"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

domingo, janeiro 31, 2016

A PROSTITUIÇÃO É INCOMPATIVEL COM A IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES...



Dra. Ingeborg Kraus: "La prostitución es incompatible con la igualdad entre hombres y mujeres" 
Traduccion: Maura Lopez
Texto original :https://ressourcesprostitution.wordpress.com/2015/12/23/dre-ingeborg-kraus-la-prostitution-est-incompatible-avec-legalite-hommes-femmes/

Madrid, 15.10.2015"
 

« En Alemania el abolicionismo no es tomado en serio porque se cree que existe una « prostitución buena ». Se comprende que la prostitución infantil no es tolerable, también se considera que la prostitución llamada « forzada » es un flagelo. Pero la prostitución entre dos adultos que decimos mutuamente consentida, ¿por qué no? ¿Por qué prohibir a dos adultos esta decisión?
 
Hace un año, publiqué un Manifiesto de psicotraumatólogas alemanas contra la prostitución. Dicho texto afirma que la prostitución es humillante y degradante, que es un acto de violencia y que perpetúa esta violencia en la vida de las mujeres. No hay " prostitución buena". También reclama una ley que responsabilice a los hombres exigiendo una legislación que penalice a los compradores de sexo. Este manifiesto fue firmado por los especialistas en traumatismos psíquicos más reconocidos e influyentes de Alemania.

Para comprender la importancia de este manifiesto, me gustaría situarlo en su contexto histórico porque llega con 120 años de retraso.
 
La psicología clínica fue fundada por Sigmund Freud. A fines del siglo XIX, los psiquiatras europeos se interesaron en el fenómeno de la histeria. En París, estaba el psiquiatra Charcot y en Viena, Sigmund Freud. Mientras que Charcot observaba y registraba los síntomas de estas mujeres, Freud comenzaba a escucharlas. Publicó sus descubrimientos en un primer libro llamado Seis Estudios sobre la Histeria, donde revelaba que todas esas mujeres habían padecido violencias sexuales en la infancia. Este libro obviamente provocó un escándalo en ese momento, sobre todo porque las mujeres provenían de buenas familias. Muy rápidamente, la Asociación de médicos vieneses presionó a Freud para que retirara las tesis que asociaban los síntomas de la histeria con violencias sexuales padecidas por las mujeres durante su infancia. Dichas presiones amenazaban con poner fin a la carrera de Freud y cedió. Renegó de este descubrimiento y en su lugar creó la teoría de las fantasías, según la cual esas agresiones eran deseadas y fantaseadas por las mujeres. Durante 100 años, todas las universidades han difundido esa tesis, con la cual se legitima la negación de la violencia sobre las mujeres y la absolución de los culpables.


Hoy en día, las discusiones sobre la prostitución todavía giran alrededor de los mismos mecanismos : la negación de las violencias contra las mujeres, la transferencia de la culpabilidad a la víctima con este argumentó "pero es usted la que quiere acostarse con nosotros". Todo eso para proteger un tema tabú - la sexualidad masculina – y garantizar su derecho a desplegarse sin límites ni restricciones.
 
Si el lobby de la época no hubiera tomado de rehén a la ciencia, si Freud no hubiera renegado de su primera tesis, no estaríamos en esta situación ahora. Las escuelas hubieran formado y sensibilizado a sus alumnos sobre las violencias contra las mujeres desde hace ya muchas generaciones. Actualmente, al ver una mujer prostituida, tendríamos el reflejo de decir "ha debido padecer cosas graves para hacer esta elección" y no "es su voluntad!".


Al analizar hoy en día la problemática de la prostitución en Alemania, constatamos que la cultura de la negación es omnipresente y que el lobby está también infiltrado en todos lados:
 
Hay una negación de las violencias contra las mujeres antes de su entrada en la prostitución ;
Hay una negación de las consecuencias físicas y psíquicas que genera la prostitución ;
Hay una negación de las violencias contra las mujeres en situación de prostitución ;
Hay una negación del impacto de la prostitución en la sociedad, en las relaciones entre hombres y mujeres y en la família.



(...)


A PROSTITUIÇÃO, o calcanhar de Aquiles da mulher...



A PROSTITUIÇÃO - enquanto exploração das mulheres motivada pela miséria social e o estado de abandono a que as mulheres não casadas, solteiras ou divorciadas, são votadas dentro do Sistema, sistematicamente e há séculos, ou as mulheres exploradas por Mafias organizadas no mundo inteiro, ou ainda as Montras de Amesterdão e a prostituição legalizada...são o "rabo de fora do gato" na história da dita "emancipação feminina" - o facto de a mulher poder votar e "escolher"...e estarem na politica ou nas empresas etc. não garante a sua verdadeira liberdade.

O Sistema em si e por si só não respeita nem nunca respeitou a Mulher...e nem as mulheres hoje em dia se respeitam a elas mesmas, vendidas que estão às economias de mercado e aos partidos e aos lideres como antes estavam aos padres e à Igreja. 
Em suma, desenganem-se as mulheres modernas de que são emancipadas, pois este verniz da liberdade da mulher ocidental  foi apenas um verniz e ele está a estalar por todo o lado. Nunca a agressão e a violência contra as mulheres no mundo foi tanta...e agora está à vista. Mas digam-me porque é que as "feministas" e as politicas e deputadas defensores do casamento homossexual e da "adoção gay" etc. não querem ver isto?
Por amor da santa, não me falem em mulheres livres nem emancipadas...

E por favor não me venham falar de prostituição masculina, porque é rara e quando existe são travestis que se fazem passar por mulheres...quando aos chulos e os gigolos isso é mesmo uma minoria - porque poucas mulheres tem poder económico a nõa ser que lhes venha dos maridos ricos...etc. é ridículo falar disso! 
rlp


Isto, como comentou uma amiga: "Sem falar que muitas mulheres se casam em troca de "bens" ou seja "meu corpo em troca do seu dinheiro, status e segurança", prostitutas de um homem só.
Fora a questão sexual, temos todas essas situações citadas de prisões religiosas, partidárias e ideológicas... os ISMOS....

Quando eu acordei pensei que estava livre. Já decorridos alguns anos, olho pra trás e entendo que o despertar foi apenas o tomar consciência de que eu era escrava... ainda faltava encontrar as chaves e as portas de cada uma das prisões.
O caminho para a real liberdade é longo e requer esforço próprio e auto conhecimento todos os dias."*

 
*Isabelle Feicibuconão Dos Santos

sexta-feira, janeiro 29, 2016

PASSADO UM SÉCULO...


PENSAR A MULHER...

Estava a pensar no cansaço e no desanimo de tantas de nós mulheres que lutam por uma consciência de facto e por outro lado a fantasia de tantas outras mulheres que simulam vivências e realidade que não existem, como as coisas ditas "espiritualistas" e o seguidismo dessas mulheres de mestres e de "facilitadores", tantristas da treta, subjugadas e alienadas de si mesmas, sem qualquer relação com o seu próprio principio feminino...sem verem que "os mitos e rituais das religiões antigas representam a projecção ingénua de realidades psicológicas." * e também não vendo que "Não podem resumir os valores femininos àqueles velhos padrões instintivos e inconscientes." *

No seguinte excerto, a autora irá referir-se á dualidade da mulher mas dos principios e não reconhecendo a sua divisão interna secular ou seja, a divisão da sua prórpia psique em mulher sensual e mulher casta, as duas mulheres que figuram nos manuais como a Esposa e Mãe e a prostituta ou a mulher fatal, a mulher diabólica - padrões que a sociedade paternalista usou e abusou condenando as mulheres a essa divisão, mas que nem Jung e a sua psicologia das profundidades conseguiu ver...e assim, temos uma sua notável seguidora falar da dualidade da mulher nos termos que faz e a seguir vão ler:
"Conseguindo um novo grau de consciência, sairam do fácil caminho da natureza. Se pretendem ter contacto com o seu lado feminino perdido, isso precisa ser feito pelo duro caminho de uma adaptação consciente.
Os problemas de adaptação, surgindo da recente consciente dualidade na mulher, têm de ser necessariamente tratados sob o seu aspecto moderno. A necessidade de reconciliação dessas duas partes da natureza feminina* (*a autora refere o masculino e o feminino e não à cisão da mulher entre a santa e a puta - nota pessoal) é um problema secular; e é somente na sua aplicação à vida prática que o problema surge. Não é um problema de adaptação da mulher aos mundos do trabalho e do amor, esforçando-se para dar o mesmo peso a ambos os lados da sua natureza, mas sim uma questão de adaptação aos principios femininos e masculinos que interiormente governam o seu ser. Ela tem que se voltar para aquele material subjectivo rejeitado, que para os cientistas objectivos do século XIX era somente superstição ou uma questão de humores." Assim é de facto mas as razões da autora apontam ao lado do verdadeiro problema da mulher deste século XXI...

