"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quinta-feira, janeiro 14, 2016

LIDAR COM O IMPOSSIVEL...


MULHERES, RENASÇAM DAS CINZAS!


..."OU EU ME VOLTO PARA DENTRO OU EU MORRO"...

"Daqui em diante se a gente não souber lidar com o impossível, o nosso cérebro não vai saber lidar com a realidade. Mas apesar de tudo isso é uma mensagem de esperança, uma mensagem de que a vida nasce do impossível..." Rose Marie Muraro


“Quando a cultura matricêntrica dá lugar ao patriarcado, rompem-se os laços de afeição que uniam mulheres às outras mulheres.
Agora, é a mulher que quando se casa vai para a casa do marido. A partir da dominação econômica exercida sobre ela pelo marido e sua família, a mulher introjeta a sua inferioridade.
E esta introjeção se traduz em dependência psicológica em relação ao homem em tendências masoquistas ( sentir prazer em humilhações e sofrimentos) frigidez e carência sexual.
Enquanto as mulheres se dividem entre si, os homens continuam capazes de fazes alianças e muitas vezes de viver em grupos solidários,o que reforça então a sua superioridade construída sobre a divisão das mulheres.
Quando se torna adulto, o homem já não é capaz de amar a mulher. Ele cinde o desejo sexual do afeto e, com isto, cinde também a imagem da mulher. De um lado a esposa, a santa, a sucessora da mãe, que pertence ao domínio do afeto. De outro a prostituta (a libertária, a punk, a alternativa) aquela que pertence ao domínio do prazer.
Assim, o homem se divide para não se entregar, pois desde a infância aprendeu que entregar-se ao amor é ser castrado, e portanto, morrer, ser vencido.
Cada um, pois, homem e mulher, assume o seu lugar no sistema patriarcal a partir do mais intimo de si mesmo, sem saber que são ambos fabricados para serem o combustível do sistema, vivendo papéis que este lhes destinou.”

Rose Marie Muraro

3 comentários:

vania jones disse...

o sistema patriarcal está montado de forma a anular as Mulheres, seja pela instituição casamento (q eu não acredito) seja por todas as suas formas de funcionamento.. os modelos de vida, de família q nos são apresentados são fabricados na medida de nos submeter de nos fazer estar dependente em todas as áreas das nossas vidas. enfrentar mo nos pois é um árduo trabalho de silencio e solidão, mas pelo q tenho verificado apesar da dor e das dificuldades tem sido mais q seguro e gratificante voltar me para dentro. o resultado está à vista, estou mais bonita sozinha, mais elegante, mais concentrada, mais empenhada, mais lucida (alias nunca o fui).. enfim estou viva. depois do divorcio recomecei do zero, com a roupa q trazia no corpo e comi pao duro muita vez, e o sofrimento foi tal q não voltei a casar. fiquei sem os bens materiais mas descobri uma amiga nova: a Vania.

rosaleonor disse...

É muito importante a mulher reconstruir-se a partir de si mesma...é a maior aventura e a maior batalha que ela pode travar e ganhando-a ganha a sua vida de volta...intacta e não dividida como sempre viveu e vivem as mulheres em geral - sempre projectadas no amor do homem como se não tivessem vida em si, como se tivessem sido esvaziadas de conteúdo e deixado um buraco enorme que elas buscam preencher de qualquer maneira...
Portanto está de parabéns pela sua força e determinação em ser fiel a si mesma. Espero que continue e siga em frente. O amor de nós mesmas é o amor maior... e quando aprendemos a amarmo-nos e a respeitar-nos, também é possível amar os outros e sermos amadas pelo que valemos...
abraço
rl

vania jones disse...

muito obrigada, tu és uma inspiração para mim. tive muita sorte da oportunidade de te olhar nos olhos. oxalá q muitas Mulheres te leiam de peito aberto, e se permitam .. forte abraço.