunta aqui é: EM QUE MUNDO ESTA MULHER VIVE?

"E ainda há a questão não resolvida de como conciliar carreira e vida pessoal. Por que isso continua a ser um sofrimento?
O feminismo cometeu o engano de tentar reduzir a vida feminina às conquistas profissionais. Uma coisa é exigir que se retirem as barreiras para o avanço social das mulheres e que se ofereçam a elas oportunidades, promoções, salário etc. Outra é supor que essas conquistas suprirão as demandas da vida pessoal – não suprirão.
Questões pessoais são de uma natureza diferente das profissionais: têm a ver com sexo, procriação e viver a vida. Essas feministas anglo-americanas dos anos 60 têm uma visão mecânica do que é viver. Há ainda um grande problema com o sistema de carreira moderno.
O modo de progredir profissionalmente faz com que seja difícil para elas lidar com os homens em pé de igualdade. A mulher precisa ter uma vida dupla: ser ambiciosa e dominadora no escritório, mas adaptar-se em casa para ser sexualmente desejada e emocionalmente carinhosa.
Minha prioridade sempre foi esta: temos de parar de culpar os homens e começar a olhar o sistema e as mudanças ocorridas no trabalho e nos lares no último século.
Quais seriam as transformações mais significativas?
Uma das que mais merecem atenção é o isolamento feminino. As pessoas amam ter privacidade, ter sua própria casa. O resultado disso é uma quantidade tremenda de trabalho doméstico que recai sobre as mulheres e do qual elas têm de dar conta sem a ajuda de outras mulheres.
Não muito tempo atrás, as pessoas viviam em uma espécie de tribo, em que umas olhavam pelas outras. Minha mãe se lembra disso em sua infância na Itália. As mulheres reuniam-se, pegavam suas crianças e iam lavar roupa nas pedras. Havia uma comunidade de mulheres, uma vida social construída a partir dessas atividades.
Hoje estamos muito felizes com as nossas máquinas de lavar e secar, mas o que isso significa? Isolamento total! A mulher está isolada, desconectada do mundo feminino. Quando você é parte de um grupo, você sabe quem você é, não precisa ir descobrir.
Recentemente, a senhora foi criticada por declarar que as mulheres deveriam pensar melhor no que vestem para não ficar tão vulneráveis. O que quis dizer?
Eu apoio totalmente as mulheres que se vestem de maneira sexy. Mas quem faz isso tem de compreender que sinais está enviando. Quando disse isso, estava me referindo às garotas americanas brancas de classe alta, que frequentaram as melhores universidades e terão os melhores empregos. Elas usam roupas sexy, mas seu corpo está morto, sua mente está morta. Elas nem entendem o que estão vestindo.
Por que esse diagnóstico se restringe às americanas?
Sex and the city: "Quando eu vou a Nova York vejo essas mulheres nas ruas: bem cuidadas, lindas, bem-sucedidas, graduadas em Harvard, Yale e... tediosas!" (Foto: reprodução)Mulheres na Itália, França, Espanha, Brasil e outros países da América do Sul comunicam melhor sua sexualidade, estão mais confortáveis com seu corpo. Afro-ame­ricanas também sabem fazer isso. Mas as mulheres americanas brancas que estão cursando as melhores universidades… oh! Bom, você deve se lembrar de Sex and the City. Elas são espertas e ambiciosas, mas vivem uma situação em que fazem sexo com uma incrível quantidade de homens e de repente é o homem quem escolhe com quem vai ficar e quando é a hora de casar. E, quando resolvem casar, querem as de 20 anos. É muito difícil. Antigamente não se fazia sexo antes de casar. Mas hoje… as mulheres são tediosas.
Tediosas?
Quando eu vou a Nova York vejo essas mulheres nas ruas: bem cuidadas, lindas, bem-sucedidas, graduadas em Harvard, Yale e… tediosas! Te-di-o-sas. Não têm nenhuma mística erótica. Acho que o número de homens gays vem aumentando porque os homens são mais interessantes do que as mulheres.
Onde elas deveriam buscar a felicidade?
Bem, achar que as mulheres profissionalmente bem-sucedidas são o ponto máximo da raça humana é ridículo. Vejo tantas delas sem filhos porque acreditaram que podiam ter tudo: ser bem-sucedidas e mães aos 40 anos. Minha geração inteira deu de cara com a parede. Quando chegarmos aos 70, 80 anos, acredito que a felicidade não estará com as ricas e poderosas, mas com as mulheres de classe média que conseguiram produzir grandes famílias."

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