O livro, OS MISTÉRIO DA MULHER de Esther Harding, do qual faço as citações é a todos os títulos um livro único e notável sendo a sua leitura  fundamental, foi escrito em 1933 e como é de calcular a dualidade da mulher que a autora foca é entre os dois princípios yin e yang (digamos) e que levou a mulher neste século a tornar-se totalmente masculina e a esquecer completamente diria o seu lado feminino, para corresponder a vários estereótipos criados pelo homem. E assim o que aqui está em causa agora é a nossa recuperação de identidade,  assim como o resgate do nosso feminino primordial que passa primeiro pela devolução do feminino ontológico à mulher. Unir as duas mulheres que o patriarcado dividiu para reinar.
A autora não previria uma tão catastrófica alienação da mulher do seu próprio principio feminino e o esquecimento da sua vida instintiva e a sua ligação à natureza Mãe, e via a evolução da mulher na afirmação do seu lado masculino. Assim, podemos olhar para esta leitura e fazer a sua adaptação ao nosso tempo referindo-nos apenas ao feminino interior a integrar e não ao masculino pois esse é lado que temos de trabalhar, a integração dessa dualidade em cada mulher assim dividida  entre a "santa e da puta" (da boa e da cabra, da mulher sexual e da mulher casta - a virgem etc.) - pois uma vez mais e é natural que assim seja tendo em conta a época, uma autora excelente omite e ignora esse aspecto que, no ocidente sobretudo, marca todas as mulheres desde meninas e crava o fosso entre a sua natureza intintiva e sexual e o cumprimento social da mulher ao serviço da espéceie homem e apenas do principio masculino dominador e sem qualquer identidade.
Sim, creio que estamos todas cansadas de mentiras e do vazio das nossas vidas e de continuarmos presas ao Sistema ou aos rituais do passado de qualquer religião.
rosa leonro pedro

quinta-feira, janeiro 28, 2016

A PALAVRA DAS MULHERES



 COMENTÁRIOS  ANÓNIMOS


1ª)
Anónimo disse...

Cada vez mais, corroboro as tuas palavras. Essa indução sobre o Ser Feminino é tão inconsciente na grande maioria, que é difícil de perceber de forma imediata. A tendência é sempre seguir, esperar os valores que foram impostos, quer pela força, quer pelo silêncio em relação à mulher ser em si. Ela, saiu de si, em direcção à ordem que a projecta para fora de si, sem contacto íntimo consigo mesma. Vive fora, no outro (pai, pátria, filhos, mundo).
Ela nunca é verdadeiramente amada, por todas essas razões, e nem por ela mesma. O amor nela é uma utopia, na medida que não está reconectada consigo. Não sabendo quem é, a realidade é sempre uma busca fora, e a sua natureza fica obstruída por todas essas entraves ditadas pelo exterior.
Vai de vazio em vazio numa procura de um lugar, onde pouco ou nada encontra que o nada de si.
Por tudo isso, a Ferida no Mundo é uma ferida sem limites, por falta do Feminino integrado, bem longe do caminho que as feministas traçaram. (O que bem explicas no texto.)

Este dilema da usurpação do feminino é longo processo de reconquista. Séculos, senão milénios, não conseguem derrubar tais muros de forma consensual, ainda que possam concordar em termos teóricos.
As mudanças de consciências levam muito tempo a serem processadas. E tudo o que está arraigado tem dificuldades em ceder. No fundo, tudo têm que ver com cedências. Cedências para uma nova organização do mundo, onde a função da Terra Mãe ganhe o seu lugar com dignidade.
A Terra tem sido sobejamente usada, da forma que todos sabemos, e como esta representa a Mulher, tal como o Céu, ou, o Olimpo representa a morada dos deuses, esta acaba por seguir o mesmo caminho.

O texto ilustra perfeitamente, estes maus tratos, os quais não têm fim, e que se promulgam apesar de toda a tecnologia que nos rodeia.

Sem cura do feminino, nem o homem e nem a mulher, encontrará uma ordem no Universo, e com isso a expansão da inteligência intrínseca a todos sem excepção.

Um beijo

(De Vim aqui um pouco ler-te.)


 2º)

Sem o cultivo dos afectos e do amor nada floresce.
Creio que a manipulação, vem de uma cultura patriarcal, e daí nunca os afectos terem sido livres, como o amor e o sexo.

Ler isto é como ver um véu de outras ideias a caírem. Muitas vezes, somos ludibriados e afastados da nossa verdade. E mantemos a vida assente em ideias que nos desconstroem... As pessoas arrastam outras, e no fim, a desilusão e a distância a que estávamos de nós, antes da lavagem cerebral que nos fizeram, é como um abismo. E reerguer, é um processo tremendo e duro.

A experiência própria dos factos, diz-nos as verdades. Isto é uma praga, tal como diz, a mulher também propaga toda a ideologia que está escrita nos livros pelos homens.
A mulher, nunca se escreveu a si mesma, apesar dela, escrever o que está errado (ainda que não entenda esse desfasamento!)...

 (Os comentário são feitos a textos diferentes anteriores que publiquei nestes dias, mas contem ambos mensagens claras)

AS MULHERES ESTÃO EM PERIGO

 


CARTA ÀS MULHERES


Minhas amigas:

...sinto que de algum modo tenho  sido muito radical em relação ao Sistema patriarcal, e que há mulheres que têm ainda muitas  esperanças nele e que se insurgem contra mim pelo que eu digo convencidas que tem um papel activo nele...
Isso pode até ser verdade em relação a algumas de vocês, inseridas no Sistema, e sendo muito jovens são muito idealistas também e não viram ainda a outra face do jogo; no meu caso sinto-me  muito apreensiva com tudo o que se passa pelo mundo e venho aqui rectificar uma posição, quando digo que não voto e não acredito de forma alguma no Sistema patriarcal e como ele se volta sempre contra a mulher, aparentemente dando-lhe algumas liberdades que mais à frente - passadas décadas - acaba por lhe cobrar ou a violentar por isso mesmo. É o caso do que está a acontecer nos nossos dias às mulheres do mundo.
Escrevo com a intenção de vos dizer que eu também não só me preocupo como gostaria de fazer alguma coisa socialmente, ser solidária com esta humanidade e também acreditar na possibilidade da nossa acção ser possível...contudo digo-vos que no fundo não creio que adiante nada a nossa acção e que isso me causa alguma afectação e me sinta amiúde entre dois fogos: Por um lado queria fazer alguma cosia e acreditar neste mundo... mas por outro já não consigo ver nenhuma hipótese para ele enquanto sob o jugo do Homem e do dinheiro... Especialmente no que concerne as mulheres.
Vejo-as ameaçadas e alienadas de si e dos perigos que correm. Por isso me sinto tão apreensiva...
Eu sei que o que eu digo parece excessivo e por vezes  até exagerado...mas há tanto tempo que vejo isto a caminhar para um beco sem saída e as mulheres sem verem nada, alheias e convencidas de que chegaram a algum lado...Sim, isto é muito subtil e difícil de enxergar porque na verdade nós mulheres estamos formatadas e educadas para nos ocuparmos dos outros e acima de tudo prestar serviço à humanidade sem ver nem pensar, fazemo-lo do coração...e não vemos que humanidade é essa, metade de uma humanidade cuja outra metade, somos nós mulheres e ainda estamos escravizadas - esse é o culto que nos é destinado. Servir o nosso Senhor Deus e o Homem e os filhos do Pai. É certo que somos mães e não podemos abdicar de cuidar e salvaguardar os interesses dos nossos filhos nesta sociedade, mas o que eu vos digo é que nós mulheres não temos outra valia que não seja servir o Homem e a liberdade da mulher - conquistada a preço tão alto pelas feministas, mas até estas perderam a perpectiva real do que lhes está a acontecer cegas pelo marxismos e positivismo materialista - e entre os aspectos económicos e socias das suas "conquistas", destaco os meios e os métodos contraceptivos e também a pseudo liberdade sexual (que virou total promiscuidade entre adolescentes sem qualquer sentimento) a começar com a pilula e a do dia seguinte e o amor livre etc. quando isso nunca favoreceu de facto a sua saúde, a sua Dignidade, nem a sua integralidade como mulher - pelo contrário, sobrecarregou-a de mais encargos e riscos, colocou sim a mulher livre e jovem  sem quaisquer limites, sem qualquer tabu ou preconceito ao serviço do prazer do homem, pensando que o prazer do homem é o seu, desafiando-o sem qualquer pudor as práticas mais insanas, sofrendo elas todas as consequências, seja das gravidezes indesejadas, seja dos abortos, seja das doenças venéreas, seja do resultados dos químicos no seu corpo...e do desequilíbrio psíquico.

