segunda-feira, agosto 31, 2015

A MULHER INTEIRA....


A TODAS AS MULHERES ÁRABES...

LE RETOUR DE LILITH


"Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.
Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.
Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche."


JOUMANA HADDAD - POETISA LIBANESA

O PAR AMOROSO


QUE MULHER E QUE HOMEM IDEALIZAMOS?

CLARIFICANDO...


Muitas vezes quando abordo a questão da mulher inteira ou integral...da mulher que se completa em si, sem querer isso pode levar-vos a pensar que eu rejeito o homem e a entender mal a questão do par amoroso...como se eu pretendesse negar o par amoroso ou que a mulher devesse ficar sozinha. Já tem acontecido aqui esse equivoco. Mas não. A minha questão é bem outra. É a mulher ser inteira primeiro para se bastar a si mesma e não projectar a sua falta de si como Mulher essência e forte que devia ser mas, que sem centro, centra-se no homem, o que a leva a idealizá-lo em vez de o reconhecer na sua realidade tal como ele é e a sua masculinidade.

O homem idealizou a mulher e a mulher idealiza o homem...
A mulher tornou-se numa imagem travestiada do homem para lhe agradar e o homem nunca é o que a mulher sonha, o tal Príncipe de encantar...e desencontram-se completamente quer na sexualidade quer  nas emoções, quer na espiritualidade. Homens e mulheres estão de costas um para o outro e já nada do que dizem e fazem concerne um e outro na sua essência masculina  e feminina porque se projectaram milhares de estereótipos um sobre o outro...e nenhum é verdadeiro.

Onde está o homem real?
Onde está a mulher real?

NÃO falo do homem nem pelo homem em geral, mas da mulher sei e digo que ela idealiza um homem... feminino...e  embora hajam mulheres que gostam de homens viris e fortes e duros etc. para se sentirem protegidas,  as outras gostam dos homens frágeis para se sentirem compreendidas e aceites e nenhuma delas está certa...A mulher devia ter a sua integridade restabelecida e saber de si - das suas partes divididas entre a santa e a vadia...- e ao integrá-las de forma consciente tornar-se e ser independente...porque doutra maneira é ela que projectando-se no homem ideal ela se torna dependente dele e lhe entrega o seu poder e a sua liberdade de ser quem é, diz  "ao amor" mas só  cria o equivoco e vive de ilusão em desilusão até ao fim da sua vida.

O homem não é o que a mulher sonha...menos ainda este homem patriarcal. No entanto ela vai ter de lidar com ele. O drama é que ela não sabe quem ela é... nem sonha  do seu poder interior, intrínseco, da sua Mulher interna, a mulher que sabe e se que liga ás forças telúricas e da natureza - ela vive apenas na mente e no intelecto e do que aprendeu na escola que a deforma, - a mulher sofre de uma total aculturação do seu ser essencial - e por isso esqueceu quem é realmente e que podia ser auto-suficiente se se conhecesse a si própria e depois então sim, ela podia enfrentar e escolher o homem real e ser capaz de se distanciar dessa dependência, pela sua integridade e autonomia como mulher, e exigir dele o respeito e o amor, compreensão e afecto que merece; não já como filha, não já como mulher carente, como a menina frágil ou mulher inconsequente...como é normalmente o caso...nem como a mulher travesti (a mulher fatal ou a prostituta...) que o homem idealizou e usa e deita fora...e esta é que é a verdadeira questão da Mulher integral e "empoderada" que eu trato aqui.

É dessa mulher que eu falo...e que gostaria que me entendessem quando falo da liberdade e independência da mulher. Uma mulher com os OVÁRIOS NO SÍTIO E O ÚTERO A FUNCIONAR EM PLENO...
rlp

domingo, agosto 30, 2015

OS MITOS DO PASSADO E OS DE HOJE



REFLEXÕES AMARGAS...


Não sei bem onde ou como escrever isto...mas talvez  eu possa confessar a minha perplexidade diante da fantasia persistente das mulheres...em se deixarem iludir pelo mito romântico do amor...seja com o Príncipe encantado seja com As 50 sombras de gray...e como as coisas alusivas a esses mitos, o do passado e o moderno, o sonho de serem amadas e compreendidas por um homem sensível e doce (como li hoje), mesmo que sejam maltratadas...as motiva e aprisiona no sonho. Mesmo algumas mulheres que se creem mais conscientes, com algum trabalho feito a nível psicológico, caiem na esparrela - eu vejo isso - e vejo como fogem para o sonho e como essa ilusão as toma e prende por completo. Vejo a forma como se deixam enganar pelo lado cor-de-rosa da vida, a todos os níveis e preferem a teoria e as promessas a uma realidade dolorosa e assim  continuam a projectar os sonhos e as ilusões ainda, seja no campo meramente romântico seja o das canalizações, com anjos e arcanjos  e os mundos paralelos que as salvam deste mundo e propagam as suas fantasias e mentiras...as pequenas e grandes mentiras com que mascaram as suas escolhas cobardes de não serem MULHERES em si e saberem se bastar...
E vejo como se projectam nesse homem ideal ou se agarram a esse pseudo mundo dito espiritual, de guias e facilitadores...que as exploram e manipulam e como preferem seguir vias utópicas e religiosas e os mestres, a serem elas mesmas e autênticas e sinceras... porque isso dá muito trabalho e é preciso ir ao fundo da Sombra e das suas misérias e contradições; preferem iludir-se e negar-se a si mesmas como mulheres, porque não querem ver o outro lado de si mesmas e pois  para isso é precisa muita coragem, muita honestidade. E elas preferem continuar a  ser as  crianças e as filhas do papá...
 

Assim, É quase impossível lutar contra o mito do Deus, do Pai e do Homem salvador...

Claro, eu é que sou velha e céptica, bruxa e má...porque já não me acalentam sonhos mas, penso... talvez não tenha o direito de destruir os sonhos das outras mulheres ...e é isso que hoje acabo por me perguntar:  Para quê consciencializar, alertar ou dizer as coisas que não querem ver nem ouvir?

