"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, agosto 14, 2015

ACERTAR O ALVO...



O FEMININO COMO PRINCÍPIO

No resgate da mulher essencial creio que está a espiritualidade da mulher ligada a Terra e não ao céu nem ao caminho do homem e ao seu deus. Presumo que na totalidade da mulher quando integrada ela possa aceder à sua dimensão espiritual em si mesma que consiste em ligar a terra ao Céu - ela é a grande mediadora das forças cósmica e telúricas - e não abandonar a terra e fugir para o céu...como todas as religiões a induzem. Essa é a diferença...
As mulheres que abandonam a sua essência primeva e original (Lilith) como mulheres submissas (Eva) para subir aos céus ou à montanha com o homem e o servir não acedem à sua dimensão interior, ao conhecimento do Útero que a liga à Lua e ao Sangue e ela assim trai a sua herança materna sendo fiel ao Pai e anulando-se para servir o homem e o senhor!

A Mulher liga a Terra ao Céu e cumpre-se a função do Céu aqui na terra - mas a ligação e propósito da mulher é na Terra e a via da mulher é completamente diferente da do homem que nega a Terra e a Mulher para se "elevar " aos céus - o que está errado, pois também ele se deve ligar à terra através da mulher e cumprir aqui o seu papel e destino encarnatório. O Céu pode esperar - é para onde iremos TODOS E TODAS...mas não antes de o SER HUMANO no seu conjunto e de per se realizar a Obra alquímica e integrar os lados opostos e complementares - só que o desvio do patriarcado para o céu, o homem deixou de viver na terra e a mulher deixou de ser mulher...

A mulher e o homem têm um mesmo propósito como individuos no aspecto espiritual que é realizar a sua individualidade, a um nivel superior, na sua solidão - saber o porque desta vida -, mas o mito do amor romântico (ou não) mantem-nos a nós mulheres no vazio de nós mesmas (tanto o homem como a mulher) à procura de um complemento fora seja do amante seja do filho. Cada ser humano nasce e morre só. Não há finalidade no outro, no amado...ou na amada - amante ou filho/a...Há funções e papéis desempenhados e há responsabilidades nesta vida...mas o propósito último é seguir só...mas este não é o tema que estamos a tratar aqui nem o caminho da mulher para si, que independentemente de ser mãe ou amante, ela tem de resgatar o seu feminino ontológico antes de se encontrar face à sua espiritualidade. Isto é o que eu penso.

Tudo está no Ser Humano..."mas o véu das nossas rotinas e preconceitos, as nossas ambições, a nossa vontade personalística, as nossas repugnâncias e gostos particulares, a vaidade da nossa ciência racional", impedem-nos de ver o essencial e como esse véu espesso da mente nos impede da simplicidade e transparência de ouvir o nosso coração e não o nosso ego...
É no nosso coração que tudo faz sentido!

 rleonorpedro

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