quarta-feira, fevereiro 10, 2016

A RAPARIGA DINAMARQUESA


E A MULHER DIVIDIDA, INCONSCIENTE DE SI...

LILI - o nome fictício que a mulher dá ao marido quando o transforma numa mulher por brincadeira...cria a personagem e depois ele torna-se nela...Ironia sem dúvida que o homem sensível, feminizado, queira de algum modo tornar-se a verdadeira mulher que não encontra fora...nem na própria mulher que ama...

Sendo a mulher que conhecemos uma pálida imagem da Mulher-Mulher, cujo potencial está adormecido nela, por muito bela que seja, ela não tem a força do arquétipo nem a sensualidade e a magia que a mulher plena poderia ter.
Lilith ou Lili não é ao acaso que o nome surge do inconsciente de ambos...pois ambos estão em busca dessa Mulher Mitica sonegada pelo patriarcalismo e que a mulher moderna não sabe ser e acaba por transformar o homem dela em Lilit...e ele não resiste a essa transformação pelo imperiosa força de arquétipo que domina tanto o inconsciente da mulher como do homem. Irónico porque não é a mulher a descobrir-se nesse fundo obscuro que o mito traz à superfície - o mistério e o desejo da mulher a ele associado - mas o próprio homem...este é o fundo do transformismo para mim. O Homem que não encontra o verdadeiro espelho da Mulher plena transformam-se ele próprio nessa mulher...como sendo essa a sua pele...
Quando  o homem não tem acesso a essa mulher total...ele busca-a em si e sem que a mulher a reflita ele acaba por se travestiar na mulher que deseja e sonha...
Outros factores certamente estão implicados, a maioria  culturais e de educação e outros sexuais, que fazem com que o homem queira ser mulher...mas importa ver que mulher é essa que os homens querem ser...
Lembremos o poema de Mário Sá Carneiro:

Eu queria ser mulher pra me poder estender
Ao lado dos meus amigos, nas banquetes dos cafés.
Eu queria ser mulher para poder estender
Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer 'potins' - muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -
Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios,
Que num homem, francamente, não se podem desculpar.

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
E enganá-los a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais
[esbelto,
Como um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher pra me poder recusar...

Mário Sá Carneiro

Este Sistema, "Á força de rejeitar o que a Feminilidade traz como solução à angústia do homem, cria em todo o caso uma humanidade perfeitamente neurótica.
(...)
Com efeito, o homem primitivo invejava à Mulher o seu mistério, a sua ambiguidade fundamental, o seu poder de dar a vida, o homem moderno porém esqueceu, pela sua educação completamente masculinizada, este desejo metafísico da Mulher Divina. Esse desejo encontra-se no estado inconsciente em todos os indivíduos. Os poetas e os artistas os traduzem nas suas obras, os outros nos seus comportamentos aparentemente inexplicáveis ou simplesmente aberrantes como é o caso da imitação fisiológica e do fetichismo do vestuário.
(...)
O padre que oficia nos seus trajes de cerimónia, todos de origem feminina, e o travesti, castrado ou não, obedecem a um mesmo desejo. Destapar uma ponta do véu, descobrir o famoso véu de Ìsis. (...)

In LA FEMME CELTE - de Jean Markale

rosa Leonor pedro

1 comentário:

Ana Nazaré disse...

ROSA , POR FAVOR, FALE-NOS MAIS... AJUDEEE NOS !!!
ELA ME ILUNINA! OH VERDADE QUE ME ASSUSTA E ME SEDUZ AO MESMO TEMPO
SIM!!!
VEJO TODAS AS ERAS , TODAS AS GERAÇÕES
DENTRO DE MIM !!!!!!!!!!!!!!
ESSA TERRA É SAGRADA ROSA, NÃO ESQUEÇA DISSO!!! ESSA TERRA É SAGRADA...