Para quê fazer este papel tão ingrato ...não será que tudo isso faz parte da vida...sonhar e ter ilusões, amar e odiar e ter ciúmes e cair e levantar e perdoar etc?
Cair nas armadilhas da vida, viver os altos e baixos e aprender por conta própria?
Sim, é verdade, mas eu vejo também que o ciclo é vicioso e a mulher repete esse erro a vida inteira sem saída...mas qual é de facto a saída para a mulher que foi educada e formatada para ser preenchida pelo homem e pelos filhos? Que só conhece uma forma de ser que é ser em função dos outros? Que solução há para a Mulher que quer ser ela mesma e encontrar-se se ela não consegue despegar-se do sonho e da ilusão que a mantem viva?
É isto um paradoxo ou o contrassenso? Ser livre e não ter amor...ou ter amor e não ser livre...será que o amor não é compatível com a nossa liberdade? Saberemos nós amar? E o que é o amor? Como amamos nós...
 

E ser só? É difícil ser-se só e não ter filhos nem netos - mas afinal qual é o propósito da vida em si...? Da mulher é só ter marido e ter filhos e netos...? ou enfim ter uma profissão e um estatuto qualquer...Mas ser só um individuo, ou ser inteira  e ser ELA MESMA não sabe o que isso é...
Será que a Mulher não se basta, que a Mulher não sabe ser em si completa e como uma deficiente busca a "bengala", o suporte  para andar num mundo que a não aceita senão assim, carente, doente, metade de si ou como que deficiente e chama a isso "amor", sem nenhum amor por si mesma?

Como vêm não é fácil sair deste labirinto...
 
Hoje acordei assim...muito céptica mesmo...
rlp

Apetece-me chorar por tudo...





"Sou uma Mulher do Deserto. Uma Mulher esguia e pálida rosada; longos cílios e cabelos. Apetece-me chorar, a rodos. Não sei bem o que chorar! Apetece-me chorar por tudo. Sou uma Mulher. Uma Senhorinha, putinha - santinha o quanto baste! Não me esqueço, do Deserto. Dizem que cheiro a Flor de Enxofre. Sou esta Vestal de Ocre. As Serpentes enchem-me o corpo, dançam-me e seus olhos fosforescentes cospem-me amor, amor e amor. "


NãoSouEuéaOutra in «caio em mim»

quarta-feira, agosto 26, 2015

Há tanta Solidão na Alma de uma Mulher





« Há tanta Solidão na Alma de uma Mulher. Há uma Injustiça que elas nem sabem. Jogo Puro nas mãos dos homens, que fazem o baloiço da Vida. Mestres do disfarce, Egocêntricos e Individualistas. Regem-se por Leis que destroem o núcleo da Vida selvagem da Mulher. Inventam uma mulher que não existe, desconstroem o que constroem pelo prazer de mortificar a carne das almas mulheres. Não são bons Pastores quando o assunto é Mulher... eles são a serpente do inferno, que rodeiam com avidez e sede o colo de uma Mulher para lhes extrair a força para o alimento da sua vida. Apenas querem companhia. Nada dão, e tudo o que derem é apenas um contrato na cabeça deles, para possuírem  melhor a mulher-presa. São o último reduto dos homens infantis que nunca cresceram para o Amor Real de uma Mulher. Eles inventam histórias, são mentirosos por natureza, são cúmplices da mentira em si mesmo... idolatram a mentira e são corrompidos... as suas almas são corruptas, sempre o foram só que dissimularam...  quando destroem uma mulher, quando a tentam possuir!!! Os Homens são filhos do céu destruidor, basta olharmos a mitologia e perceber a grande rudeza e avidez do seu império psicológico... eles nasceram para fazer enegrecer as flores. Raros são os grandes de Alma; raros são os que mantém-se elevados e com dignidade e responsabilidade no trato correcto com uma Mulher quando os seus interesses são postos em causa, ou, encontram o seu interesse, ou seja, o baú (sempre desprezam e maltratam quem lhes indicou o caminho)... raros são os que respeitam a Liberdade de uma Mulher. Mais raros, são os que realmente Amam com o Coração e fazem uma Mulher crescer como pessoa e Alma, porque na maioria das vezes, eles destroem para eles ganharem Poder que só por si mesmos não teriam ou conseguiriam. Isto acaba por revelar que um Homem não se faz sozinho!! A Ilusão é crer que ele se faz... ele é um parasita que deixa a mulher de lado e pouco se importa... ele apenas se abastece. A Mulher não lhe interessa genuinamente. Raros são os que de facto escolhem em Plena Lucidez aquela que amam. Quando um Homem parir mesmo um ser humano, ele vai saber. Uma Mulher não precisa de parir, ela já sabe, basta ser Mulher!!!... »

Crónicas do Desconcerto. 
NãoSouEuéaOutra

O QUE É UMA MULHER

 
 
O QUE É UMA MULHER? 

(resposta a uma pergunta de uma leitora...)

Uma Mulher É se for uma mulher INTEGRADA, una em si,  e é-o  na medida do seu equilíbrio pessoal entre as partes que as constituem, corpo alma e espírito e  da harmonia do seu Ser enquanto Mulher  Consciente de Si como um todo...
...
 
UMA MULHER  SÓ  É MULHER-MULHER SE ...
 
Uma mulher integrada é cada mulher que tendo uma visão dos seus dois lados que se tornaram opostos na divisão das duas mulheres na sociedade patriarcal judaica ou cristã - a forma como ela é olhada secularmente como santa ou como puta - mas para quem essa divisão já não existe.