Não estou a fazer a apologia dos padrões antigos nem da castidade, nem virgindade, nem fidelidade ao homem, marido  etc., mas tudo isso somado nos diz que a "liberdade" das mulheres não lhes trouxe grande coisa além de dinheiro ao fim e ao cabo...e de novo nos encontramos numa encruzilhada...estamos ameaçadas fortemente da violência crescente dos homens, dos abusos e violações assim como da invasão árabe - que já começou a acontecer na Europa a vários níveis com a migração e  os interesses  económicos o petróleo  etc. - e que ameaça muito concretamente a mulher face a algumas dessa conquistas e  colocando-a de novo na corda bamba. É o momento de vermos para onde estamos a ir e como tudo se volta contra a mulher pois o fundamento da sociedade machista e patriarcal nunca se preocupa com as mulheres e coloca-as na frente das suas batalhas e guerras quase sempre como cobaias, como o faz face a sexualidade ao serviço do homem continuando a fomentar a prostituição como mercado e a deixar que mafias usem as mulheres em tráfico sexual no mundo inteiro e pouco se importaram, no caso das agressões recentes em Colónias, na Alemanha, as mulheres que foram agredidas e violadas por muçulmanos em massa na noite de fim de ano.
As Mulheres estão em perigo, mas também a nossa arte e cultura, embora ela nunca tenha favorecido muito as mulheres...

Muitas mulheres e eu compreendo porque o fazem querem afastar esta visão de si, querem afastar este quadro da sua cabeça, fingindo que nada está a acontecer, mas esta ameaça é real e global e não dá para nos mantermos a dormir convencidas das nossas liberdades adquiridas pois nada está garantido. Se um Estado e um Governo de um Pais como Itália tapa esculturas e estátuas de nus homens e mulheres principalmente coma visita de um chefe árabe o que acham que vem ai a seguir?
rlp

quarta-feira, janeiro 27, 2016

A VISITA DO PRESIDENTE IRANIANO AO MUSEU

HÁ ALGO DE MUITO ESTRANHO A PASSAR-SE NA EUROPA...


 

É impensável que um País como a Itália, detentora e representante do maior Espólio de Arte e Cultura da Europa, tape e cubra esculturas consagradas pelos séculos e património da Humanidade e tenha descido tão baixo curvando-se humilhantemente à barbárie - contra a Mulher - tapando o seu CORPO E O SEU ROSTO DA SUA ARTE . Qualquer dia será a própria mulher que terá de tapar o seu rosto para os migrantes não as violarem na rua?? Esta cedência ao fundamentalismo islâmico em nome do deus DINHEIRO (a dita Economia) é o mais desprezível sinal da prostituição desta Velha Europa...podre e obscena. ROMA inverte de novo o sentido da nossa liberdade, hipotecando a livre expressão do Ser Humano de uma forma cobarde! Onde fica o respeito pela nossa cultura e história?
 
rlp


 
 
"O presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou nesta quarta-feira em Roma que não pediu para que as estátuas nuas que decoram o Capitólio, sede da prefeitura da capital italiana, permanecessem cobertas, como afirma a imprensa local.
"É um assunto dos jornalistas", disse, com um sorriso irônico, o iraniano durante uma entrevista coletiva em um hotel de Roma.

A estátua de mármore da Vênus Capitolina, uma mulher nua, uma obra do século II antes de Cristo, está entre as obras de arte que foram tapadas na segunda-feira em Roma durante a visita do presidente do Irã, o que provocou uma intensa polêmica.
"Não tivemos contatos sobre o tema com as autoridades italianas", disse o presidente iraniano, um clérigo xiita.
 
 ... "por respeito à cultura e à sensibilidade iraniana"?
 
O governo italiano também aceitou o pedido dos iranianos para que bebidas alcoólicas não fossem servidas no jantar em homenagem ao país.
O ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini, chamou de "incompreensível" a decisão de tapar as estátuas e disse que nem ele, nem o primeiro-ministro, Matteo Renzi, haviam sido informados.
A imprensa da Itália critica o "excesso de zelo" por parte do departamento responsável pelo protocolo.
O departamento está vinculado à Presidência do Conselho de Ministros e atua de forma independente.
A prestigiosa sede da prefeitura, o Capitólio, com um dos museus mais importantes da cidade, foi escolhida para a assinatura de 15 importantes acordos econômicos de milhões de euros, que serviram para reativar as relações comerciais e políticas após a retirada das sanções internacionais contra o Irã.
Renzi destacou a rica história dos dois países, que chamou de "duas superpotências em beleza e cultura".

terça-feira, janeiro 26, 2016

O mundo em queda...

NO CÉU OU NA TERRA?

"A nossa civilização, baseada nos falsos valores do patriarcado, está em plena ruína, até no plano material. Para evitar a autodestruição, é preciso despertar o culto da feminilidade, que é o único a permitir o pleno desenvolvimento tanto do homem como da mulher."



... ""O irracional são as camadas profundas do psiquismo, aquelas que habitualmente chamamos de inconsciente, mundo dos instintos e das pulsões. A mulher é intuitiva. (...) os valores femininos mais verdadeiros, mais profundos, transcendem a lógica, mergulham no irracional, palavra que inquieta o cerebral, o cientista e o sistema patriarcal em geral."(...)

Portanto e como está claro para quem leu estes supostos aqui citados, apesar de escritos por homens - é um facto - a verdade do Homem porém não é a verdade da Mulher, conforme é dito.

O que que quero dizer é que por muito que tenham em comum homem e mulher e sejamos todas/os humanos à partida, para mim, como mulher, é-me impossível dizer, enquanto representante de um principio (o feminino) o que o homem (principio masculino) é ou sente; não digo de um modo geral, precisamente como espécie,  mas no que concerne a sua existência e a sua psique, como sente e porque age desta ou daquela maneira enquanto um sexo, senão apontando meros factos e algumas causas objectivas vistas de fora. Talvez na essência sejamos iguais, mas ainda estamos longe dela...

Na verdade somos os opostos a integrar de uma só unidade (falamos muito em yin e yang, mas isso é muito mais do que uma simples representação do homem e mulher) mas cujo feminino ontológico falta integrar tanto na mulher como no  homem  e uma vez que a mulher não existe à partida, foi desnaturada, foi sequestrada, foi colonizada, foi anulada na sua essência, sobrando apenas  uma Mulher que é uma sombra de si, uma pálida imagem da sua feminilidade antiga, assim como o homem, penso que quanto a sua masculinidade verdadeira, o homem não pode saber de si nem da mulher. É impossível ao homem saber QUEM  é a mulher se a própria mulher não sabe já quem é porque se perdeu há muito da sua essência. Mas é precisamente por isso, por a mulher nada saber do seu ser em profundidade e em essência que o homem continua a usar a palavra e o seu saber teórico para dizer a mulher, retirando-lhe a palavra  que é dela e condenando-a ao silencio, votando-a ao descrédito - como fez  Apolo a Cassandra na mitologia, ou na filosofia ou  como fez Lacan e outros  na psicologia - e portanto continuam apenas a manipular o conhecimento sobre a mulher  dizendo o que o seu imaginário lhes diz ou aquilo que no fundo eles queriam ser e inventam sobre a..."mulher".


Eu queria ser mulher pra me poder estender
Ao lado dos meus amigos, nas banquetes dos cafés.
Eu queria ser mulher para poder estender
Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer 'potins' - muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -
Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios,
Que num homem, francamente, não se podem desculpar.

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
E enganá-los a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais
[esbelto,
Como um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher pra me poder recusar...

(Mário Sá Carneiro)
 



Mas aqui também, uma situação que é reflexo desta ideia,  podemos perguntar também que Mulher querem ser os homens gays ou travestis ou transexuais senão a imagem estereotipada e falsa que os próprios homens machos inventaram e projectaram sobre a mulher normal...

Então, dispam essa falsa imagem da mulher, a puta, a vampe, a fatal e a sedutora da linha da frente dos cosméticos e das plásticas e pensemos que mulher os homens quereriam imitar (ou seduzir) então para se apresentarem na sociedade, nos seus palcos e encenações. Com que mulher querem eles casar e ter filhos e que mulher eles maltratam na rua e engatam nos bares...etc.

