"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sábado, novembro 28, 2015

A CONSCIÊNCIA DE SI



CONSCIÊNCIA E SOMBRA...


Uma das coisas fundamentais para se entrar num processo de evolução da consciência, qualquer que ele seja, é preciso entender a essência do ser e não deixar que o Ego e a susceptibilidade, os complexos e medos  se entreponham nele...

Ninguém inicia um caminho interior ou exterior de consciência de si sem que se proponha primeiro despojar do seu Ego, da máscara, da couraça, sobretudo se este for inflacionado por uma ideia ou imagem baseada em crenças, grandes ideias, utopias, e velhos moralismos...
Há muitos processos e métodos que nos prometem vias muito certinhas, como o equilibrar os chakras, equilibrar as emoções, meios de caminhar "seguras e positivas", que passam por caminhos de construção e correcção dos nossos sentimentos negativos, das nossas feridas e bloqueios etc. Mas qualquer caminho ou método que não desconstrua primeiro e não nos faça ver os defeitos ou os saliente, que não nos mostre os porquês das nossas dores ou toque nas nossas feridas mais profundas...não são senão o tapar ou o encobrir do que nos afecta e perturba, e só servem de anestésicos ou remédios, que atacam os sintomas, mas nunca curam...

Há sempre que saber lidar com a nossa Sombra...e fugir a ela é catastrófico...Tanto a nível individual como colectivo.
Não são as guerras uma irrupção brutal do inconsciente colectivo que emerge e se solta colocando-se do aldo do bem contra o mal e vice-versa por parte de seres totalmente ignorantes da sua dualidade humana como o são os lideres religiosos e os militares de carreira ou os poderosos que apenas se interessam com o lucro, mesmo a custo das vidas humanas, como é o caso dos banqueiros? 

Penso que as mulheres poderiam fazer a diferença uma vez conscientes do seu ser instintivo e por isso seria desejável que cada vez mais, mais mulheres pudessem tomar consciência de si como um ser total, que percebessem que lidam apenas com partes fragmentadas de si, e evocar a imagem da Mulher primordial, uma mulher não cindida em duas, dividida em estereótipos e sair de vez de todas estas abordagens de pacote e de fim de semana "new age" que por aí proliferam e que não são mais do que tentativas de a voltar a manipular através de métodos ditos “espirituais”, todos muito certinhos e “dignificantes” da condição da mulher “BOAZINHA E PURA”, sempre seráfica e doce, obediente, em que se busca apenas controlar e educar as emoções da mulher genuina que desperta, a mulher profunda e selvagem,  e libertar  a  mulher renegada pelos preconceitos atávicos, de acordo com um propósito, que quanto a mim foi e é mais uma vez o de alienar a mulher de si mesma e da sua psique ancestral e a impedir de seguir um caminho próprio de que a afastaram há milénios os patriarcas do deserto….
(...)
rosaleonorpedro

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