A mulher integrada é aquela que já não toma instintivamente o partido de nenhum modelo de si oposto ou antagónico aquele que ela representa socialmente em detrimento da "outra"...seja da puta seja da santa; porque é esta dicotomia da santa e da puta, esta alternância de valores atribuídos à partida a todas as mulheres que cria os estereótipos e as suas extensões, o que mais divide ainda as mulheres no mundo e assim, mesmo as que estão supostamente do lado da Deusa, podem defender o modelo da puta e vice versa...e o que se quer hoje é ...uma visão una e global das duas mulheres em nós e em simultâneo...e não ser uma nem a outra dentro dessa alternância...É não defender uma ideia ou a outra nem contrapor uma à outra...

Ser  Mulher É quando se tem consciência dos seus dois lados separadas mas já integrados, e portanto a mulher integral para mim é aquela que já não pende para nenhum dos lados, mas é apenas UMA em si mesma...
Ela é uma mulher inteira, ora sensual ora casta...ora sexual ora terna, ora mãe ora amante, ora instintiva ora lógica...ora furiosa ora afectiva...Mas já sem clivagens...entre esses dois aspectos fundamentais que foram divididos na sua psique, como qualidades opostas e antagónicas....só assim ela acede à totalidade da sua Alma e pode irradiar a experiência da Deusa...que engloba todas essas facetas. E ela luta pela integração dessas facetas em todas as mulheres.

Esse é o Seu Foco.
Ser una e sem divisão em si...

Para acabar com frases como esta: " O maior erro do homem é achar que uma mulher é santa ou é safada. Mal sabe ele que, na verdade, ela é as duas, mas na hora que ela quer..." - ou seja, ela é as duas sem cisão dentro de si e sem preconceitos e como ela quer, mas não em função do homem nem do que ele quer...

REPUBLICANDO
rlp

terça-feira, agosto 25, 2015

ISTO NÃO É ERÓTICO NEM POÉTICO...

 MAS MORRE ASSASSINADA...

Às vezes penso...

Se as mulheres soubessem a força que têm dentro de si e se unissem em vez de se agredirem e dividirem ...se fossem para lá das ideias ideologias e das crenças, o que não fariam no mundo...
Mas o que temos são por um lado quase todas essas mulheres executivas, policias, mulheres homens, mulheres capatazes, mulheres de poder invertido, mulheres vendidas ao Sistema, que vendem o corpo e a alma e por outro lado temos as mulheres dos cultos do passado que seguem ainda os padres das Igrejas várias,  ou as que andam por ai divididas e em grupos, cada uma defendendo a sua capelinha da deusa  e o seu circulo "sagrado",  a defender e a vender os seus produtos, as suas ideias, os seus projectos e as suas actividades. Afinal de contas a maioria dessas mulheres defendem pouco mais do que os seus egos...de artistas ou de curandeiras...a fingirem de xamas bruxas e sábias...ascendidas ou iluminadas.

ah sim como o mundo e a terra seriam diferentes se a irmandade das mulheres fosse uma realidade em todos os sentidos e não apenas uma convenção social, uma lei "democrática", ou então um novo ritual ou um novo mito, parte de uma história passada, ignorada da face da Terra... ou como seria a Terra  se elas não estivessem do  lado dos homens nas guerras e na farsa de uma igualdade...

Ah, penso, não consigo deixar de imaginar, como seria se houvesse uma só mulher de poder no mundo, senhora de si - capaz de apoiar outras mulheres, uma presidentA, capaz de confiar nas outras mulheres e dar-se por inteiro a essa causa; penso em como tantas mulheres sonharam ao apoiarem e confiarem na Dilma (presidente do Brasil) como se ela pudesse fazer a diferença, que não fez, mas creio que sim, creio o mundo poderia ser ainda salvo se as mulheres tivessem uma força activa e se unissem!
Mas não...a verdade é que as forças do Sistema fizeram de tal maneira que nenhum mulher de poder neste mundo nos pode ajudar ou defender as mulheres; eles fizeram tudo para  anular as mulheres na sua essência na sua natureza, para que os sirvam a eles sempre em primeiro lugar. Enquanto isso vão deixando matar as suas mães mulheres e filhas...  como nas guerras, se isto não é já uma guerra em curso, imparável...e uma prova disso é como o FEMINICIDIO - O ASSASSÍNIO DE MULHERES -  está a crescer em todo o mundo...

ONTEM MAIS UMA MULHER ESFAQUEADA (POR UM POLICIA...)

Nestes últimos dias foram esfaqueadas várias mulheres e mortas pelos ex-namorados e maridos...hoje um policia...
SE um agente da PSP - um polícia - esfaqueia a sua  ex-namorada, como pode uma mulher vitima de violência doméstica ou abusada ou agredida na rua ir queixar-se à Polícia?
A violência do homem contra a mulher é comum a todas as profissões e niveis sociais e económicos...e está a aumentar em Portugal e em Espanha.

A Mulher está cada dia mais em perigo de vida... esta violência agrava - se todos os dias e ninguém faz nada, porque o mal é endémico ao Sistema patriarcal - ele é inerente a uma cultura machista e falocrática - mas isto é branqueado. Podia haver uma policia feminina (?) para defender as mulheres, mas o Sistema não está interessado. 

AS ARMAS E AS FACAS SÃO UMA  EXTENSÃO DO FALOCRATISMO...
rlp
 

segunda-feira, agosto 24, 2015

AOS POUCOS..


SER VELHA E SÁBIA...
(E MODERNA....)

"Fomos reinventando-nos em cada etapa da vida.
Agora, nesta fase de mudança, acredito que chegou o momento de resgatar e redefinir o termo “anciã” entre as inúmeras palavras depreciativas que se utilizam para denominar as mulheres
maduras, e conseguir que a ação de a converter em “bruxa” seja uma suprema conquista interior característica da terceira fase da vida.

Converter-se numa anciã tem a ver com o desenvolvimento interior, e não com a aparência externa. Uma anciã é uma mulher que possui sabedoria, compaixão, humor, coragem e vitalidade. É consciente de si mesma, sabe expressar o que sabe e o que sente, e empreender uma determinada ação quando é necessário.
 