Durante anos e anos as mulheres foram apenas retratadas e descritas como duas, a santa e a puta, segundo a vontade e a ideia dos homens e a sua religião que  condenou uma ao pecado e a outra ao altar, imaculada. A História conta a história dos homens, assim como as religiões,  e todas as mulheres mesmo as mais proeminente na história foram reduzidas a consortes e cortesãs ou prostitutas, e  fossem  elas rainhas  ou  freiras ou santas, todas  foram pintadas e marcadas conforme a ideia e o conceito da época dos homens, reis, estadistas, padres e chefes de família.
Foi isso que aconteceu durante séculos até que só há cerca de um século as mulheres começarem a aparecer  com alguma estrutura intelectual e consciência de si, mas ainda  muito longe de  poderem dizer de si com propriedade e substância, não apenas como o fazem muitas em especulação e idealismo, ao defender ideologias. Sim, elas fazem isso com todo o entusiasmo mas sem falar nem  exprimir o fundo da sua natureza intrínseca e instintiva de que se afastaram ainda mais  ao lutar pelos direitos e igualdades, focadas apenas nos aspectos económicos numa sociedade misógina e patriarcal que até aos nossos dias não mudou praticamente nada senão no papel e nas ideias, mas que efectivamente não correspondem à realidade da mulher comum que continua a ser desrespeitada agredida e violada no mundo inteiro. Facto cada vez mais óbvio e gritante. Algo da mentira da emancipação e falsa liberdade das mulheres está a cair por terra...

QUEM NÃO VÊ ISSO?
rlp

 Anónimo Anónimo disse...
É tudo isso!...

Sem o cultivo dos afectos e do amor nada floresce.
Creio que a manipulação, vem de uma cultura patriarcal, e daí nunca os afectos terem sido livres, como o amor e o sexo.

Ler isto é como ver um véu de outras ideias a caírem. Muitas vezes, somos ludibriados e afastados da nossa verdade. E mantemos a vida acente em ideias que nos desconstroem... As pessoas arrastam outras, e no fim, a desilusão e a distância a que estávamos de nós, antes da lavagem cerebral que nos fizeram, é como um abismo. E reerguer, é um processo tremendo e duro.

A experiência própria dos factos, diz-nos as verdades. Isto é uma praga, tal como diz, a mulher também propaga toda a ideologia que está escrita nos livros pelos homens.
A mulher, nunca se escreveu a si mesma, apesar dela, escrever o que está errado (ainda que não entenda esse desfasamento!)...

A consciência da mulher é diferente;



PRECISAMOS TODAS DE VOLTAR A ORIGEM


"A consciência da mulher é diferente; ela já percebeu as coisas quando o homem ainda tateia na escuridão. A mulher percebe as circunstâncias que a cercam e as possibilidades a elas ligadas, algo que um homem costuma ser incapaz. Por isso, o mundo da mulher parece-lhe pertencer ao infinito, para fora do tempo e para o transcendente, pode fornecer as indicações e os impulsos mais válidos. Essa transcendência é a sabedoria, e esta supera o saber intelectual...A mulher e tudo a ela associado parecem bem estranhos ao macho e, no entanto, isso faz parte de seu universo mais íntimo, à espera de se realizar por ele" (p.172)

Ora esses valores também estão no homem, mas, com a educação patriarcal os reprimiu, descobri-los é uma tarefa dura. O procedimento inicial, aliás, é compreender que nada há...a compreender, mas a perceber e a sentir. Por isso, no caminho da Esquerda, que passa pela mulher, é ela a iniciadora. Ela abre paro o homem as portas secretas para a profundidade do ser, para o derradeiro, o cósmico. Se o Tantra fosse uma religião, as mulheres seriam suas sacerdotisas, e os sacerdotes seriam os homens que tivessem desenvolvido, graças à mulher, suas qualidades femininas de intuição e transcendência.
(...)
André Van Lysebeth - tantra o Culto da Feminilidade.

domingo, janeiro 24, 2016

FOMOS E SOMOS...



O QUE VALE O VOTO DA MULHER...


Tudo isto é histórico, sim, é heróico a 1ª mulher (feminista) que votou há 100 anos em Portugal...e eu não digo que a mulher não deva votar...porque cada mulher deve votar e agir de acordo com a sua consciência. Seja qual for o nível de consciência que tenha! Eu apenas digo que ela vota dentro de um Sistema que a aprisiona e nunca esse Sistema à partida a deixará de aprisionar e usar segundo o que determinam as suas  leis e as suas mentalidades. Porque às vezes a Lei muda, mas os homens continuam a pensar e a agir em conformidade com o que pensam secularmente contra as mulheres! E digo isto com a consciência tranquila de quem esteve ao vivo e cores na história da votação da mulher em Portugal, pois só a partir  do 25 de Abril de 1974, com a lei n.º 621/74 de 15 de Novembro, o direito de voto se tornou universal em Portugal e as mulheres portuguesas, todas as mulheres, puderam votar porque antes só votavam, muito poucas, ou seja as licenciadas...
Não, não vi o filme das sufragistas, eu vivi o meu próprio filme ...
No meu caso digo e asseguro que lutei e sofri na pele o medo ou mesmo o terror de ser presa e torturada pela perseguição da PIDE por ter dado tudo de mim em reuniões e Comícios e manifestações (1969 tinha eu 18 ou 20 anos?) para que isso fosse possível...e com toda a convicção e empenho da juventude. Eu acreditava que pudesse mudar o Mundo...

Hoje porém eu tenho consciência  de que muito pouca coisa  mudou na essência e que  é muito triste, passados 50 anos,  fazer esta constatação e perceber que quase não serviu de nada toda essa luta e esforços e sofrimento. Eu hoje sou obrigada pela minha consciência a constatar que mais do que nunca a mulher regrediu e trocou a sua verdadeira identidade (de mulher e mãe - eu sei que corro o risco também de parecer reacionária, mas eu não me refiro à "dona de casa nem à esposa" quando falo da Mulher e da Mãe...)  por  terem supostamente adquirido direitos, liberdades e igualdades - estando em risco sim, agora e à luz dos últimos acontecimentos no mundo, de perder tudo - quando afinal continua a ser prostituída, objectificada, dividida em duas espécies, usada e violada e morta nas guerras e nas cidades e ainda  pelos maridos como antes não rezava a história...claro que o preço da liberdade se paga caro, no entanto o que está em causa é que a mulher, com essa pretensa liberdade e direitos, PERDEU TODA A RELAÇÃO COM O SEU SER INSTINTIVO, com a sua natureza intrínseca, com o FEMININO SAGRADO e até a sua dignidade de Mulher e Mãe - esta é que é a realidade quer queiramos quer não, e que nos recusamos a ver.
Se as mulheres quiserem continuar a seguir os padrões patriarcais, as suas leis e regras, ter a ilusão de que estão inseridas no Sistema e que são aceites e respeitadas sem obedecerem ao marido ao pai ou a ao amante ao filho e ainda ao padre, é com cada uma, mas não posso deixar de vos falar da minha experiência e consciência. Nada no Sistema patriarcal será jamais a favor da mulher. O Sistema vive da sua exploração e controlo. O que acontece é que o Sistema aglutina a mulher às suas ideias aparentemente abertas e democráticas, convencendo-a de que lhe dá liberdade e a respeita - como quem dá um pouco mais de corda aos animal prisioneiro - mas estica a corda mal a mulher sai do controlo.
Minhas amigas não é fácil ser coerente com o que sentimos e vemos e todas pensamos que vivemos e temos de fazer alguma coisa dentro do Sistema, por nós e pelos outros, pelos filhos etc. sim, eu entendo, mas enquanto isso e estamos a seguir as regras do seu jogo, somos apenas enroladas e mais tarde ou mais cedo, apagadas do mapa...
Será que não conseguimos ver o perigo de retrocesso que todas corremos agora?
As mulheres marxistas e as integradas nesta sociedade machista-marxista (as feministas e as ditas mulheres emancipadas, intelectuais e activistas) como as mulheres do Bloco de Esquerda, por exemplo, algumas bastantes espertas, mostram bem como se defende os lugares adquiridos e as cátedras, pela suposta ideia de igualdade e a solidariedade social, abrindo as portas aos migrantes e nem  sequer  vêm o perigo nem os crimes já cometidos por esses homens o perigo que eles representam para a Europa,  como não vêm  aquilo que os seus estados e governos cometem sobre as mulheres, apagando e branqueado a violência doméstica e o feminicídio e agora os ataques dos islâmicos em grupo a mulheres  alemãs, e como elas pensam que são  sempre "as outras" as más, as mal comportadas, afinal as vitimas, e nunca elas próprias? Sim essas mulheres todas pensam que elas estão salvas e que só são violadas e vitimas as que SÃO CULPADAS por qualquer razão - elas são sempre as boas da fita..as mulheres sérias do regime, seja ele fascista ou comunista, democrático ou totalitário...elas estão do lado da Ordem e da Lei.
Lamento mas esta é uma realidade que eu vejo sem medo de o dizer e que TODAS BRANQUEAMOS...PORQUE ESTAMOS TODAS PRESAS AO SISTEMAS E CEGAS pela ilusão de um poder que não temos...de uma liberdade que não é real nem possível enquanto este Paradigma perdurar...
Por amor da Verdade olhem desassombradamente à vossa volta e ponham a mão na consciência de facto! O que é que ganhámos?

rlp

PS - resultado final...