As qualidades da anciã não se adquirem da noite para o dia. Uma pessoa não se converte numa anciã automaticamente depois da menopausa, da mesma forma que não se torna mais sábia só porque envelheceu. Sem dúvida que muito antes da menopausa começamos a crescer psicológica e espiritualmente."


Jean Shinoda Bolem
(Analista Junguiana e escritora)

domingo, agosto 23, 2015

A suposta libertação sexual da mulher é uma nova escravidão...

IMPORTANTE ENTENDER...



ERA PRECISO ENTENDER POR RAZÕES PSIQUICAS E MORFOLÓGICAS QUE COM AS MULHERES O VIAGRA NÃO VAI VINGAR...mas a industria farmacêutica continua a querer dominar e a manipular as mulheres como a mais vasta e vulnerável massa consumidora de produtos farmacêuticos, seja em químicos e pilulas, seja em produtos de beleza ou nomeadamente produtos  de exploração da sua sexualidade...
Durante décadas as mulheres tomaram a pilula para não engravidar tomando às suas expensas todos os prejuízos possíveis para a sua saúde, sem qualquer consciência do perigo... que corriam e na correria ao que pensaram fosse a sua liberdade sexual e que mais não foi do que a liberdade dos homens usarem as mulheres com menos responsabilidade e sem as engravidar...
Só hoje sabemos os danos colaterais que a mulher sofreu com o uso da pilula e de como as doenças dai derivadas as consomem agora de uma maneira ou outra...sem que se responsabilize esta "ciência" que continua a usar a mulher como cobaia.
Sendo a mulher vulnerável ao desejo do homem como única razão de ser e ter valor...e pensando-se ela sempre a culpada - de não ter namorado ou casar ou ter um homem - ela aceitou, SEM SE QUESTIONAR, ser mais uma vez,  a cobaia experimental da industria farmacêutica. Ela vai usar para agradar...para continuar a ser usada...na fantasia sexual dos homens. E vai pagar o preço mais tarde..


A POBREZA DE ESPÍRITO DAS MULHERES...

Assim vai acontecer com este "Viagra" para mulheres...dada a sua ignorância de si mesmas, e mais tarde do que cedo veremos as mulheres destruídas por mais esta ficção do prazer completamente inconscientes do seu próprio prazer de mulheres e do valor do seu corpo ...
Por tudo isso é muito importante a mulher saber e todas termos consciência de que:

"A sexualidade feminina está fora da esfera operativa, como comprova a lubrificação vaginal eg, que pertence à esfera psicológica.
Esta também é uma demarcação entre a ontologia feminina e masculina: a sexualidade da mulher está no estímulo da mente, das emoções e dos sentimentos enquanto que a sexualidade do homem está na estimulação dos sentidos."*

rlp
*Ananda Krishna Lila

E NEM A PROPÓSITO CONVEM LEMBRAR...

QUE (...) "A revolução sexual se desvirtuou, não levou o ser humano à libertação, mas a um novo encadeamento, do encarceramento do pecado para a prisão do mercado.

Tal revolução ainda está por vir e a doença emocional ainda grassa por aí, se assim não fosse Reich não teria morrido na cadeia, nem Osho envenenado.
O corpo, antes objeto de pecado passou para objeto de mercado, mas ainda assim permanece objeto, não é parte da totalidade do ser, é coisa (objeto) possuída pelo ego, que ao ter parte de si tornada objeto se aliena de si mesmo, de sua totalidade e, portanto não pode ser feliz e completo.
(...)
Ser liberado sexualmente, dentro do paradigma vigente e doente, é não ter culpa para gozar dos prazeres do objeto de mercado no qual o corpo se tornou. Corpo dotado de extensões que do carrão, passam pelo dinheiro, chegam ao implante, todas como muletas do falocratismo.

A liberação sexual é a nova escravidão aos padrões impostos pelo mercado. A "liberação sexual" tornou o corpo da mulher um objeto que pode, por exemplo, ser amputado pela medicina oficial com facilidade, lhe arrancando útero, trompas, seios e glândulas sob a desculpa de prevenir certas doenças. Uma mulher que menstrua aos 50 é visto como abominação por certos médicos. O próprio homem não percebe que ele sempre foi um objeto também. Seu poder seminal que carrega em cada ejaculação o poder de repovoar países inteiros, se para cada espermatozóide houvesse um óvulo, não é se quer visto, dentro de uma perspectiva energética e de ecologia do habitat que é o corpo, como um enorme desperdício, para não dizer um genocídio seminal. Quando se fala nisso as pessoas nem se quer compreendem. Estão presas em certos paradigmas e se consideram liberadas.
E o mercado não pode atender as reais necessidades humanas por totalidade, porque o mercado trata tudo como objeto, objeto com uma finalidade: o lucro. Assim continuamos insatisfeitos, ansiando, ansiosos, neuróticos, consumindo pílulas, viagras, camisinhas, lubrificantes, antidepressivos e por aí vai.

Assim a maior dificuldade hoje nos relacionamentos é a capacidade de interagir sem usar o outro. Para tal é necessária uma sexualidade que destituída de culpa e também da idéia de objeto, veja a si mesma como uma expressão da totalidade humana que não se manifesta apenas no nível genital. A capacidade de prazer se estende por todo o corpo, por todos os corpos, por todos os chacras e se apresenta em sua totalidade como um êxtase que remete a um orgasmo universal. Para tal é preciso quebrar paradigmas relativos a expressão da sexualidade, aprender a concentrar, ampliar e potencializar a força vital que há em homens e mulheres."*

(...)
*Augusto Fernando in pistas do caminho

sábado, agosto 22, 2015

ME CHAMEM DE VELHA


SER VELHA

UM TEXTO MUITO LUCIDO publicado em 20/02/2012


"Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”.  Pensei: “roubaram a velhice”.  As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.
Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos, também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura, duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero viver a minha morte”.
Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma obviedade que não nos leva a lugar algum.  Que ninguém quer morrer, todo mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso medo sem que aprendamos nada que valha a pena.
 