Houve 50% de ABSTENÇÃO, a maior de sempre, ao voto nas presidenciais. De pareceres de analistas e politologos as razões foram várias...mas na minha opinião a principal razão da abstenção é que de facto a politica está totalmente caida em descrédito e só existe para aqueles que a fazem e lucram directamente com ela. Ai as subvenções vitalícias...
Não acreditei em nenhum candidato da esquerda nem à direita e por isso não votei. Além de saber perfeitamente que a TVI ia ganhar ...também sabia que nenhum perfil de entre os 10 candidatos - tiranto claro os mais crediveis e conceituados dentro do sistema partidário e académico - e nem tão pouco o das mulheres, uma da esquerda e outra da direita socialista...nenhuma tinha perfil ou carisma (classe - não basta falar de classes) ou mesmo consciência humana e gabarito intelectual (já não falo de experiência politica que isso é só conversa) para representar um Pais da Europa, embora tenhamos que pensar se este não é mesmo um Pais comparado aos do 3º mundo...Senão vejamos, nem o Tino, com tino ou sem tino, popularucho, simplório, ai e honesto que baste...e outros tantos imbecis se canditariam se isto não fosse uma Republica das Bananas...onde vale tudo e impera a ignorância. Ah, quem não votou? O povo não votou, mas votaram aqueles que pensam que vão ganhar mais qualquer coisinha...ou manter os seus bens etc.
Enfim, vale mais de longe o Marcelo a rir do que o Cavaco sempre a encavacar-nos,  embora iguais no fundo e da mesma marca PSD ... este, além de católico é devoto do Papa Francisco e contra o aborto etc. Tudo isto são afinal bandeiras esfarrapadas...é para esquecer - até chegarem os extraterrestres e nos tomarem a nós por macacos...
rlp

EU NÃO QUERO ESQUECER NEM PERDOAR

 
 
 
UMA ODE
de repudio à violência e domínio dos homens sobre as mulheres.
 
Eu não quero esquecer nem perdoar a ignomínia de séculos, senão milénios, de uso e exploração das mulheres por parte dos homens em todo o mundo. O esmagamento de metade da humanidade reduzida à escravidão, ainda em vigor numa parte enorme do globo, continua a ser a mulher a mais abusada e violada noutros sem excepção. Não, não me quero esquecer, nem perdoar todas as afrontas, sofrimento e violência sobre as mulheres ao longo de séculos, em cada canto do mundo e em cada casa. Os casos das mulheres nigerianas condenadas à morte por lapidação pelo crime de dar à luz uma criança do ex-marido...ou os assassínios brutais das mulheres em toda a parte pelos guerrilheiros inimigos, pelos prórpios maridos e irmãos, e mais gritante aodna em plena Europa os mais recentes casos de agressões e violações de mulheres na Alemanha e outros paises que estão a dar abrigo aos milhares de "migrantes" árabes e maioria muçulmana mesmo na nossa cara e com a quase conivência dos Estados e Governos e União Europeia.
Não, não quero esquecer a guerra nem a miséria em que SÃO as mulheres as primeiras vítimas de todas as guerras, violadas sistematicamente ou usadas para defender o interesse das famílias e do reino...A Inquisição católica que matou mais mulheres do que o Holocausto dos judeus por Hitler, as mulheres casadas à força ou tornadas freiras, as prostitutas e as mártires, as santas, as freiras, as criadas e as amas, as rainhas e as servas...as mães e as filhas, a mais arrogante das rainhas e mais humilde das concubinas na China e na Índia, todas elas sujeitas ao domínio dos patriarcas, padres e bispos e senhores e maridos e reis ou governantes deste mundo construído pelo poder da espada e da guerra contra o cálice sagrado da grande Deusa.
Eu não quero esquecer nem perdoar nem me deixar enganar por uma falsa liberdade ou igualdade de direitos num mundo dito democráttico e podre em que o mais grave de tudo é as mulheres que ao se “emanciparem” se tornaram coniventes com os homens não defendendo os valores femininos, nem as mulheres, mas os do Estado e dos homens e serem como os eles  e usarem as mesmas armas de domínio e poder ou sendo meros objectos de ostentação da vaidade do macho, não sendo de maniera alguma essa a essência da mulher. que renegaram. 
Mais grave do que a escravidão e abuso das mulheres é transformarem-nas no seu contrário e estas se traírem assim na sua essência. E nesta pretensa simulação de uma igualdade e liberdade nunca a mulher esteve tão longe do que Ela é na verdade e longe da razão do seu ser e portanto destituídas do seu Dom que prevalece na diferença e não na luta por um lugar neste mundo onde os valores do verdadeiro feminino de paz e amor, respeito pela natureza e poder de cura são ou deveriam ser o seu apanágio. Mas que isto não signifique que a mulher seja apenas um ser passivo e amorfo, que aceite tudo e se conforme com esta realidade. Não! Sou adversa as “Faces de Eva” passiva e submissa, como sou adversa a caricatura da mulher seja Atena guerreira nas batalhas sangrentas do homem pelo poder ou que vivem como meros como meros objectos sexualis desde menianas tanto como o seu contrário, assumindo atitudes e comportamentos de força e bélicos.
A mulher tem também em si a mulher selvagem e a guerreira, mas a sua luta é pela justiça e a verdade e não por propriedades e bens, terras e nomes...armas e petróleo! A mulher tem de lutar pela sua integridade se for preciso, tem de se impor ao homem e ao marido como ser independente e lutar pelo direito à sua soberania...mas nunca na guerra a seu lado...a nõa ser que a sua integridade seja posta em causa.
A mulher não tem país, mas a terra inteira a defender...
É o planeta que está em causa e não um território a defender de inimigos falsos e interesses que não são os seus porque elas são sempre as suas primeiras vítimas e os seus filhos carne para canhão. Ao longo dos séculos e dos milénios a carnificina repete-se e a humanidade reduzida a sua metade, assola outra metade pelo horror e prepotência de estados membros ou impérios. Fabricando armamento em massa e aparelhos dos mais sofisticáveis, dispensando orçamentos que alimentaria populações inteiras que morrem à fome e provocando guerras para alimentar uma indústria bélica a mais poderosa e destrutiva de todos os tempos, e que mais do que nunca ameaça o planeta de destruição global, dominando os países, mesmo os que se julgam autónomos em nome de uma justiça hipócrita que apenas esconde interesses económicos.
Se as mulheres do mundo inteiro, em cada país, em cada casa, se erguesse do mar das suas preocupações e da sua indiferença quanto ao destino das outras mulheres e de si próprias num sentido mais vasto e se voltassem para o mundo e dissessem NÃO com todas as forças da sua alma, se se virassem para si mesmas e pensassem que o mundo podia ser diferente se assim fizessem unindo as suas forças e que isso estaria nas suas mãos, o mundo mudaria em muito pouco tempo, por isso e porque está nas mãos das mulheres a grande mudança planetária, as mulherees estão a ser ameaçadas e perseguidas por máfias e predadores ... dentro dos seus prórpios países.
re-escrevendo
RLP

quarta-feira, janeiro 20, 2016

NASCER DE SI...



A NOSSA MÃE...

“A mãe é tudo na vida. Ela é o consolo na tristeza, o socorro na dificuldade, a força na nossa fraqueza. Ela é a fonte de toda a ternura, da amizade e do perdão. Aquele que é privado da sua mãe perde um coração para o suportar, uma mão para o abençoar e olhos para o proteger…
Tudo na natureza fala da nossa mãe. O sol, mãe da terra, abraça-a, alimenta-a como seu calor, ilumina-a até ao seu crepúsculo, embala-a para ela adormecer ao ritmo das ondas do mar, dos cantos das aves e dos rios. A terra, mãe das árvores e das flores, fá-las nascer, alimenta-as com a sua seiva e, por sua vez, estas tornam-se mães ternas para com os seus frutos suculentos e as suas sementes vivas. A mãe de todas as coisas é a alma universal, eterna, repleta de beleza e de amor…
(…)
A palavra “mãe” esconde-se nos nossos corações como se esconde o núcleo no fundo da terra e aflora aos nossos lábios tanto no momento da maior dor como no de alegria, tal como o perfume que a rosa exala na atmosfera mais pura ou pluviosa” in Les Ailes Brisées – Khalil Gibran

MAS QUANDO A NOSSA MÃE NOS FALHA...