A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e, nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor. Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha última chance de ser curiosa.
Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é perder valor.  Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na linguagem.
Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua.  O que fazem é arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta confiná-las e esvaziá-las também no idioma.
 
Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera, velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele que já foi. Velho é – e está.  Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar. Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos morrem porque não desistiram de viver.
Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um livro chamado “O idoso e o mar”?  Não. Como idoso o pescador não lutaria com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam...”.
Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.
Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem.  O tal do “espírito jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem estão falando.  Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.
Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos 20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero. Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.
Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências. Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos buscar.  É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.
Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo, testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto."
 
EPOCA (Eliane Brum escreve às segundas-feiras).de  em 2012 

sexta-feira, agosto 21, 2015

COISAS DE MULHERES...

A DUAS VOZES...


A NOSSA CEGUEIRA


"A cegueira psicológica é um manto de invisibilidade com que se cobrem actos ou factos que se cometem sobre os outros sem nenhum reconhecimento das consequências que produzem. (...) Algo como isto acontece às mulheres. Milénios a pensar que estas eram "coisas de mulheres" faz com que aceitemos automaticamente certos pontos de vista como a única realidade. A invisibilidade imposta, para as pessoas que as conseguiram quebrar e fazer um buraco na venda, produz uma grande impotência. Qualquer coisa que digamos é logo considerada exagerada, fazendo-te sentir uma fanática, incluindo que te fizeram uma lavagem ao cérebro."*

 

As "coisas de mulheres" - são tantas e tantas  as amarras à nossa liberdade de ser, tantos e tantos os epítetos com que nos marcaram e caluniaram; foram tantas as mentiras com que nos vendaram os olhos e nos levaram a crer da nossa impotência e fraqueza, da nossa inconsciência de ser e até o não termos alma - tantas e tantas coisas que pairam sobre a cabeça da mulher como uma Espada...a espada do patriarcado que corta cabeças e mata e destrói só por detruir, por vã gloria e despotismo e que assim destruiu a civilização do Cálice... o culto da Mãe  e apagou todos os vestígio de um poder e saber antigo inerente às mulheres de uma civilização que foi equalitária; foi assim que destruíram  o Oráculo de Delfos, que mataram a Piton e a Serpente...
São tantas e tantas as sombras que pairam sobre nós mulheres...tantos pesos e culpas...a própria Inquisição matou milhares de mulheres só por serem mulheres e serem belas e bruxas e adivinhas e parteiras e curandeiras...só por serem amantes e sensuais...
Mas o pior de tudo foi nós acreditarmos no seu Deus, na sua religião e mais tarde na cultura e arte do Homem na sua História como nossa e de onde andamos desaparecidas e omissas...
Sim,  o pior foi  nós termos dado crédito aos homens e aos seus livros e termos aprendido a lição repetidas séculos, de que não prestamos para nada e de não valermos nada sem eles e de que não somos seres capazes nem de prazer nem dignas de crédito...sem que eles sejam os mestres...
Nós acreditamos e demos vazão a esse credo - nós rezamos as mesmas avés marias e padres nossos que as nossas avós e mesmo que o não tenhamos feito de há alguns anos a esta parte, essas ladainhas  estão gravadas nas nossas células: "tu não prestas tu não és digna de deus...tu és pecaminosa e desvias o homem do seu grande propósito...Tu és insana e perversa, tu és culpada da Queda e levas os homens ao perjúrio e a abominação", te disseram os homens,  pais e padres - e se não te disseram a ti...disseram-no à tua avó e tu herdaste isso mesmo sem saber e foste marcada como a besta e sofres todos os dias a afronta de seres mulher só porque ÉS MULHER - mas tu mulher já não és mulher sequer - és uma imitação da mulher e tu não sabes o que é ser mulher inteira nem quem és tu por dentro nem como eram as tuas antepassadas antes desta destruição da Deusa e da Mãe e de como todas as mulheres foram crucificadas ao deus pai todo poderoso...e seu único filho...

Mas tu és a Mulher por descobrir por detrás de todas essas coisas de mulher ...
Tu és a mulher por encontrar dentro de ti própria e livre de todas essa canga...

Sim, há muitas coisas de mulheres que nos foram associadas como um fatalismo, como uma sina, como uma condenação...mil pequenas coisas que fizeram de nós escravas doentes e incapacitadas...cegas para nós mesmas...e outras tantas que nos convenceram que somos livres e emancipadas e que só nos condenaram ainda mais à servidão deste paradigma obsoleto que é o patriarcalismo onde impera o machismo e a misoginia mascarada de desprezo onde nunca será livre se não te conheceres a ti mesma e fores inteira... e senhora de ti mesma!

RLP

"Hay muchas cosas de mujeres: la menstruación, el histerismo, hablar de cocina, de la casa, de los niños. Es cosa de mujeres cuidarse de las cosas cotidianas que no tienen valor, la limpieza, las relaciones, el ambiente emocional. Es cosa de mujeres tener miedo a la violación, a salir sola por las noches, a lo qué dirán si vistes demasiado provocativa, o como una monja, si eres estrecha o si eres una zorra. Es cosa de mujeres defenderse del acoso, del maltrato de pareja, de los crímenes pasionales; dar de comer a los enfermos de la familia, ocuparse de la compra de detergente. de la educación, de los dependientes, de mantener el deseo sexual, de la anticoncepción, de que los padres maltratadores mantengan el respeto de los hijos; es cosa de mujeres la responsabilidad de las denuncias falsas, mantener las relaciones vivas y sanas, la ropa y el cuidado de los animales y las plantas, los partos y los puerperios, asistir en agonías de los moribundos, velar los muertos.

Muchas cosas de mujeres que se hacen múltiples veces en el día, en todas las casas del mundo, casi todo en todas las culturas.