"O remédio está em obter cuidados de mãe para nossa própria mãe interna. Isso se obtém com mulheres reais no mundo objetivo que sejam mais velhas, mais sábias e que, de preferência, tenham sido temperadas como o aço. Elas se tornaram calejadas por terem passado por tudo o que passaram. Independente do custo, mesmo agora, seus olhos vêem, seus ouvidos ouvem, suas línguas falam, e elas são gentis. Mesmo que tivéssemos a mãe mais maravilhosa do mu...ndo, ainda poderíamos acabar tendo mais de uma. Como muitas vezes disse às minhas filhas: "vocês nasceram de uma mãe mas, se tiverem sorte, terão mais de uma. E entre todas elas encontrarão quase tudo que precisarem". Nossos relacionamentos com las todas madres, as muitas mães, serão com maior probabilidade relacionamentos permanentes, pois nunca passamos da idade de necessitar de orientação e conselho, e isso também não deveria ocorrer, a partir do ponto de vista da profunda vida criativa das mulheres"

Clarissa Pinkola Estes

A PRIMEIRA MULHER


É GRANDE a confusão-informação pseudo-histórica-mitica e religiosa sobre Lilith (a Primeira Mulher) e muito contraditória...
Os homens estudam-na...aha ahah ...mas só as mulheres poderão decifrá-la nas suas entranhas...
Se os homens quiserem entender Lilith...oh deuses, blafésmia...terão de suicidar-se e pedir para nascerem mulheres...

rlp
  
 
 

terça-feira, janeiro 19, 2016

VER AS CAUSAS E OLHAR AS CONSEQUÊNCIAS



QUAIS AS CAUSAS E AS CONSEQUÊNCIAS...

Às vezes e sem querer damos a ideia de que a mulher sofre ou é oprimida ou ainda é fraca por sua culpa, como eu fiz com a minha mãe quando tinha 20 anos, cheia de arrogância, convencida de que era livre e tinha o mundo à minha frente...que o ia conquistar e libertar as mulheres. Mas isso é uma outra história que depois conto.
O facto é que muitas mulheres - mulheres de todos os níveis e educação, mesmo intelectuais e escritoras, divulgam essa ideia de si e das outras mulheres culpando-as de tudo e de nada, ou como se devessem ter mais força e vonta...de etc., culpadas por educar os filhos e os homens - como se elas fossem realmente livres de o fazer e ignorando que nada disso é culpa da mulher à partida. Esquecemos que ela não reage apenas como pessoa sofrida porque com medo ou como oprimida, porque ELA É OPRIMIDA DE TODAS AS FORMAS...e tudo isto é uma consequência, não uma causa! A causa do sofrimento da mulher não está nela à partida, mas na impossibilidade de expressar o seu ser na totalidade. A sua força e a sua vontade, a sua liberdade que nunca verdadeiramente teve. Podemos dizer até que ela tem escolha, mas sabemos que não tem, que nunca teve...e mesmo que tente e batalhe, mesmo que se destrua por dentro para se afirmar. Mas ela não consegue nem pode afirmar-se num Sistema que a nega e sempre negou. Mas isso só vemos mais tarde ou nunca o queremos ver por ai sim cobardia e medo de fazer ruir todos os sonhos e ilusões de uma vida inteira.

Teimamos em não querer ver com ela sofre por tudo, pela família que serve e pela filha que rejeita e pelo filho que adora, pelo marido que a maltrata, pelo patrão que a assedia...Raro é o homem que o não faz e a desrespeita, se for solteira ou divorciada...Mas ela sofre além do mais por não saber quem é, por se sentir dividida e por não perceber a razão dessa perseguição milenar, ao seu ser menina, ao seu ser mulher, ao seu ser velha, ao seu ser sensual, ao seu ser intuitivo e mediúnico...
Ela não percebe o seu sofrimento nem porque a sociedade e os homens a culpam de tudo e por tudo e por nada. Ela não percebe porque é violada e abusada logo em criança pelos tios avô ou  pai, ela não percebe porque é sempre a vitima e a culpada onde quer que esteja...ela não vê AS CAUSAS porque elas são todas criminosamente branqueadas, disfarçadas e os homens desculpados e ela não vê o porquê dessa perseguição e esta culpa porque lhe dizem que ela é livre e emancipada...e ela adoece e enlouquece e é histérica, bipolar, puta, cabra, e desgraçada...porque ela não sabe...ela não sabe QUEM É, NÃO SABE O SEU PODER interior, o seu potencial, e defende-se e acusa e odeia as outras mulheres porque nenhuma mulher a ajuda ou defende, nem a mãe o fez...a irmã...a amiga que a traiu pelo namorado...e são sempre suas rivais e inimigas, prontas para a atacar onde quer que seja...

A Mulher é um fardo de sofrimento acumulado e sofre todas as consequências de um Sistema que a oprime e anula e nega como individuo. Isto desde há milénios a esta parte. Se pensamos que muita coisa mudou...não, pouco ou nada mudou na verdade, pois só na aparência e não nos factos que o desmentem...
Sei que é tal a poeira nos nossos olhos, são tantos os anos de branqueamento e de culturas que nos querem convencer do contrário, que isto vos parece um absurdo e demasiado radical. Sim, eu sei, tendemos a dizer, que não, que não é assim...e recusamo-nos a olhar à nossa volta...uma mulher morta por dia pelo marido sempre que se quer separar...por sofrer maus tratos e um padre a dizer que por se divorciar a mulher é morta...etc. Onde está então a diferença?
Sim, digam-me onde está a diferença?
rlp

segunda-feira, janeiro 18, 2016

A OPRESSÃO DA MULHER NO MUNDO DITO DEMOCRÁTICO


Texto de UMA LEITORA ANÓNIMA

Tem um texto num blog que diz que as mulheres nascem, crescem e vivem na síndrome de Estocolmo. Somos ameaçadas, assediadas, objetificadas e inferiorizadas desde o momento em que nascemos. E por isso, vivemos com medo. Temos medo. Esse medo, cria em nós a síndrome de Estocolmo, pois somos obrigadas a viver, conviver com os nossos agressores e assediadores, os homens. Homens são a nossa razão de ter medo. E esses mesmos homens, são nossos pais, irmãos, primos, filhos, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, namorados. E esses mesmos homens são aqueles que preferencialmente nos atacam, nos agridem, nos estupram e nos matam. Mas nós temos que conviver com eles diáriamente. E sobreviver nessa sociedade onde somos constantemente ameaçadas por eles. É muito difícil uma mulher escapar disso, da síndrome. As mulheres desenvolvem várias estratégias de sobrevivência e muitas "escolhem" se adequar aos padrões do feminino no patriarcado, outras se rebelam, outras vivem na corda bamba. Mas tudo é estratégia para sobreviver num mundo que nos odeia e não deixa de demonstrar isso, 24 horas por dia, sete dias na semana, 365 dias no ano. Todas as instituições patriarcais nos refletem o pensamento masculino sobre nós e todas tem na misoginia o seu padrão de atuação. É muito difícil ser mulher e se saber odiada e desprezada em todo o lugar. Até quando dizem que nos 'amam', nos 'amam' para nos explorar sexualmente ou na nossa capacidade de dar a luz. Os homens transformaram a existência das mulheres, num pesadelo. "


Obrigada  minha amiga  por este lucido comentário e espero que não se importe de eu o publicar aqui como testemunho vivo da contínua agressão-opressão que a mulher sofre nesta sociedade patriarcal e em família, regra geral muito bem mascarada de democracia e "direitos e igualdades". De lamentar e sem solução à partida este mundo machista em que as mulheres vivem, sofrem, lutam e trabalham e que tão bem descreve . O que diz corresponde de forma muito próxima com uma ideia que ando a desenvolver e está clara no meu espírito mas que é muito difícil de comunicar pois as mulheres preferem manter-se nessa condição servil  e submissa vitimas desse Síndrome, sem coragem de olhar desassombradamente para esta sociedade machista que assim as oprime e reduz, como você fez...


rosa Leonor pedro


A MULHER MODERNA...


UMA LONGA APATIA de 1933 a 2016
(...)
"O recente despertar da mulher da sua longa apatia trouxe à tona poderes latentes que, muito naturalmente, ela está ansiosa por desenvolver e aplicar na vida, tanta para sua própria satisfação e vantagem, como para aumentar a sua contribuição à vida do grupo. Esse passo adiante no desenvolvimento consciente não acontece sem dificuldades e obstáculos. Ela afastou-se da velha e bem estabelecida maneira de conduta e adaptação psicológica da mulher, e se acha hoje atacada por problemas que nem ela mesma e nem as mulheres pioneiras que iniciaram o movimento pela emancipação da mulher previram. Essas mudanças tem produzido para a mulher um inevitável conflito interno entre a necessidade de se expressar através do trabalho , como um homem faz, e a necessidade interior de viver de acordo com a sua própria natureza feminina. Esse conflito parece condicionar toda a experiência de vida para todas aquelas mulheres modernas que estão totalmente cientes de si mesmas como indivíduos conscientes. Para elas uma vida unilateral não é suficiente; o conflito entre as tendências opostas do masculino e do feminino dentro delas tem de ser encarado. Não podem resumir os valores do feminino àqueles velhos padrões instintivos e inconscientes. Conseguindo um novo grau de consciência, saíram do fácil caminho da natureza. Se pretendem ter contacto com o seu lado feminino perdido, isso preciso ser feito pelo duro caminho de uma adaptação consciente.

Os problemas de adaptação, surgindo da recente dualidade na mulher, tem que ser necessariamente tratados sob o seu aspecto moderno. A necessidade de reconciliação dessas duas partes da natureza feminina é um problema secular (a cisão da mulher em duas -nota pessoal); e é somente na sua aplicação na vida prática que o aspecto moderno surge. Basta olhar para debaixo do verniz da vida contemporânea para se encontrar o mesmo problema num nível mais profundo. Não é um problema de adaptação da mulher ao mundo do trabalho e do amor, esforçando-se para dar o mesmo peso a ambos os lados da sua natureza, mas sim uma questão de adaptação aos princípios femininos e masculinos que interiormente governam a sua subjectividade. Ela tem de voltar-se para quele material subjectivo que foi rejeitado, que para os cientistas do sec. XX eram somente superstição ou uma questão de humores. " *


Este magnífico trecho foi escrito em 1933 - portanto há quase um século e é a análise de como a mulher moderna iniciou a sua caminhada face a uma afirmação social no trabalho e na vida pública da qual até ai era completamente arredada, salvo alguma excepção, mantendo-se como dona de casa, mãe de filhos e esposa recatada.

O texto de um livro fundamental e diria mesmo essencial para a compreensão consciente da mulher de hoje, como é obvio, aqui apenas refere  a entrada da mulher no mundo masculino e a sua adaptação ao mundo do homem e do trabalho, que a autora refere como uma tomada de consciência do seu lado masculino e coloca aí a dualidade da mulher que entretanto durante todos estes anos se afirmou realmente quase só do lado do masculino esquecendo a mulher instintiva e os valores do feminino ontológico e psicológico. O que a autora junguina não viu, tal como o próprio Jung, foi que mesmo antes da mulher assumir o seu lado masculino, enfrentado o mundo do trabalho, havia nela já antes uma mulher cindida em duas na sociedade secular patriarcal – ou seja a mulher dividida entre a mulher “santa”, casada virgem, e fiel ao marido, muito prendada e recatada e fora do mundo, e a mulher “puta”, a mulher sensual atrevida que vivia à margem da sociedade e que é explorada pela sua sexualidade como prostituta ou como amante dos senhores ricos – as cortesãs consideradas mulheres livres - mas que não se podiam comparar com as mulheres sérias que permaneciam em casa fechadas, etc.  De um lado temos hoje ainda a mulher "bem comportada" e honesta  e do outro a mulher fatal, a perversa e a cabra...

O livro refere essa mudança e o conflito da mulher dentro dessa dualidade que dai advém e é um facto que assim é, só que hoje em dia as mulheres já nem se apercebem dela de tal modo se adaptaram sem qualquer consciência de si como mulheres femininas e de um feminino intrínseco, que de facto passou a subjectivo e oculto, para que ela pudesse corresponder às necessidades do seu lado masculino e mantendo-se apenas nesse lado, tal como aconteceu com as feministas em geral. Uma consciência masculina, objectiva e pragmática, racional e lógica e muito pouca interioridade e menos ainda subjectividade. A subjectividade que foi tratada como histerismo e esquizofrenia…e que hoje em dia, do meu ponto de vista, derivou em cancros e miomas e outras doenças ditas de foro feminino…elas reflectem o choque e a violência da adaptação da mulher ao mundo do homem e do trabalho e o esquecimento  versus alienação da sua natureza profunda feminina. Ao adoptar os valores masculinos exclusivamente a mulher alienou-se da sua herança matrilinear e da sua própria identidade, lutando num campo adverso contra a sua própria natureza estando as mulheres modernas totalmente disfuncionais o que dá naquilo que hoje chamam a bipolaridade, incluindo mesmo a fibromialgia, quer as neuroses e psicoses de uma maneira geral.

A necessidade que a autora e psicóloga aponta para que a mulher viva a sua totalidade, ligando o objectivo com o subjectivo, compreendidos esses lados nos seus opostos masculino e feminino, a meu ver não é válida à partida, na medida que ela não tem em conta a cisão inicial da mulher (em duas mulheres), nem dessa divisão interna da sua natureza intrínseca, instintiva e sexual por um lado e o da mulher castrada, sem direito ao prazer, a casta esposa e mãe por outro, conforme a sociedade patriarcal determinou as regras e as leis do jogo.

E claro por essa razão não houve a tomada de consciência de que a autora fala do ponto de vista junguiano, e não resultou em nada porque à mulher moderna faltava já a consciência dessa feminilidade essencial, de amante e médium, de intérprete das forças cósmico e telúricas, de iniciadora do amor, diria, erguendo a mulher numa totalidade feminina apenas, numa mulher MULHER Integral  e só depois seria natural ligar-se ao seu lado masculino, dentro e fora dela. Assim, passado quase um século, temos esse problema invertido, pois o que mais falta à mulher moderna de hoje é mesmo o seu lado feminino profundo e não o seu masculino psicológico bem desenvolvido e arreigado nas mulheres comuns sobretudo as "emancipadas"!

É muito óbvio que as junguianas e as espiritualistas do sagrado feminino actual continuam a propagar o mesmo erro sem ver a importância dessa cisão interna da mulher – que precisa ser curada e integradas as partes - e como ela afecta a sua vida pessoal familiar e de grupo, trazendo para os círculos de mulheres os ódios e rivalidades que se projectam entre mulheres devido a essa divisão da própria mulher, em “santa e puta”, desde há séculos. A partir destes estereótipos esgotados, apareceram variantes que parecem esgotar a ideia, mas que no fundo e no inconsciente das mulheres, continuam a determinar comportamentos e suas acções extremadas e aberrantes no mundo ocidental sobretudo.  

Não, como diz a autora, não podemos, “ resumir os valores do feminino àqueles velhos padrões instintivos e inconscientes. Conseguindo um novo grau de consciência, saíram do fácil caminho da natureza. Se pretendem ter contacto com o seu lado feminino perdido, isso preciso ser feito pelo duro caminho de uma adaptação consciente.”

Sem dúvida que assim é mas a luz da inversão desses caminhos do feminino não só instintivo mas também objectivo, temos de ir mais longe e de reunir as duas mulheres em nós há muito divididas e então sim, encontraremos nosso Feminino Perdido  preso  nos labirintos da mente masculina e das leis do patriarcalismo que nunca serviu a mulher nem a beneficiou em nada!

RosaLeonorPedro
* texto retirado de OS MISTÉRIOS DA MULHER de M. Esther Harding

PARA QUE NÃO ESQUEÇAMOS...

 
 
O SISTEMA PATRIARCAL aniquilou a MULHER!

"Os ídolos imemoriais foram derrubados e foi preciso destruir, junto com eles, seu suporte: a mulher-mãe, a mulher-deusa, a mulher-fêmea, a verdadeira mulher.
As pessoas cultas denunciam hoje as atrocida­des do colonialismo recente: os indígenas aniquila­dos, os feiticeiros africanos extintos, as civilizações negras martirizadas. Mas não falam de nossos anti­gos totens, qu...
e foram derrubados! De nosso Deus, que foi aviltado e perseguido! De nossas sacerdoti­sas, que foram exterminadas! De nossa mulher, que nos foi subtraída! A velha Europa também foi colo­nizada e desfigurada. Sim, senhores, ouso dizê-lo. Do ponto de vista puramente antropológico em que me situo, a história da Igreja cristã é a história de uma guerra empreendida pelo estrangeiro contra um cul­to nativo muito antigo, muito poderoso, muito pro­fundamente arraigado e de um crime bem-sucedido contra toda a raça humana fêmea. Nós perdemos nossa metade, senhores. Como demonstrarei, ela foi morta."
 
 
Louis Pauwels

COMO OS SIMBOLOS DE VIDA


SE TORNARAM MALÉFICOS NO CRISTIANISMO...