Pero nada de eso se valora, aunque ninguna sociedad podría subsistir sin las mujeres y sus cosas.
No se crece, ni se evoluciona pariendo, cuidando. Sólo son importantes los generales y sus guerras. Los políticos y sus leyes. Los bancos y sus monedas. Las iglesias y sus Papas. Sólo se iluminan los que pueden sentarse años en meditación, buscando la iluminación en la sombra de una cueva o monasterio.
No, las cosas de mujeres no son importantes."*


 

quarta-feira, agosto 19, 2015

que vontade de rir da nossa miséria civilizada...


OS DIAMANTES SÃO ETERNOS...?

Escrever aqui não serve de nada...muito menos coisas sérias demais ou de carácter politico e social...ou ter essa pretensão...de mudar o mundo?
Mas quando penso neste mundo dito "civilizado" e comercial de consumo exacerbado, de "selfies" e seres egoístas e primários, em que a loucura generalizada domina todas as esferas de poder, a nível nacional e mundial, de gente entorpecida a viver esta alienação global consumista...sim, somente para "produzir-consumir-morrer"... eu imagino o que seja viver aí, aí onde os povos são destruídos por bombas e arma sofisticadas (de que já nem sei os nomes) a toda a hora...nesses países, tantos países, onde viver é um inferno diári
o e isto para não falar dos refugiados que andam no mar à deriva ou entre escombros, sem água para beber ou comer nada...
Meu deus, quando penso nesses países de gente torturada todos os dias e onde ser mulher é castigo, onde ela é vendida como escrava sexual e é violada a cada minuto e só vive para servir a besta humana como animal de carga e parideira de filhos que a odeiam e nem sabem o seu nome...
Sim, quando penso nesse mundo tão vasto onde o homem dito "civilizado" foi roubar a estabilidade natural dos autóctones e dos indígenas e lhes rouba ainda a sua riqueza e escraviza milhares de seres humanos, desde há séculos - e nós pensamos que já não estamos na Idade Media e temos hoje conforto e somos evoluídos e cultos - que vontade de rir da nossa miséria - e pensamos que ...temos meios de comunicação rápidos e Internet...e não vemos esta disparidade, este absurdo que é o Mundo...e adormecemos ébrios com os nossos sucessos, as nossas festas e concertos...a nossa felicidade...sim, entorpecidos, alcoolizados, robotizados; seres humanos enlatados em filas monstruosas no seus carros pagos com o suor do seu rosto aos Bancos que os roubam a torto e a direito... nas graças ao Espírito Santo...

rlp

NÃO HÁ DIFERENÇA...



UMA MULHER PRESIDENT@


Vão-se surpreender de eu não ficar contente de haver uma mulher candidata a PresidentA...de Portugal?
Pouco importa o que eu diga ou a minha opinião, eu nem voto ...mas em vez de me regozijar por haver uma candidatA à Presidência da República, uma Primeira Dama por ela mesma, sem marido, nem acompanhante, sem líder no controlo, embora avance apoiada por um poeta desgastado que vive à conta do passado...eu a nego...porque não creio que esta mulher faça a diferença.
Não, eu não creio numa mulher president@ neste Sistema! Ela será sempre patriarcal...como o são todas as outras que agora estão no cume da crise mundial e a apoiar as politicas de direita e criminosas de espoliação de património dos povos e da sua liberdade condenando as pessoas à miséria e ao desemprego!

Mas se fosse... uma mulher diferente, consciência de si mesma, com decisão própria, uma mulher com consciência do que é  Ser Mulher, com pensamento próprio e sobretudo SENTIMENTOS, faria a diferença? Talvez, mas esta mulher pertence a uma Maquina e a um Partido e defende interesses de homens machistas e misóginos que de facto controlam e se servem apenas dela - como de todas as mulheres - para ter votos e enganar o povo; sim, esta mulher não tem carisma nem a força de uma MULHER INTEIRA, autêntica; ela não tem Voz própria, não tem a força necessária para defender uma Verdade ou uma Justiça social...
Ela é apenas a branda e loura e suave a mui compassiva Maria de Belém...a serva dos senhores que a elegem, cobaia do conluios económicos e das benesses partidárias...como todas as presidentAs deste mundo...

rlp

A ESSÊNCIA FEMININA


VOLTAR A VIVER


"O trabalho mais profundo é geralmente o mais sombrio. Uma mulher corajosa, uma mulher que procura ser sábia, irá urbanizar os terrenos psíquicos mais pobres, pois, se ela construir apenas nos melhores terrenos da psique, terá uma visão mínima de quem realmente é. Portanto, não tenha medo de investigar o pior. Isso só lhe garante um aumento no poder da sua alma. É nesse tipo de urbanização psíquica que a Mulher Selvagem brilha. Ela não tem medo da treva mais profunda pois na realidade consegue ver no escuro. Ela não tem medo de vísceras, dejectos, podridão, fedor, sangue, ossos frios, moças moribundas e maridos assassinos. Ela tem condições de ver tudo, de suportar tudo, de ajudar.
(...)
Quando falamos da essência feminina, estamos realmente falando da alma feminina. Quando falamos de corpos espalhados no subterrâneo, estamos afirmando que algo aconteceu à força da alma e no entanto, muito embora sua vitalidade exterior tenha sido roubada, muito embora sua vida tenha essencialmente sido esmagada, ela não foi destruída por completo. Ela pode voltar a viver. "




IN MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

CLARISSA PINKOLA ESTEES

segunda-feira, agosto 17, 2015

A Compaixão, pregada pelo Mestre Buda...e a falsa piedade!


A FALSA PIEDADE...e a via do coração

"Toda a forma de altruísmo tem a sua contraparte de egoísmo.
A Compaixão, pregada pelo Mestre Buda, é a comunicação com o sofrimento dos seres pela consciência da nossa solidariedade. Só sendo um amante verdadeiro, praticante do Amor impessoal, se é capaz, sem reflexo egoísta, unir assim o coração ao coração de outro ser humano e aligeirar, pela sua compaixão efectiva, o seu sofrimento.

Sofrimento não se deve confundir com dor. Uma dor é a consequência de uma desordem, ou de uma discordância entre uma impulsão inerente (instintiva) ao ser e uma impulsão pessoal (consciente).
A dor pode ser o efeito de uma Karma ou de uma ignorância actual: porque a consciência pode encontrar um meio de evitar a dor de um sofrimento necessário.
A dor é uma reacção do ser pessoal físico ou mental.
O sofrimentos é uma luta pela tomada de consciência de uma falha entre o ser REAL desejável e o estado efectivo ; essa falha provoca uma tensão para encontrar o estado são;
Se há resistência nos elementos pessoais (fiscos ou morais) há dor:
Se há uma aceitação consciente, a dor pode ser eliminada e reduzida ao sofrimento, quer dizer á necessidade da provação (lição) e de cuja reacção vital pode mesmo tornar-se em prazer.
O sofrimento é a escola da consciência que não pode ser adquirida sem ele.
A Compaixão aceita passar as provas do seu sofrimento humano para melhor as transmutar: esse é um gesto de puro Amor.

A piedade é um reflexo pessoal diante da dor do outro apreciada pelo eu (pequeno); é a reacção do humano (inferior) que receia por si mesmo ter uma dor semelhante, ou então é a condescendência do benfeitor que se desculpa, por esse gesto de ser privilegiado.
Em todos os casos, é a impressão relativa da sua própria sensibilidade, uma apreciação  pessoal (egoica).
Como é que o homem ignorante poderia decifrar a multiplicidade das causas e dos efeitos? Os senhores da compaixão que oferecem a sua beatitude para minorar o sofrimento humano, não tirariam a  ninguém as provas (lições) necessárias para  a sua evolução.
Estas palavras revoltarão aqueles que fazem parte “deste mundo”, porque eles praticam a piedade a fim de eles mesmos beneficiarem dela directamente (paga pelo bem que fazem). É por isso que é importante diferenciar a piedade arbitrária e a falsa caridade do altruísmo compassivo e desinteressado.

A natureza não tem qualquer piedade; ela obedece as directivas “providenciais” do seu Devir. Cada animal segue as leis da sua espécie , sem piedade pela espécie que captura  e que assegura a sua sobrevivência; mas fora desta caça necessária, encontramos numerosos exemplos de atitudes altruístas que nos homens se atribui logo à piedade: devotamente de uma fêmea para com as crias de outra mãe…cuidados de alimentação levadas pelos seus congéneres a um animal ferido…sacrifício do individuo que expõe a sua vida para defender os jovens da sua tribo…
A característica deste altruísmo é que ela obedece a uma certa consciência inata de solidariedade animal, na qual não intervém nem cálculo nem juízo. Não existe piedade, mas justiça no sentido de obediência a uma lei da espécie (e que é inerente a todos animais e humanos).

O Ser Humano estando no cimo do reino animal (instintivo), encontra-se numa situação intermediária entre esta animalidade e o reino superior (sobre-humano) da qual a suprema qualidade é a totalidade das consciências da Natureza, e a consciência das suas consciências.
Entre os dois estados extremos, o ser humano ocupa uma situação incerta, entre a sua consciência instintiva obnubilada pelo seu mental, e a consciência espiritual cujo germe, escondido nele, não se encontra desenvolvida.
Neste estado intermediário em que o ser comum (que reage automaticamente ao instintivo animal) ele julga-se senhor da sua consciência cerebral, e tem a ilusão dirigir os seus actos e os seus sentimentos por um livre arbítrio aparente.

Na realidade, esse livre arbítrio não é senão a possibilidade de escolha entre obedecer ao chamado do reino (consciência) superior ou a obediência à lei do animal humano ao qual pertence o seu ser (consciência) inferior.
De acordo com a sua submissão a uma ou a outra destas directrizes, ele pode elevar a sua consciência ao sobre-humano ou sofrer a lenta evolução do animal humano.
(…)
Quanto ao altruísmo causado por um sentimento real de solidariedade provocado pelo sofrimento de alguém, pode haver duas fontes. A primeira é a consciência instintiva da solidariedade da espécie (animal e humana): é o altruísmo do animal e o do ser humano que escutam a sua consciência inata. A outra fonte, que é a consciência da solidariedade espiritual da Humanidade, é um grau superior deste altruísmo quando totalmente isenta de egoísmo, e que é a mais alta compaixão, impessoal e desinteressada. A “Via do Coração” é a que conduz directamente a ela.”
(…)

DE ISHA SCHWALLER DE LUBICZ – IN L’ OUVERTURE DU CHEMIN  
(tradução livre do francês...os parenteses em itálico são meus rlp)

SER OU NÃO SER...

 "UMA ROSA É UMA ROSA É UMA ROSA" *

*G. Stein















“A rosa não tem porquês.
Ela floresce porque floresce”.
Angelus Silesius

 
Uma rosa vermelha absorve todas as cores,
menos a vermelha;
Vermelha, portanto, é a única cor que ela não é.
Essa Lei, Razão, Tempo, Espaço,
toda Limitação, cega-nos à Verdade
Tudo o que sabemos sobre o Homem, Natureza, Deus,
é apenas aquilo que eles não são;
é aquilo que rejeitam como repugnante.
 

Aleister Crowley

A BELEZA


NO CORAÇÃO DE MAAT

"Vim e aproximei-me para ver a tua beleza, minhas mãos estão erguidas em adoração ao teu nome: Justiça e Verdade.”

(Papiro de Ani, folhas 29-30 – Museu Britânico)

sábado, agosto 15, 2015

A MATRIZ DO MUNDO


MATRIZ. Do latim “mater” = mãe. É a fonte ou origem de alguma coisa.

"MATRIZ. Do latim “mater” = mãe. É a fonte ou origem de alguma coisa. O termo é empregado p...ara designar o estabelecimento central ou prin­cipal. Assim, diz-se: igreja matriz, que é a sede de uma paróquia; casa matriz, que é o estabe­lecimento comercial principal, do qual surgiram posteriormente ramos ou filiais.
MATRIZ. Do latim “mater” = mãe. É a fonte ou origem de alguma coisa."