"Nossa interpretação da palavra 'demônio' como um significado de algo demoníaco é muito interessante. O demoníaco vem do grego, e se refere à dinâmica da vida - o seu demônio é a dinâmica da vida.
Em nossa tradição, somos tão contra a dinâmica da vida que a transformamos num diabo. 'Demônio' tem um sentido negativo em nossa tradição. Isso é incrível. De modo semelhante, a serpente, que também representa a dinâmica da vida, foi convertida num princípio negativo em nossa tradição. A serpente pode trocar de pele para renascer, representando assim o poder da vida de superar a morte e o vínculo da vida com o tempo. É a dinâmica da vida e da consciência no campo dos pares temporais de opostos, nascimento/morte e assim por diante; mas a vida prossegue. É como se a nossa tradição fosse contra a vida. A nossa própria divindade é contra a vida. Temos uma divindade que fala sobre graça sobrenatural e virtude, mas a vida em si é algo desprezado em vez de celebrado e o corpo é algo horrível em vez de fantástico. É um mundo estranho."


Joseph Campbell - E Por Falar Em Mitos...

domingo, janeiro 17, 2016

ROSA MATER : A nossa trágica herança grega...continua...



LER E RELER...


"É então pela garganta que, em Eurípides, Neoptólemo, como bom sacrificador, imola a virgem, golpeada no ponto fraco das mulheres. Sem dúvida não estava ao alcance da tragédia destruir um discurso predominante: não é ainda na garganta ou, se se preferir, no pescoço, que desde a época arcaica Aquiles fere mortalmente Pentesiléia?* A garganta ainda e sempre, na guerra como no sacrifício: escolha significativa, sem dúvida, numa tradição nutrida pela epopéia, onde o corpo viril se... oferece inteiro aos ferimentos fatais. Para esclarecer a regularidade – dir-se-á a monotonia? – dessa reiteração, sem dúvida seria necessário procurar-lhe a lei fora do universo trágico, junto à reflexão ginecológica dos gregos onde a mulher é imaginada entre duas bocas, entre dois colos, onde o comportamento errático da matriz embarga brutalmente a voz na garganta das mulheres, onde muitas moças em idade de ser nymphai se enforcam para escapar à sufocação temível que as enlouquece no interior de seu corpo. "(...)


ROSA MATER : A nossa trágica herança grega...continua...: Maneiras Trágicas de Matar uma Mulher de Nicole Loraux (...) o paradoxo da morte gloriosa das mulheres é que a única morte bela é a ...

QUE FEMINISMO?



EU DEFENDO e  "Algumas feministas defendem que não pode existir um "feminazismo"[20] ou hembrismo, pois as mulheres, ou as pessoas que não se identificam com o binário de gênero, em uma situação de poder, não seriam capazes de exercer uma opressão igual à suposta opressão patriarcal.[21]
Em uma entrevista em 1996, Gloria Steinem criticou o uso do termo feminazi por Limbaugh. De acordo com Steinem, "Hitler subiu ao poder em oposição ao forte movimento feminista na Alemanha, fechando as clínicas de planejamento familiar, e declarando que o aborto é um crime contra o Estado - todos são pontos de vista que estreitamente assemelham-se aos de Rush Limbaugh."[22] Em seu livro Outrageous Acts and Everyday Rebellions (português: "Atos revoltantes e rebeliões todos os dias"), Steinem caracterizou o termo como "cruel e anistórico", e detalhou sobre a repressão hitlerista contra os movimentos feministas, observando que muitas feministas de destaque da Alemanha, como Helene Stöcker, Trude Weiss-Rosmarin e Clara Zetkin foram forçadas a fugir da Alemanha Nazista, enquanto que outras foram mortas em campos de concentração."


O FEMINISMO QUE NOS RESTA...


Estava a pensar na situação extrema a que as feministas ou o Feminismo chegou. Temos agora o que resta das feminista, as marxistas que se aliaram e filiaram-se (filhas do patriarcado) aos Partidos de esquerda ficando confinadas ao campo de acção politica e de interesse partidário machista e pouco mais, defensoras dos direitos do Homem e solidárias com causas que as excluem, convencidas de que adquiriram direitos. Assim, perderam completamente a noção não só da mulher em si (há umas boas décadas) como da realidade que diz respeito a todas as mulheres independentemente das classes ...sendo que as feministas mais radicais e que não foram aglutinadas aos partidos tornaram-se marginais, são lésbicas ou misândricas (odeiam os homens), é um facto e hoje em dia até lhes chamam de um lado as Femini-nazi, as mais fundamnetalistas e do outro lado temos as Femen...como combatentes de uma luta desigual e absurda contra o poder bélico da policia. Mas para mim é uma coisa inconcebível tanto essa exposição como o de chamar-se nazi às feministas...pois os nazis mataram e torturam as mulheres feministas ou livres pensadoras.

No entanto, se analisarmos as coisas friamente e  tendo em conta que o racismo-sexual que quase todos os homens do Planeta  devotam às mulheres, sobretudo os fundamentalistas islâmicos,  é natural que as extremistas pareçam nazis aos olhos "cândidos" das europeias, as novas românticas ideológicas do comunismo e desta "solidariedade" fictícia que a Europa atravessa...
Do outro lado então  ficaram as Femen e ainda as "Marchas das Vadias", estas apenas em manifestação, e que são as que dão o corpo ao manifesto - uma expressão que as "veste" bem - e se despem e afrontam a polícia e os guardas-costas em atitudes de revolta que não servem a ninguém; ademais elas estão nuas e expostas como as mulheres de quem eles abusam e DESPEM e tratam de prostitutas...esse é o maior absurdo da sua acção que além de inutil, só as denigre e destrói mais COMO MULHERES. Elas já não têm qualquer noção do seu valor e apenas reagem como "amazonas" (os resquícios de uma memória, por isso destapam os seios) para responder com as mesmas armas à violência, mas com o completo desrespeito pelo seu corpo e pela sua dignidade. São arrastadas pelo chão, espancadas às vezes, desprezadas pelo publico e presas...e não veem que dessa forma só se aviltam.
Antes as mulheres eram torturadas e despidas pela Inquisição, acusadas de bruxaria e magia...e foram-nos igualmente sempre nas guerras e revoluções, todas elas -  embora houvesse as camaradas machas e as nazis, que eram salvas e aceites enquanto as outras eram  mortas e abusadas,  as inimigas de classe, as burguesas, as judias e as pretas etc.
Agora gostava que víssemos como aquela mulher (tu e eu)  que acaba acusada de "racistas e xenófoba" ou  nazi,  pode  ser qualquer uma de nós  com alguma consciência de si que perceba que os seus inimigos são quase todos os homens (salvando honrosas excepções) desde que os não sirva ou obedeça, a começar pelos pais e maridos, às vezes irmãos...São esses que as matam e assassinam em casa - maridos e amantes...e isto menos na Europa civilizada, mas de forma brutal e em geral na idade media islâmica...
Na verdade essas mulheres que sofrem essa acusação de femini-nazi - sei muito pouco sobre elas e admito  que até podem ser fundamentalistas e levar as coisas aos extremos, tal como as lésbicas -, mas também sei  que qualquer mulher consciente de si e que se manifeste em consciência de  como elas sim são vítimas de  racismo-sexual em todo o mundo e que quando o fazem apenas estão a denunciar um acto que as vitimiza.
Contudo o que acontece é que tantos essas mulheres machas como os homens do Sistema não consideram esse facto uma vez que só os homens têm direitos - os direitos do Homem - e uma mulher vitima ao ser  atacada, usada e abusada que se defenda dessa ofensa ou perigo é acusada logo de racista e o espantoso é que esta é a tese-propaganda  das marxistas e das feministas em geral que estão filiadas aos partidos e que se movem na linha da politica internacional. Quer sejam as jornalistas quer sejam as intelectuais e ministras ou deputadas desses partidos elas não vêm o racismo contra a mulher tal como os seus camaradas, com quem são coniventes, nem veem isso como uma realidade mas apenas como um "fait divers" (sim, algo insignificante tal como a pedofilia) porque não é assunto do Homem nem das  mulheres anuladas e sem identidade que respondem a essa ideologia do "politicamente correcto" - e nem veem sequer que  estão contra si mesmas e contra as mulheres no mundo, convencidas que são iguais a eles e livres, convencidas de que são "emancipadas"... quando afinal não passam de servas encapotadas do sistema, espécie de DOMÉSTICAS dos Partidos, ou mulheres de limpeza...de quem eles  se servem para todo o serviço!

Como diz uma amiga, "os preconceitos machistas "derramaram-se" um pouco por todo o globo, como se o que ainda restasse velado, tivesse de vir à luz do dia, de modo a mostrar ao mundo os abismos existentes.  Esta miscelânea de culturas entrou em choque e o panorama agudizou-se. Encontramo -nos no "fio da navalha".
Nós temos de ser fortes e resistentes para que não aconteça uma regressão e a perda de direitos já alcançados...

No entanto,  a SERENIDADE e a DIGNIDADE não devem abandonar-nos jamais." L. Baroa


rlp