MAIS DO QUE A IGREJA E A CASA...A MULHER É A MÃE E A MATRIZ DO MUNDO.

A ESPERANÇA DO MUNDO


FACE A DESUNIÃO E ANTAGONISMO
ENTRE AS MULHERES...


"A ideia de criar a união das mulheres em todo mundo é mais do que oportuna. Nos dias difíceis dos levantes mundiais, da desunião humana, da negligência de todo...s os princípios superiores do Ser, que são os únicos doadores verdadeiros de vida, e que levam à evolução do mundo, deve ser ouvida uma voz chamando para a ressurreição do espírito e para a introdução do fogo da conquista em todas as acções da vida. E, com certeza, esta voz deve ser a voz da mulher, que durante milénios bebeu o cálice do sofrimento e da humilhação, e forjou seu espírito na maior paciência. Agora, que a mulher — A Mãe do Mundo — diga: «Haja Luz», e que ela afirme suas conquistas ardentes. Como será esta Luz, quais das suas conquistas serão as grandes e ardentes? A bandeira do espírito será hasteada e nela será inscrito «Amor, Conhecimento e Beleza». Sim, só o coração da mulher, a mãe, pode unir sob esta Bandeira as crianças de todo o mundo, sem distinção de sexo, raça, nacionalidade e religião. A mulher — mãe e esposa — testemunha do desenvolvimento do génio do homem, pode avaliar o grande significado da cultura do pensamento e conhecimento. A mulher — inspiradora da beleza - conhece toda a força, todo o poder sintetizador da beleza. A mulher — portadora do poder sagrado e do conhecimento do espírito — pode verdadeiramente tomar-se «A Líder». Portanto, ergamos sem demora a grande Bandeira da Nova Era — a Era da Mãe do Mundo. "

 in Cartas de Helena Roerichs (1920)

A DEUSA MÃE...



"A Deusa, quando venerada como personificação da terra, automaticamente preside ...a tudo o que nasce e é produzido desde o seu interior. Ela ganha forma e personalidade humanas, depois de se transformar na planta que oferece em maior abundância. Como entidade transumana, ela conhece bem as necessidades e anseios dos homens, por isso providencia a flora e a fauna ajustadas às suas necessidades e afirmando-se como indefectível protectora da comunidade. Ela transfere os seus poderes a tudo o que cresce nos solos, simbolizando a vida e a prosperidade.»


Cristina Aguiar in "As Máscaras da Grande Deusa"

sexta-feira, agosto 14, 2015

A GRANDE SABEDORIA



Vivemos num tempo estúpido de facilitismos e superficialidade em que tudo se mistura e já ninguém sabe quem fala verdade. Todos se copiam e papagueiam "verdades" como espirito e "alma e consciência" e ninguém se entende. As "massas" não entendem o sentido da Realidade Última e confundem tudo com o relativo da vida superficial e rotineira que vivem sufocados pelo véu da mentira colectiva de uma pretensa cultura democrática que quer fazer chegar o conhecimento a todos, mas o Conhecimento sempre foi e é iniciático; só o individuo que conhece dentro de si as suas diferentes partes constitutivas, corpo-alma e espírito e os seus animais-instintos, pode chegar ao cerne do seu SER.  E só alguns seres - de acordo com o seu esforço a sua evolução e sinceridade - chegam ao verdadeiro entendimento do que é Real e eterno dentro de si...
rlp
 
ASSIM, “A confusão criada pela imprecisão habitual das palavras alma e consciência é agravada pela rotina que preside ao seu emprego, rotina que atrofia o entendimento daquele que fala, tanto como daquele que escuta.
Num Tempo Novo é preciso uma linguagem nova, para se poder devolver à palavra o seu espírito original, o seu Verbo vivo, sufocado pela vida rotineira.
A palavra justa é um verbo mágico para o ouvido atento ao seu significado essencial, mas na sua deturpação ele ameaça (contamina) com a sua deformação todo o comportamento humano.
Poucas palavras causaram pela sua alteração tantas e funestas consequências como as expressões:  “alma” e “consciência”, porque as realidades que exprimem são os elementos base do que constitui o ser humano não mortal, e que podem esclarecer o fim da sua existência.
De cada vez que um conhecimento iniciático foi suplantado por dogmas saídos das disputas teológicas, o sentido da “alma” e “consciência” sofreram variantes conforme as doutrinas religiosas ou os ensaios filosóficos que se tornaram autoridade nessa época.  


“O passado não pode impor a sua lei ao momento actual: só o momento presente traz à consciência humana a experiência que lhe convém.
A sabedoria não pode ser aplicada ao aperfeiçoamento das massas, mas a sua instauração directa para transcender (os limites) ser humano não pode se realizar senão individualmente.
Há o dever de diferenciar o ensinamento das realidades essenciais, conforme ele se dirija as massas ou ao individuo.
Há a necessidade de adaptar os termos utilizados às possibilidades receptivas dos nossos contemporâneos.
O emprego do sentido exacto das palavras decresce no sentido proporcional da cultura democrática, cuja instrução superficial vulgariza todas as noções, destrói o respeito do gesto e da palavra essencial, e deprava o discernimento pelo hábito do “mais ou menos”.
O discernimento não pode cultivar-se sem o acordar o sentido do REAL e do RELATIVO; ora o que é real não pode ser conhecido senão por aquilo que no ser humano é real, quer dizer indestrutível.


Os diferentes estados do ser não mortal podem ser definidos só por uma palavra: “Consciência”, e ainda ele deve ser compreendido na sua essência!”*
In LOUVERTURE DU CHEMIN – de Isha SCHWALLER DE LUBICZ
 (tradução algo livre do livro em  francês feita agora por mim - que eu saiba o livro não está traduzido em português)